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Anjo Azul

Vocações que são Jóias

{ 11:17 AM, 11 November 2009 } { 0 comentários } { Link }

Estou aqui apaixonada por um livro do Hammed que conheci à poucos dias. Chama-se "La Fontaine e o comportamente humano". É o estilo de livro que é mais o meu estilo pessoal, porque mescla conceitos morais, espirituais e psicológicos. Eu estou vidrada e poderia destacar uma imensidade de colocações, praticamente em todas as páginas, mas escolhi essa aqui para comentar por agora:

"Em última análise, é a vocação que induz uma pessoa a escolher seu próprio caminho e elevar-se acima da identificação com as massas inconscientes, sem se deixar levar pelas influências psíquicas destas. A vocação, na criatura humana, emerge como uma sutil nuvem de neblina envolvendo todo o espírito, ou melhor, vem à tona mental trazendo uma idéia potencial ou sentimento inato, que significa, num sentido original, 'ouvir uma voz que nos é dirigida'. Ela é uma manifestação inerente e comum a todos, não sendo decerto prerrogativa somente de grandes personalidades ou celebridades".
Achei maravilhosa essa colocação de Hammed, porque mostra bem claramente a idéia de que todos nós, Filhos de Deus, temos condições de "ouvir a voz interior" que nos guia para os caminhos de segurança na área que for, nos ensinando a caminhar na lucidez espiritual, mesmo enquanto vivemos mergulhados na matéria. Vocação não apenas no sentido de área profissional, onde esse termo é mais utilizado, mas no sentido de "Potencialidades Divinas". Aquela mesma idéia, já abordada em entradas anteriores, nós temos que nos conhecer cada vez mais afim de percebermos quais as nossas vocações divinas, como Deus nos criou, de que forma Ele escolheu se manisfestar através de nós. Isso nós sabemos quando nos assumimos como Filhos de Deus e com essa realidade em mãos, começamos o trabalho minucioso e constante de autoconhecimento.

Todos nós ao longo dos milênios vivendo nesse mundo de matéria tão grosseira, onde os instintos mais animalizados ainda imperam, adquirimos muitos falsos tesouros de par com os verdadeiros que, igualmente, também guardamos. Mas nossos baús, em maior quantidade, ainda têm o ouro dos tolos. Bijouterias que tomamos por jóias. Fizemos um imenso relicário de valores contrários aos reais valores da Vida. Construímos imensos depósitos de valores materiais e egoístas. E nós damos valor à esse tesouro de forma doentia, às vezes. Colocamos neles o motivo da nossa felicidade. Lutamos por eles com todas as nossas forças. Tentamos, todos os dias, encher ainda mais o baú. Chegamos ao ponto de trocar nossas verdadeiras jóias pelas falsas. E assim vivemos, vida após vida, iludidos de que aquele tesouro é de todo valioso.

Um dia, porém, por diversos motivos, geralmente pelo sofrimento árduo, destruidor e renovador, nós "caímos na real" e percebemos que estamos fazendo papel de tolos. Nos sentimos a criatura mais estúpida de todas, mais pequenina e insensata. Olhamos para trás e vemos todos os esforços que fizemos para lutar por... aquilo. Um tesouro de ilusões que só tem valor num mundo que é tão efêmero quanto ilusório. Afinal, depois de tantos milênios sentindo, respirando e vivendo como corpos físicos, percebemos que na verdade somos espíritos, e que o corpo físico é como um dia de prova de vestibular. Percebemos que, nessa prova pela qual nos preparamos tanto, estamos respondendo tudo errado. Não raras vezes olhamos para o relógio e ele está quase marcando a hora do fim. Quando temos a dádiva de perceber com antecedência, corremos ao início da prova e respondemos outra vez.

