Didi e o Pelé branco
Didi e o Pelé Branco
Olá, pessoas. Hoje quero falar um pouco sobre uma das glórias do futebol brasileiro. O jogador por excelência, o craque sem nenhuma sombra de dúvida que “jogava futebol como quem chupa uma laranja”, nas palavras de Neném Prancha. Nascido Valdir Pereira, jogou nos modestos Americano e Madureira antes de chegar em um clube grande, no caso o Fluminense. Lá, ganhou seu primeiro título em 1951, integrando um ataque célebre que tinha: Telê, Orlando Pingo D’ Ouro, Carlyle, Didi e Joel. Embora alguns digam que o ídolo da torcida tricolor era o goleiro Castilho, é óbvio que o grande organizador daquele time era o Didi. E aqui não quero me estender quanto às suas qualidades técnicas, pois isso seria chover no molhado. Em 1956, graças à astúcia de João Saldanha, o Botafogo compra Didi. Talvez sejam dessa época as recordações mais intensas e românticas do seu futebol. Campeão em 1957, 61 e 62, nesse time não teve muito trabalho. Era só lançar a bola no vazio do setor direito de ataque alvinegro que o ponteiro Garrincha resolvia. E como ele lançava!
Após pendurar as chuteiras, Didi tornou-se técnico. Na Seleção Peruana conseguiu a façanha de levar o time à Copa do México em 70, eliminando a poderosa Argentina. Era um belo time: Rubiños no gol, Chumpitaz na zaga, Mifflin, que depois jogou no Santos, no meio campo, Cubillas e Gallardo no ataque, entre outros. Mesmo estando na chave da Alemanha, Didi levou o Peru às quartas de final, após vencer Bulgária e Marrocos. Só que aí pegou a Seleção Brasileira que, como sabemos, não estava para pouca coisa. Porém, o fato de ter eliminado a Argentina da Copa não passou despercebido. Tanto é que após a aventura mexicana, Didi assume o River Plate, paradigma do jeito argentino de jogar futebol. O clube da banda roja vinha sem ganhar títulos desde 1957 e só sairia da fila alguns anos mais tarde, em 1975. Uma seca semelhante àquelas vividas por Corinthians e Botafogo. A torcida tinha poucas alegrias. Uma delas foi a vitória em um Superclásico de 1971, onde Didi, utilizando jogadores das categorias de base, venceu um Boca Juniors repleto de profissionais experientes como Marzolini, Rogel, Ponce e Pianetti.
Outro grande mérito de Didi foi ter lançado no time principal o imberbe Norberto Osvaldo Alonso. “Beto” Alonso foi a grande figura do River depois de Labruña e antes de Francescoli. Um jogador colossal que, assim como Didi, gostava de jogar bonito. Certa vez, após driblar o goleiro Santoro do Independiente sem tocar na bola, recebeu da imprensa esportiva Argentina o apelido de “Pelé Branco”. É que o lance fora parecido com aquele protagonizado pelo Rei na Copa de 70, no qual ele deixa sem pai nem mãe o goleiro uruguaio Mazurkiewicz. A diferença é que, no caso de Beto Alonso, a jogada termina em gol. Quando vence o Metropolitano de 1975, dando fim ao jejum de títulos, o meio campo do River era Juan José Lopez, Reinaldo “Mostaza” Merlo e Beto Alonso. Apenas Merlo não fora lançado por Didi, que com as suas preleções e a sua tarimba era adorado pelos jogadores, ensinando como bater na bola e revelando os segredos da sua “folha seca”. Nas palavras de JJ López: “Las charlas técnicas con Didi no tenían desperdício. Era un lírico, insistía en la creación del jugador”.
Infelizmente, futebol é resultado, e apesar de algumas vitórias, especialmente contra o Boca, em 1972, Didi vai embora. Mesmo que essa sua passagem pelo River seja pouco discutida aqui no Brasil, o fato é que foi ele o responsável pelo lançamento de um grande no mundo do futebol. Pergunte a qualquer torcedor argentino.