Friday, February 24, 2012 - E agora, o que vem?
Olá meus queridos amigos e leitores, boa noite!
E vem aí o Oscar 2012. Será que teremos surpresa? Estou até um pouco triste, neste ano não poderei ir para aquele lugar maravilhoso. Mas vamos lá, uma perguntinha: sabem o que mais gosto num filme?
O que mais gosto é quando aparece na tela o The End (ou Fim ou Fine ou Fin ou 終わり). Porque depois dele é que as coisas começam a ficar interessantes, afinal, até ali, havia um roteirista escrevendo e tudo estava sob controle. Mas e depois? Quando os personagens caem na rotina da vida real e não há mais ninguém para escrever suas falas ou rubricar suas ações? Aí que o bicho pega.
Casablanca, por exemplo: todo mundo acha que Isla não ficou com Rick por causa de Victor Laszlo, numa inusitada vitória da honra sobre o amor num filme romântico. Mas não foi isso que aconteceu. Isla realmente não ficou com Rick, mas por outro motivo. Foi o seguinte: mal chegaram em Lisboa e Victor começou com as perguntas: de onde Isla conhecia Rick, o que tinha acontecido em Paris, o porquê dos litros de colírio derramados, já que, por ele, ela nunca vertera uma gota sequer de colírio... Isla ainda tentou revelar, afinal Victor tinha sofrido muito durante a guerra, tentou desconversar, mudar de assunto. Mas o ciúme doentio do marido não deixou. Victor continuou insistindo que queria saber a verdade e Isla achou que a única saída para salvar a relação seria contar tudo. Ela então cometeu o chamado sincericídio: contou, nos mínimos detalhes, tudo que havia acontecido entre ela e Rick, não só em Paris, mas em Casablanca também. Aí o pau comeu feio e os dois disseram coisas amargas um ao outro, coisas que jamais poderiam ter sido ditas. Assim que a guerra terminou, eles também terminaram e Isla pegou o primeiro avião de volta para Casablanca. Mas, ao chegar, descobriu que Rick estava amancebado com o capitão Renault, aquele para quem Rick dissera, antes do The End, que parecia o início de uma grande amizade. Amizade! Sei! Isla verteu mais cinco litros de colírio e voltou para Paris, onde, cinco anos mais tarde, foi encontrada morta numa quitinete do bairro do Marais, onde morava com nove gatos esfomeados.
Com o ET a realidade foi mais cruel e lacônica ainda. Ao chegar em seu planeta, ele descobriu que estava com dengue hemorrágica e a medicina avançadíssima de seu planeta não estava preparada para uma doença chinfrim como aquela. Nem os dedinhos luminosos dos médicos deram jeito: ET baixou na enfermaria 7, ficou quatro dias ali e passou dessa para melhor. Sua última frase, antes de morrer foi:
- Elliot, seu filho da puta!
Com Maria e o capitão Von Trapp, de "A noviça rebelde", a realidade também foi bastante cruel e violenta. Para resumir, transcrevo abaixo um trecho do depoimento do capitão Von Trapp à justiça austríaca no processo que sucedeu ao terrível assassinato de Maria Von Trapp:
"Senhor juiz, o senhor e o mundo têm que entender os motivos que me levaram a fazer o que fiz. Eu perdi o controle, não aguentava mais as musiquinhas da minha esposa. Tudo era motivo para cantoria: se o café da manhã estava gostoso, ela cantava, se havia sol lá fora, ela cantava, se estava triste cantava... um verdadeiro inferno! E não era só isso: ela colocava os meus filhos para cantar também! E tinha mania de criar coreografias para as músicas que eles cantavam. Era insuportável! Para piorar, com a passagem do tempo, as coreografias foram ficando cada vez mais ridículas, as músicas caíam de qualidade a olhos vistos... no final, até funk brasileiro ela colocava os meus filhos para cantar e dançar... Foi num desses dias que eu perdi a cabeça. As crianças estavam dançando uma tal de dancinha da garrafa... eu pedi a Maria que parasse com aquilo, que eu estava ficando louco com aquelas músicas e coreografias, mas ela não me ouviu, disse que a música fazia parte de sua vida e que sem música ela não existia. Aí eu fiquei louco, fora de mim, não sabia mais o que estava fazendo... só lembro que peguei o violão de Maria e o arrebentei o crânio dela... eu perdi a cabeça... mas vocês precisam entender: nenhum ser humano seria capaz de aguentar aquelas músicas e coreografias todo dia, sete dias por semana, 365 dias por ano... Eu sou o único culpado pela morte de Maria... Mas gostaria que me entendessem e me perdoassem. Na minha situação, tenho certeza de que qualquer pessoa faria a mesma coisa. Muito obrigado."
Agora eu pergunto: onde há mais drama? Na vida real ou na ficção?
The End (ou Fim ou Fine ou Fin ou 終わり)
Abraços em todos. A gente se encontra no próximo post, até lá!
ニューヨーク、2012年2月23日
Wallace Neubarth Chieppe
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Saturday, January 21, 2012 - O poder da imagem
Olá meus queridos leitores e amigos!
Um ano, praticamente, sem postar nada aqui neste espaço. Não sei mais qual desculpa poderei usar. Quem me conhece o suficiente, sabe o motivo do atraso, não sobra tempo mesmo...
Queridos, hoje estou aqui, até um pouco revoltado. Nada que me abale a estrutura, mas é sobre uma reportagem que pode mostrar um lado da minha pessoa que nem eu conhecia. Estou chateadíssimo...
Dia desses entrei em um site de bate-papo. Sou jornalista, as pessoas não entendem que não me exibo no msn e muito menos nestas salas que têm pessoas de todo canto do mundo. Epa, entrei numa sala de bate-papo, não em uma sala de exibição de perfis ao vivo, se quisesse isso, com certeza teria ido em algum shopping ou qualquer outro aglomerado de pessoas.
A malícia roda à solta por aí, não posso me dar ao luxo de me tornar uma "celebridade instantânea", tipo BBB ou ex-BBB. Tenho um nome e uma reputação a zelar. E muito se engana quem pensa - ou imagina - que ao entrar no bate-papo desejo ser o mais antigo amigo íntimo de alguém, para que essa pessoa me exponha suas entranhas. Pelo contrário, não gosto, não suporto.
Nem sei o motivo de ter desabafado isso; não sei mesmo. Talvez as pessoas se interessem mais por um lindo rosto - rsrsrsrs - do que por um conjunto de ideias, ou ideais, ou, ainda mais... qualquer coisa que designe mente oca. Sei lá que nome tem isso!!!
Ao entrar numa sala de bate-papo, ou até mesmo em msn - que acho superpessoal, entendo que não preciso me expor as entranhas. Ninguém disso precisa. O caráter, hoje, passa muito longe da tecnologia e não me espanto, em dia algum, se souber que você que me lê, agora, não diz todos os santos dias:
- Não tem câmera, nada feito!
Desculpem-me os que são santos, mas nesta igreja... Jesus amou a todos. Ninguém a mais, ninguém a menos.
Beijos, meus amigos, a gente se encontra no próximo post. Até lá!
Nova York, 20 de janeiro de 2012.
Wallace Neubarth Chieppe.
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Tuesday, January 25, 2011 - Essa tal curiosidade...
Olá meus queridos, boa tarde pra vocês. Ainda no Brasil, um pouco atoa agora, resolvi dar uma passadinha aqui pra escrever alguma coisa. Mas está me faltando assunto. Não sei sobre o que escrever rsrs. Então vamos tricotar. Rsrsrs.
Papo de mulher rsrsrs: esse mês estive no Rio de Janeiro almoçando com duas amigas em Ipanema. Uma delas, mora lá desde sempre. Outra, apesar de carioca, cresceu nos Estados Unidos. Apresentei uma à outra, ambas recém-casadas. Foi quando a que mora no Rio virou para a outra e tascou a pergunta: "e aí, tá tentando engravidar?". Gelei. A carioca-americana petrificou. Isso é pergunta que se faça a alguém que você acabou de conhecer? Aliás, isso é pergunta que se faça?
Outra vez, em Nova York, uns dois anos atrás aconteceu coisa similar: apresentei uma amiga que mora em São Paulo para outra, brasileira, que mora em Nova York. Meia hora de papo foi suficiente para a paulistana perguntar: "você é casada há tanto tempo, não vai ter filhos?". Bem, alguma razão - que não diz respeito a ninguém - deve existir. Amigos e leitores do meu Brasil: para onde foi a etiqueta social?
Ao viver nos Estados Unidos há algum tempo, desacostumamos com esse excesso de curiosidade. Quando ouço perguntas do gênero, sinto como se um exército bárbaro estivesse invadindo meu lar. Esta invasão faz parte da sociedade brasileira tão intensamente, que mesmo pessoas educadíssimas, como as minhas amigas citadas acima, não percebem a grosseria. Talvez, as brasileiras que escutam a pergunta, também não percebam - e pior, respondem. Nos mínimos detalhes. O que é isso? Efeito Big Brother?
O inglês Thomas Blaike, autor de um guia hilário sobre etiqueta urbana, debate que fazer perguntas para recém-conhecidos como "o que você faz?", "onde você mora?", "onde seus filhos estudam?" ou "de onde você é?", pode ser ofensivo. Agora, imagina se passa pela cabeça dele que há quem pergunte "e aí, tá tentando ter filhos?". Assunto gravidez, que eu saiba, deve ser tratado com o marido e com o médico. Trata-se de uma mudança na vida que exige saúde, dinheiro, espaço, e mais um mundo de questões que não cabem ser compartilhadas com a praia de Copacabana. Ou seja, engula a sua curiosidade, mude de assunto ou siga a dica de Thomas: quando não souber o que perguntar, fique calado. Silêncio vale ouro.
Queridos, fico por aqui. Temos um novo encontro no próximo post. Abraços e até lá!
Nova Friburgo, 25 de janeiro de 2011.
Wallace Neubarth Chieppe
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Friday, January 21, 2011 - Pra quem ama viajar...
Olá minha meia dúzia de duzentos e três amigos e leitores, bom dia.
Hoje eu não quero falar nada sobre tragédia. Estamos cansados de ver e ouvir sobre coisas que não acabam. Existe o sentimento, claro, mas hoje decidi escrever sobre algo mais alegre, mais light se é que me entendem!
No início deste ano embarquei pra Europa, de férias. Passei por Madri, Estocolmo e Tallinn. A visita ainda incluiria Amsterdã mas esta não foi possível por motivos que já postei aqui. Bom, deixando de lado o meu roteiro, o fato é: um amigo me perguntou o que seria viajar. Isso mesmo, assim, desse jeito. Confesso que não é uma coisa simples de responder, e que na hora todas as respostas possíveis desaparecem da cabeça. De cabeça fresca, talvez seja possível responder que viajar é, acima de tudo uma arte.
E isso me faz pensar sobre o quanto uma pausa em nossa rotina é necessária em nossas vidas. Jamais um luxo. Uma viagem, perto ou longe, tem o poder de nos tirar do chão. E isso é ótimo. Porém, existem várias maneiras de viajar, e a forma como cada um viaja revela um pouco de sua personalidade.
Conheço gente que não viaja. Conheço outros que só viajam. Alguns chegam no destino e não param de comparar a cidade em questão com a cidade natal (ou seja, viajam fisicamente, mas não mentalmente). Tem aqueles que apelam para ônibus de excursão (conheço um casal mais velho que só faz isso). E tem os que, na minha opinião, são profissionais no assunto. Sabem viajar. E saber viajar é como saber cozinhar, saber costurar, saber pintar. É uma habilidade, uma arte.
Em primeiro lugar, a mala deve ser a menor possível (olha quem fala!). Você precisa de muito menos coisas que imagina. Lembre-se também que não se pode ir no espírito eterno da comparação. Cada cultura é uma cultura. Leia bastante antes de embarcar para lugares que não conhece. Minhas viagens, por exemplo, começam no chão da livraria Barnes & Noble. Sento lá, e fico horas - sempre compro o guia The Rough Guide. Escrito por ingleses, os autores não erram e nos dão dicas reais, ao invés de recomendarem subidas no topo de igrejas ou estátuas. É importantíssimo deixar hoteis reservados, para economizar e não ficar na roubada numa noite de nevasca. Ou em qualquer outra. O mesmo vale para restaurantes nos quais você sabe que quer jantar. Reserve de casa. Melhor ainda: descubra restaurantes locais, autênticos, e não apenas os "badalados" ou turísticos. Você poderá se surpreender.
Ande pelas ruas, converse com as pessoas, visite museus (e não apenas as lojinhas deles). Estude inglês. Espanhol também ajuda. E se você falar francês, sua viagem às colônias francesas, como Marrocos, serão pelo menos 80% mais ricas - ao invés de apenas ver, você terá condições de absorver a cultura local. No meu retorno ao Brasil, vindo de Tallinn, tive conexão em Paris na semana passada. Testemunhei três mulheres brasileiras no avião, empetecadas com roupas e bolsas de marcas caríssimas. Mas elas não sabiam responder o básico em inglês quando abordadas pelo comissário. Há coisa mais cafona e triste? Talvez uma bolsa daquelas pagasse um curso anual de inglês. Mas ter a mentalidade de um viajante de verdade... isso não tem preço!
Bom meus queridos, fico por aqui. Temos um novo encontro no próximo post, um abraço e até lá!
Nova Friburgo, 21 de janeiro de 2011.
Wallace Neubarth Chieppe
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Wednesday, January 19, 2011 - Sejamos solidários
Bom dia a todos os meus amigos e leitores. Fiquei um bom tempo sem postar nada aqui; na verdade falta tempo e ânimo. Mas hoje eu não poderia deixar de passar por aqui. Afinal, não podemos nos privar de gestos de amor ao próximo.
Estava de férias, em Tallinn, quando fui solicitado a interromper o meu descanso para cobrir parte da catástrofe ambiental que atingiu a região serrana do Rio de Janeiro. E aqui cheguei. A visão que tenho de tudo isso aqui é a de que "parece o fim dos tempos". Passei por Petrópolis e agora estou em Nova Friburgo, cidade que por enquanto lidera no número de mortos. Segundo informações do IML, são até o momento 334 e este número vai crescer, pois ainda são inúmeros os desaparecidos. Quanta tristeza.
A situação na cidade é calamitosa. O forte odor pelas ruas está difícil de suportar... Pessoas escavando à unha para encontrar seus parentes e amigos, os olhares tristes, cansados e tementes a uma próxima tragédia. Mais de 700 pessoas perderam a vida em meio a esta catástrofe.
Não há muito o que descrever, tenho certeza que o mundo inteiro está acompanhando tudo isto pela TV ou pela internet e sabe o que está acontecendo por aqui. A cada conversa com amigos de profissão sobre o que acompanham durante dia e noite nos acompanham a emoção, a tristeza e o sentimento de impotência. As cidades necessitam com urgência de doações. Saiba como:
Todos os batalhões da Polícia Militar fluminense estão recebendo doações para os atingidos pelas chuvas na região serrana do Estado. Entre as principais necessidades estão água mineral, alimentos não perecíveis e produtos de higiene pessoal. As contribuições serão levadas a uma unidade de Niterói, na região metropolitana do Rio de Janeiro, de onde serão enviadas às áreas afetadas.
A Polícia Rodoviária Federal tem em funcionamento quatro postos de arrecadação. Dois deles trabalham 24 horas: na BR-116, na região do pedágio Rio-Magé, e na BR-101, perto de Casimiro de Abreu. Outras duas unidades funcionarão das 8h às 17h e ficam nas rodovias Rio-Petrópolis e Presidente Dutra. Os materiais serão entregues à Cruz Vermelha.
A Cruz Vermelha recebe doações nas unidades do Rio de Janeiro (Praça Cruz Vermelha, 1012, Centro) e de Nova Iguaçu (na Rua Coronel Bernardino Melo, 2085, e na Rua Alberto Cocoza, 86, Centro).
O Governo do Estado do Rio de Janeiro recebe doações no 4º andar do prédio anexo do Palácio Guanabara, na Rua Pinheiro Machado, s/n, em Laranjeiras. Os principais pedidos são por água mineral e leite, devido ao grande número de crianças desabrigadas em todo o Estado.
A Caixa Econômica Federal abriu uma conta-corrente em nome da Defesa Civil do Estado do Rio de Janeiro. As doações podem ser feitas na conta número 2011-0, agência 0199. Segundo a Caixa, é necessário digitar 006 no código da operação.
Os doadores na capital fluminense também podem levar mantimentos à Rodoviária Novo Rio, que trabalha junto da Cruz Vermelha. As entregas estão sendo feitas no piso de embarque, das 9h às 17h, na Avenida Francisco Bicalho, 01, Santo Cristo.
O Metrô Rio, em parceria com a ONG Viva Rio, recolhe desde sexta, 14. A coleta está sendo feita em 11 estações das Linhas 1 e 2: Carioca, Central, Largo do Machado, Catete, Glória, Ipanema/General Osório, Pavuna, Saens Peña, Botafogo, Nova América/Del Castilho e Siqueira Campos. Serão aceitos água, alimentos não perecíveis e material de higiene pessoal até o dia 11 de fevereiro. A campanha recebeu uma primeira doação do próprio Metrô Rio, no valor de R$ 10.000 em mantimentos.
A ONG Viva Rio também contribui nos esforços e recebe mantimentos na sua sede, na Rua do Russel, 76, Glória. O telefone para contato é 0XX21 2555 3750.
A rede de supermercados Pão de Açúcar também tem postos de arrecadação em suas lojas e nas unidades Sendas, Extra, ABC, Compre Bem e Assaí. A empresa afirmou que as doações serão enviadas até 26 de janeiro.
A sede do INEA (Instituto Estadual do Ambiente) está recebendo doações para ajuda aos desabrigados e desalojados pelas chuvas. Alimentos não perecíveis, colchonetes, materiais de higiene e limpeza, sobretudo fraldas, e principalmente água, podem ser doados. A sede do órgão fica na Avenida Venezuela, 110, Praça Mauá no Centro do Rio de Janeiro.
Shoppings Centers do Rio de Janeiro abriram postos de coleta de donativos. Todo o material recebido será entregue a entidades e órgãos públicos envolvidos na assistência. A administradora Aliansce abriu caixas de coleta nos corredores dos shoppings Leblon, Via Parque, Grande Rio, Caxias, Bangu, Carioca, Passeio e Santa Cruz. Os centros comerciais da Aliansce também vão doar R$ 100.000 em itens de primeira necessidade.
O Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) receberá doações na sede do órgão, na Avenida Marechal Câmara, 370, Centro, entre 10h e 17h, de segunda a sexta-feira. Os itens de maior necessidade no momento são água mineral, alimentos não perecíveis e prontos para consumo, roupas e cobertores.
O HemoRio da capital fluminense informou que precisa com urgência de doações de sangue para atender às emergências em Teresópolis, Petrópolis e Nova Friburgo. O HemoRio fica na Rua Frei Caneca, 08, Centro do Rio, com horário de funcionamento todos os dias, das 07h às 18h, inclusive finais de semana e feriados. O telefone do Disque Sangue é 0800 282 0708.
Para doações a partir de outros Estados, sugiro que busquem informações junto a Órgãos Públicos para doações de mantimentos. Mas para doações em dinheiro, que pode ser qualquer valor, sugiro anotarem os dados da conta-corrente da Defesa Civil do Rio de Janeiro, citados logo acima.
Desde já, em nome de todos os desabrigados e desalojados eu agradeço.
Por hoje é só meus queridos. Teremos um novo encontro no próximo post, um abraço em todos e até lá!
Nova Friburgo, 19 de janeiro de 2011.
Wallace Neubarth Chieppe
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Wednesday, October 13, 2010 - O renascimento
Olá galera boa tarde a todos.
