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12/2/2011 - CONTO DE FADAS PARA MULHERES DO SÉCULO 21
Era uma vez uma linda moça que perguntou a um lindo rapaz:
- Você quer casar comigo?
Ele respondeu: NÃO!
E a moça viveu feliz para sempre, foi viajar, fez compras, conheceu muitos outros rapazes, visitou muitos lugares, foi morar na praia, comprou outro carro, mobiliou sua casa, sempre estava sorrindo e de bom humor, nunca lhe faltava nada, bebia cerveja com as amigas sempre que estava com vontade e ninguém mandava nela.
O rapaz ficou barrigudo, careca, o pinto caiu, a bunda murchou, ficou sozinho e pobre, pois não se constrói nada sem uma MULHER.
FIM!!!
(Luís Fernando Veríssimo)
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8/2/2011 - Aos alunos da UFRJ: novo blog
Ainda estamos de férias mas venho postar uma novidade: criei um novo blog dedicado exclusivamente às questões acadêmicas. Pretendo usá-lo para manter, com os alunos, o contato que já iniciei por aqui. Como o blogspot tem um gerenciamento mais fácil para internautas não tão versados como eu, migraremos, com nossas pastas de papéis, vídeos e vozes, para outro endereço:
http://profclaudiacunha.blogspot.com/
Grande abraço!
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14/1/2011 - Sobre o Ano Novo
Esse negócio de Ano Novo é engraçado. A gente se arma de um monte de expectativas, planos, projeta grandes viradas na vida, fazer e acontecer. Vai pra festa, faz contagem regressiva, se emociona com a virada do calendário. Aí, dia primeiro de janeiro, a gente se dá conta de que a louça que foi pra pia no ano passado continua lá. Que a carcaça do peru tá no tabuleiro. Que vai ter que dar um destino naquela comida toda que sobrou.
Mas eu não vim falar mal desse negócio de Ano Novo não. Vim comemorar um aprendizado recente, que vem de uns dois anos pra cá. Aprendi a viver o hoje. A estar, de fato, aqui e agora. Nas duas últimas viradas de ano não projetei nada do tipo "esse ano finalmente eu vou fazer isso ou aquilo". Passei pela festa, ela passou por mim e ficamos assim conversadas. Aí, passados uns dias, comecei a fazer um inventário do ano que terminou. E descobri que 2010 foi muito show pra mim. Sentei pra fazer a lista. Se eu tivesse projetado aquilo tudo, a encomenda não viria tão farta. Então, ao invés de pedir, agradeci. Comemorei. Reconheci. Me dei os créditos por ter vivido em movimento.
É sempre bom registrar esses lampejos de lucidez no olhar para a sua própria pessoa. Porque com certeza virão momentos em que a generosidade consigo será nenhuma e, perdido de si mesmo, precisamos lançar mão do lembrete registrado num pedacinho de papel: você realiza coisas. Você é legal. Você vale a pena.
A propósito, feliz 2011.
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27/11/2009 - Resultados das eleições para diretor - Faculdade de Letras 2009
Habemus nova diretora!
Eis os números que garantiram - tanto no voto paritário quanto no voto universal - a vitória da Chapa 2:

Resultado – voto paritário
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SEGMENTO
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VOTANTES
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PROPORÇÕES POR CATEGORIA
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Eleitores
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CH.1
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CH.2
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N & B
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Total
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Quórum
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CH.1
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CH.2
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N & B
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Docentes
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169
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27
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124
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1
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152
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0,90
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17,76
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81,58
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0,66
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Técnicos
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96
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39
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39
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1
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79
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0,83
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49,37
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49,37
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1,27
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Alunos
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2949
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432
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846
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12
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1290
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0,44
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33,49
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65,58
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0,93
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Total
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3213
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498
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1009
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14
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1521
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proporções paritárias
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33,53954
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65,50914
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0,9513167
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28/10/2009 - Que tempinho, hein?
Doido, doido... chove, faz sol. Faz frio, faz calor. Pega cobertor, guarda cobertor. Ok, vamos nos ajeitando por aqui, São Pedro!
