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FILOSOC

• 15/3/2011 - APRESENTAÇÃO

 

Este Blog destina-se aos meus alunos que terão a necessidade de localizar textos utilizados em aula. E também aos meus amigos que tenham interesse em ler meus escritos filosóficos e sociológicos.

Aproveito também para divulgar eventos..

FILOSOC

 

 

 

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• 15/3/2011 - Comunidade

 

 

 

Caros amigos,

se achar útil ver imagens de outros trabalhos que realizo, digite:

www.clickgratis.blog.br/nsespinhos

 

 

 

 

 

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• 18/2/2011 - Atividades

Olá, turma boa! "É nóis na fita".

A maioria de vocês faltou na última aula. Poderá fazer em casa a atividade dessa aula. Responder no caderno de filosofia as seguintes perguntas:

1- Você acredita no destino pré-determinado? Explique.

2- Na sua opinião de onde vem as doenças, ou seja, oque faz surgir as doenças?

3- Na sua opinião, que forças governam o curso da história, ou seja, o que fez a sociedade ser como é?

4- Leia o texto "O Destino" do livro  "O Mundo de Sofia". Responda: O que Sofia pensava sobre o assunto?


Numa próxima aula vamos fazer uma roda e levar um lero sobre essas questões. Legal. O papo vai ser irado.

Até lá.

P.S. neste blog tem uma musica para você. É só clicar e ouvir.

Geraldo        

                             

 

Texto 8 -  O destino

 

Sofia voltou para o seu quarto e abriu o envelope branco, que estava um pouco úmido nas bordas e apresentava algumas marcas profundas. Por que seria? Havia dias tinha parado de chover.

Na folha de papel lia-se?

1- Você acredita no destino?

2- As doenças são um castigo dos deuses?

3- Que forças governam o cursoda história?

Se ela acreditava no destino? Não. Quer dizer, não muito. Mas ela conhecia um monte de gente que acreditava. Por exemplo, muitas das suas colegas de classe liam diariamente o horóscopo nas revistas. E se elas acreditavam em astrologia, acreditava também em destino, pois os astrólogos acreditamn que a posição dos astros no céu diz alguma coisa sobre a vida das pessoas na Terra.

Se achamos que um gato preto que cruza nosso caminho pode nos trazer azar, então também é verdade que a gente acredita em destino, não é mesmo? e quanto mais pensava sobre o assunto, mais exemplos de crença no destino ela encontrava. Por que se diz "bater na madeira, por exemplo? E por que a sexta feira 13 era considerada um dia de azar? Sofia tinha ouvido falar que muitos hotéis não possuem o quarto número 13. Na certa porque existem muitas pessoas supersticiosas.

Sofia estava certa em uma coisa: Demócrito não acreditava no destino. Ele era materialista. Ele só acreditava no átomo e no espaço vazio.

Sofia tentou refletir sobre as outras duas perguntas.

" as doenças são um castigo dos deuses?" Será que alguém ainda acreditava nisso hoje em dia? de repente se lembrou de que muitas pessoas oram a Deus para curar-se. Ora, isto significa que, para elas, deve haver um dedo de deus na decisão sobre quem deve adoecer e quem deve continuar sadio.

A última pergunta era a mais difícil. Sofia nunca tinha refletido sobre o que governa o curso da história. Não seriam as próprias pessoas? Se fosse Deus, ou o destino, as pessoas não teriam livre-arbítrio.

 

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• 16/2/2011 - Os que perderam os fundamentos


SOCIOLOGIA    (29)
Os que perderam os fundamentos
 
Plínio Marcos

 
O seco olhar do velho indio, seco como o olhar de um corpo sem alma, correu pelo chão seco da triste aldeia e parou na gente seca de sua outrora tão gloriosa tribo. Gente seca que, com as mão secas de almas sem esperança, teciam, a duras penas, vergados sob o peso da indolência, seus ofícios aviltantes, nesses secos tempos, tempos dos tempos da raça. E o ofício ali exercido por gente seca, de mãos secas de almas sem esperança, lhes foi generosamente legado por seus bravos antepassados, por seus venerados antepassados, que foram bravos e foram venerados justamente porque exerceram esses ofícios orgulhosamente em seus tempos, em foram muitos tempos, tempos bastantes para os fundamentos da tribo serem plantados, tempos bastantes pra vida da tribo ser honrada por várias gerações.
E o seco olhar do velho indio, seco como o olhar de um corpo sem alma, já turvo por tantos tempos de sua existência seca, começava a bem ver, ver de ver, ver de perceber, ver de penetrar nas entranhas das coisas, ver de enxergar o essencial. E o seco olhar do velho indio, seco como o olhar de um corpo sem alma, via, via pela primeira vez que o arco, a flecha, o tacape e os cocares de penas multicoloridas, que as mãos secas de almas sem esperança dos lamentáveis indios sem cor, sem brilho, sem cantos arrematavam, vergados ao peso da indolência, jamais seriam as armas de valor provado em tantas batalhas, como aquelas que, em outros tempos, empunhadas por bravos guerreiros, foram guardiãs da honra da tribo, da liberdade da tribo, do respeito da tribo por si mesma. E o seco olhar do velho indio, seco como o olhar de um corpo sem alma, via, via pela primeira vez que o barro, amassado sem nenhum encantamento pelas secas índias, de mamas secas, de ventre apodrecido, parideiras de uma prole sem cor, sem brilho, sem cantos, prole que não encarnava o bravo espírito dos bravos guerreiros de outrora, jamais seria a cuia das doces bebidas que os deuses ensinaram os bravos índios a beber pra terem sempre seus ânimos renovados para os duros combates da preservação. E o olhar seco do velho indio, seco como o olhar de um corpo sem alma, via, via, via, pela primeira vez, que a mandioca batida pelas secas mãos de almas sem esperança jamais seria a farinha da nutrição da gente seca de sua outrora tribo. O seco olhar do velho indio, seco como o olhar de um corpo sem alma, via, via, via que jamais, jamais, jamais o trabalho feito pelas mãos secas de almas sem esperança seria o nobre trabalho que dignifica o homem. Que o arco, a fecha, o tacape, o cocar de penas multicoloridas, o barro, a farinha jamais seriam distendidos, moldados, consumidos pela liberdade, pela honra, pelo auto-respeito da tribo, gente seca, de mão secas de almas sem esperança.
O arco, a flecha, o tacape, o cocar de penas multicoloridas, o barro, a farinha, feitos pela geração enferma da outrora gloriosa tribo seriam levados pelos tristes índios sem cor, sem brilho, sem canto, com passos trôpegos, ao posto comercial dos brancos cidadãos contribuintes e seriam trocados pela branca aguardente dos brancos cidadãos contribuintes. E a branca aguardente dos brancos cidadãos contribuintes envenenaria o sangue, a energia, o trabalho, a fé, a esperança do índio. Envenenaria o índio, e o arco do índio, e a flecha do índio, e o cocar de penas multicoloridas, e o barro do índio, e a farinha do índio, e a cor, e o brilho, e o canto do índio, e a honra, e a liberdade, e o respeito do índio por si mesmo, e todos os fundamentos da tribo do índio, e o ventre apodrecido das mulheres da tribo, que geraria cada vez mais a mais miserável das descendências do índio.
E o arco, a flecha, o tacape, e o cocar de penas multicoloridas, e a cuia iriam enfeitar as brancas paredes das brancas moradas dos brancos cidadãos contribuintes. E o olhar seco do velho índio, seco como o olhar de um corpo sem alma, via, via, via, pela primeira vez, que esse comércio já há tanto tempo praticado por sua gente, por ele mesmo e por seus antepassados, com os brancos cidadãos contribuintes, lhes envenenava o sangue, os fundamentos recebidos por herança, os gritos de guerra de toda uma raça, o sonho, a energia, o trabalho, a ânsia de liberdade, sobretudo a ânsia de liberdade. E o seco olhar do velho índio, seco como o olhar de um corpo sem alma, via, via, via que era o tempo dos tempos de sua raça. Via, via, via, o olhar seco do velho índio, seco como o olhar de um corpo sem alma, que era a grande hora de dor da sua tribo. E sentia que era chegado o seu momento-limite de cacique, o momento de tomar a decisão mais corajosa de todos os tempos da tribo. Era o momento doloroso da escolha.
Era a hora do crepúsculo. Era a hora do crepúsculo da tribo e também era crepúsculo de mais um dia de triste trabalho da outrora gloriosa tribo. O Sol se punha por trás das montanhas e a primeira estrela brilhava no infinito. E o seco olhar do velho índio, seco como o olhar de um corpo sem alma, se fixou nessa estrela. E seu pensamento se elevou até os grandes espíritos e se fez a magia. E o velho índio, com a visão imemorial, viu com coragem todos os tempos da sua tribo. Correu pelas matas com a alma virgem dos bravos índios que plantaram os fundamentos da tribo, quando as matas eram virgens das patas dos brancos cidadãos contribuintes. E depois viu chegarem as brancas caravelas, de brancas velas, com a tripulação branca de cidadãos contribuintes, que tinham brancas armas que matavam à distância. E o velho índio viu e reviu que seus antepassados se deslumbravam diante da branca feitiçaria dos brancos cidadãos contribuintes, mas não se deixavam subjugar. E os brancos cidadãos contribuintes em vão tentaram subjugar os bravos índios, com suas brancas armas. Não se subjuga um bravo.
Nem o ferro, nem o fogo, nem a chibata subjuga um bravo que sonha o sonho mais lúcido do espírito, que é a liberdade. Liberdade pra ser caminheiro em busca de luz, da síntese do amor e do tempo. E, esgotados os recursos das armas, os brancos cidadãos contribuintes vieram com os brancos truques da branca tecnocracia. E o velho índio, com sua visão imemorial, viu chegarem no meio de sua gente os falsos filhos dos deuses, os falsos homens do fogo, os falsos filhos do trovão, reles lacaios brancos dos brancos cidadãos contribuintes que assombraram os índios com seus brancos truques tecnocratas. Assombravam os índios os brancos truques da branca tecnocracia dos brancos cidadãos contribuintes, mas não os subjugavam. Os bravos índios, assim como todos os bravos, com todo o vigor das almas puras, ingênuos no fervor de suas crenças, podem ser acabados pelo furor das armas, podem ser enganados, mas não se subjugam suas almas livres, nem com o ferro, nem com o fogo, nem com a chibata. Não se prende o espírito, nem o espírito se apaga, quando ele retém, mesmo que inconsciente, a chama geradora da virilidade. E os ingênuos, no fervor de suas crenças, sempre retêm a sagrada chama. E o índio não podia ser escravo pelo peso das armas, ele que já era escravo dos fundamentos da sua tribo, por querência, por respeito a si mesmo, por honra, pelo desejo lúcito do espírito de ser livre. Não se escraviza quem se escravizou espontaneamente no fervor de uma fé. E o índio de alma pura não se submeteu nem ao ferro, nem ao fogo, nem à chibata, nem aos assombrosos truques tecnocratas dos brancos cidadãos contribuintes escravocratas, mesquinhos escravos da própria ganância. E a visão imemorial do velho viu, viu, viu bem o peito de seus bravos antepassados serem rasgados pelo fogo e pelo trovão dos brancos cidadãos contribuinte. Viu, viu, viu, com a visão imemorial, o sangue generoso dos seus bravos antepassados regar o solo de terra firme, consagrada por toda uma raça que se nutria de honra e se multiplicava em bravos. E o velho índio viu, viu, viu, com a visão imemorial, que não se ganha nas armas a alma de um bravo, ingênuo no fervor de sua crença. Mas, o velho índio, pálido de espanto, viu, viu, viu que um bravo, mesmo ingênuo no fervor de sua crença, mesmo forte no fervor de sua crença, pode ser seduzido com a hipócrita palavra, com o hipócrita paternalismo, com hipócritas presentes. Com a lábia.
O velho índio, com sua visão imemorial, viu, viu, viu pálido de espanto, descerem das brancas caravelas dos brancos cidadãos contribuintes brancos sacerdotes que, viajando sem bandeira, em nome do grande Deus branco dos brancos cidadãos contribuintes, foram pacientemente, com agrados, ensinado a língua estrangeira, os costumes estrangeiros, a religião estrangeira, a cultura estrangeira ao índio. E foram desarmando o índio dos seus fundamentos, dos fundamentos da sua tribo, foram descaracterizando o índio e entregando o índio, desarmado dos seus fundamentos e de suas crenças, aos brancos cidadãos contribuintes. O homem sem os seus fundamentos de origem se corrompe, se vicia. E os brancos sacerdotes dos brancos cidadãos contribuintes, com a pose de pais magnânimos, corromperam o espírito do índio nos seus fundamentos. E os brancos cidadãos contribuintes viciaram a carne do índio, geração após geração. E foi fácil para os brancos cidadãos contribuintes, com suas brancas armas tecnocratas, matarem os poucos índios que não se degeneraram, que não se desvincularam dos fundamentos da tribo, que não se descaracterizaram. E aí chamaram os índios desarmados dos seus fundamentos, adoecidos de corpo e alma, para o comércio. Comércio feito sempre na língua branca dos brancos cidadãos contribuintes, com pesos e medidas dos brancos cidadãos contribuintes, peritos em trocar suas quinquilharias supérfluas pelos gêneros vitais dos índios. E os brancos cidadãos contribuintes chamaram o índio, desarmado dos seus fundamentos, desarmado do fervor de sua crença, doente de corpo e alma, empobrecido por um comércio sórdido, para fazer acordos territoriais. E os acordos foram feitos na branca língua dos brancos cidadãos contribuintes, com os pesos e as medidas dos brancos cidadãos contribuintes. E foram limitados os espaço do índio, e foram limitados os sonhos do índio, e foram apagados os fundamentos da tribo do índio. E o índio, ao ser desligado dos seus fundamentos, como qualquer povo que se desliga do seus fundamentos, perdeu o fervor ingênuo em sua crença, se tornou enfermo de corpo e alma, adquiriu os brancos vícios dos brancos cidadãos contribuintes, ficou desfibrado, indolente, sem coragem pra se rebelar. E o velho índio viu, com a visão imemorial anos e anos a fio, sua tribo, sua raça inteira se degenerar no contato social, religioso, cultural, comercial com os brancos cidadãos contribuintes. E viu o velho índio, viu, viu, viu quantas vezes quis ou teve coragem. Viu tudo com visão imemorial. E entendeu o velho índio que a sua outrora gloriosa tribo começou a morrer quando aprendeu a fala branca dos brancos cidadãos contribuintes. Que começou a morrer quando aceitou o grande Deus branco do branco cidadão contribuinte. Que os brancos cidadãos contribuintes, em nome da religião, da filosofia, da cultura, da tecnocracia, mataram a religião, a filosofia, a cultura e todos os fundamentos da tribo e da raça.
E o velho índio voltou para si mesmo. Era a hora grande, hora de todos os espíritos, de uma noite de Lua cheia. A aldeia estava em silêncio, os índios dormiam o sono sem repouso das almas secas de sonho. Era a hora grande, hora de todos os espíritos, de uma noite de Lua cheia, mas era também a grande hora de uma tribo inteira. E o seco olhar do velho índio, seco como o olhar de um corpo sem alma, correu pelo seco chão da triste aldeia dos lamentáveis índios sem cor, sem brilho, sem canto e encontrou o sagrado tambor de guerra, há muito tempo mudo por não poder ser tocado por mãos secas de alma sem esperança. E o velho índio de seco olhar, como é seco o olhar de um corpo sem alma, tocou o tambor, tocou o tambor, tocou o tambor. Tocou o toque guerreiro de toda a sua tribo, tocou o toque dos fundamentos de toda sua raça, tocou o toque de honra, o toque do auto-respeito, o toque sublime dos sublimes anseios de liberdade de um povo. Dentro da noite soou forte o toque de guerra da tribo do velho índio, o toque dos fundamentos da tribo do velho índio, o toque dos anseios de liberdade de toda a raça do velho índio. Mas, os lamentáveis índios, sem cor, sem brilho, sem canto, estavam arreados pela indolência num sono sem repouso das almas secas de sonho. Nenhum respondeu aos apelos do toque do tambor guerreiro batido pelo velho índio. Nenhum escutou o toque dos fundamentos da tribo e da raça, batidos no tambor guerreiro pelo velho índio.
E o seco olhar do velho índio, seco como o olhar de um corpo sem alma, se encheu de lágrimas. Ele via, via, via tudo com clareza. Mas era tarde. Ele não tinha mais a cor, o brilho, o canto para convocar pra labuta da vida uma gente que se amesquinhou no aviltante trabalho de mãos secas de almas sem esperança. Já não tinha, o velho índio, a cor, o brilho, o canto. A sua pele encardida, o seu sangue apodrecido, seu espírito vacilante já não tinham a cor, o brilho, o canto para convocar sua gente de pele encardida, de sangue apodrecido, de espírito vacilante, para a labuta da vida que dignifica a existência. E já não tinha a cor, o brilho, o canto para convocar sua gente sem cor, sem brilho, sem canto para a morte honrosa que dignifica a existência. E o velho índio compreendeu que toda a sua raça estava surda aos próprios fundamentos da raça. E compreendeu que, quando um povo já não pode ser convocado para a labuta da vida, que é o que dignifica a existência, quando um povo já não pode ser convocado para a morte honrosa, que é o que dignifica a existência, é o tempo final desse povo, é o tempo dos tempos desse povo. E, compreendendo tudo isso, o velho índio chamou a sua tribo para o centro da triste aldeia. E vieram todos, sonados, arrastando seus corpos cansados de almas sem esperança, e pararam diante do velho índio.
O velho índio de olhar seco, como seco é o olhar de um corpo sem alma, olhou os lamentáveis índios sem cor, sem brilho, sem canto, de uma tribo em degeneração total e, com a voz firme, ordenou serenamente que se matassem todas as mulheres da tribo nascidas daquela lua em diante. Ordenou serenamente, com a voz firme de um grande cacique, ordenou com ternura, ordenou certo de ser obedecido, e se afastou. Foi sentar-se num tronco seco de uma outrora frondosa árvore e, com os olhos secos, como são secos os olhos de um corpo sem alma, ficou espiando o nada, o vazio, esperando o fim de toda sua raça.
 
 
 
 
1-     Escreva tudo o que, conforme o texto mudou na vida dos índios com a chegada dos brancos?
2-    O autor diz “os índios adquiriram os vícios dos brancos”. A quais vícios ele se refere?
3-    O texto diz que a religião dos brancos fez mal para os índios. Você concorda? Explique, comente, dê sua opinião.
4-    O texto diz que os brancos sacerdotes tiraram os fundamentos dos índios e entregaram os índios ao domínio dos brancos. Copie o trecho que se refere a isso.
5-    “Os olhos do velho índio se encheram de lágrimas”. Por quê?
6-    Qual foi a última ordem do chefe índio? Por que ele deu essa ordem?
 
 
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• 11/6/2010 - SÓCRATES

SÓCRATES

TEXTO 10

 

 

      Viveu entre os anos de 470 a 399 antes de Cristo na cidade de Atenas, na Grécia. Conheceu o apogeu e a decadência de Atenas. Na época as cidades gregas eram cidades-estados. Cada cidade tinha seu próprio sistema de governo, de educação, religião, etc. Só tinham em comum a língua e a defesa militar. As cidades gregas se uniam em caso de guerra. Mas o rei da Macedônia, Felipe II, uniu-se a uma cidade grega, Esparta, contra outra cidade grega, Atenas, derrotando os atenienses. Sócrates havia vivenciado um período que ficou conhecido como “século de Péricles”. Péricles foi um governante de Atenas que fortaleceu a chamada “democracia grega” e incentivou a cultura atraindo para a cidade filósofos, poetas, artistas diversos. Sócrates também conheceu a decadência de Atenas com a guerra e a peste. Terminada a guerra os que tinham dinheiro passaram a comprar propriedades e surgiu uma nova elite. Essa nova elite não manteve a mesma tradição cultural.

     Sócrates foi aluno dos chamados “sofistas”, que eram mestres ambulantes, ensinavam de casa em casa para os que podiam pagar pelas aulas. Não havia escolas. Durante muito tempo Sócrates foi aluno desses mestres até o dia em que se voltou contra eles e se tornou um novo mestre. Descalço e mal cuidado, vivia pelas praças dialogando com os jovens sem cobrar por essa atividade. Tentava libertar os jovens das manipulações das lideranças e voltava-se contra os sofistas sobretudo por um motivo: eles ensinavam.

     Sócrates utilizava dois métodos de educação. Um ganhou o nome de “maiêutica, palavra que deriva de mãe. Ele era filho de uma parteira. A função da parteira é ajudar a criança a vir a luz. Não é ela que faz a criança existir. Sócrates se dizia um parteiro de idéias . Afirmava que nenhum mestre podia ensinar nada porque as pessoas já nascem sabendo. Cada pessoa já nasce com todo o saber dentro de si. Cada pessoa é um “microcosmo”, um resumo do mundo. Mas precisa tirar esse saber de si para poder utilizá-lo. Por isso Sócrates não ensinava, apenas provocava. Para provar sua teoria ele, em certa ocasião, se pôs a dialogar com um escravo, iletrado. E, sem afirmar nada, apenas questionando de maneira lógica e linear, fez com que o escravo chegasse a admiráveis conclusões intelectuais. Sua máxima era “conhece-te a ti mesmo“, isto é, aquilo que você precisa saber não busque nos mestres, busque dentro de si mesmo. O mestre deve apenas facilitar, ajudar.

