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DOENÇA DE PARKINSON - ATUALIDADES

ARTIGO CIENTÍFICO

07:32 AM, 20/3/2013

.. Postado em ARTIGOS CIENTÍFICOS

3 comentários

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Boa noite senhores,


antes de mais nada, gostaria de agradecer a todos que acompanham meu blog. Estamos no ar faz pouco tempo, e já passamos de 1.000 vizualizações.  Espero poder continuar contribuindo cada vez mais no crescimento de pacientes, cuidadores e profissionais da saúde.

Obrigada pelo apoio...

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O post de hoje será voltado um pouquinho mais para profissionais da saúde e estudantes, mas usarei uma linguagem simples para que todos possam aproveitar as informações.

Como falei no primeiro post, faço mestrado sobre Doença de Parkinson na UNIFESP, e por este motivo tenho lido infinitos artigos sobre o tema. Gostaria de dividir um pouquinho destas informações com vocês. 

Por isso, hoje quero discutir sobre um dos melhores artigos que li até agora sobre o efeitos de pistas (feedback) na doença de Parkinson. Este artigo tem tudo a ver com o que foi discutido no blog até agora: exercícios domiciliares para melhora do desempenho funcional de pacientes com Doença de Parkinson.

Esse projeto RESCUE deu origem a diversos artigos. Neste primeiro momento podemos discutir este, e depois, caso haja interesse, podemos discutir os outros também.

Entrem nessa página e leiam o artigo: jnnp.bmj.com/content/78/2/134.full.pdf+html

 

CUEING TRAINING IN THE HOME IMPROVES GAIT RELATED MOBILITY IN PARKINSON'S DISEASE: THE RESCUE TRIAL

Este foi um estudo multicêntrico, entre o Reino Unido, Bélgica e Holanda. 

Todos os profissionais, desde os avaliadores até os terapeutas, receberam treinamento prévio para que tudo fosse realizado da mesma forma.

É um Ensaio Clínico Randomizado Cross-over, ou seja, haviam dois grupos, no qual os pacientes foram aleatoriamente alocados. O grupo que recebeu a intervenção no primeiro momento, fica como controle (sem intervenção) no segundo momento, e o que foi controle no início, recebe intervenção na segunda parte. 

Objetivo: Investigar a eficácia de um programa domiciliar baseado em pistas, na marcha, atividade relacionadas a marcha e qualidade de vida de pacientes com Doença de Parkinson.

Intervenção: Grupo A - 9 sessões de tratamento de 30 minutos por 3 semanas, seguido de 3 semanas sem intervenção.

                        Grupo B - 3 semanas sem intervenção, seguida de 3 semanas com intervenção igual ao grupo A (9 sessões de 30 minutos).

Participantes: 153 indivíduos diagnosticados com Doença de Parkinson;

                            média de idade de 67,5 anos do grupo A e 69 no grupo B;

                            sexo femino e masculino;

Critérios de inclusão: distúrbio de marcha moderado a grave (score maior do que 1 na UPDRS ítem 29) - UPDRS é uma escala muito utilizada para avaliar o desempenho dos pacientes com doença de Parkinson (caso queiram conhece-la me avisem que envio a vocês).

                                         medicação estável;

                                    Escala de Hoehn and Yahr (HY) II a IV (escala que determina o nível de incapacidade do indivíduo. Vai de I a V);

                                         Idade entre 18 a 80 anos.

Critérios de exclusão: se realizado neurocirurgia;

                                     mini exame do estado mental menor do que 24 pontos (avaliação utilizada para verificar a capacidade cognitiva / memória)

                                outros distúrbios neurológicos, cardiopulmonares, ortopédicos que interefiram no uso de pistas.

Avaliações: foram realizadas em 4 momentos: pré teste (antes das intervenções), teste 2 (após 3 semanas), teste 3 (após 6 semanas), teste 4 (após 12 semanas). Sempre realizadas na casa do pacientes, pelo mesmo avaliador (cego, ou seja, não era a mesma pessoa que tratava), aproximadamente 1 hora após a ingestão da medicação de Parkinson - melhor efeito da dose).

