Literal-Mente

Novos tempos!

07:57 PM, 15/11/2008 .. 1 comentários .. Link

Em busca de maior acessibilidade aos meus escritos, além da melhor integração com o grupo de escritores com os quais venho convivendo nos últimos tempos, cujos blogs acompanham minha caminhada, o Literal-Mente mudou de endereço:  http://joaofacunha.blogspot.com 

Aguardo visitas e comentários dos leitores imaginários que venho cultivando,

sempre imensamente radiante,

João F. A. Cunha.

 



Luiza

02:11 PM, 31/10/2008 .. Postado em Poesia encontrada .. 2 comentários .. Link
Luiza
 
 
Perplexa, ela entrou em seu apartamento... sem ar, sem fôlego e trêmula, não conseguia pensar. Não sentia nada, seu corpo dormente latejava em cada ponto que tocara no corpo dele. Como pôde se entregar assim? Olhou-se no espelho e percebeu a vermelhidão que denunciava a fricção da aspereza... A doce aspereza da barba rala! Seu gosto embebia-a por completo, tomava o ar ao seu redor, confundindo sua respiração e novamente ela era transportada ao momento mágico...
 
Boca,
Beijo,
Bom!
Hum...
 
Toque,
Colo,
Ventre!
Entre...
 
Não!!!
 
Não pense...
Não pare...
 
 
O telefone a trouxe de volta ao apartamento.
Agora, um pouco de realidade!
 
 
 
 
 
                                                        João F. A. Cunha
 


Mendonça

12:47 PM, 29/10/2008 .. Postado em Poesia encontrada .. 1 comentários .. Link
Mendonça
 
Na noite do sol escaldante,
calçadando, praceando...
Pelo vento deixo escapar meu cotidiano,
sujo e sombrio
e frio ao escurecer.
Pelo alimento buscando,
ando meio bambeado,
atordoado...
 
Puxa a cadeira e se abanque ao meu lado,
‘inda hoje te pago um trago.
Como?!
Tirei um trocado, dum carro bacana,
bem junto do meu papelão.
Logo cedo a molecada,
queria levar a caranga dali.
Treta danada,
mas sou respeitado...
 
Casaco rasgado,
pele marcada, dorso cascudo...
Minha vida é mais que história,
memória vivida na rua do mundo.
O amigo quer saber?!
Senta comigo,
E me paga uma dose...
 
                                 João F. A. Cunha


10:46 PM, 28/10/2008 .. Postado em Sistema Pessoal de Convicções .. 0 comentários .. Link

O problema da nossa política,

é que tem pouca gente interessada,

e muita gente interesseira!

 

               João F. A. Cunha



A Deus (Fita verde no cabelo)

04:41 PM, 24/10/2008 .. Postado em Curta-Mentagem .. 0 comentários .. Link

Na seara dos valiosos ensinamentos multimidiáticos que temos recebido do professor Luiz Roberto e do polivalente Bruno Cobbi, a partir da proposta de criar uma releitura do conto Fita verde no cabelo de Guimarães Rosa, deixo o link para um vídeo/animação, com música de Madeleine Peyroux, por mim produzido.

 

http://br.youtube.com/watch?v=B0uGe0l955I



04:37 PM, 13/10/2008 .. Postado em Poesia encontrada .. 2 comentários .. Link

Amor demais cega!

É frase corrente na boca miúda,

que propaga o medo entre os amantes.

Distantes a cada manhã

de uma cegueira constante,

acordam políticos,

acordam maridos,

acordam esposas,

concordando com a segurança que se faz em coro...

Amar cega!!!

Já faz um tempo que não enxergo,

perambulando perdido por este mundo.

Perco minha visão,

como os vampiros perdem a vida...

com a claridade do amanhecer!