     O outro método de Sócrates era a “ironia”. Ele procurava os considerados sábios dando a impressão de buscar uma lição no interlocutor. Com grande lógica e coerência de raciocínio acabava fazendo com que o outro desistisse do dialogo ou caísse em contradição. Então dizia: “Sou o mais sábio porque, pelo menos sei que não sei” Quem se considera sábio não aprende porque acha que já sabe e para de pensar. É necessário sempre desenvolver mais o pensar sobre o que aprende. O saber não se esgota. Não há nada sobre o que alguém saiba tudo. Dizia Sócrates “só sei que não sei”.      

     Sócrates acabou sendo condenado à morte acusado de estar incentivando a rebeldia, de estar corrompendo a juventude e ofendendo os deuses., Após o julgamento propuseram pagar uma certa quantia em troca de continuar vivendo. Seus discípulos queriam pagar, mas Sócrates achou que isso significaria reconhecer-se culpado. Preferiu morrer.

 

QUESTIONÁRIO TEXTO 10 SÓCRATES 

     1- Explique os dois métodos de Sócrates.

     2- Sócrates comparava o trabalho dele com o da mãe dele. Explique essa comparação.

     3- Fale sobre a vida de Sócrates.

     4- O que Sócrates pensava sobre o conhecimento?

 

 

 

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• 11/6/2010 - VÍDEO DO MITO DA CAVERNA - TEXTO 11

PLATÃO

TEXTO 11

      Platão pertencia a uma das mais nobres famílias de Atenas, onde nasceu em 427 A.C. Seu nome verdadeiro era Arístocles, mas devido a sua constituição física recebeu a alcunha de Platão, que vem do grego platô e significa de ombros largos.

     Platão foi discípulo de Sócrates. Após a morte de seu mestre, ausentou-se de sua cidade por longo tempo para realizar inúmeras viagens. Trinta anos depois , voltando a Atenas, fundou nos jardins construídos por seu amigo Academus uma escola que ficou conhecida pelo nome de Academia.

     Platão afirmava que o corpo representa um obstáculo para o verdadeiro conhecimento. Nossa vida material, isto é sensível, proporciona apenas a oportunidade para que a alma se recorde das regiões celestiais.

     No mundo das idéias, conforme ensina Platão, existe uma idéia suprema, que é o bem, causa primeira do universo. Esta idéia do bem, segundo alguns autores, deve ser identificada com a idéia de Deus.

     Para Platão tudo aquilo que pegamos, vemos, ouvimos e sentimos não constitui a verdadeira realidade. Tudo que percebemos através dos sentidos não passa de sombras dos seres que habitam o mundo de idéias.

     Segundo Platão, tudo o que percebemos através dos sentidos é uma cópia imperfeita dos seres do mundo das idéias.     

     Platão ensinava que toda a realidade percebida pelos sentidos é uma cópia imperfeita da verdadeira realidade existente no mundo das idéias. Para ele, a mais bela das obras de arte não está totalmente ajustada à idéia que se pode fazer da beleza.

ARISTÓTELES

      Aristóteles nasceu em 384 a.C., em Estagira, na Macedônia. Jovem ainda foi para Atenas ingressando na Academia de Platão, onde permaneceu por vinte anos. Após a morte de seu mestre, Aristóteles era o seu natural substituto na direção da Academia. Entretanto, não pôde assumir tal função, por ser considerado pelos atenienses um estrangeiro. Decepcionado com o acontecimento deixou Atenas e partiu para a Ásia Menor.

     A sua fama de filósofo aumentava dia a dia quando Felipe II, Rei da Macedônia, o convidou para ser educador de seu filho Alexandre.

     Em 338 a.C, Aristóteles retornou a Atenas fundando a sua própria escola que passou a ser conhecida como Liceu, em homenagem ao deus Apolo Lício.

     Aristóteles discorda de Platão. Para Aristóteles o mundo das idéias não existe separado das coisas que vemos, mas constitui a sua essência. A única realidade existente são as coisas individuais, isto é, o geral não existe na natureza, o que existe é o individual. A sabedoria consiste em aplicar as generalizações, as idéias, às coisas que existem individualmente.

     Assim como os filósofos que o antecederam, Platão também queria encontrar algo de eterno e de imutável em meio a todas as mudanças. Foi assim que ele chegou às idéias perfeitas, que estão acima do mundo sensorial. Além disso, Platão considerava essas idéias mais reais do que os próprios fenômenos da natureza. Primeiro vinha a “idéia” cavalo e depois todos os cavalos do mundo dos sentidos, trotando como sombras projetadas sobre a parede de uma caverna. A idéia “galinha” vinha, portanto, antes da galinha e do ovo.

     Aristóteles achava que Platão tinha virado tudo de cabeça para baixo. Ele concordava com seu mestre em que o exemplar isolado do cavalo “flui”, passa, e que nenhum cavalo vive para sempre. Ele também concordava que, em si, a forma do cavalo era eterna e imutável. Mas a “idéia” cavalo não passava para ele de um conceito criado pelos homens e para os homens, depois de eles terem visto um certo número de cavalos. A “idéia” ou a “forma” cavalo não existia, portanto, antes da experiência vivida.Para Aristóteles, a “forma” cavalo consiste nas características do cavalo, ou seja, naquilo que chamaríamos de espécie.

     Para Platão, o grau máximo da realidade está em pensarmos com a razão. Para Aristóteles, ao contrário, era evidente que o grau máximo de realidade está em percebermos ou sentirmos com os sentidos. Platão considera que tudo o que vemos ao nosso redor na natureza são meros reflexos de algo que existe no mundo das idéias e, por conseguinte, também na alma humana.

     Aristóteles achava exatamente o contrário: o que existe na alma humana nada mais é do que reflexos dos objetos da natureza. Para Aristóteles, Platão foi prisioneiro de uma visão mítica do mundo, que confundia as idéias dos homens com a realidade do mundo.

     Aristóteles nos chama a atenção para o fato de que não existe nada na consciência que já não tenha sido experimentado antes pelos sentidos.

 

 

 

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• 11/6/2010 - PLATÃO E ARISTÓTELES

PLATÃO 

 

TEXTO 38

O filósofo grego Platão, há quase 2,5 mil anos, acreditava que o mundo que conhecemos não é o verdadeiro. Para ele, a realidade não estava no que podemos ver, tocar, ouvir, perceber.

A verdade, para Platão, é o que não se modifica nunca, o que é permanente, eterno. Mas como encontrar essa verdade?

O episódio de hoje começa a 150 metros de profundidade, numa mina de carvão em Criciúma, Santa Catarina. Andamos quatro quilômetros num carrinho, quatro quilômetros em um labirinto de caverna. Nós estamos totalmente protegidos: bota, macacão, lanterna, máscara e protetor de ouvido.

Titão trabalha nesse mundo subterrâneo há 13 anos, sete horas e meia por dia mergulhado na escuridão.

“Eu tenho orgulho de fazer isso aqui. É lógico que o ar da mina não é tão bom quanto na superfície. A gente sente as máquinas, aquece um pouco. Então, a gente sofre um pouquinho, mas leva. Bota no peito que é aqui mesmo que se vai ganhar o meu pão e vê o que dá”, afirma Titão.

É como se fosse um outro mundo?

“Para mim é. Para outras pessoas, que vêm visitar, assusta, acham assustador”, conta Titão.

Na filosofia de Platão existem dois mundos: o primeiro é aquele que podemos perceber ao nosso redor, com os cinco sentidos. O outro é o mundo das idéias, onde tudo é perfeito e imutável. Não podemos tocá-lo, ele não é concreto. Só o pensamento pode nos levar até lá.

Para entender melhor isso, a gente precisa conhecer uma história que Platão criou: o Mito da Caverna.

Imagine um grupo de prisioneiros que nasceu no interior de uma caverna escura. Eles estão acorrentados de costas para a entrada da caverna e só podem olhar para a parede do fundo. A luz de uma fogueira projeta nessa parede as sombras de tudo o que existe lá fora. Os prisioneiros acham que elas são a realidade. Nunca viram a luz.

Nossa vida, para Platão, é como a dos prisioneiros do mito, acorrentados no fundo da caverna. Vemos as coisas que conhecemos como se fossem reais, mas não passam de sombras, ilusão. A verdade está fora da caverna, no mundo das idéias, na luz. Ou seja: é preciso desconfiar do que nossos olhos e ouvidos dizem. Devemos nos guiar pelo pensamento e pela razão. Foi em torno dessa idéia que nasceu a filosofia, no fim do século V antes de Cristo.

O filósofo grego foi ainda mais longe: Platão afirmava que o corpo era um túmulo que aprisiona a alma. Um obstáculo ao pensamento.

“Eu não posso te falar o que é alma, porque eu nunca vi uma alma para vir me avisar o que é alma”, diz o coveiro João Caetano.

“Promoção para a mulherada é tudo, é um sonho”, diz a jornalista Aparecida Torneros.

Platão acredita que para atingir a verdade e o bem, você deve se libertar da sedução dos sentidos.

“O prazer de ver, o prazer de quando pode comprar e o prazer de usar”, define Aparecida.

Em um shopping, por exemplo, você pode ficar hipnotizado pelas vitrines, pelas pessoas bonitas que encontra, por aquele doce gostoso.

“O pior é que às vezes a gente compra e não tem nem lugar especial para levar hoje e nem amanhã. Mas eu deixo guardada, porque de repente...”, confessa a jornalista.

São os apelos do corpo, que nos levam a paixões descontroladas e nos afastam da verdade. Platão dizia que ele deve ser sempre submetido às avaliações do pensamento.

Mas qual a relação entre o mundo dos sentidos e o das idéias? Tudo o que a gente vê e percebe ao redor são cópias mal-feitas das idéias, que são perfeita e eternas. É como se a natureza e as pessoas fossem uma cópia de modelos que só existem no mundo das idéias. O que Platão quer com isso é distinguir o verdadeiro do falso, o semelhante do diferente, a essência da aparência.

Você sabia que Platão também desconfiava da arte? O motivo: ela seduz nossos sentidos e nos desvia da busca pela verdade. O artista se inspira em coisas que existem no mundo, ou seja: em cópias, por exemplo, como em uma mulher.

Uma mulher é a cópia de um modelo perfeito de outra que só existe no mundo das idéias. A arte, portanto, seria cópia da cópia - duplamente enganadora. Se a arte é cópia da cópia imagine o que seria uma banda cover! Cópia da cópia da cópia.As ilusões da arte atrapalham, a filosofia, não. Só ela é capaz de conduzir o homem ao bem e è verdade.O que a herança platônica nos deixou foi uma forma de avaliar o mundo que opõe o bem e o mal a partir de modelos fixos, de idéias. Vivemos guiados por ideais - o ideal de corpo, de filho, de marido - mas será que é possível atingi-los?

“Eu gosto muito de viver no escuro. É a coisa do pensamento, né? No escuro, a gente pensa muitas coisas. Mais no escuro do que no claro”, afirma Titão. Será que viver nas sombras é pior do que viver na luz, como Platão imaginou?

Titão não acha que o escuro faça ele se sentir mal. “Olha como é que eu estou aqui todo emocionado, não estou?”, diz Titão, entre lágrimas.Será que a cópia é pior do que o original? Existe mesmo um original? Nesse mundo de mudanças, o que existe são diferenças. E em nossas diferenças, somos todos originais.

 

ARISTÓTELES

TEXTO 38

Conheça as idéias do filósofo grego Aristóteles, que estudou os conceitos de lógica e raciocínio.

Uma família de Natal inventou uma língua maluca para se comunicar, um dialeto que não se parece com nada do que você já ouviu antes. Será que isso tem lógica? E o que esse idioma inventado tem a ver com a Filosofia? Tudo! “Sete gombe pra maezta.” Russo? “Kudermente tombe kundermebre!” Japonês? “Ebnaskdedkkenjej fuki six! Canjães! Canjães!” Está de trás para frente? Você consegue decifrar o que são essas frases? Conheça Cloe, Rosemeire, Beethoven, Célia, Daniela e Christian. Ou melhor: Klomberenteranchente, Kombezente, Bentertombe, Cetekitaens, Dasnisix e Christikisixzaens. É a família Padilha e seu estranho código secreto! O código é uma brincadeira que Célia Padilha e as duas irmãs aprenderam na adolescência. “Eu pratico desde os meus 12 anos. Muitas pessoas perguntavam se era alemão. E a gente não ligava, continuava no código, dando show mesmo”, conta Célia. “Tem gente que pergunta se nós estamos falando mal de alguém”, conta Cloe Padilha, filha de Célia. Esse código faz sentido? Para eles, sim. E você sabe por que a família Padilha se entende, mesmo nessa língua tão estranha? Porque a conversa deles segue as regras da lógica. A palavra "lógica" é muito comum no nosso dia-a-dia. Todo mundo diz "é lógico!" quando não tem dúvida sobre alguma coisa. Ou seja, quando o que é dito faz sentido. Pensar logicamente é uma coisa que está incutida em todas as pessoas, na feira, na sua cabeça, na sua casa. Essa é uma tradição de pensamento que teve origem na Grécia Antiga. O filósofo grego Aristóteles (384-322 a.C.) é considerado o “Pai da lógica”. No último episódio, mostramos que o filósofo Platão dividiu o mundo em dois. O primeiro é o nosso, onde tudo é ilusão. O segundo é o das idéias, o mundo do pensamento e da verdade. Aristóteles era discípulo de Platão, mas não pensava como seu mestre: não existe separação. Verdade e aparência estão aqui, ao nosso redor. Mas como diferenciar uma da outra? Na filosofia de Aristóteles, um dos caminhos para a verdade é a linguagem, desde que obedeça as leis da lógica. “A lógica está na lei, a lógica também está na boa argumentação. A boa argumentação é fundamental para a gente chegar no justo. Mas não a argumentação só da oratória e do discurso vazio. A argumentação fundamentada na prova do processo”, afirma a juíza Andréa Pachá. Sempre que conversamos com alguém, usamos argumentos para expor e defender nossos pontos de vista. E o que é um argumento? Nada mais do que um discurso em que encadeamos afirmações, como os elos de uma corrente, de maneira a chegar a uma conclusão. A base de todo discurso lógico é um raciocínio muito simples: Todo homem é mortal. Flávio é um homem. Então, Flávio é mortal. A gente nem se dá conta, mas usa essa forma de raciocinar toda hora. Sempre obedecemos a algumas regras. Uma das mais importantes é a "não-contradição". Não se pode dizer que uma coisa é uma coisa e ao mesmo tempo não é. Isso é chamado de princípio de contradição, ou de "não-contradição". Nós só podemos, logicamente, afirmar uma coisa, e não o seu oposto. Afirmar uma coisa e o seu oposto quebra completamente o raciocínio, o princípio lógico trazido por Aristóteles. Para a lógica, não importa o que está sendo dito, mas como. Ela é a forma da linguagem, não o conteúdo. Para o filósofo alemão Nietzsche, a lógica é a escravidão da linguagem, porque ela pré-determina os caminhos por onde a linguagem pode passar. Mais ou menos como trilhos de bonde. Podemos pensar o bonde como nosso raciocínio e a lógica como os trilhos, que tem a função de nos levar a uma determinada estação. Essa estação é a verdade. Mas será que tudo só pode ser pensado por meio de argumentos lógicos? Pode-se dizer que alguém está e não está em um lugar ao mesmo tempo? Teoricamente, não. Mas sim, podemos dizer isso. Porque se pode estar fisicamente em algum lugar, mas com a cabeça longe dali. Ou seja, ficar sem lógica não é tão absurdo assim. Você já imaginou lógica em uma relação de casal? O que agora é amor, daqui a um segundo pode se transformar em ódio. E mesmo odiando, você não deixa de amar. Será que em uma discussão você não pode ter e não ter razão ao mesmo tempo? Como manter um discurso lógico diante dos afetos, que são quase sempre contraditórios? Sem a lógica, a linguagem seria como o código da família Padilha para todos nós: incompreensível. Por outro lado, quando a gente se prende a regras muito rígidas, corre o risco de bloquear o pensamento. Pensar é mais do que seguir o correto. Pensar é criar.

 

QUESTIONÁRIO TEXTO 38

- O que o texto 38 fala sobre Platão? Que exemplos ele usa para explicar?

- Texto 38 - O que dizia Platão sobre a realidade?

- Texto 38 - Platão faz uma distinção entre dois mundos. Explique.

- Texto 38 - O que Platão afirmava sobre os cinco sentidos?

- Texto 38 – O que Platão falava do corpo?

- Texto 38 – Faça um resumo do mito da caverna de Platão.

- Texto 38 – Em que Aristóteles discordou de Platão? Explique.

- Lembrando os elementos do texto 38 explique o que é lógica.

- Com que o texto 38 compara a lógica e o raciocínio? Explique.

 

 

 

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• 11/6/2010 - Demócrito

    

DEMÓCRITO

 

Por que O Lego é O brinquedo mais genial do mundo?

     Para começar; Sofia não tinha muita certeza se achava o Lego o brinquedo mais genial do mundo. De qualquer forma, havia muitos anos ela não brincava mais com ele. Além disso, ela não conseguia entender o que Lego teria a ver com filosofia.

     Mas ela era uma aluna obediente. Remexeu o que pôde no maleiro de seu guarda-roupa e acabou achando uma sacola de plástico cheia de peças de Lego de todos os tamanhos e formas.

     Pela primeira vez depois de muitos anos ela começou a construir alguma coisa com as peças de plástico. E, enquanto mexia com elas, começou a refletir sobre o que estava fazendo.

     É fácil construir coisas com as peças do Lego, pensou. Embora elas sejam de diferentes tamanhos e formas, todas podem ser combinadas entre si. Além disso, elas são inquebráveis. Sofia não conseguia lembrar-se de um dia ter visto uma única peça do Lego quebrada. Todas pareciam tão novas quanto no dia em que as ganhou de presente, há muitos anos. E o mais importante: com as peças de Lego ela podia construir qualquer coisa, depois podia desmontar tudo e então construir outra coisa, completamente diferente.

     O que mais se podia exigir de um brinquedo? Sofia chegou à conclusão de que as peças de Lego realmente podiam ser chamadas de o brinquedo mais genial do mundo.

     Mas ela ainda não tinha entendido o que. aquilo tudo tinha a ver com filosofia.

     Depois de algum tempo, Sofia tinha construído urna casa de bonecas. Ainda que relutasse em admitir, há muito tempo ela não se divertia tanto. Por que será que as pessoas deixam de brincar?

     Quando sua mãe voltou para casa e viu a casa de bonecas, exclamou com surpresa:

     - Que bom que você ainda consegue brincar como urna criança!

     - E quem está brincando? Estou trabalhando numa compli¬cada pesquisa filosófica!

     Sua mãe suspirou profundamente. Na certa estava pensando no coelhinho branco e na cartola.

     No dia seguinte, quando voltou da escola, Sofia encontrou outro envelope amarelo cheio de folhas datilografadas.

     Que bom poder falar com você novamente, Sofia! Hoje vou lhe contar sobre o último grande filósofo da natureza. Ele se chamava Demócrito (c.460-370 a.c) era natural da cidade portuária de Abdera, na costa norte do mar Egeu. Se você conseguiu responder à pergunta sobre as peças de Lego certamente não terá dificuldade para entender o projeto deste filósofo.

     Demócrito concordava com seus antecessores num ponto: as transformações que se podiam observar na natureza não significavam que algo realmente "se transformava". Ele presumiu, então, que todas as coisas eram constituídas por uma infinidade de pedrinhas minúsculas, invisíveis, cada uma delas sendo eterna e imutável. A estas unidades mínimas Demócrito deu o nome de átomos.

     A palavra "átomo" significa "indivisível". Para Demócrito era muito importante estabelecer que as unidades constituintes de todas as coisas não podiam ser divididas em unidades ainda menores. Isto porque se os átomos também fossem passíveis de desintegração e pudessem" ser divididos em unidades ainda menores, a. natureza acabaria por se diluir totalmente. Como urna sopa que vai ficando cada vez mais rala.

     Além disso, as "pedrinhas" constituintes da natureza tinham que ser eternas, pois nada pode surgir do nada. Neste ponto, Dernócrito concordava com Parmênides e com os eleatas. Para ele, os átomos eram unidades firmes e sólidas. Só não podiam ser iguais, pois se todos os átomos fossem iguais não haveria explicação para o fato de eles se combinarem para formar de papoulas a oliveiras, do pêlo de um bode ao cabelo humano.

