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" A CONQUISTA SOCIAL DA TERRA"
09:09 AM, 17/5/2012
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Tem provocado muitos debates, ainda bem, o recém lançado livro do Biólogo de Harvard, Edward Wilson - " A Conquista Social da Terra". Trata-se da exposição de uma tese em que Charles Darwin é questionado em seu estudo sobre a evolução das espécies no ponto em que afirma que a seleção natural é a responsável pelas transformações por que passam as espécies. Wilson afirma que a seleção natural existe, porém não a partir da competição entre indivíduos e grupos, mas pela cooperação generosa e altruística intra e inter grupos. Wilson argumenta que as espécies sociais são 3% da totalidade de animais do planeta porém, representam 50% de sua biomassa. O professor de Harvard, pai da sociobiologia e que hoje tem 82 anos, crê que esse dado estabelece de forma inquestionável a força e a supremacia do comportamento solidário sobre o egoísta, baseado apenas no bem estar dos indivíduos e também sobre o familiar, em que os grupos familiares lutam contra outros grupos, com seus indivíduos cooperando de forma altruística apenas dentro da família. De fato Wilson estabelece uma terceira tendência na teoria evolucionista. Há um detalhe que é importante considerar: quem afirmou que indivíduos mais fortes e mais bem dotados são os que se destacam na luta pela sobrevivência dos gens da espécie foi Herbert Spencer. Darwin estabeleceu a questão evolutiva a partir de uma série de fatores ligados ao clima, à paisagem, às condições de vida num certo bioma e mais uma infinidade de fatores. Se a visão de Spencer prevaleceu foi mais por um erro de ênfase. Jane Goodal, naturalista inglesa que mais estudou chimpanzés no mundo, contou em um de seus relatos que um certo chimpanzé que não conseguia estabelecer-se como líder alfa por ser mais franzino, resolveu o seu problema com uma lata vazia de querosene. Ele a batia no chão fazendo um barulho estarrecedor que afugentava todos os machos com quem disputava. Só por esse exemplo pode-se ver que Spencer não estava certo em sua posição. O fato é quem nem Spencer, nem Wilson, ou Hamilton, ou Dawkins agem corretamente quando destacam um fator ou outro como responsável pela evolução estabelecida por Darwin. A diversidade e sustentabilidade do planeta dependem de todos os fatores conjuntamente, aliás, como o velho Charles afirmou até a sua morte. MEIO AMBIENTE E MORTE
01:09 PM, 1/5/2012
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Ambiente é uma palavra complicada. Diz respeito à tudo o que está em volta. Mas em volta de quem ou do que? Se, na tentativa do responder, alguém diz - " em volta de mim", quem é esse "mim" que percebe o "em volta" ? Com que lentes olha e com que crivos percebe? sabe-se que ver algo depende do querer ver. Aquilo que não se quer ver transforma-se num ponto cego. Quantas vezes algo está diante dos olhos de alguém que não o vê. Logo, ambiente sendo aquilo que está em volta, nem sempre é percebido, considerado e reconhecido. De fato, nem só do visto dá notícia a mente. Esta pode saber sem que o indivíduo saiba porque a consciência não é comunicada. Por exemplo, a mente pode apegar-se à morte e até determiná-la sem que o indivíduio dê notícias disso, e, pior, sem saber que está trabalhando para isso. Tome o exemplo de quem polui as águas de um rio. O rio é percebido por esse alguém como ambiente assim como o lixo que nele despeja, pois que ambos estão à sua volta: o rio e o lixo. Para a sua consciência, rio e lixo têm um nexo: o rio leva o lixo que, assim, fica longe. Contudo, num nível mais profundo, pode-se dizer que há uma intenção de morte presente no autor da ação poluidora. Esse "eu" que jogou o lixo no rio é alvo da intenção de morte de um outro "eu", desconhecido pelo primeiro e que, no entanto, o condena à morte e à tudo que está à sua volta. Esse que ordena a morte pela instrumentalidade do "eu" que na prática polui, é o ponto de partida generativo de toda a ação poluidora. Se a poluição hoje existe de forma excessiva e mortal é porque há uma pré-determinação nesse sentido. Enquanto esse fato não for compreendido e considerado de forma séria e estratégica o imaginário social e todos os seus "eus" estarão debaixo de uma séria ameaça de morte. Como a morte pode ser pré-determinada? A resposta é simples: a morte faz parte da vida e sempre que esta for excessivamente penosa e desvalorizada sofrerá a ação da morte. Portanto, quanto mais a vida for alvo de sofrimento, dor e desvalor mais a morte, em todas as suas formas, estará presente e em ação. QUANDO AMOR E SABER NÃO COMBINAM
06:36 AM, 14/4/2012