Muito bom encontrar um tempinho para colocar alguma novidade neste blog que anda tão desatualizado! Também, com a correria dos últimos tempos nem tinha como. E hoje não está sendo diferente. Mas eu tinha que passar por aqui, por pelo menos um instante para comentar sobre o que é notícia desde ontem em todas as TV's, no mundo inteiro: o resgate dos 33 mineiros soterrados na mina San José em Copiapó, aqui no Chile. É, aqui. Isso mesmo. Impossível a imprensa do mundo inteiro não acompanhar o 'renascimento' desses 33 bravos trabalhadores. E cá estou acompanhando o que posso chamar de 'milagre da vida'. Estou na cidade desde sábado, junto com o cinegrafista Arthur e minha querida colega Michele. Gente é impressionante o que estamos vendo por aqui.
Um monstruoso aparato de segurança garante a integridade desses trabalhadores que infelizmente foram soterrados cerca de 622 metros chão abaixo. Não consigo imaginar a sensação que eles sentiram durante esses mais de dois meses. Mas no decorrer do resgate, estamos vendo e sentindo por eles a alegria de retornar ao mundo. Um renascimento. A força da vida, a vontade de viver, a saudade da família... Muito emocionante. Não tem como não chorar.
São pouco mais de 11:30 da manhã (horário local) e 15 dos mineiros já foram resgatados e a euforia domina o acampamento Esperanza, por aqui, como eu disse, jornalistas dos quatro cantos do mundo buscando em primeira mão melhores informações e, entre um flash e outro tento escrever um post.
O fim do resgate, que antes estava previsto entre 24 e 48 horas após seu início, pelo jeito vai acontecer bem antes e torcemos, juntamente com os quatro cantos do mundo para que acabe logo, e bem.
Por enquanto fica o desejo de sucesso e os parabéns às autoridades chilenas que com muita eficiência estão conduzindo este caso que definitivamente entrou para a história da mineração mundial.
Por enquanto é só, a gente tem um novo encontro no próximo post. Abraços e até lá!
Copiapó, 13 de outubro de 2010.
Wallace Neubarth Chieppe
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Monday, August 30, 2010 - É ela...
Olá galerinha do meu coração bom dia a todos!
Hoje vou ser breve, estou ocupadíssimo editando reportagem sobre os mineiros presos na mina no Chile. Coitados!
Bom, neste final de semana tirei uma folguinha básica e resolvi ir pra casa do Josh, em Los Angeles. Adorei. Já fazia um tempinho que não passava por lá. Pena que foi tudo muito rápido, intenso! Sábado fizemos um churrasquinho, coisinha simples, com direito a tempero do gaúcho Tomaz, divino! Eis que o Josh me fala que tinha uma convidada especial pra esse churrasco que eu nem imaginava quem era. Realmente, a última pessoa que passou pela minha cabeça, até porque eu nem a conhecia.
Por volta das 10 da manhã de sábado, a campainha toca. O Josh atende e vem acompanhando a convidada especial. Gente, onde eu imaginava participar de um churrasco que tinha como convidada Yvonne Elliman! Em carne e osso. Pessoa simplérrima. E que amou o tempero do Tomaz rsrsrs. No auge dos seus 58 anos de idade é pura forma e simpatia. Com direito a palhinha de sucessos que se tornaram pra gente neste final de semana uma espécie de hino, apesar de serem antigos. Não são da nossa época!
Mas quem não conhece 'If I Can't Have You'?
"If I can't have you
I don't want nobody, baby
If I can't have you... uh-uh, oh
If I can't have you
I don't want nobody, baby
If I can't have you... uh-hoh..."
Foi simplesmente the best. E eu não poderia deixar de dividir aqui com vocês essa oportunidade. E essa música agora nem sai da minha cabeça rsrsrs. Já decidi, quero contar com a presença dela lá em casa na próxima festa que eu for fazer.
Bom meus anjos, por enquanto é só. Gostaria de agradecer ao Josh pela bela recepção, ao Tomaz... Um grande abraço em todos, a gente se encontra novamente no próximo post, até lá!
Nova York, 30 de agosto de 2010.
Wallace Neubarth Chieppe
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Wednesday, August 25, 2010 - E agora, "América"?
Olá minha meia dúzia de amigos e leitores, bom dia! De volta à normalidade em Nova York, depois de pouco mais de 30 dias fora posso dizer: está sendo um sucesso a série de reportagens a que me propus. Nossa, receber elogios é sempre gratificante, reconhecimento é tudo!
Esses dias estou cobrindo o fim das férias de uma colega de trabalho, por isso não tem como ficar atualizando este espaço. Mas não esqueço de vocês. Hoje estou até um pouco sem assunto, pensando aleatoriamente sobre o que escrever, vou deixar as ideias fluírem e só depois colocarei o título.
Ontem à noite, reecontrei pelas ruas do Brooklyn o João Carlos, um amigo de longa data. Éramos vizinhos em São Paulo quando lá morei. Depois que mudamos para Vitória - essa vida nômade...- nunca mais nos vimos e ontem, por acaso, quase trombamos na saída de um Café. Conversamos bastante, restabecemos contato. Eu fiquei até um pouco surpreso com a presença dele em terras "norte-americanas". O João está vivendo aqui pertinho, em New Jersey, trabalha como carpinteiro e está ajudando a família dele no Brasil. Sim, a mesma que até poucos anos atrás morava numa linda casa no Morumbi já não mora mais; está morando em São José dos Campos. Ele foi sincero ao me dizer que o mundo dá voltas e que eles levaram uma ou mais voltas desse mundo, por isso resolveu tentar a sorte por aqui.
Refletindo bem, chego ao seguinte: alguns dizem que eles são 850 mil. Outros chutam que sejam mais de um milhão. Ainda assim, são invisíveis. E pior: sofrem de falta de identidade. A imigração de brasileiros para os Estados Unidos, além de ser tema de novela, é acompanhada minuciosamente por estudos acadêmicos de brasileiros e americanos de diversas universidades. Nos últimos anos, dezenas de teses de mestrado e doutorado começaram a pipocar nas áreas de antropologia, sociologia e etnologia.
Esses acadêmicos, juntamente com ativistas, jornalistas e líderes comunitários reuniram-se recentemente na Universidade de Harvard, em Boston, para apresentarem suas pesquisas e instigarem debates entre os cerca de duzentos participantes do evento. Organizado por David Rockefeller for Latin American Studies, mais de 60 palestrantes cobriram quase todos os aspectos que mais afligem esta comunidade - por sinal, "comunidade" foi uma palavra evitada no evento, já que os brasileiros nos Estados Unidos estão longe de serem unidos.
Imigração sempre foi uma questão complicada desde que o homem inventou a roda e começou a habitar o espaço alheio. Mas, citando uma frase publicada pela revista britânica The Economist, "os americanos gostam de imigração - desde que ela seja qualificada". Quem não gosta de qualidade? O país emite cerca de 675 mil vistos por ano, sendo que destes, 140 mil estão relacionados a empregos. Qual a vantagem para o país? Eles acabam importando os melhores profissionais dos demais países, pagam menos por eles do que pagariam para americanos e detém habilidades que os americanos não possuem. Facim facim, não é? Na era do booom da internet, por exemplo, o visto tipo H-IB, que permite empresas americanas a contratarem estrangeiros com qualificações excepcionais por seis anos cada, evaporaram em meses. Em 1998, o Vale do Silício, na Califórnia, importou tanta gente da Índia que o resto do país ficou a ver navios até a cota do ano seguinte ser liberada. Em 2003, o censo indicou que 13% da população americana era composta por gente nascida no exterior.
Dito isto, qual o problema para a grande massa de brasileiros que entra anualmente nos Estados Unidos? Simples. Além de não falarem inglês, eles não possuem qualidades profissionais específicas, ou se possuem não podem exercê-las por não terem vistos apropriados. E para ficar ilegal, como o João Carlos, é fácil. Basta deixar o visto de turista vencer. Sem falar no contingente que entra pela fronteira do México. Pessoas não-documentadas não pagam impostos, não podem ter o Social Security, um número tão importante aqui quanto o CPF é no Brasil. Sem isso, ficam impedidas de abrir conta em banco, comprar casa e por aí vai. Este é o perfil dos brasileiros que chamam os Estados Unidos de "América".
Agora vejam só onde começa o problema: no formulário do censo, dentre as opções asiático, branco, hispano, negro-americano e afins, o brasileiro não se encaixa em nenhuma. Segundo a antropóloga americana Maxine Margolis, a pioneira em estudar o fenômeno desta imigração, as próximas pesquisas do American Community Service incluirão perguntas que incluem país de origem e hereditariedade.
- "Espero que os brasileiros não tenham medo de responder às perguntas", disse ela, em palestra na noite de abertura.
Medo é um sentimento constante para os que não tem documentos. E a falta de informação crônica agrava ainda mais essa situação: brasileiros chegam a ter medo do próprio consulado, achando que serão expostos e deportados. Por sinal, falta de informação é um problema que está sendo resolvido com o Manual do Imigrante, algo que deveria ter sido preparado há anos por consulados, mas que é de autoria da jornalista Joceli Meyer e o ativista Eryck Duran, daqui de Nova York.
Engana-se muito quem pensa que os brasileiros vêm somente de Governador Valadares ou Criciúma. Hoje, 16 estados brasileiros exportam gente, incluindo o Paraná, o Mato Grosso e Roraima. Falou-se muito da escassez e falta de agilidade dos consulados para servir o booom da imigração dos últimos anos, da falta de envolvimento dos brasileiros em sindicatos (ao contrário de salvadorenhos e venezuelanos), da falta de informação crônica destas comunidades, das igrejas que auxiliam brasileiros, mas que muitas vezes também se aproveitam deles. Falou-se ainda, dos pais que vêm sozinhos e deixam a família para trás, e da maneira como habitam grande parte dos brasileiros de Massachusetts: três adultos por quarto. Apontou-se também o grande número de jornais feitos e diulgados localmente, da presença da TV Globo e da falta de rádios comunitárias.
Os painéis apresentaram trabalhos feitos em Nova York para auxiliar os brasileiros portadores de HIV e AIDS, e também os que vivem em prisões. Houve ainda um estudo sobre brasileiras que ganham a vida como go-go girls. Observou-se que brasileiros estão se espalhando em regiões do subúrbio americano, e não mais em grandes centros urbanos. Nos subúrbios de Atlanta, eles já ultrapassam os 35 mil. Contou-se ainda histórias de 30 a 100 brasileiros que se plantam diariamente em frente a uma lanchonete do Dunkin' Donuts de Boston à espera de empregos temporários na área de construção. São contratados por dois ou três dias - muitas vezes, acabam trabalhando de graça, empregados por próprios brasileiros. É o que chamam de "exploração de brasileiros por brasileiros".
Danieli Lemos, do Jornal Notícia de Massachusetts, disse que estabelecimentos comerciais brasileiros "grande parte com bandeira verde e amarela na porta estão espalhadas por 52 cidades do Estado". Depois de cobrir extensamente a vida destes brasileiros naquela região, ela conta que "igrejas chegam a reunir de 400 a 500 fiéis brasileiros por domingo" e que "a noite brasileira está unindo os brasileiros de diferentes cidades do Estado". E mais: "Um show do Chitãozinho e Xororó atrai 2 mil pessoas, que vêm de outras cidadezinhas. Mas jamais se conseguiu reunir este número em passeatas políticas. O número não passa de 200". Outro ponto mencionado foi a imigração secundária "ou seja, a ideia de sucesso para a maior parte dos brasileiros é morar em Nova York. Mas nem todos conseguem encarar a batalha da cidade e acabam buscando New Jersey e outras cidades como segunda alternativa. Isso, para muitos, é uma derrota".
O sul da Flórida também foi estudado. É para lá que muitos brasileiros vão depois de morar no norte do país, onde juntam mais dinheiro. Muitos, em vez de voltar para o Brasil, ficam no meio do caminho. O clima é igual ao do Brasil, a criminalidade é zero e a Flórida está a poucas horas da terra natal. Contudo, Miami não é para todos. Por ser um território bilíngue, inglês e espanhol, nem todos os brasileiros conseguem sobreviver por lá. Procuram, então, subúrbios que abrigam "portuguêslândias". Segundo um estudo apresentado no seminário, para os brasileiros do sul da Flórida, Miami é coisa chique. Rsrsrs. Já para os brasileiros mais intelectuais, aponta o estudo, a cidade é tida como brega.
O seminário ainda tocou em assuntos que fazem muitos sorrir: um deles é a influência brasileira no cenário do futebol dos Estados Unidos, estudo apresentado por um búlgaro se não me engano, que vive em Paris. O outro tratou da presença da música brasileira na vida dos imigrantes. Pesquisado pelo compositor e acadêmico americano Jason Stanyek. Segundo ele, Corcovado, de Tom Jobim, além de canções de João Bosco e até de Ivete Sangalo, fazem os brasileiros dos Estados Unidos sentirem-se um pouco em casa, pular, dançar e, claro, chorar.
Ufa! meus dedos doeram. Mas acho que agora já posso definir um título para esta postagem: "E agora, 'América?'". Bom criancinhas do meu coração, preciso comer alguma coisa, meu estômago está roncando... Gostaria de deixar aqui um enorme abraço a todos, especialmente pro João Carlos, em comemoração ao nosso reencontro. A gente tem um novo encontro no próximo post. Até lá!
Nova York, 25 de agosto de 2010.
Wallace Neubarth Chieppe
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Friday, August 20, 2010 - Coisas da roça
Olá meus queridos, boa tarde!
Nossa, faz dias que não atualizo este pequeno espaço nosso. Saudades de todos. Então, como eu havia dito no último post, estou passando uns dias no Brasil, em Vitória, com meus pais, o Cadu e alguns amigos.
Chegamos na segunda, tivemos tantos problemas, um deles foi o extravio de nossas bagagens, ôhhh coisinha chata viu. Estou até agora com a promessa de que receberei minhas malas lá em Nova York na semana que vem. É... isso mesmo! amanhã, sábado já estou indo embora. Conversando com o Liohan há pouco no msn, ele me disse que o tempo é senhor de tudo, concordo, e acho que ele também é soberano. Meu tempo de Brasil, desta vez, está se esgotando e já começo a ficar com saudade...
Saudade de tudo e de todos. Saudade do Belo e do Kauwoski, saudade das minhas idas pra roça com os meus amigos e de dormirmos lá, na tranquilidade de tudo, longe de tudo e ao mesmo tempo perto das pessoas que gosto. Acreditem, saudade até da louça que lavei lá hoje pela manhã. Quem diria... Saudade mesmo.
Bom, mas deixando a saudade um pouco de lado; pessoas do meu coração, vocês sabem que as eleições estão aí. Embora seja difícil encontrar pessoas honestas no universo político, vale salientar que temos em nossas mãos o poder de escolha. E que uma escolha, boa ou ruim só depende de nós mesmos. Estamos sendo bombardeados com a campanha política nas emissoras de rádio e televisão, além dos chatíssimos carros de som e dos milhões de panfletos e cartazes afixados nos muros e postes de nossas cidades. Poluição visual como nunca! Seria certo votar em candidatos que sujam as ruas? Que são mudos nos programas de TV? E aqueles cheios de processos que (ainda) não foram condenados? Há também o caso de experiência administrativa, um caso a se pensar. Longe de mim defender este ou aquele candidato. O voto é democrático e sigiloso, por isso mesmo, não aceitem nada em troca dos seus votos. Votem com o coração e com a vontade de melhorar nosso país que, apesar da melhora nos últimos anos, ainda tem muito a avançar.
Se Deus quiser, no mês que vem estarei de volta ao Brasil para uma série especial sobre as eleições em outubro, aproveitarei para cumprir com meu papel de cidadão. Nada de voto em branco ou anular meu voto. Vou estudar bem os candidatos que merecem meu voto, portanto, ainda não estão definidos. Muita água vai rolar antes do dia D. E até lá, eu desejo boa sorte a todos os candidatos.
Galerinha, fico por aqui, vou almoçar. Abraço em todos, a gente de se encontra no próximo post. Até lá!
Vitória, 20 de agosto de 2010.
Wallace Neubarth Chieppe
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Friday, August 13, 2010 - Ufa!
Olá meus queridos, boa tarde! Em primeiro lugar gostaria de me desculpar com vocês pela ausência esses dias. Nossa, estamos numa correria daquelas. Muita coisa pra fazer em tão pouco tempo. Lógico que não fico só trabalhando, tenho momentos de lazer também. Não sou de ferro! Rsrsrs.
Mas apesar de tudo, estamos curtindo um pouco, o Cadu já anda meio triste, afinal, domingo estaremos indo embora e ele sabe que a mamata das férias está chegando ao fim. Vou dar uma rápida passada pelo Brasil, serão apenas quatro dias que quero aproveitar bastante, estou morrendo de saudade dos meus pais, minha mãe não me dá sossego. Desta vez vou tê-la grudada o dia inteiro, mas eu gostoooooo! Mamãe, te amo...
Crianças, acompanhei alguns momentos do jogo amistoso entre a nossa Seleção e a dos Estados Unidos. Que show! Parabéns ao Mano Menezes e aos meninos. Agora sim, acredito que teremos chance de ficar com o hexa, e no Brasil! Nem sou tão fã assim de futebol mas o que vi foi espetacular.
Respondendo ao comentário do George, sim meu nêgo, pode ir preparando a farra, desta vez quero cachaça também viu! E ai de você se tomarem tudo antes da minha chegada. E já vou avisando: nada de cachoeira, está frio por aí.
Queridos, vou me banhar... Daqui a pouco vou ter uma reuniãozinha de praxe com meus produtores. Grande abraço em todos e a gente tem um novo encontro no próximo post. Até lá!
Copenhague, 13 de agosto de 2010.
Wallace Neubarth Chieppe
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Tuesday, August 3, 2010 - R. L. District
Olá minha meia dúzia de vinte amigos e leitores, boa tarde! Déborah, Jack... Adorei os comentários!!!
Crianças, ontem à tarde fui surpreendido pelo Mike - nosso editor-chefe - com a notícia de que eu iria apresentar o jornal ao vivo, direto de Amsterdã. Me parece que gostaram da apresentação do sábado passado, diretamente de Tallinn. Mas espere aí... Ancorar um telejornal dá trabalho e, portanto, deve-se estar esperando por isso. Nada de surpresa. Como diz o ditado: "manda quem pode, obedece quem tem juízo". Lá se vão meus produtores atrás de uma locação para cenário. A ideia era fazer uma transmissão séria, imparcial, mas uma outra ideia veio à cabeça do Mike, que está lá em Nova York. Ele queria algo direto do Red Light District. Noooooooosssssssa! Ousado, eu diria. E pra lá fomos nós, com nosso material itinerante, folha de pauta nas mãos faltando entrar na cabeça, pois vai que o TP para de funcionar do nada... É... Tudo isso pode acontecer e como não estou na redação esses dias, é impossível decifrar roteiros, ordem das notícias, essas coisas. Tudo preparado para entrarmos no ar. Eis que um dos produtores me pergunta: tem certeza que o Mike deseja esse fundo?

