EMUDECENDO

EMUDECENDO
Hoje é meu violão que silencia
amanhã, sou eu.
Ainda sob pujante agonia
de indagar o que se sucedeu.
Vou jogando minhas palavras fora
pra que eu encontre algum espaço.
E que a voz me abandone agora
não deixando nenhum rastro.
A canção que minha era
desprendeu-se de sua cadência.
O canto do beija-flor, na primavera,
vai morrendo sem clemência.
As claves do meu caminho,
vão seguindo sem me levar.
Amanhã estarei mudo e sozinho,
como se algum dia deixei de estar.
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