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10/4/2009 - Sexta-feira Santa II
Torá, Bíblia e Alcorão:
Livros diferentes, línguas diferentes, povos diferentes e uma só mensagem: ama quem tá do teu lado como teu irmão e, com humildade, reconhece que a tua liberdade termina onde a dele começa.
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10/4/2009 - Sexta-feira Santa I
Por Zeus, Ísis, Maomé, Buda, Gandhi, Krishna, Oxalá, Iansã, Isaías, Malaquias, Alá, Tupã, Jesus, Santo Expedito, pelos Ateus e o Estado Laico:
A diversidade existe, a variação linguística existe e a harmonia, entre tudo o que há, existe.
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28/3/2009 - Não-mulher
Tenho evitado escrever coisas muito pessoais no blog (isso de ser prof dá um trabalho danado quando a gente se expõe...rs). Mas como vontade é uma coisa que às vezes dá e não passa, vou postando aqui e ali trechos dos meus escritos. E faço como na TV: essa é uma obra de ficção. Qualquer semelhança com acontecimentos reais será mera coincidência...rs. Esse escrito é de 07/fev/09, com uns adendos de hoje mesmo:
Hoje me ocorreu que quero me aposentar de ser mulher. Mulher que não pode ser gorda. Mulher que não pode ser feia. Mulher que não pode ser as duas coisas senão fica sozinha. E mulher que fica sozinha é mulher que fracassou...rs. Para ser livre, eu tenho que alcançar esse estado de não-mulher. Ainda não sei como fazer isso. A atriz Vera Holtz, acho que conseguiu. Vi uma entrevista dela na tv e fiquei fã do desprendimento que ela alcançou do "Modelo Doriana" (que também pode-se chamar de "Modelo Supermercado Extra", com aquela musiquinha da propaganda: "meu marido, meus filhos / minha casa, minha vida..."). Mas voltando à Vera Holtz. Passou dos cinquenta, sem casamento, sem filhos. Namora e diz não sentir absoluta falta de nenhuma das duas coisas. E não é uma Vera Fischer. Ela tem lá seus 50 e tantos e aparenta. Viaja pelo mundo e desfruta a vida. Não tem o discurso de "a família é tudo". É uma não-mulher, livre.
Vejam, amigas casadas: não estou pregando o fim da família nem negando o valor todo que ela tem (lembrem que tenho pai, mãe e filhos peludos...rs). Apenas quero trazer à tona outros modelos de vida e de família. E quero dizer ao Extra que os solteiros também fazem compras lá! Façam músicas pra esse público também! rs... E quero lembrar que o conceito de família hoje é mais amplo que há tempos atrás. Hoje se entende que "uma entidade familiar ultrapassa os limites da previsão jurídica (casamento, união estável e família monoparental) para abarcar todo e qualquer agrupamento de pessoas onde permeie o elemento afeto (affectio familiae). Em outras palavras, o ordenamento jurídico deverá sempre reconhecer como família todo e qualquer grupo no qual os seus membros enxergam uns aos outros como seu familiar." É, tá na constituição! Citando ainda Leonardo Barreto Moreira Alves, promotor de justiça do Estado de Minas Gerais:
Ocorre que, muito recentemente, em 07 de agosto de 2006, foi sancionada a Lei no11.340/2006 (conhecida como Lei Maria da Penha), que, apesar de ter como finalidade primordial a criação de mecanismos para coibir a violência doméstica e familiar praticada contra a mulher, acabou trazendo importante inovação no ordenamento jurídico nacional no seu artigo 5o, II e parágrafo único.
Desde já, para tornar ainda mais claro o debate, passemos à transcrição do dispositivo supra aludido:
"Art. 5º Para os efeitos desta Lei, configura violência doméstica e familiar contra a mulher qualquer ação ou omissão baseada no gênero que lhe cause morte, lesão, sofrimento físico, sexual ou psicológico e dano moral ou patrimonial:
I – (...);II - no âmbito da família, compreendida como a comunidade formada por indivíduos que são ou se consideram aparentados, unidos por laços naturais, por afinidade ou por vontade expressa (...).
Parágrafo único. As relações pessoais enunciadas neste artigo independem de orientação sexual".
