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Postado em 20/5/2010 em 03:10 PM - 0 Comentários - Link


Os Fenômenos Espirita e a Doutrina

Postado em 20/5/2010 em 02:55 PM - 0 Comentários - Link

OS FENÔMENOS ESPÍRITAS E A DOUTRINA

 

 

 

Espiritista, não poderiam encontrá-lo indiferente. Foi um dos primeiros a se interessar, vivamente, por essas inquietantes questões; e, quando Allan Kardec começou a publicação da “Revue Spirite” e de suas obras, e quando inicia as suas sessões de estudos e de experimentações, ele não tardou em contar com Leymarie no número de seus mais ardentes discípulos.

 

Sob a direção do Mestre os médiuns se desenvolvem e, em dada ocasião, da qual a história do Espiritismo registrará e conservará fielmente a lembrança, três jovens, ainda obscuros e desconhecidos, três médiuns sentados à mesma mesa e voltados – fato estranho e novo que dera causa a zombarias - para essas experiências, contudo tão antigas, da telegrafia misteriosa entre dois mundos, o mundo dos Espíritos e o nosso. Estes três experimentadores, cujos destinos seriam diversos, mas iguais no devotamente, na fidelidade e nos serviços prestados à Doutrina, eram Camille Flammarion, Victorien Sardou e Pierre-Gaëtan Leymarie.

 

Antes de desencarnar, Allan Kardec, para assegurar o desenvolvimento regular e continuo do Espiritismo havia fundado uma sociedade anônima e de capital variável à qual destinou os seus bens; Monsieur Leymarie tornou-se um dos primeiros membros, e dois anos após a morte do Mestre, foi nomeado administrador ao mesmo tempo em que passou a redator - chefe e diretor da “Revue-Spirite”.

 

Durante trinta anos, o que quer dizer durante o longo e difícil período em que o Espiritismo foi quase continuamente alvo de todas as zombarias, e de todos os ataques, Leymarie esteve presente, batalhando sem cessar através da palavra e da pena, oferecendo na “Revue”um terreno livre aos batalhadores de todas as nuanças, para que defendessem uma causa espiritualista ou de ordem essencialmente humanitária e moral, expondo-se, assim, às críticas acirradas de uns, às reprovações ou ao descontentamento de outros. Todavia, Leymarie, jamais perdeu de vista a divisa do mestre: “Hors la charité pas de salut” (Fora da caridade não há salvação), e baniu de todas as discussões as ofensas pessoais e todas as questões irritantes.

 

No começo, Leymarie considera que, para a difusão desta luz que é o Espiritismo, é necessário preparar os espíritas, instruí-los e esclarecê-los.

 

E quando seu amigo, Jean Macé, expõe o projeto de fundar a liga de ensino, Leymarie se oferece, com entusiasmo, secundá-lo, e, com Mme.

Marina Duclos Leymarie, a sua devotada esposa, companheira e colaboradora, que contribuiu, para essa criação, não somente com o seu concurso ativo e pessoal mas também com a sua casa da rua Vivienne, de sorte que se pode, justamente, dizer que a casa de Monsieur Leymarie foi o berço da “Liga de Ensino”, da qual o espírita Emmanuel Vauchez seria, no futuro, o Secretário Geral.

 

As questões de ensino se sucedem, nas preocupações de Leymarie, às questões sociais.

 

Assim, nas páginas de “Revue”, como nas numerosas e eloqüentes conferências, ele se aplica em revelar a existência e o funcionamento deste estabelecimento, conhecido no estrangeiro, mas quase ignorado em França – le Familistére de Guise, no qual são praticados, por seu ilustre fundador, J.B.Godin, de uma maneira feliz e larga, os princípios da associação do Capital e do Trabalho. Leymarie se associa com o Sr.Godin, e enquanto propaga os escritos, não negligencia os interesses propriamente ditos da Doutrina.

 

Divulga as experiências de William Crookes e assinala os primeiros ensaios de fotografia espírita. Ele mesmo faz experiências com um médium-fotógrafo e obtém uma série de manifestações reais as quais publica na “Revue”. Mas chega o momento em que foi iludido na sua boa-fé.

