Flipoços 2013
Postado em 1/5/2013 at 12:50 PM
Amigos!
Foi uma enorme satisfação participar da VIII Flipoços, no dia 27 de abril, debatendo sobre literatura e futebol com o colega Marcos Eduardo Neves.
Meus sinceros agradecimentos à Gisele e equipe pela acolhida na bela Poços de Caldas.
Espero ter colaborado na promoção da cultura e dos livros em vossa cidade.
Valeu!



Órbita Literária - 08.04.2013
Postado em 10/4/2013 at 08:29 PM
Olá, amigos!
Tive o prazer de participar do encontro Órbita Literária na última segunda-feira, falando um pouco sobre grandes escritores e o esporte.
Foi muito legal ver que o assunto despertou o interesse de tanta gente atenta ao mundo da literatura na cidade.
Um forte abraço e até a próxima!



O maravilhoso mundo do esporte
Postado em 24/3/2013 at 02:11 PM
Ainda bem que existe o maravilhoso mundo do esporte
Só assim eu posso viajar nas asas da bola de basquete
Que voa rodopiando rumo ao arco
Com a leveza das velas de um barco
Ainda bem que existe o maravilhoso mundo do esporte
Onde a proeza é competir
Sem ter vergonha de perder
Ou o capricho inútil do poder
Um universo diferente e mágico
Onde o pobre pode ser feliz
E, em um carnaval de sonho e fantasia
Correr e saltar com maestria
Na poesia do arremesso
Da atleta de beleza felina
Eu posso viajar para além do horizonte
Com a rapidez do dardo distante
Ainda bem que existe o maravilhoso mundo do esporte
Onde o surfista intrépido e sagaz
Deixa a plateia em total apreensão
Galgando as ondas como um pequeno tubarão
Entre as cordas de um ringue
Os nobres pugilistas trocam golpes
E quando soa o gongo fatal
Abraçam como amigo o rival
E o que seria de mim?
Se não fossem as tardes de domingo
Quando o rádio transmite o futebol
Em uma folia de gols e raios de sol
Ainda bem que existe o maravilhoso mundo do esporte
Onde a alegria domina a tristeza
E as lágrimas da derrota, sem embargo
São como um bom remédio amargo
Ainda bem que existe o maravilhoso mundo do esporte
Pois sem ele a vida não teria sentido
E os homens forjados no saudável combate
Seriam meros loucos vagando em disparate
A corredora
Postado em 17/2/2013 at 10:25 AM
Estou sozinho. Do alto da sacada, contemplo o céu que se mistura com a linha azul do mar. As ondas rolam suaves, silenciosas e distantes, uma após a outra, sem parar. Sem parar nunca. Um aparelho sobrevoa a praia. Parece um paraquedas se locomovendo na horizontal, com sua lona colorida e uma hélice presa atrás do homem que ali está. O estranho objeto surge de mansinho, aumentando a sensação de devaneio e torpor. Tudo é tão lânguido e preguiçoso, que eu até chego a sonhar acordado, preso confortavelmente dentro dessa paisagem. Olho para o outro lado e vejo a silhueta de uma montanha ao longe. Sua ponta é aguda, reta como se feita com uma régua. Mas é só um vulto, uma espécie de miragem entre as nuvens de calor que flutuam naquela direção. Ainda assim, sua majestade é real, feita de matas escuras e impenetráveis.
Estou escorado na sacada, vigiando as pessoas que vem e vão. Elas caminham pela calçada, com a carne salgada à mostra. O jovem casal transita impávido, repleto de lindas promessas de felicidade, ele carregando as cadeiras, ela a cuia de chimarrão. A velha senhora de maiô, óculos escuros e chapéu de palha, conduz gentilmente os cachorrinhos peludos, brancos como a neve. As mulheres do apartamento térreo chegam fazendo algazarra. E, fumando, discutem quem vai antes para o banho. Um surfista, um pescador barbudo, um bando de guris com uma bola. Personagens que viram quadros de uma exposição ambulante, como passistas de um mórbido desfile.