Mas o suprassumo da não-mulher tem aparecido pra gente mesmo é na tv. Quem sabe as moças modernas e resolvidas não fazem como as ricaças de novela que empregam um motorista / secretário / assistente que faça as vezes de acompanhante, homem do lar e de pequenos prazeres? Afinal, essa nossa independência tem de servir pra mais algumas coisas, né não..rs!?
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A referência da citação jurídica:
http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=9138
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28/10/2008 -
Chá verde, Peixe, Salada, Esteira e Abraços:
Essa combinação tem sustentado o meu bem estar!
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18/8/2008 - Bichos na família II
A gente que tem bicho precisa de vez em quando fazer umas "ações afirmativas". Sério. Os casados contam enternecidos as singularidades de seus parceiros, os pais se deliciam falando dos filhos e, quando chega a nossa vez, as reações são diversas: vai da indignação (pô, tô falando de criança você vem falar de bicho?!?) à condescendência de quem, se sentindo adulto, nos olha como se não tivéssemos conseguido sair da infância... rs. Ultimamente ando me rebelando. A exemplo de uma amiga minha, quero reconhecimento social (e cordial) dos meus bichanos. Ela me diz: "ai do familiar ou grande amigo que me ligue e não pergunte do Puig!" É, Puig faz parte da família. Agora quando me dizem: "ah, você não precisa se preocupar com nada, não tem família!", eu respondo: "pera lá, tenho dois gatos pra criar!". É, é isso mesmo... rs. Tem que dar comida, afeto, levar no médico, cumprir a cartela de vacinação, botar pra fazer exercício, educar - é, educar! -, ajudar na passagem pra idade adulta (castrar ou deixar cruzar e resolver o destino dos filhotes), amparar a velhice, medicar, operar, cuidar e, quase inevitavelmente, se preparar pra ver esses grandes companheiros partirem antes da gente, depois de 14, 15 anos de convivência. E dá felicidade fazer tudo isso, porque amamos e somos amados pelos nossos totós. Na campanha pelo reconhecimento de todos os modelos de família, aviso aos navegantes: filho gato também vale.

Lia Branquinha e Preto
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18/8/2008 - Bichos na família I
Podia ser propaganda de Mastercard, né? Esse foi o bolo de casamento da minha prima Aline e do Adriano. Como membro da família, a Vida - a cadela dos dois - não podia ficar de fora. "Assistir ao casamento dos seus pais - não tem preço."

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3/2/2008 - Carmen versão praiana
Meu amigo Pedro pergunta: É Carnaval e cadê você de Carmen Miranda nas ruas? Tô de Carmen sim, mas em versão praiana! Então deixa eu contar de como a Carmen Miranda (carioquíssima!) se comprazia em, a bordo do seu maiô, largar o corpo ao sol e se lançar ao mar – porque esse é um dos meus prazeres e ando seguindo à risca a operação. Só que, folheando a biografia do Ruy Castro à cata de uns trechos pra citar, não resisti a ir um pouquinho além. Lá vai.
1925: Carmen, com 16 anos, se enamora de Mario Augusto Pereira da Cunha, remador do Flamengo, que, aos 24 anos, era, aos olhos da pequena, um banquete de atributos:
“Mario Cunha era bonito, queimado de sol e, com seu 1,81 metro, não se contentava em ser alto para os padrões da época – julgava-se ainda mais alto. E era forte à beça, tipo atleta de caricatura: os ternos bem cortados, quase sempre brancos, ressaltavam-lhe os ombros largos, o tórax amplo e os quadris estreitos, resultado do treinamento com o banco fixo de areia que usava para simular remadas. Para conquistar Carmen em uma das suas visitas à Principal bastaram-lhe um olhar e uma frase. Mas o olhar e a frase foram irrelevantes, porque foi Carmen, quase trinta centímetros menor que ele, quem decidiu deixar-se conquistar. Mario Cunha fazia seu tipo de homem, até o último milímetro.” (p.25)
Uma curiosidade para os flamenguistas (ainda que não praticantes, como eu):
