RELATO IV

RELATO IV
Eu hoje já nem canto,
me espanto
ante dor de alma tão funesta.
Não peço abrigo, acalanto,
melodias, danças... festas,
pois nada mais me interessa.
Eu hoje já nem sei de mim,
a que vim,
enfim,
resta-me o chão onde estou agora.
Meu olhar já nada denota,
a loucura, valente, bate à porta,
e eu, já como morta
vou jogando os meus sonhos fora.
E sei que não haverá amanhã,
nenhum rumo, esperança tersã,
nenhum desejo, nenhum afã.
Somente estes dias tão atormentados.
E mesmo que houvesse saída,
que voltasse a ter vida,
estou de esperanças tão desnutrida
ansiando somente por tudo acabado.
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