Turista em São Paulo | |
O preço da exploração
09:37 PM, 28/6/2010
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José Paulino lotada na época do Natal
Calças jeans por vinte reais, blusas por cinco, vestidos por dez, lingeries por quinze, na Rua José Paulino e arredores é assim, tudo é realmente muito barato. Provavelmente, com um preço tão baixo as roupas devem ter uma péssima qualidade. Engano! As peças são bem feitas e o tecido é bom, não são diferentes do que encontraríamos em uma Renner ou CA. Neste caso, os produtos devem ser feios, fora de moda, pertencentes a alguma coleção muito antiga... Errado de novo! Localizada no Bairro do Bom Retiro, o local é referencia na venda de roupas bonitas, baratas e bem feitas! Meu Deus! Seria o paraíso constituído por algumas ruas abrigando um número incontável de lojas tendo como os únicos dizeres que os olhos conseguem enxergar as palavras “promoção”, “desconto” e “off”? Não caros leitores, não deixem se enganar tão facilmente, afinal, como até mesmo o desenho do Alladin diria: não é o que está por fora, mas o que está por dentro que interessa. Por dentro? Talvez não exatamente dentro dos comércios, que inclusive em sua maioria contam com uma aparência relativamente acolhedora, outra discrepância diante do preço baixo, e clientes disputando roupas a tapas nos períodos mais turbulentos como o Natal. O que é preciso fazer para desvendar este mundo curioso é entrar no Bairro do Bom Retiro, mais precisamente em oficinas de costura. Lá, o paraíso logo se transforma em um inferno. O motivo? Imigrantes ilegais como bolivianos, paraguaios e peruanos dedicam em torno de 17 horas por dia para confeccionar, em condições insalubres, as peças vendidas na própria José Paulino. A quantia que recebem por tanto trabalho é irrisória, certamente menos do que um salário mínimo e, claro, com uma mão de obra tão barata os custos diminuem e as roupas também ficam baratas.
O negócio, por incrível que pareça, é benéfico para ambas as partes. Isto porque para os imigrantes até mesmo as péssimas condições de trabalho nessas fábricas são melhores do que as vividas nos seus locais de origem. Esta falta de conflitos entre empregadores e empregados dificulta a ação da polícia, já que as vítimas não denunciam seus exploradores. Sinceramente, o trabalho escravo não é nenhuma novidade no Brasil. Porém, costumamos imaginá-lo em alguma carvoaria ou canavial localizado no interior do interior do país. Ver este tipo de monstruosidade e precariedade há algumas estações de metrô é extremamente chocante. Será que os paulistanos sabem que isto ocorre bem diante dos seus olhos e que, pasmem, eles colaboram com tamanho horror? Gostaria de pensar que os consumidores não fazem a mínima idéia do que ocorre, mas acho que estou enganada. *As informações contidas no texto foram retiradas de notícias recentes divulgadas sobre o tema.
Aqui jaz uma mansão
04:44 PM, 23/6/2010
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![]() Durante passeios pela Avenida Paulista é difícil não notar um enorme estacionamento com um detalhe peculiar, seu muro, aparentemente antigo, possui bem na entrada um espaço para um brasão. Bom, aparentemente não há motivos para um estacionamento colocar em sua fachada algo tão distinto, afinal ninguém escolhe o local onde deixar os carros por causa de um brasão na entrada. Então, como aquele brasão foi parar lá?
Para responder a essa pergunta temos que entrar em um verdadeiro túnel do tempo e chegar a uma época em que arranha-céus e Av. Paulista raramente estavam presentes na mesma frase. No início do século passado os palacetes dominavam o local e trouxeram a característica nobre que a Paulista mantém até hoje.
Bom, como a região era voltada para a elite brasileira, nada mais óbvio do que um dos principais empresários do Brasil na época, Francisco Matarazzo, decidisse construir sua mansão lá.
a mansãoO resultado foi uma das mansões mais belas da região e certamente uma das maiores. O local foi feito por arquitetos de renome e abrigava as principais obras de arte da família. Enfim, ela representava a era de ouro da família Matarazzo.
Porém, como todos sabem, a situação financeira dos Matarazzo foi piorando cada vez mais e como conseqüência eles tiveram que vender seus bens. A prefeitura tinha o objetivo de tombar o local, mas caso o fizesse a família não conseguiria vendê-lo, então no dia em que a mansão se tornaria um patrimônio histórico do país, ela amanheceu em ruínas.
Entendo a situação em que os Matarazzo se encontravam, mas esta atitude é no mínimo lamentável. Creio que eles deveriam sim ter considerado a importância do local para todos e tal atitude foi egoísta. Por outro lado, o governo praticamente iria tomar a propriedade da família para si, afinal eles não poderiam fazer nenhum tipo de alteração no local e tudo o mais.
Enfim, no lugar da majestosa mansão foi erguido um nada majestoso estacionamento. Atualmente, os únicos olhares que aquele ponto atrai são para o Smart que lá fica estacionado. Aquele brasão permanece em discrepância com o ambiente, talvez fizesse mais sentido se no seu interior escrevessem: aqui jaz uma mansão.
De sinônimo de doença a sinônimo de comida
03:03 PM, 23/6/2010
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![]() Aquele senhor certamente tinha mais de 80 anos e sua imagem nos mais diversos lugares e acompanhado de pessoas no mínimo inusitadas, como o papa João Paulo II, estão dispostas por toda a cantina da Concheta. É difícil diferenciar a história de Walter Taverna e do Bairro do Bixiga. Ambos são brasileiros, mas têm um quê de italianos, simpáticos e têm muitaaa história para contar.
É ele quem organiza os principais eventos do local, como a Festa da Nossa Senhora de Achiropita com o bolo gigante e tudo o mais. Ao longo dos anos Walter lutou para preservar a memória do bairro e foi um dos idealizadores do Museu Memorial do Bixiga, localizado em uma simpática casa com arquitetura referente ao início do século passado e com cores creme e rosa.
As construções coloridas não são exceções do museu, todas as casas são azul marinho, rosa pink, amarelo, verde e por ai vai. Isto dá um toque todo especial ao local e de certa maneira é uma referência à Itália, já que algumas vilas pequenas têm o colorido como característica principal, é o caso de Burano, mas creio que já mencionei isto aqui no blog.
