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Monique Machado

Uma Semana na Ala Psiquiátrica

12:24 PM, 11/5/2011 .. Postado em DIÁRIO .. 2 comentários .. Link

O texto de hoje, é dedicado a uma época da minha vida que eu aprendi muito, curti muito e que com certeza vai deixar saudades. Estou falando do contato da ala psiquiátrica. Uma experiência única.

Eu lembro como se fosse hoje, quando me avisaram que eu iria estagiar na ala psiquiátrica de um hospital particular na Tijuca. Eu tinha lutado para conseguir aquilo, já que minha maior intenção era trabalhar com a psiquiatria no meio da saúde.

Sempre fui fascinada por pacientes psiquiátricos. Eu era tomada por uma curiosidade em estar com eles, em saber como eles agiam, como funcionavam e só tinha um jeito de descobrir.... Estudando para conseguir um estágio entre eles.

Na época, eu estudava dia e noite para conseguir o tal esperado estágio. A lista dos alunos aprovados para o estágio, saiu e eu estava lá. Coloquei meu jaleco, peguei meu material de bolso e fui com a galera para  a ala psiquiátrica de um hospital tradicional e muito conhecido.

Eu fiquei uma semana com os pacientes e é ae que tudo começou.

Eu peguei o prontuário de todos os pacientes que estavam na "casa".

Eu tenho até hoje, isso anotado, mas nem lembro onde está.

Bom, peguei os prontuários, lembro que eram em torno de 14, 16 pacientes. Mas antes eu fui conhecer a psiquiatria do hospital.

As janelas tinham grades de ferro, todos os quartos tinham banheiro, tipo uma suíte., uma cama e um guarda roupa, eu não lembro como era o esquema de visitas. Os pacientes tinham horário para tudo. Banho, café, remédios e passeios. Alguns não saiam da cama e outros ficavam amarrados e dopados.

A ala psiquiátrica era enorme. Tinham os quartos, o lugar onde os enfermeiros ficavam com os prontuários e medicamentos, e atrás tinha a parte masculina. A ala feminina e masculina não podiam ficar juntas, não era adequado. O lado odos meninos era bem mais vazio do que a das meninas, mas ainda sim tinham pacientes bem complicados.

Depois que conheci o andar, eu visitei todos os pacientes. Um por um, olhando em seus rostos, o seu estado e tudo mais !

Queria saber quem estava amarrado, quem estava dopado, quem era o mais agitado. Eu queria conhecer as atividades que eles tinham durante o dia e para isso eu tive a ajuda dos prontuários.

Penso neles, todos os dias ! Convivi com eles durante uma semana, ouvi histórias inacreditáveis, vi coisas que jamais vou esquecer.

Ao olhar os prontuários, eu vi pacientes com depressão, esquizofrênia, psicose aguda, delirium, entre outros.

Eu chegava em torno de oito horas da manhã e só saia a tarde.

Não vou citar os nomes dos pacientes, pq apesar de não lembrar a intenção não é essa. Teve um caso, que mexeu muito comigo.

Ela tinha em torno de 45 47 anos, não mais que isso. Na semana que entrei pra estágio, ela já estava internada há duas semanas, só que tinha voltado. Ela já tinha sido internada no ano anterior e dessa vez voltou para passar mais um tempo.

Eu gostava muito de conversar com os pacientes. Esse lance de prontuário era importante, mas nada como conversar com eles. Adquirir a confiança de cada um deles, saber de perto o que realmente se passava com eles.

Essa senhora, era bem lúcida. Ela caminhava, estava sã. Fumvava, as enfermeiras gostavam dela. Ela aceitava os remédios tudo direitinho, mas eu tinha que saber o que estava acontecendo para uma pessoa tão normal estar em uma psiquiatria.

Ao contrários dos outros pacientes, ela não precisava de ajuda para tomar banho e para comer. Se olhássemos para ela na rua nem diríamos que estava sofrendo de algum disturbio psiquiátrico.

Conversando com ela, descobri que ela tinha voltado para a clínica pq uma noite, ela acordou e escutou uma voz dizendo para pegar o neto dela que dormi no quarto ao lado com a mãe, e levá-lo par a cozinha. O neto tinha 6 meses de idade.

Ela relatou, que a voz dizia para ela esquentar em uma panela, água. Ela no entanto esquentou a água.