Estação Central
Querendo ou não, já não dava mais tempo para nenhuma mudança. Talvez tenha sido uma boa ideia, afinal, hoje a informação é democrática e atinge todas as classes, de A a Z... De bordéis e lojas de sexo a museus, o Red Light District não nos deixa espaço à imaginação. É muito provável que quase todos já tenham ouvido falar muito deste bairro e para ser franco, tudo o que provavelmente ouviram deve ser verdade, mas deixado os rumores de lado, as pessoas devem visitá-lo por si próprias. O Rossebuurt, como os locais conhecem, é diferente de todos os outros lugares. Com certeza. Conhecemos aquele Red Light District onde as mulheres, de todas as nacionalidades, desfilam nas janelas, muitas delas prontas para oferecer mais do que um singelo espetáculo a um inocente rapaz numa cabina privativa. Outra imagem familiar do Red Light District é a quantidade de homens, novos e velhos, casais de mãos dadas apontando com ar de "choque" a tudo que vêem, turistas japoneses cheios de câmeras - lógico que na direção das anfitriãs não pode! É estritamente proibido! Isso é prova suficiente que o Red Light District merece uma visita.
Talvez o que realmente reparam é que o Rossebuurt - em holandês que significa "cor-de-rosa" ou "bairro vermelho" - é, de fato, uma das mais antigas e bonitas partes da cidade com as janelas e ruas cheias de charme, herança da arquitetura do século XIV, como o gótico Oudekerk. O Red Light District transmite charme e é impossível não admirar os seus antigos edifícios posicionados de forma tão peculiar. A música, especialmente durante o verão, convida-nos a ficar sempre um pouco mais, e também a qualidade de grandes restaurantes como o Café Pacífico, um dos primeiros restaurantes mexicanos na Europa. Recentemente, as ruas foram renovadas, fachadas restauradas e a clientela de classe alta que por ali transita estão a transformar o que antes era uma parte escura e sem esperança da cidade.