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O sentimento amoroso que é, na verdade, o apego da vida por ela mesma no sentido da sua perpetuação, surge na alma como força que se impõe aos pensamentos, à cultura com seus hábitos e costumes e mesmo à escala de valores das pessoas. Por isso muitos amam contra o que pensam, contra o que fazem, contra o que acreditam, contra tudo e contra todos, numa série sem fim de contradições e embates.O problema, muitas vezes, é que o amor não dá certo. Fracassa em seu percurso, é desprezado, desconsiderado, abandonado, traído, ficando sem saída. Nesse contexto o amante, ainda completamente tomado pelo amor que o seduz e invade, precisa sair da situação dolorosa em que se meteu. Quer alívio, consolo, salvação. Sabe-se perdido, dolorido, inviável como amante e, acima de tudo, infeliz. Ele que buscava no amor a felicidade, agora tem de aguentar-se numa infelicidade trágica, dentro daquilo que prometia lhe dar a felicidade pretendida. Esse saber-se infeliz, na medida em que produz uma consciência de dor e necessidade de escapar dela, esbarra com uma senhora dificuldade: seu sentimento não considera minimamente a infelicidade presente, suas causas e motivos. Contudo o amante, desesperado, tenta convencer o seu coração que o que sabe da pessoa amada é verdadeiro, que ela o despreza, humilha, rejeita, fere, magoa e abandona porém, não consegue. O amor não se importa com esse saber, por mais verdadeiro que seja. Continua intenso, teimoso, forte e, sobretudo, insistente em querer satisfação. O resultado é um amante dilacerado, dividido, desfeito em dor e lágrimas, tendo que lutar contra si mesmo, tirando forças de onde não tem para poder esquecer, recomeçar, seguir adiante, amando novamente. Quer outra pessoa, um novo amor, uma nova alegria, pensa que merece ser feliz, custe o que custar. O remédio é sofrer, lutar com todas as forças, insistir no esquecimento e, principalmente, apostar muito, mas muito mesmo, no saber que desacredita do amor bandido, mas acredita, quer e busca a felicidade que, de fato, existe. MEU AMADO FREUD
06:49 AM, 8/4/2012
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Em seu " Post - scriptum à questão da Análise Leigas" ( 1927), Freud confessa: " eu me tornei médico, após ter sido obrigado a me afastar do meu propósito inicial e foi uma vitória na minha vida ter encontrado, após um longo desvio, meu caminho para para meus primeiros interesses. Eu nunca tive conhecimento de jamais ter tido, tão longe quanto possa voltar em minha infância, o desejo ardente de aliviar a humanidade sofredora. Minha disposição sádica inata não era muito forte, embora eu tivesse necessidade de desenvolver um dos seus derivados (...) Na minha juventude, senti-me submergido pela necessidade de compreender algo dos enigmas do mundo no qual vivemos, e talvez contribuir um pouco para a sua solução" ( S.E., XX p 253). A grandeza deste mestre consiste, dentre outras coisas, no fato de ter respeitado o sofrimento humano, sem querer aliviá-lo, como Niezstche recomendava. O que importava e importa, de fato, é considerar a vida como aquela que nos propõe enigmas e, com eles, a imensa oportunidade de ir além, sempre, no supremo prazer e força de sua interpretação. O seu "Mal Estar da Civilização" é uma proposta de que o mistério da vida seja vivido, decifrado naquilo que o discurso puder fazer e o lugar da ex-sistência ser sustentado como a questão central, inefável e, para sempre, fundamental em cada um de nós. OS MISTÉRIOS DA CRUCIFICAÇÃO DO MESSIAS
06:13 AM, 8/4/2012
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Os Judeus definitivamente não aceitam a versão neotestamentária, aliás profundamente platônica, da figura e do ensino de Jesus de Nazaré. Com razão, pois tal ensino em nada condiz com a fé que milernamente esse povo desenvolve. Não é e nunca foi platonica. É uma outríssima coisa. Contudo, Jesus de Nazaré, homem, o Cristo da fé, divino, foi crucificado, conforme relatos tanto do novo testamento quanto de alguns documentos históricos. Essa questão é tão complicada que os evangelistas e outros apóstolos, em quase dois terços dos seus escritos, tentam explicar e aceitar a crucificação e não conseguem. É algo completamente fora de sua capacidade de compreender e pensar. Algo excessivo, intraduzível, não redutível ao discurso. Não há discurso possível para a tal crucificação. A crucificação do Nazareno extrapola os recursos da cultura, representa um imenso espanto, um fato dotado de uma estranheza imensa, uma irreconciliável ruptura entre o saber daqueles homens e o mistério do que assistiram. Esse gozo que na diacronia do movimento cristão atravessa os séculos, não se sustenta na idéia do sacrifício dos judeus. A morte sacrificial do Galileu não se encaixa nos padrões