DAR-TE-IA

DAR-TE-IA
Hoje vejo-te agora em pranto,
e nem o acalanto
do meu colo posso te oferecer.
Dar-te-ia algum sonho,
mas tudo de que agora disponho
é esta rosa na mão a esmorecer.
Dar-te-ia, quem sabe, a minha mão
para, num gesto afável aquecer as tuas,
mas as minhas além de frias estão nuas
e além de nuas estão vazias
de qualquer consolo ou compaixão.
E até te doaria palavras de consolação
mas roubaram-me a aurora e a luz dos meus dias.
Te daria tudo, se pudesse
meu sonho, minha desnuda alegria... minha prece.
Mas ah... pra doar , na verdade, quem sou?
Já não tenho dom de ser feliz, à toda.
de exclamar-te que a vida é boa.
Pois a canção que regia a minha
também destoou.
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