Red Light District
Amsterdã tem orgulho de si própria, e com razão, da sua atitude totalmente liberal e tolerante, aceitando o fato de que certas pessoas possam estar no negócio da prostituição, drogas leves e pornografia - sendo isto apenas humano. Então, ao invés de ter uma atitude onde punir é a palavra chave, esta cidade vive com o coração nas mãos - o que se vê é geralmente o que se obtém.
Essa foi a geniosa ideia do Mike. Ao usar como cenário um lugar onde as pessoas se abraçam, independentemente das diferenças, ele conseguiu dar ao telespectador a chance de apreciar a honestidade de tudo, aquela mesma honestidade, que ele jamais irá encontrar em algum outro lugar que não seja por aqui. E a edição de ontem abalou geral. Parabéns ao Mike!
Bom queridos, por hoje é só. Um abraço em todos e a gente tem um novo encontro no próximo post. Até lá!
Amsterdã, 03 de agosto de 2010.
Wallace Neubarth Chieppe
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Thursday, July 29, 2010 - Passado e futuro
Olá minha meia dúzia de nove amigos e leitores, boa tarde. Como estão? Saudades de postar alguma coisa por aqui. Hoje é quinta e já no domingo estaremos nos despedindo desta cidade que tanto amo! Por aqui, tudo ajuda: mesmo no verão, tem aqueles dias de frio. O frio intenso, os ventos e nevoeiros do Golfo da Finlândia, onde foi construída a cidade de Tallinn, a humanidade do mar e a falta constante de sol emprestam à cidade um caráter misterioso e romântico. Só faltavam - não faltam mais! - os castelos de torres redondas e telhados pontiagudos, as grandes muralhas defensivas, as ruas de pedras irregulares. Os locais se apressaram em construir e reconstruir ao longo dos anos. E a cada visita que faço a esta cidade, encontro coisas diferentes. E é assim que hoje vejo a capital da Estônia: como um grande cenário para um filme de Hollywood, situado entre os séculos XI e XV.