Sem pedir licença, sutilmente entra em cena uma curiosa criatura. Tinha a leveza de uma borboleta no andar, e seu corpo frágil era o reduto de uma beleza avassaladora e cruel. Pairava sobre a alameda, antes de correr como faria supor sua roupa de atleta. Eram movimentos macios, ímpetos de débil energia produzindo o suor que escorria em seu rosto de traços fortes, o cabelo preto preso em um rabo-de-cavalo balançando no ar, e descia pelo seu peito de contornos sublimes. Mergulhei fundo naquela visão, capturado pelo canto da sereia do asfalto. Embora absorta em seu exercício, a sílfide selvagem intuiu que alguém a observava. Foi então que pude ver seus olhos negros, profundos e misteriosos. Por um breve momento, o mundo reduziu-se a uma praia deserta, onde nos perdíamos.
Enquanto eu despertava do agradável e inútil frenesi, a corredora seguiu seu rumo, até desaparecer totalmente. A brisa quente do mar agitava ainda a copa das árvores, trazendo consigo as horas vazias de mais uma tarde de verão.
Histeria na capela
Postado em 22/1/2013 at 10:14 PM
A igreja do bairro Pio X tem muitas histórias para contar. Foi lá, inclusive, que eu fui batizado. O prédio de tijolo laranja ocupa uma quadra inteira da cidade, em formato triangular, e tem, além da capela, uma quadra coberta de esporte, com canchas de futebol, bocha e um bar. Estacionei meu bólido azul-marinho na parte dos fundos do prédio, atrás de um caminhão que descarregava a parafernália da orquestra sinfônica. A porta de alumínio com vitrais coloridos dava direto na cancha, com pesadas cortinas recolhidas que permitiam passagem, mas encobriam um pouco a entrada do sol e do calor inclemente do fim de tarde. Enquanto contornava o retângulo de jogo, observava as figuras curiosas que batiam bola sobre o piso de parquê marrom. Um cara cabeludo, de canelas finas e usando meias soquete, buscava alguém para tocar a pelota. Participava da ação também um senhor baixinho e gordo, dono de parcos cabelos grisalhos e braços enrugados. Fui tomado pelo sentimento alegre que o esporte traz, sentindo-me cúmplice daqueles guerreiros diletantes, adultos transformados em criança, autores de gols e dribles nem sempre admiráveis. Um balé de corpos flácidos e decadentes ocorria ante meus olhos, estarrecedor e magnífico, como uma sinfonia clássica de outrora.
Caminhei mais alguns metros, até entrar na capela. Fiz o sinal da cruz, algo recomendável nessas ocasiões, e, após passar pelo confessionário, acomodei-me em um dos compridos bancos de madeira. O amplo espaço da nave ia sendo aos poucos tomado pela multidão, ansiosa em absorver os acordes da orquestra. Ao meu lado, uma simpática velhinha perscrutava o ambiente, acompanhada de uma senhora mais nova, provavelmente sua filha. Do meu outro lado, sentou-se um sujeito com sua mulher. O ânimo da turba passou da espera excitante ao júbilo, assim que soaram os primeiros acordes da ópera “O Guarani”, de Carlos Gomes. Das mãos do maestro Manfredo Schmiedt e dos músicos foi ganhando vida a melodia, brindando a paróquia e seus fiéis com ímpeto e beleza. O som das dezenas de violinos, violoncelos, fagotes e trompas preenchia o recinto, aquecendo almas e corações.
Entretanto, à medida em que o programa avançava, com obras de Grieg e Puccini, o sujeito do meu lado foi ficando cada vez mais irriquieto. Incapaz de controlar a sua ansiedade, o pobre homem padecia de um sofrimento evidente, invariavelmente bufando e agitando, de maneira ruidosa, o “folder” distribuído pela organização do evento. No momento em que a orquestra executou uma das Bachianas de Villa-Lobos, pensei que o sujeito fosse morder os próprios dedos, babando ensandecido como um lunático. Quando ele começou a bater os pés no ritmo da música, fiquei em dúvida. Não sabia se tratava-se de um completo imbecil, além de pouco educado, ou de uma espécie de artista reprimido externando seus sentimentos mais profundos. De qualquer maneira, senti que o concerto estava sendo uma pequena tortura para meu vizinho de assento, e que ele talvez não aguentasse a situação por muito tempo.
