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Mórmons Maçons

23/12/2008 - MAÇONARIA E A IGREJA DE JESUS CRISTO DOS SANTOS DOS ÚLTIMOS DIAS

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INTRODUÇÃO

 

Durante anos tem sido dito que a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias "desencoraja" seus membros a se filiarem à maçonaria. Esta foi durante muito tempo uma interrogação para mim, não conseguia absorver esta afirmação, uma vez que está documentado que o Profeta Joseph Smith, foi um Mestre Maçom. E que muitos outros líderes proeminentes da Igreja também foram destacados Maçons, homens como Brigham Young, Hyrum Smith, Wilford Woodruff, e George Albert Smith. Não conseguia absorver as informações que diziam não ser permissivo aos SUDs serem Maçons. Após longa pesquisa, conclui que nenhuma restrição existe, nenhumimpedimento por parte da Igreja para que os Santos dos Últimos Dias sejam maçons, eu verifiquei que nunca foi feita uma declaração oficial pela Igreja que especificamente proibisse seus membros de se juntar à Fraternidade maçônica. Pode haver algum líder local da Igreja que desencoraje uma possível associação com a Maçonaria, mas esses líderes falam por se próprio nome, e não em nome da liderança geral da Igreja. 

Talvez estas opiniões contrárias à associação de Santos dos Últimos Dias com a Maçonaria tenha surgido a partir da restrição maçônica quanto à aceitação de membrosda Igreja em seu seio, é conhecido por boa parte dos Santos dos Últimos Dias que a Maçonaria excluiu os membros da Igreja que faziam parte da Maçonaria de Utah. Esta proibição, embora maçônica, era baseada na intolerância religiosa de alguns, mas esta restrição fazia parte somente do contexto das Lojas de Utah. 

Infelizmente, ainda existem alguns desencontros por parte de membros de ambos os lados. O que faz com que estes desentendimentos persistam? A resposta pode ser encontrada examinando páginas da história onde estão registradas as perseguições que foram impostas para ambas as organizações por volta dos anos 1830 e 1840. 

Tenho aqui a pretensão de explicar a partir de meu ponto de vista de Maçom/Mórmon, alguns dos eventos que criaram o cisma entre as duas organizações. Em minha analise (a luz da história) não pretendo explicar as convicções e práticas da Igreja ou da Maçonaria, embora certos aspectos possam precisar ser tocados de modo mais profundo. 

Para apresentar uma pesquisa imparcial, eu busquei os textos de maior credibilidade como fonte de minhas pesquisas. A maioria das publicações que lidam com o assunto, e que foram escritas por Maçons, mesmo de modo não intencional, apresenta tão somente seu ponto de vista do por que os membros da Igreja de Jesus Cristo são incompatíveis com a Maçonaria, Outros fazem duras criticas a Maçonaria de Utah por tanto tempo ter negado permissão para que os Santos dos Últimos Dias ingressassem na fraternidade, contradizendo assim uma das reivindicações mais difundida pela Maçonaria, a liberdade de religião. Eu penso que pessoas desinformadas, não autorizadas pela Igreja perpetuam enganos e erros, atraindo o apoio de alguns bem intencionados em proteger a Igreja. Por exemplo, de acordo com A Tribuna de Lago Salgado: Não existe nenhuma proibição oficial da Igreja contra a Maçonaria, mas o porta-voz da Igreja Don Lê Fever disse que a igreja desencoraja a membros de se juntar a Maçonaria ou a grupos semelhantes. Disse Ele: A igreja aconselha seus membros a não se filiarem as organizações sigilosas que fazem juramentos, ele acredita que a possível associação os faria perder interesse pelas atividades da igreja. Levado literalmente ao pé da letra, tal justificativa descartaria a possibilidade dos membros da Igreja de prestarem serviço militar, participar de formaturas e em alguns paises fazerem partes de órgãos publico, qualquer organização que requeresse um juramento seria desencorajado. Levando em conta que somos incentivados a sermos politicamente ativos, e ainda podemos analisar a ligação da Igreja com os Escoteiros, que têm o Juramento de Explorador, também seria desencorajada, contudo a Igreja é uma ardente partidária dos escoteiros.

Os juramentos feitos nas cerimônias maçônicas são compromissos individuais da pessoa comprometendo-se em ser honrado, honesto, obedecer ao direito civil, e manter confianças. Também é encorajado a procurar vivenciar os ensinos de bons costumes. Tudo isto é compatível com os ensinos e convicções da Igreja. 

