AMANTES DE CLIO | |
Atributos e perfil de Clio na perspectiva pós-moderna de Keith Jenkins
01:26 PM, 13/2/2012
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Marileide Silva Gomes Com base na leitura da obra História Repensada de Keith Jenkis, a produção historiográfica vive atualmente um momento de crise. Primeiro porque a História foi destituída do caráter científico; segundo porque ela não tem mais a função/objetivo de resgatar o passado tal como aconteceu, passando somente a constituir-se em uma representação do passado que parece escapar das mãos do historiador deixando apenas rastros, indícios do ocorrido. Jenkis apresenta vários questionamentos que permeiam a História. Dentre os mais relevantes temos a discussão em torno do termo verdade; a objetividade da historia; a problemática em torno da interpretação e da imparcialidade; a discussão a cerca da viabilidade da empatia; a diferença entre fontes primárias e secundarias e entre provas e fontes; Jenkis discute ainda os pareamentos tão presentes na construção do discurso historiográfico como causa e efeito, continuidade e mudança, semelhança e diferença e; por último ela levanta o questionamento se a historia seria ciência ou arte. A seguir apresentaremos todos esses pressupostos de acordo com a compreensão da obra de Jenkis. A respeito da verdade, Jenkis enfatiza que ela é antes de tudo “um termo lingüístico, incapaz de apreender o mundo dos fenômenos” (p. 57). Portanto a busca pela verdade seria vã, dado que ela não existe, porém ela se afirma sempre de acordo com os interesses daqueles que tem poder para torná-la “verdade”. Ou seja, a “verdade” é construída por quem tem o poder de tornar um ou outro discurso verdadeiro, levando em conta cultura e tradições dominantes. Portanto a “verdade” nos discursos historiográficos não passa de um conceito, o termo é usado para por limites nas interpretações, não é importante se um fato aconteceu por este ou aquele motivo, o que importa é manter a ordem, ou seja, cada grupo cria suas próprias verdades e está sempre ligada a vontade ou ao desejo de poder. O poder dominante cria nos fatos sua versão da verdade, e essa é a historia que nós conhecemos: a história das elites; dos fortes e vencedores, nunca dos fracos e subjugados. Sendo assim o conhecimento historiográfico não é exatamente fictício assim como também jamais poderá ser completamente “verdadeiro,” não podemos negar, contudo, que ele tem lá os seus fundamentos em fatos reais interpretados na maioria das vezes a favor de classes e grupos dominantes. No que tange a objetividade da História, Jenkis questiona se que existe fatos objetivos ou se a história não passa de interpretação? A partir daí ele argumenta que os historiadores tomam posições diferentes em se tratando do mesmo acontecimento, mesmo partindo das mesmas leituras, trabalhando as mesmas fontes é comum na história construir relatos divergentes, há que se considerar também a subjetividade do historiador que não mais carece de ser eliminada, desta forma podemos dizer que a história está carregada de subjetividade muito mais do que de objetividade, dado que ela tende a ser uma construção do historiador. Outro aspecto trabalhado por Jenkis é a parcialidade. Segundo ele a parcialidade consiste em o historiador tomar parte, ou seja, inserir-se no relato histórico, distorcendo ou falsificando o fato acontecido. A dificuldade para erradicá-la está na impossibilidade de alcançar a verdade, visto que a verdade de uns pode ser questionada e construída por outros, pois que os fatos não falam por si, cada historiador os interpretam de diferentes formas a partir de diferentes visões de mundo, mesmo assim o profissional de história tenta se manter imparcial ao seu próprio relato, às próprias convicções, com intuito de chegar a relatos definitivos e objetivos, muito embora ele saiba ser impossível. Nestes termos, a parcialidade está sempre na construção do conhecimento historiográfico, Jenkis desconstrói definitivamente a idéia de centro na história, de um grupo que não tenderia nem para a esquerda nem para direita. Portanto a imparcialidade que os historiadores tanto buscam é usada sempre ideologicamente, logo é impossível de ser alcançada haja vista que cada um fala de um lugar específico, imbuído de crenças, costumes e ideologias diferentes. Jenkis propõe que para fazer história hoje, temos que ter em mente os vários problemas que permeiam a escrita da história, desde as dificuldades práticas até os problemas teóricos na construção do conhecimento historiográfico. O historiador está imerso em uma realidade social específica, ele – o sujeito que conhece, que interpreta não está imune a reproduzir o passado de acordo com seus interesses e motivações, ou seja, de construir uma história parcial. Contudo mesmo sabendo disso os velhos paradigmas como verdade, imparcialidade e objetividade continuam a perseguir o historiador em pleno século XXI. A empatia que se refere à necessidade do historiador se colocar no lugar de pessoas que viveram no passado e ter a mesma percepção que elas tiveram dos fatos no momento em que aconteceram. A empatia se mostra inviável dado que hoje temos percepções diferentes daqueles que viveram em épocas passadas, de acordo com Jenkis não existe uma lei natural que comande a mente do ser humano, as pessoas não reagem sempre da mesma maneira frente a uma mesma situação, elas têm pensamentos e reações diferentes, sempre influenciados pela cultura e pela religião, portanto é impossível pensar o mesmo que pensaram e sentiram os nossos antepassados, afinal vivemos hoje em um mundo moderno, em outra realidade social. É importante ter em mente que o historiador é um homem do seu tempo e assim sendo voltar ao passado para saber como pensavam as pessoas que lá viveram é tarefa impossível. A respeito das fontes e provas o autor argumenta que fontes primárias entendida como os vestígios do passado e fontes secundárias como textos produzidos, porém temos um impasse, visto que a fonte secundária também pode vir a ser usada com fonte primária. A fonte é o vestígio, documento e está lá mesmo que o historiador não a consulte, passando a ser “prova” quando usada pelo historiador para sustentar argumentações, os acontecimentos passam e ficam apenas os vestígios podendo vir ou não a ser história. O historiador erroneamente acredita que poderá chegar a um conhecimento verdadeiro através da fonte “original”, sendo que não existem fontes originais, profundas, o historiador é quem constrói a história e não o próprio passado. No que se refere aos pareamentos como causa e efeito, continuidade e mudança, semelhança e diferença, eles estão sempre presente no nosso modo de fazer história. No entanto de acordo com Jenkis não é possível usá-los de forma que venham nos dar explicações lógicas e necessárias, visto que a historia não é assim tão precisa, apesar de existir a vã preocupação por parte do historiador em explicar os fatos em sua essência, esses pareamentos não podem ser fundamentais, indispensáveis na construção do conhecimento histórico. Assim sendo quando se vai analisar a causa e efeito não há um ponto lógico de onde partir, mas uma sucessão de fatos e acontecimentos a ser interpretados, revelando desta forma a fragilidade de tais conceitos. De acordo com Jenkis, a fragilidade epistemológica é uma característica marcante da história e para reforçar seus argumentos, ele explica que o historiador não consegue abarcar a totalidade dos acontecimentos e jamais poderá recuperar o passado tal qual ele aconteceu, porque o passado diferentemente da história que é apenas um relato, se compõem de acontecimentos e situações. A história está fadada a ser um constructo pessoal, uma manifestação da perspectiva do historiador como narrador, pois que não importa quão imerso esteja no passado ele não consegue despojar-se de seus conhecimentos e de suas pressuposições. O historiador chega ao passado por meios de fragmentos, desta forma há a possibilidade de construir fatos que talvez nunca estivessem constituídos antes, posto que um mesmo objeto de investigação possa ser interpretado diferentemente por diversas práticas discursivas. Embora que a história seja voltada a estudar o passado, e sendo este o principal objeto da história, história e passado não são a mesma coisa e muitas são as diferenças existentes entre estas duas categorias. Primeiro porque o passado do homem diz respeito às experiências humanas ao longo da existência da espécie. O que aconteceu há uma hora já pode ser considerado passado dentro de uma estrutura linear de tempo, contudo não podemos dizer que esse mesmo ocorrido possa ser considerado história. Mesmo porque a história se constitui apenas como representação do passado, ela não tem a função de resgatar o passado, mesmo porque não seria possível. Contudo a história chega ao passado através do sujeito que é o historiador que se apropria das fontes, dos vestígios e reminiscências do passado para construir o conhecimento historiográfico. Mesmo sendo a história um discurso a cerca do passado está numa categoria diferente desse, a história é o que foi escrito, registrado pelo profissional de história enquanto que o passado se refere a tudo que passou e, os historiadores só conseguem trazê-lo de volta mediante livros, artigos, documentos, ou seja, a história está nas estantes das bibliotecas. No que se trata da problemática a respeito de ser a historia arte ou ciência, Jenkis coloca que ela não se encaixa em nenhuma dessas duas categorias, que a história tem um status próprio, a história poderia ser entendida como uma semi-ciência, visto que o historiador não é livre para fazer ou criar a história de acordo com seu talento artístico, sua imaginação, pelo contrário, ele segue regras, métodos rigorosos próprios do fazer história, embora Jenkis argumente que não existe um método rigoroso para se fazer história, porque o que determina a interpretação está para além do método e das provas, está na ideologia mesmo que muitos historiadores defendam que exista um método rigoroso resta saber a que métodos eles se referem. Jenkis ressalta ainda que arte e ciência não sejam assim tão díspares, dado que a arte também representa o mundo real. Contudo a história na concepção de Jenkis não pode ser nem arte nem ciência, posto que ela não é feita nem pelo artista, nem pelo cientista mas por profissionais especializados em fazer história – o historiador. Referência Bibliográfica: JENKIS, Keith. A História Repensada. São Paulo: Editora Contexto, 2001.