     Dernócrito achava que existia na natureza uma infinidade de átomos diferentes: alguns arredondados e lisos, outros irregulares e retorcidos. E precisamente porque suas formas eram tão irregulares é que eles podiam ser combinados para dar origem a corpos os mais diversos. Independentemente, porém, do número de átomos e de sua diversidade, todos eles seriam eternos, imutáveis e indivisíveis.

     Se um corpo – por exemplo, de uma árvore ou de um animal morre e se decompõe, seus átomos se espalham e podem ser reaproveitados para dar origem a outros corpos. Pois se é verdade que os átomos se movimentam no espaço, também é verdade que eles possuem diferentes "ganchos" e "engates" e podem ser nova¬mente reaproveitados na composição de outras coisas que vemos ao nosso redor.

     E agora acho que você não tem mais dúvida sobre o que eu queria dizer com as peças de Lego, não é? Elas possuem aproxima¬damente todas as características que Demócrito descreveu para os átomos. E é exatamente por isso que se prestam tão bem à construção de qualquer coisa. Em primeiro lugar, são indivisíveis. Em segundo, diferem entre si na forma e no tamanho, são compactas e impermeáveis. Além disso, as peças de Lego possuem ganchos e engates, por assim dizer, o que permite que sejam combinadas na construção de todo tipo de figura. Tais ligações podem ser desfeitas para que as mesmas peças possam ser reaproveitadas na construção de novos objetos.

     Justamente por possibilitarem seu aproveitamento é que as peças de Lego se tornaram tão populares. A mesma peça de lego pode servir hoje para a construção de um carro, amanhã para um castelo.Ainda por cima, podemos dizer que são “eternas”.As crianças de hoje podem brincar com as mesmas pedras que fizeram a diversão de seus pais quando eles ainda eram crianças.

     É claro que também podemos construir objetos de barro. Mas o barro nem sempre pode ser reaproveitado, pois se desfaz em par¬tes cada vez menores, até se reduzir a pó. E estas minúsculas partí¬culas de argila não podem ser reunidas para formar novos objetos. Hoje em dia podemos dizer que a teoria atômica de Demócrito estava quase perfeita. De fato, a natureza ê composta de diferentes átomos, que se ligam a outros para depois se separarem novamente. Um átomo de hidrogênio presente numa célula da pontinha do meu nariz pode ter pertencido um dia à tromba de um elefante. Um átomo de carbono que está hoje no músculo do meu coração provavelmente esteve um dia na cauda de um dinossauro.

     Hoje em dia, porém, a ciência descobriu que os átomos podem ser divididos em partículas ainda menores, as "partículas ele¬mentares". São elas os prótons, nêutrons e elétrons. E talvez estas partículas também possam ser divididas em outras, menores ainda. Mas os físicos são unânimes em achar que em alguma parte deve haver um limite para esta divisão. Deve haver as chamadas partículas mínimas, a partir das quais toda a natureza se constrói.

     Demócrito não teve acesso aos aparelhos eletrônicos de nossa época. Na verdade, sua única ferramenta foi a sua razão. Mas a razão não lhe deixou escolha. Se aceitamos que nada pode se transformar, que nada surge do nada e que nada desaparece, então a natureza simplesmente tem de ser composta por pecinhas minúsculas, que se combinam e depois se separam. Demócrito não acreditava numa "força" ou numa "inteligência" que pudessem intervir nos processos naturais. As únicas coisas que existem são os átomos e o vácuo, dizia ele. E como ele só acreditava no "material" nós o chamamos de materialista.

     Por detrás do movimento dos átomos, portanto, não havia determinada "intenção". Mas isto não significa que tudo o que acontece é um "acaso", pois tudo é regido pelas inalteráveis leis da natureza. Demócrito acreditava que tudo o que acontece tem uma causa natural; uma causa que é inerente à própria coisa, Conta-se que ele teria dito que preferiria descobrir uma lei natural a se tornar rei da Pérsia.

      Para Demócrito, a teoria atômica explicava também nossas percepções sensoriais. Quando percebemos alguma coisa, isto se deve ao movimento dos átomos no espaço Quando vejo a lua, isto acontece porque os "átomos da Lua" tocam os meus olhos.

     Mas o que acontece com a consciência? Está aí uma coisa que não pode ser composta de átomos, quer dizer, de “coisas” materiais, certo? Errado.Demócrito acreditava que a alma era composta por alguns átomos particularmente arredondados e lisos, os "átomos da alma". Quando urna pessoa morre, os átomos de sua alma espalham-se para todas as direções e podem se agregar a outra alma,no momento mesmo em que esta é formada.

     Isto significa que o hornem não possui uma alma imortal . E este é um pensamento compartilhado por muitas pessoas em nossos dias. Como Demócrito, elas acreditam que a alma está intimamente relacionada ao cérebro e que não podemos possuir qualquer forma de consciência quando o cérebro deixa de funcionar e degenera. 

     Com sua teoria atômica, Demócrito coloca um ponto final, pelo menos temporariamente, na filosofia natural grega. Ele concorda Com Heráclito em que tudo "flui" na natureza, pois as formas vão e vem.Por detrás de tudo o que flui, porém, há algo de eterno e de imutável, que não flui. A isto ele dá o nome de átomo.

     Enquanto lia, Sofia olhava constantemente pela janela para ver se o misterioso escritor daquelas páginas aparecia para colocar outra carta na caixa de correio. Agora, terminada a leitura, Sofia tinha os olhos fixos em algum ponto da rua, mergulhada em pensamentos.

     Ela achou o raciocínio de Demócrito ao mesmo tempo muito simples e incrivelmente engenhoso. Ele tinha encontrado a solu¬ção para os problemas do "elemento básico" e das "transformações". Esta questão era tão complicada que os filósofos tinham levado gerações quebrando a cabeça Com ela. No fim, Demócrito resolveu todo o problema, usando para isto apenas a sua razão.

     Sofia quase não conseguiu conter um sorriso. Tinha que ser verdade que a natureza era composta de partículas minúsculas que nunca se modificavam. Ao mesmo tempo, Heráclito também tinha razão ao dizer que todas as formas da natureza "fluem". Isto porque todos os homens e todos os bichos morrem, e até mes¬mo uma montanha vai se desintegrando aos poucos. O importante, porém, é que até esta montanha é composta de minúsculas partes indivisíveis, que nunca se desintegram.

     Ao mesmo tempo, Demócrito colocou,linda outras questões para a reflexão. Por exemplo, ao dizer que tudo acontece mecanicamente. Ao contrário de Empédocles e Anaxágoras, ele não acreditava na interferência de forças espirituais sobre a vida. Além disso, Demócrito não acreditava que o homem possuía uma alma imortal.

     Será que ela, Sofia, podia realmente dizer que Demócrito Tinha razão? Isto ela não sabia. Mas ela estava só no começo do seu curso de filosofia.

 

 

QUESTIONÁRIO TEXTO 7 - DEMÓCRITO

 

1- Qual foi a descoberta de Demócrito? Explique-a.

2- Explique a comparação com o brinquedo lego.

3- Quais são, de acordo com Demócrito, as caracteristicas do átomo. Explique-as.

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• 7/6/2010 - Trabalho de Filosofia

Trabalho de Filosofia

 

Entregar no máximo até o dia :

 

Escolher os seguintes filmes:  Adorável Professor/ O Nome da Rosa/ Tempos Modernos de Charles Chaplin/ A Outra História Americana/ Vida de Inseto /A vida é Bela/ a Missão/ Brincando nos Campos do Senhor/ À Espera de um Milagre/ Canudos/ Quilombo/ A Festa de Babbette/ Um Sonho de Liberdade/ A encantadoras de Baleias/ O Corcunda de Notre Dame (não serve a versão em desenho animado)/ A Casa dos Espíritos/ O que é isso Companheiro/ Um estranho no Ninho/ Mandela/ Mississipe em Chamas/ Formiguinhas/ Carandiru/ Cidade de Deus/ Central do Brasil/ Alexandre/ Lutero/ Joana D’arc/ Cruzadas/ Tomates Verdes Fritos/ Filadélfia/ Ensaio sobre a Cegueira/ Platoon/ A filha da Luz/ Em nome de Deus/ O Quatrilho/ Eu Tu Eles/ Oscar Romero/ Amazônia em Chamas/ Sociedade dos Poetas Mortos/ O Gladiador/ Olga/ Indochina/ Adeus minha Cuncubina/ O Crime do Padre Amaro/ O Código da Vince/ Elizabete/ A Rainha Margot/ Dom Quixote/ Os Miseráveis/ Avatar.

 

 

Responder as seguintes questões:

 

1-      Fale sobre cada um dos personagens que aparece no filme

2-      Quais os problemas apresentados no filme?

3-      Como esses problemas são solucionados?

4-      Em que época, lugar e situação acontece a história mostrada no filme?

5-      Descreva as três cenas de que você mais gostou

6-      Como é o final do filme?

7-      Esse filme faz lembrar alguma coisa que o professor falou em alguma aula de filosofia? O que?

8-      Pergunte a três pessoas que assistiram a esse filme o que elas acharam dele e escreva o que eles disseram (diga se essas pessoas são mãe, pai, namorado, amigo, etc.)

9-      O que você achou do filme? Por que?

 

 

ATENÇÃO – NÃO DEIXE NINGUÉM COPIAR SEU TRABALHO. DOIS TRABALHOS IGUAIS OU MUITO PARECIDOS SERÃO OS DOIS ANULADOS.

 

O Trabalho deve ser escrito à mão.

O trabalho deverá ser entregue na mão do próprio professor.

Não será aceito trabalho depois da data estipulada.

 

 

 

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• 27/5/2010 - Os Filósofos da Natureza

 

OS FILÓSOFOS DA NATUREZA

 

 

     Quem de nós em algum momento da vida, ainda não se perguntou qual a origem do universo? Quem de nós, por mais indiferente que seja, ainda não se deteve admirado diante da imensidão do cosmo? Os filósofos de Mileto tanto se preocuparam com este problema que decidiram investigá-lo.

     A palavra arqué vem do grego arché e significa princípio, começo.

     Os filósofos de Mileto, ansiosos por encontrar a arqué dos seres, iniciaram as suas investigações observando que todas as coisas existentes na natureza derivavam de outras coisas e que estas, por sua vez, não existiam por si mesmas, mas também dependiam de outras e assim por diante.

    

Tales de Mileto

 

Tales é considerado “Pai da filosofia Grega”. E mais que um filósofo foi um homem que investigou todos os campos do saber humano, pois nessa época a Filosofia não era separada das ciências. Foi astrônomo e chegou a prever um eclipse que ocorreu no ano 585 a.C. Também foi um dos primeiros a afirmar que a Terra era redonda e que a Lua não tinha luz própria. Como geômetra, devemos a Tales a descoberta e demonstração de que as somas dos ângulos internos de um triângulo é igual a 180°.

     No campo propriamente filósofo, Tales defendia que o elemento primeiro de que todas as coisas se compunham era a água, pois ele observava que a umidade era importantíssima e necessária para a evolução vital.

     Tales de Mileto afirmava que a água é a “substância básica”, o elemento central da matéria. É a água que faz com que as coisas se transformem. Se não fosse a água tudo seria estático, imóvel.

 

Heráclito

 

Heráclito era de Éfeso, cidade grega pertencente à região jônica. Suas idéias diferiam das idéias dos filósofos da Escola de Mileto. Ele defendia que a realidade estava em constante modificação.

     Heráclito considerava o fogo, que é um elemento essencialmente móvel, o princípio comum de todas as coisas. Nos dias de hoje, podemos traduzir a expressão fogo por energia, tomada no sentido de capacidade para produzir movimento.

     Heráclito acreditava que no mundo existe um equilíbrio que é resultante da combinação de elementos contrários, como o mal e o bem, a guerra e a paz, a vida e a morte. Por isso ele costumava dizer que os seres, como a chama no fogo, nascem e se alimentam da morte de alguma coisa. Portanto “uns vivem a morte de outros e morrem a vida de outros”.

     Heráclito afirmava que “o ser é e o não ser também é”. Isso é como afirmar que existe a não existência, que tudo o que é, ao mesmo tempo não é.

     Qual a prova de que o que é ao mesmo tempo não é? A transformação. Tudo flui. Tudo está em constante mudança. Não há nada que vai mudar, tudo está mudando. Não posso dizer que eu vou ficar mais velho mas que eu estou ficando mais velho.

 

          
                                                                                                              

 

 

 

 

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• 27/5/2010 - A maldição da cidade

A Maldição da Cidade            Geraldo Domezi

 

     Era uma vez... Era uma ampla extensão de terra entrecortada por rios e córregos e onde s chuvas eram regulares. O sol era abundante e o inverno nunca era rigoroso. Cada família que chegava erguia sua casa e preparava a terra. Cultiva hortaliças, frutas e cereais num pedaço de chão e domesticava animais. Não se preocupava em delimitar um terreno, pois ocupava o tanto de terra que dava conta de cultivar. O trabalho era penoso debaixo de sol, mas a alimentação era farta.

     Com o passar do tempo, conforme a necessidade, algumas pessoas foram desenvolvendo outras atividades. Surgiram curandeiros que utilizavam ervas e orientavam a alimentação. Alguns, de modo informal e adaptado ao ambiente agro – pastoril, se dedicaram a conduzir a religiosidade. Também apareceram cantores, poetas, algo como repentistas, trovadores. E palhaços para divertir crianças e mesmo adultos. E havia uma movimentação de troca de produtos. Surgiram oficinas artesanais, mas nada que configurasse qualquer embrião de cidade.

     Pois aconteceu que algumas pessoas resolveram deixar de plantar e colher para passar apenas a colher. Ganharam o nome de ladrões é porque andavam em bando, foram chamados bandidos. Muita se discutia o que fazer com eles. Alguns líderes eventualmente juntavam pessoas e expulsavam os tais bandidos, mas novos grupos surgiam e reação era insuficiente.

     Eis que um desses líderes juntou um grupo maior de homens que resolveram se dedicar apenas ao trabalho de reagir aos bandidos.

     O que fazer para que os gatos colocados para acabar com os ratos, depois de eliminar os ratos, não se tornem também um grande problema?

     A história foi assim. Esse grupo que se organizou para acabar com a bandidagem em troca de contribuições passou a trabalhar em conjunto com os bandidos. Combatia ações de bandidos e também as incentivava.

     Assim começou a primeira cidade. De um modo bem perverso. Passaram a viver num mesmo espaço, de onde administravam suas ações. Aperfeiçoaram armas e equipamentos. Construíram prédios. Surgiram os coletores de impostos. O líder denominou-se rei. O método era simples. Os que pagas sem o imposto seriam atacados por bandidos até incentivados pelo rei.

     A cidadezinha foi crescendo e se fortificando. Construiu-se a residência do rei, muralhas e uma torre no centro. Da torre se vigiaria aos arredores para ver o comportamento dos “protegidos” e se perceberia se houvesse a chegada de algum eventual inimigo.

O pequeno rei lutaria para se tornar um grande rei, recebeu a visita de alguns homens, com os quais confabulou. Passou vários dias reflexivo. Depois nervoso. Depois reservado. Acordou num belo dia e convocou uma reunião. Nela comunicou novas medidas.

·         Disse que recebeu uma revelação divina na qual soube que não era um homem comum, mas filho de um Deus. Portanto devia ser adorado.

·         Falou que estava preocupado com uma outra cidade, que surgia distante dali. Os protegidos dela sofriam muitos maltratos. Piedoso como era, de uma alma generosa, não poderia ficar indiferente a isso. Teria de destruir a tal cidade e cuidar de seus súditos. Ponderou que se não a destruísse, ela é que acabaria agindo contra ele. Para isso necessitaria de muitos soldados.

·         Os atributos seriam aumentados.

·         Além de trabalhar na terra, todos os habitantes trabalhariam na cidade três dias por semana. Construiriam um palácio, muralhas mais resistentes, uma torre mais alta...

·         Um jovem de cada família, querendo ou não, viria para a cidade e seria soldado.

·         A cidade teria que ser atraente para esses jovens. Por isso as mulheres solteiras mais bonitas também viriam para a cidade.

·         Haveria um grande templo ao lado do palácio. Nele se centralizaria a religião, a política e a economia.

·         Todas as pessoas deveriam fazer visitas periódicas á cidade para adoração ao rei, templo e às divindades superiores ao rei.

·         Todos os religiosos, sacerdotes e profetas passariam a viver na cidade, controlados pelo rei. Assim também todos os que atuavam na saúde, curandeiros, etc. O mesmo valeria para os artesãos. E também para os cantores, humoristas, palhaços. Pois os únicos trabalhos fora da cidade seriam os de plantar, colher, capinar, criar animais, cozinhar, cuidar da própria casa.

·         Todo atitude de rebeldia seria punida com a morte.

     O escrivão registrou essas determinações e entitulou-as “dez mandamentos”.

     Para os trabalhadores da terra restou a saudade dos tempos de fartura. A vida se tornou muito sofrida. Ficaram magros, desnutridos. Tinham que trabalhar demais. A maior parte do que produziam era tomada. E pior seria se um dia o rei tivesse que pagar tributo a um outro rei.

     O que fazer? Melhor conformar-se? Alguns ousaram reagir ou incentivar a rebelião. Foram levadas para a cidade, condenadas á morte e sacrificados nas cerimônias religiosas.

     Um grupo encontrou uma alternativa. Foi viver nas montanhas. Lá estavam livres, protegidas. Os pesados carros de guerra não podiam subir até eles. E numa guerra estariam em vantagem por estarem em cima. Mas a terra não era fértil. Tinham de viver apenas da criação de animais. E um dia o rei descobriria um jeito de também domina-los.

     Eis que, dentre os camponeses, um novo líder surgiu e se colocou na defesa dos oprimidos. Com muita inteligência definiu os possíveis detalhes de seu plano, percorrendo muitos lugares e expondo discretamente suas idéias. Formou um numeroso exército de opositores ao rei e treinou-as para guerra.

     Atacaram a cidade de surpresa e venceram. Mataram todos os soldados do rei que ofereceram resistência. Incendiaram e derrubaram todas as construções da cidade, sem deixar pedra sobre pedra. Depois esse líder vencedor, inesperadamente, amaldiçoou todos as  coisas que estavam na cidade destruída e chamou – as de “anátema”. E então, certo de ser obedecido, deu sua última ordem antes de voltar ao trabalho agrícola e nunca mais se dedicar á guerra. Que ninguém levasse nada daquele lugar maldito. Nenhum objeto que permitisse lembrar que um dia existiu uma cidade. E que contaminasse alguém com o desejo de viver numa cidade ou adotar algum de seus costumes.

        Notas do autor:

     Sei que a história de qualquer sociedade é mais complexa do que apresenta este texto. Mas esta pequena e sintética ficção tem alguma semelhança com o que aconteceu em diversas sociedades, em diversas épocas.

     Esta história não pretende ser, em última instância, uma condenação á cidade, mas o ponto de partida para se discutir o tema.

 

 

 

 

 

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• 26/5/2010 - Pensamentos

Tudo flui. Tudo está em constante mudança. Não há nada que vai mudar, tudo está mudando.

 

 

 

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• 21/5/2010 - CHARGES

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• 21/5/2010 - HISTÓRIA DO VOTO NO BRASIL

História do Voto no Brasil            TEXTO 49

                                                                                               

                                                                                                                                                                                                                                               Geraldo Domezi

 

                Fui votar e aproveitei para apreciar a sensacional “festa da democracia” de que falou a televisão. O que mais me chamou a atenção foi as ruas repletas dos chamados “santinhos”, folhetos de propaganda eleitoral que, pelo exagero, resulta num desastre econômico e ecológico. Quando parei para descansar, lembrei de alguns dados que aprendi sobre a história do voto.

                Por volta do ano de 1850 e em todos os anos em que o Brasil se manteve sob o governo da monarquia os poucos que votavam apenas davam os nomes das pessoas em que queriam votar aos secretários das mesas de votação. Dessa eleição inicial eram escolhidos os eleitores que elegiam os deputados e senadores. Nessas eleições só podia votar quem tivesse uma renda anual acima de cem mil-réis (mesmo que não soubesse ler e escrever) e só podia ser votado quem tivesse uma renda anual acima de duzentos mil-réis. Além disso, como o voto não era secreto, muitos votavam em quem não queriam para não perder alguns favores.

                Após a Proclamação da República (1889), alguma coisa mudou. O direito de votar foi um pouco ampliado. Ganharam direito a votar todos os homens acima de 21 anos que não fossem soldados ou padres. Mas tinha um porém. Só podia votar quem soubesse ler e escrever. Como na época poucos sabiam ler e escrever, poucos votavam. E esses poucos eram quase todos das famílias menos pobres. Além disso, o voto daquela época recebeu o apelido de “voto de cabresto” porque os coronéis colocavam sempre alguém para ouvir em quem cada um votava e depois puniam os “traidores” que votavam nos candidatos que eles não queriam.