“Seu pai, José Agostinho Pereira da Cunha, fora o jovem que, em 1895, perguntara numa roda de praia no Flamengo: ‘E se nós fundássemos um clube de regatas?’. E fundaram: o Clube de Regatas do Flamengo, que,ao incorporar o futebol em 1912, se tornaria o mais popular do Brasil.” (p.25)
Sobre os hábitos praianos da época:
“Em fim dos anos 20 começava no Rio o uso da praia a toda hora, para lazer ou mesmo volúpia, e não mais de cinco às oito da manhã, para fins ‘medicinais’. Com Mario Cunha para transportá-las, Carmen e suas irmãs abandonaram a velha praia do Boqueirão, a que iam a pé, de tão pertinho, pelas praias mais distantes e bonitas, na Urca, no Lido ou em frente ao Copacabana Palace, onde havia os melhores balneários – bares e restaurantes com acomodações para se tomar uma chuveirada e trocar de roupa. Os próprios trajes de praia estavam ficando galopantemente mais leves: caíam aqueles tétricos vestidos frouxos, com gola à marinheira e touca, e surgiam os primeiros maiôs, com um saiote que deixava à mostra metade das coxas (e que logo seria também abolido, revelando a perna inteira). Carmen, coma boquinha em coração, axilas sem raspar e uma pinta a lápis que dançava em lugares diferentes do seu rosto, foi assídua personagem dessas transformações.” (p.26)
1940: em 1939 Carmen parte para os Estados Unidos, estréia numa revista teatral 12 dias depois e, na 1ª apresentação, com uma participação de ínfimos seis minutos no palco, conquista Nova Iorque e se transforma na ‘Brazilian Bombshell’. Em 1940, ela já é uma estrela consagrada na América e grava seu 1º filme na Fox – Serenata Tropical. (Isso tudo pra falar de praia, hein? Tenham fé! Rs)
“Carmen chegara à Califórnia no outono: sol ameno durante o dia, com um pouco de frio e nevoeiro à noite. (...) O sol podia ser ameno, mas Carmen e o Bando da Lua não queriam desperdiçar nem um raio dele e, nos primeiros domingos, chegaram a ir às duas principais praias da região, Malibu e Santa Monica. Ambas os decepcionaram. Malibu tinha uma faixa de areia ridiculamente estreita e pedregosa – além disso, ao se entrar no mar, davam-se dois passos e se caía numa vala; e Santa Monica era grande, mas sem graça e despovoada (...). Daí que o pessoal do cinema passasse o dia em suas piscinas particulares, e os que não tinham piscina usassem a do Beverly Hills Hotel – o que Carmen e os rapazes também passaram a fazer.” (p.273)
1942: A pequena se muda definitivamente para Los Angeles
“Como ganhava muito dinheiro, era preciso gastá-lo. Assim, nos últimos meses de 1942, investiu parte dele numa casa para ela e sua família, num endereço que, por sua causa, ficaria famoso: North Bedford Drive, 616, em Beverly Hills.
(...)
A de Carmen era uma boa casa, com sete salas no primeiro andar, mas nada de comparativamente especial. Até sua arquitetura, em falso colonial espanhol, era discreta. Tinha dois andares, quatro quartos (todos suítes, com banheiros individuais), salão com piano e bar, escritório, um jardim na frente e outro atrás, este junto à piscina e garagem para dois carros.”
(...)
Durante boa parte do ano, a vida social da casa se dava ao redor da piscina. A própria Carmen passava o tempo todo que podia à sua borda. Quando só havia mulheres presentes, aproveitava para se queimar por inteiro, usando apenas a parte de baixo do duas-peças e, à guisa de sutiã, uma boa camada de bronzeador Gaby. (Para sua mãe, o simples fato de Carmen expor-se perante as mulheres da família já tinha alguma coisa de pecado. Além disso, dona Maria preferia que Carmen ficasse ‘clarinha’.)” (p.346-7)
(Trechos de CASTRO, Ruy. Carmen: uma biografia. São Paulo: Companhia das Letras. 2005.)
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1/2/2008 - A propósito do Ano Novo
2007 foi o ano em que janeiro não veio, lembram-se? Três dias de sol, três míseros dias de sol no alto verão. Não era janeiro, com certeza. Então, pelas minhas contas – e pelo calendário solar carioca –, 2007 não terminaria no dia 31 de dezembro.