PCN’s E TEMAS TRANVERSAIS
01:08 PM, 13/2/2012
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Marileide Silva Gomes e Francisca Lima As mudanças na organização e gestão escolar do currículo escolar brasileiro estão inseridas em um cenário político no qual o capitalismo se apresentava à sociedade com ideologias liberais. Identifica-se nesse contexto um intenso processo de mudanças que afetavam as esferas política, econômica e social da sociedade. E com as mudanças mundiais e nacionais o Brasil começou ter participação nos encontros internacionais, buscando discutir questões relacionadas ás políticas educacionais. A partir de então algumas conferências foram realizadas por organizações como UNESCO, UNICEF, PNUD e Banco Mundial tendo como objetivo as reformas educacionais. Os debates a respeitos das reformas educacionais demonstram claramente que a educação escolar está direcionada para as ideologias capitalistas, já que a é finalidade é manter o sujeito moldado dentro sistema capitalista absorvendo valores e não se opondo as diferenças econômica, sociais e culturas presentes no cotidiano. No que diz respeito à forma e os agentes responsáveis pela elaboração dos PCNS é possível perceber o poder que essas organizações financiadoras exercem nos rumos do sistema educacional brasileiro, fazendo com que o Estado se ausente cada vez mais dos problemas sociais, se responsabilizando apenas por questões vistas como essenciais. Diante dessa realidade as relações existentes entre os parâmetros curriculares introduzidas na educação brasileira articulados pelas organizações financiadoras da educação se fortalecem nitidamente quando essas organizações passam a tomar medidas econômicas e sociais que impossibilitam a ação do Estado em diversos setores da sociedade e principalmente no setor educacional onde a influência torna-se mais visível. No que se refere aos apontamentos de Jacomeli a respeito da política e dos movimentos globais que acabaram por determinar várias reformas no campo da economia, cultura e educação, compreende-se que a política educacional do contexto histórico e os movimentos globais revelavam uma intensa transição do capitalismo e a inevitável necessidade de uma rápida adaptação a ideologia liberal. Criando assim a concepção de que o atual sistema educacional exige reformas em virtude das evoluções tecnológicas, econômicas e sociais que ocorriam constantemente na sociedade capitalista que em função da globalização do mundo necessita explicar a complexidade dos conhecimentos, sendo que a forma mais prática é através dos novos currículos escolares. Essa política assim como os movimentos globais foi responsável pelas reformas que ocorreram na economia, cultura e educação que se expressam por meio dos PCNS e dos temas transversais. O que se pode evidenciar a respeito das tensões que envolvem a democracia a existência de um projeto no qual está explicito uma reorganização na educação, é que a escola aparece como responsável pela formação do sujeito de forma que possa absorver o conhecimento necessário para atuar numa sociedade democrática. A partir dessa reorganização na educação é que surge a necessidade de incluir os conteúdos dos temas transversais ao currículo escolar, essa proposta passa então adotar a democracia fundamentada nas inovações educacionais que se apresentam como possibilidade e limitação de emancipação do indivíduo, já que as constantes abordagens por parte das políticas educacionais recentes não vão além de uma reforma nos antigos debates sobre as ideologias educacionais democráticas. Para adequar-se às exigências da UNESCO, foi feito um levantamento pela Fundação Carlos Chagas no sentido de conhecer as reais condições da educação brasileira, a partir dessa pesquisas foi elaborado os Parâmetros Curriculares Nacionais. O plano Decenal de Educação para Todos caracterizou-se como um conjunto de políticas voltado para recuperar a escola fundamental e acatou o que prevê a Constituição Federal de 1988 – adequar a educação aos princípios democráticos e melhorar a qualidade do ensino. Além dos PCNs, a LDBEN Lei 9.394/96 acatou as orientações sugeridas pela Conferência de Jomtien: a obrigatoriedade do ensino fundamental, considerado indispensável para o exercício da cidadania, progresso no trabalho e nos estudos. As imposições da UNESCO referentes à educação para os países em desenvolvimento demonstram que os ideólogos do capitalismo procuram usar o sistema educacional como ferramentas para difundir os valores burgueses e fazer com que os indivíduos aceitem a reestruturação do capitalismo globalizado como algo natural, sem questionar os problemas decorrentes desse sistema no seio da sociedade. De certa forma os países que ratificaram essas orientações encontram-se dependentes do financiamento do Banco Mundial e conseqüentemente das idéias defendidos pela UNESCO, sem autonomia para tomar decisões que venham realmente melhorar o ensino tanto quantitativo, quanto qualitativamente. Observa-se que o surgimento dos PCNS ocorreu em um contexto histórico de intensas mudanças ocasionadas no seio da sociedade brasileira a partir da década de 80, mudanças que geraram novos debates sobre a realidade educacional no Brasil. É importante esclarecer que os PCNS foram elaborados a partir do estabelecimento do plano decenal sendo compostos por propostas renovadoras para a base curricular do ensino fundamental no Brasil, trata-se de documento extenso o qual possibilita discussões mais amplas no que diz respeito aos conteúdos, normas de avaliação escolar, estando explicito também os objetivos a serem atingidos no decorrer do ensino. O processo de transformações no País possibilitou as reformas no sistema de ensino, mas é possível perceber que os avanços mais significativos só acontecem na década de 90, com a participação do Brasil nas conferências internacionais e como princípios estabelecidos como política educacional assumiu garantir educação básica de qualidade além desse, outros compromissos foram assumidos, dentre os quais a análise dos inúmeros problemas existentes na educação brasileira, educação para todos tendo como principal objetivo recuperar a qualidade do ensino. A LDB propõe um currículo mínimo organizado para a educação básica, este deverá conter uma base comum – conteúdo comum a todo território nacional, e uma diversificada – conteúdos regionais/locais da sociedade, da cultura, da economia e outros de interesse da comunidade. O objetivo da educação básica é preparar o indivíduo para o mercado de trabalho e para as práticas sociais. Desta forma deverá conter obrigatoriamente no currículo estudos de língua portuguesa, matemática, conhecimento do mundo físico e natural e da realidade social e política, principalmente do Brasil. O ensino da arte é obrigatório assim como das culturas indígena, africana e européia. A educação física é obrigatória apenas nos cursos diurnos. Na parte diversificada deverá ser incluída uma língua estrangeira, sendo que no ensino médio poderá haver duas línguas sendo que uma é opcional. O ensino religioso é facultativo. A educação infantil tem como objetivo integrar a criança na comunidade e prepará-la para o ensino fundamental. No ensino fundamental o educando deverá adquirir pleno domínio da leitura, da escrita, do cálculo, da natureza, da política e da tecnologia e deverá também adquirir os valores da sociedade burguesa: tolerância, respeito à propriedade e à ordem democrática. O ensino médio tem a finalidade de aprofundar os conhecimentos obtidos na etapa anterior e deverá abranger a educação tecnológica, compreensão e significado de ciência, conhecimentos de Sociologia e Filosofia e preparar o educando para profissões técnicas, além de habilitá-lo para continuação dos estudos. O currículo do ensino rural deverá ser adaptado de acordo com as peculiaridades de cada região. Os temas transversais que compõe o currículo na educação básica são aqueles que apresentam certa relevância histórica, política e social no tempo presente. Estes conteúdos na atualidade são: ética, meio ambiente, pluralidade cultural, orientação sexual, saúde e trabalho e consumo. A abordagem desses conteúdos na escola proporciona a interdisciplinaridade e permitem uma relação entre a teoria e a realidade presente. Na parte diversificada do currículo devem estar inclusos os temas transversais, visto que esses são temas sociais importantes no currículo do aluno em tempos de globalização do capitalismo. Em um mundo globalizado é importante que o sujeito tenha noções das questões em destaque no mundo atual, por outro lado a educação brasileira não tem como objetivo formar um indivíduo completo, mas prioriza especialmente a preparação deste indivíduo para o mercado de trabalho e de consumo. Trata-se de um conhecimento fragmentado que não permite ao sujeito desenvolver uma visão crítica da sociedade. Além dos temas que estão em evidência no mundo, é importante também abordar temáticas que estão na ordem do dia em nosso país e, são problemas que devem ser discutidos nas escolas tais como: violência na sociedade e na escola; drogas; corrupção e uso indevido de dinheiro público; implantação de usinas hidrelétricas e suas conseqüências para os povos indígenas; destruição dos recursos naturais como poluição dos rios e destruição das florestas institucionalizada pelos órgãos de fiscalização do estado maquiados pela política de desenvolvimento sustentável. Todos estes temas deveriam ser discutidos nas escolas brasileiras. Contudo podemos constatar apenas a inserção de alguns como as drogas, violência e as DSTs. Há programas específicos para trabalhar estes temas nas escolas, porém na maioria das vezes são trabalhados de forma preconceituosa, não sendo observada a realidade da comunidade, como é o caso do PROERD que trabalha os temas drogas e violências sendo ministrado por policiais militares que já chegam às escolas com uma concepção pré-formada dos alunos, além do mais militares não são a categoria de profissionais mais adequada para orientar crianças em virtude de sua adestração como instituição repressora. No ensino médio não são mais abordados os temas transversais, visto que o aluno já passou por um processo que formação ideológica no ensino fundamental, a escola deverá agora ensinar ao aluno a relação entre teoria e prática e também a preparação para o trabalho. De acordo com o pensamento de Morin, a transdiciplinaridade é a única alternativa que pode orientar a educação na construção do conhecimento multidimensional, pois se define pela transpenetração de conhecimentos, promovendo articulações, transformações e processos polirrelacionais, onde cada elemento liga-se e religa-se ao outro de forma holográmatica, recorrente e dialógica, considerando suas incertezas, turbulências e acaso, cujo objetivo maior é promover a concepção de uma consciência reflexiva dinâmica dentro da lógica do conhecimento complexo, e essa perspectiva transdiciplinar propõe uma nova forma de produzir e divulgar o conhecimento. Já a disciplinaridade fragmenta a educação por meio de seus currículos mínimos, autonomizando as áreas do conhecimento de forma unilateral. E por fim a interdisciplinaridade apenas estabelece um elo entre as disciplinas, mas mantém cada uma com sua particularidade. Referencias: JACOMELI, Mara Regina Martins. PCNs e Temas Transversais: análise histórica das políticas educacionais brasileiras.
Patrimônio Histórico do Acre: as antigas casas seringalistas da cidade de Rio Branco
02:25 PM, 13/9/2011
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Andando pelo centro da cidade de Rio Branco com um olhar um pouco mais atento, é possível identificar que ainda existem algumas construções típicas do início do século XX, casas residenciais e comerciais de antigos seringalistas – os conhecidos coronéis de barraco. Essas casas, em sua maioria são feitas em madeira com uma arquitetura peculiar da região, cobertas em telha com o telhado bastante inclinado e assoalho alto. Apesar de deterioradas algumas dessas casas resistem ao tempo e trazem ainda a sua forma original. A matéria-prima usada nesses tipos de construções é em parte responsável pelas condições precárias em que se encontram atualmente, com o agravante de que nem o Estado e nem os proprietários se preocupam em garantir a preservação desses espaços que fazem parte da memória da nossa cidade. Por outro lado, o que podemos identificar é que essas antigas casas que representam o patrimônio histórico da cidade de Rio Branco estão a serviço da especulação imobiliária. Por se localizarem na área central da cidade seus terrenos estão altamente valorizados, por esse motivo estão propensos à um risco constante de serem derrubadas para dar lugar a novos e modernos empreendimentos. Algumas dessas casas estão em processo de tombamento e outras já foram tombadas como patrimônio histórico e cultural, como é o caso das fachadas das casas localizadas na gameleira, no entanto apresentam avançado estado de deteriorização. As que ainda não tiveram seus processos de tombamento deferido são as mais expostas, posto que a qualquer momento possa ser derrubadas, não do ponto de vista legal, mas arbitrariamente. Por estarem localizadas em área nobre são objetos de desejo de empresários para fins comerciais. Um exemplo disso é a casa de dona Crizarubina localizada ao lado esquerdo da câmara municipal, que fazia parte da Zona de Proteção Histórico-cultural, que foi derrubada para dar lugar a um estacionamento. O casarão, que tem sido objeto de intensa polêmica nos últimos meses, apesar de ter sido revitalizado recentemente, encontra-se ofuscado por uma moderna construção de grandes proporções se comparado à primeira. E o poder público em conluio com a iniciativa privada concedeu o licenciamento para edificação do prédio sem levar em conta o que diz a legislação. De acordo com Gerson Albuquerque A construção de um “novo prédio” no terreno contíguo ao “Casarão” representa a morte de nosso primeiro patrimônio histórico tombado nos marcos do que reza a legislação. Aceitar tal construção em nome de uma legalidade protocolar, sem levar em consideração as dimensões simbólicas e a visibilidade do “Casarão” tombado; sem estabelecer uma discussão séria sobre qual é o entorno do patrimônio histórico tombado ou sem levar em consideração que a lei impede ou limita construções nas vizinhanças de bens tombados, significa fazer coro com aqueles que à serviço da criminosa especulação imobiliária esconderam-se na calada da noite para fazer a demolição das históricas casas da professora Crizarubina Leitão e Félix Lavocat.[1] Contudo há divergências a este respeito, a arquiteta Regina Kipper numa posição contrária afirma que as formas arquitetônicas do Casarão serão valorizadas pela construção vizinha, pois apresenta um contraste entre o moderno e o antigo. E além dela ainda tivemos outros ferrenhos defensores desta afirmativa, dentre eles o então Diretor-Presidente da Fundação Elias Mansour - Daniel Zen, e a diretora do DPHC - Suely Melo. De acordo com Daniel Zen em se tratando ”de um bem imóvel individualmente tombado, a proteção de sua vizinhança ou entorno depende das definições constantes no âmbito de seu processo de tombamento” [2] e argumenta ainda que o tombamento do Casarão refere-se somente ao imóvel e não a sua vizinhança. Podemos perceber que as autoridades competentes responsáveis pela preservação do nosso patrimônio histórico foram coniventes com o não cumprimento de proteger o entorno do Casarão. Visto que numa parceria promíscua entre público e privado, o Estado não leva em consideração a carga simbólica e cultural que o imóvel em questão representa para a história cultural de Rio Branco, porém tenta se aproveitar da memória numa campanha propagandística com o objetivo de forjar a identidade acriana. Pois visto de todos os ângulos o prédio do Casarão aparece insignificante e sem brilho ao lado de uma construção moderna e imponente. O que podemos depreender de tudo isso é que a falência da economia gomífera levou consigo toda opulência dos tempos áureos da borracha, e aos poucos essa memória será extirpada e só existirá nos livros de história e não se perpetuará em nenhum monumento. Os casarões seringalistas que antes enobreciam a cidade de Rio Branco, agora os poucos que restam estão extremamente frágeis e expressam bem a decadência do comercio da borracha, em breve não mais existirão abrindo espaço para a modernidade. Referencias: ALBUQUERQUE, Gerson. Tombamento e Morte do casarão. Disponível em: altino.blogspot.com. Acesso em: 23/02/2010. ZEN, Daniel. História e Cultura. disponível em: altino.blogspot.com. Acesso em: 23/02/2010. [1] ALBUQUERQUE, Gerson. Tombamento e morte do Casarão. In: Blog do Altino. [2] ZEN, Daniel. História e cultura. In: Blog do Altino. RESENHA DO LIVRO PSICOLOGIA EDUCACIONAL
09:32 PM, 12/9/2011
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Marileide Silva Gomes Bacharel em História Unidade I – O que é psicologia Capítulo 1 – O trabalho do psicólogo
A psicologia é a ciência responsável por estudar o comportamento das pessoas e, o profissional que trabalho com a compreensão do comportamento humano é o psicólogo.
