OUSADIA

OUSADIA
Não ouso falar em sonhos
posto que, sou só ilusão.
Este tremor e pavor medonhos,
sob os quais me decomponho
junto a esta mágoa e desesperação.
Quem dera tivesse um abrigo,
um manto, um ombro uma mão.
Um aconchego,um lugar, um amigo,
um alguém que sonhe comigo
e me emancipe desta solidão.
Também não ouso querer nada
pois já nada sou, meus pensamentos não são.
Fiz minha amiga a madrugada,
joguei fora a alvorada
e a tudo que peço ouço: ‘não’.
Resigno-me à minha tristeza,
esta inutilidade e incoesão.
Sofro sozinha com sutileza,
jogando fora minhas destrezas
e sangrando meu coração.
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