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E agora?

Pesca em Companhia! E agora?

04:31 PM, 23/5/2012

Pesca em Companhia! E agora?

       Está para nascer assunto que renda mais histórias do que a tal da pescaria, Zé Mandi que não me deixa mentir, pescador há mais de vinte anos é cheio das malícias quando o assunto é pescaria. Só pesca sozinho e não revela a ninguém nem a base de tortura onde ficam seus pesqueiros.
       Arruma as tralhas da pescaria discretamente, sem fazer alarde, assim não desperta a curiosidade de ninguém e quando menos se espera, partiu para a pescaria.
       A volta é anunciada, pois, sempre que sai volta com peixe e das duas uma, ou volta com muito peixe ou então com um só exemplar, porém, de tamanho e peso que causam inveja a qualquer pessoa.
       Já fizeram de tudo para descobrir os destinos de Zé Mandi, vigília, tocaia e até perseguição, mais o sujeito é escorregadio feito bagre e se desconfia de alguma coisa adia a saída ou antecipa de acordo com a ocasião.
       O camarada é tão astuto que nem mesmo para sua esposa Belarmina ele confidencia seus locais secretos de pescaria, segundo Zé Mandi, mulher fala demais.
       Um dia desses pela manhã Zé Mandi estava em casa sossegado ajeitando suas tralhas de pesca, já havia planejado a saída para tardinha bem ao cair da noite. Berlamina vivia na espreita observando Zé Mandi, carregava com ela uma imensa vontade de que um dia ele a convidasse para ir pescar, porém Zé Mandi nem se tocava. Nesse dia exatamente, Belarmina teve uma idéia para convencer Zé Mandi a convidá-la. Correu para o chuveiro tomou um banho quente, lavou as madeixas e derramou quase todo o conteúdo do vidro de alfazema em seu corpo, saiu do banheiro enrolada na toalha com um olhar provocante, fitando Zé Mandi e fazendo caras e bocas. Agora descrevo Belarmina e vocês imaginam a cena, porque na verdade sensualidade não é o forte dela, pois, do alto de seus 1,49m de altura, 60 kg, cabelo bandido (está armado ou preso) e sorriso 1001, seria difícil tirar a concentração de Zé Mandi, mais foi o dia de sorte de Berlamina, pois logo ao sentir aquele perfume todo invadindo a sala ele levantou os olhos e a vendo naqueles trajes não pensou duas vezes, partiu para cima dela dizendo:
       - Que pescar que nada, vem cá Belarmina que to doido pra xerar seu cogote e te apreciá nas conformidade minha linda!
       Entraram no quarto e Zé Mandi jogou Belarmina na cama e os dois se esbaldaram naquela tarde vazia.
       Passado algum tempo, já refeito, Zé Mandi ia se retirando do quarto quando ouviu Berlamina dizendo:
       - Oh Zé, ocê bem que podia leva mais eu nessa pescaria hein sô! Sou duidinha pra mais ocê pescar junto!
       Por um momento Zé Mandi hesitou mais como a tarde tinha sido das melhores ele concordou com Belarmina e foi dizendo:
       - Alevanta daí então e vai já arrumar suas coisa que já vou partir!
       Belarmina nem pestanejou, deu um pulo da cama se vestiu e passou a mão na sua sacola que já estava feita e escondida atrás da porta.
       Partiram os dois no fusca 75, e Belarmina estava encantada com a viagem que faria, pois, o máximo que já havia andado de carro com Zé Mandi era aos domingos quando iam á missa.
       Chegaram ao pesqueiro secreto de Zé Mandi e ele foi logo avisando para Belarmina:
       - Oh, eu truxe ocê para pescar, mais ocê tem que promete e jurar pela sua mãe que num fala nadica pra ninguém! Entendeu?
       - Pó deixa Zé, eu tão feliz, e de jeito maneira que ia istragar nossa felicidade!
       Levar Belarmina era uma coisa agora ficar perto dela era impossível, pois Zé Mandi não admitia barulho e nem conversa na hora da pesca, daí foi logo avisando:
       - Belarmina, ocê se aquiete por aqui e vê se fica em silênço, por mode de que vou descer mais pra baixu que onde eu gostu de ficar!
       Ela balançou a cabeça e qualquer que fosse a ordem de Zé Mandi, não colocaria nenhum empecilho. Dito, só viu Zé Mandi se perder entre a mata. Ficou lá com sua vara em seu cantinho e sem dar um pio sequer. Já estava achando aquela coisa muito monótona e começara a ficar arrependida de ter ido, mais enfim, estava com Zé e isso é o que importava.
       Por sua vez, Zé Mandi como sempre estava se dando bem na pescaria, há pouco chegara e já pegara um dourado de tamanho considerável. Tudo estava como sempre até que Zé Mandi ouviu um barulho muito esquisito, algo como se alguém estivesse brigando com a água do rio, mais ou menos assim: plá; plá; plaplaplaplá; plá; plá.
       Assustado, fincou a vara no chão e partiu em direção ao barulho, pois, o mesmo vinha do lugar de onde havia deixado Belarmina pescando.
       Chegou correndo ao local com os olhos arregalados, todo esbaforido e estupefato viu que Belarmina estava dentro do rio se debatendo tentando de todas as formas alcançar a margem e arrependido bradou:
       - BELARMINAAAAAAAAAAAA!!! QUE DISGRAMA É ESSA??? CÊ VEI AQUI PRA PESCAR OU PRA NADAR???
 
O amor é assim! E agora?

Duius Piquingles do brejo? E agora?

02:36 PM, 16/5/2012

Duius Piquingles do brejo? E agora?

       O nome do camarada é Tarcísio, o pessoal reduziu para Cisinho e ele adptou para o inglês e se autonomeia Caesar que na verdade é César traduzindo para o português
       O cara curte a língua estrangeira. Mais na verdade ele somente curte, porque falar mesmo ele não speak nada e é assim que ele diverte o pessoal do futebol de domingo, mais só o pessoal se diverte porque para ele a parada é seria.
       Vou usar o apelido Cisinho, quando a fala for dele usarei a alcunha adotada por ele, ou seja, Caesar.
       Para se ter uma idéia de como a coisa toda funciona, em suas falácias Cisinho teima em inserir alguma palavra de algum idioma e para ele tudo é inglês. É uma mistura tão absurda que em uma só frase ele consegue misturar o espanhol, o francês e o inglês.
       Quer saber, Cisinho no bar pede cerveja assim:
       -  Plis Missier! One bier pra moá, pero bem gelada!
       Obviamente escrevo errado porque imagino que se ele não sabe falar, escrever muito menos.
       Não bastasse toda essa mania ou pabulagem, Cisinho ainda tira onda de jogador de futebol e sempre participa das peladas que fazemos aos domingos e claro nunca deixa de lembrar a todos que “Los ingleses sones los invetores del fubool mês ami”.
       Futebol no domingo são noventa minutos de bola e mais de duas horas de churrasco e cerveja. Misturando futebol, churrasco e cerveja ao final temos Cisinho, ainda mais aplicado:
       - Meus brodi hoje a pelada foi veri gudi! Creize quem perdeu essa! Nos otros cambiamos la pelota com muito exantê! Escuze moa da palavra, se nois reve maney nusetru equipo jogaria até champions ligui!
       Isso é  pouco diante do universo de abobrinhas desferidas por Cisinho ao final das peladas.
       Um detalhe em um desses domingos chamou a atenção de Malaquias que na verdade acumulava funções dentro do grupo, pois, era ele quem apitava a pelada, fazia o churrasco e servia a cerveja, isso tudo para poder beber, comer e não pagar.
       A churrasqueira já ardia em brasas e a suculenta carne era a parceira perfeita para uma cerveja estupidamente gelada. Fomos chegando aos poucos após um banho e formando aquela rodinha em volta da churrasqueira, era o momento mais esperado então sem cerimônia solta a gelada e corta logo essa carne.
       O último a se juntar a nós foi Cisinho que se aproximou dizendo:
       - Uater Ice, Caesar non es chegado! Por isso le parfumi is biurifor!
       Quando se referiu ao perfume, Malaquias de sacanagem chegou perto dele e deu uma cheirada em Cisinho, e com toda discrição, soltou uma sonora gargalhada e aos gritos anunciou:
       - Moçada, o Cisinho ta usanu perfume de muié!
       Aquela colocação atraiu ao mesmo tempo a atenção de todos que ali estavam e a gozação foi inevitável.
       Mais como quem é King nunca perde la majesté, Cisinho humilhou a galera:
       - Vus num sabem o que é le gudi parfumi! Xose de loque! Comprei no supermercado Bahamas e los dizeres eston tuedos em inlgês avec moa like! Tá aqui o frasco vou ler por cas de que oceis num entendi!
       Com o frasco na mão e apontando para os dizeres, soltou em alto e bom tom:
       - Uomen! Le parfumi é pra men! Los otros num intiendi noting!    
 
É muito you pro meu uai só! E agora?     

Coisas que mamãe dizia! E agora?

03:45 PM, 9/5/2012

Coisas que mamãe dizia! E agora?
 