O psicólogo pode atuar em diversos lugares como: na medicina, na indústria e na educação. Para se chegar a resultados satisfatórios na psicologia se trabalha com a pesquisa experimental, adotando procedimentos como observação, aplicação de questionários e entrevistas com um pequeno grupo para aplicação do resultado de forma mais geral. Nessa área faz-se uso também do método clínico través de exames, testes físicos e outros.
Capítulo 2 – Psicologia da educação
A psicologia da educação estuda o comportamento humano para que haja eficácia no ensino.
O professor deverá está consciente do seu papel enquanto professor, tanto como estimulador do conhecimento, quanto como referencial para os alunos que se espelham muito na pessoa do professor, o professor deve ser aberto ao constante aperfeiçoamento a partir da troca de conhecimento com os próprios alunos. O professor deverá participar ativamente na vida dos alunos, assim como está engajando em atividades comunitárias dentro da comunidade em que se localiza a escola. Além de tudo isso o professor deverá procurar a sua auto-realização.
A psicologia da educação defende o modelo de educação onde o professor e a escola procura desenvolver o conhecimento integral do aluno, dando ênfase aos aspectos físicos, intelectual, emocional, social e cultural. E também a melhorar a relação e aplacar os conflitos, com a família, com os amigos e a comunidade em que o aluno está inserido.
A psicologia da educação procura explicar os diversos fatores que possam atrapalhar a aprendizagem do aluno. No que diz respeito aos objetivos espera-se que o aluno faça uso das diversas teorias apresentadas na disciplina para uma melhor atuação como profissional na área educacional.
Unidade II – Psicologia da Aprendizagem
A aprendizagem se caracteriza pela mudança de comportamento resultante da experiência, os comportamentos que provem da maturação biológica não significam aprendizagem. A aprendizagem se desenvolve a partir de três fatores: situação estimuladora; individuo que aprende e; a ação que resulta do processo estimulador da aprendizagem.
As etapas que compõem o processo de aprendizagem é em primeiro lugar a motivação seguida do objetivo que estimula a pessoa a procurar o desenvolvimento intelectual, além disso, a pessoa deve estar preparada física, psicologicamente e emocionalmente. O indivíduo precisará ainda superar os entraves aumentando seus esforços para conseguir o objetivo almejado, o que ainda lhe dará experiência na forma como a pessoa consegue desenvolver da maneira mais fácil o conhecimento levando-o a generalizações.
Os tipos de aprendizagem são: aprendizagem de sinais também chamada condicionamento clássico que se associa aos estímulos; estímulo-resposta ou condicionamento operante, que tem como função ligar a resposta ao estímulo; cadeias motoras que se caracteriza por uma cadeia de movimentos repetidos e contínuos; cadeias verbais que se define pela associação entre palavras semelhantes; aprendizagem de discriminação caracteriza-se em dar diferentes respostas a estímulos semelhantes; aprendizagem de conceitos que permite englobar diversos elementos dentro de categoria abstrata; aprendizagem de princípios define por uma cadeia de conceitos e; solução de problemas que permite o indivíduo solucionar os problemas aplicando princípios conhecidos.
Capítulo 4 – Teorias da aprendizagem
As principais teorias que explicam a aprendizagem são:
a) Teoria do condicionamento - a aprendizagem decorre de uma ação do sujeito que será reforçada, porém apresenta melhores resultados com animais, pois se caracteriza como uma espécie de adestramento onde o animal ou o indivíduo recebe alguma recompensa quando realiza a ação.
b) Teoria de Gestalt - a retenção da aprendizagem é temporária, pois se vincula a outras estruturas que surgirão e, novos significados, serão construídos.
c) Teoria de campo – o ambiente social é quem vai determinar a aprendizagem, essa teoria explica porque os indivíduos respondem de forma diferente ao receber os mesmos estímulos.
d) Teoria cognitiva – o aluno deverá ser estimulando a partir da sua realidade e a aprendizagem é concebida como resolução de problemas.
e) Teoria fenomenológica – a aprendizagem é natural e livre, e para se desenvolver a criança precisa dispor de materiais que o estimulem e que faça sentido para a criança a partir de sua experiência.
Capitulo 5 – Motivação da aprendizagem
A Motivação é fator determinante no processo de aprendizagem e tem a função de ativar o organismo para satisfazer uma necessidade, assim como dirigir os objetivos na satisfação das necessidades na busca da resposta correta.
Dentre as teorias que abordam a motivação temos a teoria do condicionamento onde o aluno se sente motivado a aprender para satisfazer suas necessidades ou receber uma recompensa. A teoria cognitiva diz que o aluno é motivado a aprender por elementos internos selecionados racionalmente. Já a teoria humanista formulada por Maslow estabelece uma seqüência de necessidades que precisam ser alcançadas para que o aluno sinta a necessidade de conhecer, necessidades estas que vão desde as fisiológicas, passando pelas necessidades físicas, afetivas, financeiras, sentimentais e de auto-realização. A teoria psicanalista de Freud diz que é a partir da vivencia na infância que motiva a aprendizagem de forma inconsciente.
Capítulo 6 – Professores e alunos
A relação entre o aluno e o professor deverá ser dinâmica, pois no processo de ensino-aprendizagem as partes envolvidas transmitem e estimulam o conhecimento entre elas, o aluno não é um mero receptor.
No ambiente escolar os alunos se relacionam entre si e com o professor e mutuamente influenciam um ao outro, e reagem em relação ao outro de acordo com os estímulos que recebe, chama-se isso de interação social.
A percepção é a forma como vemos e a opinião de formamos a respeito do outro e, na sala de aula a percepção do professor em relação poderá ser benéfica quando o professor percebe o aluno como estudioso e organizado, mas poderá influenciar negativamente se o professor vê o aluno como fracassado e desinteressado, e a relação que o professor estabelece o com aluno a partir da sua percepção sobre o mesmo reflete diretamente no aprendizado do aluno.
O clima psicológico criado pelo professor na sala de aula é fator determinante para o bom desempenho do aluno, ou para o seu fracasso, se o professor se mostra distante e autoritário, a tendência é os alunos perderam o interesse pela disciplina, no entanto se o professor for democrático proporciona um ambiente propício para que o aluno aprenda e estimulando esta forma o desenvolvimento da aprendizagem.
Capítulo 7 – A importância da liberdade
Para que o aluno desenvolva o conhecimento é preciso ter liberdade para aprender, conteúdo impostos, com o objetivo apenas de repassar conteúdo acaba por desmotivar o aluno que se sente obrigado a estudar um assunto apenas por medo da punição, de ficar reprovado.
Para que haja liberdade na sala de aula é importante que o professor seja autêntico, valorize o aluno em cada etapa do seu desenvolvimento, levando em consideração a forma como o aluno percebe a realidade.
Para se por em prática a liberdade na sala de aula o professor deverá levar em consideração como o aluno percebe a sua realidade, dando condições párea que os alunos cheguem por si só ao conhecimento. Também é importante desenvolver no aluno senso de responsabilidade, assim como permitir que ele tenha liberdade de se expressar e estimulá-lo a se auto-avaliar.
Capítulo 8 – Aprendizagem criativa
A criatividade envolve a produção de algo novo, que é aceito como útil ou satisfatório. No campo científico as pessoas que criam algo novo partem do conhecimento já existente, mas para se construir algo novo é necessário questionar, negar o que está posto na procura por novas respostas.
Criar algo novo pode ser muito complexo e envolve cinco etapas: a apreensão é o processo onde o cientista identifica um problema que ainda não foi respondido ou a explicação existente não o convence, ou poderá ser também uma nova idéia que se pretende por em prática; a segunda etapa é a preparação onde o criador procura as respostas que expliquem ou, que o possibilite executar a ação inovadora; a incubação é uma organização mental inconsciente; a verificação é a solução do problema, aonde o cientista depois de muito estudo e observação chega a algo objetivo; a verificação é a consolidação da nova descoberta, a construção do que se estava almejando descobrir, é a sistematização dos dados concretos, que podem ser comprovados.
No ensino básico e médio existem diversos obstáculos para a criatividade, a disciplina rigorosa, os parâmetros estabelecidos são empecilhos para os alunos desenvolverem a criatividade, e no ensino superior o ensino fica preso a rigorosidade dos currículos.
A escola pode estimular o aluno a ser criativo e, para isso será preciso que o professor faça com que o aluno se sinta motivado a desenvolver idéias originais, que poderão ser estimuladas através de torneios de idéias e solução de problema. A inventividade também estimula a criatividade através da fluência de idéias diferentes e incomuns. É importante instigar a curiosidade para que haja o desejo de criar, argumentar, questionar. Outro aspecto importante é a capacidade do aluno de escolher o conteúdo que mais lhe desperta interesse. E a percepção sensorial que consiste na capacidade do aluno de apreender os acontecimentos em seu redor.
Capítulo 9 – Retenção e esquecimento da aprendizagem
As explicações mais importantes que explicam o esquecimento são a falta de uso, por parte do aluno, do conteúdo estudado, a interferência de um conteúdo sobre outro, a reorganização que a nossa memória faz a cerca dos conteúdos que aprendemos e, a repressão que Freud denomina esquecimento motivado, que na maioria das vezes são experiências desagradáveis e traumáticas e, para superar a dor causada por essas lembranças a pessoa envia-as para o inconsciente.
Assim como existem fatores que ocasionam o esquecimento, existem fatores que ajudam a fixar a aprendizagem, que são: semelhanças entre as atividades; grau de domínio da aprendizagem que se caracteriza pela forma como o conteúdo é repassado e também se tiver significado para o aluno; a superaprendizagem que consiste em estudar mais do que o que será cobrado na avaliação; o ato de rever os conteúdos também ajuda a fixá-lo principalmente quando o aluno gosta do assunto, e; a intenção de memorizar.
A memória retém as informações através de atributos que podem ser dependentes ou independentes. Os atributos independentes se associam o que se quer memorizar ao tempo, espaço, freqüência e modalidade. Os atributos dependentes associam o que se almeja memorizar a sons, situações, palavras, etc.
Capítulo 10 – Por uma aprendizagem eficiente
A aprendizagem pode ser considerada eficiente quando requer menos tempo para aprender e se demora mais para esquecer, no entanto existem alguns fatores que ajudam a melhorar a qualidade da aprendizagem que são:
a) Prontidão para aprender que engloba a maturação orgânica – que são aspectos de natureza física, a experiência anterior e o grau de motivação;
b) Atitude ativa é um aspecto fundamental para a aprendizagem, o querer aprender;
c) Sentido da aprendizagem que pode ocorrer através do grau de associação do conteúdo a ser estudado, da forma como esse conteúdo é organizado e pela utilidade que esse conteúdo representa para o aluno;
d) Repetições espaçadas proporcionam melhor grau de aprendizado do que repetições seguidas;
e) Conhecimento do progresso que se define por apresentar ao aluno o seu rendimento, o resultado de seu esforço de aprendizagem;
f) Ensino para a prática, ou seja, praticar o que se estar aprendendo enquanto se aprende ajuda a melhorar a apresenta melhores resultados que estudo predominantemente teórico;
g) Superaprendizagem é o ato de estudar mais do que o professor irá cobrar, dando ênfase nos pontos principais;
h) Aprendizagem livre apresenta melhores resultados do que um ensino imposto, o aluno aprendiz só precisará ser orientado e depois seguir sozinho na procura do conhecimento.
Capítulo 11 - Fatores que prejudicam a aprendizagem
Dentre os fatores que prejudicam a aprendizagem a escola exerce papel primordial. A atitude do professor é responsável por criar um ambiente democrático onde os alunos sejam respeitados e se respeitem mutuamente. O método de ensino adotado pelo professor reflete diretamente na aprendizagem, se o professor se põe como detentor do saber e os alunos são meros agentes passivos, o resultado são alunos desinteressados e agressivos com os colegas. Por fim o ambiente escolar também tem forte, os aspectos físicos da sala de aula, a forma de organização das carteiras também tem forte influência no aprendizado.