![]() Gostaria de destacar a Igreja de Nossa Senhora de Achiropita como um dos pontos mais bonitos de toda a região. Ela é toda branca e conta com uma cúpula dourada, a arquitetura não é tão diferente das igrejas que vemos pela cidade, porém ela é muito bem conservada e por dentro conta com muitos detalhes, coloração dourada, colunas de pedra e muitas estátuas de santos, inclusive Nossa Senhora na posição central.
As marcas da Itália não são tão evidentes como no caso do Japão na Liberdade, até porque o Brasil adotou muito desta cultura no dia-a-dia de modo que não é incomum vê-la presente em vários locais. Basta entrar em alguma cantina ou conversar com os moradores para notar a Itália abrasileirada que tanto caracteriza o bairro.
O Bixiga ganhou este nome devido às cicatrizes da doença que acometeu o antigo dono das terras que viriam a constituir o bairro. Hoje o local esta longe de ser sinônimo de doença, ele é relacionado a algo muito mais interessante. A culinária italiana é a principal marca do Bixiga. Massas estão presentes em todos os lugares, são lasanhas, pizzas, espaguetes e muito mais. Tudo é muito saboroso, mas não são iguais aquilo que é feito na Velha Bota, principalmente porque as massas cozinham um pouco mais e não ficam al dente. A cantina que indico é a Concheta, que citei no início, pois ela capta exatamente a “alma” do Bixiga.
Por fim, o Museu do Óculos e a Escadaria do Bixiga são outros pontos que vale a pena conhecer. Creio que o Bairro do Bixiga seja um dos pontos mais interessantes de se conhecer em toda a cidade. Isto porque sua beleza não se prende somente a determinados pontos turísticos, o conjunto de construções e as pessoas são o que realmente torna o passeio muito agradável.
Por dentro da Maçonaria
08:46 PM, 20/6/2010
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A fachada é constituída por duas grandes colunas e o estilo do local remete a uma construção antiga, talvez uma tentativa mal sucedida de algo semelhante ao Parthenon. Creio que a melhor forma de imaginá-la é pensarmos nos templos da Assembléia de Deus, nas sedes mais ricas e bregas. Assim é a Loja 77 da Maçonaria localizada próxima ao metrô São Joaquim. As lendas em torno desta irmandade constituída apenas por homens são inúmeras, e renderam um bom dinheiro a diversos escritores, Dan Brown que o diga. Normalmente o acesso a Loja, local em que os maçons se reúnem, é restrito apenas aos membros. Contudo, tive a oportunidade de presenciar um evento branco, no qual qualquer um poderia entrar. Os símbolos estão presentes em todos os lugares da Loja, inclusive no elevador cujo chão quadriculado em preto e branco tem um significado que, é claro, não me foi explicado. Os convidados foram instalados no salão principal que continha quadros que lembravam Tarsila do Amaral com o diferencial de serem muito mais coloridos, piores e conterem referencias maçônicas. Ao lado do Salão também havia uma espécie de mini-museu, no qual constavam objetos e documentos relacionados aos membros mais antigos. Creio que havia papéis do século XIX e presentes vindos de outros países. Outro ponto interessante foram os retratos em torno “museu”, todos foram feitos da mesma forma e provavelmente retratam aqueles que foram os grãos-mestres de cada época. Permanecemos lá enquanto os maçons realizavam a parte secreta do ritual, após isso eles desceram. Todos vestiam aventais (que realmente eram chamados de aventais) e a cor de cada um simbolizava o grau deles na irmandade. Depois fomos guiados por um maçom portando um bastão com a ponta dourada. Subimos uma grande escada de mármore com tapete vermelho ao centro e chegamos diante de uma porta realmente bonita feita de madeira maciça. Neste momento, o maçom portador do bastão fez um determinado toque com o instrumento e as portas se abriram. Deparei-me com homens de frente uns para os outros formando duas filas paralelas, portando espadas e fazendo com elas uma espécie de passagem para os convidados. No mesmo instante começou a tocar Carmina Burana Sim, eu estava em uma festa de quinze anos macabra, esta é a melhor forma de descrever o que presenciei. O lugar em que se deu a cerimônia é chamado de Salão Nobre e trata-se da maior concentração de símbolos por metro quadrado que já vi. O local é dividido em duas alas chamadas de sul e norte, ou ocidente e oriente, ambas com cadeiras. Nas paredes paralelas há seis colunas e em cima de cada uma há triângulos com determinados apetrechos em volta. Na entrada também há duas colunas com três romãs cada no topo. Na ponta do Salão há uma bela mesa também esculpida em madeira na qual sentam três homens, no centro há o grão mestre e em cima dele um triângulo com um olho dentro, no topo dos outros dois maçons há um sol e uma lua. A pintura do teto remete ao universo com constelações, lua e tudo o mais. Uma corda está em volta de todo o local e ainda há quatro homens, certamente importantes para a maçonaria, localizados em pontos estratégicos da sala. A cerimônia em si não teve nada demais, pregou-se o amor e o respeito ao próximo. Gostaria apenas de destacar o nacionalismo exacerbado, já que ouvimos o hino nacional e o da bandeira, e houve um momento de destaque para a entrada da bandeira brasileira. Dom Pedro, maçom declarado, também foi citado como uma espécie de herói nacional (o que não é tão estranho já que muitos acreditam que declarar a Independência do Brasil foi um ato heróico). Ao final comentei para um dos presentes: “A cerimônia foi diferente do que imaginava”. Ele respondeu: “Você esperava que fossemos matar um bode?”. Honestamente, o que eu jamais esperava era presenciar um grupo de meninos brincando de Idade Média. Simbolismo? Sim isso havia aos montes, mas estou certa de que não passava de simbolismo barato. O eterno lar da elite brasileira
11:14 PM, 17/6/2010
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![]() O prédio do Largo São Francisco foi criado em 1644 e é uma das poucas obras antigas de São Paulo que não foram substituídas por edifícios com arquitetura moderna e, muitas vezes, de gosto duvidoso. Em meio ao caótico e feio (sim, em grande parte é feio mesmo!) centro paulistano a área parece pertencer a outro “mundo”. Esta característica não se deve apenas as obras, mas também ao público que o freqüenta.