                Com o Código Eleitoral de 1932 surgiu o voto secreto para homens e mulheres maiores de 18 anos. Mesmo com o voto secreto, muitos continuaram com medo de votar contra o padrão: “- Vai saber se ele não dá um jeito de descobrir!”.

                O número de eleitores em cada eleição foi sempre crescendo. Em 1930 votaram 2,6% da população. Em 1950 votaram 22% da população. Em 1982, 49%. Houve um crescimento numérico de eleitores. Mas qual a qualidade desse eleitorado? Tornou-se muito comum a prática da compra e venda de votos. Muita gente recebia um favorzinho do candidato e sentiria como falsidade e traição não votar nele. Tinha candidato que conseguia vaga para uma criança numa escola e dizia que se não fosse eleito a criança perderia essa vaga. Tinha até candidato que dava um pé do par de sapatos e só dava o outro se fosse eleito. Ou que distribuía convites para uma churrascada que só aconteceria se ele fosse eleito. Era uma verdadeira bandidagem eleitoral. Muitos pobres viam nas eleições uma rara oportunidade de ganhar um presentinho. Assim, as eleições pouco tinham a ver com consciência política. Além disso, haviam muitas fraudes eleitorais, também chamadas “mutretas”. Houveram muitas falsificações de documentos eleitorais. Houve até a prática de se fazer morto votar. Eram os chamados eleitores fantasmas.

                Um fato político que não deve ser esquecido aconteceu em 1964: a implantação da ditadura militar. Com ela os antigos partidos políticos foram extintos, sendo então criadas duas frentes políticas: ARENA (Aliança Renovadora Nacional), do governo, e MDB (Movimento Democrático Brasileiro), da oposição. Dez anos depois, o número de deputados e senadores do MDB superava os da ARENA. Então, em 1977, o governo passou a indicar 1/3 dos senadores para ficar com maioria no congresso, mas a oposição continuou a avançar. Em 1979 voltou-se a permitir a existência de vários partidos. Uns afirmaram ser isso ruim por se tratar de uma manobra para se dividir a oposição. Outros disseram que acabaria sendo bom já que o MDB estava sendo uma oposição disfarçada, uma falsa oposição.

                Em 1989, após 40 anos sem poder votar para presidente,  os eleitores brasileiros foram convocados a escolher para a presidência da República do Brasil entre Lula e Collor de Mello. Foi uma eleição muito disputada. Nos debates Collor disse aos eleitores que Lula era comunista e que, se Lula fosse eleito, “ele vai tomar o dinheiro de sua poupança”. Eleito, o próprio Collor fez o que disse que o outro iria fazer: bloqueou todas as contas bancárias; tomou o dinheiro de todo mundo. Muitos até apoiaram essa atitude dele dizendo que com isso ele iria acabar com a inflação que estava muito alta e melhorar a economia brasileira. Como ele não conseguiu conter a inflação e ainda praticou escandalosos atos de corrupção, o povo saiu às ruas em grandiosas manifestações que exigiam a saída do presidente, o que logo aconteceu. O vice assumiu. Anos depois esperava-se que o Lula fosse ser eleito, mas um ministro da economia chamado Fernando Henrique Cardoso, por ter administrado um plano que acabou com a inflação chamado “Plano Real”, foi eleito e reeleito presidente.

                Até bem pouco tempo o voto não era pela urna eletrônica. Escrevia-se numa cédula o nome dos candidatos e se assinalava o partido. Os que queriam anular o voto escreviam na cédula piadinhas e palavrões. Assim, muitos que não eram candidatos receberam votos. O falecido Getúlio Vargas recebia muitos votos. Também se votava em Deus, Jesus Cristo, Hitler, Diabo, Xuxa, Pelé, ET de Varginha. Um macaco chamado Tião, atração principal do zoológico carioca, ganhou muitos votos. Se na Roma Antiga o imperador Calígula nomeou senador o seu cavalo para humilhar o senado, agora um animal era eleito por eleição direta. Em 1959, um rinoceronte chamado “Cacareco” recebeu cem mil votos nas eleições municipais de São Paulo e foi o vereador mais votado daquele ano em todo o Brasil. Em pequenas cidades muitos votaram no mendigo ou bêbado mais conhecido. Isso acontece quando o voto é obrigatório. Há quem defenda que o voto seja opcional dizendo que assim só votariam os mais conscientes e os resultados seriam melhores. Isso é assunto para um bom debate. Hoje não se escreve mais bobagens em cédulas porque o voto é eletrônico. Muitos dizem que a urna eletrônica é um avanço. Será mesmo? A apuração se faz com mais rapidez. Mas há quem diga que a possibilidade de fraude é maior.

                Hoje temos um instrumento legal para tentar punir a compra de voto. Mas há muitas mudanças que ainda poderiam ser feitas no sistema eleitoral para melhorá-lo.

                Dissemos que houve um período no Brasil em que para votar era necessário ter uma renda anual de cem mil-réis. Hoje todos acima de 16 anos podem votar e o voto do pobre vale o mesmo que o voto do rico e se pode dizer então que o voto, além de ser direito conquistado a duras penas é uma preciosidade que não se deve desperdiçar. Ele é portanto ainda um grande sinal democrático. Mas existe a mesma democracia quando se trata de ser votado? Um pobre, por melhor que ele seja, sem dinheiro para custear a campanha, muito dificilmente será eleito. Consideremos que uma campanha modernizada a deputado em São Paulo tem um custo de um milhão de reais. Será que nesse ponto não estamos ainda no tempo do império?

                Uma outra questão que não deve deixar de ser discutida é a do descrédito generalizado nos políticos. A quem interessa a idéia de que os políticos são todos ruins? Dizer que todos os políticos são ruins não será o mesmo de dizer que todos os professores são ruins, todos os médicos são ruins ou que todos os alunos são ruins?

                O castigo de quem não se interessa por política é ser governado por aqueles que se interessam sem a própria participação.

                É importante que, além de sua consciência da necessidade de votar, a sua intenção de voto contribua para o debate eleitoral. Hoje não existe mais a necessidade do “voto secreto”, pois você não é mais punido por votar neste ou naquele candidato. Então é bom que cada um diga em quem pretende votar ou em quem votaria e discuta educadamente as razões de sua escolha.

    

QUESTIONÁRIO TEXTO 49 -  A HISTÓRIA DO VOTO NO BRASIL

 

1- Como eram as eleições no ano de 1850?

2- O que mudou nas eleições após a Proclamação da República?

3- O que diz o texto sobre o voto secreto?

4- Como o texto caracteriza em cada ano o crescimento do número de eleitores?

5- O que fala o texto sobre a qualidade do eleitorado?

6- O que diz o texto sobre as fraudes eleitorais?

7- O que fala o texto sobre a extinção dos partidos pela ditadura militar e sobre as duas frentes políticas?

8- O que diz o texto sobre a ARENA e o MDB?

9- De acordo com o texto quais as duas afirmações sobre a volta da permissão de se ter vários partidos( pluripartidarismo)?

10- O que fala o texto sobre a eleição presidencial de 1989, sobre Lula e Collor?

11- O que fala o texto sobre a urna eletrônica?

12- O que fala o texto sobre as piadinhas ou brincadeiras que anulavam os votos? Conte-as.

13- O que diz o texto sobre o custo de uma campanha?

14- O que diz o texto sobre o descrédito nos políticos?

15- De acordo com o texto, qual o castigo para quem não se interessa por política?

16- O que diz o texto sobre o voto secreto?

   

                 

 

 

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• 20/5/2010 - A guerra do fogo

Texto 18                                                                            A Guerra do Fogo

A PRIMEIRA E A ÚLTIMA GUERRA MUNDIAL

 

                               

                                                     Geraldo Domezi

 

 

        Começo este pequeno e singelo artigo falando da primeira guerra mundial. Não! Não é aquela do início do século XX, que derrotou e marginalizou a Alemanha, que favoreceu a industrialização no Brasil, que gerou a liga das nações e etc, etc, etc. Falo de uma guerra muito mais antiga. Trato de uma guerra cujo relato não tem quase nada de científico porque quase não se têm dados sobre ela, visto que na época em que ela ocorreu, ou melhor, deve ter ocorrido, não existia ainda a escrita. E isso serve de desculpa para que alguém como eu, tão longe de ser um intelectual, se meta a escritor. Como não tenho dados para atender ao rigor de um artigo que se preze, vou usar apenas a imaginação.

        Era a época pré-histórica, quando os homens e as mulheres ainda nem falavam direito. A sociedade já era dividida entre ricos e pobres. Rico era quem pertencia a algum grupo que usava o fogo. Pobre e até miserável era quem estava em um grupo que não possuía o fogo. É que naquela época não se conhecia a arte de acender uma fogueira. Muito longe se estava ainda de sequer imaginar tal façanha. Os sortudos apanhavam o fogo de algum incêndio provocado por algum raio, o que só ocorria muito raramente (Aquela história de “Prometeu” é pura fantasia).

        Os grupos possuidores do fogo, que eram a minoria, tinham duas grandes mordomias. A primeira era poder cozinhar os alimentos que não podiam ser consumidos crus. A segunda era se defender dos animais ferozes. Ai da onça presunçosa (ou sei lá que animal existente na época) que se metesse com um homem poderoso que tivesse um tição de fogo nas mãos!

        Os pobres (não eram pobres-diabos, pois não tinham fogo) ficavam sonhando com o dia, e sobretudo a noite em que possuíssem aquela maravilha.

        Como o mercado tivesse que surgir um dia, eis que o fogo se torna moeda de troca. Você me dá vinte mulheres e eu lhe dou o fogo! Pouco mais tarde alguém se indignou com essa atitude inconseqüente. Como pode alguém vender o fogo tão barato? Havia uma idéia melhor. Vocês se tornam nossos escravos e poderão usufruir do nosso fogo! Mas eles não contavam com a astúcia de certos marginalizados espertos que, muito mais tarde, dariam início ao crime organizado. Surgiram os ladrões de fogo. Tal atitude foi, de modo geral, tida como crime inafiançável e os acusados eram condenados à morte pelo fogo.

        A história vai se desenrolando. Na medida em que um território ia se empobrecendo em termos de recursos naturais, o grupo que o dominava partia em busca de outro território, é claro, cada um carregando sua tocha olímpica. Acontecia não raro que o território almejado já era habitado ora por um grupo que não possuía fogo mas tinha a vantagem do número, ora por outro grupo que também tinha fogo. Ocorriam então violentas batalhas, com muito sangue e queimaduras de primeiro, segundo e terceiro graus.

        Vou contar agora como essa guerra terminou. Um pequeno grupo, dos que não tinham fogo, fugindo de seus ferozes e sofisticados perseguidores, encontrou uma pobre mulher perdida na mata, desgarrada do seu grupo de origem. O chefe do grupo levou-a, pensando em utilizá-la sexualmente. Mas o inesperado aconteceu. Em dado momento, essa mulher, apanhando um pedaço de pau roliço, esfregou-o entre as mãos com uma de suas extremidades em atrito com uma pedra. Estupendo! O espanto foi imenso! Mal conseguiam acreditar no que viam. Não era uma mulher, pensaram eles. Era uma deusa! E começaram a adorá-la. Mas, pouco tempo depois, todos aprenderam a técnica de acender uma fogueira. Oh feliz descoberta! Ma-ra-vi-lho-sa! Mas também teve o seu lado desastroso. A cotação do fogo caiu ao extremo e deixou-os sem referência. O fogo se banalizou e deixou de ter qualquer valor de troca. (E com isso a sociedade voltou a ser igualitária. E assim seria até que alguém inventasse de dar valor ao ouro, quando então os possuidores do ouro passariam a dominar os outros. E depois o ouro passaria a ser chamado dinheiro e usado para um dominar o outro). E logo se saberia: a coisa que mais há no universo cósmico e que nunca irá faltar aos habitantes do planeta terra é o fogo.

        Avancemos agora milênios e milênios, séculos e séculos, muitas décadas e, para além do ano dois mil de nossa era, chegamos ao início da última guerra mundial: a guerra da água. É verdade que habitamos o planeta água. Mas só um pouquinho por cento dessa água é doce e potável. E uma imensa parte desse pouquinho está poluída. Muitos dados poderiam ser descritos neste artigo (se o autor não fosse eu). Deixemos isso para um outro texto, talvez da Igreja Católica no Brasil, que dedica a sua “Campanha da Fraternidade” de 2004 ao tema da água. Por enquanto, pesquise aí, para algum artigo de teor científico quanto de água doce e potável há no Iraque para questionar se a água não foi um dos maiores motivos para a invasão desse país. E também quanto por cento desse tipo de água está no Brasil, fato que não passará despercebido pelos “buches” da vida quando eles se cansarem de olhar as fotos do desértico planeta Marte e procurarem outra diversão.

        O lamentável é que essa última guerra não terá o “happy end” que teve a primeira. A água é um elemento que se tornará cada vez mais raro. E dessa vez não aparecerá ninguém que ensinará a fazer surgir água. 

 

 

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• 18/5/2010 - A HISTÓRIA DA BATATA

A História da Batata

(Este texto foi copiado de um programa da TV Escola na TV Cultura)

 

No começo a grande mãe batata foi criada. Era o sol. O sol germinou. E dele brotaram tubérculos. E um desses tubérculos tornou-se a terra. Na América do Sul, bem no alto da Cordilheira dos Andes, a mãe batata criou um tubérculo igual a ela. Ele brotou e também produziu tubérculos. A maravilhosa batata nasceu. Por que ela é maravilhosa? Porque podemos comê-la. Não as folhas, que são venenosas, mas as raízes que estão debaixo da terra. E se plantar de novo uma delas, dentro de dois meses se colherá mais de uma dezena. Os índios da Cordilheira dos Andes foram os primeiros a conhecer a batata. Para eles era um presente dos céus. E agradeciam de joelhos a grande mãe batata, o sol. Através dos séculos eles aprenderam a cultivar a batata nas encostas das montanhas. E descobriram que era deliciosa cozida, frita ou amassada como purê. E perceberam também que elas podiam se conservar por muito tempo se fossem espremidas para retirar a água e postas para secar. Fizeram até cerveja de batata.

Às vezes eles encontravam na terra algumas pelotas de ouro. Não serviam para comer, mas brilhavam como a grande mãe batata. Para demonstrar seu agradecimento à mãe batata construíram templos em sua homenagem, forrados de ouro. Eles batizaram seu país de império inca. E seu rei de filho do sol. Em 1532 o filho do sol se chamava Ataualpa. Ele poderia ter vivido em paz se as histórias sobre o seu ouro não tivesse corrido o mundo tão rapidamente.

Do outro lado do planeta morava um rei, Carlos V. Ele governava metade da Europa, mas andava meio sem dinheiro. Quando os rumores do ouro chegaram aos seus ouvidos ele enviou soldados espanhóis à conquista daquele império. O chefe dos soldados se chamava Francisco Pizarro, um aventureiro sem escrúpulos. Os soldados se divertiram loucamente. Eles mataram o filho do sol e muitos dos seus súditos. Depois roubaram o ouro. Alegres, podiam voltar para casa. Mas e a comida para a longa viagem? Carlos, o cozinheiro do navio, pediu providências. Então os soldados atacaram as provisões dos incas e encontraram as batatas. Provaram e acharam o gosto estranho. Mas Carlos resolveu levá-las. Melhor do que passar fome. Na viagem Carlos serviu-lhes carne salgada e sua nova descoberta, batatas. Mas quase todos preferiram a carne. Mas a viagem durou meses e a carne se conservava mal. As batatas, ao contrário, não se estragavam. E aqueles que teimaram em não comer batatas acabaram pegando o escorbuto. E muitos deles morreram. Os que comeram batatas tiveram melhor sorte. Naquela época não se sabia que as batatas contêm a importante vitamina C. Carlos havia feito uma descoberta maravilhosa.

Quando o navio chegou à Europa o rei Carlos V recebeu a todos. O cozinheiro Carlos pegou o resto das batatas. E levou para a mulher esse tesouro que encontrara do outro lado do oceano. A batata acabava de chegar à Europa. Foi então que ele descobriu uma outra vantagem da batata. Ela crescia em qualquer lugar onde fosse plantada. Carlos tentou convencer seus vizinhos das virtudes da batata. Mas, ninguém quis saber dela. As pessoas vinham cultivando cereais há milhares de anos e não viam motivos para mudar seus hábitos. Carlos teve que encontrar outro emprego como cozinheiro e partiu pela Europa com o exército espanhol. Em todo lugar onde passava, falava maravilhas da batata e enterrava umas aqui, outras ali. E as pessoas sempre perguntavam: por que você acha a batata tão maravilhosa? E então, uma vez mais, Carlos desistiu.

Em 1588 ele partiu com a esquadra espanhola, a invencível armada, levando as suas batatas, desta vez para conquistar a Inglaterra. Mas os navios ingleses os aguardavam. E a expedição foi uma catástrofe. Os espanhóis se lançaram ao ataque bem no meio de uma terrível tempestade. E foi assim que a batata chegou a Irlanda. Os irlandeses eram muito pobres e passavam fome. O país era dominado pelos ingleses, que viviam como grandes senhores em enormes propriedades. E mantinham os arrendatários de terra, onde plantavam cereais. Mas a terra era tão pobre e nela não dava quase nada. Por isso os irlandeses achavam uma maravilha tudo o que pudesse matar sua fome. Carlos lhe ensinou então a arte de plantar batatas. E finalmente pode descansar em paz entre seus amados tubérculos.

Os irlandeses perceberam que podiam tirar muito mais da terra substituindo os cereais pela batata. A colheita era quatro vezes maior. Mas os nobres ingleses também perceberam que podiam ganhar mais com as suas terras. Se os camponeses colhem quatro vezes mais com as batatas, então quatro camponeses podiam viver no mesmo pedaço de terra. Os pobres irlandeses ficaram inteiramente dependentes da batata.

Na Europa ainda se fazia oposição a batata. Como não se falava nela na Bíblia, não podia ser coisa de Deus. Dizia-se que o que cresce em cima da terra é de Deus e dos homens. E o que cresce embaixo da terra é do diabo e seus subterrâneos. Em 1618, como tinha acontecido muitas vezes, o inferno espelhou-se pela terra. A guerra dos trinta anos estourou na Europa. E os campos de grãos arderam. Os campos de batata também. Mas elas não foram atingidas. Permaneceram abrigadas e quentinhas em baixo da terra. E foram preciosas para os sobreviventes. Foi durante esses tempos de guerra que as pessoas começaram realmente a apreciar as batatas.

Em 1740, houve um grande líder, Frederic, rei da Prússia. Ele sabia que as batatas podiam salvar seus súditos da fome. Sabia também que eles não gostavam de batatas. Mas encontrou uma solução: obrigá-los a comer. Um oficial e cientista francês chamado Paglutier era prisioneiro de guerra de Frederic, o grande. Foi na prisão que ele aprendeu a apreciar as batatas, o único alimento que lhe serviam. De volta à França, depois de libertado, tentou convencer os pobres camponeses franceses do valor nutritivo daquela maravilha. Mas logo percebeu que tinha de convencê-los de um modo sutil. Apresentou então a batata como prato principal de um jantar para o rei Luís XVI.  A rainha Maria Antonieta recebeu um lindo buquê de flores de batata. Foi assim que a batata teve o seu dia de glória. E comer batata passou a ser moda na França. Para valorizar ainda mais o tubérculo Paglutier cercou a sua plantação e pôs um guarda de plantão. Mas, de noite o guarda ia embora. E as coisas se passaram como ele havia previsto. E as batatas passaram a crescer nas hortas dos pobres.

Mais ou menos na mesma época do século XVIII, a batata apareceu na Escandinávia. As pessoas descobriram que ela servia para fazer bebidas preciosas. Mas a fome e a miséria ainda não tinham acabado. Em 1804, Napoleão Bonaparte tornou-se imperador da França. Ele declarou guerra a todos os países da Europa ao mesmo tempo. E a fome se instalou de novo como conseqüência da guerra. A batata se tornou necessário para a sobrevivência. Em 1815 Napoleão perdeu a guerra definitivamente. E o verdadeiro vencedor que sobrou nos campos de batalha foi a batata. Ela havia conquistado toda a Europa. De complemento alimentar pouco apreciado tornara-se a alimentação mais importante para milhões de pessoas.

Em 1845 esperava-se uma colheita de batatas fantástica na Irlanda. Mas todas as batatas apodreceram. No país inteiro as batatas apodreciam nos campos. Tudo acontecia muito depressa. Não havia nada a fazer. Uma terrível doença desconhecida atacou as plantações trazendo fome e morte. A sombra da morte cobriu toda a Europa. Alguns viram nisso um castigo de Deus aos pecadores. Mas outros começaram a procurar desesperadamente uma solução. Eles descobriram que a doença da batata era causada por um fungo tóxico. Mas, não conseguiam impedir o seu avanço. Então, quando as coisas não podiam ser piores, a própria batata começou a reagir. Aos poucos as mais fortes foram desenvolvendo imunidade contra o fungo. A batata tinha conseguido vencer sua doença. Nos anos que seguiram até hoje a batata prosseguiu seu caminho de sucesso sobre a terra.