de sacrifício da cultura religiosa judaica, como querem os apóstolos. É, antes, produto de uma contradição complexa, onde o corpo pendido do cruficado ( veja isso melhor no crucificado de Salvador Dali) denuncia no seu flagelo e asfixia, o desejo brutal dos governantes e mandatários no sentido de que as pessoas renunciassem o seu direito à dignidade, à cidadania, à sua autonomia e autodeterminação. Nesse sentido é importante pensar com Kojeve e suas considerações sobre o pensamento Hegeliano de que os judeus foram os que, desde a antiguiidade, desistiram de viver responsabilizando os deuses por tudo e passaram ao estilo de autoresponsabilização. Isso representou uma grande virada na ética e na autodeterminação das pessoas. Os romanos e muitos judeus que amavam o poder lutavam contra isso. Na medida que o Galileu retoma as origens éticas da autoresponsabilização torna-se alguém muito perigoso e necessariamente destinado à cruz, no melhor estilo do Vigiar e Punir de Foucault. Fora disso, e muito menos dentro do sistema religioso de sacrifícios dos judeus, a crucificação jamais será minimamente falada. O QUE UNE AS PESSOAS
05:36 AM, 8/4/2012
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O que une as pessoas é o amor, o bem, a busca da harmonia, a fé e um sem número de virtudes e atitudes, conforme o imaginário social crê e apregoa. Acredita-se que a desejada união é decorrente de uma boa vontade, um estilo de vida amistoso e fraterno. Realmente estas coisas fazem parte do que muita gente chama de união. A pergunta que pode ser feita para questionar essa tal união é: como pessoas tão diferentes em cultura, formação de caráter, experiências de vida, criação, objetivos e visão de mundo podem se unir? Alguém poderia dizer - pelas afinidades. Então haja afinidades para tanta diferença! De fato, o sentimento de união é o que se costuma cultivar para que o medo e a ansiedade de se estar só e viver só não se torne dominante. Isto é, se as pessoas forem considerar seriamente o fato de que os momentos importantes e decisivos da vida são vividos sem o recurso da "união" não suportatriam. Então precisam sentir-se unidas a outras para suportarem a sua diferença e a singularidade que as tornam únicas e, portanto, sozinhas. É importante que as pessoas vivam juntas, trabalhem juntas, aprendam umas com as outras e enfrentem juntas as dificuldades, mas isso não quer dizer que estejam unidas. Querem um exemplo? Dois amigos, muito "unidos" , se apaixonam pela mesma moça. Evidentemente que cada um viverá isso com a sua singularidade e, por isso mesmo, não haverá nenhuma chance da tal união dos amigos ser minimamente consistente.Eles a disputarão ne maneira alguma fratrernal. Cônjuges enfrentam diariamente o problema de um ter que abrir mão da sua opinião, de sua idéia, de seu ponto de vista para manter a união. Como pode ser isso se ambos têm versões diferentes sobre o mesmo fato e, por isso mesmo são adversários? O que une as pessoas é uma ilusão de unicidade, de integralidade orgânica, de um gozo simbiótico onde perder-se no outro representa a doce mentira de distanciar-se do seu eu cheio de tensões, preocupações, contradições e uma inevitável responsabilidade sobre os atos que pratica, as palavras que fala e as decisões que toma. Deixam-se levar pelo movimento do outro inertes e adormecidos. Há quem prefira e goste disso. Contudo, bancar a responsabilidade e suportar a singularidade de ser o que é ainda um modo de viver prá lá de interessante. Esclareço, a pedidos, que pessoas podem se unir em função de um própósito comum: edificarem um lar, construirem sua casa, trabalharem junto e coisas do gênero. O que afirmo é que ninguém poderá, a não ser ilusioriamente, unir-se a outra pessoa, em comunhão de almas, espíritos que se comunicam intrínsecamente, até mesmo sem o concurso da fala. Um já sabe, de antemão, o que o outro pensa, sente e deseja. Isso é o que chamo de união simbiótica, onde um se perde no outro fugindo do seu próprio eu. A ARTE DA PROBLEMATIZAÇÃO
09:59 PM, 3/4/2012
