Anjo Azul | |
De quem é a Verdade, quando ainda lavam-se as mãos?
{ 12:04 AM, 19 October 2007 }
{ 0 comentários }
{ Link }
Lendo ainda o livro do Gandhi, me deparei com algo que o incomodava, e que também incomoda-me muito. A hipocrisia e a arrogância dos religiosos. Eu participei por algum tempo de algumas listas de discussão do Yahoogrupos, e me espantei, logo no início, na facilidade que as pessoas tinham em serem rivais! Professavam a mesma fé, estavam alí dispostos a estudarem juntos, trocarem experiência de fé, mas no fim virava uma rivalidade que não existe entre muitos que são de religiões diferentes! Mas de tudo o que sempre me enojou mais (e essa é a palavra), era a forma como brigavam. Palavras doces, amistosas, mas carregadas de alfinetadas, julgamentos e tudo que a arrogância permitia. Vi algumas pessoas fazerem tremendos malabarismos com as palavras para ferirem com expressões doces e polidas... Então deixei, em definitivo, de participar desses debates, porque percebi que no fim, não valia a pena. Meu tempo é curto demais para me dar ao luxo de ficar, dia após dia, vendo meus irmãos Espíritas cada vez mais amaranhados no jogo sórdido da rivalidade mascarada de tudo que a hipocrisia possa criar. Mas comecei a sentir falta da interação, de poder debater sobre a Doutrina, como tanto adoro fazer. Poder estudar, sentir minha cabeça ferver diante de um argumento que toque meu íntimo, passar madrugadas acordada refletindo sobre novos pontos de vista! Mas quando lembro da parte ruim, o desânimo vem... Então eu tinha pensado em algo menos pessoal de minha parte, em conversar com pessoas que não são amigos, mas que estejam precisando conversar, ou coisa do tipo... Mas como eu consigo não ser pessoal? Impossível... Eu *não consigo* ser impessoal, não me envolver, não desejar estar mais próxima... Essa é uma característica minha e não posso mudar, mas, enfim, posso tentar buscar um lugar que seja o equilíbrio entre o pessoal e o impessoal... Se eu pudesse falar na Doutrina Espírita, seria ainda melhor, mas em se tratando de Filosofia, eu ficaria satisfeita se eu precisasse me ater só à mensagem cristã, sem um molde doutrinário. O problema é que as listas evangélicas ou católicas estão na mesma situação que as Espíritas, muitos egos, muitas "verdades absolutas", muito pouca gente interessada em partilhar, com interesse mais em divulgar suas próprias verdades, e ai de quem tenha uma verdade diferente! Assim não me interessa, igualmente, não porque ache que não tenho dificuldades, ou porque quero fugir das dificuldades alheias, mas porque acho que há dificuldades mais urgentes que a hipocrisia e a arrogância. Há muitos que choram, como eu mesma, perdidos, porém dispostos a encontrar a saída de suas dores, desejando amizade e partilha, pra que eu perca tempo com quem ainda se compraz em suas dificuldades e sequer aceita a idéia de que tem dificuldades, e pior, que agride aquele que é diferente dele. Nem Jesus deu moral para os que estavam desse jeito, por que eu vou dar? Ele se ateve a ajudar aqueles que, não obstante suas dificuldades e torpezas morais, suas dores e desenganos, estavam dispostos à mudar e amar, a crescer e buscar sua luz íntima, que vencidos, compreendiam a pequenez que todos somos diante de Deus, e ao mesmo tempo o quão grandiosos somos para Ele. Que já conseguiam olhar suas próprias limitações e ver no outro um igual em virtudes e vícios, não alguém com quem ele deveria fechar-se num círculo de virtudes ilusórias, formando sociedades arrogantes e orgulhosas, e nem alguém à quem deveria desprezar, humilhar e condenar, só porque é diferente ou tem humildade para ser ele mesmo, com luzes e sombras, não se escondendo dentro de sepulcros caiados. Eu, dentro das minhas próprias dificuldades, desprezo sepulcros caiados. Posso amar e ter empatia com vários tipos de "pecador", por pior que seja seu "pecado", em exceto os pedófilos, mas de resto, não condeno e nem sou incapaz de amar como um igual à vários dos tipos de "pecador", seja ele um terrorista, um assassino, o que for, porque entendo e acredito que por trás de toda maldade há histórias de muita e muita dor, de sofrimentos atrozes que se transformaram em ódio e corrupção da alma, que muitas vezes vêm de vidas passadas, mas com relação aos hipócritas e arrogantes, eu não consigo, de verdade. Desprezo aqueles que se acham superiores às outras criaturas divinas, sejam elas quais forem. Desprezo aqueles que condenam sem dar chance de defesa, e aqueles que desprezam os outros porque eles têm "pecados", colocando-se numa posição