 



Exercício do Prof. João Jonas - Narrador Envenenado

02:09 AM, 10/10/2008 .. Postado em Últimas Histórias .. 5 comentários .. Link
ARMA BRANCA
 
A monotonia naquela tarde de quarta foi abruptamente quebrada por uma ocorrência policial. Alguém acabara de roubar um banco na rua ao lado e o cerco começava a se formar, quando um indivíduo moreno, de cabelos crespos, por volta de 1,75, dobrou a esquina e entrou, num ato desesperado, em um antigo e solitário salão de cabeleireiros, de portinha estreita e placa apagada, imperceptível, na longa Cardeal.
Ninguém, além da proprietária, pisava ali havia muitos dias, via-se apenas a velha cabeleireira, arrastando sandálias para tirar o lixo e lavando, todas as manhãs, o chão onde os únicos fios presentes eram dela própria.
–Quer um copo d’água, meu filho?
A pergunta surpreendeu o rapaz e antes que tivesse tempo de reagir, a mulher de língua ágil e corpo frágil disparou:
–É cabelo ou barba? Porque barba eu não faço!
A euforia da velhinha simpática e os altos graus dos óculos, a impediram de perceber os raros cabelos do jovem.
–É cabelo – respondeu ele, imediatamente.
–Então fique à vontade. Quer ir ao banheiro, antes?
 O rapaz seguiu seus instintos e fez menção que sim. Seria sua chance de fuga, mas o banheiro não tinha janelas e ele já buscava outra “saída”, quando ouviu vozes, vozes em tom de interrogatório. Era a polícia em seu encalço. Completamente estático, o ladrão tentava escutar o que se falava. Animou-se ao ouvir a velha negar a presença de estranhos – quem diria, salvo pela vaidade de uma cabeleireira abandonada – e desesperou-se ao perceber o convite para um café, feito aos policiais. A dedicação ao serviço acabou os afastando de lá, deixando apenas a recomendação à senhora, de ligar para a polícia caso notasse alguém suspeito pelos arredores.
Quando a porta se fechou, ainda desconfiado ele deixou o banheiro. Pensou em sair correndo, mas mediu as possibilidades e percebeu que sair do salão o condenaria à prisão, portanto precisava de mais tempo.
–Aceita um cafezinho?
–Bem, é que estou com um pouco de pressa, vamos logo ao corte...
–Ah, mas tem biscoitinhos pra acompanhar, meu filho, são uma tentação.
Era sorte demais, uma velhinha daquelas no seu caminho. Sorte para ele, pois naquele instante decidira que a única chance de escapar ileso era matando a coroa! Não com um tiro, porque chamaria a atenção. Escolheu sobre a penteadeira uma longa e reluzente tesoura, enquanto a cabeleireira arrastava-se para pegar um avental para ele. Achou melhor colocar o avental, assim não sujaria sua roupa de sangue.
Envolto em um vão sentido de sobrevivência levantou-se... o golpe certeiro na jugular manchou o espelho e o líquido viscoso escorreu quente pelo salão, quando o corpo caiu, deixando ressoar um tilintar da tesoura escapando da mão. Rapidamente a porta de entrada foi fechada. A velha senhora de cabelos brancos e corpo frágil fizera outra vítima... e só seria vista novamente no dia seguinte, antes mesmo dos raios de sol, tirando o lixo para fora e lavando o chão do salão.
                                                              João F. A. Cunha


Problema inominável

12:48 AM, 8/10/2008 .. Postado em Poesia encontrada .. 0 comentários .. Link

para ser Antônio,

para ser Ubaldo,

para ser do Rio...

 

para ser Sebastian

ou ser Guimarães,

ou quem sabe Lennon...

 

pra ser Trevisan,

para ser Cabral

para ser um -Paul...

 

para ser Reuel,

para ser da Costa,

só sei ser de Mané!

 

 

                                           João F. A. Cunha



Noite Paulistana

06:23 PM, 15/9/2008 .. Postado em Crônicas de uma cidade desmedida .. 2 comentários .. Link
As aeromoças desembarcaram primeiro. Impecáveis! Cabelos bem presos, saias-justas da juventude, estudadas e cordiais... cativantes, eu diria! Nas belas feições a satisfação profissional, resplandecente.
Em seguida veio o Capitão (ou seria Piloto, ou quem sabe Comandante?) acompanhado do 2º no comando... enfim, a tripulação estava completa.
Um bêbado cambaleava, esmolando entre as mesas e o casal que fumava pediu a conta. Eles sorriram para todos, com suas roupas alvas... Unanimemente ignorados!
            Pouco depois, os dois homens tomaram o último gole de cerveja, apagaram os cigarros e se levantaram, deixando o troco para o moribundo. E a tripulação seguiu viagem na besta, promovendo a higiene-bucal pela noite paulistana: “Sem riscos para os motoristas!!!”.
                                                                                                     João F. A. Cunha


Blogura Literária

01:29 PM, 10/9/2008 .. Postado em Poesia encontrada .. 6 comentários .. Link

Por que escrever?