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Certa vez um comerciante judeu, depois de administrar muito mal o seu negócio, resolveu que precisava do empréstimo de uma boa quantia para conitnuar tocando o seu comércio. Procurou um outro judeu, muito mais esperto e organizado que ele para obter a quantia. Certo, concordou o outro. Só teremos que concordar com uma condição. Qual? Perguntou o promeiro. É que estou solteiro e voce tem uma filha, por sinal muito bonita, e eu a quero como esposa. Então, se até o final do ano voce não me pagar, ficarei com sua filha. O pai hesitou um pouco, pensou outro pouco e resolveu que tinha bastante tempo e, com pouco esforço, conseguiria pagar a dívida contraída. Porém, o tempo passou, a desordem continuou e a dívida não foi paga. O segundo judeu, claro, cobrou. O pai, aflito, comunicou à filha sobre o empréstimo e a infeliz condição aceita. Ela se aborreceu, lamentou, mas resolveu topar a parada. Conversou com seu pretendente e impos a sua condição para aceitar a do outro: decidiriam tudo num jogo. Duas pedras, uma branca e outra preta seriam colocadas numa bolsa. Se ela, na frente de testemunhas, tirasse a pedra branca, estaria livre do futuro marido e da dívida. Porém, na hora da coisa acontecer, o judeu colocou duas pedras pretas na bolsa. Só ela viu. Quis delatar, começar tudo de novo ou desistir, mas resolveu continuar. Seguiu em frente e ganhou o jogo. O que ela fez? Esta estória li num manual de dinâmica de grupos. Pensei logamente na resposta e concluí. O que chama a atenção no problema é a sua formulação. Esperta, inteligente e com algumas soluções possíveis. Saibam que o segredo para se descobrir saídas para situações confusas não é a procura de boas soluções, mas uma problematização inteligente perfeitamente articulada nos seus elementos. Isso é mais dífícil e mais últil do que achar boas respostas. O CASO DEMÓSTENES TORRES
10:58 AM, 28/3/2012
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A cidade está cheia de vaquinhas interessantes. O povo deve estar gostando muito, pois é frequente ver pessoas fotografando a Vaca Atropelada do Siron, a Realeza do Ronan, a Cerrado, do Eduardo Luz, a Sweet Cow, do Torres e muitas outras. Ouvi dizer que numa delas, alguém escreveu: "quem é voce na balada?" Uma pergunta divertida, porém, inútil. É só ler a plaquinha. O nome da vaca na balada vai estar lá. Agora, o boi que não berra pela vaca, não está nas ruas da cidade e que tem sua plaquinha, faz tempo, no imaginário social, também está na balada. É figurinha carimbada, todos sabem quem é, assim como dezenas de outros que frequentam assiduamene as cenas criminosas do tráfico de influência, de drogas, de propinas, da pistolagem coronelesca e muito mais. Demóstenes Torres, ex-secretário de segurança pública que se elegeu ao senado com o famigerado programa contras drogas denominado "Segunda Milha", fazia desde sempre parte do esquema corrupto que assola o nosso país. A pergunta que insisto em fazer é: até quando a população brasileira será conivente com o crime? Até quando sustentaremos a vocação perversa que políticos e empresários no Brasil teimam em demonstrar? De fato, a competência nacional para o crime é enorme.Dizem que a impunidade alimenta essa disposição. Dizem, ainda, que faz parte do legado histórico deixado por todas as gerações anteriores e que é difícil mudar. Porém, creio que devemos continuar denunciando e tentando, caso contrário, seremos todos cúmplices do Demóstenes e seus asseclas. HOMOSSEXUALIDADE: UMA LUTA DIFÍCIL
10:18 AM, 21/3/2012
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Tenho em minha biblioteca um Manual Merck de Medicina, edição de 1989. No capítulo que trata dos distúrbios psiquiátricos, na página 1654, aparecem estudos sobre psicosexualidade e, dentre eles o tema - homossexualidade. Começa assim: " homossexualidade é considerada como um distúrbio mental pela Associação Psiquiátrica Americana. O DSM III classifica a homossexualidade ego-distônica como uma cetegoria especial(...). A sociedade está, lentamente, aceitando a homossexualidade como uma variante sexual, mas muita hostilidade e preconceito ainda são amplamene prevalentes. É comum um estado transitório de conduta homossexual na puberdade e adolescência ( um terço de adolescentes masculinos), mas quase todas as pessoas que experimentam, mesmo aquelas que entram em alguma forma de contato físico, mais tarde tornam-se exclusivamente heterossexuais em suas preferências. Aproximadamente 5% dos homens são exclusivamente homossexuais durante suas vidas inteiras. A maioria relata algum contato homossexual, que foi abandonado precocemente, após experiências iniciais. Talvez 33% dos homossexuais masculinos e uma grande porcentagem de homossexuais femininos ( lésbicas) são capazes de relações heterossexuais e de sentirem prazer, embora eles sejam preferencialmente homossexuais. Aproximadamente 20% dos homossexuais masculinos e 33% dos homossexuais femininos casam-se, seus casamentos heterossexuais tendem a ser instáveis." o estudo continua avaliando e informando de forma tendenciosa e absurda a condição homossexual no mundo. Lá se vão 23 desde a publicação do estudo e, infelizmente, pouca coisa realmente mudou. MASOQUISMO E MAU HUMOR
09:54 AM, 21/3/2012