 

 

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• 14/5/2010 - CHARGES

 

 

 

 

 

 

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• 14/5/2010 - Texto 48 "Sobre a boa Política"

Sobre a Boa Política

Geraldo Domezi

Texto 48

 

Como explicar a atual complicação política para jovens iniciantes no ensino médio que, em sua maioria, como muitos adultos, nem sequer sabem o que é poder executivo, legislativo e judiciário?

Vamos imaginar uma pequena cidade e o seu prefeito. Será que esse prefeito faz nessa cidade o que ele quer, uma vez que ele é o prefeito, o chefe? Não. Ele faria o que quisesse se fosse rei com poderes absolutos. Mas não. Para realizar qualquer coisa ele precisará de aprovação da maioria dos vereadores, que formam o “poder legislativo’’. E não poderá realizar nada sem respeitar as leis, pois suas ações poderão ser julgadas e condenadas pelos juízes.

Quem inventou essa organização da política em “sistema de três poderes”, essa divisão do poder político em “executivo, legislativo e judiciário” foi um filósofo chamado Montesquieu, por volta do ano de 1750. O objetivo dele foi evitar o abuso do poder. E para isso esse sistema serviu. Mas nem tanto.

Com a divisão dos poderes reforçou-se a “democracia representativa”. Além de eleger o prefeito (ou governador e presidente) você vai também votar para escolher o vereador (ou o deputado no nível estadual e federal). Esse vereador vai representar você. Vai levar para o governo da cidade a sua vontade, a vontade de seu grupo, de sua comunidade, de sua categoria.

Há quem diga que, por causa de certos mecanismos, essa democracia representativa não funciona ou funciona muito pouco na prática. Uns propõe a volta da ditadura. Outros,  alegando os perigos da ditadura, propõe que, além da “democracia representativa”, haja também a “democracia direta”, ou seja, mecanismos para o povo participar da política além de apenas votar a cada dois ou quatro anos para escolher os governantes.

Imaginemos que esse prefeito ao qual nos referimos tenha um bom projeto de construção de unidades educacionais, do agrado da maioria da população. Imaginemos também que a maioria dos vereadores dessa cidade, querendo agradar a classe mais rica, que quer utilizar os terrenos para outras finalidades, seja contra o projeto desse prefeito. Ele terá então três alternativas:

1ª- Desistir de seu projeto.

2ª- Criar o “mensalinho”. Subornar, comprar os vereadores que estão contra. Pagar um extra para eles em troca votarem a favor.

3ª- Jogar a população contra os vereadores que não querem aprovar o projeto para que assim, pressionados, eles façam o que é interesse do povo.

A segunda alternativa é a mais simples, rápida e prática é a mais usada. Para a alternativa terceira funcionar vale desde uma atitude mais simples como um telefonema ao gabinete do vereador até uma solução sistemática, organizada, articulada. Como exemplo podemos ainda falar em atos de protesto, campanhas de opinião pública com utilização de faixas, cartazes, artigos mesmo que em pequenos jornais e falas mesmo que em pequenas rádios. Podemos também falar em ações populares e ações civis públicas com denuncias baseadas na lei.

Devemos construir e aperfeiçoar meios de participação popular na política. Só isso poderá fazer com que a política seja boa. Há uma visão equivocada segundo a qual tudo seria maravilhoso se os políticos não fossem corruptos. Baseados nessa ilusão paternalista muitos pedem apenas a punição aos maus políticos. Isso é muito pouco. O que mais precisamos não é de bons políticos e sim de boas políticas, de mecanismos democráticos de se fazer política.

Na Grécia Antiga, antes de Cristo, em Atenas, surgiu a chamada “democracia grega”, sistema em que a política era constantemente discutida pelos cidadãos e que as decisões eram tomadas em praça pública. Há quem critique essa democracia grega, lembrando que as mulheres não participavam, que os escravos não participavam, que os estrangeiros não participavam, que eram só 10% os que podiam participar, sem falar que em nossa sociedade atual a democracia não está muito melhor. Na teoria todos têm direitos políticos, mas na prática, quem tem mais dinheiro influência muito mais. Lembremos, por exemplo, que não temos acesso à televisão, que os meios de comunicação estão nas mãos de um pequeno grupo de gente muito rica. Temos a quase totalidade votando quando o voto é obrigatório, mas não temos nem 10% da população participando constantemente, efetivamente da política. E só para falar do voto, se quase todos votam para presidente da República, governador, deputado e vereador, quem está votando para escolher o conselheiro tutelar, o conselheiro gestor, o conselheiro do idoso, o conselheiro de saúde, para definir prioridades do orçamento do governo?

Realmente, punição momentânea a políticos corruptos resolve muito pouco. E pior ainda que se contentar com esse pouco é não acreditar em mais ninguém e não fazer mais nada. Depois das últimas decepções com políticos muitos perguntam: “Em quem posso acreditar?” Em si mesmo, deve ser a resposta. A indispensável ampla reforma política não será feita pelos políticos sem que haja uma campanha popular em favor dela. A maioria dos políticos, eleitos num sistema pouco democrático, não tem interesse nela e tentará iludir a população mais uma vez com pequenas mudanças superficiais, seguindo o método “mudar para não mudar” ou “façamos as mudanças antes que o povo as faça”.              

 

 


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• 28/4/2010 - Vídeo Maria Gadú - Filosofia

Maria Gadú - Filosofia
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• 27/4/2010 - CHARGES

CHARGES 












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• 6/4/2010 - Pensamentos

OS FINS JUSTIFICAM OS MEIOS?

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• 5/4/2010 - Maquiavel

QUEM FOI MAQUIAVEL?



O que é ser maquiavélico? Utilizando o texto 17 explique a origem e o significado da palavra maquiavelismo. Quem foi Maquiavel?

Utilizando o
texto 17 escreva o que Hobbes considerava características naturais do ser humano?

Conforme o
texto 17, o que Hobbes achava da liberdade e da democracia? E Rousseau?

Conforme o
texto 17, para Rousseau, qual a solução para os problemas de comportamento? Dê exemplos.

No
texto 17, o que Rousseau chama de educação democrática? Dê exemplo.









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• 30/3/2010 - Texto 3 - ADMIRAR AS COISAS...

                                                                                      ADMIRAR AS COISAS ...

Sofia estava certa de que o autor das cartas anônimas ria se manifestar outra vez. Ela decidiu que a princípio não diria nada a ninguém sobre essas cartas. Na escola, Sofia tinha dificuldade de se concentrar no que o professor falava. De uma hora para a outra, começou a achar que ele só falava de coisas que não eram importantes. Por que ele não falava sobre o que é um ser humano, ou então sobre o que é o mundo ou de onde ele tinha surgido? Ela sentia uma coisa que nunca tinha sentido antes: na escola, e também por toda a parte, as pessoas só se preocupavam com trivialidades. Mas havia questões maiores, mais graves, cujas respostas eram mais importantes do que as matérias normais da escola. Alguém teria respostas para elas? De qualquer forma, Sofia achava mais importante refletir sobre elas do que quebrar a cabeça decorando verbos irregulares. Quando tocou o sinal depois da última aula, ela saiu com tanta pressa da escola que Jorunn teve de correr para conseguir alcançá-la. Vamos jogar baralho hoje à noite? - perguntou Jorunn r depois de já estar caminhando há algum tempo ao lado da amiga. Sofia sacudiu os ombros com indiferença" - Acho que não me interesso mais por jogar baralho. Jorunn pareceu cair das nuvens com a resposta. - Não? Então vamos jogar peteca? - Acho que também não me interesso mais por jogar peteca. - É mesmo? Sofia sentiu um tom de desapontamento na voz de Jorunn. - Bom, será que pelo menos você poderia me dizer o que foi que de repente passou a ser tão importante? Sofia balançou a cabeça, - Bem isto é segredo. - Tsch na certa você se apaixonou por alguém, As duas continuaram a caminhar juntas sem dizer nada. Quando chegaram ao campo de futebol, Jorunn disse: - Vou cortar caminho pelo campo. ,~ Cortar caminho pelo campo! Jorunn só fazia isto quando precisava chegar logo em casa por causa de visitas, ou então quando tinha hora marcada no dentista. Sofia ficou sentida por ter magoado Jorunn. Mas o que deve­ria ter respondido? Que ela de repente estava tão preocupada em saber quem era e de onde tinha surgido o mundo que não tinha tempo para jogar peteca? Será que sua amiga teria entendido? Por que será que era tão difícil preocupar-se com estas ques­tões tão importantes e, de certa forma, tão naturais? Sentiu o coração bater mais rápido quando abriu a caixa de correio, Numa primeira olhada, viu apenas extratos bancários e um grande envelope amarelo para sua mãe. Puxa vida! Sofia ti­nha esperado tanto por outra carta do remetente desconhecido! Quando fechou o portão, descobriu seu nome num dos enve­lopes grandes. No verso do envelope estava escrito: Curso de filo­sofia, Maneje com cuidado. Sofia atravessou correndo o caminho de pedras e colocou sua mochila na escada. Empurrou as outras cartas para baixo do ca­pacho, correu para o jardim atrás da casa e procurou refúgio no seu esconderijo. Só ali o envelope podia ser aberto. Sherekan veio correndo atrás dela, mas não havia nada que ela pudesse fazer para impedi-lo.De uma coisa Sofia estava cer­ta: o gato não iria denunciá-la. No envelope havia três páginas datilografadas, presas por um clipe. Sofia começou a ler. Querida Sofia, Muitas pessoas têm hobbies diferentes. Algumas colecionam moedas e selos antigos, outras gostam de trabalhos manuais, outras ainda dedicam quase todo o seu tempo livre a uma determinada modalidade de esporte. Também há os que gostam de ler. Mas os tipos de leitura também são muito diferentes. Alguns lêem apenas jornais ou gibis. ou­tros gostam de romances, outros ainda preferem livros sobre temas diversos como astronomia, a vida dos animais ou as novas descobertas da tecnologia. Se me interesso por cavalos ou pedras preciosas, não posso querer que todos os outros tenham o mesmo interesse. Se fico gru­dado na televisão assistindo a todas as transmissões de esporte, te­nho que aceitar que outras pessoas achem o esporte uma chatice. Mas será que existe alguma coisa que interessa a todos? Será que existe alguma coisa que concerne a todos, não importando quem são ou onde se encontram? Sim, querida Sofia, existem questões que de­veriam interessar a todas as pessoas. E é sobre tais questões que trata este curso. Qual é a coisa mais importante da vida? Se fazemos esta per­gunta a uma pessoa de um país assolado pela fome, a resposta se­rá: a comida. Se fazemos a mesma pergunta a quem está morrendo de frio, então a resposta será: o calor. E quando perguntamos a al­guém que se sente sozinho e isolado, então certamente a resposta será: a companhia de outras pessoas. Mas, uma vez satisfeitas todas essas necessidades, será que ainda resta alguma coisa de que todo mundo precise? Os filósofos acham que sim. Eles acham que o ser humano não vive apenas de pão. É claro que todo mundo precisa comer. E precisa também de amor e de cuidado. Mas ainda há uma coisa de que todos nós pre­cisamos. Nós temos a necessidade de descobrir quem somos e por que vivemos. Portanto, interessar-se em saber por que vivemos não é um interesse "casual" como colecionar selos, por exemplo. Quem se in­teressa por tais questões toca um problema que vem sendo discutido pelo homem praticamente desde quando passamos a habitar este planeta. A questão de saber como surgiu o universo, a Terra e a vida por aqui é uma questão maior e mais importante do que , saber quem ganhou mais medalhas de ouro nos últimos Jogos Olímpicos. O melhor meio de se aproximar da filosofia é fazer perguntas filosóficas: Como o mundo foi criado? Será que existe uma vontade ou um sentido por detrás do que ocorre? Há vida depois da morte? Como podemos responder a estas perguntas? E, principalmente: como de­vemos viver? Essas perguntas têm sido feitas pelas pessoas de todas as épo­cas. Não conhecemos nenhuma cultura que não se tenha pergun­tado quem é o ser humano e de onde veio o mundo. Basicamente, não há muitas perguntas filosóficas para se fazer. Já fizemos algumas das mais importantes. Mas a história nos mos­tra diferentes respostas para dada uma dessas perguntas que esta­mos fazendo. É mais fácil, portanto, fazer perguntas filosóficas do que res­pondê-Ias. Da mesma forma, hoje em dia cada um de nós deve encontrar a sua resposta para estas perguntas. Não dá para procurar numa en­ciclopédia se existe um Deus, ou se há vida após a morte. A enci­clopédia também não nos diz como devemos viver. Mas a leitura do que outras pessoas pensaram pode nos ser útil quando precisa­mos construir nossa própria imagem do mundo e da vida. A busca dos filósofos pela verdade pode ser comparada com uma história policial. Alguns acham que Andersen é o criminoso: outros acham que é Nielsen ou Jepsen. Um crime na vida real po­de chegar a ser desvendado pela polícia um dia. Mas também po­demos imaginar que a policia nunca consiga solucionar determina­do caso, embora a solução para ele esteja em algum lugar. Mesmo que seja difícil responder a uma pergunta, isto não sig­nifica que ela não tenha uma - e só uma - resposta certa. Ou há algum tipo de vida depois da morte, ou não. Muitos dos antigos enigmas foram resolvidos pela ciência ao longo dos anos. Antigamente, um grande enigma era saber corno era o lado escuro da Lua. Não era possível chegar a uma resposta apenas através de discussão; a resposta ficava para a imaginação de cada um. Hoje, porém, sabemos exatamente como é o lado es­curo da Lua.. Não dá mais para "acreditar"que há um homem mo­rando na Lua, nem que ela é um grande queijo, todo cheio de buracos. Um dos antigos filósofos gregos, que viveu há mais de dois mil anos, acreditava que a filosofia era fruto da capacidade do homem de se admirar com as coisas. Ele achava que para o homem a vida é algo tão singular que as perguntas filosóficas surgem como que espontaneamente. É como o que ocorre quando assistimos a um truque de mágica: não conseguimos entender como é possível acontecer aquilo que estamos vendo diante de nossos olhos. E então depois de assistirmos à apresentação, nos perguntamos: como é que o mágico conseguiu transformar dois lenços de seda brancos num coelhinho vivo? Para muitas pessoas, o mundo é tão incompreensível quanto o coelhinho que um mágico tira de uma cartola que, há poucos instantes, estava vazia. No caso do coelhinho, sabemos perfeitamente que o mágico nos iludiu. Quando falamos sobre o mundo, as coisas são um pou­co diferentes. Sabemos que o mundo não é mentira ou ilusão, pois estamos vivendo nele, somos parte dele. No fundo, somos o coelhinho branco que é tirado da cartola. A única diferença entre nós e o coelhinho branco é que o coelhinho não sabe que está participando de um truque de mágica. Conosco é diferente. Sabemos que estamos fazendo parte de algo misterioso e gostaríamos de poder explicar como tudo funciona. PS. Quanto ao coelhinho branco, talvez seja melhor compará-lo com todo o universo. Nós, que vivemos aqui; somos os bichinhos microscópicos que vivem na base dos pêlos do coelho. Mas os fi­lósofos tentam subir da base para a ponta dos finos pêlos, a fim de ceder olhar bem dentro dos olhos do grande mágico. Sofia olhou o relógio. Já eram quinze para as três. Sua mãe só voltaria do trabalho em duas horas. Então correu outra vez para o jardim, a fim de olhar a caixa de correio. Será que havia mais alguma coisa lá dentro? Encontrou outro envelope amarelo endereçado a ela. Olhou ao redor, mas não viu ninguém. Sofia correu até a fímbria da flo­resta e olhou para a trilha que levava para o seu interior. Também ali não havia ninguém. De repente, pareceu-lhe ouvir o estalar de galhos lá dentro da floresta. Mas ela não tinha muita certeza se poderia ser alguém, e também não teria muito sentido saircorrendo atrás de ruídos. Se alguém estava tentando fugir dela, ela não conseguiria detê-lo. . Aqui estamos nós de novo. Na certa você já entendeu que es­te breve curso de filosofia virá em pequenas doses Aqui vão mais algumas considerações introdutórias. Eu já disse que a capacidade de nos admirarmos com as coisas é a única coisa de que precisamos para nos tornarmos bons filóso­fos? Se não, então digo agora: A ÚNICA COISA DE QUE PRECISAMOS PARA NOS TORNARMOS BONS FILÓSOFOS É A CAPACIDADE DE NOS ADMIRARMOS COM AS COISAS. Todo mundo sabe que os bebês possuem essa capacidade. De­pois de alguns meses na barriga da mãe, eles são empurrados para uma realidade completamente diferente. Mas depois, quando cres­cem, parece que esta capacidade vai desaparecendo. Como se explica isto? Será que Sofia Amundsen é capaz de responder a esta pergunta? Vamos ver: se um bebezinho pudesse falar, na certa ele diria alguma coisa sobre o novo e estranho mundo a que chegou. Pois apesar de a criança não saber falar, podemos ver como ela olha ao seu redor e quer tocar com curiosidade todos os objetos que vê. Quando vêm as primeiras palavras, a criança pára e diz "Au! Au!" toda vez que vê um cachorro. Podemos ver como ela fica agi­tada dentro do carrinho e movimenta os bracinhos dizendo "Au, au, au!". Para nós, que já deixamos para trás alguns anos de nos­sas vidas, o entusiasmo da criança pode parecer até um tanto exa­gerado. "Sim, sim, é um au-au", dizemos nós, os "vividos". "Mas agora fique quietinho." Não ficamos muito entusiasmados, pois já vimos outros cachorros antes. Esta cena insólita talvez se repita algumas centenas de vezes, até que a criança passe por um cachorro, ou por um elefante, ou por um hipopótamo sem ficar fora de si. Mas muito antes de a criança aprender a falar corretamente - ou muito antes de ela aprender a pensar filosoficamente -, ela já se habituou com o mundo. Uma pena, se você quer saber o que eu acho. O que importa para mim, querida Sofia, é que você não este­:, entre aqueles que consideram o mundo uma evidência. Para te certeza disso, vamos fazer dois exercícios de raciocínio antes de começarmos com nosso curso propriamente dito. Imagine que você está dando um passeio na floresta. De repente, no meio do caminho, você vê uma pequena nave espacial. Então, um pequeno marciano sai da nave e olha para você lá de baixo... O que você pensaria? Bem, isto não importa. Mas será que já passou pela sua cabeça que você pode ser uma marciana? Naturalmente, é muito pouco provável que você um dia tropece numa criatura de outro planeta. Não sabemos nem mesmo se há vida em outros planetas. Mas pode ser que você um dia tropece em si mesma. Pode ser que um belo dia você pare o que está fazendo e passe a se ver de uma forma completamente diferente. E pode ser que isto aconteça justamente durante um passeio na floresta. Sou uma criatura estranha, você irá pensar. Sou um animal misterioso ... E então vai ser como acordar de um sono de anos. Como o da Bela Adormecida. "Quem sou eu?", você irá se perguntar. Você sabe que viaja pelo universo num planeta. Mas o que é o universo? Você está me acompanhando, Sofia? Então vamos fazer mais um teste de raciocínio. Certa manhã, mamãe, papai e o pequeno Thomas -a esta altura já com dois ou três anos - estão sentados na cozinha toman­do café. De repente, mamãe se levanta, vira-se para a pia e en­tão ... bem, então papai começa a flutuar sob o teto da cozinha. O que você acha que Thomas diria? Talvez ele apontasse o dedo para seu pai e dissesse: "Papai voando!". Na certa Thomas ficaria espantado, mas ficar espantado não é novidade para ele Afinal, o papai faz tantas coisas estranhas que, a seus olhos, um pequeno vôo sobre a mesa do café da manhã não faz lá muita diferença. Todos os dias, por exemplo, seu pai faz a barba com um aparelhinho esquisito, às vezes sobe no telhado e vira a antena da TV, outras vezes enfia a cabeça no compartimento do motor do carro e sai com a cara toda preta lá de dentro. Agora é a vez da mamãe. Ela ouviu o que Thomas disse e vira-se resoluta. Como você acha que ela reagiria à visão de seu ma­rido voando sobre a mesa da cozinha? Na mesma hora ela deixa cair o vidro de geléia e solta um grito de pavor. Talvez ela até precise de um médico, depois que pa­pai voltar a sentar-se em sua cadeira. (Há muito tempo ele deveria ter aprendido a se comportar à mesa!) Por que será que Thomas e mamãe reagem de forma tão diferente? O que você acha? É uma questão de hábito. (Grave bem isso!) Mamãe aprendeu que as pessoas não podem voar. Thomas não. Ele ainda não tem certeza do que é possível e do que não é possível neste mundo. Mas e quanto ao mundo propriamente dito, Sofia? Você acha que ele é possível? O mundo também fica pairando livremente no espaço. O triste de tudo isto é que, à medida que crescemos, nos acostumamos não apenas com a lei da gravidade. Acostumamo-nos, ao mesmo tempo, com o mundo em si. Ao que tudo indica, ao longo da nossa infância nós perdemos a capacidade de nos admirarmos com as coisas do mundo. Mas com isto perdemos uma coisa essencial - algo de que os filósofos querem nos lembrar. Pois em algum lugar dentro de nós, alguma coisa nos diz que a vida é um grande enigma. E já experimentamos muito antes de aprendermos a pensar. . Para ser mais preciso: embora as questões filosóficas digam respeito a todas as pessoas, nem todas se tornam filósofos. Por diferentes motivos, a maioria delas é tão absorvida pelo cotidiano que a admiração pela vida acaba sendo completamente reprimida. (Elas se alojam bem no fundo do pêlo do coelho, fazem um ninho bem confortável e ficam lá embaixo pelo resto de suas vidas.) Para as crianças, o mundo - e tudo o que há nele - é urna coisa nova; algo que desperta a admiração. Nem todos os adultos vêem a coisa dessa forma. A maioria deles vivência o mundo como uma coisa absolutamente normal. E precisamente neste ponto é que os filósofos constituem uma louvável exceção. Um filósofo nunca é capaz de se habituar com­pletamente com este mundo. Para ele ou para ela o mundo conti­nua a ter algo de incompreensível, algo até de enigmático, de se­creto. Os filósofos e as crianças têm, portanto, urna importante característica comum. Podemos dizer que um filósofo permanece a sua vida toda tão receptivo e sensível às coisas quanto um bebê. E agora você precisa se decidir, querida Sofia: você é uma criança que ainda não se "acostumou" com o mundo? Ou você é uma filósofa capaz de jurar que isto nunca vai lhe acontecer? Se você simplesmente balança a cabeça e não se sente nem co­mo criança, nem como filósofa, a explicação para isto é que você já se acostumou tanto com o mundo que não consegue mais se sur­preender com ele. Neste caso, você corre perigo. E justamente por medida de segurança, para evitar que isto aconteça, é que você está recebendo este curso de filosofia. Eu não quero que justamente você passe a pertencer ao clube dos apáticos e indiferentes. Quero que você viva uma vida instigante. Você receberá este curso inteiramente grátis. Assim, não have­rá devolução de dinheiro, caso você desista de fazê-lo. Se você quiser interromper o curso em determinado momento, também não há problema. Você só precisa deixar uma mensagem para mim na caixa de correio. Esta mensagem pode ser, digamos, uma rã viva. De qualquer forma, tem de ser alguma coisa verde. Afinal, não va­mos querer assustar o carteiro. Vamos resumir: um coelho branco é tirado de dentro de uma cartola. E porque se trata de um coelho muito grande, este truque leva bilhões de anos para acontecer. Todas as crianças nascem bem na ponta dos finos pêlos do coelho. Por isso elas conseguem se en­cantar com a impossibilidade do número de mágica a que assistem. Mas conforme vão envelhecendo, elas vão se arrastando cada vez mais para o interior da pelagem do coelho. E ficam por lá. Lá em­.baixo é tão confortável que elas não ousam mais subir até a ponta dos finos pêlos, lá em cimá. Só os filósofos têm ousadia para se lan­çar nesta jornada rumo aos limites da linguagem e da existência. Alguns deles não chegam a concluí-Ia, mas outros se agarram com força aos pêlos do coelho e berram para as pessoas que estão lá embaixo, no conforto da pelagem,enchendo a barriga de comida e bebida: _ Senhoras e senhores - gritam eles -, estamos flutuando ----- no espaço! Mas nenhuma das pessoas lá de baixo se interessa pela grita- ria dos filósofos. _ Deus do céu! Que caras mais barulhentos! - elas dizem. E continuam a conversar: será que você poderia me passar a manteiga? Qual a cotação das ações hoje? Qual o preço do toma­te? Você ouviu dizer que a Lady Di está grávida de novo? Quando a mãe de Sofia voltou para casa no final da tarde, a lata com as cartas do misterioso filósofo estava em segurança no esconderijo. Sofia tinha tentado se concentrar na lição de casa, mas continuava a quebrar a cabeça com tudo o que tinha lido. Eram tantas as coisas sobre as quais ela jamais tinha pensa­do! Ela não era mais uma criança, mas também não era completa­mente adulta. Sofia entendeu que já tinha começado a se arrastar lá para dentro da espessa pelagem do coelho que havia sido tira­do da cartola preta do universo. Mas agora o filósofo a tinha de­tido. Ele - ou será que era ela? - a tinha agarrado pelo cangote e a puxara novamente para a ponta da pelagem, onde ela brinca- ra um dia, quando ainda era criança. E lá fora, na pontinha dos fi­nos. pêlos, ela vira novamente o mundo como se fosse pela pri­meira vez. O filósofo a salvara. Sofia puxou sua mãe para a sala e a fez sentar numa poltrona. - Mamãe, a senhora não acha a vida uma coisa extraordiná­ria? - começou. Sua mãe ficou tão espantada com a pergunta que não lhe ocorreu qualquer resposta. De outras vezes, ao chegar em casa, sempre encontrava Sofia debruçada sobre os livros, fazendo os deveres de casa. - Sim - respondeu. - Às vezes. - Às vezes? Quero dizer ... você não acha surpreendente o simples fato de o mundo existir? - Sofia, do que você está falando? - Estou perguntando uma coisa. Ou será que você acha o mundo uma coisa totalmente normal? - Sim. O mundo é uma coisa absolutamente normal. Na maioria das vezes. Sofia entendeu que o filósofo tinha razão. Os adultos acha­vam o mundo uma coisa evidente. Dormiam para sempre o sono encantado do cotidiano. - Você apenas se habituou tanto com o mundo que ele não surpreende mais você - disse. - Desculpe, mas não estou entendendo nada. - Estou dizendo que você se acostumou demais com o mundo. Em outras palavras, que você está totalmente tapada. - Veja lá como você fala comigo, Sofia. - Então me deixe dizer de outra forma. Você arrumou um ninho bem confortável lá no fundo da pelagem de um coelho branco que acabou de ser tirado da cartola preta do universo. E daqui a pouco você vai pôr as batatas para cozinhar. Depois vai ler o seu jornal e depois de uma soneca de meia hora vai assistir aos telejornais. Uma expressão de preocupação passou pelo rosto da mãe de Sofia. De fato ela foi até a cozinha e colocou as batatas para cozi­nhar. Logo depois voltou para a sala e então foi a sua vez de fazer Sofia se sentar numa poltrona. . _ Vamos conversar - começou ela. E pela voz de sua mãe Sofia percebeu que se tratava de algo sério. - Por acaso você andou mexendo com drogas? Sofia não conseguiu conter um sorriso, mas entendeu por que aquela pergunta lhe estava sendo feita justamente agora. - Você ficou louca? - respondeu. - As drogas só deixam a gente ainda mais careta! ----- _








