PONDERAÇÕES

PONDERAÇÕES
Eu bem que podia,
nesta noite fria,
ante pujante agonia
acabar-me de vez.
E já nem queria,
mãos, olhares., companhia,
pois esta peita, contenda, porfia
já toda me desfez.
A luz do dia,
ainda irradia,
cruel, bandida, vadia,
passa por meu quarto e me ignora.
E nesta escuridão tardia,
assisto o tempo que se fia
e já ninguém no mundo saberia
o porque tanto minh’alma chora.
E é tão sombria,
esta minha disritmia,
que me contraria
a ponto de me deixar durar.
E me pede: ‘não sorria!,
renda-se à tua avaria’
mas eu bem que gostaria
de uma nova chance pra recomeçar.
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