Mas quer saber? Como figurinha repetida não completa álbum e quem anda pra trás é caranguejo, deixa 2008 se manifestar como manda o figurino: estreando dia 1º de janeiro, sob os aplausos de uma platéia de branco e com tudo o mais que demanda o protocolo. Mas que fique registrado nos autos: temos direito a um janeiro de bônus! E quando o mês estiver por terminar (ih! Terminou...), a gente se manifesta e pede bis, que tal?
Em matéria de folhinha, melhor a vida possível que a improvável... Mas, como o possível é sempre passível de reinvenção, eu nos desejo a pequena ousadia de abrir modestas janelas por onde os ares de janeiro, seja em que mês for, possam se manifestar.
Estendo-lhes taças virtuais e brindo à celebração do deixar-nos estar, sempre que preciso, nas janeiríssimas varandas de 2008.
Beijos no coração de todos!
PS: Não é que janeiro, depois de tirar uma folguinha de uma semana, nublada e chuvosa, se manifestou, resplandecente, neste 1º de fevereiro? Não sei se alguém, além de mim, pediu bis – mas deu certo.
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19/4/2007 - Receitinha trivial
Ando com três palavras na cabeça (e na boca, porque basta vir uma ocasião em que elas caibam e as tais pulam pra fora). Se este fosse um texto com as pretensões grandiosas de um best-seller da auto-ajuda, eu as chamaria de “as três virtudes para a convivência”, ou “três dicas para chegar lá”... – mas, sem dúvida, precisaria de algo muito mais vendável e os marqueteiros do ramo não me deixariam só. Como blog é blog (seja lá o que for um blog), as três palavras, que falam por si: simpatia, humildade e ousadia.
Simpatia para despertar no outro a vontade de estar com a gente. Sorrir, puxa vida, acessório indispensável! Tá, temos, sim, os nossos momentos carrancudos: há quem acorde insuportável, há quem não se deixe entregar ao sono porque carrega nos ombros o peso do dia... Mas chatice que dure 24 horas – me perdoem os especialistas – é doença, com certeza.
Humildade pra lembrar que, como no poema de Cecília Meireles, “há um fio do céu descido sobre o teu coração”: não estamos sós e ai de quem não tem a dimensão do seu tamanho, do espaço que ocupa e do seu entorno. Estando abaixo ou acima de nós, a pessoa com quem a gente interage merece ser olhada nos olhos. E com olho de cumplicidade, de interesse, olho de quem escuta de verdade, olho que enxerga e ao mesmo tempo se mostra.
Ousadia para ter o “a mais”, para fazer a diferença, pra não ficar emperrado diante dos obstáculos. E talvez até para criar os obstáculos, quando eles andarem escassos. Sabe aquele cara que a garota diz: “ah, ele é legalzinho, tão bonzinho...” e que sequer pensa em alçar da categoria de amigo para a de objeto de desejo? Pois é. Simpatiquinho, humildizinho... Te mexe, cara! Surpreende a garota! Faz o que ela não esperaria nunca de você! Ouse!
Resumindo:
Simpatia para estabelecer o contato,
Humildade para mantê-lo em via de mão dupla
E ousadia sempre, para ir além.
PS: Na íntegra, o poema de Cecília Meireles, que vivo citando:
DESENHO
Pescador tão entretido
numa pedra ao sol,
esperando o peixe ferido
pelo teu anzol
Há um fio do céu descido
sobre o teu coração:
de longe estás sendo ferido
por outra mão.
(MEIRELES, Cecília. Flor de poemas. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1972.)
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6/4/2007 - Vocações
Muitas vezes moram dentro da gente uma, duas, dez mil vocações (!) e elas aparentemente têm a forma de asterisco: cada uma aponta pra uma direção. Vejo, em alguns dos olhos que estão diante de mim todas as semanas, essa multiplicidade se virando em conflito, em necessidade urgente da escolha de um só rumo, de um caminho definitivo. Cá pra nós, isso é, no mínino, mais uma das peças que o século 21 vem pregando na gente: expectativa de vida de 70 a 80 anos e os calouros de 2007, lá pelos seus 17, 18 anos, diante da responsabilidade de “virar gente grande” e “tomar um rumo na vida”. É isso, amigo, fez a inscrição e passou no vestibular? Pois selou um pacto definitivo: vai ser químico, professor, violoncelista ou fisioterapeuta pelos próximos sessenta anos!
