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Anjos da Guarda
{ 12:07 AM, 30 November 2007 }
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Esse é um tema que sempre me encantou muito, mas não conseguia compreender exatamente o que eram os tais Anjos da Guarda que sempre ouvira falar desde a infância. A literatura esotérica e até os conceitos católicos, não passavam pelo crivo da minha razão, muito pelo contrário.
Um dia, porém, conheci o Espiritismo, Doutrina codificada por Allan Kardec, na França entre os anos de 1857 até 1869. Kardec era um cientista renomado, doutor em várias ciências, discípulo que aos 14 anos substituiu seu Mestre, Pestalozzi, na Universidade onde ele lecionava, enfim, alguém que como eu e muitos outros seres-humanos, não se convencem fácil com qualquer história fantástica e mística de seres alados, serafins e querubins.
Quando li pela primeira vez a primeira publicação de Kardec, chamada "Livros dos Espíritos", eu juro, toda minha vida mudou em definitivo. Nunca mais eu seria a mesma. Nunca mais (começo a chorar só de lembrar)... Bem, havia alí não só uma Doutrina, ou um roteiro de Luz e Libertação, mas o pedaço de mim que estava faltando e eu buscava incansavelmente, em todos os lugares. Não há como me reportar àqueles dias, há mais de 10 anos atrás, sem me emocionar muito.
Todas as minhas dúvidas existenciais, todas as respostas que eu buscava e nunca achava, por mais que buscasse, estavam alí... Claras como água cristalina. Firmes como uma rocha inquebrável. Lógica como a matemática mais elementar. Kardec foi um homem extraordinário. Um gênio insofismável... Como disseram seus biógrafos e estudiosos: "O bom-senso encarnado".
Houve no mundo um homem que tinha as mesmas dúvidas existenciais que eu tinha, houve no mundo um homem que pensava freneticamente, que raciocinava de forma extraordinariamente lúcida e que não temeu o novo, não recuou diante do aparentemente impossível, que não teve medo de quebrar paradigmas, nem de desfazer todos os sofismas religiosos que escravizaram, oprimiram e amedrontaram por séculos as almas deste planeta...enfrentou, com a alma de um verdadeiro cientista, o desafio de desvendar o que eram aqueles fenômenos que pareciam irreais, quem eram aqueles seres invisíveis que respondiam perguntas com tanta profundidade e sabedoria.
Foi assim, lendo o trabalho que Kardec fez com as mensagens mediúnicas que recebeu de médiuns de diversos cantos do mundo, que minhas dúvidas existencias foram respondidas. Nunca, em todos esses anos que estudo profundamente a Doutrina Espírita, eu encontrei uma só falha na lógica de Kardec. E foi isso que roubou minha alma para sempre...
Os Anjos da Guarda, portanto, deixaram de ser um mistério com ar esotérico e místico, deixaram de ser alegorias aladas, para se tornarem amigos incondicionais, verdadeiros pais espirituais, companheiros inseparáveis, fiés e próximos. Pude compreender a importância capital dos Anjos Guardiões, ou Espíritos Protetores ou Mentores, como preferirem, na nossa vida diária, cotidiana mesmo. Coisas que eu vivi por toda a vida, desde criancinha, tiveram uma explicação lógica, real, condizente com o que eu sentia tão intensamente. Sim, eu tinha um *amigo*, fidelíssimo, muito sábio, que me amava com um amor superior aos amores que eu conheci aqui na Terra, superior até ao amor da minha mãe. Não havia no mundo alguém que me amava mais do que aquele ser, e eu sabia, sentia-o em todos os momentos mais marcantes, os difíceis e os alegres, mas não entendia... Não entendia quem era aquele ser, o que era aquela presença tão intensa que muitas vezes chegou a quase ser física. Não entendia que energia de amor era aquela que nos momentos mais ásperos, das provações mais intensas, me envolvia como se desejasse me isolar do sofrimento, me acalentar carinhosamente e me dizer, sem palavras, que eu era amada, muito amada, e que acontecesse o que acontecesse, ele estaria comigo, irrevogavelmente.
Kardec conseguiu, com suas perguntas e as respostas dos Espíritos, me explicar exatamente, o que era aquele ser... Meu Anjo da Guarda. Meu amigo, meu pai espiritual, meu irmão, meu companheiro, meu nem sei, não existem papéis... Ele é simplesmente meu amor. Alguém que eu amo intensamente, e que me ama da mesma forma. Alguém que é capaz de entrar na minha mente e me guiar nas minhas mais importantes descobertas sobre mim mesma, alguém que me conhece tanto, mas tanto, que Deus permitiu que ele me guiasse por uma vida inteira... Confiou nele para me ajudar a sair daqui, vitoriosa.
É uma missão muitíssimo importante, que só é dada a Bons Espíritos, muito responsáveis, maduros, e que acima de tudo, têm uma capacidade de amar imensa e incondicional.
E vcs devem estar se perguntando: O que há, então, no livro de Kardec? Há muuuita coisa... Destaco, por agora, essa primeira parte:
489 Há Espíritos que se ligam a um indivíduo em particular para protegê-lo? – Sim, o irmão espiritual; é o que chamais de bom Espírito ou bom gênio.
490 O que se deve entender por anjo de guarda? – O Espírito protetor de uma ordem elevada.
491 Qual é a missão do Espírito protetor? – A de um pai para com seus filhos: conduzir seu protegido ao bom caminho, ajudá-lo com seus conselhos, consolá-lo em suas aflições, sustentar sua coragem nas provas da vida.