Na realidade, uma das declarações ensinadas pelo Profeta Joseph Smith foi: "... Se há qualquer coisa virtuosa, adorável, ou louvável, nós a buscaremos”. 13º R.F 

Baseado em meus conhecimentos sobre Maçonaria, afirmo que esta certamente é uma organização louvável. 

A Maçonaria mantém aberto seus registros de sociedade, seus propósitos são públicos, ela abre seus edifícios para excursões públicas, como pode ela ser chamada de uma sociedade secreta? 

Quando um Maçom promete manter segredos, o que ele está prometendo é manter toda a confiança "sagrada e inviolável". Esta é uma característica considerada louvável em qualquer organização ou sociedade, inclusive a Igreja! 

Uma declaração feita pelo Presidente Anthony W. Ivens (Conselheiro do Presidente Heber J. Grant) um membro da Primeira Presidência em 1934, contem claramente afirmações de que não há proibição para um mórmon que deseja ingressar na Maçonaria: "A Igreja não estar em nenhuma disputa com a Maçonaria ou qualquer outra organização que é formada para um propósito íntegro... Um Maçom pode se tornar um membro da Igreja sem que nenhuma restrição haja para ele”. Esta declaração nunca foi refutada, ou retratada.

A maioria dos autores Santo dos Últimos Dias que escreveram sobre este assunto, são claros em afirmar que não existe proibição aos membros da Igreja em se filiar a Maçonaria. Inclusive, a maioria destas pesquisas foram escritas antes de 1984, durante o período em que havia uma proibição maçônica contra os Santos dos Últimos Dias no Estado de Utah .

   

PRINCIPIO DA HISTÓRIA MÓRMON

  

Para entender alguns dos sentimentos que existem hoje, será necessário apresentar um resumo da história do período em que os conflitos iniciaram. Embora a perseguição contra a Igreja tenha iniciado no Missouri, o cisma entre a maçonaria e a Igreja de Jesus Cristo parece ter iniciado em Illinois.

A Igreja sofreu numerosas perseguições e outras manifestações de ódio no Missouri, independente do ódio e da perseguição à igreja cresceu. A Igreja era contra a escravidão em um estado de escravos, e à medida que crescia usava de sua influencia napolítica contra esta prática. É verdade que a liderança maior não dizia aos membros como deveriam votar, deixando-os livres para decidirem seus destinos, alguns que estavam se filiando à igreja acharam que deveriam se associar a pessoas proeminentes, por não haver esta orientação direta dos líderes da igreja relacionado aos assuntos políticos, a influência indireta era certamente exercida por grupos locais. Também o encorajamento de conversos estrangeiros para emigrar e unir-se com a igreja no Missouri resultou em crescimento da base do poder político, Isto, combinado com algumas das doutrinas sem igual da igreja, conduziu a um intenso ressentimento público. Este ressentimento resultou em crescente perseguição que passou a ser mais severa com o tempo, culminando eventualmente na declaração do Governador do Missouri, Ilburn W. Boggs que declarou em 1838 que todos os mórmons do estado deveriam ser exterminados. Ele sentia aparentemente que o único modo para terminar os feudos e a eminente guerra civil entre os mórmons e não mórmons, seria eliminar uma das partes na disputa, até mesmo se fosse por genocídio. 

Foi debaixo destas condições que os membros da igreja fugiram do Missouri para Quincy, Illinois com onde lhes foram dadas às boas-vindas através de atos hostis. Ironicamente, esta recepção morna era em grande parte pelas mesmas razões que tinham saído do Missouri, a influência política deles e pela razão de que muitos dos principais serem candidatos a cargos em escritório público. 

Em maio de 1839, a Igreja começou a comprar terras em Comérce, Illinois, iniciou com uma fazenda, logo chegou a possuir áreas muito grandes de terra. Este se tornou o lugar de ajuntamento central da Igreja e eventualmente o nome foi mudado para Nauvoo. Uma Escritura foi obtida no Estado, concedendo o reconhecimento oficial como uma cidade. A Escritura também concedeu larga autoridade para aprovar leis, estabelecer tribunais de distrito, polícias, assembléias municipais, milícia (dando autorização para funcionamento e autorização legal a Legião de Nauvoo). 