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• 25/3/2010 - TEXTO 57 ROUSSEAU


Jean Jacques Rousseau 1712-1778

Os antepassados de Rousseau, vindos de Paris e refugiados de guerras religiosas estabeleceram-se em Genebra, a quem Rousseau dedica o seu "Discurso sobre a Desigualdade Social" exagerando nos elogios,

Rousseau nasceu quase morto, Sua mãe, Suzane, morreu no parto e ele viveu com o pai, do culto a Suzane, e da leitura dos livros deixados por ela,

        O pai de Rousseau abandonou-o aos 7 anos, após uma briga com um capitão, pois senão seria dura e injustamente punido.

 

Rousseau queria ser ministro evangélico, achando bela a tarefa de pregar, mas os recursos econômicos não o permitem, Começa seu sentimento de inferioridade, Torna-se medroso, dissimulador e ladrão, Depois tenta trabalhar, mas não para em nenhum emprego, Volta então aos prazeres da leitura.

Rousseau gostava de passear fora dos muros da cidade. Esquecendo-se do horário de voltar, encontrava o portão fechado e era castigado pelo mestre. Finalmente, encontrando o portão fechado, resolveu partir para sempre. Era o ano de 1728 e Rousseau foi procurar um padre dedicado a reconduzir os jovens calvinistas à Igreja católica e este lhe enviou a uma jovem senhora Católica. Quando foi declarado converso, fizeram-lhe uma coleta e ele partiu para novas aventuras.

Rousseau teve cinco filhos e entregou todos a orfanatos porque achava que não poderia cuidar deles sendo pobre e doente, O remorso por isso sempre o acompanhou.

Houve um concurso anunciado no jornal: se o progresso das ciências e das artes serviu para corromper ou apurar os costumes. Foi uma oportunidade para Rousseau, que já estava com 37 anos, sem seus trabalhos reconhecidos, a não ser alguns artigos para a "Enciclopédia".

Na ocasião em que leu a notícia de jornal, Rousseau estava indo visitar Diderot, preso por suas posições ateístas.

A obra de Rousseau, que foi mal compreendida nos meios do catolicismo tradicional, representou uma reação espiritualista contra a filosofia das luzes e o otimismo dos enciclopedistas, filósofos que ele detestou e pelos quais foi odiado.

Rousseau declara-se inimigo do progresso. Para ele, o progresso das ciências e das artes tornou o homem vaidoso e mau, corrompendo sua natureza íntima.

Obras de Rousseau suscitaram a ira dos poderes públicos e das Igrejas constituídas. Livros seus foram solenemente queimadas em Paris e em Genebra. O arcebispo de Paris o condena e, perseguido por toda parte, Rousseau só encontra refúgio na Inglaterra, junto a Hume, com quem se desentende depois.

Rousseau é censurado. Por escolher a religião natural, aquela que o homem encontra no próprio coração, e rejeitar a religião revelada. Ele afirmou que se pode conseguir a salvação em diferentes religiões, ao contrário do que era dito nas igrejas Católicas e protestantes.

Rousseau prende-se aos ensinamentos de Jesus, que cujos atos, diz, são melhores atestados do que os da vida de Sócrates. Adota o dualismo moral popular. "Somos tentados pelas paixões e detidos pela consciência". A consciência é a voz da alma enquanto as paixões são as vozes do corpo.

Os dois livros de Rousseau, "O Emílio" e "A Nova Heloísa" são considerados ofensivos às autoridades e queimados em praça pública, Ordena-se a prisão de Rousseau c ele se vê obrigado a deixar a França.

Em 1764 circula em Paris um panfleto de.Voltaire que acusa Rousseau de pai sem coração, hipócrita e amigo ingrato (ele havia se desentendido com vários amigos que Q acolheram). Rousseau escreve "confissões".

Rousseau torna-se paranóico, com delírios de perseguição; situação que o separa de Hume, que o acolhera na Inglaterra.

Opositores de Rousseau o aproximaram do cínico Diógenes e Voltaire afirma que ler Rousseau faz nascer a vontade de andar em quatro patas. Ele se defende colocando-se acima dos animais, dizendo que o homem pode unir o sentimento da existência comum ao da existência individual, contemplar o universo e elevar-se até a mão que o governa.

Rousseau não quer a destruição da sociedade. Afirma que os abusos do estado social civilizado o colocaram abaixo da vida primitiva. E que os abusos centralizam-se nos cultos aos refinamentos.

O verdadeiro fundador da sociedade civil foi o primeiro que, tendo cercado um terreno, lembrou-se de dizer "isto é meu" e encontrou pessoas suficientemente simples para acreditá-lo. Quantos crimes, guerras, assassínios, misérias e horrores, poupariam ao gênero humano aquele que, arrancando as estacas tivesse gritado ao seu semelhante: "Defendei-nos de ouvir este impostor; estareis perdidos se esquecerdes que os frutos são de todos e que a terra não pertence a ninguém!".

Evidências de que o homem é naturalmente bom: ( ... ) A distância entre o que se prega e o que se pratica leva a pensar que o homem não é originalmente mau e que sua maldade vem do desejo de possuir ( ... ) Um animal feroz tornado manso é um animal corrompido. Se o homem fosse mau por natureza, agindo pacificamente ele estaria alterando sua natureza e se corrompendo. (Um homem bom seria como um lobo manso). ( .. .) Se somos maus por natureza por que então nos comovemos com os atos de bondade? ( ... ) Não odiamos a ação dos maus porque nos prejudica, mas porque é má.

"Acontece com a liberdade o que de dá com esses alimentos sólidos apropriados a nutrir os que têm o hábito deles, Os povos acostumados a possuir senhores não conseguem viver sem eles."

Rousseau retoma o "conhece-te a ti mesmo" de Sócrates, mas vendo no intelecto uma faculdade que conduz para fora de si mesmo.

Para Rousseau não é a razão, mas o sentimento verdadeiro instrumento do conhecimento.

Os objetivos da educação para Rousseau comportam dois aspectos: o desenvolvimento das potencialidades naturais da criança e seu afastamento dos males sociais - Incapaz de abstrações o educando deve ser orientado no sentido do conhecimento do mundo através do contato com as próprias coisas. A educação deve ser negativa até o momento em que a criança adquire consciência de sua relação com os outros.

Trechos do Discurso sobre a Desigualdade: ( ... ) A indústria privou o homem da força e agilidade. Um machado o privou de romper galhos tão resistentes ( ... ) Os animais nas florestas são mais altos e robustos. Domesticar e degenerar ( ... ) O homem não é naturalmente carnívoro. Seus dentes e intestinos são como o dos animais frugívoros. E já se encontrou selvagens semi-homens que não comem carne ( .. .) No homem primitivo não existe orgulho e ambição (. .. ) No homem primitivo a piedade antecede a reflexão. Como entre os animais: o cavalo não pisa num ser vivo. Um animal passa inquieto diante de um animal morto de sua espécie e alguns até lhe dão uma espécie de sepultura.

            ( . ) A história das doenças acompanha a história da civilização. Todas as doenças foram criadas pela sociedade.

            ( . ) Como os vegetais extraem, para se alimentar, muito mais substâncias do ar e da água, do que da terra, acontece

que, ao perecerem, dão a terra mais do que dela extraíram. Mas os animais dando a terra menos do que dela extraem e tendo os

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• 25/3/2010 -

homens um consumo enorme de lenha e de plantas para o fogo e outros usos, conclui-se que a camada de terra vegetal de uma região habitada deverá sempre diminuir.

Os selvagens não representam o estado de natureza; o homem natural não é cruel. O homem primitivo era medroso

(... ) Os animais ferozes não gostam de se atacar e aprenderão a não atacar o homem quando este não se mostrar medroso. Já se encontrou tribos que não tiveram um só caso em que alguns de seus membros fossem atacados por um animal. ( ... ) Naturalistas escrevem sobre homens primitivos capazes de correr em espantosa velocidade, nadar como peixes, pegar peixes com a mão (Discurso sobre a Desigualdade). Há o caso do índio que conseguiu a liberdade matando três touros ferozes

numa festa pública usando apenas uma corda. ( ... )                                                                                     .

Comentadores acreditam ver uma contradição entre as teses do "Discurso sobre a Desigualdade" e a abra "Do

Contrato Social". Na primeira, o autor parece defender o individualismo radical, fazendo da sociedade a fonte dos males de que padece o homem. Na segunda, ao contrário, parece defender um coletivismo, à medida que promove, por exemplo, a idéia da excelência da prática e do interesse coletivo, que deve prevalecer sobre o interesse individual.

O rei Luis XV, impressionado com a obra de Rousseau, convocou-o para uma audiência, prometendo-lhe uma pensão.

Atacado por um acesso de inibição, Rousseau não compareceu e perdeu a pensão. Seus amigos,especialmente Diderot,

começaram a se impacientar diante de suas esquisitices.

É curioso que o primeiro Discurso de Rousseau, apesar do prêmio conquistado, é julgado severamente pelo próprio

autor, que o considera carente de lógica e de ordem e, dentre as suas obras, a mais fraca de raciocínio. Por que então ela provocou tanto escândalo, despertando intermináveis polêmicas e celebrizando o seu autor logo no início da carreira?

Rousseau foi para a Suíça, onde imaginou que seria bem acolhido. Mas estava muito enganado. Da pequena aldeia da Travers, onde se instalou, também foi obrigado a fugir depois que camponeses enfurecidos ameaçaram depredar a "morada do

ímpio".

Rousseau trata das relações entre religião e política e propõe uma religião civil. Fazendo uma severa crítica ao

cristianismo, tanto por sua intolerância quanto por ser uma religião funesta ao espírito cívico, já que divide o homem entre sua pátria real e um outro mundo espiritual, o filósofo propõe a idéia de um culto religioso à própria pátria, com artigos de fé não precisamente como dogmas de religião, mas como sentimentos de sociabilidade. Seriam fixados pelo soberano e teriam como principal objetivo sacramentar o pacto social. Os dogmas positivos dessa religião seriam a existência de Deus, a vida futura, a felicidade dos justos, os castigos dos maus e, principalmente, a santidade do contrato social. O mais importante, porém, é o repúdio a intolerância. Sempre que uma religião no interior do Estado se afirmar como o único caminho para a salvação, o soberano estará ameaçado, os padres serão os senhores e os reis seus funcionários.

A idéia de uma religião civil teve uma notável repercussão durante a Revolução Francesa, foi e continua sendo

rejeitada por muitos leitores de Rousseau que a vêem como uma manifestação injustificada de xenofobia, uma perigosa exaltação do mito nacional. Em favor de Rousseau, é preciso observar que sua religião, além de se opor à intolerância, respalda um patriotismo que não pode, de forma alguma, ser confundido com os nacionalismos expansionistas que fizeram tantos

estragos.

O homem é um se naturalmente bom, amando a justiça e a ordem. Não há perversidade original no coração humano

e os primeiros movimentos da natureza são sempre retos. A única paixão que nasce com o homem, o amor de si, é uma paixão em si mesma indiferente ao bem e ao mal, que não se toma boa ou má a não ser por acidente e segundo as circunstâncias nas quais se desenvolve. Todos os vícios que se imputam ao coração humano não lhe são naturais."

"( ... )Se o homem é naturalmente mau, não o pode deixar de ser sem se corromper, e a bondade não passa nele de um

vício contra a natureza. Feito para prejudicar seus semelhantes, como o lobo para esganar sua presa, um homem bom seria um animal tão depravado como um lobo piedoso ( ... ) Por quem vos interessais em vossos teatros? São os crimes que vos dão prazer? ( ... ) Se não há nada de moral no coração do homem, de onde lhe vem a admiração pelas ações heróicas? ( ... ) Nós não odiamos os maus apenas porque nos prejudicam, mas porque são maus. Não. somente queremos ser felizes, como queremos a felicidade alheia. Temos piedade dos desgraçados e quando somos testemunhas de seu mal, sofremos"

"Plantai, nomeio de uma praça um mastro, coroado de flores. Reuni em tomo o povo e tereis uma festa. Fazei ainda

melhor: dai os espectadores em espetáculos; tornai-os eles próprios atores; fazei com que cada um se veja e se ame nos outros,

afim de que todos sejam melhor unidos ... "

O centro de toda obra de Jean Jacques Rousseau está na defesa do homem natural que, segundo ele, estava muito

melhor que o homem da sociedade. A sociedade e o progresso corromperam o homem e o tomaram escravos e maus. O homem primitivo era naturalmente bom e feliz, e a sociedade o degenerou. A evolução é boa e inevitável, mas não deveria ter

   afastado o homem dos fundamentos naturais.                     

Para Rousseau deve ser mantida uma igualdade entre todos os homens através de um pacto, onde todos livremente se

obriguem a respeitar uma lei comum e gozar dos mesmos direitos. Todo homem nasce livre e o mundo é de todos. Mas para que haja ordem social é necessário que o povo participe das decisões políticas.

A natureza do homem é liberdade, porém a comunidade política não pode segurar ao indivíduo o instinto

desordenado, mas só um instinto disciplinado e moralizado pela razão. Isso acontece mediante a coincidência a vontade particular com a vontade geral. A passagem do natural para o social se dá através da substituição do instinto pela justiça.

Comentário: Para Rousseau deve haver liberdade e democracia cada vez  mais tentando se chegar ao ponto de :e superar toda a lei e autoridade impostas. 'Por exemplo: O que aconteceria se um professor, ao começar dar as suas aulas, não tivesse autoridade sobre seus alunos e não tivesse sistema de controle, como nota, registro de presença, hora certa para entrar, etc.? Viraria uma bagunça! Isso no começo das aulas, porque os alunos não estão acostumados com a democracia. Mas aos poucos o professor poderá ir diminuindo sua própria autoridade e aumentando a dos aluno. Havendo diálogo e acertando-se na metodologia se conseguirá esse resultado, considerando-se que o aluno tem natural curiosidade, natural potencialidade para aprender. Ele é naturalmente bom estudante; o método errado de ensino é que o corrompe.

Exemplo: Se, numa aula, um aluno, numa atitude de indisciplina, estiver atrapalhando os outros, o que fazer? Falar

com ele. Mas quem deverá falar com ele? O professor? Não! Pois se o professor fizer ISSO estará resolvendo sozinho um  problema que é de todos. Não estará educando. Os próprios alunos é que deverão resolver o problema. O professor devera

utilizar um método que reforce esse clima democrático.