       Tenho que de alguma forma preencher a lacuna deixada pela ausência de minha mãe. Embora o tempo passe uma coisa é certa, minhas lembranças e a saudade jamais se apagaram.
       Minha mãe era a Rainha do “Não Pode”. Explico, tudo quanto é diversão que existia á época, ela tinha alguma objeção. E não era uma simples objeção, era um objeção seguida de um fato que por ventura teria acontecido com alguém. Certamente alguém em algum lugar do mundo já deve ter vivenciado uma situação ou outra desse tipo, mais eu e meu irmão mais velho passamos por todas.
       Só para se ter uma idéia de como a coisa acontecia, resolvi fazer uma correlação das brincadeiras e os fatos, como diria meu Tio João Luzia, “Oia pro cê vê”:
- Soltar pipa
Mãe – Não pode de jeito nenhum meninos! Outro dia um menino estava soltando pipa na rua e a linha encostou no fio de alta tensão, levou um tremendo choque e foi levado ás pressas todo queimado para o hospital!
 
- Rodar peão
Mãe – Não pode de jeito nenhum meninos! Outro dia um menino foi rodar peão aqui na rua e quando soltou a linha o peão pegou bem no olho de outro menino que estava perto. Por sorte ele não ficou cego!
 
- Jogar bola de gude
Mãe – Não pode de jeito nenhum meninos! Outro dia um menino estava brincando com bolas de gude e cismou de colocar uma na boca, daí, quando foi falar, acabou engolindo a bola de gude e teve que ir para o hospital fazer lavagem no estômago para retirar!
 
- Nadar no açude da COPASA
Mãe – Você estão ficando atrevidos mesmo! De jeito nenhum que vocês vão nadar em açude! Outro dia mesmo três crianças morreram afogadas nesse açude! (Por acaso esse aconteceu mesmo)
 
       Bom, existe uma imensa lista do “Não pode” que daria um imenso texto, o que com certeza deixaria a leitura um pouco tediosa, porém, tínhamos essa imagem de nossa mãe, severa, rígida em sua forma de educar, mais com um coração repleto de amor pelos filhos e por isso nós nunca deixávamos de tentar fazer algo diferente, mais sempre precisávamos do aval Dela.
       Um vizinho que fazia fundos com nossa casa tinha em seu quintal um pequeno pomar e neste, o que mais chamava a atenção de todos eram os pés de manga. Em época de safra de manga, o cheiro tomava conta da rua e não tinha como não se deliciar com aquele doce aroma que pairava no ar. A molecada ficava de olho nas mangas e vez por outra alguém se aventurava em pular o muro e surrupiar as frutas e volta e meia também era comum de se ver o zelador Izalino passar pela rua com um ou outro moleque agarrado pelo braço indo levá-lo para casa dos pais e contar o que o atrevido estava fazendo, aí meus caros, o coro comia e em conseqüência, mais um argumento para minha mãe.
       Um dia para nossa surpresa, Izalino que era muito amigo de meu pai presenteou-o com um belo cesto com mangas colhidas no pé.
       Ficamos boquiabertos e partimos correndo avançando para cima do cesto com mangas o que arrancou um sorriso de Izalino ao ver tanta felicidade. Meu pai também se empolgou ao ver nossa reação e foi logo dizendo:
       - Acalmem-se crianças! O cesto ta cheinho de manga! Não precisa correria!
       Correria foi o que se viu depois que meu pai assim falou. Era minha mãe que do quarto de costura ouviu toda conversa e com os olhos arregalados partiu ao nosso encontro e aos gritos alertou meu pai:
       - Não podem chupar manga de jeito nenhum! Você se esqueceu que eles tomaram leite hoje pela manhã e que leite com manga faz mal!? Eles podem até dar nó nas tripas!
       Assustado, Izalino sumiu no mapa, meu pai mais comedido, tentou acalmar minha mãe:
       - Mais eles tomaram leite pela manhã! Agora já são mais de três horas da tarde, não vai fazer mal!
       A última palavra sempre era de minha mãe:
       - Já disse, de jeito nenhum! Manga só amanhã cedo quando acordarem e mesmo assim não poderão beber leite mais durante o resto dia!!!
 
Mãe, não posso de jeito nenhum é deixar de dizer que meu amor por você será eterno!!!
 
Chupa essa manga! E agora? 
 


                          

 

Jujú, Tita e o gugu! E agora?

03:37 PM, 2/5/2012

Jujú, Tita e o gugu! E agora?
 
       Baseado em minha convivência com Ana cheguei á uma conclusão que pode até parecer idiota: “Gostar e animais é um dom divino”.
 
       Digo isso porque Ana tem em casa três cães, Nina Teka e Geraldo Vicente, além de uma quantidade bem maior no sítio que inclui entre tantos, porco, cavalo, vaca, galinha, ganso, gato, e mais cães.
 
       Se perceberam bem, se não, eu mesmo chamo a atenção para o fato de que Ana tem o hábito de nominar todos eles de uma forma carinhosa e ás vezes irreverentemente atribui nomes próprios o que para muita gente é motivo de risos.
 
       Não teria como citar todos, isso renderia um post, mais só para terem idéia alguns exemplares que estão no sítio:
 
- uma galinha que se chama Marylou;
 
- um galo chamado Michael Jackson;
 
- um coelho chamado Amaral (ele é estrábico);
 
- Babi, Sarita, Célia são cadelas vira-latas e Roberto Carlos um Pincher macho;
 
 - Garoto, Maroto e Travesso são cavalos (deve ser coisa da Alcione);
 
- e tem muito mais.
 
       Esse dom que Ana tem é visível e admirado por muita gente, tanto que vira e mexe ela recebe de presente (de grego como ela mesma diz) algum animal encontrado perdido em algum canto.
 
       Sabedora disso, Zildara uma grande amiga de Ana, estava prestes a fazer uma viagem prolongada e decidiu por sua conta mesmo que a pessoa ideal para cuidar de suas filhinhas Jujú e Tita duas cadelas da raça poodle seria Ana e assim sem dizer nada apareceu de surpresa na casa de Ana e sem dar muitas explicações deixou as duas cadelas por lá e vazou na braquiária.
 
       Ana ficou encantada com a delicadeza e o trato das cadelas. Pelo tosado, unhas aparadas, coleira anti-pulgas e até Lácio nas orelhas o que de certa forma contrastava com os que ficam na casa de Ana, porque uma coisa é certa ela gosta muito de animais, mas detesta frescuras. Seus animais são muito bem tratados no que se diz respeito á alimentação e saúde e só. Por falar em alimentação, para Ana além de ração cachorro pode comer tudo que ela mesma come, sendo assim, carne, arroz, feijão, maçarão e tudo que era sobra a cachorrada mandava para dentro.
 
       No primeiro dia de estada das cadelas na casa de Ana, ela resolveu fazer um prato especial para a cachorrada, coisa fina e era somente para os cães, havia comprado uma quantidade boa de pelanca, cozinhado bem e misturado á uma panela com angu fresquinho. Serviu todos com fartura e tinha certeza que além de visualmente perfeito a iguaria estava uma delícia.
 
       Mais tarde quando Ana se preparava para sair para o trabalho decidiu observar no canil como estavam todos os cães e pode ver que os seus haviam devorado toda a comida mais para sua tristeza Jujú e Tita sequer chegaram perto da comida.
 
       Pacientemente, Ana se aproximou das cadelas e como uma psicóloga tentou convencer Jujú e Tita a comerem, porém não obteve êxito, as cadelas ignoraram a conversa e a comida:
 
       - Sem problemas meninas, vocês não estão acostumadas a serem bem tratadas não é mesmo? Não gostam de gugu, não tem problema! Assim falou Ana.
 
       Sem mais pormenores, retirou os comedouros de Jujú e Tita e os colocou em cima do muro á vista, porém, longe do alcance das cadelas e foi cuidar de suas obrigações.
 
       Já mais tarde, quando voltou do serviço, foi direto para o canil para saber como estavam Jujú e Tita e a cena que se viu deixou Ana certa de que sua atitude foi a mais acertada.
 
       As cadelas estavam agitadíssimas e pulavam incansavelmente próximo ao muro com os olhos vidrados no comedouro. Ana então voltou a falar as cadelas:
 
       - Jujú, Tita! Vocês desfeitearam o gugu, não é meninas? Não gostam de gugu, não é mesmo? Agora estão com fome? Olha o que Tia Ana tem para vocês aqui, gugu!!!
 
       Foi só colocar os comedouros no chão e em poucos minutos Jujú e Tita devoraram aquela gostosura toda.
 
 
 
Não é maldade e nem magia, é psicologia! E agora?      
      

O nome dele é cabeção! E agora?

03:32 PM, 25/4/2012

O nome dele é cabeção! E agora?