Com os privilégios concedidos pela Escritura da Legislatura do Estado, e com a maioria dos residentes sendo Mórmon, a separação constitucional de igreja e Estado, era sem querer, mas de maneira previsível violada. 

Os líderes do princípio da Igreja também foram eleitos para as posições mais importantes da cidade. Como poderia ser predito, frequentemente muitos direitos civis refletiam as convicções religiosas e valores da maioria, isso para desgosto da minoria não Mórmon residente da cidade. Nauvoo cresceu tão rapidamente que chegou a ter três vezes o tamanho da Chicago de então.

Novamente, o ressentimento dos cidadãos locais cresceu como resultado da influência política que a Igreja estava ganhando, ainda tendendo a votar como um grupo mas inconsistente em qualquer momento. 

Líderes da oposição consideraram a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias muito mais que uma religião. O mormonismo se expandia rapidamente fazendo crescer o temor da possibilidade de mais a frente à Igreja assumir o controle político e econômico, inclusive com a possibilidade de vir a assumir o controle completo do Estado. Ocupando a cidade mais populosa do estado, os mórmons ganharam equilíbrio e poder político. A ameaça de controle econômico político mais que qualquer doutrina religiosa específica unificou os anti mórmons em grupos de militantes opositores.

   

ANTIMASONISMO

   

Os Maçons tinham experimentado alguns dos mesmos ressentimentos e sofrido também muitas das mesmas perseguições, embora por razões diferentes que os mórmons. Os Maçons tinham recebido muita atenção e crítica pelo que o público chamou de "Juramentos de Sangue". Por via de explicação, nos juramentos que são administrados durante os rituais de iniciação, os maçons descrevem certas penalidades para violação de uma promessa que se tornar pública. Estas penalidades, porém são simbólicas e data a situações que existiram na Idade Média quando a violação destas promessas foi motivo de extermínio de muitas vidas. O castigo mais severo que poderia ser infligido por uma loja nos idos de 1800, e hoje, seria a expulsão da Maçonaria. As pessoas, porém, não tinham nenhuma compreensão da natureza simbólica destas penalidades. As pessoas estavam equivocadas em tomar isto como literal. Foi durante estas circunstâncias que um evento conhecido hoje como o Caso Morgan inflamou os sentimentos antimaçônico do período. 

Em aproximadamente 1825, William Morgan, um Maçom de Nova Iorque, anunciou que publicaria um livro sobre Maçonaria, revelando seus ritos, rituais, modos de reconhecimento, etc. Depois que ele fez este anúncio, Sr. Morgan misteriosamente desapareceu, e nunca mais se ouviu falar dele. Apenas o que se ouvia era nada mais que rumores e especulação de que a Maçonaria era culpada do seqüestro e assassinato dele por violar os juramentos feitos a Fraternidade. Esta tensão levou ao surgimento de um partido político antimaçônico, que obteve tanto sucesso entre pessoas enfurecidas e mal informadas que um Partido antimaçônico Nacional foi oficialmente organizado. Em duas ocasiões eles lançaram candidatos para a Presidência dos Estados Unidos. A perseguição ficou tão severa que isso levou a muitas Lojas fecharem por falta de quorum. Mas antes de 1835 passou a tempestade e a Maçonaria começou o processo de revigoramento e recuperação.

   

SAL EM FERIDAS ABERTAS

   

Enquanto os Maçons eram perseguidos, o que até pode ser considerado compreensível pela opinião publica, baseado nas falsas acusações relativas ao caso Morgan, a opinião pública era manipulada ouvindo todos os tipos de falsas acusações, inclusive com alegações que diziam ser a Fraternidade uma sociedade secreta, com juramentos de sangue, e protegendo seus sócios de acusações de crimes por eles cometidos. Entre os da Igreja após a publicação do Livro de Mórmon passou a ser ensinado por alguns que certa passagem do livro falava sobre a ordem maçônica. 

“Eis, porem, que Satanás incitou de tal modo o coração da maioria dos Nefitas que eles se uniram a esse bando de ladrões, participando de seus convênios e seus juramentos de que se protegeriam e preservariam mutuamente em quaisquer circunstancias difíceis em que se encontrassem, para não serem castigados por seus assassinatos e pilhagens e seus roubos. E aconteceu que tinham seus sinais, sim, seus sinais secretos e suas palavras secretas; e isto para que pudessem reconhecer um irmão que tivesse entrado no convenio, para que, qualquer que fosse a iniqüidade cometida por ele, não fosse prejudicado pelos irmãos nem por qualquer dos que pertencessem a seu bando e que tivessem feito este convenio”. 