Mas devagar com o andor que as coisas não são bem assim. Você pode viver um caso de amor com seu violoncelo ou se apaixonar repetidamente por pipetas, lâminas e microscópios até completar bodas de ouro. E sem “puladas de cerca” (aquele que diz “larguei tudo e fui fazer teatro por dois anos”), sem tédio, com entrega e recriando, descobrindo e redescobrindo, até o fim, os encantos desse casamento.
Ou, por outra, você pode viver mais de um amor. Afinal, quem de nós é um só? Não resisto a citar o Mário de Andrade: “eu sou trezentos, sou trezentos-e-cincoenta / mas um dia afinal toparei comigo...”. Com a equação certa – que é feito prescrição médica, adequada a cada indivíduo – as vocações podem todas se realizar. Seja co-existindo, se sucedendo, se alternando... e a gente pode até chegar à conclusão de que existe uma ligação entre elas, uma comunhão sutil ou cristalina no interior do caos asterístico.
Eu, que sempre vivi duplamente entre a dança e as letras, também fui e sou tragada, em alguns momentos, pela premência da escolha nas duas carreiras. E ouvindo de lá e de cá: “uma coisa não tem nada a ver com a outra”, “não se pode querer ser tudo” e mais outras frases que compõem esse repertório. Solução prática e ideal para a duplicidade ainda não achei. Mas achei, há algum tempo, o ponto de interseção entre a vida acadêmica (as ditas letras – a poesia, a fonologia, a prosódia...) e a vida dançante (as aulas, os salões, as músicas...). Foi quando escrevi o texto aí de baixo e fiquei, serenamente, apaziguada.
Dançar é a comunhão perfeita entre a melodia e o ritmo que pertence a cada um de nós com as músicas, os sons que nos oferece o mundo.
Bata forte no chão com os pés na mesma cadência que um surdo, "chacoalhe" os ombros como pede um pandeiro na levada de um samba, desenhe com o corpo - cabeça, braços, mãos - as linhas de um violino num tango.
Fale uma frase devagar, fale rápido, sussurre, varie os tons (como quem ordena, como quem pede, quem debocha ou implora) e perceba os seus acentos, as mil inflexões que ela oferece, as muitas melodias que moram nela. Revisite a poesia brasileira:
"A mucama de iaiá canta um lundum /
tão bambo, tão molengo, tão dengoso /
que iaiá tem vontade de dormir".
Jorge de Lima fez poema ou música?
Fez arte repleta de canto, como é a língua nossa de todos os dias, porque "cantadas" são todas as falas do Brasil.
Tudo, dentro e fora de nós, é melodia e ritmo. Um suspiro em fá, o coração batendo em 4 por 4. Os sinos do meio-dia, os martelos na construção. O som metálico dos pés no tap pontuando as frases de um jazz. A linha sinuosa que a flauta desenha no ar, o sete-cordas subindo e descendo ladeiras, o "auxílio luxuoso de um pandeiro". A língua, a frase, o acento. Um muxoxo. Um beijo estalado. Tudo, dentro e em volta, música.
PS: Agora, se você se divide entre odontologia e artes cênicas, me eximo de comentários e fico esperando ansiosa as suas palavras reveladoras.
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21/3/2007 - De um a cem
Tem gente que sabe pegar os fatos do cotidiano e botar saborosamente no papel. Minha amiga Bianca é uma dessas pessoas. Cronista de mão cheia, não tem viagem de ônibus que passe por ela em branco. Atendendo ao meu pedido, ela deixou que eu postasse aqui o relato de uma dessas viagens bizarras:
De um a cem
Eu não sei por que essas coisas acontecem, vira e mexe algo inesperado ocorre comigo dentro de um ônibus, aparece cada uma... acho que é meu carma passar por isso. Só pode ser, não tem outra explicação.
Fazendo uma visita ao passado vejo que já aconteceram tantas coisas nessas minhas viagens de ônibus... Coisas engraçadas, tristes, estranhas... muitas inconveniências (!), coisas assim. No final do ano passado, por exemplo, peguei o 998 (Charitas - Galeão) e sentei no único lugar vago, ao lado de um cara que estava fazendo uma rede de pescar. Tem noção?! Fazer uma rede dentro do ônibus! Mas até que foi interessante ver como é feita uma rede.