O fato é que desde 1827 o lugar abriga a Faculdade de Direito e a partir daí tornou-se o lar dos jovens da elite brasileira. Muitos podem dizer que este conceito é antiquado e que o país evoluiu desde então, porém até pelo próprio conhecimento exigido no vestibular é preciso ter uma base, isto quer dizer ter estudado em um bom colégio particular.
Não quero com isso desmerecer a importância que o Largo teve para a formação intelectual do Brasil, mas que até hoje ele é um símbolo de desigualdade do país isso é. Com uma entrada majestosa, colunas imponentes e sacadas simpáticas o local se destaca, porém, muitos dos passantes nem prestam atenção, provavelmente fazem o mesmo trajeto todos os dias e sabem exatamente o que está acima de suas cabeças.
É estranho pensar que a grande maioria dos usuários do local são jovens. Há uma discordância interessante que é aliviada pelas estátuas localizadas bem em frente. Elas são escuras, feitas de algum metal que não sei precisar, e bem modernas. Gostaria de destacar uma com um casal se beijando que por incrível que pareça combina perfeitamente com todo o ambiente. O conjunto de estátuas proporciona maior leveza a que podem nos distrair um pouco, mas não se enganem, o Largo do São Francisco continuará sendo o eterno lar da elite brasileira.
Liberdade: um pedaço do oriente com pitadas de ocidente
08:27 PM, 16/6/2010
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![]() Estátuas de orixás, pais-de-santo, fantasias de baianas, tambores, enfim todos os elementos relacionados à cultura africana, mais especificamente às religiões de origem africana, estão presentes em duas lojas interligadas. Esses comércios contam com tudo o que os praticantes do candomblé, umbanda, entre outros, necessitam e exatamente por isso o número de freqüentadores do lugar é alto. Ficou interessado? O estabelecimento está localizado em pleno Bairro da Liberdade. Isso mesmo, nem só de Japão vive a Liberdade.
Herança oriental
Contudo, é impossível não mencionar a herança oriental. Digo oriental porque coreanos e chineses também se tornaram personagens típicos do local. Ao sair da estação de mêtro, a constituição do bairro é interessante, a tentativa de implantar características da cultura japonesa no Brasil é inegável. São luminárias e telhados (inclusive do banco HSBC e do Mc Donalds) ao estilo nipônico. Pode não parecer muito, mas estes dois detalhes já fazem grande diferença na caracterização de um lugar.
O restante das características orientais fica por conta dos moradores e comerciários. As lojas em sua maioria contam com variedades de produtos orientais, que vão desde a decoração, passando por catanas e instrumentos de culinária.
Outro tipo de comércio muito comum é o mini-mercado com verduras, frutas e produtos japoneses tais quais sushis e alguns mais diferentes como doces extremamente industrializados e típicos do Japão moderno. Um lugar que gostaria de destacar é uma loja de revistas bem em frente à estação de mêtro que conta com um grande número de publicações japonesas. Imagino que no Brasil há um público considerável de leitores de textos japoneses, afinal, além das revistas, as próprias bancas comercializam jornais escritos em japonês, honestamente não sei dizer se estes são importados ou feitos no Brasil, mas buscarei informações a respeito.
Quanto aos restaurantes, todos têm um preço acima da média, devido ao custo realmente mais elevado da comida japonesa. Mesmo assim, o bairro é o verdadeiro paraíso de amantes da culinária nipônica. Indico um restaurante ao lado da loja de produtos africanos, que apesar de custar 20 e poucos reais, a pessoa pode comer a vontade.
Moradores e frequentadores do bairro
A maioria dos orientais que vivem na Liberdade cultiva hábitos que remetem a um Japão mais tradicional, bem diferente de como é atualmente. Por isso, são sérios e não interagem muito com outros brasileiros. Já faz cem anos que os japoneses chegaram aqui e ao longo deste tempo eles adicionaram novas características à cultura brasileira, mas não posso dizer que o contrário seja recíproco. Ainda mais na cidade de São Paulo, que concentra uma comunidade nipônica muito grande. Os japoneses, em sua maioria, optam por conviverem somente entre eles. É muito comum, por exemplo, ver um grupo constituído apenas por jovens ascendentes de japoneses em qualquer lugar da capital. Tal costume é um tanto incomum em um país que foi constituído por meio da miscigenação entre povos.
Lar de povos de cultura milenar em um país com somente alguns séculos de vida, o Bairro da Liberdade é a tentativa de implante de uma parte do Japão no Brasil. Apenas uma tentativa, mas que teve como resultado uma mistura muito mais interessante e difícil de encontrar no Japão ou em qualquer outra parte do mundo.
Nossa querida caixa de sapatos
11:12 PM, 15/6/2010
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![]() Localizado em plena Av. Paulista, o Museu de Arte de São Paulo (MASP) impressiona primeiramente por seu formato, sim, ele tem o exato formato de uma caixa de sapatos com o diferencial de que está suspenso no ar. Mas não se deixe enganar pelas aparências, por dentro o MASP guarda verdadeiros tesouros da arte mundial.
Vão livre
Porém, antes de falarmos por dentro, falaremos de baixo. O vão livre do MASP além de ser o maior da América Latina é o espaço para descanso, comércio, namoro, entre outras coisas, de muitos paulistanos. Dentre os muitos eventos gostaria de destacar a feira de antiguidades que oferece peças de rara beleza e, claro, de raro preço. A vista, é outro ponto que não podemos deixar de tocar, ela nos transporta para toda a imensidão paulistana e inspira casais, que passam tarde de inverno abraçados em um dos cantos desta imensa sacada, talvez até inspire os moradores de rua, que escolheram o espaço como cama durante a noite ou até mesmo para o descanso da tarde.
O acervo permanente
Voltando para a parte de dentro do museu, o acervo permanente é admirável e apesar de não contar com a grande quantidade de obras de um Louvre, Prado ou Uffizi, a qualidade dos trabalhos apresentados é inquestionável.