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Há pessoas que decididamente são mau humoradas. Comportam-se de forma agressiva, mantêm-se isoladas, detestam piadas, jogar conversa fora, só andam de cara feia enão acham nada realmente interessante. Logo de manhã emplacam uma carranca parecida com aquela do São Francisco e persistem nisso e dia inteiro. Muitas pessoas que se acha mau humoradas são, na verdade, masoquistas. Isto é, repetem uma conduta em que sempre estão levando a pior. Se alguma coisa de ruim acontecer , com toda a certeza acontecerá com elas. Adoram o sofrimento, a dor, as situações penosas, o eforço mau recompensado, o serem expoliadas, desprezadas, maltratadas, abandonadas. Levar o fora da namorada é uma glória, ter prejuízos é um luxo, receber um dignóstico de uma doença em curso é o máximo. Queixam-se com tristeza de suas desditas, divulgam, comentam com detalhes, contam a muitos e depois contam de novo. Freud dizia que há um masoquismo original em todos nós e que, dependendo das circunstâncias ele poderia evoluir para formas mais elaboradas e até dominar a vida afetiva. Não duvido que haja pessoas com problemas de humor. Porém, creio que o mais comum, é encontrarmos pessoas masoquistas mesmo, dessas que encomendam a cada dia sofrimento para o ano inteiro. Alguma coisa nessas vidas está fora de ordem, como diria o Caetano. Seria interessante saber o que. LA LINDA
01:55 PM, 11/3/2012
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A Argentina tem produzido bons vinhos, para o desespero do velho continente que vê os novos produzirem um excelente mosto. Experimentei o La Linda, da casa de Luigi Bosca, que ostenta orgulhamente sua origem como sendo da família Arizu, cuja trajetória na indústria vinícola argentina já é uma lenda. A adega está desde 1901 nas mãos da mesma família, hoje, a terceira geração. O vinho a que me refiro é um Syrah de 2010, com cheiro de frutas maduras tipo ameixas pretas e baunilha. Tem um sabor vivo e muito intenso. E pasmem, é muito barato. Porém, o que quero dizer mesmo, é o que La Linda lembra em tudo e por tudo um amor que se tenha, assim, bem amado, cultivado, bem cuidado, e sempre em preciosíssimo lugar. La Linda, é nome de vinho e de mulher. Puro tesão! A CURA DAS HOMOSSEXUALIDADES
11:29 AM, 10/3/2012
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O deputado João Campos propôs um projeto de lei em que libera os psicólogos do país para cuidarem da cura das homosexualidades, caso queiram. A ambiguidade do projeto é assustadora. Ao mesmo tempo que se parece com as teses do Jair Bolsanaro, também se confunde com as proposições que religiosos ligados às assembleias de Deus como o Silas Malafaia defendem e acaba dizendo que deverá haver um clima de tolerância e respeito com as diferenças. Há uma ignorância crassa no documento, na intenção e na cabeça dessa gente. Homossexualidade não é doença, não é desvio, não é escolha, não é anormalidade, muito menos aberração.É apenas uma das muitas formas que a sexualidade humana tem de se manifestar. Ela, a sexualidade, se manifesta em variadíssimas formas. Diferentemente dos animais a nossa sexualidade não tem uma forma, uma definição no corpo ou na alma, um padrão de manifestação, homogêneo e reconhecido. Sequer a sexualidade humana é previsível, hegemônica em termos de gênero ou seja lá o que for. O humano goza em e por todos os buracos possíveis, em cada centimetro de pele. É tão difícil a definição de um padrão sexual como definir a cor da pele dos brasileiros. Definitivamente os nossos deputados deveriam procurar algo melhor para fazer na vida. Santa Catarina Cor de Rosa, quanta burrice! NÃO
10:57 AM, 10/3/2012
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A maioria das linguas possui a palavra não. A negativa que o não estabelece nem sempre está de acordo com o que queremos ou pensamos. Queremos ter muito prazer mas NÃO conseguimos. Queremos que o corpo faça o que pensamos mas ele NÃO faz. Queremos que os outros nos ouçam mas eles NÃO ouvem. Queremos que tudo saia, como o som do Tim Maia, sem grilos de nós, como diz o Caetano, mas NÃO sai. Esse não atravessa, de través, a vontade e estabeçece uma verdade mais profunda, menos reconhecida, mais essencial para a vida. NÃO é desse jeito que se vive, dizo corpo, NÃO é desse jeito que se ama, diz a alma, NÃO é desse jeito que se convive, diz o sujeito que, dentro de nós de agita, NÃO é por esse caminho que eu vou, diz o sugnificante diante das imposturas do normal. Acontece que o não, realmente, discursa sobre os impossíveis, lembrando a cada um de nós, todo o tempo, que por melhores que sejamos, por mais competentes, sábios, aplicados e responsáveis, tudo o que fazemos, pensamos ou sentimos ainda está, em grande parte, imerso nas impossibilidades de sermos o que somos. Diante delas nos detemos, repensamos a vida, começamos tudo de novo, infinitamente, sempre que a palavra NÃO pintar, com toda a sua força e verdade. O negócio é levar mais à sério o não e conversar mais com ele. Quem sabe as coisas não ficam melhores. O QUE TRABALHA E O QUE REPOUSA
