MINHA ARTE

MINHA ARTE
É bela esta minha arte,
que se dizima por toda parte:
um estandarte
desta minha perene desilusão.
Palavras incoesas,
sem pudor nem destrezas
amargando meu coração.
O poeta já dizia:
“ Faço versos como quem morre”, todavia,
as palavras ainda são minha guia
e minha pena, minha espada.
E não faltam contradições,
de mim, de ti, de multidões,
nesta busca por definições
e descoberta somente do nada.
O poeta é mesmo o coisa alguma,
que se rende, se apruma
e só encontra em sua pluma,
e em palavras alvoroçadas
a plenitude que tanto merece.
O poeta não existe,
carrega uma armadura triste,
mal-me-queres, mal-me-vistes:
carece de vida mas não carece.
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