Enquanto passeamos pelo espaço dos retratos, nos deparamos com O Escolar de Vicent Van Gogh, se andarmos mais um pouco encontraremos a aquisição que particularmente considero a mais valiosa, As Tentações de Santo Antão de Bosch. A obra data de 1500 e além da “idade avançada” ela se destaca pela riqueza de detalhes, os quais ainda não consegui admirar completamente, mas que fizeram com que sentisse o mesmo frio na barriga de quando pude ver o Jardim das Delícias, obra de maior relevância do mesmo pintor.
Os italianos também estão presentes no MASP, Rafael com a obra Ressurreição de Cristo é o que considero de maior relevância. Bom falar sobre a genialidade deste artista seria ridículo posto que disto todos já sabem, portanto, todos também sabem o quão valiosa é a oportunidade de apreciar uma obra de sua autoria. Os outros italianos são Ticiano, Bellini e Andrea Mantegna.
Outros artistas igualmente admiráveis e que também podem ser apreciados são os espanhóis Goya, El Greco e Velázquez. De El Greco temos Êxtase de São Francisco com os Estigmas e Anunciação, ambos com as pinceladas fortes e cores escuras, algo que realmente deixa os sentimentos a flor da pele. Quanto a Goya há quatro retratos, muito bem feitos (claro) e desenhos que creio que exprimem melhor o estilo do artista, que para mim é evidenciado perfeitamente em Os Fuzilamentos de 3 de maio de 1808, do que as pinturas. Por fim, O retrato do Conde-Duque de Olivares é a única obra de Velázquez presente no museu e neste caso o mesmo vale para o que disse sobre o trabalho de Rafael, somente pelo fato de ser um Velázquez vale a pena apreciá-lo. Gostaria de ressaltar que ele é o pintor de As Meninas, recentemente escolhida como a mais bela dentre todas (o que é no mínimo absurdo, não pela qualidade do trabalho, mas sim devido a impossibilidade de determinar uma pintura como “superior” a outras.
Por fim, as obras dos brasileiros Flávio Carvalho, Anita Malfatti, Candido Portinari e Victor Brecheret não podem deixar de ser mencionadas no acervo. Elas tratam de uma outra época da arte, algo mais recente, daí a diferença de estilo ser gritante. Dentre as obras quero destacar o Retirantes de Portinari cujo aspecto sombrio e deprimente é capaz de tocar a alma de qualquer um. De Anita, que conta com apenas duas obras no museu, o quadro A Estudante é realmente bom, original e surpreendente.
As tentações de Santo Antão Outras exposições
O MASP também conta com acervos que são expostos durante certo período e depois partem para outras localidades. Atualmente ocorre Marx Ernts, uma semana de bondade e Francisco Stockinger na exposição intitulada Stockinger – O Descanso do Guerreiro. Então, não perca a chance de admirar obras de importância mundial em um dos museus de maior relevância na América Latina. As terças-feiras as entradas são gratuitas.
Rua Augusta: os paulistanos do avesso
10:20 PM, 9/6/2010
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Saí da Av. Paulista onde homens engravatados e mulheres de terninho compõe o verdadeiro clichê que todos imaginam sobre o paulistano e bastou fazer uma curva para que surgisse um lado muito mais interessante de São Paulo. Na Augusta tudo remete a um outro lado dos paulistanos, um lado que agrega muitos outros lados. É fato, se Lady Gaga fosse brasileira esse seria o seu lar. No começo da descida há pouco de incomum, destaque para uma pizzaria que remete muito aquelas de Nova York, o motivo não é nada de muito glamuroso, na verdade é o estilo meio sujinho, com aqueles escritos luminosos e espaço bem pequenino que faz ela ser muito atraente. Continuando o caminho tudo começa a ficar mais interessante, passo por muitos brechós, alguns com roupas legais, mas outros meio comuns, detalhe para o fato de que eles eram de roupas femininas, mas a maioria dos consumidores eram homens. Até então tudo bem, foi ai que entrei em uma loja de sapatos plataformas, todos muito brilhantes e muitoooo altos, e notei que os consumidores também eram em sua maioria homens! Acho que o mais legal é como as pessoas encaram isso numa boa, na Augusta ninguém se importa com a sua opção sexual, ideologias, cor ou qualquer outra coisa que gere discriminação. Durante o dia, a Augusta se destaca pelo comércio em lojas, algumas com uma localização muito legal, em pequenas vilas compostas por comércios ao invés de casa. Mas uma parte da famosa rua ainda dorme, as boates recém fechadas após uma longa noite de festas, neste momento estão silenciosas e fechadas com portões ilustrados por grafites. Dentre as lojas interessantes, gostaria de destacar as chamadas de exóticas, elas contam com corpetes lindos e caros (em torno de R$200,00), chicotes, entre outros objetos divertidos. Bom, esse é o meu breve depoimento sobre a Augusta, lar daqueles que dão a São Paulo o outro lado que ela tanto necessita. Os sem curadores - Casa da Xiclet
05:02 PM, 7/5/2010
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De uma brincadeira de duas amigas, uma galeria de arte nasceu em Sâo Paulo. Tudo começou quando a capixaba Adriana Matos Alves Duarte, mais conhecida como Xiclet, decidiu expor na sala de casa os quadros da amiga Fabiquinha. Das quinze obras exibidas, nove foram vendidas no primeiro dia de exposição. "O resultado foi que ela resolveu ser artista e eu galerista," relembra Xiclet A partir de então, surgiu uma forma inovadora de apresentar arte ao público. Trata-se de um espaço que mistura o aconchego e privacidade de uma residência com o agito das galerias. Essa é a Casa da Xiclet, que além de ser um lugar para cultivar a arte também é a casa da galerista. A casa de arte Ao atravessar um muro amarelo com o grafite do logo da marca Chiclets, mas com o nome alterado para Xiclet você entra em um universo um tanto singular. Lá dentro o visitante se depara com um mundo à parte. Todo o entorno do quintal é cercado por desenhos variados, com monstros coloridos, corações e mães passeando com os filhos. No quintal, uma grande mesa de sinuca florida decora o ambiente junto com a cabeça de um palhaço estilizada em vermelho e preto. No interior, mesas cercadas de documentos e computadores se misturam aos manequins com o púbis pintado e enormes quadros. A presença da arte chega até aos lugares mais improváveis de uma residência, o que pode ser evidenciado no banheiro cercado de fotografias de pessoas nuas. “Se eu fosse mudar para outro lugar, certamente acabaria colocando obras de arte nesse lugar