Obviamente, a música clássica não é algo de fácil digestão. Às vezes, até, tem passagens compostas justamente para incomodar o ouvinte, de acordo com as intenções e manias do seu compositor. Entendi e até tive pena do cara a meu lado, provavelmente um frequentador assíduo da missa das seis horas sem nenhuma ligação com Mozart, Bach ou qualquer outro gênio das partituras, também eles lunáticos a seu modo, vivendo em mundos paralelos, imaginando novas melodias e andamentos para suas sonatas.
Quando terminou o concerto, após a longa salva de palmas ter sido extinta, arrisquei uma olhada para o lado. Previsivelmente o lugar estava vazio. Não pude deixar de imaginar um sorriso de alívio no canto da boca do sujeito, feliz com a brisa quente da noite, o estalar dos grilos e a companhia da sua mulher trotando pela calçada rumo ao conforto do lar.
A gangue dos escribas gambás
Postado em 27/12/2012 at 08:20 PM
Pedras de gelo trepidam com o uísque que cai como uma cascata no copo. A mão trêmula do escritor empunha a pena com sofreguidão, enquanto o malte cor de havana dilui-se lentamente. Palavras vagabundas nascem sobre a folha em branco, tecendo uma trama delirante. Em um momento fortuito a mão apanha a bebida, levando-a até a boca do criador. Este suga o líquido em pequenos goles, balançando as pedras de gelo que batem no vidro do recipiente. Sobre a escrivaninha, a luz tênue da vela dança por entre a obscuridade do quarto. É noite alta, um instante aterrador dentro da madrugada, em que nem mesmo malandros e marginais ousam caminhar pelas ruas. Refém dos próprios instintos, quem reina nesse horário nauseabundo e fantasmagórico é um outro tipo de bando. Um bando que dizima a lógica e estabelece opiniões, constrói romances, poesias e ensaios brilhantes, ditando os rumos da sociedade e do próprio pensamento humano. Uma canalha de patifes e covardes, lindos loucos e galantes aventureiros das letras. Uma gangue de escribas gambás, trabalhando freneticamente nos gabinetes profundos da alma.
Quando decidiu sair do escritório, essa verdadeira horda de pinguços intelectuais tomou de assalto a mais conceituada instituição do planeta, ou seja, aquela que concede o prêmio Nobel de Literatura. Ao menos no que diz respeito a escritores norte-americanos, a estatística é impressionante. Dos sete ianques laureados com a distinção através da história, cinco eram alcoólatras. Juntos, Sinclair Lewis, Eugene O’Neill, William Falkner, Ernest Hemingway e John Steinbeck consumiram quantidades faraônicas daquela água que, como diz a gíria popular, “passarinho não bebe”.
Qual seria o motivo dessa sede desvairada, desse impulso suicida entre a classe? Por que sinistra razão tantos mestres da escrita, após terem atingido os píncaros da beleza através da arte desceram ao degrau mais baixo da condição humana, degradando e aniquilando a sua saúde física e mental? Poderíamos supor que o isolamento necessário para produzir livros leve o escritor a buscar consolo nas garrafas. Afinal, sabemos o quão exaustivo costuma ser o ofício de parir um texto, uma frase, ou até mesmo uma única e simples palavra. A natureza da atividade é insociável, mas não justifica, por si só, a mazela da dependência. Obviamente existe o componente da extravagância típica do artista e a sua busca incessante pela inspiração, pela transgressão de conceitos pré-estabelecidos, pela descoberta de si mesmo. Ou, quem sabe, pela fuga de si mesmo...
Se levantarmos o manto de olvido que cobre a antologia de grandes escritores brasileiros, encontraremos a figura atormentada de Lima Barreto. Bebum de características doentias, o autor carioca teve que enfrentar ainda o escolho do preconceito racial e de tragédias familiares em sua inglória caminhada no universo literário. Sorvendo seu trago na sombra fria do ostracismo, em uma esquina qualquer da vida, Lima tantas vezes deixou-se levar pela falsa alegria de um pifão. De pileque em pileque, envolto pela amnésia etílica e ressacas fulminantes, o pobre homem terminou cavando a própria sepultura. Um dos herdeiros de Lima no posto de gênio bêbado das letras, Paulo Mendes Campos produziu crônicas de teor magnífico, ombreando-se com o gigante Rubem Braga. Nos botequins de Ipanema, a presença de Paulinho, como era chamado carinhosamente pelos amigos, era uma constante. No princípio um sujeito querido nas rodas de bate-papo, este ébrio incorrigível, com o passar dos anos, teve a entrada proibida nos bares da cidade, enfrentando um declínio cruel e irreversível até o final dos seus dias.