O fator familiar também prejudica a aprendizagem, quando a família é desestruturada o aluno acaba por ter pouca chance de aprender e muitas vezes a escola o repele pela situação sua econômica, e por não conseguir adequá-lo. A posição que a criança ocupa na família também pode ser um empecilho à aprendizagem, o tipo de educação que recebe em casa, que pode ser autoritária, ou as vezes quando a criança é muito mimada, ou quando há uma educação desigual, a criança fica perdida na escola principalmente quando o professor não conhece os problemas enfrentados pelo o aluno e não mantém um dialogo com o mesmo. Outro aspecto negativo é quando os pais querem se realizar através dos filhos, fazendo com estes se sintam superior e acabem se frustrando como percebem que não o são. A falta de amor e atenção também afeta no comportamento da criança na escola, e requer mais atenção e compreensão por parte do professor.
Já os fatores individuais que podem prejudicar o aprendizado do aluno estão ligados as características individuais de cada um. Aqui se exige um esforço hercúleo do professor, que deverá identificar as necessidades de cada um, como o nível de maturidade, o ritmo pessoal, e as preferências de cada aluno. Os fatores de origem nervosa, problemas orgânicos e deficiências físicas também interferem negativamente no aprendizado.
Capítulo 12 – Avaliação da aprendizagem
Avaliar consiste em medir a aprendizagem, mais não se reduz a isto, porque o comportamento e o aprendizado são subjetivos. A avaliação escolar da forma como se costuma fazer pode prejudicar o aluno em todos os aspectos de sua vida.
A avaliação se divide em três fases: começa no planejamento onde a escola define os objetivos que o aluno deverá alcançar; depois deve executar as atividades planejadas e por último vem a verificação para saber se o aluno absorveu o conteúdo.
Os instrumentos de avaliação podem ser os testes objetivos, provas orais, dissertações e trabalhos livres.
Para uma melhor interpretação dos resultados é necessário que o professor considere o bom desempenho do aluno, não avaliando tão rigorosamente os conteúdos que o aluno não se saiu tão bem. A avaliação não poderá representar um fracasso para o aluno, mas deve servir para incentivá-lo cada vez mais. Assim como o professor poderá medir sua atuação e seu desempenho a partir do desempenho do aluno, pois quando a maioria dos alunos se sai mal num conteúdo ou numa disciplina fica óbvio que o professor não foi feliz na metodologia adotada ou mesmo no seu posicionamento em sala de aula.
A reprovação é um grave problema que deve ser superado, a escola deve se esforçar o máximo para que os alunos aprendam e não reprovem e, a reprovação reflete diretamente no emocional do aluno que na maioria das vezes se sente desmotivado o que piora cada vez mais o rendimento escolar.
A escola deve ensinar o aluno a se auto-avaliar no processo de desenvolvimento, dessa forma a escola poderá formar seres humanos mais conscientes e responsáveis.
Unidade III – Psicologia do Desenvolvimento
Capítulo 13 – O ser humano está em constante desenvolvimento
O indivíduo se desenvolve constantemente e, a psicologia do desenvolvimento procura entender o comportamento em cada idade.
A maturidade refere-se ao grau de desenvolvimento em que o indivíduo se encontra e pode ser de caráter intelectual – relacionado à inteligência, social – que se refere à convivência com outras pessoas, passando a ser membro atuante de um grupo ou de comunidade, emocional – onde o indivíduo desenvolve os sentimentos e, a maturidade física que é responsável pelas mudanças físicas.
Capítulo 14 – Fatores que influem no desenvolvimento
Os fatores que influem no desenvolvimento são de origem interna e externa. Os fatores internos mais conhecidos são a hereditariedade a maturação. A hereditariedade diz respeito às características genéticas herdadas dos pais. Já a maturação refere-se às mudanças por que passa o organismo ao longo do crescimento e podem ser afetados também pela alimentação. No entanto o meio exerce certa influencia na maturação do indivíduo.
Os fatores externos dizem respeito ao ambiente social em que a criança cresce é determinante no comportamento da criança, pois se a criança pertence a uma família abastada tenderá a ser uma pessoa saudável e a ter sucesso na escola e na vida pessoal, quando a criança nasce em uma família de uma classe social subalterna na maioria das vezes acaba por se tornar uma pessoa violenta, com diversas dificuldades de níveis físicos e também intelectuais decorrentes da marginalização e exclusão a que está exposta.
A alimentação é fator determinante no desenvolvimento, para que a criança cresça forte e saudável é preciso ter uma alimentação adequada, caso contrário a desnutrição poderá acarretar conseqüências desastrosas no desenvolvimento da criança impedindo o seu desenvolvimento.
A preservação da natureza também é um fator externo muito importante no desenvolvimento do ser humano, pois o equilíbrio natural é essencial para o desenvolvimento saudável do ser humano.
Capítulo 15 – Princípios e fases do desenvolvimento
Os princípios básicos do desenvolvimento humano que são perceptíveis em todas as pessoas podem ser divididos em seis tendências gerais que são: o desenvolvimento como processo contínuo e ordenado que segue uma linearidade. Referente ao desenvolvimento físico divide-se em infância, adolescência, idade adulta e velhice; o desenvolvimento segue as seqüências céfalo-caudal – da cabeça para as extremidades e próximo-distal – do centro para a periferia; e progride das respostas gerais para as específicas; no desenvolvimento físico também é visível a variação dos níveis de desenvolvimento dos órgãos do corpo; cada indivíduo tem suas particularidades, e no desenvolvimento cada um segue seu próprio ritmo e tende a ser constante; no entanto o desenvolvimento abrange os aspectos gerais da pessoa, físico, social, etc. desenvolvendo como um todo.
As fases do desenvolvimento humano divididas em infância, adolescência, idade adulta e velhice é muito questionada por parte de estudiosos, pois de acordo com a realidade social de um país ou cidade não dá para estabelecer com precisão essas fases, no entanto Freud e Piaget que estudaram o desenvolvimento humano defendem que desde que todo ser humano passe por um desenvolvimento considerado normal passa pelas fases estabelecidas por Sólon.
Para Freud o desenvolvimento está ligado ao prazer e a sexualidade e passa por quatro fases: oral onde a criança é dependente e tem prazer em mamar, comer, chupar o dedo e morder; anal olé é o prazer do controle muscular e expulsivo; fálica edipiana onde o prazer está ligado a estimulação genital e começa o desenvolvimento do superego; latência – o prazer está ligado ao mundo externo e a criança reprime os seus desejos para se ajustar às regras sociais e; genital onde o prazer passa a ser decorrente da relação com o sexo oposto e o indivíduo busca a emancipação.
Piaget define o desenvolvimento como a busca pelo equilíbrio na procura de se ajustar ao mundo exterior e segundo ele o desenvolvimento mental passam por quatro períodos que são: sensório-motor que compreende o desenvolvimento da inteligência hereditária, as percepções e hábitos; o pré-operacional que consiste no desenvolvimento da linguagem, da socialização e da intuição; das operações concretas que refere-se ao pensamento lógico sobre coisas concretas e; das operações formais que é a capacidade de abstração.
Capítulo 16 – Os primeiros passos
No desenvolvimento físico motor a crianças desenvolve habilidades como andar, agarrar-se e dependem do desenvolvimento dos músculos.
O desenvolvimento emocional e social é uma interação das tendências inatas com a experiência social, a criança aprende a demonstrar suas emoções em forme de raiva, medo, afeto e através de certos comportamentos emocionais.
O desenvolvimento intelectual segundo Piaget começa com a aquisição da linguagem, e após os dois anos quando a criança consegue se perceber enquanto ser.
Capítulo 17 – O mundo mágico da palavra
A linguagem é o fator essencial para que se desenvolva como um todo, através da convivência social e da evolução do pensamento e das relações afetivas.
A fala é considerada por alguns teóricos como uma capacidade inata ao ser humano, e estão relacionadas às estruturas biológicas.
É através da comunicação com o outro que a criança vai desenvolvendo e aperfeiçoando a linguagem. Piaget divide três fases no desenvolvimento social da linguagem que são: a subordinação, onde a criança está subordinada ao adulto; o monólogo coletivo, onde varias crianças falam sobre diversos assuntos, porém não ainda não conseguem expressar seu ponto de vista e; o solilóquio, onde a criança fala sozinha e também representa mentalmente as suas ações.
O desenvolvimento da criança pode ser percebido através das brincadeiras que partem do egocentrismo inicial onde a criança brinca sozinha, passando para a cooperação onde a criança brinca em grupo com regras pré-estabelecidas.
Piaget separou a evolução do pensamento em três fases: o pensamento egocêntrico, onde a criança procura somente satisfazer os próprios desejos; o pensamento verbal onde predomina o egocentrismo e a incorporação deformada da realidade; o pensamento intuitivo que é formulado a partir da percepção da realidade.
No desenvolvimento afetivo e moral a criança desenvolve sentimentos de antipatia e simpatia em relação a outras crianças e sentimentos de respeitos em relação aos adultos. A moral nessa fase é dependente da vontade do adulto e denomina-se moral heterogênea. A moral autônoma é desenvolvida a partir dos sete anos de idade e baseia-se nas regras do grupo em que a criança está inserida.
Capítulo 18 – Adeus, infância
Dos sete aos doze anos a criança passa a ter mais concentração, reflexão, compreendendo o ponto de vista do outro, concorrendo para uma mudança de atitude em relação ao outro.
No desenvolvimento intelectual a criança passa a fazer operações racionais: como conservação, relação simétrica e classificação.
No desenvolvimento afetivo e moral, na fase que vai dos quatro aos doze anos a criança passa da moral heterônoma para a moral autônoma, esta última desenvolve a partir da convivência com pessoas da mesma idade.
A partir dessa fase a criança passa a fazer um julgamento moral das situações, e aparece também a organização da vontade que aparece quando há conflitos interiores.
Capítulo 19 – Decidindo o futuro
A puberdade é a fase onde o individuo começa a fazer planos e escolhas para o futuro. A puberdade está relacionada às mudanças físicas como desenvolvimento sexual e do corpo. Na adolescência ocorrem as mudanças psíquicas, onde o adolescente passa por crises e conflitos na busca da sua afirmação enquanto pessoa. Desenvolve também o pensamento, engajando-se em grupos com escolhas ideológicas, além de estabelecer as metas para a realização pessoal.
Capítulo 20 – A família do aluno
Dentre os fatores que influencia o aluno fora da escola temos: a família, que é responsável pelas primeiras experiências da criança, a maioria das coisas que os filhos aprendem são resultados das atitudes inconscientes dos pais. É a partir da convivência com a família que a criança vai formar sua personalidade, seus valores e moral. Um ambiente familiar composto por regras de respeito e amor propiciará a criança um melhor desenvolvimento, com controle em emocional e, atitudes positivas diante da vida. Por outro lado a classe social pré-determina aqueles que virão a ter sucesso na escola e na vida.
Capítulo 21 – Entre amigos
O homem é o ser social e precisa do outro para se auto-afirmar, o outro é importante tanto em termos práticos quanto psicológicos.
Ao crescer espera-se que a pessoa seja independente, porém independência não significa que não precisamos do outro.
As relações que se estabelecem com o outro nos anos pré-escolares são egocêntricas e estão ligadas a satisfação imediata. Quando a criança começa a freqüentar a escola ela entra em contato com um mundo novo para ela, conhece novas pessoas com quem deverá se relacionar, e os grupos são formados por afinidades, quando a criança se sente rejeitada isso provavelmente irá proporcionar um mal desempenho escolar.
Na adolescência o indivíduo passa a estreitar os laços com os amigos da sua idade, com quem convive bastante tempo realizando diversas atividades em conjunto e passa a se espelhar mais nas atitudes dos amigos do que dos pais. É nessa fase também que se criam vínculos de amizades com pessoas que moram próximas e por gostarem das mesmas coisas, apesar de ser possível a amizade entre diferentes.
Capítulo 22 – O aluno e a sua comunidade
As desigualdades sociais são responsáveis por as crianças de baixa renda não freqüentarem a escola apesar de o ensino básico ser obrigatório. As condições materiais refletem diretamente no fracasso escolar de comunidades pobres, onde a moradia é precária e a alimentação insuficiente e inadequada.
As pessoas oriundas desde tipo de comunidade não tem acesso aos espaços culturais, como teatros e bibliotecas, ficando impossibilitados de discutir sua realidade através desses mecanismos que com certeza propiciariam uma oportunidade para muitas crianças que se perdem no crime e nas drogas. E ocorre que essas pessoas passam seus melhores anos vegetando, ou seja, só conseguem o mínimo para garantir a sobrevivência e isso castra todas as possibilidades de desenvolvimento social.
Capítulo 23 – A aventura escolar
A escola apresenta-se como um mundo estranho ao aluno, permeado por regras e deveres onde o aluno deverá se enquadrar, caso contrário será reprovado, ou expulso. Na maioria das vezes o aluno na tem liberdade na sala de aula, e a escola está aquém de sua realidade sem nenhuma interação com a comunidade do aluno.
