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Refrescando idéias com pimenta

Diga-me com quem andas...

06:22 PM, 26/2/2012 .. Postado em Reflexões .. 0 comentários .. Link

 

 

... e direi quem tú és...



Além dos muros

12:09 PM, 25/2/2012 .. Postado em Reflexões .. 1 comentários .. Link

 

Conta à história que havia dois homens hospitalizados, em um mesmo quarto. Um próximo à janela, o outro, do outro lado, próximo à porta. O que estava próximo à porta, se recuperava da amputação de uma das pernas. Assim, não conseguia se locomover até a janela. O outro estava internado em virtude de uma doença crônica que atingia praticamente todos os órgãos de seu corpo. O tédio pairava naquele lugar. Como distração, e por curiosidade, o paciente que estava próximo à porta, perguntava todos os dias para seu companheiro de quarto o que ele via, pela janela, do lado de fora daquele hospital. Então o outro descrevia com alegria a cada dia, cenas diferentes que visualizava. Um dia, um pai brincava alegremente em uma manhã de sol, com seu filho. No outro, a beleza de uma árvore repleta de flores acusava a beleza do reflexo do sol sobre si. E assim, o tempo foi passando, a cada dia aquele paciente amarrado em sua cama por conta da amputação, assim que acordava, já ia logo perguntando a seu companheiro qual era a nova cena do dia.

Até que um dia, acordou como de costume, e, ansioso, chamou seu companheiro, para novamente questioná-lo. Chamou, chamou, e não teve respostas. Ficou desesperado então, e chamou a enfermeira. Assim que a mesma adentrou no quarto, descobriu que aquele homem que durante meses lutou contra sua doença, havia falecido.

Passado alguns dias, o outro paciente pediu encarecidamente para ser colocado naquela cama próxima à janela, pois desejava muito também apreciar novas cenas, para ter sua rotina quebrada dentro daquele quarto. Qual foi sua surpresa quando, atendido seu pedido, olhou desesperadamente pela janela e deu com os olhos para uma parede, enorme, escura. Não entendendo nada, questionou para enfermeira o que estava acontecendo. Ela, então, surpresa, disse que não estava entendendo, pois o paciente falecido era cego.

O que aprendemos com esta história, é que não importa o quadro que se forma em nosso dia-a-dia; não importa se situações terríveis transformam nossas vidas em paredões intransponíveis. Ainda que todo o quadro aparente desespero; ainda que a "figueira não floresça", como diz o profeta Habacuque, temos que aprender a treinar nossa visão, e confiarmos no Deus que nos criou e nos ama. Não são problemas, crises financeiras, governos, violência que devem mover nossa motivação. Mas ainda que os muros se levantem, nossos olhos devem se manter na beleza da eternidade. Tudo aqui é transitório. Estamos aqui somente de passagem. Não devemos colocar nossa esperança no que vemos, mas naquilo que não vemos isto é fé.

Agindo assim, nossas motivações serão completamente diferentes da grande maioria. E procuraremos transmitir esta mensagem. Não devemos canalizar nossas preocupações com o futuro deste mundo, pois como a Palavra diz, fatalmente será futuro de morte. Mas devemos amar as pessoas, e ensiná-las a enxergar além dos muros. Que assim seja.

Milton Bergamascki

 

 



Meu verdadeiro cobertor

04:06 PM, 10/1/2012 .. Postado em Reflexões .. 0 comentários .. Link

 

 Lembro-me que, quando criança , antes de dormir, minha mãe sempre vinha até meu quarto para verificar se tudo estava certo, se havia me coberto direito com o cobertor. Numa malícia ingênua de criança, sempre me mantinha descoberto, em parte pela certeza da presença infalível de minha mãe em meu quarto, em parte por sentir um imenso prazer, uma tremenda segurança pela atitude de minha mãe de me cobrir quando verificava que estava descoberto. Lembro que o prazer, a sensação de segurança proporcionada por esta atitude, era proporcional à medida que minha mãe levantava o cobertor sobre meu corpo. Parece que o sono vinha suave, os sonhos fluíam melhores. Essa simples atitude de amor demonstrada por minha mãe se repetiu por anos, e se perdeu por eles também, ficando apenas a doce lembrança impagável em minha memória. Muitos (mas muitos) anos se passaram, mas ainda lembro com saudades dessa singela atitude.

Engraçado como quando somos crianças pequenas atitudes desprendidas por nossos pais marcam nossa memória, valendo muitas vezes mais do que sacrifícios ou atitudes complexas para nos agradar, como a compra de um brinquedo caro, um passeio em um lugar badalado ou uma roupa de marca.

Quando crescemos, junto com a idade vem a troca de valores. Valorizamos a amizade que se iguala ao nosso nível, as pessoas que, quanto mais posses têm, mais conceituadas são para nós. Valorizamos aquele que possui muitas faculdades em seu currículo, e aquele que muitas línguas domina é tratado como rei.

Somos manipulados pela sociedade e por nosso próprio ego que, quanto mais meu próximo possui, mais valor terá, mais subirá em meus conceitos, e vice-verso.

Cai no esquecimento então a filosofia da segurança construída na atitude única e exclusiva do amor. Se troco meus valores, se perco meu referencial, esqueço-me então dAquele que é Mestre do Amor por simples atitudes.

Intitulei este artigo como “Meu verdadeiro cobertor”, não por acaso. Porque se me sentia seguro com a simples atitude de minha mãe em minha infância, e se aquela atitude marcou toda minha vida, quanto maior amor, puro e simples então, foi e ainda é despendida por Deus, através de Jesus?

Porque como diz uma música de Paulo Baruk , Deus Está nas pequenas e nas grandes atitudes. Cabe a eu desejar, recuperar, resgatar a sensibilidade para perceber tão intenso amor nas pequenas coisas que me cercam. Abandonar esse ciclo vicioso de valorizar apenas o que as aparências mostram; de não me deixar levar pela pressão imposta silenciosamente pela sociedade, que a segurança se encontra ao lado dos amigos abastados e letrados; e enxergar sempre a pequena flor que nasce na rachadura da calçada, muitas vezes pisoteada por pés que olham somente para frente ou apenas para dentro de si mesmo.

Por isso, cada vez mais entendo a mensagem que Jesus quis transmitir, quando disse: “Deixe vir a mim os pequeninos”. 

Ajuda-me, Papai, a lutar contra o comum. Ajuda-me, Papai, a sentir sempre saudade de Sua cobertura, a amá-lo pelo que o Senhor é, não somente pelo que faz. Ajuda-me a afastar-me do coração interesseiro, a ser o mais simples possível, a sempre ter sensibilidade por Tuas atitudes em minha vida, sejam elas grandes ou pequenas. Pois sei, ó Deus, que todas demonstram o amor intenso que tens por mim.

 

 

Milton Bergamascki

 



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