Assim como na história de Dr. Jeckyl e Mr. Hyde, parece que existe dentro de cada garrafa de vinho, rum, ou gim, uma espécie de poção mágica, que costuma revelar o verdadeiro caráter, ou a falta dele, dos indivíduos. Cavalheiros de respeito e bons costumes podem transformar-se em criaturas ignóbeis e desprezíveis, capazes de atos de terrível vilania. Talvez tenha sido justamente esta a metáfora proposta por Robert Louis Stevenson, quando compôs a obra no século dezenove. Investigando nas enciclopédias eletrônicas de hoje não foi possível, contudo, precisar se Stevenson era ou não um bebedor contumaz.
Mistérios de insanidade, morte e fantasia. Como em um conto de Edgar Allan Poe, a existência de certos autores permanece envolta em questões de difícil solução. O próprio Poe, aliás, foi um alcoólatra da mais fina estirpe, que viveu o pesadelo do vício de forma intensa e assustadora. Navegando em mares de trago e loucura, Poe poderia ser considerado o líder dessa malta de talentosos escritores que sucumbiram dramaticamente ao poder da bebida. A sua produção impecável, afinal, teve na boemia uma companheira perfeita, com suas brumas de veludo a esconder a verdade e a mentira, a dor e o prazer, o sublime e o vulgar.
Doação de livros
Postado em 31/10/2012 at 04:33 PM
No dia 30 de outubro estive no 4º CRE, em Caxias do Sul, efetuando a doação dos meus livros "Alicate Contra Diamante" e "Crônicas Douradas" para serem trabalhados nas escolas estaduais.
Espero, assim, contribuir para o futuro de alunos jovens e adultos, proporcionando aos mesmos uma educação mais humana, alicerçada no universo da literatura e do esporte.

Saretta com a coordenadora Eva Márcia Fernandes e as professoras Rita de Cássia e Vera
Sessão de autógrafos "Tetraedro" - 28º Feira do Livro de Caxias do Sul
Postado em 5/10/2012 at 09:37 AM
UCS Autores
Postado em 5/10/2012 at 09:25 AM



Obrigado Suzana Furlan e equipe pela acolhida no projeto "UCS Autores".
Foi uma honra!
Forte abraço,
Lúcio
Saretta na Folha de Caxias
Postado em 14/9/2012 at 07:18 PM
Convite UCS Autores
Postado em 12/9/2012 at 02:28 PM
O vendedor de cocadas
Postado em 25/8/2012 at 12:06 PM
Lembro-me ainda do dia em que jurei a bandeira. Já faz bastante tempo, mas uma das figuras que, assim como eu, “escapou” do serviço militar ficou gravada na minha memória. Isso aconteceu provavelmente pelo fato do cara estar usando uma blusa branca com mangas cheias de franjas, tipo aquelas usadas pelos caubóis dos filmes de antigamente. A aparência estranha do rapaz completava-se nas feições do rosto. Os ossos do maxilar eram saltados e a sua dentadura de alguma forma teimava em escapar para fora da boca, como se fossem presas de um vampiro. Realmente, não era uma criatura bonita de se olhar.
Os anos foram passando e eu, vez por outra, avistava o sujeito pelas ruas da cidade, sempre do mesmo jeito, carregando pés-de-moleque em uma grande cesta de vime para vender. Sentia pena pela sua pobreza, pela sua triste condição de andarilho e falta de sorte melhor na vida. É bem verdade que eu, nas duas décadas que se passaram desde o momento em que solenemente (e um pouco apavorados) declaramos nosso compromisso de lutar pela pátria no caso de alguma emergência, não fiz nada de extraordinário, além de concluir uma faculdade e trabalhar em um ramo bem diferente daquele para o qual estudei durante quatro anos, sem obter fortuna nem um ótimo salário. Entretanto, a visão do vendedor de cocadas sempre foi algo chocante, uma lembrança viva e incômoda das desigualdades sociais que existem no mundo, da falta de oportunidades que se abate sobre uma porção de gente. Estranhos desígnios do destino... Por que ele teve que enfrentar essa infausta realidade enquanto eu, nascido em berço de ouro, tive uma juventude confortável?