e as pessoas iam começar a frequentar. Eu vejo que isso vai acontecer aonde quer que eu vá”, afirma Xiclet. Espaço para artistas Em 2004, a galerista optou por profissionalizar o espaço. “Eu quis criar um lugar voltado para exposição, mesmo, com acervo, preparar para venda”, explica Xiclet. A organização das mostras é bem simples e reúne um número inalcançável para qualquer galeria tradicional no Brasil. "As galerias não dão mais conta da quantidade de artistas talentosos que existem por aí. Não tem espaço para todo mundo. Agora os artistas precisam se virar em outros lugares, revela. Xiclet defende que expor em galerias mais baratas também é uma maneira interessante e válida de se promover. Ela acredita que a idéia de expor em uma grande galeria sem ter se destacado na carreira é ilusória, já que estes locais não irão desistir de artistas cujos trabalhos valem “100 mil dólares” por desconhecidos com obras avaliadas em valores mais baixos. “É preferível que eles criem a própria galeria ou participem de alguma de pequeno porte e tentem entrar na mídia, ao invés de correr atrás de uma grande galeria que no máximo vai te colocar numa grande fila”, reflete. A visitante da galeria, Elaine Gomes, professora, 32 anos, destaca a contribuição da Xiclet com a formação da nova geração de artistas. “A intenção é fornecer alternativas de difusão, atuando como uma espécie de laboratório”, comenta. Isso ocorre porque muitos dos pintores e escultores que usufruem desse espaço estão ainda engatinhando na carreira e podem, ainda assim, contar com um lugar dinâmico e bem organizado para expor seus trabalhos. E o mais instigante: não é preciso passar por análises prévias. Basta querer deixar à mostra o resultado de uma forte ousadia artística”, conclui.
De fato, outro ponto favorável da Casa da Xiclet é o seu caráter libertário. Portanto, ao contrário da maioria das galerias, nas quais as obras passam por uma pré-seleção e outros processos burocráticos rigorosos, o local optou por adotar o seguinte lema: “Sem-curadoria, sem-seleção, sem-juros, sem-jabá, sem-entrada e sem-patrocinador”. Outro título que Xiclet rejeita é o de curadora, apesar de ser quem organiza todas as exposições Apesar de a galeria ser considerada “alternativa”, Xiclet não acredita que o local seja um espaço underground. “Nós não somos underground, isso é uma coisa feita sem dinheiro e arte é uma coisa que precisa de dinheiro. Underground por quê? Porque estamos à margem? À margem estamos mesmo, aqui do rio Tiête ou Pinheiros, eu nunca sei qual deles é”, brinca. Dessa polêmica, surgiu a idéia da exposição “Não é underground, é playground”, afirma Xiclet. As exposições ocorrem anualmente entre os meses de janeiro e fevereiro e sugere aos participantes a criação de obras que unam jogo e interatividade. Com seis anos de funcionamento, a Casa da Xiclet atrai admiradores da arte, curiosos, especialistas, artistas, entre outros. Infelizmente, tamanho sucesso ainda não refletiu no bolso de Xiclet. “Eu faço o meu trabalho por amor mesmo, porque se dependesse do dinheiro, já teria abandonado”, salienta. “Como artista, eu acredito que essas galerias permitem melhor interação com o público e com outros artistas”, afirma o pintor Luiz Henrique Merari, 25 anos. A estudante de artes cênicas, Anita Latorre, 22 anos, também fala da facilidade que encontra em interagir com os autores das obras que aprecia. “Ás vezes eu consigo o contato deles com a Xiclet ou descubro quando ele virá até aqui e assim consigo conversar, conhecer e entender melhor o trabalho”, explica. “A Xiclet é capaz de fazer uma exposição numa mochila, num banheiro, numa feira, no parque, na casa dos outros ou na casa da mãe Joana e dá certo. O legal da Casa é a diversidade e o contato mútuo entre criadores e criaturas”, afirma Alexandre Bispo, escultor, 30 anos. Quanto custa na Xiclet? Para expor na Xiclet não há segredos. Basta se inscrever, e esperar ser chamado. Isso porque não existe nenhuma seleção de trabalhos é preciso apenas aguardar a lista de espera. No total são seis espaços reservados para exposições: o Let's Xic, a Sala Especial, a Lavanderia, o Playground, a Xclets Mini e o Corredor. As mostras costumam ser temáticas. A próxima que está sendo organizada tem como tema “DEU$ É REAL”, mesmo assim Xiclet ainda não sabe ao certo o que vai expor. Tudo está sendo preparado para os 35 dias de exposição e as inscrições devem ser feitas com no mínimo um mês de antecedência. Os preços variam de acordo com cômodo desejado. O espaço mais cobiçado e mais caro da Casa é o Let's Xic cada 1,5m x 1,5m custa por dia R$20,00, totalizando R$750,00 para a temporada completa. O valor inclui organização e limpeza. Muitas das vezes a faxina é feita pela própria Xiclet com ajuda de alguns de seus amigos artistas. A Galeria é mantida pela taxa de inscrição paga pelos expositores e também por algumas atividades culturais na qual são cobradas entradas. Como por exemplo, as sessões de cinema promovidas na galeria. Quanto custa a entrada? A própria Xiclet responde: “Para entrar não custa nada. A entrada é sempre gratuita, mas na hora de sair tem que deixar R$2,00”. A Casa da Xiclet está localizada na Rua Fradique Coutinho, 1855, Vila Madalena Horário de funcionamento: seg-sex das 14:00 às 20:00/ Sab-Dom e feriados das 14:00 às 18:00 (a casa fecha as terças)
25 de março - O universo do consumo
08:29 PM, 6/4/2010
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A chegada Ao sair do metro São Bento, os recém chegados são surpreendidos por centenas de transeuntes e vendedores ambulantes que portam todos os tipos de objetivos. A ladeira Porto Geral é o primeiro cenário do caos que assola toda a região. A ladeira Porto Geral Trata-se de uma enorme subida que conta com lojas que vendem ou alugam os mais diversos tipos de fantasias e acessórios. Ontem, a decoração da ladeira se dividia entre ovos e coelhos e as cores verde e amarelo acompanhadas de taças e camisas da seleção. A melhor época para apreciar e se divertir com os produtos dos estabelecimentos é no halloween. No período, caveiras, morcegos, vampiros, caixões, gelo seco, sarcófagos e tudo o que se pode imaginar de “aterrorizante” está presente. Além das fantasias, também há locais que comercializam produtos usuais da 25 de março, como bijus, lenços e bolsas. Chegando na 25 Para aqueles que nunca estiveram na 25 de março, basta imaginá-la como um centro de qualquer cidade do interior, mas com