10:27 AM, 10/3/2012
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Vivemos muitas situações de uma enorme complexidade. Parece que a palavra impossibilidade foi feita para elas. Não há como resolver, encaminhar, pensar, encaixar, aliviar. Verdadeiras malas-sem-alça. Não há o que fazer. A maioria das pessoas deixa o tempo passar e esquece. Outras, ficam, como diz o Marcelo Camelo - repetindo, repetindo, repetindo e nada. A pasicanálise para abordar situações como essas usa a palavra discurso. Isto é, aquilo que sai do curso, do normal das coisas, que adentra um real que as palavras não alcançam e que nos atravessa sem pedir licença. Tal é natureza do (dis)curso. Não é preciso dizer que o referido discurso integra os laços sociais, dando-lhes consistência para além da mera representação das palavras. Há um campo maior, onde a trama de significantes engendra sentidos incomuns, ações diferenciadas, construções que dão um tom mais criativo ao imaginário social. Pois bem, no meio de todo esse trabalho há o que necessariamente repousa. Sua função não é trabalhar, mas repousar. O Salmista bíblico escreveu de forma poética: " de certo fiz sossegar a minh'alma como criança desmamada." Algo, no laço social deve repousar. Sem dúvida alguma, o lugar do repouso é dado àquele que precisa inventar o novo, o surpeendente, o fora de ordem, o outsider do imaginário.Desse lugar de repouso, isso que não trabalha revela, um novo significante, que gera uma nova situação,que descontrói velhas certezas e instaura incertezas interessantes, descaminhos necessários, um perder-se de si para melhor respeitar o desconhecimento sem o qual ninguém alcança saber algum nem por ele é alcançado. Enfim, se tudo o que em nós só trabalha e nada repousa, e se este lugar, o do repouso é o único que pode revelar o novo, então como criar, como transformar, como mudar as coisas? Simplesmente não dá. Por isso o que só trabalha é repetitivo para além de qualquer chance de construir algo realmente interessante. A MÚSICA DE PAUL MACCARTNEY
09:46 AM, 4/3/2012
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Músico por vocação, dava estabilidade aos Beatles, segurando a onda inquieta da criatividade irreverente do Lennon, o misticismo improdutivo do Harisson e a absoluta nulidade que é o Ringo. Hoje atrai multidões com seu romantismo inteligente, em que música e letra enaltecem o lado mais terno, mais meigo e alegre da vida. Abeleza do verso " The wild and windy night, that the rain washed away, has left a pool of tears, crying for the day", chama a atenção para a força de um significante que irrompe na cena trágica dos traumas e por um fio condutor que avança, firma o dia como o que se segue à noite, sempre. Se o John deu uma causa maior aos Beatles ao erguer a bandeira da não violência e do não às guerras, Maccartney canta o amor cortes como atitude em "All we need is Love" sem perder a crítica social contra a segregação e a violência como em "Eleonor Rigby". Paul é de uma musicalidade impressionante. Gosta de cantar o amor e faz muito bem a quem o ouve. Sua lógica é simples: "something in the way she moves that strikes like no other lover". Isso é a força de um saber que faz história, música e vida. UM POUCO DE DRUMMOND, COM MUITA SAUDADE.
08:16 AM, 4/3/2012
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Bom dia: eu dizia à moça/ que de longe me sorria. Bom dia: mas da distância / ela nem respondia. Em vão a fala dos olhos/ e dos braços repetia bom dia à moça que estava, / de noite como de dia, bem longe de meu poder/ e de meu pobre bom dia. Bom dia, sempre: se caso / a resposta vier fria ou tarde vier, contudo/ esperarei o bom dia. E sobre casas compactas,/ sobre o vale e a serrania, irei repetindo manso / a qualquer hora: bom dia. O tempo é talvez ingrato / e funda a melancolia para que se justifique/ o meu absurdo bom dia. Bem a moça põe reparo, / não sente, não desconfia o que há de carinho preso/ no cerne deste bom dia. Bom dia, repito à tarde, / à meia noite: bom dia. E de madrugada vou / pintando a cor do meu dia, que a moça possa encontrá-lo /azul e rosa: bom dia. Bom dia: apenas um eco / na mata ( mas quem diria) decifra mimha mensagem, / deseja bom o meu dia. A moça, sorrindo ao longe, / não sente, nessa alegria, o que há de rude também / no clarão deste bom dia. De triste, túrbido, inquieto, / noite que se denuncia e vai errante, sem fogos, /na mais louca nostalgia. Ah, se um dia respondesses / ao meu bom dia: bom dia! Como a noite se mudara / no mais cristalino dia!