Escrevo para ser lido.

E como lidar com a exposição?

Como não ligar para a incômoda posição,

de não ter leitores... ainda que já os tenha!

Que se bloguem os leitores...

pois permanecerei blogado neste lugar.

Literatura 00?

Literatura zero à esquerda...

Hoje talvez centro-esquerda...

ou quem sabe ambidestra!

Blog de Ouro... blog adorado,

adornado para os leitores.

Tenho o meu blog mais pobre,

simblógrio, de língua presa...

de texto livre, descontrolado!

Ante os blogs sonoros,

tenho o meu desafinado...

Desafiador de quem atesta,

a minha blogueira vaidade.

Aposto que não sou lido!

Não tenho post,

mas não sou poste!!!!

Movimento-me virtualmente,

re-produzo e introduzo

minha parcela literal...

minha mazela irreal...

Virulenta e  contagiante,

ainda que desconhecida.

Secretissimas verdades...

desta nova blogueiridade!

 

 

                                       João F. A. Cunha

 

ps. Leitores inexistentes, o desafio está feito... Vejamos quantos fantasmas por aqui passarão.



Hora do Banho - Parte I

01:23 PM, 8/9/2008 .. Postado em Hora do Banho .. 0 comentários .. Link
 
 
6:30 - Como que por impulso involuntário, já levantei e liguei o chuveiro. Chego ao choque de acordar com a bruteza da maldita água gelada na minha cabeça... nesse momento odeio muito meu emprego! Em geral, à essa hora sou um ser acéfalo, mas hoje, estranhamente não sinto aquele vácuo nebuloso... Reflito sobre o mofo no teto do banheiro. Fazia tempo que não olhava pra esse teto! Não faz nem o que? Dois anos que mandei pintar essa bosta desse apartamento. Fiquei com minhas coisas entulhadas pra não sujar; aquele cheiro insuportável, que me dá alergia; além daquele cara... de “fino trato”... metido todos os dias aqui em casa, me chamando de doutor e olhando o decote da minha mulher, do alto daquela escadinha. Vai ver por isso o teto ficou assim... E esse mofo se espalha mesmo, rapaz. Outro dia troquei a lâmpada e não me lembro de ter visto isso...
 
– Olha a hora, querido!
 
Já vou... vou sim, ufsss! Pro meu terno, pro meu ganhador de salário. Pro ônibus lotado, metrô... Inferno!
Ah, já ia esquecendo de lavar o saco...
– Porra, onde foi que você pôs minha toalha?
 
 
 
6:55 - Café pronto, marido arrumado... Ai, que água mais quente! Hum... agora sim, ahhh, força pra mais um dia. Ih, meu Deus, esqueci de preparar o sanduíche na chapa.
 
– Amoooor, esqueci de preparar seu sanduíche... Queriiiido!!!
 
– Que foi? Quê? Olha, não dá pra ouvir você agora não... Cadê minha meia bege?
 
– Na gaveta de cuecas e meias, do lado esquerdo!
 
– Qual gaveta?
 
– A primeira, querido!
 
– Brigado amor... Mas você também esconde as coisas em cada lugar, heim?!
 
Ai, será que lavo meu cabelo? O tempo está tão esquisito! É, se eu for de cabelo preso, vou ter que escolher outra roupa, aquela blusa não vai combinar... Melhor lavar o cabelo. Nossa, precisava mesmo era me depilar...
 
– Amoor? Pô você esqueceu meu sanduíche, né?!
 
– Ah, querido, eu...
 
– Deixa pra lá! Já me virei... deixei as coisas na pia, que estou atrasado! Beijo, linda! Te amo muito!
 