Um dia, tomei coragem para abordar o meu ex-futuro-colega de farda. Seu ponto de descanso, estrategicamente escolhido entre as caminhadas com a pesada cesta embaixo do braço, é a pequena praça que fica na frente das garagens da prefeitura, ali na Visconde de Pelotas. Com seus bancos de cimento e a sombra farta das árvores, o local decerto rende alguma venda ao rapaz, tendo em vista o grande número de funcionários públicos que por ali passa. Como a praça faz parte do meu caminho para o trabalho, não tive problemas em alcançar meu intuito. O vendedor de cocadas mal conseguia falar, quando eu lhe perguntei o preço do pé-de-moleque levantou a ponta do indicador como quem diz “um real”. Talvez o rapaz estivesse embriagado, ou tivesse uma debilidade mental qualquer (não vamos esquecer que ele foi dispensado do quartel).
Enquanto me afastava dali, tendo adquirido um pé-de-moleque, comecei a pensar sobre aquela situação. De uma certa forma, mais uma vez eu me parecia com o cara. Senão, vejamos. Além do fato de termos jurado a bandeira juntos, dependemos da boa vontade de alguma alma generosa para vender nossas guloseimas. Os doces que eu faço são os livros, digamos assim. Como escritor, encontro uma avalanche de dificuldades para progredir. São os livreiros que te ignoram, editoras que não te dão resposta, a mídia que se fecha. As próprias escolas, onde deveria reinar o intuito de ensinar, negam oportunidades para o escritor local mostrar o seu trabalho. Afinal, um dos anseios do escritor é cativar os mais jovens, cumprindo seu papel de cidadão e ajudando na criação de uma sociedade melhor. Se houvesse estímulo e caminhos para incentivar a leitura e, consequentemente, a educação, talvez não houvesse a pobreza que produz vendedores de cocada e tantos outros sub-empregos.
A verdade é que são muitas portas fechadas para quem começa (embora no meu caso já com três títulos na praça) e poucas portas abertas. A torre de marfim do bom-gosto cultural e as engrenagens do “show business” literário vão te colocar numa espécie de limbo, do lado de fora da festa, olhando para dentro sem poder entrar. E assim vamos vivendo, ganhando merrecas de amigos, parentes e conhecidos que solidários compram nossos livros. É claro que a estrada é árdua e longa, o ramo da literatura é como qualquer outro, o trabalho tenaz vale mais do que o talento puro e simples.
O artista que se preza, contudo, deve perseverar com seus projetos, valorizando sua própria identidade criativa, sem desistir nunca. Nem que seja vendendo as obras no afã das ruas, dentro de uma mochila, ao modo de um doceiro mambembe, com sua cesta cheia de cocadas e ilusões.
Vou botar meu carro-bomba na avenida
Postado em 19/7/2012 at 10:08 PM
Leio no jornal que Cesare Battisti estará em Caxias do Sul para autografar seus livros. Confesso que fiquei estarrecido com o fato. Afinal, independentemente dos méritos literários de Battisti, é óbvio que o italiano deve sua fama a crimes cometidos no passado, quando participou de um grupo terrorista envolvido em assaltos e assassinatos diversos. Tentarei não entrar no terreno pantanoso que envolve ideologias políticas. Alguém poderá perguntar qual o problema do homem narrar a sua história, a sua versão dos fatos? Até porque, (surpresa) Battisti nega as acusações. Sem problemas. Inclusive, um dos livros marcantes da minha vida foi “Os Carbonários” de Alfredo Sirkis, um relato humano e jornalístico (sobre a luta armada contra a última ditadura no Brasil) de teor maravilhoso e que mexeu com as minhas estruturas. O que me deixou triste foi constatar que, enquanto a grande maioria dos escritores de “verdade”, que luta de forma inglória e quixotesca para obter um pingo de reconhecimento junto ao público, algumas figuras gozam de uma exposição midiática tremenda, graças a atividades que nada tem a ver com a literatura em si.