492 O Espírito protetor é ligado ao indivíduo desde seu nascimento? – Desde o nascimento até a morte e, muitas vezes, o segue após a morte na vida espiritual, e mesmo em muitas existências corporais, porque essas existências são somente fases bem curtas em relação à vida do Espírito.
493 A missão do Espírito protetor é voluntária ou obrigatória? – O Espírito é obrigado a velar por vós, se aceitou essa tarefa. Mas escolhe os seres que lhes são simpáticos. Para uns é um prazer; para outros, uma missão ou um dever.
493 a Ao se ligar a uma pessoa o Espírito renuncia a proteger outros indivíduos? – Não, mas não faz só isso, exclusivamente.
494 O Espírito protetor está inevitavelmente ligado à criatura confiada à sua guarda? – Pode ocorrer que alguns Espíritos tenham que deixar sua posição para realizar diversas missões, mas nesse caso são substituídos.
495 O Espírito protetor abandona algumas vezes seu protegido quando este é rebelde aos seus conselhos? – Ele se afasta quando vê que seus conselhos são inúteis e a vontade de aceitar a influência dos Espíritos inferiores é mais forte no seu protegido. Mas não o abandona completamente e sempre se faz ouvir; é, porém, o homem quem fecha os ouvidos. O protetor volta logo que seja chamado.
"É uma doutrina que deveria converter os mais incrédulos por seu encanto e por sua doçura: a dos anjos de guarda. Pensar que se tem sempre perto de si seres superiores, sempre prontos para aconselhar, sustentar, ajudar a escalar a áspera montanha do bem, que são amigos mais seguros e devotados que as mais íntimas ligações que se possa ter na Terra, não é uma idéia bem consoladora? Esses seres estão ao vosso lado por ordem de Deus,que por amor os colocou perto de vós, cumprindo uma bela, embora difícil, missão. Sim, em qualquer lugar onde estiverdes estarão convosco: nas prisões, nos hospitais, nos lugares de devassidão, na solidão, nada vos separa desses amigos que não podeis ver, mas de quem vossa alma sente os mais doces estímulos e ouve os sábios conselhos.
Deveríeis conhecer melhor essa verdade! Quantas vezes vos ajudaria nos momentos de crise; quantas vezes vos salvaria dos maus Espíritos! Mas no dia decisivo, esse anjo do bem terá que vos dizer: “Não te disse isso? E tu não o fizeste. Não te mostrei o abismo? E tu aí te precipitaste. Não te fiz ouvir na tua consciência a voz da verdade? E não seguiste os conselhos da mentira?” Ah! Interrogai os vossos anjos de guarda; estabelecei entre eles e vós essa ternura íntima que reina entre os melhores amigos. Não penseis em lhes esconder nada, porque eles são os olhos de Deus e não podeis enganá-los. Sonhai com o futuro. Procurai avançar nessa vida e vossas provas serão mais curtas;vossas existências, mais felizes. Vamos, homens de coragem! Atirai para longe de vós de uma vez por todas os preconceitos e idéias retrógradas. Entrai no novo caminho que se abre diante de vós. Marchai! Marchai! Tendes guias, segui-os: o objetivo não pode vos faltar, porque esse objetivo é o próprio Deus.
Aos que pensam que é impossível para os Espíritos verdadeiramente elevados se sujeitarem a uma tarefa tão árdua e de todos os instantes, diremos que influenciamos vossas almas estando a milhões e milhões de quilômetros. Para nós o espaço não é nada e, embora vivendo em outro mundo, nossos Espíritos conservam sua ligação com o vosso. Nós podemos usar de faculdades que não podeis compreender, mas ficais certos de que Deus não nos impôs uma tarefa acima de nossas forças e não vos abandonou sozinhos na Terra sem amigos e sem apoio. Cada anjo de guarda tem seu protegido por quem vela, como um pai vela pelo seu filho. Fica feliz quando o vê no bom caminho; fica triste quando seus conselhos são desprezados.
Não temais nos cansar com vossas questões. Ao contrário, procurai estar sempre em relação conosco: sereis mais fortes e felizes. São essas comunicações de cada homem com seu Espírito familiar que fazem de todos os homens médiuns, médiuns ignorados hoje, mas que se manifestarão mais tarde e que se espalharão como um oceano sem limites para repelir a incredulidade e a ignorância. Homens instruídos, instruí os vossos irmãos; homens de talento, elevai vossos irmãos. Não sabeis que obra cumprireis assim: é a do Cristo, a que Deus vos conferiu. Por que Deus vos deu a inteligência e a ciência, senão para as repartir com vossos irmãos, para fazê-los adiantarem-se no caminho da alegria e da felicidade eterna. São Luís, Santo Agostinho (mediunicamente).
Análise de Kardec:
☼ A doutrina dos anjos de guarda, velando sobre seus protegidos apesar da distância que separa os mundos, não tem nada que deva surpreender; é, ao contrário, grande e sublime. Não vemos na Terra um pai velar pelo seu filho, embora esteja afastado dele, ajudá-lo com seus conselhos por correspondência? O que haveria, então, de espantoso em que os Espíritos pudessem guiar aqueles que tomam sob sua proteção, de um mundo a outro, uma vez que para eles a distância que separa os mundos é menor do que aquela que, na Terra, separa os continentes? Eles não dispõem, por outro lado, do fluido universal, que liga todos os mundos e os torna solidários, veículo magnífico da transmissão dos pensamentos, como o ar é, para nós, o veículo da transmissão do som?
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