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Colonização da América

08:58 AM, 14/9/2010 .. 0 comentários .. Link

Processo de ocupação territorial, povoamento e exploração comercial do continente americano pelos europeus iniciado logo após o descobrimento da América. Na busca do caminho para as Índias (nome genérico dado ao Oriente), Cristóvão Colombo chega à América em 1492. Dois anos depois, o Tratado de Tordesilhas divide o controle do Novo Mundo entre portugueses e espanhóis. Nos anos seguintes, espanhóis, portugueses, franceses, ingleses e holandeses disputam o domínio do novo continente e sua exploração nos moldes do mercantilismo europeu.

De maneira geral, as colônias européias na América dividem-se em colônias de exploração e de povoamento. As primeiras caracterizam-se pela grande propriedade, pela monocultura e pelo trabalho escravo. Especializam-se na produção de metais preciosos e gêneros agrícolas para abastecer o mercado europeu, como é o caso da colonização espanhola e portuguesa e da inglesa no sul dos EUA. No segundo tipo de colônia predominam a pequena propriedade, a policultura e a mão-de-obra familiar. A produção destina-se ao mercado interno. Um exemplo é a colonização inglesa na região conhecida como Nova Inglaterra, nos EUA.

Colonização espanhola – Inicia-se com a conquista das ilhas do Caribe no final do século XV e começo do XVI. Com o contato dos espanhóis com as civilizações pré-colombianas, as populações nativas são praticamente exterminadas por causa das guerras, das doenças e da exploração de mão-de-obra. O processo é semelhante em todo o continente. No México, os astecas são arrasados em 1519. No Peru, a conquista e a destruição do Império Inca começam em 1532.

A exploração das minas de metais preciosos é a principal atividade econômica das colônias espanholas. Sistemas de trabalho forçado garantem a utilização de mão-de-obra indígena. Por meio do repartimiento, a terra é dividida entre os colonos, e, pela encomienda, é entregue a eles certo número de índios. Na região andina, pelo sistema da mita uma parcela da população das comunidades indígenas é deslocada temporariamente para o trabalho compulsório nas atividades mineradoras. A Casa de Contratação, criada em Sevilha em 1503, detém o monopólio das mercadorias comercializadas entre a Espanha e a América. A administração dos territórios é distribuída entre os quatro vice-reinados (Nova Espanha, Nova Granada, Peru e Rio da Prata) e as três capitanias gerais (Cuba, Guatemala e Venezuela). A fragmentação após o processo de independência da América Espanhola dá origem às atuais nações.

Colonização portuguesa

Com o declínio do comércio na Ásia, Portugal passa a ocupar definitivamente o território brasileiro, com a implantação das capitanias hereditárias e a instalação de sesmarias. A partir do século XVII, a pecuária, a mineração e as atividades missionárias expandem a ocupação para o interior.

Colonização inglesa

Começa em 1607 com a colonização da América do Norte. O povoamento ocorre por meio de colônias pertencentes à realeza ou territórios concedidos pela Coroa à iniciativa particular. No século XVII já estavam formadas as 13 colônias da Nova Inglaterra. Pequenos e médios proprietários, refugiados políticos e religiosos (protestantes calvinistas) instalam-se ao norte (Massachusetts, New Hampshire, Rhode Island e Connecticut) e ao centro (Pensilvânia, Nova York, Nova Jersey e Delaware). Formam pequenas propriedades baseadas no trabalho livre e no artesanato. Certa atividade industrial é tolerada no centro-norte por não competir com o comércio da metrópole. A região cresce economicamente e passa a escoar o excedente da produção para os mercados do sul. Mais tarde cria-se o comércio triangular: comerciantes da Nova Inglaterra fabricam o rum para ser trocado por escravos na África, que são vendidos no Caribe e nas colônias do sul. Nos territórios sulistas (Virginia, Maryland, Carolina do Norte, Carolina do Sul e Georgia) implanta-se a monocultura algodoeira, destinada à exportação. Desenvolve-se uma sociedade baseada no trabalho de escravos africanos e forma-se uma camada de ricos proprietários de terras e grandes comerciantes exportadores. Apesar de submetidas ao controle da Inglaterra, as 13 colônias instituem uma tradição de autogoverno, que será fundamental na luta pela independência dos Estados Unidos.

Colonização francesa

Os franceses instalam-se na América do Norte, nas regiões do rio São Lourenço e dos Grandes Lagos. Formam as colônias de Terranova, Nova Escócia e Nova França (Canadá) a partir de 1603. Québec é fundada em 1608 e Montreal, em 1643. A partir de 1682 vão para o vale do Mississippi (Louisiana) e fundam Nova Orleans. Para manter o controle das colônias, a Coroa francesa utiliza-se de autoridades locais. O povoamento é pequeno, e as colônias acabam servindo apenas como postos comerciais e estratégicos.

Fonte: www.geocities.yahoo.com.br

 

 

Colonização da América

Mais tarde, os conhecimentos acerca dos seus acidentes geográficos, clima e população demonstraram a extrema diversidade do continente. A evolução das sociedades americanas viria a destacar e aprofundar as suas diferenças, apesar das semelhanças dos seus processos históricos.

Um dos fatores de diferenciação é a diversidade étnica e cultural das sociedades americanas.