Se não fossem as acusações recentes, e de perseguições sofrida por todo daquele tempo, os Maçons provavelmente nunca teriam contra eles a alegação de que esta escritura fazia referencia a eles, pois qualquer um, até mesmo o conhecedor mais superficial dos dois assuntos (Mormonismo x Maçonaria), sabe que a fraternidade maçônica condena qualquer comportamento que se enquadre dentro do escrito citado, provando-se que um maçom pratica tais atos ele é imediatamente expulso. 

Os atos descritos nesta passagem são considerados repugnantes para qualquer Maçom, Mórmon, ou qualquer outro seguimento que tema a Deus. Mas desde então estas coisas tem sido faladas amplamente contra a Maçonaria por pessoas ignorantes. 

Porem vale lembrar que esta nunca foi e não é uma declaração da Igreja contra Maçonaria. Pois, temos a nosso favor o fato de que Joseph Smith e a maioria dos líderes da Igreja só foram iniciados na Maçonaria depois que o Livro de mórmon foi publicado. 

Foi durante este período de reconstrução para Maçonaria, e o crescimento das perseguições contra a Igreja, que as circunstâncias combinaram em umas séries de eventos que terminariam em criar o cisma entre os Maçons e os Mórmons, deixando um sentimento de amargura e mal entendido, entre as duas organizações por mais de um século e um meio.

   

INTERESSE MÓRMON NA MAÇONARIA

 

Agora examinemos o interesse maçônico de Joseph Smith e por que ele se uniu a fraternidade maçônica. Como previamente foi declarado, ele e a Igreja tinham sofrido numerosas perseguições e muitas atrocidades foram cometidas contra eles. Logo no inicio de seu ministério, Joseph lamentou: “... tenho sofrido perseguição severa nas mãos de todas as classes de homens, religiosos e irreligiosos... tenho sido perseguido por esses que

deveriam ser meus amigos e que deveriam me tratar amavelmente, e se eu estivesse iludido deveriam de maneira afetuosa me ajudar...”. 

Estas perseguições continuaram e ficaram mais violentas em intensidade. Joseph querendo acabar com as perseguições para ambos, ele e a Igreja. E já que vários membros da Igreja, incluindo o seu irmão Hyrum, era Maçom conhecedor das normas e convicto em Deus e a fraternidade maçônica. Eles (os Santos dos Últimos Dias) convenceram Joseph que o companheirismo dentro da Maçonaria lhes daria consolo e acalmariam as perseguições e os preconceitos, como também daria certo grau de proteção contra a violência. 

Se existia um homem que precisava de condolências e amizades de homens bons, este era Joseph Smith. Foi nestas circunstâncias que Joseph Smith se tornou um Maçom. Ele esperava achar amizade e a proteção que ele tanto almejava, mas que ali também lhe foi negado, fora uns poucos partidários dedicados dele todos os outros pareciam ignorar o dilema do Profeta, contrariando intencionalmente os princípios da Maçonaria.

   

INTERESSE MAÇÔNICO NO MORMONISMO

   

Se os antecedentes não estabelecem qualquer razão válida para o interesse mórmon pela Maçonaria, devemos examinar agora por que os maçons permitiram aos mórmons estabelecer Lojas jurisdicionadas pela autoridade da Loja Principal de Illinois. Para descobrirmos isto, nós, temos que pesquisar um pouco sobre o Mestre Principal, Abraham Jonas. Ele havia se tornado Mestre principal da Loja de Illinois por uma série de eventos que foram descritos pelo pesquisador maçônico, Mervin B. Hogan, refererindo-se a eleição da Loja Principal de Illinois ele escreveu: “Como resultado de dissensão evidente entre as Lojas, seis não puderam eleger um representante para o “Escritório Principal”. Especulação bastante óbvia sugere que como um último movimento desesperado foi introduzido um azarão na disputa. Este personagem era Abraham Jonas. Considerando que Jonas não estava presente no momento da votação, o então atual Principal adiou até terça-feira, 28 de abril de 1840 as eleições para Mestre Principal. Novamente nesta data Jonas não estava presente, assim Adams... instalou Jonas através de procuração, parece ser virtualmente certo que Abraham Jonas estava totalmente sem interesse ou a aspiração mais leve relativo ao cargo de Mestre Principal de Illinois. A organização da Loja Principal, persuasivamente chamou Jonas ao Escritório Principal. 