Quando cursava o 1º grau, sempre me sentava nos bancos da frente e os idosos que se sentavam ao meu lado começavam a conversar comigo e, como dava atenção pra eles, me contavam quase tudo de suas vidas. Por causa disso passei a me sentar mais para trás. Livrei-me dos velhinhos (falo velhinhos com o maior respeito), mas não das outras pessoas... Sempre aparecem uns engraçadinhos que enchem a paciência. E aquelas pessoas que sentam, olham pra você e logo perguntam as horas? Pode ter certeza que elas têm papo para a viagem toda.
Acho que posso escrever um livro só contando esses episódios de minha vida e, se um dia eu escrevesse realmente, a primeira história do livro seria essa que vou contar agora.
Foi em 2001.Um dia, por volta das cinco e meia da tarde, peguei um ônibus para ir a um curso que fazia no Centro de Niterói. Me sentei e logo uma senhora se sentou ao meu lado. Até aí, beleza. Chegando na metade do caminho entrou um grupinho de estudantes que, se não me engano, eram da APAE – é a APAE que ajuda as pessoas com problemas psicológicos? – Bem, o grupo era de pessoas com problemas psicológicos, mas não tão graves. Quando os vi entrando dei graças a Deus por ter alguém do meu lado, pois parece que tenho um ímã para essas pessoas. O grupo passou e um deles, um garoto gordinho, olhou para mim.
Na parada seguinte a senhora que estava ao meu lado desceu e adivinhem quem foi me fazer companhia?
- Oi, tubo bom?
- Tudo. (Esse “tudo” saiu naquele tom bem desconfiado).
- Meu nome é (?) – desculpem-me, não lembro o nome do garoto, porém suspeito que fosse Carlos) – e o seu?
Sempre penso em não dizer o meu verdadeiro nome, mas de que me adianta mentir se estou lá, que é bem pior?
- Me chamo Bianca.
- Ham...
Nessas horas passa tudo pela minha cabeça e a indecisão? “Vou descer! Não, não vou descer!” Dá um nervoso...
- Eu sei contar até cem!
(Aaaaaaaaaahhhhhhhhh!!!!! Desespero total!) “Putz! Ele vai contar de um a cem agora...”.
- Não, eu sei contar até cento e dez! Quer ver? Cento e um, cento e dois, cento e três...
E eu comigo mesma: “Ao menos começou pelo cem!”
- Viu? Cento e dez.
- É...legal.
- Você sabe fazer antena?
- Antena?
- É, antena. Eu sei.
- Pôxa, eu não sei. É difícil fazer antena?
Às vezes acho que quem não regula bem sou eu que dou trela.
- Não...é fácil. Dá pra fazer umas dez por dia. Você podia aprender, quer? Eu te ensino.
- Ah não, obrigada. Não conseguiria fazer antenas, eu sei que não.
Um minuto de silêncio... Os colegas dele começaram a implicar.
- Fulano tá namorando! Fulano tá namorando!
Imaginem a minha cara! O ônibus com quase todos os bancos ocupados... Que mico! Ele riu e continuou com as suas perguntas. Isso com menos de cinco minutos para eu descer.
- Você vai pra onde? (Engraçada a pergunta, bem de-va-gar...)
- Vou estudar.
- E você estuda o quê? (Também devagar)
- (Respirei fundo) Um bocado de coisas. (Bem rápida).
- E não aprende a fazer antena?
- NÃO.
Me arrependi da rispidez.
- Um pena, né?
- É...Eu sou vascaíno, e você?
- Não tenho time. (Tem graça que eu ia dizer que sou Flamenguista... EU não sou louca!)
- Você podia torcer pro Vasco, ele tem um timão.
Falou os nomes de todos os jogadores – bem, acho que falou. Meu ponto! Nem acreditei.
- Tchau, vou descer aqui.
- Mas já?
- (HÁ!) Já, preciso ir.
- Tá...então tá. Até amanhã!
(Hã? Amanhã?)
- Até!