Diante desta situação a criança que consegue e tem condições de adequar-se consegue terminar os estudos, porém a maioria não chega ao primeiro ano do ensino médio, isso pode ser constatado no fato de existir um número bem maior de escolas de nível básico que de secundário.
Para superar esse ambiente hostil, a atuação e posicionamento do professor são de fundamental importância, que deverá lutar pela superação do atual estado de coisas.
Capítulo 24 – Finalmente, maioridade
A partir dos dezoito anos o indivíduo passa a ser responsável pelos seus atos e a participar ativamente da vida adulta com deveres e direitos estabelecidos para aquela faixa etária. É a partir daí que a pessoa passa para uma fase de maturidade emocional, controlando e expressando emoções como amor, coragem, tristezas, etc. A escola deve contribuir para a maturação emocional através da criação de um ambiente amistoso.
Na maturidade intelectual o indivíduo passa a ser capaz de fazer operações abstratas, envolvendo concentração e aumento da capacidade de memorização e raciocínio.
O ser humano deve ser dotado de conhecimento e coerência entre pensamento e ação e ter conhecimento de si mesmo, das suas potencialidades e limitações, deve construir seus valores e princípios e estabelecer seus objetivos.
Referência bibliográfica: PILETTI, Nelson. Psicologia Educacional. 13 ed. São Paulo: Ática, 1994.
O TEATRO COMO RESISTÊNCIA POPULAR NA CIDADE DE RIO BRANCO
09:15 PM, 12/9/2011
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Artigo
Autora: Marileide Silva Gomes[1]
Resumo: este artigo pretende fazer um breve ensaio a cerca da importância do teatro como forma de resistência na cidade de Rio Branco, numa época de repressão e censura caracterizada pelo golpe militar, com destaque para os espaços que foram usados pelos artistas e até mesmo como manifestação popular através de encenações das injustiças sociais tão latentes nas décadas de 70 e 80.
Palavras-chave: representação; resistência; cultura.
O teatro teve sua origem na Grécia por volta do século VI a. C. tendo suas raízes nas festas sagradas oferecidas ao deus Dionísio, que aconteciam anualmente durante a primavera na colheita da uva, estas comemorações eram regadas a vinho, com expressões livres do prazer. Nestes rituais se representavam as façanhas dos deuses, como Dioniso, ou tragédias e episódios da criação do Homem e do mundo.
Durante a Idade Média houve o predomínio do teatro religioso, estes eram realizados na igreja e costumavam representar acontecimentos narrados na Bíblia como a morte de Jesus, os temas mais explorados eram a fé, a morte e o desejo. De acordo com Marvin Carlson (1935, p. 29) “os escritos críticos e teóricos do inicio da Idade Média dão muita atenção à interpretação e alegoria bíblicas.” Quando as peças começaram a ser mais elaboradas com participação de atores laicos e também por atrair um grande público, o teatro passou a ter um lugar próprio, começou-se a utilizar os adros, e a partir do Renascimento enormes espaços foram arquitetados para a sua realização.
No período áureo da borracha foram feitas na Amazônia luxuosas construções como o Teatro da Paz de Belém e Teatro Amazonas em Manaus. Nessa época, em 1896, foi inaugurado um dos primeiros teatros do Brasil, o Teatro Amazonas, onde se apresentavam os maiores artistas europeus da época. O Acre conheceu as primeiras apresentações teatrais com Luiz Galvez, que pretendia reproduzir os costumes europeus em meio à selva, nessa época grupos de teatros franceses se apresentavam em Sena Madureira e Porto Acre e em outros centros de comercialização da borracha no Acre.
O teatro no Acre passa a ter maior representatividade principalmente a partir da década de 70, mas já em 1963 o então assessor da secretaria de educação e cultura, Orlando Miranda, funda o Teatro Escola do Acre.
Os espaços mais importantes que aconteciam as apresentações foram: o Cine Teatro Recreio criado em 1987 que foi restaurado para promover apresentações teatrais, shows musicais, palestras e cursos de dança;
O Teatro de Arena do SESC, fundado em 1989, era um espaço onde os artistas junto com as comunidades eclesiais de base, universitários e ex-seringueiros faziam debates a cerca dos problemas sociais locais, de acordo com Belchior Carrilho dos Santos
Sua característica marcante era sim denunciar e porque não dizer, resistir, através, de suas apresentações que discutiam a realidade do Brasil e do Acre. O Teatro de Arena do SESC/Acre é um espaço institucional que foi constituído pelas vivências não só de artistas, mas também, de ex-seringueiros, estudantes secundaristas e universitários, participantes das Comunidades Eclesiais de Base (CEB’S), comerciários e pela população em geral, que usavam suas dependências para debater seus problemas.[2]
Outro espaço relevante para a expressão cultural foi o Teatro Barracão criado em 1982, revelou-se um lugar alternativo para manifestações culturais dos artistas que não tinham acesso ao Teatro de Arena do SESC, onde os ensaios eram constantemente vigiados.
O Teatro Horta construído através da FETAC, era coordenado por oito grupos filiados. Tanto este quanto os outros teatros eram espaços institucionais, e a iniciativa de unificar os grupos numa instituição, no caso aqui a Federação de Teatro Amador do Acre, apresenta aspectos positivos e negativos. A federação auxilia na obtenção de verbas e elaboração de projetos, por outro lado impõe sua política de cima para baixo até mesmo pela dependência financeira dos órgãos governamentais. A atuação da FETAC foi de extrema importância não só para o teatro, mas também no desenvolvimento de outras manifestações culturais em Rio Branco, sendo que há momentos em que ela foi mais atuante, e em outros sem nenhuma representatividade, dependendo sempre da ação política e a ideologia dos seus dirigentes.
O s temas mais abordados nas décadas de 70 e 80 eram problemas dos bairros e parábolas da Bíblia, representação sobre seringueiros e posseiros. Uma figura que se destacou foi o ex-seringueiro Matias que fazia teatro popular nas comunidades dos bairros periféricos. Todos os temas estavam ligados à realidade local e os atores eram populares que se reuniam nos fins de semana para as apresentações. Segundo artigo publicado no jornal Varadouro os espetáculos apresentados pelo grupo do Matias eram dramatizações de origem religiosas marcadamente populares que todos os fins de semana eram apresentados pelas comunidades de bases na periferia da cidade. Essas peças de teatro geralmente eram
[...] encenações curtas de uma prática viva, focalizando fundamentalmente a vida do bairro e de seus moradores com suas amarguras, seu humor e sua esperança. É uma “reportagem” é teatro da discussão, uma forma de expressão em escala menor que o teatro amador. Sem pretensões de autores e atores, não utiliza efeito de luzes muito menos figurino, não necessitam de laboratório, de muita discussão para levar uma idéia ao palco. Desenvolvem-se, sobretudo apoiadas em suas próprias forças, sem recursos técnicos ou talvez, seria melhor dizer, dispondo de todos os recursos que até agora se fizeram necessários [...].[3]
Apesar do teatro em Rio Branco não ter sido profissional, e carecer de técnica, equipamento e pessoal especializado teve suas peculiaridades, pelo seu caráter genuinamente popular, além de ser voltado para debater os problemas da comunidade, e não era elitista. Fernando Peixoto em entrevista concedida ao jornal Varadouro relata que
Aqui, encontrei uma coisa massiva. Ou as pessoas trabalham diretamente na periferia, com comunidades de bases, junto às classes realmente menos favorecida, ou pessoas preocupada em ocupar o espaço urbano, mas para fazer espetáculos que falem dessa realidade. São grupos que procuram investigar a realidade [...][4]
Em suma, o teatro era produzido pelo povo e para o povo e revelou-se numa forma de resistência cultural frente à falta de liberdade de produção e de expressão em uma época de marcada pelo autoritarismo.
Referencias:
CARLSON, Marvin. Teoria do Teatro: estudo histórico-crítico, dos gregos à atualidade. Tradução de Gilson César Cardoso de Souza. São Paulo: Fundação Editora da Unesp, 1997.
SANTOS, Belchior Carrilho. Teatro de Arena do SESC/Acre: espacialidade de práticas artísticas e culturais na cidade de rio branco (1979 – 1986).
Disponível em: http://www.ufac.br/pro_reitorias/pr_pesquisa/edufac/seringal/1_edicao/pdfs/teatro_arena_sescacre.pdf.
Acesso em: 7/12/10.
Jornal Varadouro - ANO I Nº 10 - junho de 1978, p. 18.
Jornal Varadouro - ANO IV Nº 22, setembro/outubro de 1981, p. 23.
[1] Acadêmicas do 8º período do Curso de História Bacharelado da Universidade Federal do Acre.
[2] Santos, Teatro de Arena do SESC/Acre: espacialidade de práticas artísticas e culturais
na cidade de rio branco (1979 – 1986).
[3] Jornal Varadouro - Nº 10, ANO I - junho de 1978, p. 18.
[4] Jornal Varadouro - ANO IV Nº 22, setembro/outubro de 1981, p. 23.
Resenha: Pós-neoliberalismo
08:55 PM, 12/9/2011
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Marileide Silva Gomes Bacharel em História
O neoliberalismo surgiu depois da II guerra mundial, foi uma reação teórica e política contra o Estado intervencionista de bem-estar. Friedrich Hayec foi um de seus idealizadores, o neoliberalismo trata-se de um ataque a qualquer limitação dos mecanismos de mercado por parte do Estado. Hayec conseguiu fundar uma sociedade de correligionários muito organizados com o propósito de combater o keynesianismo e o solidarismo reinantes, e preparar as bases de outro tipo de capitalismo, mais duro e livre de guerras para o futuro.
A polêmica contra a regulação social, no entanto, tem uma repercussão um pouco maior. Hayec e os seus companheiros argumentavam que o novo igualitarismo deste período, promovido pelo Estado de bem-estar, destruía a liberdade dos cidadãos e a vitalidade da concorrência, da qual dependia a prosperidade de todos. Eles argumentavam que a desigualdade era um valor positivo.
Com a crise do pós-guerra as idéias neoliberais começaram a ganhar terreno, Hayec e seus companheiros afirmavam que as raízes da crise estavam localizadas no poder excessivo e nefasto dos sindicatos e, no movimento operário, que havia corroído as bases de acumulação capitalista com suas pressões reivindicativas sobre os salários e com sua pressão parasitária para que o Estado aumentasse cada vez mais os gastos sociais. Esses dois processos destruíram os níveis de lucros das empresas e desencadearam processos inflacionários que só podiam terminar numa crise generalizada das economias de mercado. A estabilidade monetária deveria ser a meta suprema de qualquer governo, para isso seria necessária a contenção dos gastos com bem-estar social, e a restauração da taxa natural de desemprego, ou seja, a criação de um exército de reserva de trabalhadores para quebrar os sindicatos. Isso significaria reduções de impostos sobre os rendimentos mais altos.
O ideário do neoliberalismo tinha como componente central o anticomunismo mais intransigente de todas as correntes capitalistas do pós-guerra. Os anos 80 viram o triunfo da ideologia neoliberal, o governo inglês foi o primeiro a contrair a emissão monetária, e elevar as tachas de juro, baixar drasticamente os impostos sobre os rendimentos, abolir controles sobre fluxos financeiros, criar níveis de desemprego massivos, aplastar greves, impôs uma nova legislação anti-sindical e cortou gastos sociais.
Enquanto a maioria dos países do norte da Europa elegia governos de direita empenhados em diversas versões do neoliberalismo, no sul do continente chegavam ao poder governos de esquerda chamados de euro-socialistas e apresentava uma alternativa progressista baseada em movimentos populares contrastando com a linha reacionária dos governos do norte da Europa, porém não tiveram êxito, o governo socialista na França se viu forçado pelos mercados financeiros internacionais a mudar o seu curso dramaticamente e reorientar-se para fazer uma política muito próxima à ortodoxia neoliberal. Enquanto isso no outro lado do mundo o neoliberalismo alcançava enormes proporções, sucessivos governos trabalhistas ultrapassaram os conservadores locais de direita.