Cito o exemplo de Chico Buarque. Não restam dúvidas quanto ao talento musical do autor de “A Banda” e “O Meu Amor”, entre tantas outras belas canções, assim como a sua importância dentro da cena artística em nosso país. Mesmo assim, gostaria de saber se os seus livros teriam recebido a quantidade considerável de láureas e elogios caso Chico fosse “apenas” um escritor. Atenção! Ninguém quer aqui impedir alguém de escrever apenas pelo fato de ser famoso em outro ramo. Chico não tem culpa nenhuma nisso, pelo contrário, tomara que as pessoas leiam o que ele escreveu e fiquem felizes. Até mesmo porque, todo letrista é um pouco poeta, são coisas que de certa forma se entrelaçam.
Entretanto, Cesare Battisti é um pouco demais para mim. Talvez eu devesse deixar isso pra lá, me preocupar com coisas mais importantes e parar de questionar a validade ou a fraude que repousa na figura do simpático “ativista” peninsular enquanto escritor. Não seria mais inteligente tirar alguma lição disso tudo? Quem sabe eu deva, a partir de agora, botar meu carro-bomba na rua, explodir uma penca de bancos, amolar a minha faca e mutilar algumas pessoas de forma sanguinolenta e cruel.
É provável que no lançamento do meu próximo livro a sessão de autógrafos seja das mais concorridas.
Lançamento "Tetraedro"
Postado em 14/7/2012 at 06:14 PM
Meus sinceros agradecimentos a todos que prestigiaram o lançamento do "Tetraedro" na noite fria de 05 de julho.
Um forte abraço, espero que gostem do livro.
Valeu!

Para ver mais fotos do evento é só acessar meu site: http://www.luciohsaretta.xpg.com.br/
Os quatro cavaleiros da pena forte
Postado em 9/7/2012 at 08:54 PM
A folha em branco desafia como um moinho de pás gigantes a rodar lentamente. Algumas vacas pastam despreocupadas ao redor, enquanto o canto solitário e estridente de um pássaro rasga o céu. Os quatro cavaleiros estão firmes, atentos, prontos para a investida. No lugar da espada, a pena ávida em colocar sobre o papel palavras extraídas do fundo da sua alma. E o que seria o escritor, senão um guerreiro de gabinete, empenhado em uma atitude quixotesca de “enfrentar”? Aplacar com tintas delirantes o vazio da sua própria existência e, em um momento sublime, fazer vibrar no leitor a lira do conhecimento, do riso e da reflexão.
Essa parece ser a missão dos membros da coletânea de crônicas “Tetraedro”. Os valentes Uili Bergamin, Marcos Kirst, Tiago Marcon e Lúcio Saretta partem em uma cruzada na qual não pretendem fazer prisioneiros. Tudo para alcançar o triunfo de, como bem disse Delacroix, “fazer pensar os que podem pensar”. Das gavetas de uma távola redonda urbana, os quatro escribas retiraram os seus rascunhos da loucura, suas letras vagabundas e seus clichês da revolta para compor esse verdadeiro caleidoscópio de papel que é “Tetraedro”.
Mergulhando fundo no mar plácido da consciência humana, o octopus da palavra que habita os aquários e as vitrines da vida a tudo observa. Alimentando-se de migalhas cotidinas, as quatro mentes turbulentas bebem, em uma mesa de bar, o suco eclético que corre nas veias do cidadão comum. E produzem crônicas de mão cheia, retratos do barato onde encontramos a invenção pessoal de cada autor.
“Tetraedro” é isso: um círculo de fogo onde assa o misto-quente literário preparado com esmero por Bergamin, Kirst, Marcon e Saretta. Cavaleiros e bardos modernos, com suas ideias de ferro e sua pena forte a embalar as rodas do sonho e da criação.

Bate-papo com alunos da escola José Otão
Postado em 28/6/2012 at 08:41 PM
Tive o prazer de falar um pouco sobre mim e a arte da literatura para duas turmas do ensino médio da Escola José Otão, na última terça-feira. Agradeço à Larissa do Centro Cultural Ordovás pela atenção e aos professores Patrícia e Carlos pela parceria.
Valeu!!!


Convite lançamento Tetraedro
Postado em 21/6/2012 at 10:06 PM
Alô, galera!