...

Depois de séculos de pilhagens e bombardeamentos por dinamarqueses, cavaleiros teutônicos, suecos, russos, nazis e soviéticos, é espantoso que a cidade mantenha mais do seu passado histórico do que a grande maioria das suas congêneres europeias, mas a verdade é que a parte antiga da cidade possui quilômetros de ruelas sinuosas com casas medievais, uma muralha de dois quilômetros e meio com vinte e seis torres defensivas, igrejas seculares, o magnífico castelo de Toompea, dos séculos XIII e XIV, e ainda, bairros com casas tradicionais de madeira, como os de Kalamaja e Lillekula.

O próprio nome do país, Eesti, parece vir do termo usado pelos romanos para as tribos dessa região, a leste dos germânicos, e Tallinn já foi referida em 1154 pelo cronista árabe Al Idrissi como "Kolovan" - o nome Tallinn deriva do estônio taani linn, que significa "cidade dinamarquesa", e surgiu nos tempos em que estes a ocupavam. Dito isto, nada poderia ser mais moderno: a atualidade, feita de internet, telefonia celular e sistema bancário impecáveis, tomou conta das ruas e dos hábitos dos estonianos, famintos de repor a independência e a modernidade tanto tempo adiada por outros, e que agora está, de novo, nas suas mãos.

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Todas as maravilhas da mais moderna tecnologia e informática já chegaram por aqui e o investimento finlandês deu fôlego à economia emergente. O inglês é a segunda língua e o turismo vai de vento em popa. "A cold country with a warm heart" (um país frio com coração quente), reza a publicidade turística da Estônia, e ainda que os estonianos não sejam propriamente calorosos, a verdade é que também não deixam de ser hospitaleiros. E, sobretudo, não há quem não fique seduzido pela linha descontínua das muralhas, semeada de torreões austeros com telhados cônicos - um deles, de uma rotundidade exagerada, batizado de Margaret Gorda -, pela catedral ortodoxa russa de Aleksander Nevsky, ou a luterana Toomkirik, que são apenas alguns dos monumentos que a cidade oferece aos visitantes.

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Todas as ruas de Tallinn parecem convergir para Raekoja Plats, a praça do município, com suas casas góticas de cores outonais em constraste com as pedras do chão e das muralhas. Mas seguindo por certas ruelas estreitas e calmas - a menos que um passo um grupo de finlandeses bêbados em fim de semana de festa - e depois a longa Pikk Jalg, de um passeio irrepreensível, chegamos, eu, o Cadu, o Arthur e nossos dois produtores ao topo da colina de Toompea, que tem a melhor vista panorâmica sobre a Old Town. De lá avistamos as torres aguçadas que parecem perfurar as nuvens baixas, e adivinhamos que mais cedo ou mais tarde vão consegui-lo.. As águas do Golfo avistam-se ao fundo, por entre telhados e arvoredos, uma tira lisa e fina, cor azul...
Tallinn fica ao norte da Estônia, bem próximo da Finlândia, o que significa temperaturas desagradáveis durante mais da metade do ano, e o resto do tempo com uma frescura de primavera; recomendo, portanto, o final da primavera, o verão - sobretudo agora em julho e o início do outono para que visitem a cidade.

A cozinha estoniana, apesar de já ter escrito sobre ela se não me engano no ano passado, é aparentada com a alemã, com certa abundância de carne de porco, batatas e legumes. Em Tallinn podemos encontrar restaurantes para todos os gostos, do indiano ao georgiano, do tailandês ao grego, passando pelo churrasco sul-americano. O supra-sumo é o Restaurante O, em Mere pst., que apresenta a moderna comida estoniana, com pratos de enguia, queijo de cabra com couve roxa, etc. Outro restaurante que recomendo é o Aed, em Rataskaevu.
Romântica e viva, Tallinn espelha ao mesmo tempo o passado e o futuro.
Galerinha, por hoje é só, agora vou papear um pouco no msn, pois faz dias que não tenho tempo para entrar. Um forte abraço em todos, a gente tem um novo encontro no próximo post, até lá!
Tallinn, 29 de julho de 2010.
Wallace Neubarth Chieppe
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Friday, July 23, 2010 - Quem quer cerveja?
Bom meus queridos amigos e leitores, boa tarde. Este, provavelmente será meu último post desta visita à Suécia, é que hoje à noite - daqui a algumas horas estaremos embarcando para Tallinn, na Estônia. Hoje vou publicar alguma coisa mais leve sobre o que estamos aprontando em terras escandinavas. Chegamos aqui na segunda-feira e já estamos de partida. E nada de falar sobre reportagens... Nada disso. Hoje quero falar sobre uma coisa que gosto muito: cerveja. Durante esses dias por aqui, me desdobrando para concluir o que vim fazer, tinha que sobrar um tempo para sair com o Cadu, o Arthur e os produtores. Todos amam beber, mas livre mesmo, só o Cadu estava e não fazia questão de beber pouco, rsrsrs. Não é atoa que está ali, deitado, morrendo de ressaca!
A Suécia é um país invejável. Menos de 10 milhões de habitantes, ótima qualidade de vida e uma lista de empresas multi-nacionais que muita gente nem sabe que, originalmente são daqui, como por exemplo a Tetra-Pak, Volvo, Scania, Ericsson, Electrolux, IKEA, Saab, entre outras.
Com relação a cervejas, os brasileiros - principalmente, conhecem muito pouco o que eles tem a oferecer, já que seus produtos não são largamente conhecidos fora da Escandinávia. Mesmo assim, há diversas boas cervejas para serem degustadas, sejam elas de macro ou micro-cervejarias.
Está certo que aqui na Suécia tem uma série de restrições para a venda de bebidas alcoólicas e que as cervejas por aqui são bem caras, inclusive para o padrão de vida dos suecos, mas encontrar boas cervejas em bares e restaurantes não envolve grandes esforços. Em Estocolmo, há diversas opções de bares especializados em cerveja, além de ser possível comprar nas famosas lojas do governo boas opções de diversas partes do mundo, a preços que pra gente, que já está acostumado a pagar caro pelas importadas, passa a valer a pena.

O Nils Oscar, por exemplo, bar de uma micro-cervejaria sueca de Estocolmo e que tem certa fama entre os apreciadores de cervejas especiais. Tem as principais cervejas da marca, porém não conta com a seleção completa, pelo menos quando estivemos lá.

Duvel Café

Duvel Café

Duvel Café
Já o Duvel Café é um bar temático! Lá encontramos diversas boas opções na pressão - contamos nove, incluindo a excelente Maredsous 10, com "apenas" 9,5% de graduação alcoólica, além de Chimay Tripel, Westmalle Dubbel e Tripel Karmeliet. O mais curioso, entretanto, foi não encontrarmos a própria Duvel disponível na pressão, apenas em garrafa. Aliás, as opções de cervejas belgas em garrafas são muitas, incluindo a Lambics. Os preços estão na média, levando-se em conta o país.

Akkurat

Akkurat

Akkurat

Akkurat

Akkurat

Akkurat

Akkurat
Não posso deixar para trás o Akkurat, que é simplesmente o bar com o maior número de cervejas da Suécia. Famoso até em outros países, sempre muito bem recomendado por donos e gerentes de bares em Copenhage, Berlim e Bergen, onde estivemos semana passada, lá na Noruega. Um dos motivos de sua fama é a quantidade de cervejas oferecidas. São aproximadamente 600 opções de cervejas! Isso mesmo, seiscentos rótulos diferentes, incluindo todas as Trapistas (sim, eles têm as Westvleteren), muitas americanas e diversas micro-cervejarias suecas.
O segundo motivo da fama são as mais de 25 cervejas oferecidas na pressão, sendo que de cinco a oito são as chamadas Cask Ales, cervejas não filtradas e não pasteurizadas, acondicionadas em barris de metal - e nunca kegs - para uma segunda fermentação, sem a adição de gás carbônico ou nitrogênio. Também são chamadas de Real Ale. Para servil-las não é utilizado nenhum recurso de pressão por gás. A chopeira tem uma alavanca que precisa ser acionada para bombear a cerveja em direção ao bico da chopeira. Para poder encher um copo de 500 ml, são necessários dois ou três acionamentos da alavanca.
Obviamente, como a maioria dos demais bares da Suécia, o Akkurat não é dos mais baratos, mas vale mesmo a pena uma visita. Não se deixe intimidar pelo visual do lado de fora. Entre, sente-se próximo ao balcão e delicie-se com algumas cask ales ou cervejas das micro locais.