                       UPDRS (desempenho psico motor), 10 min walk test (mede a distância percorrida em 10 minutos), Alcance Funcional (capacidade funcional), Postura em tanden (equilíbrio), FOGQ (avalia o freezing - congelamento), TUG (tempo gasto para caminhar 3 metros levantando-se e sentando em uma cadeira), FES (avalia quedas), PDQ-39 (qualidade de vida), entre outras avaliações de ansiedade e depressão, outras de quedas... (vejam no artigo a descrição completa).

Intervenção: os pacientes testaram pistas auditivas, visuais e somatossensoriais por uma semana, e realizaram o treinamento nas 2 semanas seguintes com a pista de escolha. Todas tinham o mesmo objetivo: aumentar o comprimento do passo, velocidade da marcha, prevenir o freezing (congelamento) e melhorar o equilibrio. 67% escolheraam pistas auditivas e 33 % somatossensoriais.

Os pacientes eram orientados a bater o calcanhar no chão e empurrar o pé (impulsionar) para dar o passo, andar de lado, andar de costas, realizar dupla tarefa durante a marcha, andar sobre várias superfcíes e longas distâncias.

Além disso, eram dadas pistas de acordo com a escolha do pacientes. As auditivas eram "beeps" em rítmos individualizados (de acordo com velocidade do passo na avaliação inicial). Deveriam pisar com o calcanhar toda vez que ouvissem o 'beep".

As pistas visuais eram montadas para aumentar o comprimento do passo, com linhas paralelas no solo.

Resultados: melhora após a intervenção: postura e marcha (UPDRS) - p=0,005

                                                                        velocidade da marcha p= 0,005

                                                                        comprimento do passo p= 0,001

                                                                         postura em tanden p= 0,003

                                                                         severidade do freezing p= 0,007

                        não houveram mudanças na frequência dos passos (cadência), alcance funcional, TUG, qualidade de vida.

Conclusão: treino com pistas em ambiente domiciliar tem um efeito específico para marcha e freezing de pacientes com Doença de Parkinson. Houve melhora nos componentes da marcha, freezing e equilibrio.


Minha conclusão 

O uso de pistas provoca melhora do desempenho funcional de pacientes com doença de Parkinson, porém apenas este treino isolado não é capaz de manter este ganhos por longo prazo. Por isso, é necessário que o fisioterapeuta avalie quais intervenções serão benéficas para adicionar ao uso de pistas para cada paciente.

Acredito que quando há melhora no desempenho funcional, consequentemente há melhora na qualidade de vida, porém o artigo não captou esta informação.

Uma das análises feitas em minha tese é justamente esta. Em breve respondo com dados científicos esta minha hipótese.

                                                                             __________________________

 

Discussão de caso

J.F.S, 67 anos, diagnosticado com Doença de Parkinson há 7 anos, HY III. Medicação estável. Independente para todas as atividades de vida diária, aposentado. Refere estar demorando muito para realizar suas atividades, dificuldade para andar, quedas frequentes (1 vez por semana), freezing frequente. Na avaliação observa-se tremor, rigidez, bradicinesia, alteração no equilíbrio, passos curtos na marcha, festinação, freezing durante o percurso e para virar.

Como seria seu plano de tratamento? Vamos discutir novas ideias? Deem suas opiniões.


Boa semana a todos.

Um grande abraço.

 

 

 

 

 

 


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Tratamento

10:11 PM, 20/3/2013 .. Comentário por Mário M. Netto

Bom dia!!!
Vai aí uma sugestão de tratamento:
Fisioterapia 4 ou 5x/semana
- treino de fortalecimento muscular com ênfase em tronco e MMII. Este pode ser os exercícios citados anteriormente associado com exercícios funcionais (trocas posturais e AVD's);
- treino de marcha em circuito com superfícies diferentes e obstáculos fáceis;
- exercícios aeróbicos (treino de marcha contínuo, velocidade aumentada, assistido pelo terapeuta durante 20 ou 30 min.);
- alongamento passivo ou ativo assistido global, principalmente cadeia anterior e rotação de tronco;
- finalizar com relaxamento (massagem).
Espero ter ajudado!!!

Terapia

11:56 PM, 20/3/2013 .. Comentário por Priscila Rocha

Adorei sua terapia Mário. Vamos ver se outros profissionais também respondem nossa enquete.

Comentário Sem Título

12:46 AM, 5/11/2013 .. Comentário por Anonymous

Gostei muito do blog. Estou fazendo um trabalho sobre atualidades no tratamento clínico e fisioterapeutico, tem alguma sugestão de pesquisa?

Raquel