Sr. Jonas recebeu uma ordem do poder maçônico e passou a correr por várias Lojas, ele tinha sido convencido por Adams que cortejava a simpatia dos mórmons, ele poderia assim promover mais efetivamente as próprias aspirações políticas. Como o Mestre Principal esteve envolvido no caso "Morgan", ele esperava com sua saída o crescimento da Fraternidade depois de seu declínio precipitado durante a comoção antimaçônico. As Lojas mórmons caso se aliassem a Illinois aumentariam grandemente o tamanho da Loja Principal de Illinois 

Infelizmente, muitas Lojas mórmon (mais antigas), estabelecidas no estado não tinham sido constituídas de acordo com os regulamentos maçônicos.

   

TENTATIVAS DE EXPANSÃO

   

Inicialmente a jovem Igreja abraçou a Maçonaria, e entusiasticamente iniciou a estabelecer Lojas dentre suas comunidades. Estavam sendo criadas tantas Lojas novas que devido a distâncias, os meios de transporte, e os meios de comunicação precários, tornou praticamente impossível supervisionar corretamente seus trabalhos. Adicionalmente, os maçons não mórmons não sentiam nenhum desejo de ajudar as Lojas mórmons. 

Para crescer e prosperar, foram cometidos muitos erros pelas Lojas Mórmon. No curto espaço de tempo compreendido entre 15 de março de 1842 a 11 de agosto de 1842, a Loja de Nauvoo Iniciou 286 candidatos. Dando continuidade às irregularidadesas Lojas maçônicas composta por Santos dos Últimos Dias votaram várias vezes em um mesmo candidato, isto é uma violação séria para o protocolo maçônico. Outras violações incluíram o uso da Loja maçônica como um local de reunião para a recentemente criada organização de mulheres da Igreja, a “Sociedade de Socorro.”. 

Muitas das violações não eram incomuns entre Lojas novas do período, mórmons e não mórmons semelhantemente repetiam os mesmos erros. Porém, a seriedade dos erros em julgamento, foi ampliada pela natureza e percepção geral da igreja como uma organização. A igreja parecia uma organização radical. Eles não sentiam uma obrigação em seguir as convenções estabelecidas na época, mas corajosamente estabeleciam novas doutrinas, práticas, e rituais. As deliberações e correções que foram oferecidas pelos maçons às Lojas composta por membros da Igreja para corrigir algumas destas irregularidades, foi visto pelos mórmons como interferência, e também como ciúme, e até mesmo como perseguição. Esta atitude culminou com a Loja mórmon sendo declarada "Clandestina" (Irregular) e eles já não eram mais reconhecidos pela Loja de Illinois. Até isto foi visto como perseguição religiosa e foi ignorado pelas Lojas dos membros da Igreja, que continuaram iniciando candidatos. A determinação inflexível das Lojas SUDs, foi considerada por muitos como arrogância. Posteriormente todos os direitos maçônicos dos membros da Igreja foram caçados. 

É difícil negar que o ciúme maçônico não teve algum papel na revogação dos direitos maçônicos dos mórmons. As perseguições de anos anteriores, o zelo com que o maçom guarda seus segredos antigos, combinados com a opinião pública contra a Igreja, e vendo o crescimento das Lojas em comunidades de Santos dos Últimos Dias, as outras Lojas temeram que a Loja Principal fosse eventualmente controlada por maçons mórmons, ocasionando uma total descaracterização da Maçonaria, com inovações impostas pelos líderes da Igreja, destruindo a milenar instituição e a reduzindo ao mero estado de um simples clube de homens.

   

O CISMA ESTAR COMPLETO

   

Com os olhos nos últimos acontecimentos, examinemos a alegação de envolvimento das Lojas maçônicas no martírio de Joseph e Hyrum Smith. 

Durante este período de sentimentos antimórmon, Sr.Thomas, da Cidade de Varsóvia, assumiu a liderança do movimento antimórmon. Thomas Sharp editor do influente Jornal Sinal de Varsóvia, um jornal proeminente da época, agitava a opinião pública contra os Mórmons, eu incluirei aqui várias das citações dele que foram publicadas pelo Sinal de Varsóvia em 1844. 