Mal sabia ele que eu ficaria semanas sem pegar aquele ônibus naquele horário, ou horários próximos – Ah! Sou boba? Vai que ele pegasse o ônibus um pouco mais cedo ou mais tarde? Nunca mais o vi. O que é muito bom! Imagine só se ele lembra de mim e quer me dizer até quanto ele sabe contar agora? Hum! Ninguém merece!
Bianca Florencio de Aguiar
(03/04/2004)
Com a colaboração de Cláudia Cunha – minha grã-revisora.
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18/3/2007 - O ano em que o verão não veio
Eu já tinha batizado 2007 assim, de “o ano em que o verão não veio”. Pois o verão chegou em março e contrariou as minhas frustrações metereológicas. Mas, pensando bem, verão em março vale? Sei não... acho que é o mesmo que Carnaval que não cai em fevereiro. Verão que é verão esturrica a gente assim que janeiro põe a cara de fora, estoura os termômetros de Copacabana a Bangu e nos faz mergulhar na doce lassidão dos trópicos, reclamando do calor, mas sentindo por dentro um indisfarçável orgulho de viver numa cidade que, literalmente, ferve. A ferveção chegou em março e deixou os turistas menos bronzeados e o Atlântico não tão azul. Mas quer saber? Carioca é adaptável, safo demais pra se deixar abalar por um calorzinho que faltou: descansamos em janeiro, nos esbaldamos em fevereiro e, nos intervalos do trabalho (já começou o ano mesmo?), torramos na areia sob o sol de março. E se as tais águas de março atrasarem também, é só mudar um pouquinho a letra da música e começar o ano, pra valer, em maio – porque, convenhamos: não dá pra cantar “são as águas de abril fechando o verão”, né?
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24/2/2007 - Carmen Miranda na Avenida: muito bem lembrado!
Contribuição mais que bem-vinda do meu amigo Laudio: Carmen já foi enredo de escola de samba (difícil desapegar do tema, mas, vamos e venhamos: ainda estamos no sábado do desfile das campeãs e, com certeza, na Bahia e nos corações sambistas e frevistas ainda é Carnaval).
GRES Império Serrano
Carnaval 1972 - Alô Alô Taí Carmem Miranda
Autores: Heitor Achiles, Maneco e Wilson Diabo
Uma pequena notável
Cantou muito samba
É motivo de carnaval
Pandeiro, camisa listrada
Tornou a baiana internacional
Seu nome corria chão
Na boca de toda gente
Que grilo é esse
Vou embarcar nessa onda
É o Império Serrano que canta
Dando uma de Carmem Miranda
Cai, cai, cai, cai
Quem mandou escorregar
Cai, cai, cai, cai, eu não vou te levantar, ôba
Vale a visita: http://www.imperioserrano.com/
E como sou portelense, taí o link do site caprichadíssimo da azul e branco de Oswaldo Cruz e Madureira: http://www.gresportela.com.br/site/index2.php
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24/2/2007 - O que é que a baiana tem?
Com esta música Carmen lançou Dorival Caymmi e se vestiu pela primeira vez de baiana, para cantar a canção no filme 'Banana da Terra', que chegou aos cinemas no início de 1939. E Caymmi fez o serviço completo, no relato de Ruy Castro:
Explicou-lhe o significado de certas referências da letra. O torço de seda era o turbante; o pano-da-costa, o xale.
Um rosário de ouro
uma bolota assim
Quem não tem balangandãs
Não vai no Bonfim...
Os balangandãs eram pencas de figas e amuletos feitos de metais nobres, lavrados por finos ourives, e de quaisquer objetos de ferro, madeira ou osso que representassem um pedido ao santo ou o pagamento a uma promessa. Quemos usava eram as formidáveis negras do partido-alto da Bahia, ex-escravas que tinham ouro e prata escondido em casa. E a própria palavra balangandã, por mais sugestiva, era uma novidade: exceto dicionaristas, ninguém a conhecia no Rio. (Muito menos o seu sinônimo ou variante: berenguendém.)
O filme se perdeu, mas as fotos da estréia do traje ficaram:

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Sobre o blog
Este é um espaço para falar das Letras, das Artes e do que mais vier por aí. Bem-vindos e bons cliques!
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