– Beijo, até à noite! Que horas você volta?
...
...
...
Chega! Meu chefe me mata se eu perder a hora outra vez!
João F. A. Cunha


Exercício do prof. Nelson de Oliveira - Criar um eu-lírico calhorda

06:38 PM, 3/9/2008 .. Postado em Últimas Histórias .. 1 comentários .. Link
OBS. Desculpem-me pelos desvios da "norma urbana culta", mas foi assim que veio o texto! 
Veredicto
 
-Oxe! Que hoje acordei foi aboletado, discunfiado da morena... Mardita d’ Açucena! Rapei a reladeira, e saí num estirão, intocaiando meu facão no paletó já remendado. Pra liviar a cabeça, corri atrás da minha nega, mulata facera chamad’ Isaber. No caminho do selviço parei, papeei e papei. Currei ela no banhero da padoca... Depois saí afrito, pois a tar da dona Noca, propetária do lugar, diz que ia denunciar. Acarmei ânimos dela, intornando na goela uma dose da marvada. Dei um beijo-dispidida, e segui na minha lida no encalço do perigo. Passei no seu trabaio, lugarzim do carai’ os homem num pára de entrar. Quem mandou ser faxineira em escritório de doutô. Tanto que eu falei: deixa de lado essa bobageira, de s’encanta co’essa riqueza, que nós num vamos conquistar. Vorta pra minha casa e me deixa te sustentar. É tanta mulher nesse mundo, que queria em sua vida, ter marido como o seu... Mas vem me querê ser muderna... e acaba-cabando comigo. Pela hora do armoço, defendi a minha honra. Mirei logo adiante, dotô Seu-Ispridião, vei’ andando deslocado, eu cheguei bem do seu lado e lhe tornei foi o facão... No sentir da minha peixeira, cravada inteira no estrombo e olhando nos meus óio, o ricaço dipromado percebeu que tava errado... e eu me ri na sua cara! Pensa que sou otário, mas mulher de cabra-macho, não se deve arvoroçá. Quando lhe vi escorrer o sangue, me senti realizado, era o fim do desgraçado do amante d’Açucena.

Depois vei’ a pendenga, os policia, camburão... e enquanto ela chorava, vendo o tar ali no chão, eu comigo gargalhava de toda a situação. Num nego que aprontei, nem que apaguei o engrasvatado. Só que a culpa desses fato, são a vida da Mardita. Acredite delegado: a morena é que é cruer!!!



Cafetão-de-si, contigo!

10:49 AM, 14/8/2008 .. Postado em Poesia encontrada .. 2 comentários .. Link
Cafetão-de-si, contigo!
 
Qualquer dia desses te deixo...
Abro a porta,
te dou um beijo e parto!
Deixo as roupas no meu quarto,
pra você não me impedir.
Qualquer dia desses,
mesmo que não te deixe,
ainda desejo partir.
Qualquer dia,
perco essa minha alegria contagiante,
desisto de ser seu amante,
e abandono esta rotina!
Qual quer você,
deixo-te desse dia em diante,
livre da minha liberdade
de querer bem,
sem bem-querer!
Quer queira,
quer não queira,
isso é querer me mudar.
E todo modo de me ponderar,
é censura ou loucura!
Que quer você que eu faça?
Aceite que é desgraçada,
a forma desse meu ser?
 
Qualquer dia desses...
te deixo me seduzir!
Para voltar aos seus braços,
aos seus laços, ao seu mundo...
Qualquer dia,
mudo meu jeito emotivo,
só para estar bem contigo,
pra você não mais sofrer!
Qual eu quero,
dia desses, deixo você me moldar...
Fico perfeito.
Perfumado, calado,
exclusivo pra não te perder...
 
Dias e noites,
que hoje deixo de dormir,
quero passar ao seu lado,
mesmo brigado, mesmo sozinho...
Mas saiba,
qualquer um no meu lugar,
mais dia, menos dia,
sairia porta a fora,
antes mesmo do café!
Qualquer um...
jamais entenderia!
 