Glenfiddich Warehouse nº 68

Glenfiddich Warehouse nº 68

Glenfiddich Warehouse nº 68

Glenfiddich Warehouse nº 68
Ah, tem também mais dois que quero falar: o Glenfiddich Warehouse nº 68, que é um bar/restaurante especializado em whisky e cerveja. Nada mal hein? Oferece cerca de 16 cervejas na pressão, dentre elas sempre oito locais, de micro-cervejarias. Se for apenas para beber, tem que ser no balcão, já que para pegar uma mesa é necessário consumir algum prato do restaurante. O balcão, apesar de grande, fica cheio com facilidade, portanto, se quiser garantir seu espaço com tranquilidade, recomendo que não deixe para chegar muito tarde. O interessante deste lugar é que dá pra beber mais por menos. Explico: há uma opção de pedir copos de degustação. São taças ISO, com cerca de 150 ml pelo preço de 25 coroas suecas, independente da cerveja. Como aqui os preços são salgados (o preço médio da cerveja de 500 ml é de 72 coroas suecas), vale a pena a pechincha para poder provar diferentes rótulos. Aí você volta no dia seguinte e bebe apenas aquelas que mais gostou.

Systembolaget

Systembolaget

Systembolaget

Systembolaget

Systembolaget
E, por último, o Systembolaget, que alguns já ouviram falar e outros não. Dos que ouviram, alguns já pensaram que é brincadeira, mas não é. Estou falando da restrição de venda de bebidas alcoólicas que existe na Suécia. Para ser vendida livremente em supermercados, as bebidas alcoólicas não podem ultrapassar o limite de 3,5% de gradução alcoólica. Como a grande maioria das cervejas têm percentuais acima disso, algo como 4,5% por exemplo, todas as cervejarias que querem ter seus produtos vendidos nos supermercados, sejam empresas suecas ou não, têm que fazer uma versão diferente, com menos álcool. Isso mesmo, aqui você encontra as mesmas marcas de cervejas, como Staropramen e Carlsberg por exemplo, com um teor alcoólico bem menor. E o pior - ou melhor, se visto do lado de quem vai beber - é que a versão tradicional pode ser encontrada no país, mas deve ser comprada em lojas especiais, que só vendem bebidas alcoólicas, e são, acreditem vocês, controladas pelo governo. São as conhecidas Systembolaget. Já foram mais restritas, por exemplo, não abriam aos sábados e você tinha que pedir as cervejas em um balcão como se estivesse comprando remédios controlados. Hoje, já funcionam também com sistema de auto-serviço (apesar de algumas ainda serem com o antigo sistema de pedir no balcão) e abrem aos sábados. Mas atentem-se, pois não ficam abertas até muito tarde, normalmente fechando entre 7 e 8 da noite e nos sábados fechando ainda mais cedo, cada loja possui seu horário.
Nils Oscar - 36 Sankt. Eriksgatan - Estocolmo. Tel.: 460 1557 7280
www.nilsoscar.se
Duvel Café - 50 Vasagatan - Estocolmo. Tel.: 460 823 4820
www.duvelcafe.rgsth.com
Akkurat - 18 Hornsgatan - Estocolmo. Tel.: 460 8644 0015
www.akkurat.se
Glenfiddich Warehouse nº 68 - 68 Västerlånggatan - Gamla Stan - Estocolmo. Tel.: 460 8791 9090
www.gfw68.com
Systembolaget - 18 Lilla Nygatan - Estocolmo. (Este apresenta vários outros endereços).
Sheraton Stockholm Hotel - 6 Tegelbacken - Estocolmo. Tel.: 460 8412 3400
www.sheratonstockholm.com
Nossa, os dedos doeram. Galera, é isso. Agora preciso ir, pois ainda temos que terminar de arranjar nossas malas para antes de embarcar rumo à Estônia, passarmos num desses bares e tomarmos aquela cervejinha geladinha. Falar de cerveja já dá água na boca.
Um forte abraço em todos, a gente tem um novo encontro no próximo post, até lá!
Estocolmo, 23 de julho de 2010.
Wallace Neubarth Chieppe
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Wednesday, July 21, 2010 - Nota sobre o tempo
Olá, boa tarde meus queridos amigos e leitores! Esses dias estive me comunicando com um grande amigo meu, o André Callou, de São Paulo, por depoimentos no Orkut e não me recordo bem o assunto quando surgiu um comentário sobre uns fiozinhos brancos que insistem em aparecer entre meus cabelos. Logo, ele me responde que esconde alguns fios na barba. Achei engraçado, pois a julgar pela nossa idade, isso não poderia estar acontecendo assim... Conheço tantas pessoas com mais de cinquenta anos que não possuem nem cabelos e nem barba brancos! Rsrsrs, brincadeiras à parte, o Cadu acabou encontrando mais um fiozinho escondido entre meus negros fios. Aí não dá... rapidamente decidi consultar o Aurélio, que me deu o seguinte significado para o termo Tempo [Do lat. tempus, pela f. tempos, que foi sentida como um pl. port. de que se tiraria um singular]: A sucessão dos anos, dos dias, das horas, etc., que envolve, para o homem a noção de presente, passado e futuro; Momento ou ocasião apropriada (ou disponível) para que uma coisa se realize; Época; As condições meteorológicas; O período em que se vive; época, século (...). Rsrsrsrs.
Voltamos à época em que o Sol aparece cedo e vai embora mais tarde, mas não me remete como uma repetição de dias já vividos, no passado.
O ambiente está diferente, as pessoas mudaram, há gente nova e recém-chegada, há indefinição de tempo e às vezes de espaço. A rotina vai-e-volta, mas com aspectos diferentes. O trabalho, no dia-a-dia, já não é mais o mesmo, mas continua aumentando e se tornando intenso; e nem o passeio no shopping pede a mesma frequência.
Entre o despertar e o adormecer do Sol, as horas têm passado como se fosse em segundos e os minutos se tornam um apanhado mínimo da fração deles.
Só percebo a rapidez destas passagens, quando realizamos reuniões de pauta semanais, que me despertam a seguinte pergunta: "Outra? E, de novo?".
Não procuro entender a sensação das 24 horas terem se tornado metade do todo, um terço ou o que seja, mas neste frenesi, sem muito tempo para olhar para mim mesmo no espelho, um dia, observando meu reflexo no espelho do banheiro me vi com alguns desses fios brancos. Não é exagero: acreditem! O pior de tudo isso é que não há só aqueles que nascem, mas os que se tornam. Levei um susto e resolvi compartilhar essa emoção (erggggg) com o André. E agora aqui no blog, e ainda sou obrigado a estar olhando na cara do Cadu, que está quase morrendo de rir do meu completo desespero!
Cientificamente, sei que os cabelos brancos surgem como uma consequência do processo natural de envelhecimento, em que as células pigmentares que dão tons aos fios param de produzir melanina (pigmento do "folículo capilar") - que chique!
Enfim, vou pintar. Não acredito que eles serão um charme a mais pra mim, mas com o passar do tempo - vai saber, quem sabe eu mude de ideia e resolva a pensar como o Cadu, que este tempo será compartilhado por todos e, de novo, não sou só eu. E até que ele é um ótimo conselheiro, quer colocar na minha cabeça que cabelos brancos fazem parte das contagens dos anos, como uma boa referência da experiência e prática vivida. Da constatação da intensidade do tempo.
Curiosamente neste intervalo enorme, fui agraciado com dois e-mails oportunos. Um era questionador e o outro poderia ser, sem saber, a parte reflexiva que responderia a boa parte das perguntas levantadas.
O anônimo-atrevido escreveu: "Qual seria a sua idade se você não soubesse quantos anos tem?".
O Mário de Andrade, sábio e lúcido, ponderou: "Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para a frente do que já vivi até agora. Tenho muito mais passado do que futuro".
Eu diria que eu sou o que eu tenho, dentro da capacidade de ser, que é verdadeiramente incontável, imensurável, atemporal e incolor; afinal, "não é pelo que se vê, e sim pelo que não se vê".
Obrigadão Andrezito, Cadu... Rsrsrsrs com certeza me ajudaram bastante para esta postagem de hoje.
Galera, por hoje é só, vou aproveitar um pouquinho aqui o nosso começo de noite, apesar de estar clarérrimo, já são 19:51h e se não sair hoje o Cadu me esgana. Grande abraço em todos, a gente se encontra no próximo post, até lá!
Estocolmo, 21 de julho de 2010.
Wallace Neubarth Chieppe
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Tuesday, July 20, 2010 - É com muito pesar...
Que escrevo esta nota. Rafael Mascarenhas, filho caçula da atriz e apresentadora Cissa Guimarães faleceu hoje pela manhã no Hospital Miguel Couto, Gávea, Rio de Janeiro. Pessoa extremamente jovem e que, com certeza tinha muita vida pela frente. Nessa hora, as palavras desaparecem dos nossos pensamentos. Não há o que dizer, senão pedir que Deus dê conforto à nossa querida Cissa e ao Raul. E que Deus proporcione ao Rafael o lugar muito iluminado que ele merece lá céu. Forte abraço em todos, a gente se encontra no próximo post. Até lá! Estocolmo, 20 de julho de 2010. Wallace Neubarth Chieppe
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Saturday, July 17, 2010 - Depois do gelo...
Olá meus queridos, depois de algumas horas sumido resolvi dar uma passadinha por aqui. Estava conversando há pouco com meu querido amigo Jean e ele me sugeriu que colocasse aqui no blog alguma coisa mais aprofundada sobre o que ando aprontando. Como o que só faço ultimamente é trabalhar, hesitei um pouco, afinal, nem todo mundo se interessa por coisas que talvez possam lhes parecer fúteis.
Lembro que no post passado escrevi algo sobre "fiordes" e sei que nem todos sabem o que é. Pra quem tiver paciência de ler, o texto a seguir trata-se de um pequeno apanhado sobre o que estou fazendo esses dias perdido aqui pela Noruega. Uma pena que segunda estaremos embarcando para Estocolmo - que também não deixa de ser linda, maravilhosa! - para continuar a série de reportagens especiais.
"Deus estava separando as terras das águas; quando chegou a vez da Escandinávia, sentiu cansaço e parou". Uma antiga lenda nórdica tenta explicar, desse modo, a singular conformação das costas da Noruega: em fiordes.
Termo de origem norueguesa, fiorde quer dizer "golfo estreito e profundo", e aplica-se a um acidente geográfico que ocorre principalmente na Noruega. Trata-se de um vale, escavado pela erosão glacial, que foi invadido pelo mar; parte das costas em direção ao interior, circundado de elevações em geral escarpadas. Quase sempre profundo, estreito e prolongado, ramifica-se em vários braços.
Tentando entender o passado dos fiordes, o que temos à nosso dispor hoje é que há um milhão de anos, na época do Pleistoceno (Era Quartenária), ocorreram as glaciações mais recentes. As regiões da Terra, de clima frio, cobriram-se de uma camada de gelo relativamente delgada no litoral, mas que se tornava mais grossa e compacta à medida que se estendia sobre o interior do continente. Nas montanhas, onde os rios em sua busca pelo mar escavaram vales, o gelo continuou o trabalho de erosão, intensamente. Às vezes, aprofundou tanto esses vales a ponto de fazê-los atingir uma profundidade muito maior do que a altura das montanhas circundantes (contada a partir do nível do mar). Isso no interior, pois nas costas a pressão muito mais suave do gelo não deu aos vales tais profundidades. Eis porque os fiordes são mais rasos na desembocadura. Nesses trechos, vão até 160 metros abaixo do nível do mar, enquanto no interior podem ir a mais de 1200 metros.
Quando se deu o degelo, no fim do período da última glaciação (há dezoito mil anos), numerosos vales ficaram a descoberto. A água do mar penetrou por eles e preencheu-os. A salinidade dessa água, aliada à temperatura mais ou menos elevada da corrente do Golfo (Gulf Stream), vinda do Atlântico Norte, impede o congelamento dos fiordes em seus trechos vizinhos ao mar. Mas esse fenômeno não ocorre nas ramificações mais entranhadas.
Atualmente as geleiras desapareceram de boa parte dos continentes. Mas a configuração atual de alguns vales evidencia um antigo trabalho de erosão glacial: são muito mais retos e tem declive lateral bem mais acentuado que os vales escavados pela erosão fluvial. Isso porque os blocos de gelo desgastam o solo incisivamente, sobretudo nas partes mais estreitas dos vales, para onde convergem, superpondo-se.
Nem todas as geleiras, entretanto, tem a força de abrir caminho. Essa a razão pela qual certas regiões, embora cobertas de gelo, não sofreram sua ação erosiva. Essa, ainda, a razão pela qual os fiordes não se formaram em todas as regiões enregeladas, que é o caso de boa parte da Europa e América do Norte.
A erosão do gelo sobre os vales nem sempre lhes imprimiu a mesma forma. Se o vale se estendia acima do nível do mar, por exemplo, as irregularidades do solo foram preenchidas pelas águas das próprias geleiras, que se derreteram mas não escoaram - acumularam-se, formando lagos. Essa é a história dos lagos da Escócia.
Então, cada fiorde, ou grupo de fiordes, tem suas características particulares: uns são lacustres; outros, uma sucessão de golfos e estrangulamentos; há os muito ramificados, e os quase desprovidos de braços secundários; os flancos de alguns são abruptos, de outros são circundados por suaves inclinações.
Em geral, os vales que constituem os fiordes avançam cerca de 30 a 40 quilômetros pelo interior do continente. O vale principal - do qual saem as ramificações - alterna trechos planos e trechos elevados, o que dá origem a bacias separadas por soleiras submarinas transversais (as elevações). Uma dessas soleiras é a própria plataforma continental, menos profunda que o vale dos fiordes.
Esses vales, em geral, foram escavados a um nível mais alto do que se encontram atualmente, ao que se seguiu um abaixamento das terras litorâneas e a invasão marinha. Mas esse não é um requisito essencial na formação dos fiordes, já que a erosão glacial por si só escavou os vales muito abaixo do nível do mar.
Em comparação, no hemisfério sul há duas regiões de fiordes - o Chile e a Nova Zelândia - ambas com costas altas, de montanhas que permanecem cobertas por gelos e neves eternas. Nos Andes, ao sul da Patagônia (Chile), e na Terra do Fogo, essas neves e geleiras descem dos picos mais altos para o mar, através dos fiordes. Na Nova Zelândia sucede o mesmo, numa região por isso chamada Fjordland. Mas as principais costas de fiordes encontram-se na extremidade norte do Oceano Atlântico: no Labrador, ilha de Baffin, Groenlândia, Islândia, Spitsbergen, noroeste da Escócia, e, sobretudo, na Noruega, onde estou e onde também está o maior fiorde do mundo, em extensão e profundidade: Sognefjord, que avança 186 quilômetros Noruega adentro e 1219 quilômetros para o fundo da Terra, entre margens escarpadas de mais de 800 metros de altura. Dessas montanhas precipitam-se inúmeras cascatas.
A capital da Noruega - Oslo - situa-se à beira de um fiorde: Oslofjord, vasto o suficiente para abrigar toda uma frota mercante. Nele desemboca o rio Glomma, o mais importante do país. As terras vizinhas são constituídas de colinas baixas, cobertas de vegetação, pelas quais se espalham inúmeras cidadezinhas.
Alguns outros fiordes noruegueses são: Trondheimfjord, que abriga a cidade do mesmo nome, importante porto de pesca. Daí ao mar há duas horas de navegação; Lysefjord, o mais pitoresco, que no ponto mais estreito tem 600 metros de largura, e no mais largo, 2000 metros.
Na Groenlândia, os fiordes se abrem num litoral rochoso, escarpado e alto, sobretudo nas costas ocidentais. E tem um aspecto grandioso: baías largas ou estreitas, encravadas entre duas elevadas escarpas de montanhas. Numerosas ilhotas e rochedos aí se escondem.
Os fiordes das costas islandesas não são tão profundos como os da Noruega. É que neles se depositou grande quantidade de material das erupções vulcânicas. Aí os islandeses realizam abundante pesca de bacalhau e arenque.
Ufa! Cansei... Minhas vistas estão embaraçando gente! Madrugada já, o Cadu está no décimo sono e eu aqui terminando de fazer este post e aguardando o Arthur chegar com a edição de imagens pra gente ver como ficará o produto final dessa primeira reportagem da série especial. Querem saber? Vou dormir um pouco, afinal, também sou filho de Deus e mereço um descanso. Ah, já ia me esquecendo, o Cadu chegou ontem e nem pensou duas vezes antes de aceitar o nosso convite para visitar Bergen, aquela cidadezinha do post anterior, lembram? Como disse num post mais antigo: perto do céu e com os pés da terra! Rsrsrs.
Música do momento: Rendez-vous IV, Jean Michael Jarre.
Temos um novo encontro no próximo post - provavelmente de Estocolmo - abraços em todos e até lá!
Bergen, 17 de julho de 2010.
Wallace Neubarth Chieppe
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Wednesday, July 14, 2010 - Especial...
Olá, boa tarde meus queridos, como vão? Já sei... sumi e não dei mais notícias por aqui. Saibam: também senti saudades de postar alguma coisa interessante pra vocês lerem.
Bom, semana passada fui escalado para uma série de reportagens especiais em Oslo, Estocolmo, Amsterdã, Tallinn e Copenhague. E cá estou, em Oslo fazendo algumas peripércias e lógico, trabalhando duro! Acreditem...