Isso demonstrava que a ideologia neoliberal se tornou hegemônica, os governos social-democratas foram os que se mostraram mais resolutos em aplicar políticas neoliberais, com exceção de algumas. No final dos anos 80 a Suécia e a Áustria ainda resistiam à onda neoliberal da Europa, e fora do continente o Japão também continuava isento de qualquer pressão neoliberal. A recuperação dos lucros não levou a recuperação dos investimentos. Durante os anos 80 aconteceu uma verdadeira explosão dos mercados de câmbio internacionais, cujas transações puramente monetárias, acabaram por diminuir o comércio mundial de mercadorias reais. Este foi o fracasso do neoliberalismo, o peso do Estado de bem-estar social não diminuiu muito, apesar de todas as medidas tomadas a fim de conter esses gastos. Isso se explica pelo aumento dos gastos sociais com o desemprego, que custaram bilhões ao Estado, e o aumento demográfico dos aposentados na população, que levou o Estado a gastar outros bilhões.
Nessas condições de crise aguda era de se esperar uma reação contra o neoliberalismo nos anos 90. Só que não aconteceu, pelo contrário, o neoliberalismo ganhou um segundo alento pelo menos na Europa.
Os parâmetros neoliberais seguem ditando o cenário político, mesmo quando seu momento de atuação econômica parece amplamente estéril e desastroso, e isso se explica pelo fato do neoliberalismo ter sido vitorioso na Europa ocidental e na União Soviética de 89 a 91.
O impacto do triunfo neoliberal no leste europeu tardou a ser sentido em outras partes do mundo, particularmente pode-se dizer aqui na América Latina, que hoje em dia se converte na terceira grande cena de experimentações neoliberais. O Chile sob a ditadura Pinochet foi pioneiro no ciclo neoliberal da história contemporânea, começando no Chile quase um decênio antes de Thatcher, na Inglaterra. O neoliberalismo chileno pressupunha a abolição da democracia e a instalação de uma das mais cruéis ditaduras militares do pós-guerra.
Na Bolívia, não havia necessidade de quebrar um movimento operário poderoso como no Chile, mas parar uma hiperinflação. A América latina também iniciou a variante neoliberal progressista, mais tarde difundida no sul da Europa, nos anos de euro-socialismo. Mas o Chile e a Bolívia eram experiências isoladas até o fim dos anos 80.
Conclui-se que o movimento neoliberal atingiu uma escala mundial como o capitalismo jamais havia produzido, trata-se de um corpo de doutrina coerente, autoconsciente, militante, decidido a transformar todo o mundo à sua imagem, em sua ambição estrutural e sua extensão internacional.
Economicamente, o neoliberalismo fracassou, não conseguindo nenhuma revitalização básica do capitalismo avançado. Socialmente, ao contrário, o neoliberalismo conseguiu muito dos seus objetivos, criando sociedades marcadamente desiguais, embora não tão desestatizadas como queria. Política e ideologicamente, todavia, o neoliberalismo alcançou êxito num grau com o qual seus fundadores provavelmente jamais sonharam, disseminando a simples idéia de que não há alternativas para os seus princípios, que todos, sejam confessando ou negando, têm de adaptar-se a suas normas.
Referência Bibliográfica:
SADER, Emir; GENTILI, Pablo. Pós-neoliberalismo: as políticas sociais e o Estado democrático. Rio de Janeiro: Paz e terra, 1995.
Resenha: Crítica da Modernidade
08:16 PM, 12/9/2011
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Marileide Silva Gomes Bacharel em História As principais forças que dominam a modernidade são: a sexualidade, o consumo mercantil, a empresa e a nação. O que significam simultaneamente nacionalidade e individualismo. Essas duas dicotomias integram-se facilmente à esperança de uma modernização endógena, do triunfo das luzes da razão e das leis da natureza afastando as fusões da consciência, as falsidades das ideologias e as irracionalidades das tradições. A idéia de modernização é substituída pela ação modernizadora, esta mobiliza as forças não modernas, liberta o indivíduo e a sociedade até então prisioneiros das leis impessoais da razão depois de terem sido das leis divinas. Marx pode ser considerado o primeiro filósofo pós-moderno, definiu o progresso como liberação da natureza, não como realização de uma concepção do homem, segundo Marx a vida social nada mais é que a luta entre o valor de uso e o valor de troca, das forças de produção contra as relações sociais de produção. Houve uma ruptura entre a economia e a sociedade, resultante da brutalidade da industrialização capitalista, unidos o Estado e o capitalismo esmagaram atores sociais e a democracia tão violentamente, que a sociedade ocidental não percebeu mais do que a luta do trabalho e da produção contra a violência e o lucro, e remeteu toda referência às orientações da ação ao âmbito da moralidade e da arte. Para Nietzsche a modernidade foi o triunfo da consciência, a alienação da energia humana que se desprende dela mesma e se volta contra si própria identificando-se com um deus, com uma força não humana à qual o homem se deve submeter. A modernidade conduziu ao nihilismo, ao esvaziamento do homem cuja potência foi projetada no universo divino pelo cristianismo e que não possui nada além da sua fraqueza, o que acarreta a sua decadência e o seu desaparecimento inevitável. Com Nietzsche o pensamento se torna anti-social e antimoderno, ás vezes ele será antiburguês, outras, antidemocrático: ele sempre desconfiará das forças e dos atores sociais da modernidade e da sua reação face a face. Através do pensamento de Nietzsche surge um pensamento antimoderno que concentra seus ataques contra o sujeito. Pensamento antropológico e filosófico oposto ás ciências sociais que quase sempre tem parte com a modernidade. Para Nietzsche e Freud o indivíduo deixa de ser concebido apenas como um trabalhador, um consumidor, ou mesmo um cidadão, ele se torna um ser de desejo, habitado por forças impessoais e linguagens, mas também um ser individual, privado. A nação, uma das forças regentes da modernidade, segundo Gellner se define como uma correspondência entre uma unidade política e uma cultura, ele mostra como as sociedades modernas, industriais, têm necessidade de uma cultura nacional, isto é, construída para e pela nação, indo além dos limites e das culturas tradicionais e locais que resistem às mudanças. A empresa foi substituída pelas organizações, que eram compostas de tecnocratas com conhecimentos técnicos, administrativos e financeiros, a empresa deixou de ser considerada como a expressão concreta do capitalismo, ela aparece como uma unidade estratégica num mercado internacional competitivo e como um agente de utilização de novas tecnologias. Não é nem a racionalização nem a dominação de classe que a definem melhor, é a gerência de mercados e de tecnologia. A nossa idéia de consumo foi durante muito tempo uma escada que vai dos bens mais indispensáveis, a alimentação, os lazeres, a vestimenta e a habitação, porém foi transformada o consumo passou a ser a linguagem do nível social, e aparece estreitamente ligado ao estatus social. TOURAINE, Alain. Crítica da modernidade. Petrópolis: Vozes, 1994. A revolta da melancolia: o romantismo na contramão da modernidade
08:03 PM, 12/9/2011
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Marileide Silva Gomes[i] Resumo: este trabalho traz uma discussão a partir dos escritos de Michel Lowi e Robert Sayre que apresentam um novo conceito de romantismo. Este deixa de ser uma corrente da cultura do século XIX e passa a ser entendido como uma estrutura mental coletiva extensiva à própria modernidade - o romantismo surge com a revolução industrial e perdura até hoje. A visão de mundo romântica é "por essência anticapitalista" (p. 30), é a "autocrítica da modernidade", o reconhecimento da perda que ela representou. O romantismo se manifesta em todas as esferas da sociedade e os autores destacam não apenas suas expressões artísticas, mas principalmente teóricas, filosóficas e políticas. Os românticos se contrapõem aos aspectos centrais da civilização burguesa: o desencantamento do mundo, a sua quantificação, a perda dos antigos valores qualitativos o desenvolvimento do etos capitalista; a mecanização do mundo, a ruptura dos vínculos orgânicos que ligavam os seres humanos entre si nas comunidades pré-capitalistas e estas à natureza; a abstração racionalista, que ignora o concreto e tudo que não pode ser racionalizável; a dissolução dos vínculos sociais, o isolamento das pessoas por um individualismo cada vez mais desenfreado.
Palavras-chave: Romantismo; Modo de vida capitalista; Racionalidade.
Löwy e Sayre definem o romantismo como uma visão de mundo, como estrutura mental coletiva e, para se afirmar dialoga com outros autores que conceituaram o romantismo.
Em primeiro lugar recorre a Goldmann, que concebe o romantismo como “o conflito entre a sociedade burguesa e certos valores humanos” (p. 29), o que exprimiria as aspirações de indivíduos ‘problemáticos’, porém os autores se identificam melhor com a definição de Luckás que opõe o romantismo ao capitalismo, o romantismo seria um tipo particular de anticapitalismo, porém Löwy e Sayre ressaltam que todo “romantismo é por essência anticapitalista” procurando definir o romantismo de uma forma que englobe suas diversidades, portanto “o romantismo não passa de uma das múltiplas tendências da cultura moderna” (p. 32).
Para uma melhor compreensão do fenômeno é preciso estabelecer o recorte temporal no qual está inserido rejeitando a limitação pela “qual o romantismo seria o fruto da decepção diante das promessas não cumpridas da revolução burguesa de 1879”. (p. 33)
O nascimento do romantismo se dá na lenta passagem do feudalismo ao capitalismo e surgiu como uma reação ao modo de vida capitalista, desta forma o romantismo surgiu na segunda metade do século XVIII e sobrevive até hoje. O romantismo se revela principalmente como uma crítica à modernidade resultante da Revolução Industrial, que tem como características o espírito do cálculo, o desencantamento do mundo, a racionalidade instrumental e a dominação burocrática.
O modo de vida capitalista retirou das relações sociais e da relação homen-natureza toda beleza e encantamento, “o romantismo surge de uma oposição a essa realidade capitalista/moderna” (p. 36) desumanizou e transformou as relações humanas em coisas.
A crítica romântica é dirigida as mais diferentes facetas do mundo moderno, portanto o romantismo só pode existir dentro dessa modernidade, podendo ser entendido como uma “autocrítica da modernidade” (p. 39).
O romântico procura o perdido, o sublime, o belo, carregado de nostalgia. Uma rejeição da racionalidade, uma procura pelo exótico, a fuga das cidades em busca do campo, das coisas passadas, primitivas.
O romantismo reluta em não aceitar o atual estado das coisas e, manifesta o desejo de recriar a humanidade pela harmonia social, substituindo o valor de troca pela união dos homens e o universo natural, é um retorno ao mito e a religiosidade.
A crítica romântica à modernidade não contesta o sistema capitalista em sua totalidade, somente os aspectos principais que para os românticos são insuportáveis, entre estes aspectos temos:
O desencantamento do mundo: os românticos recorrem ao místico na tentativa de reencantar o mundo e uma das formas é o retorno às tradições religiosas, porém não é esta a única forma de reencantamento , os românticos recorrem também à “magia, artes exotéricas, feitiçaria, alquimia, astrologia; redescobrem os mitos, pagãos ou cristãos, lendas, contos de fadas, narrativas ‘góticas’; exploram os reinos escondidos dos sonhos e do fantástico” (p. 52), porém a estratégia que ocupa lugar mais importante nesse reencantamento do mundo é o mito, a tentativa de se criar um novo mito, não religioso, profano, mágico.
O segundo aspecto é a crítica quanto a quantificação do mundo: “ a quantificação mercantilista, o envenenamento da vida social pelo dinheiro” (p. 59) os autores citam o romance de Dickens onde o personagem Gradgrind calcula cada milímetro da existência humana, reduzindo tudo a números exclui a beleza, a imaginação e a cor da vida.
A terceira característica é a mecanização do mundo, os românticos revelam-se hostis ao progresso das máquinas e da indústria e a tido que é mecânico e artificial. “A fábrica capitalista aparece-lhes como um lugar infernal e os operários como condenados – não por serem explorados, mas porque [...] são obrigados a acompanhar o movimento mecânico o ritmo uniforme do pistão das máquinas” (p. 63)
A quarta característica é a abstração racionalista: o pensamento racionalizante e quantificador reduz as coisas e o mundo em uma abstração representado essencialmente pelo valor abstrato da troca, porém se trata de uma rejeição da racionalidade, mas da recusa de estender a racionalidade às esferas psíquicas não racionalizáveis.
A quinta e ultima característica é a dissolução dos vínculos sociais, através do modo de viver capitalista que eliminou as relações comunitárias da vida social, deixando o indivíduo isolado em seu egoísmo.
A origem do romantismo se deu primeiramente nos países onde o capitalismo se desenvolveu primeiro, ou seja, na França, na Alemanha e na Inglaterra durante o século XVIII e, nos países periféricos somente a partir dos anos 20 do século XIX, porém “como o capitalismo é sua antítese, também o romantismo fica em gestação durante uma longa duração histórica” (p. 75) e seu surgimento se dá quando são criadas as bases da indústria moderna e se estabelece o domínio do mercado sobre o conjunto da vida social (p. 77), desta forma conclui-se que o modernismo é um fenômeno essencialmente moderno.
