14/1/2011 - Sobre o Ano Novo
Esse negócio de Ano Novo é engraçado. A gente se arma de um monte de expectativas, planos, projeta grandes viradas na vida, fazer e acontecer. Vai pra festa, faz contagem regressiva, se emociona com a virada do calendário. Aí, dia primeiro de janeiro, a gente se dá conta de que a louça que foi pra pia no ano passado continua lá. Que a carcaça do peru tá no tabuleiro. Que vai ter que dar um destino naquela comida toda que sobrou.
Mas eu não vim falar mal desse negócio de Ano Novo não. Vim comemorar um aprendizado recente, que vem de uns dois anos pra cá. Aprendi a viver o hoje. A estar, de fato, aqui e agora. Nas duas últimas viradas de ano não projetei nada do tipo "esse ano finalmente eu vou fazer isso ou aquilo". Passei pela festa, ela passou por mim e ficamos assim conversadas. Aí, passados uns dias, comecei a fazer um inventário do ano que terminou. E descobri que 2010 foi muito show pra mim. Sentei pra fazer a lista. Se eu tivesse projetado aquilo tudo, a encomenda não viria tão farta. Então, ao invés de pedir, agradeci. Comemorei. Reconheci. Me dei os créditos por ter vivido em movimento.
É sempre bom registrar esses lampejos de lucidez no olhar para a sua própria pessoa. Porque com certeza virão momentos em que a generosidade consigo será nenhuma e, perdido de si mesmo, precisamos lançar mão do lembrete registrado num pedacinho de papel: você realiza coisas. Você é legal. Você vale a pena.
A propósito, feliz 2011.
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