       Meu Tio Jorge (Salve Jorge dia do Santo em 23/04) que na intimidade, chamamos de Cabriteiro, isso tudo porque meu avô materno gostava de engordar uns cabritos para abater em época de festas e como o trato naquela época era somente pasto, era muito comum ver meu Tio levando e buscando cabrito para pastar, daí a alcunha “Jorge Cabriteiro”.
       Bom o tempo se passou e meu Tio hoje trabalha como procurador do INMETRO e tem como hobby principal torcer pelo Flamengo e com esse carma, não perde nenhum jogo que se realize no Rio seja a hora que for e em qualquer situação o sujeito está lá firme e forte.
       Muitas coisas acontecem em estádios de futebol, principalmente no que diz respeito á violência, que acaba por afetar há todos e fazendo com que as pessoas tenham que passar por situações constrangedoras, Cabriteiro que o diga, pois, como é freqüentador assíduo do Engenhão sempre é obrigado a enfrentar filas e mais filas e ainda ser molestado pela revista pessoal.
       Outro dia Cabriteiro estava na fila aguardando sua vez e já estava impaciente porque o jogo já estava prestes a começar e a fila não andava e quem fazia a revista pessoal era o pessoal do exército. Começaram então os enfileirados a se manifestarem e ele era o mais exaltado entre todos. Agitado vociferava:
       - Vamos lá milico! O jogo vai começar e se continuar assim quando eu conseguir entrar vai estar terminando!
       O soldado vendo os ânimos se exaltarem passou a observar a fila e sinalizava pedindo calma.
       Mais não adiantou nada, nem a calma era mantida e nem a fila andava, assim continuavam as manifestações tanto dos enfileirados quanto dos soldados.
       Mais embora lentamente a fila andou e diante dos protestos insistentes, chegou a vez de Cabriteiro passar pela revista. O soldado balançou a cabeça como que quisesse dizer “agora é sua vez, quero ver o que vai dizer”, indicou a direção e foi logo gritando:
       - Braços abertos, pernas abertas, tem alguma coisa escondida cidadão? Se tiver já aviso para que se livre dela imediatamente ou caso contrário eu encontre o Senhor será detido!
       Cabriteiro abaixou a cabeça em meio aquela gritaria toda e ficou em posição conforme ordenado.
       Um soldado começou a revista enquanto outro observava. De repente um susto:
       - O que isso cidadão? Gritou o soldado. Levante a camisa imediatamente! Ordenou.
       Nesse momento o outro soldado que observava engatilhou o AR15 e apontou para Cabriteiro, que ficou branco e começou a tremer dizendo:
       - Calma soldado! É o cabeção! Eu levanto a camisa sim, mais vocês vão rir hein!
       O soldado nervoso gritou mais ainda:
       - Levanta logo essa camisa cidadão e obedeça a ordem transmitida!
       Cabriteiro então levantou a camisa lentamente e quando se virou o que se ouviu foi uma sonora gargalhada dos dois soldados que o abordavam.
       Meu Tio tem hérnia umbilical o que lhe rendeu um umbigo estufado o que ele carinhosamente chama de cabeção, rindo ele falou aos soldados:
       - Eu disse que vocês iriam rir! Tá vendo só é o cabeção, aonde eu vou ele vai junto!!!
 
Cabeça de mamute! E agora?

Onze homens e muita bagunça! E agora?

03:00 PM, 18/4/2012

Onze homens e muita bagunça! E agora?

       Carnaval de 1988, alugamos uma casa e partimos de Muriaé para Marataízes, o grupo era bem grande e animado, ao todo, onze homens e uma missão, farrear.
       Nossa bagagem pessoal era pequena, já havia sido combinado antes da partida, isso tudo para deixar espaço bastante e podermos levar a maior quantidade possível de cerveja. Na época era mais econômico embora desconfortável levar a cerveja e como a turma era forte, foram seis caixas de garrafa.
       Chegamos a Marataízes na parte da tarde, fomos até a casa e cada um se ajeitou em um canto. A cerveja quente nós distribuímos em uma caixa térmica e cobrimos com gelo, tudo muito rápido, já partimos para praia a fim de checar o movimento.
       O pessoal estava animado na beira-mar, mais o som que rolava vinha de uma barraca e dertocava e uma rádio que volta e meia anunciava os patrocinadores. Daí, tomamos a decisão, retiramos do carro nossos fiéis companheiros de batucada, um surdo, um chocalho, um tamborim e o danado do pandeiro que ninguém tocava.
       Mudamos a festa, o samba comia solto, e a galera foi só aumentando e o dono da barraca satisfeito com o movimento veio até onde estávamos e nos deu um jarro cheio de caipirinha e ainda disse que se acabasse faria mais. O problema é que o povão achou que fosse para todo mundo e ficou só filando. Robinho é um sujeito meio inconformado e ficou indignado com o avanço das pessoas no jarro de caipirinha que acabou em um piscar de olhos. Ele foi até o dono da barraca e com muito jeitinho conseguiu com que o dono o deixasse preparar mais um jarro de caipirinha. E assim o fez, porém, deu uma incrementada na caipirinha, amassou seis comprimidos de um estimulante e despejou na jarra. Chegou à roda do samba e alertou a todos nós sobre o que tinha feito, quer dizer, todos menos Mauro, que estava no banheiro.
       Robinho anunciou que a birita havia chegado e foi aquele alvoroço, todo mundo de copo na mão tomando caipirinha batizada e por ironia quando percebemos, Mauro havia lotado um copo e em uma só golada esvaziou o copo e não se dando por satisfeito bebeu mais meio copo.
       Não preciso nem dizer que a coisa esquentou pra valer. Tinha gente sambando em cima da mesa, em cima de carros a poeira subindo com força e a nossa frente com um chapéu panamá, apito na boca e uma vareta de bambu o agora Mestre Mauro diretor de bateria.
       Estava difícil de ver aquela figura magrela, com os olhos arregalados e vidrados, soprando com toda força o apito e regendo a bateria como se estivesse em um desfile de escolas de samba, não sabíamos se tocávamos ou se ríamos. O tempo todo o ouvíamos gritando:
       - Vamos lá minha bateria nota dez! Arrebenta! Olha a marcação!
       E assim seguimos rua afora, a bateria de Mestre Mauro arrastava o povo com destino até a casa alugada. Foi uma invasão generalizada, em pouco tempo tinha gente saindo pelo ladrão. Muita cerveja, muita cachaça e para incendiar mais ainda, alguém começou a distribuir lança-perfume, Robinho quando viu que era Universitária, ficou desorientado, pois, já ouvira falar mais nunca antes havia experimentado, olhou para tudo que é lado e não encontrando um lenço e nem uma pano que prestasse apelou e pegou um perfex usado que estava na cozinha. Molhou bastante o perfex com aquele spray e desandou a cheirar. Cheirou, cheirou e cheirou mais uma vez, tornou a cheirar e em uma mistura de alucinação e risos gritou:
       - Não é possível! Esperei tanto tempo da minha vida para conhecer a Universitária e agora descubro que a coisa tem cheiro de panela!!!
 
Tem cheiro de coisa maluca! E agora?
 

O Papa não é tão pop! E agora?

03:32 PM, 11/4/2012

Papa não é tão pop! E agora?

       Na cidade de Pena Nova havia dois sujeitos que eram conhecidos pelas brigas em virtude de que um deles era o maior arrastador de marra. Todo lugar onde os dois se encontravam podia-se estar certo de haveria discussão e das grandes.
       O mais incrível de tudo é que os dois eram opostos mais não se atraiam de forma alguma. Um dizia a todo o tempo que era amigo íntimo de políticos, artistas e grandes fazendeiros da região e que estivesse ele onde estivesse todos lhe rendiam cumprimentos, mais nada superaria e nem deixaria a cidade mais embasbacada do que o ocorrido na oportunidade da primeira visita do Papa João Paulo II ao Brasil nos ido de 1980.
       Estavam os moradores reunidos na praça da cidade onde a prefeitura havia instalado um aparelho de TV para que a população pudesse acompanhar as transmissões e no meio de tanta comoção e expressão de fé religiosa, os presentes ouviram o anúncio de que a próxima cidade a ser visitada pelo Papa seria Belo Horizonte.
       Em uma rodinha de bate-papo estava os dois encrenqueiros da cidade José Eleutério e Vicente Amâncio, Zé Besteira e Vicentin de Pena Nova respectivamente. O apelido do Zé era por conta da forma de contestar as pessoas, ou seja, tudo que diziam a ele era retrucado com “besteira”, já Vicentin era pelo fato de se gabar sempre dizendo que onde estivesse todos conheciam “Vicentin de Pena Nova”. Em meio à prosa Vicentin de Pena Nova causou espanto nos demais dizendo:
       - É meus amigos, vou me recolher mais cedo porque amanhã parto para BH para encontrar com o Papa!
       - Besteira, você lá conhece o Papa? Trucou Zé Besteira esfregando já irritado o bigode!
       - Conheço! E digo mais, tenho audiência marcada com Ele antes da celebração da missa da Pampulha!
       - Besteira, deixa de ser cascateiro homi! Retrucou Zé Besteira.
       Ficaram nessa lengalenga falando do Papa por mais uma meia hora até que cada um seguiu seu rumo.
       No outro dia bem cedo, na partida do ônibus de Pena Nova para BH estavam lá na fila Zé Besteira e Vicentin de Pena Nova. Os dois mal se olharam e sequer se cumprimentaram e assim seguiram viagem. Zé Besteira pensativo “hoje acabo com a marra desse loroteiro” e Vicentin de Pena Nova com cara de celebridade “esse matuto vai quebrar a cara”.
       Chegaram a BH e seguiram para o local da celebração da missa. O local já estava tomado pelos fieis e estava difícil transitar em meio á multidão.
       Zé Besteira, no entanto, seguia discretamente os passos de Vicentin e pode perceber que ele se dirigiu ao local reservado para autoridades. Chegando ao portão de acesso se espantou, pois os seguranças cumprimentaram Vicentin e deixaram que ele adentrasse. Mais espantado ainda ficou quando viu o Governador saudando Vicentin e as surpresas não paravam, o Bispo também saudou Vicentin e já sem fala e se mostrando incrédulo Zé Besteira pode ver Vicentin sendo saudado pelo então Presidente da República João Figueiredo.
       Mais o que aconteceria em seguida abalaria de vez Zé Besteira.
Ele caminhou já boquiaberto em direção ao portão de acesso com os olhos arregalados de espanto e marejados d’água, seu coração batia descompassado, suas pernas tremiam e com a voz embargada perguntou a um segurança:
       - Por favor, meu amigo, me diz pelo amor de Deus que aquele que está junto á escadaria é o Papa?
       O segurança sem dar muita atenção para Zé Besteira fez um leve movimento de rotação do pescoço e respondeu de uma forma calorosa:
       - Se aquele é o Papa eu não faço a menor idéia, pois não o conheço, mais, o sujeito que lhe fala ao pé-de-ouvido é o Vicentin de Pena Nova!!!
 