29 de maio: “Nós já vimos o bastante para crê que Joseph Smith para nossa segurança deverá ficar fora de Nauvoo, e nós não devemos ser pegos de surpresa”. 

5 de junho: "Se uma parte da comunidade desafia a lei, e nós a respeitamos qual deverá ser nossa reação para com eles?”. 

19 de Junho: “Nós estamos em prontidão para cooperar com nossos concidadãos... devemos exterminar totalmente, os maus e abomináveis líderes mórmons”. 

Os comentários anteriores mostram que Thomas era um declarado inimigo da Igreja, e o leitor pode imaginar o que os Santos sentiam.

   

ÊXODO MÓRMON, DE NAUVOO PARA UTAH

   

Após a morte do profeta Joseph Smith Jr. nada foi feito para frear a perseguição sofrida pelos membros da Igreja. Na realidade, os rumores, e a expectativa de que os não mórmons seriam objetos de vingança, incitou a população não mórmon a continuar a perseguição contra a Igreja.

Com a crescente ação da turba e a desinformação do público, logo ficou claro que novamente seria necessário deixar para trás suas casas. Brigham Young, o novo líder da Igreja, decidiu por conduzir seu povo para o Vale de Lago Salgado. Provavelmente motivado pela esperança de que tal lugar nunca seria escolhido como rota, ou até mesmo, um lugar a ser visitado, sendo assim, aquele vale ofereceria isolamento e proteção do resto do mundo. O lugar parecia ser um solo improdutivo e estéril. Jim Bridger, um explorador declarou uma vez que ele daria mil dólares por todo pé de milho que crescesse no Vale do Lago Salgado.

Apesar de sua aparência estéril, era um lugar de tremendo recursos. A única coisa que faltava era água para cultivar suas ricas terras. Foram inventados sistemas de irrigação para trazer água das montanhas. Os mórmons foram determinados e fizeram o "deserto florescer como uma rosa”.

Como foi mencionado anteriormente, era o desejo deles que em um lugar assim remoto, sem atrativo, ficariam completamente isolados para então estabelecerem sua Sião e praticar a religião livre da interferência e influências externa. Igualmente, eles estavam determinados a nunca mais serem expulsos de suas casas. 

Algum tempo depois surgiram rumores sobre uma possível insurreição no Vale de Lago Salgado, o boato viajou de um lado para outro pelas planícies. Falava-se de rebelião eminente. O Exército de Johnston foi enviado pelo Presidente Buchanan para investigar e aniquilar qualquer insurreição ou rebelião e instalar o novo Governador Territorial e outros Oficiais Federais. Esta noticia logo chegou a Lago Salgado. Um morador do Vale escreveu em seu diário “as notícias são de que o presidente do EUA vai enviar bastantes soldados para exterminar todos os mórmons”. 

As medidas de auto defesa tomadas por Brigham Young foram vistas no leste como rebelião e desafio. Algumas invasões foram ordenadas contra os vagões de provisão do Exército, esperava com isso o Presidente Brigham Young reduzir a velocidade, e os manter fora do Vale, em outra ocasião ele colocou equipes de milícia nas várias passagens de emigração, com a intenção de emboscar o exército quando eles entrassem no vale.

   

O MEDIADOR DESIGNADO EVITA A MATANÇA

   

Um oficial do exercito que era simpatizante da causa mórmon entrou no vale e na chegada, ele pediu uma reunião com Brigham Young e conseguiu o convencer da loucura que estava a ponto de acontecer. O Coronel Thomas Leiper Kane, obteve sucesso em convencer Brigham Young de que o propósito do Exército não era destruir os Santos, mas assegurar a calma na transferência de poder governamental na área, e proteger os residentes do território. Kane assegurou ao velho amigo que as tropas federais foram enviadas para Utah somente para garantir a instalação dos novos funcionários federais, e para construírem os fortes necessários dentro do território, para controlar os índios, e regular os emigrantes 

O Presidente Brigham Young recuou da briga com o exército. Após isso, o Coronel Kane viajou e se encontrou com o exército e dissuadiu seu chefe de entrar em ação contra os mórmons. 

Os soldados entraram no Vale do Lago Salgado sem oposição, e se dirigiram para um local que eles designaram como Acampamento Floyd. Havia uma co-existência intranqüila e alerta, e a animosidade continuou entre os mórmons e não mórmons, em grande parte porque a Igreja ainda detinha muito poder político no território, e frequentemente havia a mistura de política com religião.