Referencia bibliográfica:
LÖWY, Michael. SAYRE, Robert. Revolta e Melancolia: o romantismo na contramão da modernidade. Tradução de João de Freitas Teixeira – Petrópolis, RJ: Vozes, 1995.
A disputa pelo ouro negro
06:54 PM, 12/9/2011
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Marileide Silva Gomes Bacharel em História. Artigo produzido em agosto de 2008. Resumo O território acreano passou a ser ocupado a partir de 1870 por nordestinos que vieram pra cá atraídos pela riqueza que a borracha proporcionava, mas apenas em 1894 foi que a Bolívia ficou sabendo da ocupação, e a partir daí começou a burlar meios de tirar algum proveito das riquezas desse território, primeiro com a criação de um posto aduaneiro, depois com o arrendamento ao Bolivian Syndicate, ao que os brasileiros, que se beneficiavam da produção do látex, reagiram com hostilidades. É nesse contexto que surge a figura de Plácido de Castro a quem a historiografia oficial representa como herói da tão falada revolução. Este artigo faz uma releitura da “Revolução Acreana” e apresenta outras versões que contrapõem a versão oficial defendida por Craveiro Costa que descreve a “revolução” como sendo uma luta patriótica, mostrando que a “Revolução Acreana foi motivada por interesses muito mais pertinentes do que patriotismo, ou seja, interesses econômicos por parte de todos que nela tiveram participação. Palavras-chaves: herói; revolução; patriotismo. CARNEIRO, Eduardo de Araújo. Revolução Acreana: Um Elogio ao Capital. 2005. Disponível em: www.midiaindependente.org/pt/blue/2005/11/336928.shtml. Acesso em: 08/07/2008. SILVA, Francisco Bento da; ALBUQUERQUE, Gérson Rodrigues. História do Acre: O xadrez diplomático e militar do Acre. Disponível em: www.ibmac.com/historia_ac.htm. Acesso em: 13/07/2008. MESSUTTI, Hérnan. Versão Boliviana. A Tribuna, Rio Branco, 14 jan. 2007, p. 04.
Inclusão social: uma análise da educação inclusiva no Centro de Ensino Especial Dom Bosco
02:26 PM, 17/2/2011
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Francisco Jacob Kennedy Dias Mª Francisca Freitas Marileide Silva Gomes Naiara Jacob Silvana Magalhães[1] O trabalho de pesquisa realizado junto ao Centro de Ensino Especial Dom Bosco foi importante para compreender as principais necessidades de pessoas com deficiências mentais, saber como se comportam e aprender a lidar com eles; é essencial para nossa formação como futuros professores. Pois é a partir do contato, da interação com esses educandos, que poderemos romper com nossos preconceitos, superando as barreiras que muitos professores criaram entre si e os alunos com necessidades especiais, pudemos ainda a partir dos dados coletados perceber como funciona a educação especial nos centros especializados, ressaltando seus pontos positivos e pontos negativos. O Objetivo dessa pesquisa foi fazer uma analise da educação especial, observando o atendimento dispensado aos educando com deficiência mental e múltiplas, verificando as condições do ambiente no que diz respeito à acessibilidade, aos aspectos físicos, se os equipamentos disponibilizados são compatíveis se suprem as necessidades das pessoas que freqüentam o centro, e também observar a relação aluno-professor, ressaltando as dificuldades destes no processo de aprendizagem. Para realização da pesquisa foram usados questionários com roteiro de entrevistas semi-abertas, na qual as perguntas são pré-formuladas, no entanto o entrevistador não está preso ao questionário, podendo fazer outros questionamentos que surgirem no decorrer da entrevista. Foram entrevistados dois alunos com doença mental, uma mãe de aluno, duas professoras, uma coordenadora pedagógica e uma pessoa de apoio. Todas as entrevistas foram feitas no Centro de Ensino Especial Dom Bosco, e os entrevistados são alunos, pais de alunos e funcionários do Centro. A Constituição Federal estabelece o direito das pessoas com necessidades especiais receberem educação, preferencialmente, na rede regular de ensino ( inciso III do art. 208 da CF ), visando a plena integração dessas pessoas em todas as áreas da sociedade e o direito à educação, comum a todas as pessoas, através de uma educação inclusiva, em escola de ensino regular. Como forma de assegurar o mais plenamente possível o direito de integração na sociedade. Ao estabelecer preferência, ressalva os casos de excepcionalidade em que as necessidades de atendimento educacional pela avaliação de suas condições pessoais exigem outras formas de atendimento. A forma de organização do atendimento na Educação Especial é ofertada tanto através de educação inclusiva nas classes comuns de ensino regular, como em instituições especializadas e em turma /classe especial de uma unidade escolar. ª: Art. 205. A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho. Art. 206. O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios: I - igualdade de condições para o acesso e permanência na escola; Art. 208. O dever do Estado com a Educação será efetivado mediante a garantia de: III - atendimento educacional especializado aos portadores de deficiência, preferencialmente na rede regular de ensino; (Constituição Federal) Também a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Brasileira garante o direito à educação de pessoas com necessidades educacionais especiais, com seus princípios atendendo o projeto de inclusão social, ou seja, o direito a participação dessas pessoas em sala de ensino regular: TÍTULO III Do Direito à Educação e do Dever de Educar Art. 4º O dever do Estado com educação escolar pública será efetivado mediante a garantia de: I - ensino fundamental, obrigatório e gratuito, inclusive para os que a ele não tiveram acesso na idade própria; II - progressiva extensão da obrigatoriedade e gratuidade ao ensino médio; III - atendimento educacional especializado gratuito aos educandos com necessidades especiais, preferencialmente na rede regular de ensino;(Lei 9.394 de 1996) Temos também o documento da Declaração de Salamanca, que foi um acordo internacional estabelecido entre vários países, comprometendo- se em implantar o projeto político- pedagógico de inclusão social, onde todas as pessoas com alguma necessidade especial pudessem ter acesso, não só a educação, mas a uma vida social normal. O Centro de Ensino Especial Dom Bosco é um local especializado para atender pessoas com deficiência mental e múltiplas. Não se trabalha com série, e sim com salas temáticas (SAT), os alunos passam por avaliação de uma equipe especializada que verifica onde o aluno se adapta melhor, havendo revezamento de atividades para não se tornar cansativo e monótono, o aluno é trocado de sala de duas em duas horas, podendo escolher as salas que deseja freqüentar. No entanto nem sempre eles têm poder de escolha, pois alguns atendimentos são prioritários para os mais novos, principalmente o atendimento relacionado às áreas de saúde, como fisioterapia, e fonoaudiologia. Há atendimentos que são voltados especificamente para crianças que é o caso das salas de estímulo lúdico, intervenção precoce, etc. O centro trabalha também com oficinas que é um aspecto muito interessante, como pudemos observar muitos se interessam em fazer atividades como pintura, artesanato, dança, e isso os torna produtivos e úteis e, também proporciona o desenvolvimento e as habilidades pessoais, além de ocupar o tempo. Quanto à permanência do aluno no Centro, podemos perceber que passam mais tempo lá do que o necessário, a maioria dos alunos não freqüenta a escola regular e, muitos deles passam praticamente o dia todo no centro, de acordo com o levantamento dos dados isso acontece, primeiramente porque de fato a maioria das escolas regulares de Rio Branco não tem condições físicas, nem equipamentos e pessoas especializadas para trabalhar com os alunos especiais e, ainda há certa recusa de gestores e professores em receber esses alunos nas escolas ferindo a legalidade, visto que a CF e à LDB garante o acesso à todas as crianças em idade escolar ao atendimento preferencialmente na escola regular. A comunidade também não ver com bons olhos a inserção de alunos especiais na escola regular, pois eles representam um estorvo, ou seja, atrapalham a aprendizagem dos alunos ditos “normais”. Já no centro eles sentem-se em casa, isso fica evidente no comportamento de muitos deles que demonstram se sentir muito à vontade, e pode também ser percebido pela interação entre alunos, e os laços de amizades que eles têm entre si. Outro motivo para que eles passem o dia no centro é que a maioria das famílias desses educando são de baixa renda, muitas vezes as mães precisam trabalhar e deixam o filho lá porque não tem condições de pagar alguém que cuide deles, há casos em que os próprios pais não sabem como lidar com os filhos, ou mesmo por negligência largam os filhos no centro para se livrar deles. Outro aspecto a ser destacado é que a maioria das pessoas atendidas não sabe ler ou escrever, alguns sabem assinar o nome, e a maioria também nunca freqüentou a escola regular e também não quer ir ou os pais numa atitude de super-proteção não permitem que freqüentem. Existem os casos em que por causa da idade teriam que estudar a noite e isso dificulta ainda mais, porque a maioria toma remédio controlado, e dorme cedo. No que diz respeito ao atendimento voltado a saúde, o centro é muito carente, não dispondo de pessoal especializado necessário para atender a demanda. Os profissionais de que o centro dispõe são: fonoaudiólogo, fisioterapeuta ocupacional, e um médico psiquiatra voluntário, porém como já foi dito não é o suficiente para atender à demanda, ficando assim muitos alunos desassistidos, principalmente os que têm mais de 15 anos de idade. Eles têm direito ao atendimento prioritário na FUNDHACRE e o centro se encarrega de fazer os agendamentos, mas, segundo depoimentos de uma mãe, uma das coisas que deveriam ser melhorada era o atendimento medico na FUNDHACRE, e revelou que o centro teria agendado uma consulta para seu filho em setembro de um ano sendo que ele foi atendido em maio do ano seguinte. A falta de atendimento médico é um dos aspectos mais deficientes do centro, assim como a falta de espaço, de material, equipamentos, cadeiras de rodas e outros recursos para se trabalhar com os alunos. Pudemos perceber que os professores e o pessoal de apoio tem noções dos direitos das pessoas com necessidade educacionais especiais. Sendo que o pessoal de apoio por não serem especializados no assunto fala dos direitos de passe livre, aposentadoria, prioridade na saúde publica entre outros que todo mundo sabe, já os professores conhecem mais a fundo, já que são especializados, referem-se aos aspectos legais referindo-se a leis e decretos e à CF. Os professores do centro têm cursos de especialização em educação inclusiva e defendem que a inclusão não deve se restringir à escola, mas aos outros serviços essenciais, como saúde, moradia, ajuda financeira digna para famílias de baixa renda, devendo a inclusão não se restringir somente às pessoas com necessidades especiais, mas a todos aqueles que de alguma forma se encontrem excluídos não só da escola, mas da sociedade, portanto não só pessoas com deficiências devem ter seus direitos garantidos, todos devem ter direito à cidadania. As condições de acessibilidade do centro são muito precárias, os banheiros não são adaptados como deveriam, as pessoas que tem os movimentos limitados não consegue subir a rampa, ir ao banheiro sozinhas, as salas são quentes, o centro atende mais alunos do que realmente comporta pelo espaço ser muito pequeno. No entanto há certo otimismo por parte dos funcionários em relação à construção de um novo centro que está em fase de execução, acreditam que o novo centro oferecerá melhor acessibilidade tanto arquitetônica quanto de material pedagógico, e que realmente será concretizado o que é garantido por lei, no entanto isso será objeto de estudo de outra pesquisa quando o novo centro for entregue.