Além de prosa é papudo! E agora?

As águas vão te enrolar! E agora?

01:25 PM, 4/4/2012

As águas vão te enrolar! E agora?

       Qualquer dia que se acenda o fogão a lenha no sítio Tico-Tico e junte a isso cerveja gelada, é certeza de que boas histórias serão ouvidas e que provavelmente alguma nova será lançada. E eu lá, só captando.
       Na última sexta-feira, feijoada, caipirinha e cerveja e prosa de boa qualidade. Isso é, até que a combinação da comida juntamente com a bebida comece a fazer efeito. O principal efeito é que as conversas se acaloram e os risos são ouvidos em maior quantidade e em maior tom.
       Lá pelas tantas não se sabe como começou uma discussão a respeito do rio que passa próximo ao sítio e assim se desenrolava o assunto:
       - Se o rio São Bartolomeu fosse mais limpo eu poderia captar a água dele para abastecer os tanques de peixe do sítio! Assim dizia Ana.
       - Ué! Mais não iria ficar muito longe e caro trazer água do São Bartolomeu até o sítio? Questionei já desconfiado.
       - Que isso, de forma alguma, com uns cem metros de cano e a bomba consigo puxar água para o sítio, da margem até aqui são menos de cem metros! Insistiu Ana.
       - Mais Ana, o rio que passa aqui não é o São Bartolomeu! O São Bartolomeu é o que corta a cidade! Contestei.
       - Sei lá, para mim esse rio que passa aqui é o São Bartolomeu! Ana bateu o pé.
       - Como pode, o rio desce pela UFV do outro lado da cidade, corta Viçosa de ponta a ponta, onde faz o retorno para conseguir passar aqui? Truquei.
       Nesse momento surge na sala Cor Jesus e eu querendo agregar alguém que compartilhasse da minha afirmativa, o chamei na conversa:
- Cor Jesus, diga para Ana fazendo o favor, qual o nome desse rio que passa ao lado do sítio e que corre em direção a Teixeiras?
- O que? Esse rio que passa aqui ao lado corre no sentido de Teixeiras? Eu jurava que ele corria no sentido de Triunfo! Engraçado, que não sei o nome do rio não! Assim me surpreendeu Cor Jesus.
Atenta ao que estava acontecendo, Quirina já depois de ter tomado muita uca resolveu participar da conversa:
- Gente, sabe né, oceis sabem que eu moro na roça né, intão né, é assim, o rio que passa nas Duas Barras onde eu moro é o rio Turvo, mais assim né, tem o Turvo Claro e o Turvo Escuro, eu não sei né, qualé dos dois, mais sei que é um deles que passa aqui!
- Bom pelo menos sabemos que o nome do rio é Turvo, confirmando que jamais poderia ser o São Bartolomeu! Retruquei.
Quirina então se sentiu e empolgada desabafou:
- Gente, assim né, trabaiá na roça é muito custoso, ceis sabe, acorda cedo, tira leite, trata das vacas, cuida da casa e ainda tem os porco que já tão assim com três arrobas, mais ou menos uns seis quilômetros! Divagou Quirina.
Sem entender nada eu quis saber na mesma hora, já pensando em dar um nó na cabeça dela:
- Quirina, quer dizer então que três arrobas são mais ou menos seis quilômetros? Então faz aí as contas para mim e diz, quanto é o metro quadrado da arroba?
Silêncio total, e todos já rindo da situação aguardavam a resposta de Quirina que parecia em transe tentando resolver a equação:
- Gente, né, assim, ceis sabe, eu tenho pouco istudo né, mais, assim, minha tabuada num arrecadou essas contas não!!!
 
E a vida segue seu curso! E agora?

Que seja Benevides! E agora?

02:19 PM, 28/3/2012

Que seja Benevides! E agora?

       Em tempos de ditadura, muitos municípios brasileiros tinham seus governantes empossados por indicação de quem mandava no país.
       Assim ocorreria em Muriçosa – MG nos idos de 1980, quando o então Governador Francinildo Peroba indicaria o ocupante da cadeira do Executivo.
       Conhecido em toda cidade por não fazer nada, Benevides era um sujeito que saía de casa pela manhã e percorria além dos cafés, os bares e as barbearias da cidade tendo em pauta sempre as atualidades políticas além de bradar pelos quatro cantos sua vontade incomensurável de ser um dia prefeito e prometia fazer e acontecer se caso isso acontecesse. Andava sempre muito bem trajado, sua estirpe era de todos conhecidos e dela vinha sua herança que lhe enchia de pompa e pouca modéstia.
       Bajulador emérito do então Governador, não ficou nem um pouco surpreso após saber que havia sido indicado para assumir o cargo de Prefeito de Muriçosa.     
       Alheio a todas as promessas, Benevides tinha como obrigatoriedade, o comparecimento ao Palácio da Liberdade em Belo Horizonte onde assinaria os termos da posse. Levou consigo o que hoje chamamos de comitiva, mais que á época eram conhecidos como companheiros da situação, e entre eles, logicamente não poderia faltar Vicente Caldeira o senhor das letras.
       Chegando ao Palácio da Liberdade, Benevides saltou do carro e logo de cara já queria demonstrar para o que veio. Usava seu melhor terno de linho branco, camisa de seda, gravata de poá e sapato de cromo alemão, muita goma no cabelo e um bigodinho daqueles bem fininho, resumindo era a figura escarrada do Amigo da Onça (um personagem criado por Péricles de Andrade Maranhão).
       Logo na entrada os companheiros e Benevides foram recebidos por uma funcionária do Palácio da Liberdade que iria conduzi-los, mais, Benevides se fez de rogado, como se o Palácio fosse sua própria casa e dispensou a companhia da funcionária.
       Olhava para todos os lados, saudava a todas as pessoas indistintamente e ao se aproximar do salão nobre do palácio se deparou com uma lixeira toda trabalhada em aço inoxidável e sobre a lixeira um cartaz que dizia: “Colabore com a limpeza do Palácio da Liberdade”.
       Não pensou duas vezes, sacou do bolso um chumaço de notas, destacou “um barão” e depositou na lata de lixo e disse em bom tom:
       - Sou muito a favor desses que fazem a limpeza, são povão também! Colaborem aí pessoal! Disse e seguiu andando sem ver a cara de espanto dos companheiros.
       Ao chegar à ante-sala de reuniões, Benevides foi abordado por Vicente que trazia uma pasta de couro onde havia juntado os documentos que retratavam as finanças do município. Benevides recebeu a pasta e foi logo abrindo para se inteirar da situação. Folheou e folheou, até se deparar com a folha de pagamento do município que já era bem extensa, mais Ele fez questão de analisar nome por nome até que de súbito arregalou os olhos e exclamou em bom minerês:
       - Uai!
       Vicente se virou para ele e espantado quis saber:
       - Qual o problema Benevides?
       Ele respondeu com cara de desagrado:
       - Tem um tal de Toti aqui na folha de pagamento que ganha mais do que todo mundo, inclusive, tem o salário maior do que o que irei receber! Quem diacho é esse sujeito?
       Vicente tomou a folha de pagamento das mãos de Benevides que apontava para onde estaria o nome do tal sujeito:
       Mais espantado ainda esclareceu ao Prefeito:
       - Ô Benevides, isso meu caro Prefeito não é nenhum funcionário não, é só o demonstrativo TOTAL (TOT) da folha de pagamento!
       Benevides desconversou como quem havia entendido e tomou de volta a pasta com intuito de continuar a examinar a documentação.
       Foi interrompido pela secretária de gabinete do Governador que comunicou:
       - Os senhores serão atendidos em breve pelo Governador! Enquanto isso a copeira irá servir um delicioso cafezinho! Espero que saboreiem e sintam-se a vontade!
       Imediatamente após o anunciado, entrou pela ante-sala uma senhora empurrando um carrinho maravilhoso onde se via além de garrafas de café prateadas, potes e mais potes repletos de guloseimas.
       Como se o traje identificasse a hierarquia naquela sala, a copeira foi diretamente ao encontro de Benevides e com um sorriso lhe saudou:
       - Bom dia! O senhor aceita um café?
       Benevides folheava a documentação e sem sequer olhar para a copeira respondeu:
       - Aceito sim senhora! Bem forte, que é para espantar o sono!
       A copeira serviu a xícara com o café e se voltou novamente para Benevides perguntando:
       - Açúcar ou adoçante?
       - Como assim açúcar ou adoçante? Retrucou Benevides
       - Tenho açúcar e adoçante, o senhor escolhe! O senhor é diabético?
       Nessa hora Benevides franziu a testa, levantou-se, olhou bem nos olhos da copeira e mandou:
       - Sua desavergonhada! Me respeite! Que diabético o que! Eu sou é PREFEITO DE MURIÇOSA!!!
 
Foi nos termos da ditadura! E agora?

O biete! E agora?

04:48 PM, 21/3/2012

O biete! E agora?