Agora é oficial!
Vamos fazer uma grande festa e curtir essa aventura literária sem precedentes.
Espero todo mundo lá!
Abraços,
Lúcio.

46° Concurso Anual Literário de Caxias do Sul
Postado em 16/6/2012 at 04:08 PM
Recebi na última quinta-feira meu segundo prêmio como escritor. Graças a momentos como esse, onde surge a alegria do reconhecimento, encontro estímulo para perseverar e seguir produzindo.
Um forte abraço!


Newton Campos comenta Crônicas Douradas
Postado em 25/5/2012 at 09:59 AM
Transcrevo a seguir comentário postado pelo Presidente da Federação Paulista de Boxe, Newton Campos, no sítio virtual da entidade.
Trata-se, para mim, de um aval de extrema importância, tendo em vista o vasto conhecimento e as experiências nacionais e internacionais vividas por Newton em combates memoráveis envolvendo a nobre arte do boxe.
Verdadeiro paladino da causa esportiva, Newton há décadas contribui para forjar novos talentos e manter acesa a chama do pugilismo no Brasil.
Valeu, Newton!
“RECORDAR É VIVER”
Quem viveu a época da grande quantidade dos gênios do futebol, boxe e basquete, ao saborear a leitura de Lúcio Humberto Saretta, em seu “Crônicas Douradas”, entende no conteúdo exato da matéria, que a obra do escritor, através do esporte, é uma apologia das coisas lindas do planeta Terra. Recomendamos a sensibilidade do sêr humano, que não perca a oportunidade de sentir os toques sutís dos jogadores de futebol, as pernas felinas e os golpes precisos dos boxeadores e a grandeza da cesta mágica. Se todos os atlétas mencionados em “Crônicas Douradas” merecem aplausos, o autor do livro não pode ficar ausente das merecidas deferências. - N.C.
http://www.devanagari.com.br/fppugilismo/fpp_frames.htm
Uma fiel companheira
Postado em 24/4/2012 at 02:27 PM
Às seis horas o sino da capela bate em meio ao som dos passarinhos em polvorosa. No interior do estúdio, o músico afina as cordas do seu instrumento. O diapasão vibra no tom de lá maior, e o ouvido aguçado do músico prepara o pinho para mais uma sessão de estudo. Enquanto isso, na academia, o boxeador inicia o aquecimento, alongando os músculos e correndo para aprimorar sua condição física. Atirando golpes no ar, o atleta parece lutar contra a própria sombra, enquanto busca a concentração necessária para forjar o seu ofício. Depois, veste as luvas com extremo zelo, verificando se elas estão apertadas e ajustadas corretamente.
De volta ao estúdio, o músico dispõe as partituras na estante e destrava o metrônomo, aparelho que serve para medir o tempo no qual os compassos devem ser executados. Após respirar fundo, ele dá início ao treino, repetindo as notas tenazmente com seus dedos ágeis dando vida à melodia estática das escalas. Muitas vezes a prática soa imperfeita, propelindo o músico a realizar incontáveis tentativas na perseguição ao seu objetivo. Na academia, o pugilista trabalha no saco de pancadas. Um jab, um direto, um cruzado, um gancho. E assim sucessivamente, como um ourives a lapidar a sua técnica. O suor escorre em profusão pelo seu rosto, até as gotas grossas e cristalinas serem lançadas no ar pelos movimentos bruscos do exercício.
O violinista agora toca canções populares, procurando dominar os diferentes ritmos, como, por exemplo, a valsa, o samba, o baião. Da mesma forma, o boxeador alterna a sequência de golpes, um jab, um direto, dois ganchos, um cruzado e um direto. A repetição exaustiva e mecânica é a alavanca que permitirá ao boxeador desenvolver um estilo particular, dando asas à sua imaginação e soltando os punhos livremente, como um músico que cria as suas próprias composições.
Terminado o ensaio, o músico acondiciona o violão no cavalete e fecha o caderno de partituras. O boxeador, por sua vez, retira as luvas, toma o seu banho e parte rumo ao lar. Na cabeça de ambos a certeza do progresso obtido em mais um dia de estudo, e a satisfação de ter na arte a fiel companheira de todas as horas.
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