o diferencial de haver apenas lojas mais humildes, vendedores nas ruas (camelos ) , um número “mil vezes” maior de pessoas e preços muito baixos. Outro diferencial são as galerias, se assim posso chamar, que contam com diversos boxes sendo que cada um tem modelos de tênis neke, bolsas Vitor Ugo ou perfumes de origem duvidosa. O fato é que em alguns momentos é difícil saber se os produtos da 25 de março são verdadeiros ou não, conheço pessoas que afirmam a veracidade de alguns tênis outros já me disseram que os perfumes também são das marcas que dizem ser e que o motivo pelos preços baixos é o não pagamento de impostos. Eu realmente não sei qual a verdade, mas creio que há um pouco de falsos (que lá são chamados de réplicas) e os verdadeiros baratos. O staff da 25 A 25 de março é ocupada por diversas nacionalidades, normalmente as lojas grandes pertencem a brasileiros , enquanto as pequenas são dominadas por coreanos/chineses (me desculpem mas eu não sei diferenciar, creio que a maioria seja coreano). Os estrangeiros se comunicam através da língua natal e a s unicas coisas que sabem em português são as cifras dos produtos que vendem, quando muito conhecem as marcas. O curioso é que eles criaram comunidades extremamente restritas e raramente interagem com brasileiros. Quanto aos camelôs brasileiros, é simplesmente admirável a capacidade de atrair o publico que alguns adquirem (reza a lenda que o próprio Silvio Santos, um dos maiores comunicadores do país, foi camelô). O rapa Além das compras e vendas, outra atividade muito comum na 25 são os rapas. Neles os policiais apreendem os produtos dos camelos, já que estes são falsos e o trabalho é irregular. Cientes disso, os próprios camelos contam com esquemas como deixar todos os produtos embaixo de um pano para que apenas fechem o pano e saiam correndo com a mercadoria. Durante o rapa a 25 se torna um absoluto caos, são inúmeras pessoas correndo para todas as direções, creio que é um pouco assustador. Comprando na 25 Na ultima vez em que estive na 25, um dos produtos da moda era o massageador elétrico (as raquetes para matar pernilongo estavam em baixa) e eu decidi comprá-lo. O que eu não percebi foi que estava prestes a ocorrer um rapa. Então, o que seria uma simples compra, se transformou em um verdadeiro tráfico de mercadorias. Foi assim: eu de forma disfarçada entreguei o dinheiro para a vendedora, enquanto ela rapidamente colocou o massageador na minha sacola e cada uma foi para um lado, na verdade ela correu para algum lado, pois nem pude vê-la se movimentando. Acho que a experiência na 25 de março foi boa, apesar de alguns sustos. A verdade é que vale a pena conhecer esse centro de consumo desenfreado que a 25 representa. Corrida de São Silvestre
06:50 PM, 8/3/2010
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A corrida de São Silvestre é um dos eventos esportivos mais famosos da cidade de São Paulo e eu decidi me aventurar nesta experiência tipicamente paulistana. A principal característica da São Silvestre é o fato de que ela é transmitida pela rede Globo e a conseqüência disso são pessoas que fazem absolutamente tudo por um segundo de fama. Dentre as fantasias mais interessantes destacaram-se o Apagão, o Vendedor de Ervas , o Homem Panetone, entre outros. A Avenida Paulista: Em dias de São Silvestre a Avenida Paulista não fica tão mais diferente do que o usual, talvez o número de pessoas estranhas seja até menor do que a média dos outros dias. Acredito que a paulista conta com algum tipo de imã que atrai as manifestações mais estranhas e pessoas curiosas (esses dias inclusive, eu vi um homem decolando de cima de um prédio através de um foguete acoplado nas costas). Mas a Avenida Paulista já é assunto para outro post. A largada: Os quenianos e companhia largam perto a largada (o que é o esperado), porém as pessoas comuns largam a muitos metros de distância. Quando é dada a largada oficial, nós, reles corredores do pelotão geral, nem nos movemos, creio que demora em torno de 7 minutos para que possamos começar a andar. No pelotão geral estão casais correndo abraçadinhos (eu juro que vi isso), idosos (que terminaram a prova antes de mim) e é claro os fantasiados. Foi pouco após a largada que descobri outra coisa interessante e reveladora sobre os fantasiados: eles abandonam a prova assim que entram na Consolação! Claro que algumas pessoas conseguem terminar a prova, como foi o caso do Papai Noel. Outra curiosidade é que existe uma grande parcela de corredores que não pagam a taxa de inscrição, eles simplesmente se unem aos demais e correm. A corrida: Os quinze quilômetros de corrida da São Silvestre são uma experiência única e os principais responsáveis por tornarem esse momento tão especial não são a rede Globo ou a Gazeta (por incrível que pareça) e sim as pessoas que torcem pelos atletas. Durante todo o percurso há crianças com os braços estendidos para cumprimentar os corredores, senhoras com mangueiras para que possamos agüentar o calor e até mesmo travestis elogiando os homens que passam. O grito não é uma exclusividade dos travestis, todos que assistem proferem palavras de estimulo. A sensação é como se participássemos do primeiro batalhão, como se realmente competíssemos por um lugar no pódio. Subida da Brigadeiro: O momento mais difícil de toda a prova é definitivamente a subida da Brigadeiro. Imagine que você já correu 13 quilômetros , enfrentou ladeiras consideráveis e já não sente mais as pernas, bom era exatamente assim que eu e outros tantos estávamos. Então, eis que surge uma subida imensa da qual só é possível ver um grupo de pessoas bem lá em cima, enquanto você está bem lá embaixo. É um verdadeiro teste de resistência e eu confesso que pensei em desistir, mas quando vi um velhinho (cerca de 70 anos) correndo com grande determinação, decidi que eu também conseguiria terminar a prova. Chegada A chegada foi ótima! Assim que a subida da Brigadeiro terminou, estávamos a apenas 200 metros do fim da prova. Quando cruzei a linha de chegada, só pensei em abraçar a minha amiga (que me acompanhou durante toda a prova )e pular muito, mas foi aí que percebi que minhas pernas não conseguiriam pular, pelo menos não durante as semanas seguintes.Ahn, quanto aos fantasiados, o Papai Noel correu próximo de mim durante toda a prova, porém quando ele chegou já não lembrava em nada o bom velhinho, já que a única coisa que ele vestia era um short e a barba branca. Como assim??