(Obs.: utilize-se do minerês para que a prosa faça sentido)
 
       Fazendeiro respeitado pelas posses que lhe agregaram importância política e uma liderança invejada na região da Zona da Mata Mineira, Roberto “Zebu” (apelido que ganhou por ser pioneiro na criação de gado da raça zebu) era também conhecido pelo fato de ter se enricado sem sequer ter terminado o que á época chamavam primário. Foi educado na lida, junto com mais onze irmãos, pelo pai Setembrino, que ensinou tudo que sabia da vida da roça aos filhos, mais que também achava que estudar era coisa para gente que não tinha o que fazer e com isso seus filhos mal freqüentaram a escola. Daí a sina, doze pessoas boníssimas os filhos de Setembrino, mais gente ignorante e sem educação não existia igual.
       Ainda se pergunta na boca miúda como é que Roberto Zebu conseguiu progredir na vida, porque um detalhe era gritante, dos doze filhos de Setembrino Roberto era o mais xucro de todos. Pense em uma pessoa ignorante! Roberto conseguia ser pior, o sujeito era mais grosso que papel de enrolar prego e ainda semi-analfabeto.
       Mais o sujeito só andava na estica, embora ignorante, o dinheiro podia lhe comprar e satisfazer muitos gostos como carros, roupas e ouro que ele fazia questão de exibir por onde fosse.
       Certo dia Roberto Zebu estava em Muriaé para formalizar sua inscrição na Exposição Agropecuária da cidade e com ele estava seu mais fiel empregado Pedro Tubaína que já avisado de véspera, acompanhava o patrão com a finalidade de realizar compras no comércio local, mais precisamente na Casa do Fazendeiro e assim foi o combinado:
       - Pedro, ocê pres bem atenção! Vou apiá ocê bem na porta da Casa do Fazendeiro, ocê seje rápido, apressa aquela gente preles separa os produto que é pra quando eu fizer o devorteio, ocê já teje no jeito pra colocar tudo na carroceria da camionete! Assim falou Roberto Zebu.
       - Sim sinhô! Pode fica carmo que tá tuintindido! Nora que o patrão vortar, já vô tá na porta de prantão! Respondeu Pedro Tubaína.
       Como combinado, ao passar pela Casa do Fazendeiro Roberto Zebu despejou Pedro Tubaína e seguiu seu rumo. Pedro adentrou a loja e nas mãos levava um pedaço de papel e sem fazer qualquer saudação a ninguém chegou ao balcão jogou o papel sobre ele e foi logo gritando:
       - Roberto Zebu mando oceis agilizar essas coisa aí pra ele de pressa e rápido que ele já tá vortando pra busca e poder carregar na caçamba!
       Pedido de Roberto Zebu era o mesmo que ordem e feito por Pedro Tubaína era sinal que deveria ser seguido da maneira anunciada, pois caso contrário o freguês descia do carro e aprontava uma bagunça na loja.
       O vendedor que mais conhecia Roberto Zebu passou mais que depressa a mão no papel com intuito de separar os produtos.
       Olhou, firmou a vista, olhou novamente, virou o papel de cabeça para baixo, reexaminou e não conseguiu decifrar a escrita. Foi até outro vendedor mais experiente e lhe mostrou o papel, da mesma forma o outro vendedor olhou, firmou a vista, olhou novamente, virou o papel de cabeça para baixo, reexaminou e não conseguiu decifrar a escrita, foram então até o gerente da loja que também se deu por vencido.
       Pedro Tubaína já estava irrequieto com aquele trança-trança de gente com o bendito papel na mão e sem que com isso os produtos estivessem sendo separados.
       O vendedor foi em direção a Pedro Tubaína e disse:
       - Pedro, já estamos providenciando tudo, só tem um probleminha com uns produtos que não estamos conseguindo ler o nome correto na lista!
       - Oia, Roberto Zebu já indeve inté tar vortando, isso vai fedê! Oceis sabe que ele num gosta de isperar e se por acauso ele aparecer e eu num tiver na porta com as coisa no jeito, vai descer e conta prosa pro ceis!
       Parecia até previsão de Pedro Tubaína, mal fechou aquela caçapa de boca com seus dois dentes, Roberto Zebu adentrou a Casa do Fazendeiro soltando fogo pelas ventas:
       - Oh Pedro Tubaína, ocê tá aí no balcão até agora? Será que ocê num intendeu as coisa qui expriquei nos conforme? Já rodei duas veiz pela praça e nada doce aparcer homi!
       - Roberto, cabei de proziá com o vendedor aqui, pregunte a ele pra mode ocê ver!
       - O que tá acontecendo, pro mode de que as coisa num fórum separadas ainda?
     - Roberto, não estamos conseguindo ler sua lista de produtos! Exclamou o vendedor já tremendo de medo.
       - Lista qui nada homi eu fiz foi só um biete pra mode Pedro compra umas coisinha de nada! Dá lá o trem aqui qui eu desenrolo isso de uma vez!
       Entregaram o papel para Roberto Zebu que de imediato olhou, firmou a vista, olhou novamente, virou o papel de cabeça para baixo, reexaminou e pigarreando disse ao vendedor:
       - Oia rapaiz vamu fazer o seguinte, eu vou embora porque to com muita precisão de chegar im casa, mais logo que chegar im casa eu lembro outra vez das coisas que escrevi nu biete, porque foi cedo e agora já se esqueci!
       Quando Roberto Zebu escrevia, duas pessoas podiam ler, ele e Deus; depois de passado um tempo, somente uma pessoa poderia ler, Deus!!!
 
Rebuscando a consciência do biete! E agora?
      

Fomos a la playa! E agora?

02:26 PM, 15/3/2012

Fomos a la playa! E agora?

       Mineirada reunida, destino, Porto Seguro – BA, vinte cinco pessoas dentro de um microônibus e um roteiro de 912 km a serem percorridos.
       No começo da viagem tudo é motivo pra festa, muita piada, muita risada e toda aquela expectativa em chegar à praia harmonizam toda a convivência.
       A distância de 912 km em um microônibus ao final parecia ter ultrapassado os 10.000 km e todo mundo chegou quebrado mais, todos muito felizes.
       A casa alugada era muito bacana, espaçosa, com piscina, área para churrasco e uma pequena quadra de peteca. O senhorio que apresentou a casa o fez de maneira muito atenciosa e alertou para o fato de que devíamos estar atentos á segurança, pois os gatunos estão sempre á espreita.
       Quem avisa amigo é, e, naquela mesma noite fomos surpreendidos por um visitante indesejado que ao ser descoberto causou tremendo reboliço na casa, foi um corre-corre danado, gente trombando pelos corredores e até que acendessem as luzes o sujeito já estava longe.
       Daí foi que começamos a contabilizar os prejuízos e ai se deu início o inferno astral de Creuza.
       Creuza havia sacado na chegada a Porto Seguro, e ninguém entendeu o porquê, todo o dinheiro que havia em sua conta bancária, resultado, ficou sem um tostão furado.
       Aos prantos desceu a escada e foi ao encontro de Ana e disse:
       - Socorro Ana, acho que estou tendo um AVC! Tomei tanto susto com tudo isso que minha cabeça ta latejando e minha perna esquerda ta encolhendo!
       Ana também estava nervosa, porém é mais centrada, tirou uma linha de Creuza e mandou na lata:
       - Deixa de ser boba! Não aconteceu nada com ninguém, isso sim é importante! E AVC é o @#$!¨!, você está com uma sandália de salto em um pé e uma havaiana no outro!
       Creuza engoliu o choro e comentou meio sem graça:
       - É...é...é, para você ver como estou abalada!
       Passado alguns minutos, Creuza já recomposta vai até Ana novamente e com toda serenidade e querendo mostrar superação, solta mais uma:
       - Uma coisa eu sei, cerveja ele não levou nenhuma! Antes de deitar conferi as latinhas e refiz a contagem agora e as trinta e nove latinhas continuam lá! Quer uma gelada Ana?
       Ana, já quase entornando responde:
       - Agora a pouco você estava tendo um AVC e passado a vergonha já quer beber! Tenha santa paciência!
       E nada como um dia após o outro, pela manhã, surge novamente a figura chorosa de Creuza e mais uma vez se reporta a pobre coitada da Ana:
       - Não quero ser inoportuna, mais...mais...
       - Desembucha logo! Retrucou Ana.
       - Ontem levaram meu dinheiro e hoje roubaram meu vidro de xampu cheinho!
       - Quem poderia ter roubado seu xampu criatura! Vai ver que esta em algum lugar pela casa! Com toda a confusão de ontem pode estar caído por aí!
       Creuza sumiu da frente de Ana ao perceber sua irritação. Mais foi por pouco tempo, instantes depois retornava com uma cara de total indignação:
       - Ana, veja que falta de respeito dessa gente! Eu sofrendo com minhas perdas e alguém rouba meu xampu e de sacanagem esconde ele dentro da minha bolsa!!!
 
Creuza é coisa de crazy! E agora?
 

Bolo de mingau! E agora?

02:16 PM, 6/3/2012

Bolo de mingau! E agora?

