Anjo Azul | |
Depressão e Amor
{ 12:01 AM, 30 November 2007 }
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Hoje eu li um post de uma amiga e parei para pensar... Será mesmo que a Depressão está mais em alta hoje como dizem os especialistas, ou será que eles é que não sabem ao certo o que tinha antes por falta de estudos e registros? Fiquei então pensando... O que leva as pessoas a terem depressão?
Vcs sabem o que é sentir Depressão? Poeticamente é como estar num dia de Sol e derepente acontecer um Eclipse que escurece tudo... É como estar em uma piscina fresca num dia de verão, e derepente um buraco abre-se no fundo da psicina e tenta de sugar, sugar, sugar, e vc precisa fazer emergir de dentro de si uma força que nem sabia que tinha, para conseguir manter as mãos na borda e não afundar nas trevas sem fim... É sair para passear no bosque e derepente se ver no meio de uma tempestade, sem ter nenhum abrigo, no meio de um campo aberto e muitos raios... O que vc pode fazer? Ficar paradinho, quietinho, encolhido no chão, sentindo as gotas grossas de chuva baterem na sua cabeça, enquanto rezas para nenhum raio te atingires... Isso é ter depressão. É querer fugir, mas não saber para onde e nem como. Fugir de quê? Aí é a questão... O que causa a Depressão?
Muitos diriam que é sofrer alguma perda, como perder um namorado, um parente, um emprego, enfim, algo que lhe era caro, necessário, que lhe fazia feliz, lhe dava motivo para viver, para amanhecer com o Sol todos os dias.
Mas será mesmo isso que causa a Depressão? Talvez... Mas se perguntarmos para outro grupo de pessoas, eles falarão outra coisa... dirão que a Depressão existe porque existe a opressão, a violência, misérias de todos os tipos, maridos, pais ou governantes castradores e tiranos. E esses também estão certos... É verdade que vivenciar um contexto onde te obrigam a viver sob o jugo do despotismo alheio, trás estados depressivos intensos.
Só que outros ainda dirão que não, que nada disso leva à Depressão, que na verdade essa doença psíquica só existe porque o mundo está uma loucura! Guerras, fome, materialismo desenfreado, disputas em todos os lugares! Precisamos sempre sermos os melhores em tudo, com risco de perdermos nossos amores, nossas carreiras, nossa dignidade. Nós, "mulheres modernas", por exemplo, temos até inveja da Mulher Maravilha, porque ela tem super poderes, um avião transparente, está sempre rodeada de super-heróis para dividir suas tarefas, não sofre preconceito na Liga da Justiça por ser mulher, não tem filhos e nem um marido! Ah, quem nos dera podermos ser a Mulher Maravilha! Nossa vida seria muito mais simples, porque temos que ser não só a Mulher Maravilha, mas também a Mãe Maravilha, a Profissional Maravilha, a Esposa Maravilha, a Estudante Maravilha, enfim, temos que ser as melhores sempre, em todos os papéis, e ao mesmo tempo! E isso, como não poderia deixar de ser, é muito depressivo, desgastante, frustrante, porque inevitavelmente teremos falhas. Uma coleção delas, porque a realidade é uma: somos humanas, não super-heroínas em todos os papéis que desempenhamos na vida.
A pressão da disputa pelo lugar de número um está cada dia mais desenfreada, porque cada dia o mundo se torna mais exigente, e nós disputamos os nossos papéis como leoas disputando uma presa. Se falhamos como esposa, logo corremos o risco do marido buscar outra na rua. Se falhamos como mães, podemos perder nossos filhos para as drogas, para a rebeldia inconsequente. Se falhamos como profissionais, somos substituídas sem a menor cerimônia. Querem a perfeição e nós não somos perfeitos. Que grande dilema que leva qualquer um a estado de franco desequilíbrio emocional, porque trabalhamos sob pressão sendo seres imperfeitos, e as nossas naturais falhas podem trazer consequências sérias para as coisas e pessoas que mais nos são caras. Aí nos perguntamos, no auge do desespero: "Por que sou tão medíocre, incapaz e erro tanto? Por que só faço tudo errado, só faço sofrer os que amo e sou culpada de todos os males que me cercam?"
Porém, se analisarmos profundamente, veremos que tudo isso é efeito... São reações pessoais ao mesmo conflito íntimo. A tão alardeada "diferença dos iguais".
Temos os mesmos conflitos e necessidades porque somos todos seres-humanos, no entanto reagimos cada qual a sua forma, de acordo com seus contextos pessoais. Iguais na causa, diferentes no efeito.