09:39 PM, 24/2/2010
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Em plena Avenida Paulista um enorme casarão antigo realiza a proeza de se destacar em meio a tantas obras admiráveis. Porém, há um ano a arquitetura clássica da mansão deixou de ser o principal atrativo do local. Isso porque há um ano surgiram cortinas floridas no jardim dispostas da mesma forma que as utilizadas nos palcos de teatro e um grande número de pessoas começou a freqüentar aquele lugar que até então estava abandonado. Obviamente uma pergunta passou a surgir na mente de todos os assíduos freqüentadores da Paulista: Como assim??? Exatamente “Como assim??” é o nome da feirinha que ocorre em todo o entorno do casarão. Lá diversos artistas pagam determinada quantia para exporem suas peças. Os produtos são em sua grande maioria feitos de maneira artesanal. Roupas e bolsas são os artigos mais freqüentes, porém as peças têm um toque próprio de seus comerciantes. Vale a pena destacar alguns vestidos que remetem aos anos 50. Além disso, uma marca que tem obtido grande sucesso, principalmente no Rio de Janeiro, é presença garantida na feira. Trata-se da Daspu, que como a maioria deve saber, foi uma das grandes inovações fashionistas e é voltada para um público muito especifico ;) . Fora as vestimentas (palavra meio antiga, mas agora já foi) o local conta também com quiromantes, ONGs para animais abandonados, vendedores de tapiocas, comidas típicas gauchas, enormes frutas acrílicas utilizadas como enfeites para as casas e um antiquário. Apesar de tantas novidades e modernidades, a figura mais interessante de toda feira (pelo menos foi o que eu achei) é uma senhorinha cujos 80 anos se fazem evidentes em sua aparência franzina. Seu nome é Rosa e ela vende livros de sua própria autoria sobre o Theatro Municipal de São Paulo. A história dela e do teatro seguem unidas antes mesmo de seu nascimento. O avô de Rosa foi um dos construtores do teatro e ela foi guia do lugar durante décadas. O livro foi realizado somente com os arquivos pessoais de Rosa, que creio ser a pessoa que mais conhece esse símbolo da cidade de São Paulo. O “Como assim” fica aberto durante todos os dias e está localizado no número 1919 da Av. Paulista (a parte da avenida eu já falei, mas vale a pena repetir). A feira não é a primeira do gênero, na capital há outra filial. O “Como assim” permanecerá aberto “enquanto a prefeitura não nos tirar daqui”, segundo uma das vendedoras. Centro de São Paulo - série personagens curiosos
12:45 PM, 20/2/2010
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Farmacêuticos do Asfalto
12:34 PM, 20/2/2010
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Centro de São Paulo - um dos lugares de atuação dos vendedores Em pleno centro de São Paulo, três carrinhos de supermercado abarrotados com plantas atraem olhares. Na realidade são ervas medicinais, uma alternativa aos remédios farmacêuticos, chegando a precedê-los, pois esteve presente na humanidade desde os tempos mais remotos. “Em casa a gente só usa erva, eu não gosto de ir ao médico. Acho que as ervas funcionam melhor que os remédios de farmácia, são mais saudáveis”, acredita Evandro dos Santos, 24 anos, que há dez comercializa ervas medicinais na Praça da Sé. Existe uma unanimidade entre os três vendedores do centro quando se trata da eficácia das plantas curativas. “As ervas podem tratar qualquer tipo de doença, graviola, por exemplo, cura todo o tipo de câncer”, afirma Elimar Oliveira Souza, 32 anos, há dez trabalhando com ervas. De fato, o livro “Medicina Alternativa de A a Z” publicou pesquisas que comprovaram a eficácia deste elemento. Esses comerciantes ambulantes não possuem autorização para trabalhar, portanto sempre que os fiscais se aproximam, eles fogem. “Trabalhamos com carrinhos de supermercado porque fica mais fácil de correr quando a fiscalização chega”, explica Elimar. A origem dos produtos naturais é dos mais diversos países, como Índia, China, Japão, Bolívia, entre outros, além de estados brasileiros principalmente do norte e nordeste. Na cidade de São Paulo, eles costumam adquirir seus produtos no Parque Dom Pedro, onde há maior movimentação deste gênero. No parque, estão dispostas pequenas barracas de metal com tamanhos similares, duas delas possuem uma grande quantidade de plantas curativas, muito mais do que os outros vendedores. Os estabelecimentos são regularizados desde o mandato da prefeita Erundina. “Eu agradeço a Deus e a Erundina, por trabalhar aqui”, confessa Edvaldo Tiburtino,61 anos. Enquanto os comerciantes da Sé conhecem os benefícios das ervas superficialmente, Edvaldo ficou três meses estudando livros especializados no assunto antes de começar no mercado. “Nós temos que saber o que vamos vender para as pessoas, não podemos enganar elas”, diz Edvaldo. No caso do outro vendedor do parque, Manuel Viana, 65 anos, o conhecimento veio da vida rural. Ele foi criado no interior de Minas Gerais e desde jovem teve contato com as plantas. “São coisas que já estão no sangue, estudo eu não tenho nenhum, mas sei o nome das 980 ervas e para que serve cada uma”, revela. Com relação à eficácia das plantas curativas, ambos os comerciantes são extremamente céticos. Eles acreditam que há algum beneficio, porém raramente garantem aos clientes que as doenças serão de fato curadas, pois acreditam que há uma supervalorização sobre o poder das ervas. Cada um deles acredita cegamente na eficácia de apenas uma planta. Miguel tem certeza de que o sabugueiro consegue curar sarampo, catapora, rubéola e caxumba. Tamanha confiança decorre da juventude, quando ele e os irmãos quase morreram de sarampo e a mãe utilizou a planta para salvá-los. No caso de Edvaldo, uma de suas clientes estava com a perna condenada à amputação e ele sugeriu que antes de realizar o procedimento tomasse dez garrafas do cicatrizante barbatimão e o membro sarou. “Esses médicos são complicados, qualquer coisinha já querem cortar a perna”, critica. Apesar dos próprios vendedores serem cautelosos com relação aos benefícios das ervas, os consumidores não pensam da mesma forma. “As ervas são ótimas, desde pequena eu uso erva, raramente vou pro médico”, afirma Zélinda Perini de 76 anos. Dentre as plantas utilizadas, a carqueja, a qual se acredita ter efeitos abortivos, foi a mais freqüente. “Carqueja é ótima para botar filho para fora, se você acha que está grávida toma uma colher de carqueja e pronto”, explica. Apesar de muitos apontarem os benefícios das ervas medicinais, o verdadeiro diferencial quando comparado aos remédios comuns é o preço. Afinal, elas são adquiridas por valores mínimos, em média três reais, muito menos do que os preços das farmácias. “É a miséria, a necessidade que obriga as pessoas a usarem as ervas”,desabafa Miguel.