       Uma famosa boleira (de fazer bolo e não jogadora de futebol) Dona Zizi, era constantemente assediada nas rodas de conversas femininas para que revelasse suas receitas, segredos e truques da preparação de seus bolos, porém, sempre se esquivava e com um largo sorriso dizia:
       - Receitas vocês encontram em qualquer livro! Agora, os truques, só o tempo e a dedicação é que vão lhes ensinar! Quanto ao segredo, esse é segredo mesmo!
       O certo é que toda cidade se rendia aos confeitos de Dona Zizi, e olha que as tarefas eram bem mais difíceis de serem executadas. Não era tempo de batedeira, forno com timer, processador de alimentos, ingredientes industrializados entre outras coisas, era sim o tempo de se executar todo o processo manualmente praticamente de forma artesanal, mas, o resultado era de deixar qualquer um boquiaberto e sem falar dos sabores, que eram divinos.
       Um dia em uma quermesse, Dona Zizi levou como prenda para o leilão um delicioso bolo gelado. A disputa pelo quitute foi algo de deixar qualquer frango assado de bico caído. Ao final quem teve a felicidade de arrematar o prato farto foi Dona Filomena, que se encheu de orgulho, pois, sabia que a quantia paga iria ajudar a igreja, e o melhor de tudo havia arrematado a prenda mais cobiçada.
       Passado uns dias, Dona Filomena apareceu de surpresa na casa de Dona Zizi e sem mais rodeios entrou e foi direto ao assunto:
       - Zizi minha cara, arranjei uma tremenda encrenca com o bolo gelado que arrematei no leilão da quermesse! Meu Tio Vicente esteve lá em casa e provou do último pedaço do bolo e me elogiou tanto que fiquei até sem jeito de dizer que não era eu quem havia feito o bolo!
       - Eu entendo Filomena! Disse Dona Zizi meio encabulada.
       - Mais Zizi, a coisa é pior do que você imagina! Tio Vicente ficou de voltar lá em casa no sábado e trazer Tia Gertrudes para que eu ensine a ela a fazer o bolo! Olha em que situação eu fiquei! Por isso vim até aqui encarecidamente pedir em nome de nossa amizade e mesmo sabendo do zelo que tem por suas receitas, que, por favor, me forneça a do bolo gelado para eu fazer para Tia Gertrudes no sábado.
       - Filomena, você bem sabe que jamais em tempo algum permiti que alguém tivesse acesso ás minhas receitas! Mais como você mesma ressaltou nossa amizade e como freguesa especial que é, vou pela primeira vez abrir uma exceção.
       E assim, Dona Zizi passou toda a receita para Dona Filomena que orgulhosa por ser a primeira a ter conseguido tal feito, foi direto para o supermercado encomendar os ingredientes, pois, conforme ressaltou Dona Zizi tudo deveria ser fresco, era um dos segredos do bolo gelado.
       Para Dona Zizi ficou uma pontinha de curiosidade para saber como Dona Filomena havia se saído no preparo da iguaria. E assim como quem não queria nada Dona Zizi telefonou para Dona Filomena e quis logo saber:
       - E então Filomena, deu tudo certo com a receita do bolo gelado?
       - Zizi minha querida, olha, não ficou como o seu isso eu sei, mais ficou muito bom também, geladinho, cremoso só que ao invés de pedaços nós estamos comendo na taça.
       - Na taça? Cremoso? Como assim Filomena?
       - Bem, eu fiz tudo do jeito que você me ensinou, misturei ingrediente por ingrediente, bati bem, untei a forma com manteiga, despejei a massa nela e levei para a geladeira, só que não ficou firme como o seu?
       - Filomena, você não assou o bolo?
       - Na receita você não escreveu que precisava assar! E o bolo não é gelado?
       Tibum...tu...tu...tu...tu...tu...tu..., caiu a ligação e Dona Zizi no chão!
Assassinaram a receita! E agora?

Atravessando o samba! E agora?

04:50 PM, 1/3/2012

Atravessando o samba! E agora?

       Uma coisa era certa, sempre que terminávamos as partidas de futebol quer fossem pelo campeonato muriaeense ou algum amistoso, ganhando, empatando ou perdendo, tinha cervejada e batucada.
       Não era uma roda de samba toda organizada com marcações e instrumentistas especializados, eram os colegas mesmo, cada um entendia mais ou menos de um instrumento e também não tinha muita coisa para se fazer a batucada, era sempre um surdo, um chocalho, um tamborim, um atabaque e o vilão de toda a turma de instrumentos o maravilhoso, porém, sempre judiado pandeiro. É fato, adoro pandeiro, já tentei por diversas vezes me dedicar a aprender mais não consigo e assim como eu, ninguém era dotado de habilidade para executar o pandeiro.
       Quer dizer, ninguém exceto Bazinho. Baixinho, invocado que acabou se apoderando na falta de quem tocasse, do pandeiro. Ele enganava bem, mais a forma que havia conseguido fazer o pandeiro participar da batucada era somente batendo com ele na perna e nunca com a mão.
       E fazia mais ainda, além de judiar do pandeiro, gostava de acompanhar na cantoria, mais como também era comum á maioria, só cantava os refrões e os tantos laia laia!!!
         Mais há muito eu vinha ouvindo em meio ao pessoal uma voz que destoava quando cantávamos a música “O mundo melhor de Pixinguinha”, e na parte em que brincávamos fazendo duas vozes uma perguntando e a outra respondendo, assim dessa forma:
1ª – A roseira dá;
2ª – Rosa e botão.
       Só que no meu ouvido estava chegando uma resposta atravessada e que confesso incomodava, pois, eu não identificava quem era o artista e intrigava por também não conseguia entender o que o sujeito dizia.
       Um dia resolvido e combinado com o pessoal que marcava a batucada e cantava, excluindo dessa relação Bazinho e o pandeiro, fizemos uma parada e puxamos em coro em alto e bom tom:
       - A ROSEIRA DÁ...
       Qual não foi nossa surpresa de ver que Bazinho pela primeira vez usou a mão para tocar o pandeiro e deu uma batida firme e seca soltando a voz:
       - PORTA E PORTÃO...
Quantos risos! E agora?      
 

Caro amigo chato! E agora?

05:20 PM, 14/2/2012

Caro amigo chato! E agora?

       Morar no interior tem muitas vantagens e uma imensidão de desvantagens!
       As pessoas que moram no interior se conhecem mais e desfrutam de mais oportunidades para estarem se vendo. A gente se encontra pelas ruas, em missas, festas populares, futebol com os amigos, churrasco e isso tudo com uma freqüência bem maior do quem reside em centros maiores.
       Interior não tem poluição, não tem tanta criminalidade, não tem tráfego (eu disse tráfego, porque tráfico já tem), não tem barulho excessivo, não tem camelôs pelas ruas e outras tantas perturbações dos grandes centros.
       Em contrapartida não tem muita coisa para se fazer, e tudo que é necessidade primária em vários aspectos, há de se buscar nos grandes centros, ainda mais quando o assunto é saúde, teatro, cinemas, shows e etc... também.
       Mais um fato comum em ambas as situações são as amizades que formamos na infância e que nos acompanha por toda a vida. Quem não tem aquele amigão do peito que está presente na maioria dos momentos de nossas vidas? Sejam eles bons, ruins, engraçados ou tristes de conquistas ou de derrotas, ele sempre está lá.
       Pois bem, eu tenho, e me sinto um privilegiado por isso. O cara é chegadão mesmo e como já disse muitas de nossas passagens se deram principalmente na adolescência e ainda hoje estamos sempre em contato.
       O Perna, esse é o apelido dele, quer dizer, já encurtado porque quando mais jovem era o Pernalonga, aquele cara cumpridão das pernas alongadas, meio desengonçado, ruim de bola mais que sempre torcia por mim jogando futebol, enfim, o cara é o mesmo que irmão.
       Porém, nem tudo são flores, com toda simpatia, cumplicidade em muitas coisas, afinidades o sujeito me surpreendeu com uma faceta até então desconhecida e confesso que estou correndo dele feito vampiro da cruz.
       Depois que abri meu escritório e comecei a trabalhar como advogado, obviamente minhas roupas de trabalho também mudaram o que para o Perna foi motivo suficiente para ficar me zoando. Mais não é com uma só peça de roupa, é toda a roupa que visto ele encontra motivo para fazer um comentário no mínimo irritante e ele parece que já percebeu que não gostei e pior, ta adorando a situação.
       Tipo assim, hoje, por exemplo, topei com ele logo que estacionei o carro. Parecia que ele estava me seguindo e estava ali parado feito um poste só esperando eu descer do carro e quando me viu vestido com calça azul escura, uma camisa branca e gravata, logo gritou:
       - Fala ai meu camarada! Tá trabalhando nas casas Bahia agora?
       Daí já me veio á lembrança as outras situações por ele implementada:
- Calça Cinza e Camisa Branca – “Fala Motorista da Águia Branca!”
- Calça Preta e Camisa Azul – “Fala Motorista de Coletivo!”
- Calça Azul e Camisa Azul – “Fala Motorista da Universidade!”
- De terno e gravata – “Fala aí! Vais fazer exame de fezes? Vai casar alguém? Fala Pastor!”
- A pior para mim é quando ele me vê de calça preta e camisa branca, daí ele canta – “Garçom, aqui nessa mesa de bar...”
       Só que dessa última vez eu não me contive e depois de tantas insinuações devolvi na mesma moeda:
       - Você virou flanelinha? Está tomando conta dos carros? Faz limpeza no carro também? Vou te chamar agora de Pernelinha, mistura de Perna com flanelinha!
       Ele não gostou nem um pouco, só respondeu secamente:
       - Que sem graça hein!!! Cara chato!!!
       Desde esse dia não o encontrei mais!!!
 
Contra chato, chatice! E agora?

Culto dos outros é refresco! E agora?

11:29 AM, 22/12/2011

Culto dos outros é refresco! E agora?