Vou contar pra vocês sobre um passeio que eu e o Arthur, cinegrafista, fizemos. Parece até escalação da seleção norueguesa. Mas o percurso entre Oslo e Bergen está mais para um tipo de viagem dos sonhos. O percurso conhecido como Norway in a Nutshell começa com um trem que parte de Oslo até a cidade de Myrdal. No caminho, o trem passa entre corredeiras, fazendinhas e plantações.

E vai subindo, subindo... De repente, neve! No alto dos fiordes noruegueses sempre há neve, não importa se é verão. Na estação mais alta, Finse, o trem faz uma paradinha para fotos. O frio e o vento são de amargar. O jeito é voltar correndo para dentro do trem e continuar a viagem.

Após cinco horas de viagem, chegamos em Myrdal. Dali, adentramos em outro trem que desce em direção a Flam, ao nível do mar. São vinte quilômetros percorridos em uma hora de descida pelos fiordes. A paisagem é simplesmente indescritível: quedas d'água caindo por penhascos absurdamente altos e corredeiras que parecem que vão entrar no trem, de tão próximas.
Na cidade de Flam, entramos num barco que navega entre os fiordes até a cidade de Gudvagen. A viagem é feita entre paredões que vão da água até onde a vista alcança. No caminho, mais quedas d'água e cidadezinhas que parecem isoladas do mundo de propósito, guardando uma beleza ímpar, que poucos podem sentir. São mais duas horas memoráveis até chegar em terra firme.
De Gudvagen, pegamos um ônibus para Voss. A estradinha na subida é tão íngreme e estreita que os carros que desciam tinham que enfiar no mato quando o ônibus que estávamos fazia a curva. Deixa a estrada que vai até Valle Nevado no chinelo! Lá em cima, uma paradinha em Stalheim para novas fotos. Foi nesse momento que floresceu uma união dolorida entre nações: escorreguei e bati meu fiorde brasileiro no fiorde norueguês de Stalheim. Paguei em dobro por ter dado tantas risadas das video-cassetadas nipônicas em Nova York. Fora uns arranhões e uma bunda suja de lama norueguesa - é pra quem pode viu? - mas tudo bem.

