14/3/2010 - TRANSPORTE PÚBLICO, ONDE FICA A SAÍDA?
Curitiba e Brasília: as escalas das imagens não são idênticas
Matéria da jornalista Adriana Bernardes publicada no Correio Braziliense(14/03/2010), trás à baila uma série de mazelas do sistema de transporte público de Brasília. Mazelas que afetam o quotidiano do brasiliense. O dia a dia do transporte público de Brasília é marcado pela insatisfação dos seus usuários.
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A jornalista aponta que, apesar de cada ônibus transportar em média menos de 15 passageiros por dia, os veículos do sistema de transporte público circulam abarrotados de gente. Fora dos horários de pico uma parcela substancial da frota de ônibus permanece ociosa, estacionada. Ônibus piratas circulam com relativa impunidade. Passageiros se queixam do descumprimento das tabelas de horários e até dos itinerários.
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A matéria evidencia também o fato de que a cidade conta com uma frota de onibus 67,8% maior que a de Curitiba, uma cidade com uma população próxima da de Brasília. O número de linhas de ônibus em Brasília é quase três vezes maior que o da capital paranaense. Apesar de tudo isso a quantidade de passageiros transportados em Brasília é quase 30% menor que o de Curitiba.
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A reportagem,citando o professor Joaquim Aragão, da Universidade de Brasília, indica uma grande e principal causa das ineficiências do transporte público em Brasilia. Sua origem estaria na falta de gestão do sistema. Uma explicação que certamente não é falsa mas que não esgota nem esclarece um problema fundamental da circulação urbana da capital federal.
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Todos concordam que Curitiba conta com um sistema de transporte público inovador, bem planejado e administrado. Um sistema que foi considerado modelar e serviu de exemplo para outras experências bem sucedidas. Várias dessas experências extrapolaram as fonteiras do território nacional, como a realizada em Bogotá, capital da Colômbia.
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O que falta dizer, entretanto, é que Curitiba é uma cidade bem mais compacta e densa que Brasília. Se fizermos uma superposição de mapas, na mesma escala, de Brasília e Curitiba, verificaremos que a mancha urbanizada da segunda cidade é bem menor que a da nossa capital.
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O fato de Curitiba ser uma cidade compacta, relativamente densa e de urbanização contínua foi, sem sombra de dúvida, um dos fatores que facilitou a implantação de seu eficiente sistema de transporte. Brasília, pelo contrário, é uma aglomeração metropolitana polinucleada, espraiada e pouco densa.
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Considerando esses fatores não há como deixar de afirmar que aqui será mais difícil, complexo e caro implantar um sistema de transporte público de qualidade. Nas condições atuais qualquer solução mais efetiva terá um alto custo. Um custo que direta ou indiretamente terá que ser assumido pela população de Brasília ou do restante do País.
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A ocupação urbana espraiada, baixas densidades e falta de compacidade de Brasília também conduzem a outros problemas, que são: a destruição ou perdas do ambiente natural do cerrado e de recursos naturais, uma maior taxa de carbono e uma enorme perda econômica quanto ao consumo de energia no Distrito federal. Chego a suspeitar que os fatores acima apontados, tanto quanto a especulação imobiliária, contribuem para a valorização estratosférica dos imóveis localizados na área central (Plano Piloto e adjacências) da cidade.
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Poderiam ser também indicados custos sociais decorrentes do espraiamento e baixa densidade urbana do Distrito Federal. Entre esses a desnecessária perda de um precioso tempo para um grande número número de habitantes da cidade. Um tempo que se perde diariamente para se ir ao trabalho ou à escola e outras destinações, e que poderia ser usado de forma mais proveitosa.
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São problemas que deverão ser enfrentados para que o desenvolvimento da cidade possa ocorrer de forma harmônica e pouco traumática. Problemas que, devemos dizer, não foram ainda devidamente equacionados. A solução dos mesmos não foi amadurecida na elaboração e aprovação do último PDOT (Plano Diretor de Ordenamento Territorial). A falta de seu equacionamento leva a conflitos e lutas ambientais, muitas vezes bem intencionadas, mas equivocadas.
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O encaminhamento dessas soluções não passa somente pela necessidade de adoção de uma postura mais ética - condição certamente necessária mas insuficiente. Além do combate à corrupção, propostas de soluções factíveis para essas questões deverão obrigatoriamente fazer parte da agenda de quem quer que pretenda governar o Distrito Federal.
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Com crescente inquietação, não vejo evidências ou sinais de que a solução desses problemas preocupe potenciais candidatos aos poderes legislativo e executivo da cidade. São questões que desafortunadamente ainda não comparecem de forma clara e coerente nos programas e propostas dos partidos que disputam a arena política de Brasília.
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