 
                                        João F. A. Cunha


Paulistânia (Capítulo 1 - O prisioneiro)

02:04 PM, 13/8/2008 .. Postado em Paulistânia .. 2 comentários .. Link

1º parágrafo:

            Já havia quase seis anos que ele não subia à superfície. Sua cela, na ala mais esquecida e menos aquecida do terceiro nível subterrâneo – a cidade prisão – fedia a mofo, e não media mais do que 6 m². A ausência de luz natural e alimentos frescos trazia à tona velhas doenças, como o escorbuto, a presença de antigas lembranças mesclava em seus pensamentos esperança e medo... Por onde andaria o re-bento? Desde que os chamados “Caçadores da Ordem” descobriram que a senhora manca, levava não apenas alimento, como também recados para o prisioneiro, fora condenado ao isolamento total e a velha desaparecera, definitivamente. Os guardas, da Polícia de Observação nem imaginavam o que aquele velho, cego de um olho, poderia ter feito para merecer tamanha sentença, sabiam apenas que o cegueta era um dos homens mais perigosos de toda a Paulistânia.

2º parágrafo:

Ainda assim, a longa relação e o bom papo, sempre suave e calmo, do senhor Veridiano, aproximaram-no dos guardas, também condenados, mas pela profissão, a ocuparem aquela ala. Em geral, os presos que por ali passavam, apresentavam comportamento quase animalesco, bem como, segundo consta, aparência que beirava a zoomorfia. Veridiano era polido, culto, além de frágil, sempre curvado sobre o próprio tronco, por conta dos anos de vida e das violências sofridas.


Despedidas

01:22 PM, 13/8/2008 .. Postado em Poesia encontrada .. 0 comentários .. Link
Despedidas,
tristezas partidas...
Assim, só um louco, dela falaria,
daquela,
última... infinita!
E ele, loucamente, a evoca,
e provoca
a memória futura que irá nos deixar.
 
Quando partir,
ficará no silêncio
o assovio estridente,
a chamar minha atenção!
Deixará na memória
seu olhar apertado,
quase sempre molhado,
por trás das armações...
 
Buscarei ainda, a visão poderosa,
sábia, prudente...
a risada arranhada!
Contrastando a cada dia,
com o desabafo entre os dentes,
em seus surtos de raiva...
seguidos de prantos,
aos cantos, à noite!
 
Lembrarei com carinho,
da garra felina,
arrastando a ninhada,
vida a fora a dentro.
E sua juba clara,
desde cedo grisalha
orgulhosa,
singela...
 
E terei para sempre,
sua grande lição...
Sua grande missão neste mundo!
Viva...
sem vencer com a derrota do outro!
Dê AMOR...
AMOR DE VERDADE,
AMOR E MORE AMOR!!!
 
 
                                    João F. A. Cunha

Por que amor?

05:09 PM, 1/8/2008 .. Postado em Poesia encontrada .. 7 comentários .. Link
Por que amor?
 
Pra te falar de amor,
calo-me!
Lembro da timidez dos teus calos,
recatados...
Você desaba e chove,
sem nuvens no meu céu...
Só o amor entende!
 
Meus pais brigam felizes,
Outros são tristes em paz...
Só o amor entende!
 
Gasto palavras com todos,
menos contigo...
De ti, recebo-as, ao pé do ouvido,
Cantadas...
entre um gemido e outro.
Rugidas, pelos carinhos.
Só o amor entende!
 
E no final do mês,
fechando a fatura:
Olha pra mim,
como o culpado...
por fazer de você,
o ser mais feliz deste lugar.
Só o amor entende,
o que não sei explicar!
 
 
                         João F. A. Cunha
                         01/08/2008
                       

Volta à cidade desmedida

06:20 PM, 31/7/2008 .. Postado em Poesia encontrada .. 1 comentários .. Link

...às vezes o pranto me toma,

vem um quê, que me quebra a redoma de vidro,

e acordo por falta de ar!

Poderia culpar a cidade,

mas a apnéia que me acomete,

pouco reflete o que a selva me traz...

Ainda assim me adaptei,

retornei à superfície...

Venci a onda que quebrou em minha fronte!

Na secura do isolamento,

posso dizer que hoje,

lamento somente a falta,

do reflexo da água salgada,

ofuscando meu olhar!

 

                           João F. A. Cunha

                                 31/07/2008



03:40 PM, 30/7/2008 .. Postado em Poesia encontrada .. 2 comentários .. Link
Quem detém a verdade?
Na verdade, quem a tem?
Como julgar? Como medir? Como saber?
O que sei é que,
ao contrário do que se diz:
Cada qual tem a sua mentira,
usada e adulada,
para cobrir as certezas alheias...
 
