Encontro (A.V.)

À despeito da magia natural que amar encerra,
Encontrar-te foi superior ao que se poderia chamar "beleza"
Edificar, lado a lado contigo, um templo da delicadeza,
Delicado relicário dos mais reluzentes tesouros
Que ditosa tornam a alma, com brilho superior ao ouro
Das mais cálidas vibrações presa, das mais eternas e radiosas.
Mais que ternuras, vejo encerrada a busca
Por perceber em ti a companheira nata
Por ver em teus olhos os olhos da amada
Que me faz adentrar em mim terras estranhas
Ao distinguir em nós afinidade tamanha
Cujos eflúvios remetem-nos à idéias doces, enlevadas.
Para dizer que te amo não bastam todas as palavras
Escapando de mim, em arrebatados turbilhões
Buscando traduzir a ventura de dois corações
Em beijos que se eternizam num dilúvio de madrugadas
Estrelas suavizam a despedida que se aproxima, esata
Calando de forma tão perfeita as dúvidas temporárias e fracas
Estarás em mim, da melodia ao estribilho
Do beijo doce à carícia ardente
Da amorável acolhida à mais urgente
Do trabalho no Cristo à indolência esparsa
Vendo-a florescer, tal como há tanto te sonhara
Abraço-a e beijo-a, surpreso, terno e rendido.
Como te descrever a força que hora me norteia
A fé que agora me anima a fronte
O motivo que me faz ampliar os horizontes
Enquanto quanto mais te conheço, mais me encanta
À medida que sua essência divina se impõe, se levanta
Dando-te uma beleza que mais que espanta: clareia.
(A.V. 03-03-2005)
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