Uma breve reflexão sobre a questão do Livro "Por uma Vida Melhor", e as reportagens críticas publicadas no Jornal o Globo.
11:57 AM, 17/5/2011
A educação é um processo de construção pessoal e social que se dá na interação com o mundo concreto.
Nos últimos dias tenho acompanhado através do jornal, a novela sobre o livro utilizado pelo MEC, "Por uma vida melhor", da professora Heloísa Ramos - que foi distribuído a estudantes jovens e adultos pelo Programa Nacional do Livro Didático, do Ministério da Educação e que defende o uso da linguagem popular.
Sobre o assunto tenho três pontos a apresentar, logo depois coloco minhas opiniões sobre eles.
Primeiro – Acho que algumas pessoas deveriam procurar ler e saber o que falava um dos maiores educadores do Brasil, Paulo Freire.
Freire sempre defendeu que a educação é um processo de construção pessoal e social que se dá na interação com o mundo concreto, na história, no cotidiano, nas relações que o homem estabelece com a natureza e com a sociedade e suas estruturas políticas, sociais e econômicas.
O professor é muito importante para os alunos e a maneira como se relaciona com eles é fundamental. Temos claro que o ser humano é um ser inacabado e incompleto buscando continuamente seu aperfeiçoamento.
No processo de formação desse ser, é impossível não considerar primeiramente a história de cada um e, a partir daí, buscar ações para seu desenvolvimento. Portanto, nenhum programa de formação pode ser oferecido a pessoas com histórias diferentes e, conseqüentemente, com interesse e motivações diversas. Pessoas diferentes exigem programas, métodos e conteúdos adequados ao seu grau de maturidade e sua história de vida.
Segundo – Criticar é fácil, agora resta é procurar saber a opinião e a história da autora do livro.
Heloísa autora do livro falou ao Jornal o Globo(Nota 1) sobre o assunto:
“Eu não admito mais que alguém escreva que o nosso livro ensina a falar errado ou que não se dedica a ensinar a norma culta - disse Heloísa. - Por que, em educação, todo mundo acha que conhece os assuntos e pode falar com propriedade? Este assunto é complexo, é para especialistas.”
Professora aposentada de língua portuguesa da rede estadual de São Paulo, Heloísa presta serviços de consultoria e escreve uma coluna na revista "Nova Escola", dedicada a tirar dúvidas de professores. Segundo ela, o livro "Por uma vida melhor" é pioneiro ao destacar a importância da norma popular da língua, o que considera um avanço, no sentido de não menosprezar a fala da população menos instruída. (O GLOBO)
Heloísa tem vasta experiência no assunto basta olhar as várias reportagens publicadas na Revista Nova Escola. Não se trata de uma mera escritora de um livro didático. Destaco uma reportagem da revista publicada na edição 198 em dezembro de 2006(Nota 2), A Arte de escrever bem, onde através de um projeto com alunos do 9° ano do ensino fundamental, o Cordel é usado como instrumento educacional. Confrontando e utilizando a linguagem falada e a escrita.
Terceiro – Cada macaco no seu galho.
Utilizando ainda a Reportagem do GLOBO, muito me impressiona a procuradora da República Janice Ascari, do Ministério Público Federal, cogitar possíveis ações na Justiça. Para ela, os responsáveis pela edição e pela distribuição do livro "estão cometendo um crime" contra a educação brasileira.
“Vocês estão cometendo um crime contra os nossos jovens, prestando um desserviço à educação já deficientíssima do país e desperdiçando dinheiro público com material que emburrece em vez de instruir. Essa conduta não cidadã é inadmissível, inconcebível e, certamente, sofrerá ações do Ministério Público.”
Certamente, para qualquer um que trabalha com educação, fica até difícil acreditar nestas palavras.
Minhas Opiniões
Primeira - Destacado que o livro não é o objetivo para o aluno. Ele é uma ferramenta educacional na qual está incluso o Objetivo Final, EDUCAR. Quero ver estes críticos entrarem em uma sala de aula dentro de uma favela ou em uma área rural e usar o português culto e erudito para falar com alunos numa sala de aula. Para quem fica trancando dentro de um escritório parece fácil.
Os verdadeiros educadores antes de palavras cultas e sábias tentam aprender e a falar a linguagem dos seus alunos. Isto é comunicação, sem ela não existe educação. Resta um apelo aos críticos leiam PAULO FREIRE, um dos maiores educadores do Brasil.
Segunda - Acredito fielmente que para ser adotado pelo MEC o livro tenha sido feito por alguém competente no assunto e segundo aprovado por outros também com competência para isso.
Concordo fielmente com a autora que diz que educação é assunto de especialistas, e para a produção de um livro deste há pesquisa, estudo e horas de trabalho e dedicação. Antes de criticarmos qualquer coisa deve se ter plena certeza daquilo que queremos criticar, e conhecermos do assunto ou de quem criticamos.
Terceira – Cada macaco no seu galho sim, pois concordo com Heloísa Ramos que Educação e coisa de Especialista. Como medicina é de médico, política de político, Justiça das pessoas que fizeram e cursaram Direito.
Nossa educação realmente e deficitária, mas talvez seja exatamente por não esta totalmente entregue aos especialistas em educação. Não é culpa de professores, e educadores esta situação, eles não tem autonomia para intervir nela. Embora há anos são eles que carregam o piano, e muito mais por amor do que qualquer outra coisa. “Quem não é capaz de amar os seres inacabados não pode educar”. FREIRE
Acho que a procuradora da República Janice Ascari, está cometendo um equívoco ao criticar de forma dura, pesada e sem nenhuma razão, o livro e o trabalho de Heloisa Ramos, pois educar não é nenhum crime. Acho que outros setores da nossa sociedade estão precisando muito mais de caçadores de criminosos, basta ler o Jornal.
Nota 1 –Ref. Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/educacao/mat/2011/05/16/procuradora-da-republica-preve-acoes-contra-uso-de-livro-com-erros-pelo-mec-autora-se-defende-924478530.asp#ixzz1Mc3iBq8g / © 1996 - 2011. Todos os direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A.