linguística e espiritualidade | |
primeiros passos....
02:45 PM, 30/7/2010
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Vamos prosseguir essa nossa investigação, sempre tendo em mente que não nos interessa os "galhos da árvore", que turvam a nossa mente e nos impedem de vislumbrar algo mais além, por isso, o que nos interessa é o "tronco" dessa árvore até chegar a sua "raiz". Nessa nossa viagem não importa onde vamos chegar, aliás isso é o que menos importa. Não importa se conseguiremos chegar a verdade absoluta, mesmo porque tal concepção denotaria que encontrariamos algo estático e, como sabemos, a vida ou fluxo da vida é dinâmico, está em constante mudança. Portanto, o que importa não é a chegada da viagem, mas as descobertas que faremos ao longo desse caminho. Durante muitos anos, fui um curioso pelo mundo espiritual. Comecei lá por volta dos 17 anos quando participei de um grupo de teatro no movimento espírita de um Centro localizado em Interlagos, zona sul de São Paulo, chamado "Somos todos Irmãos". Dali participei por volta de 1987, do movimento Fraternidade RosaCruz e em 1988 até 1995, da Sociedade Teosófica, da qual fui membro ativo e participante. Na Sociedade Teosófica tinhamos como ideal, realizar o estudo comparado de ciência, religião e filosofia, por isso adquiri com o tempo uma ampla noção do budismo, hinduísmo (porque a sede mundial da Sociedade Teosófica localiza-se em Adyar, na Índia), yoga, cristianismo e estudávamos algo sobre Krisnamurthi, Osho o que dá uma visão muito mais abrangente de espiritualidade, ou seja, espiritualidade deixar de ser vinculada a uma religião específica, para se tornar algo mais amplo, uma busca da compreensão da unidade da vida. Para isso, a mente investigativa, sem sectarismos é essencial, pois nessa busca a todo instante o que é verdade em um determinado momento, torna-se uma ilusão no momento seguinte. Vejam que isso tem tudo a ver com o estudo da língua. Como a língua ela está diretamente ligada ao ser humano, ela é, sem dúvida, uma ferramenta fundamental nessa busca. Depois da Sociedade Teosófica participei da Umbanda e alguns anos depois, não participei de mais nada, mas aquela necessidade dessa busca espiritual permaneceu em mim e permanece até hoje. Quando eu fiz especialização em Linguística e Literatura em 2006 pela Uninove notei que havia outra vertente que poderia me auxiliar nessa busca, que é justamente a linguística. Depois de todas as experiências que passei ao longo dos anos, hoje eu entendo que a espiritualidade não é um fim em si mesmo, mas apenas um meio que não sabemos até onde vamos parar, mas conforme escrevi no início desse post, isso é o que menos importa, pois quando nos importamos muito com isso, ou seja, onde vou chegar ao adquirir tal conhecimento, deixamos de desfrutar da experiência que adquirimos com essa busca. Aliás isso é algo muito corriqueiro em nosso cotidiano, ou seja, o tempo todo estamos preocupados em qual o objetivo das coisas e ficamos tão preocupados com isso, que não percebemos o quanto de oportunidades de aprendizado estamos desperdiçando não é? Quando falamos de espiritualidade estamos acostumados a pensar em algo distante, algo fora da nossa realidade ou então com certos estereótipos ou seja, igreja, templo, indianos vestidos com seus saris, yogues, padres,sacerdotes. Segundo a tradição oriental, aquele que almeja a espiritualidade deve buscar ser um upasaka. Upasaka significa "estar no mundo, sem ser do mundo". Epa, eis aí uma pista linguística interessante, pois faz a oposição entre dois verbos que denotam toda a divisão que há no mundo e que consistem no grande conflito humano que carregamos durante toda a nossa vida: estar e ser. O verbo estar indica, segundo o dicionário Houassis, encontrar-se em uma posição momentânea e ser que indica ter posse de si mesmo, mas também indica ter ou estar em certa condição ou situação, permanente ou temporária. Indica portanto uma postura de desapego. Aliás essa má compreensão de ser e estar provoca uma grande confusão, tanto que costumamos falar "sou bravo", "sou jornalista", "sou professor", quando na realidade, nessa perspectiva, o correto seria "estou jornalista" ou seja "estou (ocupando a condição de) jornalista" , E a partir daí que estamos nos deparando com a ilusão. Vamos continuar nos aprofundando mais, sob o ponto de vista da linguística, no próximo post. Apresentação
03:13 PM, 29/7/2010
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Boa tarde, eu sou Antonio Marcos Rudolf, tenho 45 anos, sou jornalista formado pela faculdade Cásper Libero em 1989 e com especialização em linguística e literatura. Atualmente trabalho como revisor de texto freelancer. O motivo de criar esse blog é que tenho dois grandes interesses que, apesar de aparentemente serem díspares, depois de refletir muito, cheguei a conclusão que possuem muitos pontos em comum: a linguística e a espiritualidade. O QUE É A LINGUÍSTICA? TRATA-SE DA CIÊNCIA QUE ESTUDA A LINGUAGEM VERBAL HUMANA E, POR SER UM RAMO CIENTÍFICO, BASEIA-SE EM OBSERVAÇÕES, CONDUZIDAS POR MEIO DE MÉTODOS, COM FUNDAMENTAÇÃO EM UMA TEORIA. EM OUTRAS PALAVRAS, CABE AO LINGUISTA ESTUDAR TODA MANIFESTAÇÃO LINGUÍSTICA. SEGUNDO A AUTORA, ENI PULCINELLI ORLANDI, EM SUA OBRA "O QUE É LINGUÍSTICA?", TODO SER HUMANO BUSCA, POR MEIO DOS CONHECIMENTOS ADQUIRIDOS, SE ESTABELECER NO MUNDO EM QUE VIVE. UMA DAS MANEIRAS DO HOMEM CONHECER O MUNDO EM QUE VIVE É PELA LINGUAGEM, OU SEJA, ELA É, SEM DÚVIDA, UMA FONTE DE AUTOCONHECIMENTO MUITO INTERESSANTE E QUE POUCA GENTE DÁ ATENÇÃO. MUITOS BUSCAM ENCONTRAR RESPOSTAS DE SUAS INQUIETAÇÕES INTERIORES NAS RELIGIÕES, MAS A LÍNGUA PODE IR MUITO MAIS FUNDO NO ÂMAGO DESSA QUESTÃO, MESMO PORQUE USAMOS A LINGUAGEM PARA TUDO. QUANDO DIGO LINGUAGEM, NÃO ESTOU ME RESTRINGINDO A VERBAL, MAS TEMOS A ESCRITA E A GESTUAL.
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