       Noite gelada e chuvosa na última terça-feira, mais nem por isso os fiéis deixaram de comparecer ao culto religioso em comemoração á semana que antecede o natal.
       O bom dessas reuniões religiosas é que todos se tornam realmente iguais perante a Deus. Nessas horas as diferenças são colocadas de lado e a energia que vem do Senhor inunda os corações presentes, irradiando energia e esperança, que servem de conforto para muitas pessoas.
       Era uma noite esperada por toda a comunidade e ninguém se importou em enfrentar a chuva torrencial e o frio que insistiam em atrapalhar tão grandioso evento de fé.
       Trânsito intenso de veículos, sombrinhas e guarda-chuvas, vinha gente de tudo quanto é lado e todos com uma só motivação, agradecer a Deus!
       O culto transcorria dentro da normalidade, muitas pessoas se manifestaram em depoimentos emocionantes que em muitas vezes eram aclamados com salvas de palmas incansáveis.
       Alheio a tudo isso, Zé Quilô um andarilho conhecido de todos na cidade, buscava abrigo para escapar da chuva e do frio e ao passar em frente ao local onde acontecia a comemoração natalícia foi tocado de certa forma.
       Entrou discretamente sem chamar a atenção e sentou-se no último banco onde não havia ninguém. A sensação de acolhimento que ele sentiu estando ali, fez com que de imediato o frio e a umidade de suas roupas fossem esquecidos e sua atenção se voltasse completamente para a celebração passando a compartilhar intensamente daquele momento.
       Em um dado momento o celebrante chamou a atenção de todos os presentes para aquele momento sublime e anunciou:
       - Irmãos nesse dia especial em que estamos aqui reunidos envoltos em tantas bênçãos, com a alma banhada pelo amor divino, elevai agora vosso pensamentos, nesse momento Jesus aqui presente, vai entrar em vossos corações!
       Um dos cachorros que acompanhava Zé Quilô resolveu adentrar o local e foi direto procurá-lo. Zé Quilô estava com suas roupas um tanto quanto prejudicadas e havia um buraco na parte de trás de sua calça, que deixava á mostra parte da busanfa do sujeito. Zé Quilô estava compenetrado e havia se posto de joelho em oração no exato momento em que o celebrante dizia:
       - Sintam irmãos Jesus entrando em vossos corações!
       O cachorro se aproximou de Zé Quilô e com o focinho gelado deu uma cafungada na busanfa dele, que tomou um susto e em meio ao silêncio que pairava pode-se ouvir a voz trêmula de Zé Quilô que disse:
 
       - Neeeé aí naum Jisuissssssssssss!!
 
Que gelada Zé Quilô! E agora?
      

Oxidação enferruja! E agora!

10:47 AM, 15/12/2011

Oxidação enferruja! E agora!

       Essa nem mesmo contei para ninguém, pois acaba de acontecer no exato momento em que me preparava para começar a escrever o que eu iria postar hoje no blog.
       O computador do escritório que está ligado á impressora começou a apresentar um problema intermitente, desligava do nada e reiniciava por conta própria em conseqüência disso meu colega o levou para a assistência técnica ontem pela manhã.
       Já á tarde ligaram da empresa responsável pela manutenção com intuito de nos informarem do problema e do custo para realização do reparo e o diagnóstico foi desanimador:
       - O PC está com todas as placas oxidadas! Assim disse o técnico. Vou precisar fazer desoxidação e verificar o lugar onde a máquina está instalada para pode detectar a causa!
       Preocupado com a situação meu colega começou a levantar as hipóteses que pudessem ter ocasionado o evento da oxidação das placas e conversávamos:
       - Como pode acontecer uma coisa dessas! No escritório não tem umidade e o tempo em que permanece fechado não me parece suficiente para causar todo esse estrago! Assim disse meu colega.
       - Pode ser coisa pequena, que ao longo do tempo vai se instalando nas placas e por conseqüência causa a oxidação! Assim imaginei e reforcei a tese citando como exemplo minha experiência com celulares que no menor contato que se imaginasse que tivesse tido com líquido, ocasionava oxidação da placa, isso poderia ser causado por vapor, água e até mesmo pelo suor excessivo das mãos.
       - Nesse caso – disse ele – será que a proximidade com o banheiro pode seu causa da oxidação?
       - Pode ser que sim – admiti – não podemos descartar nenhuma hipótese.
       Meu colega então entrou no banheiro e acionou a descarga e abriu a torneira da pia e de certa forma buscou reparar se de alguma forma o spray d’água poderia ocasionar uma precipitação química capaz de gerar a oxidação (indubitavelmente científico isso).
       Enquanto fazia isso percebi que o movimento de seu olhar se fixou sobre o tampo da mesa e sua cara de espanto se misturou com a de surpresa como que naquele exato momento ele tivesse identificado a causa:
       - Bem que desconfiava disso! Só pode mesmo ser a ação da água do banheiro a causadora da oxidação! Olhando mais de perto agora estou vendo que o lugar ocupado pelo PC na mesa está tomado por ferrugem e não é pouca não!
       Sem me levantar da mesa fiz cara de espanto, exclamando disse:
       - Caramba! Nunca imaginei que isso fosse tão agressivo assim!
       Imediatamente ele ligou para assistência técnica para saber se o computador estava pronto e também para informar de sua descoberta. Informado da conclusão do serviço a entrega foi agendada para a manhã dessa quinta e o próprio técnico estaria acompanhando a instalação no local para examinar o local.
       A quinta é essa mesma 15/12, estou sentado em minha mesa onde confiro e-mails, agenda e outras coisas quando bate á porta e sem surpresa aparece o técnico com o PC a tiracolo.
       Meu colega entusiasmado se antecipa:
       - Já consegui identificar o que está causando a oxidação! Repare bem o tampo da mesa a quantidade de fragmento de ferrugem que ficou depois que tiraram o computador!
       O técnico colocou o PC na cadeira, retirou de sua pasta e calçou uma luva de borracha e imediatamente fez um movimento passando as pontas dos dedos no local indicado.
       Meu colega mais que depressa e certo de sua descoberta retrucou:
       - Então! É ou não é ferrugem? E digo mais, isso vem da água que de alguma forma sai do banheiro!
       O técnico olhou as pontas dos dedos, cheirou e constatou:
       -Negativo meu chegado! Isso não é oxidação e muito menos fragmento de ferrugem! Isso é farelo de biscoito!!!!!!!
 
Migalhas dormidas de biscoito! E agora?

Um conto de natal! E agora?

02:19 PM, 8/12/2011

Um conto de natal! E agora?

       Época bem propícia para narrar esse fato ocorrido no Natal do ano passado aqui na cidade de Viçosa – MG. Mais uma vez o centro da notícia é Jorge Turco, que como já disse em outra oportunidade, ele na verdade é libanês e fica possesso quando o chamam de turco.
       Nessa época é comum as entidades envolvidas com assistência social formularem cartinhas pedindo aos comerciantes donativos para que possam distribuir entre os mais carentes.
       Bom, Jorge Turco que em condições normais não come nem banana para não ter que jogar a casca fora, quando via alguém chegar ao seu estabelecimento com uma dessas cartinhas quase tinha uma síncope. Gaguejava, tremia, suava frio e até cambaleava de tão tenso que ficava.
       Mais era inevitável, ele não tinha como não receber os pedidos, afinal de contas havia uma distância enorme entre receber e atender e esse era o seu consolo.
       Lia atentamente todos os pedidos e atendia somente um e fazia isso do modo que ele queria. Não delegava essa função para ninguém e se fazia de bom samaritano, mais na verdade agia de forma a atender ao pedido sem, no entanto gastar muito.
       Feito a leitura dos pedidos e depois de contas e mais contas, Jorge Turco depurou o pedido que para ele seria menos oneroso atender. Esperou o fim do expediente e aguardou que todos fossem embora, ficando sozinho dentro da mercearia; pegou uma caixa de papelão e encapou-a com papel manilha (aquele cor-de-rosa); colou em uma das faces da caixa um cartão de natal que havia recebido de um banco; e escreveu com pincel atômico preto com letras de forma “FELIZ NATAL – BARA BOCÊ, DA COMERCIANTE JORGE A LIBANÊS E NÃO A TURCO”.
       Depois disso pegou a lista que havia sido eleita por ele e foi separar os produtos para serem colocados na caixa e á medida que lia os itens fazia uma anotação na frente. Mesmo sendo o mínimo por ele liberado a demora e o apego aos produtos fizeram com que esse trabalho se estendesse pela madrugada e lãs pelas duas da manhã Jorge Turco terminou, para fechar a caixa, usou uma corda de sisal que tirou do fardo de bacalhau.
       No dia seguinte, antes que alguém fosse ao seu estabelecimento perguntar pela contribuição, Jorge Turco, pegou a caixa, colocou-a na traseira de sua carroça e foi até o Lar Santa Inês fazer a entrega. O responsável pela instituição ficou surpreso ao se deparar com Jorge Turco todo sorridente andando pelos corredores com a caixa nos braços. Foi ao seu encontro e ouviu de Jorge Turco em alto e no tom que ele sempre falava:
       -Bam dia prafessor! Jorge Libanês e não turca hein, veio traz para bocês a cesdinha de natal como faz todo ano! Esbera que bocês gostem e reze bastante bra Jorge ganhar muita dinheirinha na ano que vem!
       O responsável recebeu a caixa das mãos de Jorge Turco ainda incrédulo e boquiaberto, pois contrariando os dizeres do benfeitor, essa era a primeira vez que ele estava fazendo a doação.
       As doações recebidas eram colocadas em um depósito e só ao final do recebimento os colaboradores montavam as cestas que seriam doadas. Como Jorge mandou os produtos dentro de uma caixa o pessoal teve que abri-la para separar os produtos, foi de onde veio a surpresa e a constatação de que a bondade e a caridade de Jorge Turco eram mesmo de se estranhar.
       Dentro da caixa além de sal, macarrão, rapadura, sabão em barra, sabonete, gel, arroz e feijão, encontraram a lista com as anotações de Jorge Turco assim dispostas:
 
LAR SANTA INÊS – PRODUTOS DA CESTA DE NATAL
5 kg de arroz – bra que tanta arroz, faz jejum ni natal, Jorge só pode uma kilinha;
1 kg de feijão – dá venda, feijão sim é muita bom, Jorge bõe kilinha;
2 kg de sal – sal não faz bem pro saúde, aumenta pressão, Jorge bõe dambém uma kilinha;
2 latas de doce – doce tuda conserva, não é bom pro saúde dambém, come rapadura de gana do açúcar, mais docinho e gostosa;
2 Sabão em barra – ni natal não pode lava roupa, uma só barrinha pra janeiro.
1 sabonete líquido Lux-flower Gel; muita cara para Jorge, melhor substitui manda uma sabonete Lux e uma pote de gel.
 