Ela disse que a voz pediu para ela jogar a água fervendo no neto. Ela relatou que lutava contra essa voz, que chorava pq não queria fazer nada disso e num ato desesperado ela jogou a agua fervendo em cima dos seios dela. A filha, acordou com os gritos, e o bebê continuava dormindo calmamente em cima da mesa da cozinha.

Ela disse que não era a primeira vez que isso aconteceu. Tinha diso a segunda vez que ela jogava agua fervendo em seu corpo para proteger o neto.

Depois disso, ela mesma quis se internar para enfim livrar-se da voz que a perturbava todas as noites com esse pedido assustador de queimar com agua fervendo o neto de seis meses.

Eu sou espírita convicta e acredito que isso seja sim espiritual. A ala psiquiátrica ela é infestada por obsessores e espíritos que se vingam diariamente de pessoas como essas.... que possuem dívidas passadas. Mas isso é um outro assunto, nesse texto não cabe expor o que penso e sim o que vi e vivi com aqueles pacientes.

Em um outro caso, esse eu lembro muito bem o nome. Um homem, na verdade um rapaz com seus vinte e seis anos. Bonito, muito bonito mas com sério problemas psiquiátricos. Ele era calmo, transitava pela ala psiquiátrica normalmente e não aparentava periogo à ng. Gostava de ouvir músicas tipo Enya e de desenhar. Nossa, como ele gostava de desenhar.

Constam nso relatórios que L atiou fogo no próprio corpo jogando querosene. tanto é que, quando cheguei na semana de estágio, ele ainda tinha pelo corpo marcas das queimaduras. Fomos instruídos á não perguntar diretamente para os pacientes o que realmente havia acontecido, pois isso poderia causar alguma agitação. Eu não me contive, me aproximei, criei vínculo e confiança para que ele se sentisse a vontade para conversar. Ele não disse muita coisa, apenas que tinha colocado fogo em seu corpo, o motivo era desconhecido e no prontuário não estava depressão.

Eu dei à ele um cd da Enya. Ele me disse gostar muito, porém não ter nenhum em mãos. Seu quarto era grande, com tv e armário onde ele guardava os desenhos e seu rádio de pilha.

Uma vez na semana, um grupo de enfermeiros visitavam essa ala psiquiátrica fazendo es´tagio também de uma faculdade particular. Eles incentivavam os pacientes a desenhar. Era essa a função deles. Esse dia que geralmente era quarta-feira, era o dia da recreação, onde eles tinham o auxilio de uma psiquiátrica formada e de vários estagiários motivando desenhos e pinturas. Eles literalmente adoravam e seus desenhos eram pendurados pnas paredes do andar, motivo de orgulho para parentes e tudo mais.

Com L., não era diferente. Ele adorava isso e muitas vezes sentei para desenhar com ele. Conversávamos durante horas sobre o que ele gostava. Ele me mostrou seu quarto suas coisas e me deu um livro, mas os enfermeiros não dxaram eu levar pra casa. Na hora de ir embora, L. sempre me dava um abraço carinhoso.

Outro caso foi a de L. uma mulher com seus trinta e cinco anos. Ela andava dvagar, mal falava e babava. Sabia o que estava fazendo, mas seu raciocínio era muitomais lento. Por exemplo, dentro do armário tinha uma roupa que ela queria vestir. Ela sabia que estava dentro do armário, apontava para o armário mas não sabia como se vestir.

Sua fala era enrolada, mas tomava banho sozinha sendo vista sempre por um profissional de perto. Seus pulsos, estavam arrebentados devido a uma tentativa mal sucedida de suicídio. No ponrtuário as pessoas tinham que ter cuidado, pois ela ameçava se matar a cada dois minutos. Vivia dopada e sempre deitada. Quando eu a visitava, ela sempre estava deitada olhando para o teto com o olhar perdido, babando e nunca respondia de imdeato o que perguntávamos.

Eu tive um carinho especial por aquela apciente, não sei pq.....................

Vimos em seu braço, uma tatuagem de um santo do candomblé e não tive dúvidas.... o problema era espiritual !