O que fazer com um jovem que depreda o patrimônio público, picha as paredes? Para Hobbes o que resolve é a punição exemplar:'Mas para Rousseau não. Com a educação democrática, um pichador torna-se. um grafiteiro, um artista.

Para Rousseau a educação pode resolver todos os problemas sociais, pode acabar com todos _os crimes.

 

 

 

 

 

 

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• 19/3/2010 - QUESTIONÁRIOS

 
 
 
 

Apresentação do Aluno

1. Nome: .................................. .

Endereço: Rua ................................ n°

    C.E.P: ...................... Bairro:

2.Gostaria de receber mensagens filosóficas por  e-mail?

e-mail:

3. Data de Nascimento: __ / __ / __

4. Além de estudar, está trabalhando? Em que?      

5. Religião:

6. É praticante dessa religião?  

7.Profissão do pai:

8. Profissão da mãe:

9. Escolaridade do pai:

10. Escolaridade da mãe:

11. Descendência por parte de pai:

12. Descendência por parte de mãe:

13. Tem o hábito de ler além do que os professores pedem?

Que tipo de leitura?

14. Quais os dois filmes de que você mais gostou?

15. Quais os dois livros dos quais você mais gostou?

16-Das personalidades mais conhecidas na atualidade quais você mais admira?

17. Das personalidades da história quais você mais admira?

18. Quais os políticos do Brasil que você acha os melhores? (ou menos ruins)?

19. Quais políticos de fora do Brasil você acha os melhores?

20. Se você tivesse um grande problema de ordem psicológica de quem você procuraria ajuda primeiro?

 ( ) amigo ( ) pastor () pais ( ) não sei

     ( ) professor ( ) padre ( ) psicólogo ( ) ......... .

21. Cite os lugares (cidade, estado, país) onde viveram seus antepassados desde os tataravôs até os pais.

22. Pesquise e escreva o significado de seu nome e a sua origem.

23. Pesquise e escreva a história de seu nome.

24. Escreva a história de como foi escolhido o seu nome.

25. Qual a receita para conquistar sua amizade?

26. Em sua opinião o que é necessário para ser feliz?

27. Faça um desenho de você, de tamanho 5x4 e colorido, com alguma característica que lembre o significado do seu nome.

28. Faça um desenho de você, de tamanho 5x4 e colorido, com algum detalhe que lembre algo que você gosta de fazer.

29. Escreva sobre o professor(a) que você mais gostou em sua vida. Como ele trabalhava? Que métodos ele usava?

30. Fale sobre seus pais, sua família e sobre as pessoas que  você mais gosta.

31. Escreva a história de sua vida (no mínimo 2 páginas).

 


 TEXTO 2

 

1- Qual era a profissão do pai da Sofia?

2- Em que situação Sofia encontrou a avó dela? O que ela pensou sobre isso?

 3- Quem enviou as cartas para Sofia?
 
 4- O que estava escrito em cada uma das cartas?
 
 5- O que essas cartas provocam na vida de Sofia?
 
6- Escreva dez perguntas que aparecem nesse texto.

     

TEXTO 3


1- Com o que o autor compara a cartola de um mágico?
2- O que ele fala sobre o comportamento das crianças?
3- O que ele fala sobre a admiração?
4- O que Sofia pergunta para a mãe dela? O que a mãe dela responde? O que a mãe dela acha da pergunta que ela fez?




Faça um resumo do TEXTO 1 de "O Pequeno Príncipe"


- No texto 1,  "O Pequeno Príncipe", o que o autor fala de seus amigos adultos com relação ao seu desenho da infância?


TEXTO 4


1- O que o texto fala sobre os mitos?
2- O que fez surgir os mitos?
3- Qual era a finalidade dos mitos?
4- Qual a diferença entre as explicações míticas e as explicações filosóficas?
5- Existem mitos hoje? Quais?



                                          Escolher um filósofo


1- Em que lugar e época ele viveu?
2- Em que contexto, ou seja, em que situação ele viveu?
3- Que problemas ele enfrentou e o que ele tentou demonstrar?
4- Em que ele discordou da sociedade e do governo em que viveu?
5- Qual a principal idéiaou tese defendida por ele? Na época, quem discordou?
6- Quais os argumentos que ele apresentou?Como ele comprovou ou tentou comprovar a sua tese?
7- Quais as conseqüências de suas idéias? O que ele mudou na sociedade de sua época?
8- O que você acha das principais idéias desse filósofo?


                                                           TEXTO 80



1- De acordo com este texto  como a maioria das pessoas considera o filósofo?
2- Quais as perguntas que estão neste texto?
3- O que o autor deste texto chama de banal?
4- O que o autor deste texto fala sobre o parente dele que bebia?
5-O que o autor deste texto fala sobre a sexualidade humana?
6- Releia as duas últimas linhas do texto e responda: por que o autor considera um elogio para ele ser chamado de louco?
7- Faça um comentário seu sobre essa música de Raul Seixas.
 
 
 
 TEXTO 48
 
 

Conforme o texto 48 , "Sobre a Boa Política", como funciona o sistema dos três poderes, quem o criou e com que finalidade?

- Conforme o texto 48, " Sobre a Boa Política" por que o sistema dos três poderes não está funcionando bem? Ainda conforme esse texto o que um prefeito pode fazer quando um projeto não é aprovado?

- Conforme o texto 48, " Sobre a Boa Política", qual a diferença entre democracia representativa e democracia direta?

- O que diz o texto 48, " Sobre a Boa Política", sobre a democracia na Grécia Antiga e a democracia atual?

- Faça um resumo do texto 48 (15 linhas)

 

 

 

 

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• 19/3/2010 - Texto 4 - Os mitos

     Por filosofia entendemos uma forma completamente nova de pensar, surgida na Grécia por volta de 600 a.C. antes disso, todas as perguntas dos homens haviam sido respondidas pelas diferentes religiões. Essas explicações religiosas tinham sido passadas de geração para geração através de mitos.

     Um mito é a história de deuses e tem por objetivo explicar por que a vida é assim como é.

     Ao longo dos milênios, espalhou-se por todo o mundo uma diversificada gama de explicações mitológicas para as questões filosóficas. Os filósofos gregos tentaram provar que tais explicações não eram confiáveis.

     A fim de entendermos o pensamento dos primeiros filósofos, precisamos entender primeiro o que significa ter uma visão mitológica do mundo.

 

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• 8/3/2010 - CONVITE

Afim de assistir um bom filme? Comer uma pipoquinha? Você é nosso convidado:

No dia 21/03 às 17h

Rua: Marcondes Machado, 38 - Jardim Ivone

Local: Comunidade Nossa Senhora dos Espinhos

Filme: Campanha da Fratenidade..

Partipem !

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• 8/3/2010 - Raul Seixas

Click ao lado para ver o vídeo do Raul Seixas

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• 7/3/2010 - Texto 1 O Pequeno Príncipe

                                                            TEXTO1 -  O Pequeno Príncipe

 

                                                

                       

CERTA VEZ. , quando tinha seis anos, vi num livro sobre a Floresta Virgem,
"Histórias Vividas", uma imponente gravura. Representava ela uma jibóia
que engolia uma fera. Eis a copia do desenho.

Dizia o livro: "As jibóias engolem, sem mastigar, a presa inteira.
Em seguida, não podem mover-se e dormem os seis meses da digestão." 
 

Refleti muito então sobre as aventuras da selva, e fiz,
com lápis de cor, o meu primeiro desenho.
Meu desenho número 1 era assim

 

Mostrei minha obra-prima às pessoas grandes e perguntei

se o meu desenho lhes fazia medo.
 
Responderam-me: "Por que é que um chapéu faria medo?”

Meu desenho não representava um chapéu. Representava

uma jibóia digerindo um elefante. Desenhei então o

interior da jibóia, a fim de que as pessoas grandes

pudes¬sem compreender. Elas têm sempre necessidade

de explicações. Meu desenho número 2 era assim:

As pessoas grandes aconselharam-me deixar de lado os
desenhos de jibóias abertas ou fechadas, e dedicar-me
de preferência à geografia, à história, ao cálculo,
à gramática. Foi assim que abandonei, aos seis anos,
uma esplêndida carreira de pintor. Eu fora desencorajado
pelo insucesso do meu desenho número 1 e do meu desenho
número 2. As pessoas grandes não compreendem nada
sozinhas, e é cansativo, para as crianças, estar
toda hora explicando.
Tive, pois de escolher uma outra profissão e aprendi
a pilotar aviões. Voei, por assim dizer, por todo O
mundo. E a geografia, é claro, me serviu muito. Sabia
distinguir, num relance, a China e o Arizona. É muito
útil, quando se está perdido na noite.
Tive assim, no correr da vida, muitos contatos com
muita gente séria. Vivi muito no meio das pessoas
grandes. Vi-as muito de perto Isso não melhorou, de
modo algum, a minha. antiga opinião
Quando encontrava uma que me parecia um pouco lúcida.
fazia com ela a experiência do meu desenho número 1,
que sempre conservei comigo. Eu queria saber se ela
era verdadeiramente compreensiva. Mas respondia sempre:
"é um chapéu". Então eu não lhe falava nem de jibóias,
nem de florestas virgens, nem de estrelas. Punha-me
ao seu alcance. Falava-lhe de bridge, de golfe, de
política, de gravatas. E a pessoa grande ficava encantada
de conhecer um homem tão razoável.

Do livro;
“O pequeno príncipe”
Saint Exupery

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• 3/3/2010 - Texto 80 Filósofo é louco?

            Texto 80            Filósofo é Louco ?                                Geraldo Domezi 

Recentemente a filosofia foi introduzida como disciplina obrigatória nos currículos de ensino médio. Professores que estão trabalhando essa matéria comumente fazem a observação de que o filósofo está sendo identificado pela maioria como louco (ou como inútil). Então me lembro da canção:

 

                                             Maluco Beleza Raul Seixas

 

 Enquanto você se esforça prá ser / Um sujeito normal / E fazer tudo igual / Eu do meu lado aprendendo a ser louco / Maluco total / Na loucura real /Controlando a minha maluques / Misturada com minha lucidez / Vou ficar / Ficar com certeza maluco-beleza / Eu vou ficar / Esse caminho que eu mesmo escolhi / É tão fácil seguir / Por não ter onde ir / Ficar com certeza ...

 

E pergunto: o que significa ser normal? Ser normal é ficar num barzinho barulhento, conformado, ouvindo cantar “Sete mulheres prá cada homem”, “Beber cair levantar”, “Éguinha pocotó”, “Créu,créu,créu”? Pois me pareceu banal esse ambiente onde dizem haver sete mulheres para cada homem. Um parente meu que bebia, caia e levantava, bebeu, caiu e não levantou mais. E questionei se o “créu” não seria entendido mais apropriadamente como o ato sexual do animal uma vez que a sexualidade humana pode se ligar ao amor sublime. Se ser normal é conformar-se em respirar um ar cada vez mais poluído, ajustar-se a uma economia que transforma o mundo num grande cassino, assistir passivamente à destruição das riquezas naturais, então eu prefiro ser louco.

E, ao lembrar tão ilustres personagens da história que foram considerados loucos, ao receber o mesmo adjetivo, pensarei que não mereço tamanho elogio.

 

 

                      

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• 3/3/2010 - PENSAMENTOS 3

 "Tudo que eu sei é comparável a uma gota d'agua. Tudo que não sei é comparavel ao mar"

"Isaac Newton"

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• 3/3/2010 - Texto 2 O Mundo de Sofia

 

 

 TEXTO 2                                                       O Mundo de Sofia

 

 

      Sofia Amundsen voltava da escola para casa. Percorrera a primeira parte do caminho em companhia de Jorunn, sua colega de classe. Tinham conversado sobre robôs. Jorunn considerava o cérebro humano um computador complicado. Sofia não estava bem certa se concordava com isto. O ser humano não seria algo mais do que uma máquina?

     Quando passaram pelo supermercado, cada uma tomou o seu rumo. Sofia morava no final de um bairro extenso, com belas casas, e tinha que andar quase o dobro de Jorunn para voltar da escola. Sua casa parecia ficar no fim do mundo, pois atrás do quintal não havia outras casas, só a floresta.

     Dobrou a rua Kloverveien. Bem no fim,  a rua formava uma curva fechada, chamada de “a curva do capitão”. Só aos sábados e domingos viam-se pessoas por ali.

     Era um dos primeiros dias de maio. Em alguns jardins, densas coroas de narcisos floriam sob as árvores de frutas. As bétulas pareciam vestidas de finas capas de florescências verdes.

     Não era curioso como nesta época do ano tudo começava a crescer e a medrar? Como se explicava que quilos e quilos da substância verde das plantas pudessem brotar da terra sem vida quando o tempo ficava mais quente e os últimos resquícios de neve desapareciam?

     Sofia olhou a caixa de correio, antes de abrir o portão do jardim. Em geral havia um monte de folhetos de propaganda e alguns envelopes grandes para sua mãe. Sofia costumava colocar toda a correspondência sobre a mesa da cozinha, antes d ir para o seu quarto fazer lição de casa.

     Para seu pai vinham às vezes só alguns extratos bancários, o que não era de se estranhar, pois afinal de contas ele não era um pai como os outros. O pai de Sofia era capitão de um petroleiro e passava quase todo o ano viajando. Quando voltava para casa por algumas semanas, ficava andando pela casa de chinelos e dedicava toda a sua atenção a Sofia e sua mãe. Mas a proximidade desses momentos desaparecia por completo quando ele estava em serviço.

     Hoje havia na grande caixa verde de correio apenas uma pequena carta- e ela era para Sofia.

     “Sofia Amundsen” estava escrito no pequeno envelope. ”Kloverveien, 3”.Era tudo ; não havia remetente, A carta não estava sequer selada.

     Assim que Sofia entrou e fechou a porta, abriu o envelope. Dentro encontrou apenas uma pequena folha, não maior do que o envelope que a continha. Nela estava escrito: Quem é você?

     Nada mais. A mensagem não tinha qualquer fórmula de saudação, tampouco um remetente, só estas três palavras escritas a mão, seguida de um grande ponto de interrogação.

     Ela olhou mais uma vez o envelope. Estava certo... a carta era mesmo para ela. Mas quem a teria colocado na caixa do correio?

     Sofia fechou rapidamente a porta da casa, cuja fachada era pintada de vermelho. Como de costume, o gato Sherekan conseguiu sair furtivamente dom meio dos arbustos, saltar sobre o patamar da escada e enfiar-se dentro de casa, antes que Sofia conseguisse fechar a porta.

     -Miau, miau, miau!

     Quando a mãe de Sofia ficava irritada por algum, motivo, ela dizia às vezes dizia que sua casa parecia uma menagerie, isto é uma espécie de zoológico particular. De fato, estava muito satisfeita com sua coleção de bichinhos. Primeiro ela ganhou um aquário com peixes ornamentai, a quem deu os nomes de Cachinhos Dourados, Chapeuzinho Vermelho, e Petyer, o Pretinho. Depois vieram os periquitos Tom e Jerry, a tartaruga Govinda e finalmente Sherekan, um gato malhado. Todos os bichos serviam como uma espécie de indenização por sua mãe sair sempre tão tarde do trabalho e por seu pai ficar viajando tanto pelo mundo.

     Sofia jogou a mochila da escola num canto e colocou uma tigela de ração para Sherekan. Depois, segurando a carta misteriosa, largou o corpo sobre o banquinho da cozinha.

     Quem é você?

     Se ela soubesse! É claro que ela era Sofia Amundsen, mas quem era essa pessoa? Isto ela não tinha descoberto direito.

     E se tivesse outro nome? Anne Knutsen, por exemplo. Será que só por isso seria outra pessoa?

     Derepente lembrou-se que no começo seu pai queria que ela se chamasse Synnove Amundsen.Não, não dava. Toda vez que pensava nisso imaginava sempre outra pessoa.

     Então saltou do banquinho e foi para o banheiro com a carta misteriosa na mão. Parou diante do espelho e olhou-se fixamente nos olhos.

     -Sou Sofia Amundsen – disse.

     Como resposta a garota do espelho não teve a menor reação. Não importava o que Sofia fizesse, ela fazia a mesma coisa. Com um movimento rápido, Sofia tentou se antecipar a imagem do espelho; mas ela foi igualmente rápida.

     -Quem é você?- perguntou Sofia.

     Também desta vez não recebeu qualquer resposta; por um breve instante, porem, não teve certeza de ter sido ela ou sua imagem no espelho quem tinha feito a pergunta.

     Com o dedo indicador, Sofia apertou o nariz da figura do espelho e disse:

     -Você sou eu.

     E como não recebeu qualquer resposta, inverteu a sentença e disse:

     -Você sou eu.

     Sofia Amundsen nunca etava muito satisfeita com sua aparência. Com freqüência ouvia que tinha lindos olhos amendoados, mas provavelmente diziam isto porque seu nariz era pequeno demais em relação ao tamanho da boca. O pior de tudo eram mesmo os cabelos lisos, que não tomavam forma nenhuma. Às vezes seu pai lhe acariciava os cabelos e a chamava de “a garota dos cabelos de linho, parodiando uma composição de Claude Debussy. Pra ele era fácil dizer isto; afinal não era ele quem estava condenado a carregar a vida inteira cabelos pretos e escorridos de tão lisos. E nos cabelos de Sofia não adiantava passar nada, nem spray, nem gel.

     Ás vezes ela achava sua aparência tão estranha que se perguntava se não teria sido um bebê mal formado. Sua mãe sempre contara que tivera um parto difícil. Mas será que era mesmo o nascimento que determinava a aparência de uma pessoa?

     Não era um tanto esquisito ela não saber quem era?E também não era uma injustiça o fato de ela mesma não poder determinar sua aparência? Isto simplismente lhe tinha sido imposto ao nascer. Seus amigos, estes sim ela talvez pudesse escolher, mas não tinha tido a chance de escolher-se a si própria. Não tinha sequer decidido ser uma pessoa.

     O que era uma pessoa?

     Sofia olhou de novo a moça do espelho.

     - Acho que agora prefiro ir fazer minha lição de casa- disse, como que tentando se desculpar. No momento seguinte já estava no corredor.

     Não, prefiro ir até o jardim, pensou.

     -Miau, miau, miau!

     Sofia espantou o gato para escada de fora e fechou aporta.

     Quando já estava no jardim, caminhando no passeio de saibro com a carta misteriosa na mão, experimentou subitamente, uma sensação estranha. Sentiu-se como uma boneca que ganhara vida por uma varinha de condão.

     Não era extraordinário estar viva naquele momento e ser personagem de uma aventura maravilhosa como a vida?

     Sherekan saltou elegantemente sobre o passeio de saibro e desapareceu na groselheira, que se erguia bem ao lado. Era um gato muito vivo cheio de energia vibrante que ia dos bigodes brancos até a ponta da cauda chicoteante. Ele também estava ali no jardim, mas certamente não tinha consciência disso do mesmo modo como Sofia.

     Depois de pensar um pouco sobre o fato de existir. Sofia não pôde deixar de pensar também que um dia desapareceria.

     Estou vivendo no mundo agora, pensou. Mas um dia terei desaparecido.

     Será que havia uma vida após a morte? Também sobre esta questão o gato não fazia a menor idéia.

     Há pouco tempo a avó de Sofia tinha morrido. Por mais de meio ano, Sofia sentia todos os dias a falta que sua avó lhe fazia. Não era injusto que um dia a vida tivesse um fim?

     Cismada, Sofia parou um instante no passeio de saibro. Tentou concentrar todo o seu pensamento no fato de existir, a fim de esquecer que um dia deixaria de existir. Mas não conseguia. No mesmo instante em que se concentrava no fato de existir, pensava também que um dia morreria. E o mesmo ocorria ao contrário: só quando sentiu intensamente que um dia desapareceria é que pôde entender exatamente o quanto a vida era infinitamente valiosa. E quanto maior e mais clara era uma face da moeda, tanto maior e mais clara se tornava a outra. Vida e morte eram dois lados de uma mesma coisa.

     Não se pode experimentar a sensação de existir sem se experimentar a certeza que se tem que morrer, pensou. E é igualmente impossível pensar que se tem que morrer sem pensar ao mesmo tempo em como a vida é fantástica.

     Sofia lembrou-se de que sua avó dissera algo semelhante no dia em que soube de sua doença - Só agora entendo o quanto a vida é rica – foram suas palavras.

     Não era triste que a maioria das pessoas tivesse primeiro que ficar doente para só então entender o quanto a vida é bela? Ou então que tivesse de encontrar uma carta misteriosa na caixa de correio?

     Talvez fosse melhor verificar se não havia chegado mais alguma coisa. Sofia correu até o portão e examinou o que havia dentro da caixa de correio. E estremeceu da cabeça aos pés ao descobrir outro envelope idêntico ao primeiro. Será que ela verificava direito da primeira vez que apanhou a correspondência?