O QUE SEPARA AS PESSOAS
07:21 AM, 4/3/2012
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Somos seres de convivência, gostamos e precisamos disso. Também somos seres de individualidade, desenvolvida, aperfeiçoada, necessária para que o eu de cada um de nós se distingua e se afirme diante dos outros. Convivência e individualidade produzem um tensão interessante: de um lado nos identificamos com os outros, buscando a semelhança, por outro, afirmamos a nossa individualidde pela dferenciação, às vezes radical, dos outros. É como se a vida social fosse dividida em duas grandes áreas: grupos e indivíduos. Oscilamos entre um e outro todo o tempo, as vezes sós, outras acompanhados. Esse vai e vem faz bem para as civilizações, organiza melhor as sociedades, fortalece os indivíduos. Cotudo, há um aspecto complicado nessa questão: muitas pessoas demonstram dificuldade em estar com as outras, preferem a individualide e a defendem com teimosia. Evitam estar com seus pares ou no meio de outras pessoas, demonstrando uma conduta socialmente fóbica. A razão de toda essa dificuldade é o desconhecimento do outro. Este, seja quem for, parece ter hostilidades ocultas, agressividades temidas, como se fosse um inimigo disfarçado, pronto a fazer mal a todos. Como isso não é mostrado, permanecendo invisível, os fóbicos "preferem" o distanciamento do grupo, considerando esta uma estratégia segura. O resultado é a separação crescente e a radicalização do individual produzindo um estilo individualista de viver. Isso é péssimo, porque esse individualismo enfraquece as pessoas, exacerba as violências, expande a burrice, a ignorância negativa, matriz de todos preconceitos. Os outros são essenciais para o saber, para o amor, para o gozo e, principalmente para a vida bem vivida. DESCOMPASSO
07:29 AM, 11/2/2012
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Ouço isso de muita gente: descompasso de ações, de momentos, de abordagens, até de expressão de sentimentos. E isso existe mesmo, sobretudo os descompassos que dizem respeito ao tempo de vivência de uma experiência importante. Alguém que já fez um percurso maior e que por isso, necessariamente, estará mais à frente de outro cuja experiência é menos extensa. Há razões e razões. A principal delas começa no desejo e na necessidade. Se uma pessoa estiver imersa numa experiência em que, de fato, seu desejo compareça e isso estiver reforçado por uma necessidade premente, evidentemente essa experiência terá toda a possibilidade de sobrepor-se às outras. Não importa quão importantes estas outras sejam. O desejo e a necessidade constituem um apelo difícil de ser ignorado, postergado ou anulado. Nessa lógica, a organização da rotina diária baseia-se grandemente em motivos que favoreçam o apelo - necessidade/desejo. O descompasso sempre estará ligado a essa lógica, e será o motivo de queixas dos outros motivos que não lograram a prioridade pretendida. Normalmente os atores se comportam do seguinte modo: justificam a prioridade dada ao motivo eleito dizendo da força da necessidade, deixando em segundo plano a questão do desejo, porque no imaginário social a necessidade sempre representou muito. Depois disso, seguem adiante, esperando que, de alguma forma, as coisas se acomodem e as inquietações cessem. E cessam, mas não por acomodação à situação vigente, mas pela mudança de objetos que causam o desejo, tão comum em nossa vida a anímica. E assim, como dizia o Felline, La Nave Vá. Resumo da ópera: quem não é tratado como prioridade vai ciscar em outro terreiro. Vai mesmo!
EXISTE ESCOLHA SENTIMENTAL?
