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Os contos e frases de Danilo Hanckoc
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Os contos e frases de Danilo Hanckoc

9/2/2011 - Porra ninguem quer morar na ARGENTINA!

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9/2/2011 - Pro marido que chega tarde!

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9/2/2011 - Nao caiu nessa outra vez!

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9/2/2011 - Dois cornos

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9/2/2011 - Escolinha de TERRORISTAS!

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9/2/2011 - Boa e má Noticia

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9/2/2011 - Ensino!

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9/2/2011 - A MORTE E O FERREIRO

Ha muito tempo,quando os bichos falavam e o Sol tinha fases como a Lua,dois reinos vizinhos entraram em guerra.Foram tantas as batalhas que a morte quase cansou de trabalhar.Levava gente de manha a noite,mesmo aos domingos.Quando tudo terminou,sete anos depois, a gadanha dela tinha perdido o fio e quebrado a ponta.

    Entao a Morte procurou um ferreiro, numa pequena aldeia, perto do ultimo campo de batalha.Ele era um homem valente, nao se assustou ao ver a Morte parada na porta.

- Ja chegou a minha hora?

- Nao.Preciso dos seus servicos.

A Morte mostrou a gadanha.

- Precisa de uma lamina nova - o ferreiro disse. - Vai demorar um pouco.Melhor a senhora sentar.

- Eu nunca sento - a Morte respondeu.

Entregou a gadanha e ficou num canto, confundida com as sombras.

O ferreiro segurou a gadanha, sentiu o peso dela e disse:

- Parece uma gadanha comum.

E uma gadanha comum na, mao dos outros -  a Morte disse.

O ferreiro trabalhou a noite toda.Pela madrugada, a gadanha tinha uma lamina nova. Chegava a brilhar de tao afiada e pontuda.

   A Morte saiu das sombras, pegou a gadanha, examinou-a.

 - Ficou muito boa, ferreiro. Quanto lhe devo?

- Nada.

- Entao, obrigada. Ate outro dia.

- Espere ai. Quero um favor em troca.

A Morte esperou.

- Quero que a senhora , me avise com antecedencia. Para eu me preparar pra minha hora.

- Avisarei - ela disse sem nem se virar, e sumiu na rua.

    Anos e anos se passaram. O ferreiro nunca mais teve noticias da Morte.

Na verdade ate se esqueceu dela.

    Uma noite, voltando para casa, viu um brilho branco nas sombras.Eram os dentes da Morte sob o capuz preto. O ferreiro disse:

 - Tudo bem? Veio me avisar?

 - Nao. Vim busca-lo.

 - Mas como?! A senhora prometeu que ia me avisar com antecedencia.

 - Eu avisei.

 - Nao recebi aviso nenhum.

 - Seus cabelos ficaram brancos?

 - Ficaram.

 - Seu rosto se encheu de rugas?

 - Sim.

 - Suas pernas ficaram fracas?

 - Ficaram. Estou ate usando bengala.

 - Suas costas encurvaram?

 - Encurvaram.

 - Entao, ferreiro? Quantos avisos mais voce queria?

 - Mas velho assim eu posso morrer com oitenta anos, com cem ou cento e vinte. Um aviso desses nao me serve. Quero com hora e lugar certos.

 - Esta bem. Dentro de sete dias, aqui no jardim - a Morte disse e sumiu.

    O ferreiro ficou quieto, pensando. Sete dias nao era muito. Precisava se apressar.

       Mas o ferreiro nao se apressou. Nesses sete dias, fez o que sempre fazia, do jeito que sempre  fazia. Apenas passou mais tempo com os netos, contando histrias.

       Quando o prazo se encerrou, ele estava no jardim, a espera da Morte. Ele nao disse nada. Ela tambem nao disse nada.

      Foram andando juntos, como velhos amigos.

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