E qual poderia ser, portanto, a causa? Ora, basta que analisemos os efeitos... Todos eles, se analisamos com profundidade e reflexão sobre si mesmo, levam a mesma causa.
Se colocamos algo ou alguém como o motivo de nossa vida, de nosso felicidade, de nossa razão de existir ao ponto de desejamos a morte e a destruição acaso isso nos falte, muito provavelmente é porque ainda não nos descobrimos, ainda não compreendemos no mais fundo da nossa alma que *nós*, o nosso crescimento, as nossas conquistas, as maravilhas que podemos e devemos fazer na vida, são motivos mais que suficientes para desejarmos viver, florescer, amar e brindar o Sol todas as manhãs!
Se quando perdemos algo ou alguém, nós nos perdemos junto, então é porque estamos perdidos de nós mesmos, não nos encontramos, não nos vemos, não nos percebemos, não nos guiamos, não nos amamos porque nem sabemos o que temos em nós que merece ser amado e destacado, que merece florescer e engrandecer. Não conseguimos nos olhar no espelho e vermo-nos com olhos de amor, de admiração, como um ser com potenciais inimagináveis e uma capacidade de superação incrível! Nós temos que ser o nosso maior motivo de viver, o nosso maior investimento, a nossa maior realização. A falta de amor pelo nosso mundo interior, nos transforma, inevitavelmente em dependentes emocionais do mundo exterior. Precisamos dos outros para nos apontarem as virtudes, precisamos do outro para nos dizer como somos lindos e dignos de amor, precisamos do outro para nos dizer o quanto somos maravilhosos. E quando aqueles que nos trazem segurança se vão, ficamos sem chão, porque não aprendemos a nos conhecer, a vermos por nós mesmos as nossas virtudes, o quanto somos capazes de toda as conquistas que desejarmos, de sustentarmo-nos, emocionalmente, por nós mesmos. Encontramos a felicidade em nós, e não nos outros, nas coisas, no mundo.
E assim para todos os outros conflitos. Se nos amamos, nos respeitamos, nos conhecemos como um ser-humano digno de realizações, de crescimento, felicidade, amor e sonhos, nós não permitimos que nos violentem, que nos oprimam, que nos massacrem externa e internamente. Conseguimos nos impor amorosamente, mansamente, com firmeza e segurança. Conseguimos dizer "não", "basta", "não quero mais sofrer"...
Da mesma forma que, se nos amamos, se desejamos explorar a maravilha que é nosso mundo íntimo, logo percebemos que apesar de todas as maravilhas, temos também muitas dificuldades, pontos escuros, limitações de todos os tipos. Mas se nos amamos, também nos aceitamos, e além disso, desejamos ardentemente a melhora, o crescimento, a superação, a felicidade. Se nos amamos, buscamos a melhora, não a perfeição, porque encaramos com maturidade as nossas dificuldades, e trabalhamos para superá-las, cientes de que a perfeição, entre nós, seres-humanos, é mera questão de prisma pessoal, de interpretação imperfeita de seres imperfeitos.
Um ser imperfeito só consegue ver a perfeição que a sua imperfeição alcança... Como não há seres perfeitos, não pode haver noção perfeita de coisa alguma. Ninguém chegou no alge de nada... Todos somos aprendizes e mestres uns dos outros. Sempre. Por isso, se alguém nos exige perfeição, se querem nos moldar às suas verdades pessoais, se querem que sejamos o número 1 sempre, não nos sentiremos mais incapazes, frustrados, depressivos com nossas falhas, nem assumiremos toda a culpa do mundo. Teremos consciência que o problema não está com a nossa imperfeição, mas com a imperfeição daquele que exige, porque ela o deixa tão limitado que ele é incapaz de perceber a beleza das diferenças, a magestade das Verdades dos outros, o brilhantismo que tem no ato de colocar-se no lugar do outro para tentar entendê-lo e perceber que há muito, mas muito além do que ele pode ver e sentir...
Portanto, falta de auto-amor, de auto-respeito, de auto-admiração, de encantar-se e empolgar-se consigo mesmo é o que nos coloca, na maioria dos casos, em estado íntimo de depressão, de frustração, de decepção conosco, com a Vida, com o mundo...
Impressionante como, ao analisarmos os conflitos que assolam à todos, em todas as épocas, geralmente nos deparamos com o conselho mais sábio e completo de todos os tempos:
"Amar a Deus sobre todas as coisas, e ao próximo *como a si mesmo*". { Postar um Comentário } { Última Página } { Página 47 de 122 } { Próxima Página } |
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