Carrego as minhas,
como a roupa do corpo...
vestidas!
 
Cada qual tem as próprias tristezas,
Geradas no recôndito passado...
Passadas a ferro, dobradas, guardadas,
no fundo de nossos armários!
 
Carrego as minhas,
como a roupa do corpo...
vestidas!
 
Todos temos uns sonhos frustrados,
Despindo nossas esperanças,
Tolhendo as nossas verdades,
Mudando as nossas certezas...
E dando ainda mais pano à tristeza,
Pois quando a malha aparece furada
se entrevê um pedaço de pele:
 
Queimada do sol,
Marcada da lida,
Rasgada pelo chicote que lhe abriu uma ferida!
Outrora tão clara,
que uma malha rodoviária
se formava por veias pulsantes...
 
Apenas carrego as minhas...
 
Sei que tenho muitas más-qualidades,
como todo bom cidadão...
gula, cobiça, preguiça,
inveja, mentira, vaidade!
Umas com peças maiores,
Outras como tatuagem...
 
Ainda assim carrego as minhas,
como o corpo da roupa,
despido!
 
 
João F. A. Cunha                  


Exercício da oficina do Petê: Mas Atenção Este Texto Não me Pertence. Vislumbrem o primeiro conto da minha Rainha, Isa Tsujinaka...

11:29 PM, 18/7/2008 .. Postado em Participações Mais-Que-Especiais .. 3 comentários .. Link

        Sonhava... dormindo ou acordado, época da adolescência. Possivelmente apaixonado. Aquela beleza não saía da minha mente. Sua voz era rouca e delicada, encantadora! Sentia seu perfume em meus pensamentos, lembrança celestial. Não sei bem como defini-lo... Era suave, atraente, sensual e puro ao mesmo tempo... arrebatador!

       Suas curvas, seus olhos, seus cabelos....

      Caramba!!! Por que tinha que ser assim... por que a Letícia tinha que ser namorada do meu amigo Douglas?

       Se eu soubesse que no futuro seria tudo diferente...

 

                                                            Isa Tsujinaka

 

ps. Minha mulher que me surpreende e enche de orgulho!!!

       



2º exercício oficina do Petê: Criar um narrador do sexo oposto

10:34 AM, 18/7/2008 .. Postado em Crônicas de uma cidade desmedida .. 0 comentários .. Link

Travessia

 

O caminho de volta para casa me cansa demais. Um, dois, três ônibus lotados, de pessoas e outros seres que repudio... Desprezíveis que se dizem homens, com suas mãos pegajosas e um esfregar, que pretensam tentar disfarçar, ao passar no corredor. Habitualmente só me sento quando já estou cruzando a marginal... É quase um alerta diário, mal me vem aquele delicioso perfume etério, misteriosamente vaga-se um lugar.

Sentei-me ao lado da janela e vislumbrei aquele céu laranja, contraditoriamente lindo e límpido, feliz por finalmente poder relaxar. Encostei no assento e acabei pegando no sono... Fiquei naquele meio acordar, meio dormir, tentando calcular por onde passávamos, para não perder meu ponto. Não conseguia abrir os olhos, quando senti que me pegavam... fui carregada, sei lá por quem, sem ter voz para gritar... Quando me vi, estava jogada em um beco escuro, num lugar qualquer, cercada por três monstros... Meu pavor transbordava, estava imobilizada, sem minhas roupas.

O que acontecia comigo? Por que não reagia?

O primeiro a se debruçar sobre mim tinha olhos odiosamente claros, de um verde quase cristalino, sua pele era turva e suas roupas bem arrumadas. Ao abrir a boca, de dentes pontiagudos, espalhou pelo beco um cheiro de cânfora...

Acordei com outro cheiro, o do lodo do rio, hoje sentara antes do ponto costumeiro... e  tremendo, pensei no prazer que me dava aquele doce odor.



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Revista literária, idealizada por João F. A. Cunha, para "publicação" de textos seus e de colaboradores, conhecidos ou desconhecidos. "Leia, pense, escreva"! Toda forma de ARTE é bem vinda!!!

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