Mas nem sempre é possível e então, voltamos para casa e outra vez nos preparamos para outro dia de prova. Até que tenhamos consciência disso, nós vivemos como se nosso tesouro supremo, como se o objetivo e fim de todas as nossas aspirações, fosse o dia da prova. Mas não. Ela é só o começo de uma nova etapa, para qual nós atravessaremos se conseguirmos responder corretamente um número razoável de respostas. E que respostas são essas? Só nós e Deus podemos saber, porque elas são únicas para cada Criatura.

E como podemos descobrir as nossas respostas pessoais, únicas e instranferíveis? Só mergulhando dentro do nosso baú para analisá-lo minuciosamente e perceber, com olhos de especialista, qual diamante é falso e qual é verdadeiro. Só olhando para dentro de nós mesmos para encontrar, cada dia mais, as jóias verdadeiras (nossas vocações divinas, nossos talentos inatos, nossos tesouros feitos por Deus, só para nós), ao mesmo tempo que vamos retirando, um à um, os falsos tesouros.

Aos poucos nosso baú vai ficando mais valioso, verdadeiramente. Perceber que o tesouro é falso é *o primeiro passo* de todo esse processo longo e delicado, e também doloroso, porque jogar fora tesouros que sentimos ser valioso por tantos milênios, não é fácil. É como termos que jogar fora relicários de valor emocional muito grande, que fazem parte de nossa história, que nos trás lembranças de pseudo-vitórias, muitas vezes. Mas é necessário ir se desligando emocionalmente dessas falsas jóias, tanto quanto é necessário aprendermos a dar real valor emocional às jóias verdadeiras. É para isso que servem todos os meios que Deus colocou à nossa disposição. É o objetivo das Religiões, das Filosofias, das Ciências Humanas, da Meditação e de todas as outras ferramentas que dispomos no mundo, nas diversas regiões e culturas. Nos aproximar e expandir a centelha de Deus que há dentro de cada um de nós. Nenhuma igual, mas todas com a mesma Assinatura. Reconhecer o que é de Autoria Divina e o que é de autoria mundana, eis o primeiro passo da nossa auto-iluminação. Sem fazer esse trabalho de auto-reconhecimento, não temos como passar para a faculdade e pós-graduações. Não temos como começar a outra etapa daqueles que se reconhecem como Filhos de Deus: Ser instrumento do Amor de Deus em toda parte. Como podemos permitir que o Amor de Deus flua através de nós, se não sabemos onde estão as ferramentas que Ele colocou dentro de nós para seu uso? Seria como sermos instrumentadores de um cirurgião, sem conhecer os instrumentos e o tipo de cirurgia que ele fará com nossa ajuda. Em suma, não tem como passarmos para a faculdade sem nos conhecermos antes e aplicarmos esse conhecimento nos dias de prova de vestibular, tanto quanto não tem como nos tornarmos "Profissionais do Amor de Deus" sem passarmos pela faculdade antes. São etapas evolutivas que começam com o Autoconhecimento. Antes dessa conscientização espiritual, nós seguimos o curso material da Vida, guiados pela massa e fascinados pelo mundo ilusório da matéria. Ainda assim nós conseguimos nos autoconhecer, porque é uma necessidade nata e a própria interação afetiva, ao longo do tempo, nos proporciona, vagarosamente, algum conhecimento íntimo. Mas é pouco demais, porque de par com esse pouco autoconhecimento, fugimos muito, por medo do processo, por pressentí-lo doloroso, como de fato ele é.

São processos sequenciais e ao mesmo tempos simultâneos. Não ficamos séculos nos autoconhecendo para só depois começarmos a manifestar o amor de Deus. Não. A cada nova autodescoberta, mais uma possibilidade de expandir o Amor. A cada nova Luz Íntima revelada, mais aptos e preparados estamos, naturalmente, à sermos seres do Amor. E assim seguimos, seguindo o curso *natural da Vida*, do Cosmo, da Harmonia Universal, cada vez mais conscientes da nossa realidade de luz, e ao mesmo tempo mais capacitados para Amar em nome de Deus. Esse é a única correnteza que devemos seguir, todas as outras são ilusão...


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