Engodo de natal! E agora?

Cópia em branco! E agora?

11:33 AM, 1/12/2011

Cópia em branco! E agora?

       No escritório que divido com um amigo estamos sempre sendo surpreendidos por situações inusitadas. O manuseio de processos é um tanto quanto complicado no sentido de que se precisar de uma cópia de alguma página ou documento inserido no processo temos que retirar folha por folha até alcançarmos o objeto a ser copiado.
       Dia desses estávamos eu e meu parceiro concentrados na elaboração de uma contestação de uma Ação de Improbidade Administrativa que preliminarmente já possuía dois volumes, ou seja, aproximadamente duzentas e cinqüenta páginas. É muito papel!
       Para não fugir a regra, estávamos justamente no último dia para que apresentássemos a contestação e a correria é inevitável.
       Elaborada a peça processual é necessário que se faça a revisão de tudo que se escreveu para se ter a certeza que nada foi esquecido e que nenhum detalhe passou despercebido, o que com certeza pode comprometer em muito o trabalho.
       Observamos que em dado momento fizemos a citação de um documento incluso no processo e por economia processual resolvemos nos adiantar fazendo uma cópia desse documento anexando-o á contestação. O fato que o danado estava entranhado bem no meio de toda aquela papelada e lá fomos nós desfolhar o processo em busca do documento.
       Passado certo tempo retirado um tanto de folhas cuidadosamente para que nada saísse da ordem alcançamos o dito cujo. Eu estava com as duas mãos ocupadas, pois segurava ao mesmo tempo um dos volumes do processo e na outra as páginas retiradas enquanto meu colega se incumbira de fazer a cópia do documento.
       Ele apertou o botão copiar da impressora, aguardou e se espantou com a folha em branco. Repetiu a operação e mais uma vez outra folha em branco desceu pela impressora. Senti um suspiro de irritação e mais uma vez o acionar do botão copiar revelou mais uma página em branco.
       Já preocupado com a demora não me contive e perguntei:
       - O que está acontecendo meu caro? Por que essa demora para fazer uma copia?
       Ele por sua vez um tanto quanto irritado respondeu em tom áspero:
       - Essa desgraça dessa impressora! Recarregamos outro dia mesmo os cartuchos e pelo visto a tinta já acabou!
       Larguei tudo sobre minha mesa e fui até ele para auxiliá-lo:
       - Observe! Disse ele apertando mais uma vez o botão copiar.
       Mais uma vez outra folha em branco.
       Aborrecido questionei:
       - Não é possível! Logo agora! Me de o documento que vou até a papelaria fazer uma cópia, pois estamos em cima da hora!
       Rapidamente ele me entregou o documento que segurava em sua mão e eu ainda mais espantado o adverti:
- Você se esqueceu de um pequeno detalhe!
- O que foi dessa vez?
- Precisa colocar o documento na bandeja da impressora para que ela possa fazer a cópia!!!!!
 
Isso é um processo! E agora?
 
 
 

Peripécias etílicas! E agora?

12:23 PM, 17/11/2011

Peripécias etílicas! E agora?

       Amigo é coisa pra se guardar, assim dizia o poeta, tudo bem, mais daí a você ter que suportar o ônus dessas amizades pode ser constrangedor ou divertido. Prefiro extrair a essência da coisa toda e relatar somente o ocorrido sem pensar nas conseqüências.
       Conheci uma trinca que tirava um dia da semana para se encontrar e tomar uns goles e sempre aprontavam. Romeu, Elvis e Janota são amigos inseparáveis e inseparáveis também deles são as confusões. De tudo eles faziam, entravam em festas como penetras, iam a velórios para filar lanche e até nos bailes de formatura se ofereciam para ser garçom, entravam e largavam tudo de lado para caírem na farra.
       O mais atirado de todos era Romeu. Ele é quem puxava as brincadeiras e criava o linguajar que era comum aos três. Exemplo disso era a forma como se refiram á danada da cachaça, habitualmente pediam uma “cajubrina” uma “margosa” uma “marvada” uma “quente” e a última lançada por Romeu que resolveu parecer sofisticado e passou a chamar de “tequila” a tal da cachaça.
       Dinheiro para essas estripulias era sempre regrado, mais uma coisa era certa, a saída era para beber então, comer era secundário. Sempre se enfiavam em barzinhos modestos, pois, sabiam que nesses lugares o dinheiro fazia mais fartura.
       Um dia, porém, resolveram alçar vôo mais alto e foram ao melhor bar da cidade de Viçosa. O lugar estava lotado e os três ficaram empolgados com toda aquela movimentação. Sentaram em uma mesa e Romeu para não perder o costume foi logo fazendo sua graça. Chamou o garçom e como se fosse cliente assíduo do lugar mandou de cara:
       - Capitão! Traz pra gente três tequilas!
       O garçom os atendeu prontamente e quando retornou á mesa com as bebidas, Romeu mais agitado ainda mandou:
       - Capitão! Pode trazer mais três tequilas!
       Como já disse, com o dinheiro contado não havia possibilidade de pedirem nada para comer, daí o jeito era encarar a receita que Romeu havia criado para tapear a fome e agüentar a noitada. Pasmem com isso mais é a mais pura verdade, Romeu fazia uma trouxinha com um guardanapo de papel e despejava nele, azeite, maionese, catchup, mostarda e sal e mandava para dentro como se estivesse saboreando a melhor das iguarias.
       Bom o certo é que depois de cinco rodadas de bebida e alguns guardanapos degustados eles resolveram pedir a conta. O garçom mais uma vez prontamente os atendeu e ao entregar a notinha ouviu um triplo grito:
       - PQP!
Romeu foi quem prosseguiu:
- O que é isso Capitão, nós bebemos quinze doses e você está nos cobrando o preço de dez litros de cachaça!
       O garçom educadamente respondeu:
       - Senhores! Os pedidos realizados por vocês foram de TEQUILA! Então os Senhores beberam quinze doses de tequila José Cuervo Especial e cada dose sai por R$ 8,00!!!!
 
Ai, ai, ai Compadre! E agora?

Com a boca na massa! E agora?

10:32 AM, 10/11/2011

Com a boca na massa! E agora?

         Zelito é um típico cidadão mineiro. Já aposentado, com os filhos todos já criados, porém sempre querendo mais. Daí inventou de produzir pastel em casa e sair vendendo pelas ruas do centro da cidade. Só que para ele, a coisa não poderia ser simples, ele não é vendedor de pastéis, ele é um industrial que produz, divulga e comercializa pastéis, o que é bem diferente.
         Logo cedo já é possível se ouvir Zelito pelas ruas do centro. Eu explico, é que no método Zelito de Venda e Divulgação de seu produto sua voz é o principal instrumento de trabalho, e, isso ele tem de sobra, pois possui um timbre altíssimo e não mede esforços para se fazer anunciar.
         Não bastasse a locução em alto tom, Zelito criou bordões que o acompanham em sua atividade, para uns, motivo de risos já para outros um exagero.  Mas para Zelito é marketing puro então, solta a voz:
         - AO PASTEL SISTENCIAL, É QUATRO POR UM REAL. COMI AQUI E VAI DIRETO PRO HOSPITAL!
         - AO PASTEL CASEIRO MEU POVO! COME AQUI E MORRE EM CASA!
         - AO PASTEL COM ALARME GENTE! TODO MUNDO GRITA PORQUE NÃO TEM CARNE!
         - AO PASTEL MOÇA BONITA, PODE SER CARNE OU QUEIJO, A QUE ACHAR GANHA UM BEIJO!
         Esses bordões são entoados o tempo todo sucessivamente aos gritos. Zelito tem um marketing agressivo e que incomoda muito os donos de lanchonetes e padarias, pois, o cara-de-pau entra nos estabelecimentos e oferece pastel para todo mundo.
         Dia desses o Manel Português da padaria perdeu as estribeiras com Zelito e saiu com ele na cabeça:
         - Escuta aqui o pá! Tu não me venhas com essa iguarias desafortunadas para dentro de meu estabelecimento cumercial, molestare meus clientes que aca estão, pois chamo o camburão mando recolher-te junto com esses malditos pastéis gordurosos para o xilindró!
         A princípio Zelito se assustou com a bronca, porém, não se fez de rogado, foi saindo mansamente da padaria, mas não perdeu a oportunidade e deu a resposta na lata para o Manel Português soltando a voz:
         - O PURTUGUEIZ INLOQUECEU! DEVE TA PASSANU MAL! MANDA VIM O CAMBURÃO QUE NUM TENHO MEDO DE PULICIAL! VAMU CHEGANU MEU POVO QUE O PASTEL TA QUENTINHO E É SÓ QUATRO POR UM, SO TRABAIADOR SEU PURTUGUEIZ CATINGUDO, NÃO SOU NIUM SETE UM!!!!
 
Amassa o caso! E agora?