Chegando em Voss, mais uma hora até Bergen. Depois de treze horas de viagem, finalmente chegamos. A linda cidade de Bergen já foi a mais importante da Noruega em tempos passados e ainda hoje só perde para a capital Oslo.

Durante todo o percurso, pegamos desde pancadas de chuva até garoa tipo "molha-trouxa". Mas em nenhum momento essa condição diminuiu a beleza da viagem. Pelo contrário. Compunha cenários impossíveis de captar em fotos, pois, se expressavam além de simples imagens. Um misto de encantamento e paz em meio a uma natureza exuberante. Estou certo de que essa viagem é uma das poucas que eu repetiria num roteiro futuro. Quem sabe, o Cadu chegando na sexta-feira vou ver se ele anima ir comigo, pois valeu cada arranhão!
Por hoje é só meus anjos. A gente tem um novo encontro no próximo post, abraços e até lá!
Oslo, 14 de julho de 2010.
Wallace Neubarth Chieppe
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Wednesday, June 23, 2010 - Considerações corriqueiras sobre sul-africanos
Sawabona amigos e leitores! Deixa ver se consigo terminar alguma coisa hoje, faz horas que tento escrever um pouco aqui e não consigo. Confesso! Estou com saudade da tranquilidade de outras terras.
Bom, o inglês falado pelos sul-africanos é fascinante. Algumas vezes, exasperador, é verdade, especialmente pelo sotaque. É uma pronúncia anasalada. Quem já teve curiosidade de ouvir um discurso do Nelson Mandela pode ter uma ideia do que estou falando.
O inglês falado pelos negros tem uma musicalidade diferente do falado pelos brancos. E mesmo entre os brancos, os africâners (descendentes de holandeses) falam de um jeito e os de ascendência inglesa falam de outro. Percebe-se na hora. Nos Estados Unidos, é um assunto politicamente sensível dizer que negros e brancos possuem sotaques diferentes. Por aqui, curiosamente, não, até porque as diferenças são mais marcantes.
O mais divertido de tudo são as gírias dos negros. Quando conversam entre si, eles falam uma das nove línguas africanas reconhecidas pelo Estado sul-africano como oficiais. A mais comum é o zulu - de onde vem a saudação que iniciei este post e o anterior, que significa "Oi tudo bem?". Mas eles no meio das frases jogam algumas expressões ou palavras inglesas.
"Howzit?", escrito assim mesmo, é a mais comum. Trata-se de uma corruptela de "how is it?", ou "como estão as coisas?". Se alguém que estiver lendo esse post vier para a Copa, vai ouvir essa expressão centenas de vezes, até porque por aqui, a etiqueta manda que, antes de perguntar as horas ou onde passa o ônibus, as pessoas se cumprimetem demoradamente.
Outra que aparece a todo instante é "I can't complain" - não posso reclamar, ou "Not too bad" - não tão mal, ao responder a um "Howzit?". Desconfio que nesse caso seja influência dos ingleses, sempre com o dom de dizer que estão bem lembrando que poderiam estar mal.
Conversas curtas são encerradas com um "sharp-sharp", que falado por eles, soa mais como "chapchap". Significa "beleza", "ok", "então tá". É o que aqui se chama de "township lingo", o dialeto das favelas, que se espalhou pela classe média. Sharp é uma palavra inglesa que significa "exato".
E pra quem pensou que por aqui não existia o famoso "né?" vai a informação: existe sim. O nosso misterioso "né?", falado ao final das frases, contração de "não é?", aqui aparece também. É a coisa mais engraçada você falar em inglês com um sul-africano e no final da frase ele jogar um "né?", igualzinho ao nosso, em português. Por exemplo:
"- Howzit?
- Not too bad, né?
- Sharp-sharp."
Fiz uma pesquisa rápida aqui com meus colegas de redação para saber de onde raios veio esse "né?". Ninguém sabe explicar direito. Duas teorias surgiram dessa pesquisa de quatro dias: uma, de que seria influência de imigrantes moçambicanos - onde se fala português, que vieram trabalhar nas minas de ouro no século passado e trouxeram essa muleta verbal. Outra, de que seria em razão do "nee" dos africâners, pronunciado como "nié?", significando "não?", ao final da frase.
Bateu essa curiosidade louca, tô pensando até em recorrer à ajuda do meu amigo Ruan, do litoral do Paraná, não sei a cidade mas que possui aproximadamente 400.000 habitantes, que é especialista em pesquisas pela internet, para descobrir o por quê desse "né?" na linguagem dos sul-africanos. Mas, se alguma outra pessoa souber, ajude-nos a esclarecer o mistério do "né?".
Sharp-sharp, depois de exatos 35 minutos consegui, enfim, terminar este artigo. A gente tem um novo encontro no próximo post, abraços e até lá!
Joanesburgo, 23 de junho de 2010.
Wallace Neubarth Chieppe
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Monday, June 21, 2010 - Eles querem comprar opiniões...
Dumela, amigos e leitores.
Vocês viram a repercussão do que o Dunga disse ao Alex Escobar ontem, durante a entrevista coletiva após o jogo do entre Brasil e Costa do Marfim? Lamentável isto e com certeza, todos nós que estávamos lá com o único propósito de colher informações e transmiti-las aos telespectadores não julgamos o mérito dele como dirigente técnico da Seleção Brasileira. Mas, enquanto o Dunga distribui patadas na imprensa, alguns dos principais adversários do Brasil adotam o caminho oposto - e até com certo exagero na arte de agradar jornalistas.
Nos últimos dias, entre as diversas concentrações que visitei, estiveram as da Itália e Espanha. Como sempre, jornalistas amontoados, disputando os melhores lugares na sala de imprensa, reclamando da qualidade da internet, reclamando da vida em geral...
Mas a Itália, sediada em Centurion, cidade a meio caminho de Joanesburgo e Pretoria, encontrou um jeito de amenizar um pouco a rotina dos coleguinhas. Instalou-se numa escola de segundo grau, redecorou-a com fotos da equipe em mundiais passados (só fotos positivas, claro; nada de Roberto Baggio errando pênalti), instalou inúmeros aparelhos de TV e colocou mocinhas sorridentes na recepção. O local virou a "Casa Azzurra", referência ao apelido da equipe, Squadra Azzura - time de azul.

Em meio a tudo isso, talvez o mais importante, criou um bar que serve os jornalistas que por ali aparecem para desempenhar seu papel de informar durante quase 24 horas por dia. Farta distribuição de pizza, fogazza, massas em geral. E capuccino, expresso e até vinho para quem se animar. Tudo de graça, tudo com sorriso e gentileza.
A 150km de distância, a Espanha aboletou-se num campus universitário na cidade de Potchefstroom, local pacato numa área dominada por minas de platina. Não há a opulência da concentração italiana, mas os espanhóis não deixaram por menos no quesito gastronômico.

Anteontem, enquanto os jogadores Fernando Torres e Raul Albiol tentavam explicar o inexplicável (como a Espanha, a superfavorita ao título, conseguiu perder para a Suíça na estreia), um senhor cortava lascas de legítimo jamón serrano, servido com pãozinho.
Como tudo que envolve a Copa, há sim um pouco de marketing. Jornalistas, bem ou mal, disseminam opiniões, e podem ajudar a divulgar os produtos da casa. O jamón serrano espanhol concorre com o presunto Parma italiano, por exemplo, na gastronomia mundial.
E também desconfio que há uma tentativa de, quem sabe, contar com um repórter um pouquinho menos amargo na hora de escrever uma matéria descendo a lenha na equipe.
Funciona? Talvez em alguns casos, mas garanto que não há jamón serrano que ofusque mais um fiasco da Espanha hoje, contra o time de Honduras.
Por hoje é só galerinha, a gente tem um novo encontro no próximo post. Abraços e até lá!
Joanesburgo, 21 de junho de 2010.
Wallace Neubarth Chieppe
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Friday, June 18, 2010 - Uma grande perda
Sawabona queridos amigos.
Desculpem-me pela demora em atualizar este espaço, é pura falta de tempo. Parece que as coisas no estágio não estão conspirando a meu favor. Bom, mas não posso reclamar, estou fazendo o que gosto.
Hoje queria comentar aqui sobre uma grande perda para a literatura mundial. Faleceu em Lanzarote, nas Ilhas Canárias, Espanha aos 87 anos o escritor português José Saramago.
Polêmico, publicou obras como "Caim" no ano passado e "O Evangelho Segundo Jesus Cristo" em 1991, obra censurada pelo governo português e que o levou ao exílio na Espanha, onde permaneceu até o seu último suspiro. Uma de suas obras mais marcantes foi o livro "Ensaio Sobre a Cegueira", de 1995, que migrou para as telas dos cinemas através do diretor Fernando Meirelles no ano de 2008.
José Saramago já era bem conhecido na literatura mundial mas, aos 75 anos venceu o Prêmio Nobel de Literatura, sendo o único representante das comunidades de Língua Portuguesa a conquistar tal prêmio.
Em janeiro passado foi relançada uma nova edição do livro "A Jangada de Pedra", em benefício das vítimas do terremoto que atingiu o Haiti. O dinheiro arrecadado com as vendas dessa nova edição foi integralmente repassado ao fundo de emergência da Cruz Vermelha.
Conhecedores de toda a sua trajetória, resta-nos lamentar muito esta grande perda. Para quem não conhece tanto assim, indico o livro "Saramago: uma Biografia" do escritor português João Marques Lopes, lançado em maio deste ano que, como o próprio título diz, é a biografia de um dos mais importantes nomes da literatura mundial.
Para terminar, um dos mais belos e profundos pensamentos de Saramago: "Tolerar a existência do outro e permitir que ele seja diferente ainda é muito pouco. Quando se tolera, apenas se concede, e essa não é uma relação de igualdade, mas de superioridade de um sobre o outro."
Um abraço em todos, a gente se encontra no próximo post, até lá!
Joanesburgo, 18 de junho de 2010.
Wallace Neubarth Chieppe
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Sobre Mim
Eu não sei me definir. Nunca soube muito bem dizer quem eu sou. Aos poucos vou me acostumar com este novo (nem tão novo assim) espaço e com esse tempo... vou me adaptando.
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