OBS: Quero dxar claro aqui, que minha intenção não é fazer com que as pessoas que venham a ler o meu texto acreditem que tudo é espiritual. Existem dois tipo de doenças.... a espiritual e a carnal. É óbivo que uma pessoa que tem cancer no pulmão não é só espiritual. Ela teve cancer pq fumou a vida inteira e teve as consequencia disso na carne, e espiritualmente falando pq precisava passar por aquilo. A pessoa precisa quitar dividas sempre com o mundo espiritual. Eu como espírita acredito muito nisso, mas nem todo mundo concorda comigo e isso e muito importante.

Continuando......

Eu não lembro o nome do santo que aquela paciente tinha no braço, mas eu sabia que alguma coisa... estavam cobrando dela. O tratamento era um só, dopá-la o tempo inteiro. Coitada.... eu ficava horas com ela..conversando. ELa me ouvia mas nao respondia. Ela me via, mas não conseguia mostrar nenhum tipo de emoção.

Durante uma semana, peguei mais um caso. Dessa vez, mais complicado...

Eu não lembro o nome da paciente, mas me lembro bem do caso dela.

Ela ficava a mior parte do tempo em seu quarto. E eu queria saber pq isso acontecia. Pq ela não saia do quarto pra nada.

O quarto dela assim como os outros tinha um banheiro e ela nao saia de lá para nada.

Um dia entrei em seu quarto, coisa que ela não deixava quase ng entrar.

Ela estava sentava em uma cadeira de frente pra cama, com um radinho de pilha no ouvido se balançando.

Chamei pelo seu nome e ela me olhou. Continuou ouvindo o rádio e eu me aproximei.

- Vc não quer dar uma volta comigo?

- Não, não posso.....tenho que ouvir o meu prgrama

Depois de um tempo de conversa, ela me falou que ouvia uma voz ana qual ela morria de medo. Ela temia muito essa voz que perturbava ela o tempo inteiro. Essa voz, a perturbava durante a noite, ela não dormi, pq quando ela dormia a voz vinha para gritar com ela. Ela não saia do quarto pq tinha medo da voz ir atrás dela.

Ela pediu para ser internada, pq quando estava em casa essa voz não dxava ela em paz e naquele hospital a voz apesar de continuar perturbando ela, ouvia menos...era onde ela tinha sossego.

Os olhos dela ficavam arregalados quando falava da voz. Era assustador como ela se comportava. Ela se levantava e via gente dentro do quarto, ouvia voz gritando em seu ouvido e muitas vezes tinha crises de gritos sendo dopada pelos enfermeiros.

Esse rádio que ela ouvia na ponta do ouvido, ela dizer ser que era para não escutar mais a voz..... era a única maneira que ela não se sentia assustada e intimidada por causa de uma voz desocnhecida.

Ps: Vc tem alguma dúvida, que isso seja espiritual?

Bom.... tinha um pacienteque era comum.

Ele tinha seus 35 anos, não mais que isso. Era norma,, cmainhava falava, conversava e tinha direito de andar nos pátios do hospital durante o dia. Ele era viciado em cocaína, maconha, crack e outras drogas pesadas. Era portador do vírus HIv e em sua cabeça tinham várias bolas que chamavam a atenção de quem olhasse. Na época eu lembro de ter pesquisado sobre essas bolas que tinham na cabeça dee, mas hoje não me lembro mais. Ele careca, com aparencia pálida e branca, fumava seu cigarro nos patios do hospital. Dizem quem ele pediu para ser internado para ficar longe das drogas.

Ahhhhhh tinha um paciente que eu jamais vou esquecer... esse era famoso pelo hospital e tinha sua pópria casa na ala psiquiátrica.

Ele era sobrinho de um politico importante. Foi itnernado aos 12 anos de idade e nunca mais saiu da ala psiquiátrica. Dizem que a família desse político o internou por causa da vergonha que tinham do paciente. Desde de cedo metido com drogas, ele perdeu o juizo e foi então internado pelos pais e nunca mais saiu de lá.

Com o tempo e a clausura, foi ficando maluco e os enfermeiros cuidavam dele como de um filho. Sua aprencia era muito estranha. Gordo, de cabelo longo e brancoaté o meio das costas, usava sapatos maiores do que os pés e uma roupa vermelha que nunca tirava para nada.

Quando entrei na ala psiquiátrica, eu queria saber onde era o quarto dele, pois ele não tinha um comodo perto dos outros pacientes.