Rodoviária Tiete
02:37 AM, 19/2/2010
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Como ainda não conheço muito de São Paulo, vou começar falando sobre o lugar do qual tenho praticamente um PHD: a Rodoviária Tiete. Durante os últimos dois anos, foi lá que passei pelo menos meia hora de cada dia e creio que foi um tempo muito bem gasto. Entre o vaivém de ônibus, gente ,mala,sacola, entre outras coisas inesperadas (neste quesito as opções são muitas e vão desde instrumentos musicais de determinada parte da Bolívia a outras coisas que também vem desse mesmo país mas são um pouco menos licitas (por assim dizer...). Os personagens da Tiete são caricaturais e se dividem em alguns grupos: os estudantes, os viajantes brasileiros de férias, os migrantes (tanto aqueles que chegam quanto os que voltam), os funcionários locais e os gringos hippies que fazem um mochilão. Todos os grupos são interessantes a seu modo, os estudantes se caracterizam sempre pela pressa, a maioria costuma sair tarde de suas faculdades e por isso tem que correr para não perder o ônibus. Eles estão sempre com fome, já que vão almoçar em suas casas, e aceitam qualquer negócio para embarcar no ônibus e não ter que esperar pelo próximo, o que inclui viajar escondido no banheiro do ônibus. Já os migrantes, quando chegam são a imagem perfeita para qualquer documentário melodramático sobre os nordestinos. Vestem roupas velhas, tem um olhar vazio e aparência cansada, estão sempre amontoados em algum canto e definitivamente não tem a mínima idéia sobre para onde devem seguir, mas em algum momento acabam por decidir um caminho. É preciso estar muito atento para enxergá-los, afinal nossos olhos só estão acostumados a enxergar os nordestinos por imagens de fotógrafos renomados em grandes exposições, ao vivo a coisa é bem diferente. Os migrantes que vão a rodoviária para voltar a suas terras são completamente diferentes. Falam alto e costumam estar muito revoltados, ainda não se vestem bem, mas as roupas já são melhores quando comparadas a da chegada. Acho que tamanha revolta é porque São Paulo não lhes deu o que procuravam e voltar sem nada deve ser uma grande derrota. Por fim, os gringos hippies são as figuras mais divertidas de toda a Tiete. Eles vestem roupas largas que não combinam em nada, tem a pele muito branca, falam as mais diversas línguas, comem sempre na Casa do Pão de Queijo, estão acompanhados de suas enormes mochilas e invariavelmente rumam para o estado do Rio de Janeiro (Paraty ou a capital). Quem pretende viajar de ônibus para tais localidades, eu recomendo que se prepare, pois estes queridos estrangeiros de fato NÃO SABEM O QUE É TOMAR BANHO (sim eu sei que se trata de um estereótipo, mas é a mais pura verdade!!). Na realidade, eu já estive em alguns lugares da Europa e sei que a maioria dos cidadãos europeus não fedem e tomam banhos, porém, é importante ressaltar que os freqüentadores da rodoviária são mais alternativos e, portanto optam por seu cheiro natural. Os ônibus para Paraty e Rio de Janeiro costumam ter o mau-cheiro impregnado nas poltronas. Apesar de tudo, os gringos são simpáticos. Dicas na Rodoviária: Os melhores lugares para de alimentar são o Bob’s , uma esfirraria (próxima a escada rolante e espaço de jogos) e um self-service chamado A Estação. Existe um banheiro gratuito tão bom quanto o pago, ao lado dos jogos, próximo a escada rolante, no lado direito (creio eu). Bom por enquanto é isso que tenho a dizer sobre a rodoviária. O Porquê
01:19 AM, 19/2/2010
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Esse blog nasce a exatamente a uma e 20 da madrugada de sexta-feira e acho que seria legal explicar o porquê de sua criação. Bom, a verdade é que a partir de 22/02/2010 eu me tornarei uma moradora de São Paulo. Afinal, após dois anos fazendo diariamente uma viagem de 75 km entre a minha cidade, Vinhedo, e a capital descobri que esta rotina cansa (e muitoooooo!!). Então, eu pensei: já que irei morar em São Paulo, porque não escrever sobre cidade? Talvez um relato de Sampa (nem sei se os paulistanos ainda a chamam assim, me parece bem ultrapassado) através dos olhos de um não-paulistano possa ser interessante, caso não seja, pelo menos valeu a tentativa. Acho que é basicamente isso que gostaria de falar sobre o blog, eu sei que no momento o único leitor deste relato será minha mãe (na verdade ela está dormindo), mas espero que logo a popularidade do link aumente, vou ver se meu pai e namorado estão dispostos a ler Beijoosss miliga |
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