07:01 AM, 11/2/2012
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Ouvi essa pergunta há muito tempo. Nunca pensei seriamente nela. Nem sei se posso. Contudo, é possível considerar alguns aspectos. Por exemplo, é possível alguém decidir que vai amar uma certa pessoa? Ou, quando o amor não dá certo é possível desdecidir a disposição amorosa? Creio que muitos concordarão que não, não é possível controlar sentimentos e dirigí-los de forma conveniente. Os filósofos e psicanalistas dizem que o sentimento amoroso é que escolhe as pessoas não tendo estas domínio sobre ele. E isso é fato. Podemos dizer, então, que não existe uma escolha racional do sentimento amoroso ou de raiva. Ele acontece, como a chuva, como um dia de sol, como as plantas que crescem, como os rios que correm para o mar. Faz parte da coisa natural que nos habita. Não é cultural em sua origem, apesar de ser cultural em sua forma e manifestação. Portanto, não há como manejar o sentimento amoroso. quando alguém diz que faz, é porque ou está se enganando ou o que sente não tem nada a ver com amor. O que fazer então? Drummond dizia que amar se aprende amando. É inevitável que comamos a fruta, tal qual Adão fez um dia, mas é perfeitamente controlável o modo como alguém vai expressar ou desenvolver o sentimento amoroso. O amor em si nunca acaba, porém seus objetos são muito variados, como afirmou Freud há tanto tempo. Se um certo objeto não consegue que o seu sujeito se implique no sentimento amoroso que despertou então outro objeto surgirá para que o amor continue. Simples assim. Algumas pessoas acham que vão amar alguém para sempre. Que jamais haverá outro. E não haverá mesmo. Cada objeto é único e o amor que despertou imorredouro. Só que não vai mais influenciar a conduta do sujeito. Saiu dessa função e o lugar foi ocupado por outro que produzirá um outro tipo de amor, melhor ou pior, mas outro tipo. Nesse sentido pode-se dizer que o amor é eterno. Seus objetos não. Há pessoas que grudam os seus objetos na pele como se fossem adesivos, tipo de tatuagem como dizia o Chico Buarque na música homônima. Essa relação simbiótica que tem mais a ver com as paixões são uma outra história, meio próxima da loucura. O amor tem outra pegada. SOFRIMENTO PSÍQUICO
06:24 AM, 11/2/2012
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As ciências Psi, inclusive a psiquiatria, reconhecem, de longa data, as manifestações do sofrimento psíquico na sociedade. Quer sejam as psicoses, ou as grandes neuroses, ou perversões estranhas, o sofrimento psíquico existe, acomete muita gente, causando em milhares de pessoas, integralmente ou parcialmente a desabilitação das funções que sustentam atividades essenciais como aprender, produzir, amar, conviver, viver e tantas outras. A questão é que a maioria das pessoas desabilitadas por transtornos mentais aspiram a uma vida normal. Querem estudar, trabalhar e produzir, amar, casar, constituir família, criar filhos e tudo o mais que todo mundo faz. É comum encontrá-las assim, trabalhando, casadas, com filhos e uma vida social, aparentemente normal. Contudo, uma convivência mais próxima vai demonstrar a grande dificuldade que têm em suportar a rotina da chamada vida normal. Na intimidade de seus lares ou são muito agressivas, ou se isolam, ou carecem de forças para enfrentar dificuldades, mesmo mínimas, desenvolvem vícios, tornam-se excessivamente ansiosas, desfilando toda uma série de sintomas incompatíveis com a vida conjugal e familiar. Quando isso acontece, os pares dessas pessoas julgam que o casamento vai mal, que falta disposição do outro para uma convivência saudável, que a infelicidade presente poderia ser afastada com atitudes simples do par, frequentemente estranho em seu jeito de ser. Ocorre que pessoas que se unem a outras com sofrimento psíquico importante não compreendem que se trata de um problema de saúde mental e, necessariamente não tem nada a ver com o casamento ou a convivência familiar. Trata-se de um transtorno, pessoal, característico cuja manifestação não é causada pela convivência familiar. De fato pode ser agravada, causada, não. Portanto, culpar o transtornado pela infelicidade doméstica, ou ficar a espera de um milagre que cure o cônjuge ou, ainda, reagir energicamente á conduta nociva e estranha do par não vai ajudar muito. O mais interessante a fazer é tomar conhecimento da real condição do par, ou filho, ou pais e pensar numa adaptação da vida doméstica ao transtorno presente, se isso for possível. Se não, se o par não puder realmente desempenhar seus papéis na convivência doméstica, que ele seja liberado, quer pela desfazimento do vínculo conjugal quer pela reformulação da convivência doméstica que deverá se tornar muito menos exigente e crítica com relação ao par com transtorno. A pior coisa a fazer é julgar o par com critérios moralmente orientados. Fulano(a) é bruto(a), indiferente, preguiçoso(a), ausente, estranhoa) demais, vingativo(a), negativo(a) e por aí à fora. Uma vez constatado o transtorno o par deve tomar uma decisão: fica e cuida, ou libera. Muitos perguntam por que não perceberam o transtorno antes? Porque a maioria dos transtornos só se agravam, de fato, depois do casamento, com a vida doméstica já em cursos com as suas exigências e pressões. É como a criança que tem algum problema mental. Este só vai se revelar na escola quando as suas funções mentais forem exigidas. Bons profissionais de saúde mental podem ajudar muito e orientar quanto a melhor decisão a ser tomada assim como a melhor conduta. Quando há sofrimento psíquico grave, ele é o centro e não questões conjugais. Estas são razoavelmente resolvidas pelos pares, com esforço e diálogo. Transtorno mental é outra coisa. { Última Página } { Página 1 de 8 } { Próxima Página } |
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