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A Etica e a Sociedade
10:18, 2/6/2008
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Ética e Fome Profecias mathusianas previam fome no mundo em virtude de crescimento geométrico da população agrícola cresceria aritmeticamente. Haveria um estrangulamento nas curvas ascendentes e a humanidade passaria fome. Não se concretizaram tais vaticínios. A produção é suficiente para alimentar uma população até maior do que a existência. Ocorre que ela é mal distribuída. O excesso de proteínas consumido nos estados considerados desenvolvidos gera problemas de higidez física para seus habitantes, enquanto a desnutrição mata milhares de crianças nas regiões pobres de todo o planeta. E estas não estão confinadas aos estados considerados abaixo da linha de desenvolvimento. Muito Estado-Nação desenvolvido também deixa morrer de fome os seus excluídos. Algo de muito errado exige num mundo em que os muitos ricos esbanjam e estragam alimentos, enquanto os despossuídos padecem de inanição. Não que faltem proclamações enfáticas e textos jurídicos de consistência. O direito à alimentação é um dos princípios proclamados em 1948 pela declaração universal dos direitos do homem. Também a declaração sobre o progresso e o desenvolvimento no campo social afirmava, em 1969, ser necessário eliminar a fome e a subnutrição e tutelar o direito a uma nutrição adequada. Igualmente, a declaração universal para a eliminação definitiva da fome e da subnutrição, adotada em 1974, dispõe que toda pessoa tem o direito inalienável de ser liberado da fome e da subnutrição, a fim de se desenvolver plenamente e de conservar as suas faculdades físicas e mentais. Parece que o coração humano vai ficando empedernido. Nunca se gastou tanto com supérfluos. Luxo e ostentação continuam seduzindo. O desperdício é constatado em todos os setores produtivos e nos lares dos incluídos. Nem todos concordarão em que não ajudar ao faminto é equivalente a mata-lo. Haverá diferença entre o homicida e o insensível? Ética é assunto para todas as idades Preocupar-se com a conduta ética não é privativo dos idosos ou dos formados. Não é fácil treinar para a verdade, para a lealdade, para o companheirismo e a solidariedade quem nasce numa era competitiva, onde se deve levar vantagem em tudo. Uma sociedade enferma, a conviver tranquilamente com o marginalizado, a se despreocupar com o idoso, a agredir a natureza e o patrimônio alheio, pode ser escola cruel das futuras gerações. A melhor lição é o exemplo.Temos falhado ao legar à juventude um modelo pobre de convivência. Estamos nos acostumando a uma sociedade egoísta, hedonista, imediatista e consumista. Nem por isso se deve abandonar o projeto de torná-las mais sensíveis e solidárias. De um ideal de formação em que a razão e a informação prevaleceram como os sentimentos, as sensações e a intuição. Se a humanidade não se converter e não vivenciar a solidariedade, pouca esperança haverá de subsistência de um padrão civilizatório preservador da dignidade. |
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