superior e privilegiada, seja de que nível for. E o que mais tem nas listas religiosas são pessoas assim, infelizmente. Nas Espíritas e em todas as demais. Por que será que a Religião atrai tanto pessoas que não conseguem sentir o mais básico do amor ao próximo? Por que será que sempre houve tanta hipocrisia e arrogância dentro das Religiões? É algo que eu gostaria de refletir um dia, encontrar a origem disso dentro do psicológico do ser-humano. Isso existe desde sempre... Talvez porque nas civilizações antigas, aqueles que eram tidos como chefes do povo fossem justamente aqueles que tinham poderes mediúnicos, que detinham o poder "religioso" da tribo. Na época que as civilizações eram matriarcais, e que a mulher já era tida como especial por poder gerar a vida, as mulheres médiuns eram ainda mais especiais, porque eram quem conseguiam interagir com os Deuses, que eram os Espíritos, fossem da Luz ou das Trevas. Talvez a mania dos Religiosos acharem que são melhores que os outros tenha começado daí, quando misturou-se religão com política, quando apareceram os primeiros chefes-religiosos, os médiuns das tribos. Depois, acho eu, a chefia passou a ser exercida por meio da hereditariedade, e então os homens começaram a ter cargos de poder, mas os médiuns continuaram sendo especiais e tendo poderes privilegiados, além de total influência sobre os chefes. É o que suponho, pelo pouco que li sobre as civilações mais remotas. Só sei que essa mania dos religiosos acharem que são melhores que os outros, quando eles deveriam disseminar a igualdade e a fraternidade, se incrustou no psicológico da humanidade de uma forma tão sombria e resistente que atravessou as eras e chegou aos dias de hoje, causando ainda agora, guerras por causa disso. Foi o vírus mais resistente da nossa humanidade, o câncer de maior dificuldade de cura. Pior que o sexo, pior que o dinheiro, pior que o domínio de terras, porque esse poder religioso conseguiu reunir todos os outros poderes num só (o dinheiro, o sexo, o dominio mental e material), e de uma forma aviltante e hipócrita, o que torna tudo de mais difícil solução. É como a criança que faz arte escondida e depois coloca a culpa no irmãozinho que nem estava na cena na hora da arte, e o irmãozinho que não tem o prestígio do arteiro, acaba sofrendo no lugar do outro, enquanto o outro, criminoso consciente, se orgulha da sua malícia e ri da desgraça do irmão. É um grau de torpeza muito grande, e a pior máscara de todas. A mais difícil de tirar, por isso seja, talvez, a mais antiga e a que virou o câncer da cura mais dificil. Muitos religiosos, por cultura e por vício psicológico, vivem esses contextos, se prejudicando muitíssimo perante a Lei, sem ter noção da gravidade de seus atos, porque a máscara social ficou tão afivelada, que a maioria, nos dias de hoje, são arrogantes e hipócritas porque foram educados pra serem assim, e os que, por virtudes inatas, mesmo nesses contextos, não conseguem mais usar essa máscara, se tornam alvo de sansões, de desprejo mesmo entre os seus. Que o diga a Inquisição que mandou para a fogueira centenas de cristãos verdadeiros, como Joana D'Arc, Jan Huss, dentre outros que quase foram queimados, como Martin Lutero. E o próprio Gandhi, que foi morto por um irmão da mesma religião, revoltado porque ele amava os muçulmanos, à quem os hindus odiavam. Só há muito pouco tempo que a Humanidade começa a retirar essa máscara, mas ainda falta muito pra se chegar o dia onde todos serão irmãos, não importando a forma como conseguem compreender Deus e seus Enviados. Talvez compreender onde tudo isso começou, dentro da nossa Humanidade, independente de como começou, me ajude a ser mais tolerante e ter mais empatia com a hipocrisia e a arrogância dos religiosos, porque sem dúvidas é ela a que mais me incomoda, especialmente as dos cristãos. Pior ainda se forem Espíritas, porque é como se eu visse esse vírus, esse cancêr se alastrando na Doutrina que tanto amo, que tanto venero e que está tão, mas tão longe disso, pelo contrário, deseja justamente ser a cura para essa doença da Humanidade. É como se eu visse o vírus se alastrando no antítodo, e ficasse com medo que, novamente, tudo se perdesse. É como se eu tivesse o pior dos dejavùs. Eu sei e confio que não teremos outra Era das Trevas, mas meu emocional ainda tem medo... Medo de ver o Espiritismo sendo contaminado pelo mesmo vírus letal que matou o Cristianismo primitivo. Sei que as vacinas contém doses pequenas do vírus, para que o organismo desenvolva os anticorpos, mas ver o vírus já presente no seio