Trezentos anos de colonização desencadearam um processo migratório que se prolonga até nossos dias. Às comunidades indígenas, em si tão diversas em termos de desenvolvimento cultural, vieram juntar-se os colonizadores brancos e a grande massa de negros africanos trazidos à força como escravos. Esse processo contribuiu desigualmente para a formação dos perfis das sociedades nacionais.

Brancos, negros e índios distribuem-se desproporcionalmente de uma região para outra, tanto que se pode falar de uma América branca (a anglo-saxônica e os países do Prata), uma América índia (os países andinos), uma América hispano-índia (as áreas centro-americanas e o Paraguai) e uma América negra (parte das Antilhas), sem esquecer os países de mestiçagem multirracial, como o Brasil.

Além de línguas diferentes, os grupos populacionais que vieram para a América trouxeram outros elementos culturais de suas áreas de origem, o que explica a variedade de costumes, tradições c culturas populares do continente.

Mas o fator principal de diferenciação das sociedades americanas é, sem dúvida, o desenvolvimento econômico desigual, apesar de grande parte do passado colonial comum. O Período Colonial não marcou tão profundamente as áreas de colonização de povoamento como o fez com as de colonização de exploração. Mesmo nestas últimas, havia sensíveis diferenças entre as regiões de plantations escravistas e as de encomiendas, o que explica em parte a evolução distinta do campesinato na América contemporânea.

Os mais 150 anos de história independente e do posterior desenvolvimento capitalista vieram aprofundar as contradições entre as áreas americanas, sobretudo entre a América anglo-saxônica, que se tornou industrial e imperialista, e a maior parte do continente, chamado hoje de América Latina, integrante, junto com a África e a Ásia, do Terceiro Mundo. É nesta parte do mundo que, nos dias atuais, se desenvolve um processo agudo de lutas populares de libertação nacional, e nele a América Latina busca desempenhar papel fundamental.

O cenário cm que se desenvolvem as lutas de classes na América Latina forjou-se ao longo de três séculos de exploração colonial e de um período menos longo, porém mais predatório, de dominação imperialista européia c, depois, norte-americana. O latifúndio, a monocultura de exportação com as formas pré-capitalistas de exploração da mão-de-obra ainda constituem considerável parcela da realidade agrária de muitos países latino-americanos. A industrialização, concentrada em alguns setores de interesse do capitalismo internacional e realizada tardiamente, cm uma época em que a economia mundial já sc encontrava dominada pelo grande capital monopolista, não permitiu um desenvoÌvi1nento autônomo, e tornou os países latino-americanos extremamente dependentes dos pólos econômicos mundiais, c, conseqüentemente, das flutuações e crises do capitalismo internacional. Suas classes dominantes são constituídas por oligarquias agro-exportadoras ou grandes comerciantes e banqueiros aliados ao capital internacional, ou por fraca burguesia, até hoje incapaz de levar adiante um projeto nacional desenvolvimentista. O crescimento demográfico acelerado tornou mais agudos os problemas de sobrevivência de grande parte da população do continente.

A instabilidade política, decorrente do quadro de subdesenvolvimento e miséria de vastas regiões da América Latina, aumenta o papel político-institucional das Forças Armadas, em geral conservadoras, e torna a região vulnerável a toda sorte de manobras do imperialismo, desde os programas de ajuda econômica até golpes de Estado, realizados por elites militares educadas em centros de treinamento de oficiais norte-americanos. A falta de canais políticos de decisão e participação popular levou tanto a episódios de luta armada por parte de militantes do povo, quanto ao fenômeno do caudilhismo militar ou civil, seja sob a forma de ditaduras reacionárias, seja criando regimes progressistas. Nesse quadro, marcado pela violência, pelo militarismo e pelo autoritarismo, fracassaram os movimentos burgueses liberais de caráter reformista, que perderam a sua força ideológica.

Nem as ditaduras militares reacionárias ou progressistas, nem o reformismo burguês foram capazes de resolver os problemas fundamentais da América Latina. E a cada avanço do movimento popular, o imperialismo responde com táticas que vão do terrorismo e da repressão policial até o abrandamento das formas autoritárias, mas sem perder o controle da situação política.

Entretanto, nas últimas décadas, o imperialismo vem sofrendo derrotas e recuos em alguns países. A Igreja Católica já se coloca em muitas sociedades a favor dos pobres. Os movimentos populares ampliam a sua base social. A Revolução Cubana e a experiência socialista do Chile são dois marcos das lutas populares na América Latina e assinalam dois processos históricos distintos e que tiveram, também, soluções diferentes. Mais recentemente, a Revolução Nicaragüense mostrou outra forma de concepção e organização da luta popular pela libertação econômica e pela democracia.

Luta armada? Eleições? Pron1Jnciø1nentos militares? O futuro da América vai depender fundamentalmente dos rumos que tomarem os seus movimentos sociais. O continente, inquieto e explosivo, é um campo aberto aos processos revolucionários dos povos, no sentido da sua emancipação social e da sua redenção como homens.

O que está acontecendo na América só pode ser entendido a partir das raízes históricas da opressão e das lutas de libertação dos povos americanos. A História do continente americano nasceu e se desenvolveu seguindo dois caminhos diferentes: um junto ao povo e outro contra o povo. Como José Carlos Mariátegui, sabemos que "no conflito entre exploradores e explorados, na luta entre capitalismo e socialismo, a neutralidade intelectual é impossível". Este livro é uma tentativa de contribuir para uma melhor apreensão da realidade complexa e multifacetada de Nuestra América.

Fonte : historianet.com

 

 

 




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