Ele vivia andando pelo hospital acorrentado e se rastejando em passos pequenos e demorados. As pessoas que não o conhecim tinham medo de sua aparência, mas ele nada fazia de mal à ng !

Éramos poribidos de entrar em seu quarto, mas eu tinha que ver onde ele morava. O segui e conversando com ele, ele me convidou para ir até a sua casa.

Na ala psiquiátrica, tinha uma escada que levava enfim para a casa dele. Por estar internado desde dos 12 anos, era praticmaente residente do hospital e não apenas um mero paciente.

Eu sabia que não podia fazer aquilo, mas eu queria, euq euria saber como ele vivia, o que tinha acontecido e segui seus passos.

Desci uma escada escura e me deparei com um aposento cheio de imagem de Nossa senhora pendurados nas paredes. Era muitas imagens, terços, e papéis de Nossa Senhora. O lugar tinha um cama que estava desarrumada, que era onde ele dormia o banheiro tb tinha imagens por todos os lados. O cheiro não era bom, e as paredes estavam descascando.

- Viu, é aqui onde eu moro

Dizia ele sorrindo. Ele quis que eu entrasse no comodo, mas eu não entrei, fiquei apenas na porta olhando preocupada se vinha alguém me procurando.

Terminei a conversa, e voltei para cima... para a ala masculina. Em seu prontuário nada dizia de importante.

Passei aquela semana, observando todos os pacientes... e quase no ultimo dia uma foi internada.

Não lembro o nome, mas era depressiva. ELa chegou amarrada e aparentava ter 25 anos no máximo.

A mãe estava junto e seus pulsos ainda estavam com marcas de um suicidio que por pouco não se conretiza.

Ela apesar de estar amarrada foi dopada precisaria de vigilância o tempo inteiro.

No dia, eu a olhava com piedade, mas sabia que estava com sérios problemas...eu mesma fiz os curativos em seus pulsos, conversando com ela aos poucos mas sem saber de nada por ela. Não queria papo, seu rosto era de sofrimento e ela sabia que ficaria ali durante um bom tempo.

No final do estágio, chegou um paciente do sexo masculino. Disseram que não era a primeira vez dele. No dia que cheguei no hospital, ele estava tocando o zaralho com os enfermeiros. Ela agitado demais, fugia, era agressivo e para dopá-lo era um sacrifício. Precisavam de 5 enfermeiros para segurá-lo. No dia que cheguei ouvi uma gritaria e uma correria no corredor. Ele estava agitadíssimo, tirou o colchão da cama, jogou pela janela as roupas. Olhei seu prontuário e vi sua idade 27 anos. Não sabia o que ele tinha feito ou o pq dele estar ali. Seu prontuário não estava pronto, não deu tempo rs

Imoblizairam ele e doparam, só assim ele se acalmou !

Foi uma semana, com o meu público alvo. Os "loucos', os pacientes que precisam diariamente de cuidados e atenção, seja para banhos, remédios, carinhos pois muito deles estão esquecidos pelos familiares. Eu fiz o que pude, convivi estudando cada caso ali dentro. Me aprofundei nas medicações, li sobre doenças vi pacientes que me surpreenderam enfim.................. não citei todos os casos, mas apenas alguns oq ue vi mais importantes. Não sei como está aquilo lá hoje, pois tem muito tempo que não vou até lá.

Sou grata, por ter tido essa oportunidade de conviver com pessoas assim. Agradeço a Deus, por ter me dado maturidade de não julgar ou de não entender pessoas como essas.

Adorei essa semana e faria tudo de novo ! Conviveria mais uma semana, amsi um mes mais um ano !

Como diz a música do Charlie Brown " Só os loucos sabem "

Escrito por: Monique Machado


Deixe um Comentário

quero saber

06:48 PM, 29/5/2011 .. Comentário por Anonymous
querida estou fasendo estagio de capelania e gostaria de atuar na ala psiquiatrica que devo fazer no meu projeto preciso de ideias bj siane
meu email é siane.dias@hotmail.com

Comentário Sem Título

03:01 PM, 24/5/2013 .. Comentário por Anonymous
Se como diz a bíblia somos todos templo do espírito santo, como algum mal pode nos afligir se o próprio cristo abita em nós?

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