do Espiritismo, me causa uma sensação muito ruim, de medo, de angústia, de impotência. Mas eu sei que Jesus tem tudo sob controle, e que agora não será mais permitido uma nova Era das Trevas. Acabou, eu sei. Agora vai começar a Nova Era... A Era da Regeneração. Assim será. Termino com uma frase de Gandhi, do meu livro de cabeceira: "O que se sentia era que todos nós, de religiões diferentes, estávamos em busca de uma mesma verdade. Olhando-se uma mesma flor, um nota o perfume, outro a cor, um outro o delicado formato das pétalas... As diferenças se uniam como expressões de um mesmo Amor... Somente os cristãos me causavam antipatia. Lembro-me dos missionários, nas esquinas, pregando a verdade que só eles tinham, e desavergonhadamente nos acusando a todos de estarmos no erro". "Mas logo percebi que a índia não era a minha casa. Havia nela ódios profundos, que separavam os hindus dos muçulmanos. Coisas tão mesquinhas... (...) Voltei a fazer o que eu sempre fizera. Gestos que trouxessem de volta a mansidão... (...) Acolhia em meus momentos de prece tanto hindus quanto muçulmanos, ou pessoas de quaisquer outras religiões que assim o desejassem. Lia os seus textos sagrados. Eu sabia que a divindade se revela em muitos lugares diferentes... (...)E foi então que comecei a morrer. Senti, pela primeira vez, o quanto de ódio a minha mansidão provocava entre meus próprios irmãos". { Postar um Comentário } { Última Página } { Página 50 de 122 } { Próxima Página } |
Sobre MimHomePerfil Arquivos Amigos Álbum de Fotos FraseA mais elevada forma de esperança é o desespero superado. (Georges Bernanos) EntradasRosa PerigosaVeracidade e Não-Violência Renúncia e Paciência União com Deus Mestre e Pastor Fé, Filha do Medo A Grandeza do Silêncio Simplicidade e Caridade Humildade e Superação Espiritismo e Nós - André Luis / Chico Xavier Adorar à Deus Frases de Chico Xavier O Sublime Alguém - Joanna de Ângelis Jóia do Senhor Mar Alto - Emmanuel Lírios à Maria Autobiografia de Gandhi - Introdução Krishna e o Desapego Vocações que são Jóias Amar-se! Convite de Deus Deus, O Pai Adão e Eva na Interpretação Yogue Liberdade Intelectual Briga Sublimada Características do Sábio Perfeito - Krishna Arte, Alimento da Alma Símbolos, Chaves Psíquicas e Mente Companheirismo Razão da Fé Sou Religioso - Rubem Alves Dúvida e Fé Vida Nova - 14 Bis Ode à Esperança Silêncio Doce é Sentir Amor Desconhecido A Lenda da Cobra Frases Filho Pródigo Amor - Virtudes e Vícios Amor e Imperfeições Amor - A maior Prova da Existência de Deus Divórcio Emocional Política dos Gestos Poéticos Anjos da Guarda Depressão e Amor Uma Vez Mais - Ivo Pessoa Reencarnação - Afetos e Desafetos De quem é a Verdade, quando ainda lavam-se as mãos? Amor e Sexo União Simpática das Almas - RE - 1862 Pai Nosso (Ziza Fernandes) Amigos Anjo Azul (Déborah Blando) Metade O Mestre e a Luz Flores e Espinhos - Prece Deus e Nós - Prece Prece... Aprendizado do Amor Os Escolhos no Processo Evolutivo Teu Tijolo de Amor Mãe Santíssima...! Só por que amei? Verso Perfeito (Meu) Tatuagem (Meu) Inspiração (Meu) Oração de São Francisco Amor que Arde (Luiz de Camões) Tempo (Meu) Amor Perfeito (Meu) Aviso (Meu) Soneto do Amor Total (Vinícius de Moraes) Sonteto da Separação (Vinícius de Moraes) Revolta (Meu) Nosso Olhar (Meu) Pior Dor (Meu) Retorno (Meu) Ladrão de Alma (Meu) Ser Artista (Meu) Orvalho de Dor (Meu) Meu Mistério (Meu) Alma Cigana (Meu) O meu Impossível (Florbela Espanca) Amar! (Florbela Espanca) Impossível (Florbela Espanca) Esquecimento (Florbela Espanca) Alma Perdida (Florbela Espanca) Nos Teus Olhos (Deuza - Black Vampire) Sonhos (Deuza - Black Vampire) Ternura (Vinícius de Moraes) Te quero (Pablo Neruda) Cigana na Alma (Autor Desconhecido) Deusa (Autor Desconhecido) Viva como as Flores (Autor Desconhecido) Sou uma Bruxa (Gerina Dunwich) Bençãos da Lua (Autor Desconhecido) Por Amor... (Deuza - Black Vampire) O Advento do Consolador (Oswaldo Gimenes) Em Paz (Auta de Souza) Ao meu Bom Anjo (Auta de Souza) Minha Mãe (Maria Dolores) O Peregrino do Senhor (Altiva Noronha) Coragem (Vanessa Medeiros) Encontro (A.V.) Silêncio (Carla Fontaneli) Maria de Magdala (Amélia Rodrigues) Poeta (Florbela Espanca) Lágrimas Ocultas (Florbela Espanca) Súplica (Florbela Espanca) Continuaremos Juntos (A.V.) Saudade... (Meu) Matéria se divide, sentimentos se expandem (Meu e de A.V.) Tudo passa, menos o amor... (Amélia Rodrigues) Orfeu e Eurídice Angel of Mine (Evanescence) Amor... (Lorelini) Quando te vi, soube... (Léa Liz) Fé (Carla Fontaneli) O Pastor e as Ovelhas (Meu) Até Sempre... Visitas
|