     O outro envelope também trazia o seu nome. Abriu-o tiro uma pequena folha de papel, igual à primeira, em que estava escrito:

     De onde vem o mundo?

     Não faço a menor idéia, pensou Sofia. Mas também ninguém sabe! E apesar disso Sofia achou a pergunta pertinente. Pela primeira vez em sua vida ela pensava que era praticamente impossível viver num mundo sem ao menos perguntar de onde ele vinha.

     Sofia estava tão perturbada com as duas cartas misteriosas que resolveu se enfiar em sua caverna. A caverna era seu esconderijo secreto. E ela só ia para lá quando estava muito brava, muito triste ou muito alegre. Hoje ela estava muito confusa.

     A casa vermelha ficava no meio de um grande jardim. Nele havia muitos canteiros de flores, groselheiras e arbustos de uvaespim, árvores frutíferas de diferentes qualidades, um extenso gramado com um balanço e até mesmo um pequeno pavilhão, que seu avô construira para sua avó quando o primeiro filho deles morreu algumas semanas depois de ter nascido. A criança chamava-se Marie. Na lápide da sepultura havia a seguinte inscrição: ”presente de Deus, nos disse um olá e logo um adeus”

     Num canto do jardim, mais atrás ainda do pé de framboesas, havia uma folhagem bem densa, que não dava mais flores nem frutos. Na verdade, era uma velha sebe que fazia a divisa com a floresta; mas como nos últimos vinte anos ninguém tinha se preocupado em podá-la, ela se transformara num emaranhado impenetrável de galhos e ramos. Sua avó contava que, durante a guerra, quando as galinhas ciscavam livremente pelo jardim, a sebe dificultava a entrada de raposas que queriam pegá-las.

     Para todos os outros a velha sebe era tão inútil quanto à velha coelheira lá da frente do jardim. Mas isto só porque eles não conheciam o segredo de Sofia. Há muito tempo, tanto que nem se lembrava Sofia descobrira uma estreita passagem na sebe. Quando atravessava a passagem se  arrastando por entre os galhos, chegava a uma grande cavidade no interior da sebe. Aquilo era a “ caverna”, seu esconderijo. Ali ela podia ter a certeza de que ninguém a encontraria.

     Com os dois envelopes na mão, Sofia atravessou o jardim correndo e, de quatro, apoiando-se sobre os cotovelos como uma foca, entrou pela sebe.A caverna era tão grande que Sofia quase conseguia ficar em pé La dentro.Hoje, porém, preferiu sentar-se sobre uma das raízes bem grossas que brotavam do chão.Dali, através de dois pequenos buracos, podiam enxergar por entre os galhos e folhas.Embora nenhum desses buracos fosse maior do que uma moeda de cinco coroas, ela tinha uma visão completa do jardim. Quando era pequena, gostava de ficar vendo a sua mãe e seu pai por entre as árvores a sua procura.

     Sofia sempre considerou o jardim um mundo à parte. Todas as vezes que  ouvia falar do jardim do Éden, mencionado na Bíblia, lembrava-se de seu esconderijo e da sensação de sentar-se ali e observar seu paraíso particular.

     De onde vem o mundo?

     Não... isto realmente ela não sabia. É claro que Sofia sabia que o mundo era apenas um pequeno planeta no meio de um universo enorme. Mas, então, de onde vinha o universo?

     Naturalmente se poderia pensar que o universo era uma coisa que sempre existiu. Nesse caso, ela não precisaria encontrar uma resposta para a questão de saber de onde ele vinha. Mas será que alguma coisa podia ser eterna? Alguma coisa dentro dela protestava contra isto. Tudo que existe tem que ter um começo, portanto, em algum momento o universo também tinha de ter surgido a partir de uma outra coisa.

     Mas se o universo de repente tivesse surgido de alguma outra coisa, então essa outra coisa também devia ter surgido de alguma outra coisa algum dia. Sofia entendeu que só tinha transferido o problema de lugar. Afinal de contas, algum dia alguma coisa tinha de ter surgido do nada. Mas será que isto era possível? Esta idéia não era tão absurda quanto a noção de que o mundo sempre existiu.

     Nas aulas de religião ensinavam a ela que Deus tinha criado o mundo, e agora Sofia tentava se consolar com o fato de que, apear de tudo esta talvez fosse a melhor solução para o problema. Mas logo começou apensar novamente. Ela até poderia se contentar com o fato de Deus ter criado o mundo. Mas e próprio Deus? Teria ele próprio se criado a partir do nada absoluto? De novo, alguma coisa protestava dentro dela contra essa idéia. Embora não restasse dúvida de que Deus fosse capaz de criar todas as coisas possíveis dificilmente ele poderia ter criado a si mesmo, sem antes possuir um “si mesmo” através do que pudesse criar. Então só restava uma possibilidade: Deus sempre existiu. Mas esta possibilidade ela já tinha rejeitado. Tudo o que existia tinha que ter tido um começo.     

     -Droga!

     De novo abriu os dois envelopes.

     Quem é você?

     De onde vem o mundo?

     Que perguntas mais capciosa! E de onde vinham as duas cartas? Isto era uma coisa quase tão misteriosa quanto elas.

     Quem teria arrancado Sofia, de seu cotidiano e a terão confrontado de repente com os grandes mistérios do universo?

    

Do livro: O mundo de Sofia. Jostein Garden.

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• 1/3/2010 - PENSAMENTOS 2

 PENSAMENTOS 2

" A única coisa da qual eu não posso duvidar é que eu estou duvidando"

"Rene Descartes"

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• 1/3/2010 - Texto 17 Filosofia e Política

                                                     Texto 17    FILOSOFIA E POLÍTICA
MAQUIAVEL (1469-1527)
Maquiavel viveu na Itália num período de divisões e hostilidades internas, quando a Europa se orientava pela monarquia e pelo nacionalismo. Em suas obras expõe regras práticas procurando mostrar como um príncipe pode se conservar no poder, fazer reinar a ordem e triunfar sobre seus rivais.
Afirma que os homens são todos maus e mutáveis. Por isso o chefe político deve ser duro e cruel se quiser fazer reinar ordem pública.
Maquiavel trata de uma virtude que fica à margem da moral. Para ele é impossível em qualquer Estado evitar-se o mal. É necessário apenas que se saiba escolher o mal menor. Se o príncipe, para fazer reinar a ordem e a paz, precisar usar da tirania de porque em política a bondade e às vezes catastrófica e a crueldade menos cruel que o humor pacífico.
A frase "os fins justificam os meios" resume o pensamento de Maquiavel. Ele considera que, para a defesa e conservação do Estado todos os meios são válidos, mesmo os amorais.
THOMAS HOBBES (1588-1696)
Hobbes viveu na Inglaterra numa época de conflitos em razão de  questões referentes ao poder. Em suas obras procura mostrar que a melhor política é aquela que confere grandes poderes a um soberano.
Afirma que o homem não é sociável por natureza e só o será por acidente. Ele é mau e seu espírito é de competição. Cada um não procura ver no outro senão o sinal de sua própria superioridade -"O homem é o lobo do homem ".
Como todos naturalmente só procuram o seu próprio bem, é necessário que cada um abdique de seus direitos absolutos em favor de um soberano que deverá ter  poder absoluto. Se esse soberano não fizer um bom governo ele  será tirado.
Comentário: Para Hobbes a democracia é ruim, reforça o individualismo egoísta e traz a desordem. Não deve haver liberdade. Quanto mais as pessoas renunciarem a liberdade para que ela seja concentrada nas mãos de quem governa, mais possibilidade haverá de se melhorar a sociedade.
ROUSSEAU (1712-1778)
O centro de toda obra de Jean Jacques Rousseau está em defesa do homem natural que, segundo ele, estava muito melhor que o homem da sociedade. A sociedade e o progresso corromperam o homem e o tornaram escravos e maus. O homem primitivo era naturalmente bom e feliz, e a sociedade o degenerou. A evolução é boa e inevitável, mas não deveria ter afastado o homem dos fundamentos naturais.
Para Rousseau deve ser mantida uma igualdade entre todos os homens através de um pacto, onde todos livremente se obriguem a respeitar uma lei comum e gozar dos mesmos direitos. Todo homem nasce livre e o mundo é de todos. Mas para que haja ordem social é necessário que o povo participe das decisões políticas.
A natureza do homem é liberdade, porém a comunidade política não pode assegurar ao indivíduo o instinto desordenado, mas só um instinto disciplinado e moralizado pela razão. Isso acontece mediante a coincidência da vontade particular com a vontade geral. A passagem do natural para o social se dá através da substituição do instinto pela justiça.
Comentário: Para Rousseau deve haver liberdade e democracia cada vez mais tentando se chegar ao ponto de se superar toda lei e autoridade  impostas. Por exemplo: O que aconteceria se um professor, ao começar a dar as suas aulas, não tivesse autoridade sobre os alunos e não houvesse sistema de controle, como nota, registro de presença, hora certa para entrar, etc.?Viraria uma bagunça! Isso no começo das aulas, porque os alunos não estão acostumados com a democracia. Mas, aos poucos, o professor poderá ir diminuindo sua própria autoridade e aumentando a dos alunos. Havendo diálogo e acertando-se na metodologia se conseguirá esse resultado, considerando-se que o aluno tem natural curiosidade, natural potencialidade para aprender. Ele é naturalmente bom estudante, o método errado de ensino é que o corrompe.
Exemplo: Se, numa aula, um aluno, numa atitude de indisciplina, estiver atrapalhando os outros, o que fazer? Falar com ele. Mas quem deverá falar com ele? O professor? Não! Pois se o professor fizer isso estará resolvendo sozinho um problema que é de todos. Não estará educando. Os próprios alunos é que deverão resolver o problema. O professor deverá utilizar um método que reforce esse clima democrático.
O que fazer com um jovem que depreda um patrimônio público, pixa as paredes? Para Hobbes o que resolve é a punição exemplar. Mas para Rousseau não. Com a educação democrática um pixador torna-se um grafiteiro, um artista.
Pra Rousseau a educação pode resolver todos os problemas sociais, pode acabar com os crimes.
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• 27/2/2010 - PENSAMENTOS 1

"SÓ SEI QUE NÃO SEI."

     "SÓCRATES"

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• 27/2/2010 - Texto 82- O que é sociologia

                     

 

                         

O QUE É SOCIOLOGIA 

 

Comecemos esta explicação analisando a realidade dos comportamentos. Há comportamentos como andar, dormir, etc. que são individuais e biológicos. Mas há comportamentos como casar, receber salário, fazer greve, etc. que são sociais. Enquanto o comportamento de um animal é puramente biológico, basicamente determinado por reflexos e instintos vinculados a estruturas biológicas hereditárias, o comportamento do homem, além de biológico, é também cultural. O pássaro João-de-barro faz sua casinha do mesmo jeito que fazia há milhares de anos atrás, sempre igual. Um leão do Brasil se comporta como um leão de qualquer lugar do mundo da mesma espécie. Já o homem se comporta de modo diferente de acordo com a sociedade em que ele vive. Enquanto o animal tem apenas a sua natureza, o homem tem a sua natureza e a sua cultura. Mas onde acaba a natureza e começa a cultura? O tema é polêmico e alguns estudiosos afirmam não haver limite rígido entre natureza e cultura. Como é que o homem passa do estado animal para o estado humano, ou seja, como é que ele sai do estado meramente biológico e passa a ser cultura social? Um indicador dessa passagem pode ser o regramento para o ato de comer (cozinhar os alimentos, usar talheres, etc.) e para a sexualidade (há uma tribo indígena onde o homem, antes de se unir a uma mulher, é obrigado a passar por um ritual no qual deve dar um soco num cacho de marimbondo. E se quiser trocar de mulher deve passar pelo ritual novamente. Isso evita abuso por parte do homem. Em nossa sociedade também há regras para a prática do sexo). Outro indicativo pode ser a construção de utensílios de trabalho. Outro pode Ser a criação da linguagem simbólica. Ou o surgimento da religião. Para Karl Marx (filósofo alemão do século XIX) é o trabalho que possibilita a distinção entre o natural e o cultural. Tudo o mais vem depois do início do trabalho, inclusive as relações de produção com. a dominação de um sobre o trabalho de outro.

Somente na sociedade o individuo se toma humano. Ilustra isso' o caso de Amala é Kamaía, Eram duas meninas que foram descobertas em 1921 numa caverna da índia, vivendo entre lobos. Tinham 4 e Sanas. Passaram a ser observadas pelos estudiosos. A mais nova não resistiu. A outra viveu mais 8 anos. Ambas apresentavam hábitos alimentares animalescos. Cheiravam a comida antes de tocá-la, dilacerando os alimentos com os dentes e poucas vezes fazendo uso das mãos. Possuíam aguda sensibilidade auditiva e desenvolvimento do olfato para a carne. Para se locomover apoiavam-se sobre as mãos e os pés. Kama1a levou seis anos para andar ereto. Os animais entendiam-se bem com ela e não se espantavam. Esse e outros casos mostram que o indivíduo criado fora da convivência humana não se torna humano.

A sociologia estuda: A mobilidade social! Os processos de cooperação/ A divisão da sociedade em camadas/ Os conflitos.

As primeiras tentativas de estudo sistemáticas sobre a sociedade humana começaram com Platão em seu livro "República" e Aristóteles em "Política". São de Aristóteles as afirmações "O homem nasce para viver em sociedade" e "O homem é um animal social".

Augusto Comte (1798-1857) é considerado  o pai da sociologia.. Foi quem pela primeira vez usou essa palavra. A princípio usou o nome "física social". Para ele os estudos das sociedades deveriam ser feitos com espírito científico e objetividade.

Emile Durkheim (1858-1917) fez com que a sociologia passasse a ser considerada uma ciência e como tal se desenvolvesse.

A sociologia parte do fato social. Por exemplo, existe um modo de vestir que é comum, que todos seguem. Isso não é estabelecido pelo individuo. Quando ele entrou no grupo, já existia tal norma e quando ele sair, a norma provavelmente permanecerá. A pessoa é obrigada a seguir o costume geral. São características do fato social: a. Generalidade: o fato social é comum aos membros do grupo. b, Exterioridade: o fato social é externo ao indivíduo, independe de sua vontade. c. Coercitividade: o individuo vê-se obrigado a seguir o comportamento estabelecido.

As pessoas, em todo o mundo, vivem em grupo. Isso favorece os sociólogos, uma vez que as conseqüências da vida em grupo são o objeto de estudo da sociologia. O interesse pelos grupos é o que diferencia os sociólogos dos outros cientistas sociais. Entre outras coisas, os sociólogos querem saber: Por que grupos como a família, a tribo ou a nação sobrevivem através dos tempos até mesmo durante as guerras ou revoluções? Por que um soldado deve lutar e enfrentar a morte, quando poderia esconder-se ou fugir? Por que o homem se casa, quando poderia satisfazer seus impulsos sexuais fora do casamento? Que efeitos produzem a vida em grupo sobre o comportamento de cada um?

Várias sociedades são divididas em camadas sociais. Um exemplo de sociedade dividida em castas é a da Índia. Fora e abaixo da pirâmide social da Índia localizam-se os párias, grupos de miseráveis, sem direitos, sem profissão e que só inspiram asco e repugnância às demais castas. Vivem da piedade alheia; não podem banhar-se no rio Ganges, nem ler os livros sagrados chamados vedas. Os párias aceitam com resignação seu lugar na sociedade e se conformam por acreditarem na transmígração da alma. Existem sociedades em que os indivíduos nascem numa camada social mais baixa, mas podem subir. Na Índia isso não pode ocorrer. Não é permitido casamento com pessoa de outra casta.

Instituição comum a muitas sociedades é o Estado. Não se confunda Estado com nação. A nação é um conjunto de pessoas ligadas entre si por vínculos permanentes de idiomas, religião, valores. É anterior ao Estado, podendo existir sem ele. E também um Estado pode compreender várias nações. Há nações sem Estado e há Estados que têm várias nações.

Em qualquer sociedade apenas o Estado tem direito de recorrer à violência, à coação, para obrigar alguém a fazer ou deixar de fazer alguma coisa. O Estado é a instituição social que tem a exclusividade, o monopólio da violência legítima.

Fator comum numa sociedade é a liderança. Há dois tipos de liderança: 1. A liderança institucional, que deriva da posição social ou cargo que ocupa uma pessoa. Por exemplo, numa sociedade como a nossa, um padre católico ou um professor não foi escolhido pela população para essa função, mas admitido pela Igreja ou pelo governo da cidade ou do Estado. 2. A liderança pessoal, que se origina de qualidades_pessoais. Uma pessoa pode exercer influência sobre um grupo sem sua liderança ser

reconhecida oficialmente. Há o líder democrático, que se baseia na partilha de opiniões, e o líder totalitário, que se baseia na submissão de seus seguidores.

Histórico da sociologia como disciplina da grade curricular

 

A Sociologia já foi uma disciplina presente em todas as escolas, assim como a Matemática e a Língua Portuguesa. Ela surgiu como disciplina obrigat6ria já em 1897, mas só foi realmente introduzida em 1925 com a Reforma Rocha de Vazo A partir de então, a Sociologia não só se tomou obrigatória no Ensino Secundário como também passou a ser cobrada nos vestibulares para o ingresso no Ensino Superior (MORAES, 2003, p.7). Entretanto, durante os momentos de ditadura em nosso país, o ensino de Sociologia sofreu uma série de revezes:

 

Em 1942, durante a ditadura da era Vargas, também conhecida pelo nome de Estado Novo, ocorreu a Reforma Capanema, que retirou a obrigatoriedade da Sociologia nos cursos secundários. A disciplina foi mantida somente no Curso Normal como Sociologia Geral e Sociologia da Educação;

Em 1961 ela volta como disciplina optativa;

 

Em 1971, durante a ditadura militar, o ensino de Sociologia sofreu o seu mais duro golpe. Ora era tida como disciplina optativa, mas não bem-vista, pois era associada, indevidamente, ao comunismo, ora era retirada da grade curricular básica e substituída pela disciplina de Organização Social e Política Brasileira (OSPB). Isso ocorreu com a Reforma Jarbas Passarinho (MORAES, 2003, p.7). Sua postura crítica diante da realidade não era bem-vista naquela época. Com o passar do tempo, muitas pessoas foram então esquecendo a importância da Sociologia para a formação geral de qualquer pessoa.

 

Entretanto, desde 1882 - por meio de parecer de Rui Barbosa - acreditava-se na importância da disciplina, assim como hoje se reconhece que ela é matéria importante tanto para quem fará Medicina, Direito ou Engenharia, como também para faxineiros, pedreiros, advogados, garçons, químicos, físicos, artistas, enfim, para todos aqueles que necessitam entender e se situar na sociedade em que vivem. Por ter sido deixada de lado no período militar, vários dos pais dos alunos também não devem conhecer a disciplina, pois muitos nasceram durante esse período ou até após o regime.

importante frisar que a Sociologia já esteve no currículo do Ensino Médio, mas foi retirada por razões ideológicas e políticas.

Ela volta pelo esforço de muitos que reconhecem a importância da construção de um olhar critico para a realidade como base na formação de qualquer cidadão e do papel que a Sociologia pode desempenhar nesse sentido.

 

E é fácil defini-la? Será que podemos definir, hoje, em uma frase, o que é Sociologia? Não, pois ela é fruto de um longo processo histórico.

 

Também é importante destacar que as aulas de Sociologia dialogarão muito com outras disciplinas, como História, Geografia e Filosofia, mas que o principal diálogo se dará com a Antropologia e a Ciência Política. Essas ciências nos ajudarão a lançar um olhar sociológico sobre a realidade,pois, juntas formam as Ciências Sociais.

l..Diferencie comportamento biológico de comportamento social, dando exemplos.

2. De acordo com o texto, diferencie o comportamento animal do comportamento do ser humano dando exemplos.

3. Qual é a diferença entre natureza e cultura? Dê exemplos.

4. Conforme o texto, quais os cinco indicadores da passagem do estado natural para o estado cultural?

5. Qual o exemplo dado no texto de uma tribo para regramento da sexualidade?

6. Para Karl Marx ° que faz a distinção entre o natural e o cultural?

7. Descreva ocaso das meninas-lobo. O que ele demonstra?

8. O que a sociologia estuda?

9. Fale sobre os filósofos citados neste texto em relação à sociologia.

10.Quais as características do fato social? Explique-as.

11.Conforme o texto, quais as indagações dos sociólogos?

12.  O que diz: o texto sobre a divisão em castas na índia? O que ele fala sobre os párias'?-

13.O que fala o texto sobre Estado e sobre nação?

14.Conforme o texto, quais os dois tipos de liderança? Descreva-os

15.Faça um resumo do histórico da sociologia como disciplina da grade curricular.

16.O que diz o texto sobre cada uma das ciências sociais?

 

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Este BLOG destina-se aos meus alunos que terão a necessidade de localizar textos utilizados em aula.E também aos meus amigos que tenham interesses em ler meus escritos Filosóficos e Sociologicos.Aproveito também para divulgar eventos....

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