   

REFERÊNCIAS PARA A POSSIBILIDADE DE LOJA MÓRMON EM UTAH

   

Depois de deixar Nauvoo, a Igreja mórmon não solicitou nenhuma autorização de filiação a qualquer Loja maçônica, embora Lucius N. Scovil tenha usado de símbolos e sinais maçônicos para que materiais e favores fossem usados em benefícios de um grupo de convertido que viajava para o Território de Utah do porto de Nova Orleans em 1848.

É interessante notar que no diário de Wilford Woodruff, o quarto Presidente da Igreja, em 19 de agosto de 1860, Brigham Young é citado como dizendo; que G. A. Smith gostaria de ir para a Inglaterra e obter cinco escrituras que nos dariam uma Loja Principal que nos faria independente de todas as outras Lojas Principais no mundo. Isto é o que Irmão Scovil gostaria de fazer e isto poderia ser feito... Aparentemente Brigham Young não achou que fosse uma coisa boa a ser feita, em conseqüência disso depois de deixar Nauvoo a Igreja não mais organizou uma Loja.

   

A MAÇONARIA CHEGA A UTAH

   

Levando uma vida monótona no meio do deserto, no Acampamento Floyd, um grupo de Oficiais Mestres Maçom organizou uma Loja, autorizados por uma dispensação concedida no dia 6 de março de 1860. Uma nova Escritura foi emitida para criação da Loja de Montanha Rochosa no dia 1 de junho de 1860 pela Loja Principal do Missouri.

Para muitos soldados, a Loja Montanha Rochosa de maçons proveu uma diversão refrescante, embora houvesse controvérsia em relação suas reuniões secretas e sinais. 

A Loja teve vida curta em Utah e a Escritura foi recolhida em julho de 1861, por causa do começo da Guerra Civil. O Exército de Johnston recebeu ordem de se juntar ao Acampamento Floyd (Que tinha sido re-nomeado Forte Crittenden.). 

A maçonaria novamente veio para Utah em 1866. Um grupo de Mestre Maçom solicitou a Loja Principal de Nevada uma dispensação para trabalhar, que foi concedida em 25 de janeiro 1866. 

“... mas recordando as dificuldades com os mórmons em Nauvoo, Illinois, e mais recentemente com mórmons em Nevada, a Dispensação foi emitida com a recomendação de que fossem excluídos os que eram da fé mórmon. A Loja contestou à restrição, não porque eles quisessem que os mórmons fossem admitidos, mas porque eles acreditavam que qualquer rejeição deveria partir deles e não por imposição de fora do estado. Depois de um período tempestuoso, e não recebendo a escritura definitiva de Nevada, eles obtiveram finalmente do Kansas no dia 21 de outubro de 1868.... Durante as dificuldades com a Loja Principal de Nevada, um grupo de Maçons da Cidade do Lago Salgado e do Acampamento Douglas solicitaram a Loja Principal de Montana uma Dispensação para abrir a Loja Rei Salomão, foi concedido a Dispensação no dia 22 de outubro de 1866, mas com ressalva ao nome Rei Salomão, sugerindo que o nome fosse trocado para que não fossem confundidos com uma Loja de polígamos, assim eles nomearam a Loja de Wasatch Hospede. Esta Dispensação não fez nenhuma restrição à participação de mórmons como a Loja Principal de Nevada havia feito”.

   

PERPETUANDO DIVISÕES

   

Com ambas as organizações se agarrando a recordações e se imaginando injustiçados, e determinados a evitar qualquer possibilidade de reaproximação, passam a se ignorar educadamente. Com o crescimento da população, os conflitos entre mórmons e os não mórmons reapareceram.

Depois de muita consideração, Wilford Woodruff emitiu um manifesto em outubro de 1890, abolindo a prática da poligamia como doutrina. Com esta decisão, a situação começou a melhorar para Igreja. 

De todas as doutrinas da Igreja, a poligamia provavelmente foi a que mais causou divisão na opinião publica. A Igreja via o casamento plural como o direito de seus membros praticarem os princípios religiosos deles, o Governo via como desafio intencional a lei. Os cidadãos não mórmons geralmente viam a prática como um costume selvagem motivado pela luxuria.