Referencias: Lei de Diretrizes e Bases da Educação 9.394/96. Declaração de Salamanca. Constituição Federal de 1988. [1] Este trabalho é resultado de uma pesquisa de acadêmicos do 3º período do curso de Historia Licenciatura da UFAC realizada em junho de 2010. Modernidade na selva
03:03 PM, 15/2/2011
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Marileide Silva Gomes Acadêmica do 8º periodo do curso História Bacharelado da UFAC
A modernidade na floresta foi introduzida a partir do modelo de modernização europeu que assimilava conceitos de higiene e bem-estar, através da idéia de espaço racionalizado foram adotadas medidas saneadoras, com lugares arborizados e iluminados. As primeiras cidades a se modernizarem na Amazônia foram Manaus e Belém, desde o fim do século XVIII Belém viu seus primeiros sinais de urbanização, porém somente nos tempos áureos da borracha é que veio a se modernizar. A população urbana de Belém era formada por colonos portugueses e famílias mestiças, já nos arredores da cidade se localizavam negros e índios, estes últimos eram considerados incivilizados. Até meados do século XIX a cidade de Belém era deserta e rural, e a única diversão para os habitantes era a Igreja, só a partir do comércio da borracha é que Belém e Manaus passaram a ter características de cidade e infra-estrutura, sistema viário, iluminação, pontes canais e barragens, rodovias, igrejas, sistema bancário e cemitérios. O modelo de cidade implantado na Amazônia era copiado da Europa, principalmente de Paris. Em Belém as praças foram ornamentadas, foram plantadas amendoeiras e casuarinas, foi construído o mercado municipal e os edifícios públicos como também serviços telegráficos e, foi construído o Teatro da Paz, Havia vários jornais diários e companhia de bonde na cidade, assim como significativa quantidade de fábricas. Belém era considerada a Liverpool brasileira. No período áureo da borracha a cidade passou a ser habitada por brancos e estrangeiros e demonstrava opulência e riqueza, e os seus governantes se esforçavam pelo seu contínuo embelezamento. Com a imigração dos nordestinos foram surgindo outros núcleos urbanos na bacia Amazônica, e se constituíam em pontos comerciais e sedes administrativas de seringais. Manaus passou por uma significativa transformação nos tempos de grande produção de borracha. Depois de um século do seu surgimento, Manaus era um vilarejo com 300 habitantes, em sua maioria índios, a cidade era entrecortada por igarapés com casas cobertas de folhas de palmeiras e paredes de pau-a-pique com barro, os habitantes viviam da pesca e coleta de frutos, a principal economia era as drogas do sertão até se transformar em capital da borracha, antes disso os povos dali viviam de forma primitiva separados por etnias. Quando a produção da borracha amazônica passou a ter importância no mercado internacional, Manaus teve que se adequar ao modelo estabelecido para as grandes cidades, o que causou uma mudança drástica no modo de vida dos povos que ali se encontravam. Neste período Manaus recebe um sistema portuário moderno e água encanada, assim como luz elétrica e coleta de lixo, serviço telefônico e telegráfico. Foram construídos os prédios públicos e o Teatro Amazonas. Foram projetadas avenidas e boulevards, praças e jardins, estátuas e chafarizes foram trazidos da Europa, foram aterrados diversos igarapés e nos maiores foram construídos pontes de ferro e pedra, porém essa urbanização e a concentração da riqueza se restringiam às áreas centrais. À margem de tudo isso em condições miseráveis se encontrava imigrantes nordestinos, índios e negros, pois para eles a modernidade não se fez presente e, da beira dos lagos o tapuia ouvia a champanha estourar nos cabarés de Manaus e Belém, no entanto com o declínio da economia gomífera declina também a modernidade na selva. Houve várias tentativas de colonização da Amazônia no fim do século XIX, porém todas foram fracassadas até chegar-se a conclusão que a região era imprópria e inabitável. Em 1872 iniciou a primeira tentativa de construção da estrada de ferro Madeira-Mamoré, porém a Companhia rompeu o contrato devido às condições inóspitas da região e os constantes ataques indígenas aos trabalhadores. Em 1879 houve outra tentativa, porém chegou ao fim com o naufrágio de um navio norte americano, só depois de assinado o Tratado de Petrópolis é que a construção da ferrovia veio a ser retomada, e seu marco inicial foi o lugar onde se formou a cidade de Porto Velho, as primeiras instalações foram as da empresa responsável pela construção da ferrovia. Os trabalhadores encontraram ali um espaço completamente insalubre e houve um enorme índice de mortalidade, ocorridos por moléstias tropicais. O médico Oswaldo Cruz apresentou um relatório onde propunha sanear o lugar, introduzindo técnicas de higiene e salubridade. O término da construção da madeira-Mamoré terminou juntamente com o declínio do comercio da borracha brasileira. Outra modelo de modernidade na selva foi a implantação da Fordlândia, por uma concessão feita a Henry Ford que levantou no meio da selva uma cidade empresarial e para o seu funcionamento foram arregimentados trabalhadores de vários lugares, esses trabalhadores eram submetidos a um sistema rigoroso de organização do trabalho onde o tempo era racionalizado. Era proibido transgredir a moral e os bons costumes. Pessoas acostumadas com o tempo natural passaram a ser controladas pelo relógio e, isso pode ser visto como uma agressão à cultura local. Outro aspecto da modernidade é a introdução da moeda, os povos da Amazônia usavam até então o sistema de aviamento. A cidade empresa de Ford possuía área urbana e moderna assepsia, pulverização contra insetos e pragas. O pessoal técnico-administrativo eram separados dos outros trabalhadores formando uma segregação. Os índios foram excluídos do recrutamento para o trabalho na Fordlândia, em parte pelo preconceito, em parte pela dificuldade do índio em se adequar ao trabalho assalariado e ao ritmo de trabalho. Esse tipo de divisão do trabalho alterou o modo de vida dos povos da Amazônia, os posseiros foram pressionados a sair de suas terras e outros puderam ficar para formar estoque de mão-de-obra. Apesar de tudo isso a cidade empresa na Amazônia estava fadada ao fracasso. É interessante observar qual foi e para quem foi essa modernidade implantada na Amazônia, e quais foram os segmentos sociais que tiveram acesso a ela. A Amazônia adota como moderno o modelo urbanístico europeu, por outro lado foram desprezados os costumes e a cultura dos povos nativos que se viram excluídos do progresso que chegou com o comércio da borracha. Se por um lado a cidade representava riquezas e opulência, por outro lado existia um enorme contingente de miseráveis vivendo em condições subumanas. O progresso também pode ser visto como uma forma de segregação, que estabelece o feio e o bonito, o moderno e o atrasado e, afasta as pessoas que não podem se adequar ao modelo de modernidade estabelecido. O progresso invade comunidades inteiras no meio da floresta, alterando o cotidiano, o modo de viver e de pensar introduzindo novos costumes e crenças sem nenhum respeito à sua cultura, como mostra o documentário Areal[1], a vida dos habitantes de uma pequena comunidade quilombola é alterada pela construção de uma ponte que propicia a exploração das riquezas naturais do lugar e traz acesso rápido a capital do Pará trazendo riscos ao meio ambiente, destrói o misticismo e o encantamento, assim como suas religiões tradicionais e seus costumes, impõe o cristianismo como religião alterando definitivamente a vida dessas pessoas. O desenvolvimento para a Amazônia sempre foi planejado e implantado de forma violenta para com as populações locais e os imigrantes, principalmente nordestinos. O período da ditadura militar demonstra bem esse processo de integração da Amazônia ao mercado internacional, tanto a colonização quanto a mineração só beneficiaram os grandes grupos que contavam com incentivos fiscais por parte do governo e permissão de explorar as riquezas naturais da região, porém os povos amazônicos continuam empobrecidos e surrupiados por grupos econômicos que enriquecem com a exploração das nossas riquezas. Referências bibliográficas: MARTINS, Edilson. A Amazônia a Ultima Fronteira. Editora Codecri, 1981. VICENTINI, Yara. Cidade e História na Amazônia. Tese doutorado defendida 1994 e publicada pela editora da UFPR. Documentário Areal de Sebastián Sepúlveda. Educação à serviço do neoliberalismo
12:49 PM, 15/2/2011
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Marileide Silva Gomes Acadêmica do 8º periodo do curso História Bacharelado da UFAC Resumo: Este artigo traz uma breve analise da LDB, ressaltando seu caráter neoliberal através de apontamentos no texto da lei, que a “olhos nus” esconde sua verdadeira finalidade, porém numa leitura mais minuciosa é possível identificar que a LDB foi reformulada porque não era mais condizente com a fase atual do capitalismo. Palavras-chaves: educação; economia; mercado de trabalho. Esse artigo pretende analisar os quatro primeiros títulos da LDB, explicitando seus princípios neoliberais, pois se trata de uma lei minimalista, que não estabelece claramente seus objetivos. O título I fala da abrangência da educação, estendendo-a a todos os âmbitos da vida social, porém no parágrafo 1º a lei já começa por refutar o conteúdo do Art. 1º restringindo a educação somente a escola, e no parágrafo segundo ela é vinculada ao trabalho e a prática social. A educação tem como função promover a empregabilidade e a competição, ou seja, preparar o indivíduo para o mercado de trabalho, o que não significa inseri-lo. O Título II é praticamente idêntico aos artigos 205 e 206 da Constituição Federal de 88, porém a LDB inverte a ordem dos termos, o que num primeiro momento parece não alterar o seu sentido, porém numa leitura mais atenta percebe-se que foram alterados propositadamente. Na CF a educação é primeiramente dever do Estado e só depois deste é que vem a família, no texto da LDB a família vem em primeiro lugar, ou seja, a responsabilidade do Estado com a educação passa para segundo plano. Outro exemplo é a questão da valorização do profissional em educação, que na CF garantia planos de carreira para o magistério e, piso salarial, na LDB isto foi reduzido para “valorização do profissional da educação escolar”. (Art. 3º inciso VII da LDB) No Titulo dois se estabelecem os princípios e fins da educação, porém os objetivos não ficam claros, por esse motivo se trata de uma lei minimalista, a educação tem como dever preparar o indivíduo para o mercado de trabalho, porém há um jogo retórico que divide os objetivos em reais e proclamados, que muitas vezes se opõem, esta é exatamente a forma de atuação da ideologia neoliberal, onde se proclama uma coisa apenas para convencimento da sociedade criando meios para realizar somente o que for do interesse de grupos privilegiados, fica evidente que há um espaço muito grande entre o que se fala e o que se pretende, isso é uma das manobras usadas na LDB. O texto da LDB à serviço do neoliberalismo procura mascarar a finalidade, mudando conceitos tais como, promover a cidadania para os neoliberais nada mais é do que inserir o indivíduo no mundo do consumo, ensinando-o a consumir e desta forma estará interagindo na economia, da mesma forma quando a Lei fala em qualificação profissional está se referindo a adaptação do ou preparação do ser humano para as mais diversas ocupações ou cargos exigidos pelo mercado globalizado. Percebe-se que a LDB inverte os princípios da Constituição Federal para garantir a divisão de classes e o bom desempenho da política neoliberal. O título III trata dos direitos e deveres da educação e, segue quase que fielmente o texto a CF, porém evita explicitá-los e procura restringi-los, como no caso da gratuidade do ensino que no texto da LDB refere apenas ao ensino fundamental como direito público subjetivo, ou seja, universal. Isso tira a responsabilidade do Estado sobre outros níveis de ensino que poderão ser alcançados “segundo a capacidade de cada um” (Art. 4º inciso V da LDB). Nesse caso o Estado se omite do dever de oferecer os níveis mais elevados de ensino, deixando essa responsabilidade para o individuo que deverá alcançar os outros níveis através da competição ou, simplesmente desistir de atingi-los por falta de capacidade individual, que podem ser tanto financeiras quanto emotivas, física, psicológica, etc. Outro aspecto relevante para nossa análise ainda no capítulo III no inciso III do Art. 4º que fala da educação especial, na lei é explicitado apenas a gratuidade do ensino especial, porém não cita a obrigatoriedade, outra vez o Estado se isenta da responsabilidade de oferecer o ensino gratuitamente. O Título IV trata da organização da educação nacional estabelecendo normas que direcionam o sistema nacional de educação. Um ponto interessante desse título é a fragmentação dos recursos destinados a educação passando do macro para um micro espaço, ou seja, os deveres são divididos começando pela união e indo até a escola, as verbas também são enviadas às escolas, o que causa uma constante competição entre as mesmas, pois com o controle de qualidade estabelecido, a escola que apresentar melhores resultados será a que receberá mais recursos, isso dá à escola um caráter empresarial colocando a educação como uma mercadoria, desafiando a capacidade gerencial dos gestores. Essa competição fica ainda mais acirrada com a política de prêmios e castigos, que “presenteia as escolas” pelo seu desempenho. Em suma, esse é o modelo de sociedade que temos que desvaloriza o ser humano, faz as leis para atender aos interesses de uma minoria, sem levar em conta os problemas sociais realmente relevantes de nossa nação, opondo o homem à sociedade e ao trabalho e, a educação é só mais arma a serviço da burguesia. Referências bibliográficas: Lei nº 9.9394/96 (nova LDB) de 20 de dezembro de 1996. SAVIANI, Dermeval. A Nova Lei da Educação (LDB): Trajetórias, Limites e Perspectivas. Editora Autores Associados, 2005. SAVIANI, Dermeval. Da Nova LDB ao Fundeb: por Uma Outra Política Educacional. Editora Autores Associados. 2 ed, 2008. Política educacional e LDB: algumas reflexões . 1997. Disponível em: < http://www.milenio.com.br/ifil/Biblioteca/zanetti.htm >.
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