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Blog do Lúcio Saretta

Uma noite de gala

Posted on 12/3/2009 at 10:01 PM

Uma noite de gala

Dizem que a primeira vez a gente não esquece. Pois bem. Como bom interiorano, vim a conhecer o estádio Beira-Rio na ocasião em que o Inter encontrava-se empenhado em uma árdua batalha pela Libertadores de 1989. Não seria uma noite qualquer. Levado por meu tio, camisa de flanela xadrez sobre uma camiseta preta de banda de heavy metal, ao vislumbrar a imponência do tapete verde fui tomado por um nobre sentimento. Uma mistura de júbilo e assombro. Naquela agradável noite outonal, o céu escuro e límpido, de tempo firme, quente até, seria um contraste perfeito para a atuação do time.

O Gigante da Beira-Rio. Um sonho incrível, que teve em José Pinheiro Borda um de seus principais e abnegados idealizadores. Quando em julho de 63 esse português lançava a pedra fundamental do estádio, a sua concretização era uma incógnita. Muitos zombaram, dizendo que ao invés de cadeiras seriam vendidas “bóias cativas”, apenas porque a obra estaria às margens do rio Guaíba. Pinheiro Borda faleceu sem ver o seu intuito realizado. Porém, o seu espírito guerreiro, tenaz e empreendedor vive presente, acompanhando os passos da instituição colorada.

Mesmo sem saber desta bonita história, lá estava eu, analisando a escalação do Inter. O jovem técnico Abel Braga mandou a campo: Taffarel, Luis Carlos Winck, Aguirregaray, Norton e Casemiro; Norberto, Luis Carlos Martins e Luis Fernando; Heider, Nilson e Edu. O adversário desta fase de oitavas de final seria o Peñarol. Nem o mais otimista torcedor poderia prever o massacre que aconteceria dentro do retângulo de jogo.  Logo aos sete minutos Nilson abre os trabalhos. Paulista de Santa Rita do Passa Quatro, o esguio centroavante vivia uma fase exuberante. Após ter castigado o goleiro Mazaropi duas vezes no chamado “Gre-Nal do século” alguns dias antes, seu prestígio era evidente. Ainda no primeiro tempo ele faz mais um e, para surpresa geral, o cabeludo zagueiro Norton anotou duas vezes. Seu companheiro de defesa era Oscar Aguirregaray, um ex-jogador do próprio Peñarol, assim como Diego Aguirre, outro uruguaio a envergar a jaqueta escarlate naqueles tempos. Opção ofensiva do técnico Abel, Diego era uma espécie de reserva de luxo. Revelado pelo pequeno Liverpool, um time da segunda divisão do país oriental, passou ao Peñarol, onde  foi forjado para ser o sucessor de Fernando “el potrillo” Morena. Ele recorda: “pesaba 500 kilos esa camiseta, porque era mucha historia”.  Pela mão do técnico Máspoli, lendário goleiro da celeste na Copa de 50, o jovem atacante foi ganhando confiança e quedou gravado nos anais ao marcar o gol do título da Libertadores de 87, quando o Peñarol derrotou o America de Cali. No meu primeiro jogo no Beira-Rio, Diego participou entrando no lugar de Edu Lima.

O baile seguiu na etapa final, quando Heider deixou sua marca em duas oportunidades. Taffarel não teve muito trabalho, sempre bem protegido pela zaga. O único motivo de preocupação naquele quadro do Peñarol era Carlos “el pato” Aguilera. Baixinho, escorregadio, espécie de Romário castelhano, Aguilera cumpria uma breve passagem pelo clube ouro e negro de Montevideo. Seu futuro repousava no Genoa da Itália. Lá atuaria ao lado de seus conterrâneos Perdomo e Ruben Paz, antigo ídolo colorado, sob a batuta do impagável técnico Franco Scoglio.  Atacante valoroso e matador, “el pato” havia causado problemas ao Brasil na Copa América de 83, quando venceu o arqueiro Leão em jogo no estádio da Fonte Nova. Contra o Inter, Aguilera também deixou sua marca, credenciando-se para ser o artilheiro daquela Libertadores com 10 gols.  Mas a partida já estava decidida. O Peñarol ficou com nove jogadores e o placar final foi um catedrático 6 a 2 a favor das hostes rubras.

Debutando no gigante, não percebi de imediato o momento ímpar que eu estava presenciando. Inconscientemente eu dera um tremendo “pé quente”. Porém, demoraria algum tempo para que eu voltasse a pisar o concreto do Beira-Rio. O sonho de conquistar aquela Libertadores se desvaneceria dramaticamente em uma decisão por pênaltis contra o Olímpia. Como bem disse Cícero: “o tempo derruba as ilusões da opinião, mas estabelece as decisões da natureza”. A façanha seria alcançada dezessete anos depois, sob o comando do mesmíssimo técnico Abel. E o jogo contra o Peñarol permanece como uma bela recordação da minha mocidade.

 

JOGAÇO

Posted on 6/4/2009 at 10:17 PM by Anonymous
Esse jogo eu me lembro como fosse ontem. Que jogo fez o colorado. 6 no Penarol não era e não é qualquer time q bota. Bela lembrança do nosso querido FISHMAN. Abraço Saretta do teu amigo e admirador FRIZZO!

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