  

RESTRIÇÃO MAÇÔNICA AOS MÓRMONS TORNA-SE OFICIAL

  

Ao final destes eventos não existia nenhuma proibição oficial por parte da Maçonaria contra visitas de mórmon ou iniciação de membros da Igreja na maçonaria de Utah, embora uma punição tenha sido arbitrada contra John O. Sorenson em 1879, porque ele se uniu a Igreja mórmon. Em explicação a suspensão fundamentada na filiação religiosa o Secretário Principal de Utah preparou uma circular e enviou a todas as Lojas Principais da América por via de explicação para a Fraternidade fora de Utah que não sabia da situação local.

“(Enquanto todo Maçom é livre) para se juntar a qualquer igreja e abraçar qualquer credo que venha a escolher, os Maçons em Utah combatem os que se filiam a Igreja mórmon, porque os lideres da Igreja em Utah são praticantes da poligamia, ato este que a constituição dos Estados Unidos declara ser um crime, e que toda nação civilizada considera uma relíquia do barbarismo". 

Esta proibição não oficial continuou sendo difundida no século 19. No ano de 1904 em um relatório o Secretário Principal Diehl escreveu, "Os pioneiros da Maçonaria de Utah sabiam o que estavam fazendo quando ensinaram a Lei maçônica não escrita, e a geração presente aprendeu o bastante para ensinar aquela lei ao próximo". 

Em 1923 em uma reunião da Loja Principal de Utah, Mórmons que viviam em outras jurisdições tiveram seus direitos de visitação negados em Utah, resultando em "humilhação" e "embaraço”. 

Em janeiro de 1924 uma resolução foi apresentada pela Loja Principal, proibindo membros da Igreja de serem aceitos em qualquer Loja de Utah. A resolução passou a vigorar e durante o ano seguinte a Loja Principal reformulou as palavras da resolução publicando como segue: "Considerando que, A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dosÚltimos Dias, comumente chamada Igreja mórmon, é uma organização, cujos ensinos e regulamentos são incompatíveis com a Fraternidade maçônica, então fica definido: Que um membro da Igreja dos Santos dos Últimos Dias, também chamada Igreja mórmon, não é elegível para se tornar um membro de qualquer Loja neste Estado, a filiação a tal Igreja é motivo suficiente para expulsão”. 

Uma tentativa foi feita para revogar a Resolução antimórmon em 1927, mas a Loja Principal rejeitou a proposta. Outras tentativas visando a revogação aconteceram em 1965 e 1983. Estas tentativas também falharam, este era o estado de relação entre a Igreja e a Maçonaria até 1984.

  

AS FERIDAS COMEÇAM A SARAR

  

Em 1984, a Fraternidade maçônica deu os primeiros passos para finalizar com a tão demorada separação. Uma resolução foi apresentada eliminando a proibição, e fazendo os membros da igreja bem vindos a visitar as Lojas maçônicas de Utah. O Comitê de Jurisprudência, examinando esta resolução endossou finalizando a luta de muitos anos de alguns membros da Igreja/Maçonaria.

   

OS RESULTADOS DA MUDANÇA

 

Durante os anos seguintes, não houve nenhum movimento grandioso de mórmons se filiando a Maçonaria, mas também, este movimento não era esperado. A Maçonaria estava fazendo ajustes internos para alinhar sua prática com seus ensinos. Durante os anos, muitos se uniram a Fraternidade, e são membros dignos e ativos.

  

CONCLUSÃO

  

Existem alguns Maçons antigos que se uniram a Igreja, contudo, erradamente tem sido aceito como fato que a Igreja proíbe a associação com a Maçonaria. 

Alguns membros da Igreja que iniciam na Maçonaria desanimam e apostatam porque existe uma semelhança superficial nos rituais do Templo com os Ritos dos primeiros graus de Maçonaria. Este é o motivo pelo qual a igreja desencoraja afiliações que causariam falta de interesse nas atividades da Igreja. 

Eu acrescento minha própria voz a de Mervin B. Hogan: "É claramente evidente a qualquer um que se filia ao nosso credo (Mormonismo) que não há nenhum conflito ou incompatibilidades com os ensinos, teologia, e dogmas do Mormonismo e a filosofia e princípios da Maçonaria Universal".

 

Este texto é parte de meu livro entitulado: "Os Construtores  de Templos - Os Mórmons e a Maçonaria"

 

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