ANJO CAÍDO

ANJO CAÍDO
Minhas asas estão curtas
ou então foram cortadas.
Ontem celeste, hoje – nada
vagando por esta estrada
que me leva a nenhum lugar.
Meu corpo está desnudo,
meus gritos ecoam mudos
e a chuva não vai parar.
A água abate-me fria
como se quisesse me açoitar.
Minhas mãos trêmulas estão vazias,
é tudo breu: não há mais dia
nem luz para me guiar.
Os céus me rejeitaram,
expulsaram de mim o que tinha
e agora nenhum sentido faz.
tampouco seguir assim sozinha,
pois, por mais que meu vulto caminha
ruma sempre ao nunca mais.
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