O PROCESSO DOS ESPÍRITAS

 

 

O fotógrafo Édouard Buguet, fazendo uso de meios fraudulentos na obtenção de fotografias de Espíritos, é processado pelo Ministério Público.

 

Os inimigos do Espiritismo, à espreita de tudo que pudesse entravar o movimento ascendente da Doutrina, aproveitam-se, com empenho, da ocasião de um processo, para dar ao Espiritismo, um grande golpe e acabá-lo com a possante arma do ridículo. E de fato, foi menos um processo contra as fotografias que mesmo contra os espíritas.

 

A 16 de Junho de 1875, Leymarie e Alfred E. Firmam foram também envolvidos no processo, em virtude dos laços de amizade que mantinham com Édouard Buguet, e, assim, julgados coniventes na fraude.

 

Depoimentos falsos, inclusive do próprio Édouard Buguet, originaram a condenação dos três. Recorrendo-se, então, para instâncias superiores. Édouard Buguet e Alfred E. Firmam conseguiram a liberdade. O primeiro passando para a Bélgica, e o segundo graças  a influências de altas autoridades. Leymarie por sua vez, preparou notável “Memória” à Corte Suprema, protestando, perante sua consciência e seus filhos, sua inocência e mostrando-se confiante nas decisões daquele alto tribunal.

 

Édouard Buguet traído pelo remorso escreve ao Ministro da Justiça que Leymarie é inteiramente inocente. Que, embora muitas das fotografias fossem reais, devido ao desconhecimento que tinha da Doutrina Espírita, praticava a fraude quando não as conseguia com a sua mediunidade. Na carta ele assevera: “Lastimo, pois, haver dito, na minha fraqueza, o contrário da pura verdade, renunciando eu a minha mediunidade, peço perdão a Deus por este ato que deploro, pois ele serviu para incriminar um homem estimável, cuja boa fé se tornou suspeita com minhas afirmações”.

 

Apesar das cartas de solidariedade vindas das mais diferentes partes do mundo, inclusive do Brasil, Leymarie foi condenado a um ano de prisão celular.

 

Um pouco mais tarde, anulada a sentença condenatória, o incansável discípulo de Kardec retomava a administração e direção da “Societé” e da “Revue Spirite”.

 

 

LEYMARIE RETORNA À LUTA

 

Em 1878, Leymarie organiza também a “Sociedade Científica de Estudos Psicológicos”, congregando, em torno dela, homens respeitáveis, para o estudo e experimentações em torno da mediunidade e do magnetismo animal, e análise das obras de Cahagnet e da doutrina de Swedenborg e outras pertinentes a outras idéias.

 

As obras de Kardec são traduzidas, por iniciativa  de Leymarie, para todas as línguas do mundo civilizado; conferências são programadas; Leymarie visita outros países, e percorre cidades da Bélgica, da Itália e da Espanha, propagando os postulados doutrinários do Espiritismo.

 

Leymarie esteve presente no I Congresso Espírita de Bruxelas; em 1888 participou do Congresso Espírita de Barcelona, tendo sido escolhido para uma das presidências. No decurso deste Congresso foi lida uma belíssima moção de gratidão enviada da prisão de Tarragona, por um grupo de condenados a trabalhos forçados, convertidos à fé espírita.

 

Em 1889, Leymarie organizou o I Congresso Espírita na França, esquivando-se de cargos, mas, por insistência, acaba aceitando o de uma das vices-presidências.

 

A administração da Sociedade se torna mais exigente, com a liberalidade de um dos seus membros, o Sr. Guérin. Ele, tal como procedera Allan Kardec, antes do seu desencarne, tomou todas as providências para assegurar o benefício de seus bens à Sociedade, o que vem suscitar, logo a seguir, uma disputa com os herdeiros. Os processos passam a se suceder e, quando acreditava ter chegado ao fim, os herdeiros de Allan Kardec, apoiados no processo dos herdeiros de Guérin, fazem sua reivindicação, e a desenvolvem, até que, apesar de uma resistência vigorosa, a sociedade, representada e administrada por Leymarie, sucumbe.