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Anjo Azul

Deus, O Pai

{ 10:31 AM, 14 September 2009 } { 0 comentários } { Link }

Estou terminando a autobiografia de Parahamansa Yogananda, e já estou pensando em ler outra vez! Esse livro é para ler e depois degustar a sabedoria aos poucos!

Agora, enquanto lia, me deparei com uma frase de Sri Yukteswar, que achei maravilhosa:

"A faculdade racional no homem, limitada pelo princípio de causa e efeito do mundo dos fenômenos, desconcerta-se ante o enigma de Deus, o Sem Princípio, o Incausado".

E diante de seus desígnos também. E então entendemos que fé inabalável é aquela que transcende a razão, porque o amor de Deus não tem o tamanho do nosso entendimento. Uma coisa aprendi na vida... Por mais que você pense que saiba de um aspécto da sua vida, Deus sempre te surpreende com a consciência de que você nada sabe sobre si mesmo ou sobre suas próprias necessidades. Menos ainda sobre os mistérios entre o "céu e a terra", muito além desse conhecimento tão imaturo que temos da Sua Obra. Então a fé é nossa única saída, por mais medo que isso nos cause, por mais ansiedade e desespero que fiquemos, por não estarmos no lugar Dele, para que pudéssemos ter nosso problema sob o controle das nossas próprias mãos. E se Ele, o Insondável, dá mostras de olhar em uma direção diferente da nossa,  nos sentimos abandonados e incompreendidos por Ele, oramos fervorosamente, insistentemente, para que Ele nos ajude conforme nossa visão e compreensão, porque, temos certeza, é o melhor para nossa saúde integral. No entanto, contrariando toda nossa esperança, nossas súplicas mais santas e nossa fé mais ardente,  temos apenas o silêncio como resposta. Provação? Não justifica. Qualquer outra coisa? Nada justifica o silêncio do Criador. "Será que Ele não me ouve?" Pensamos, ingênuos e decepcionados. "Será que minhas súplicas não são levadas à Ele por seus emissários?" Como se Ele, o Onipresente e Onisciente, precisasse de emissários para conhecer seus Filhos. "Será que não mereço?" Sem acreditarmos realmente que Ele, o Pai, ama e doa à seus filhos  incondicionalmente e não condicionado à méritos ou deméritos. Não conseguimos alcançar a visão do Criador, e por isso não percebemos que seu aparente silêncio, é incapacidade nossa de percebermos seu amor operando silenciosamente por nós, numa direção que só Ele conhece.

É difícil para nós, seres tão pequeninos e tão acostumados com as dores e as violências de um mundo cheio de sofrimento ainda, acreditarmos que realmente há um Deus que é Pai, e que cuida e vela por nós à cada momento, que guia nossos desatinos para a Ordem e a Harmonia que há no Todo Criado, que nos condece o direito de escolher e ainda assim, dá-nos sempre bênçãos, daquelas que precisamos e nem sabemos para que pudéssemos escolhê-las. É difícil para nós, ainda tão marcados pelas feridas do tempo, ainda encharcados pelas lágrimas que são comuns por agora, que exista quem nos proteja de nós mesmos, e que nos ajude a sermos mais felizes nas consequências infelizes dos nossos desenganos.

Por mais que choremos por uma súplica aparentemente recusada, por mais que nos afastemos Dele por mágoa ou decepção, por mais que Ele pareça tão distante de nós ao ponto de sentirmos necessidade de negá-lO sendo Ele inegável, um dia compreenderemos que, nos nossos senões com Ele, nas nossas brigas e "certezas" sobre Ele, todo o tempo Ele operava pelo nosso bem, pela nossa felicidade, pela nossa vitória espiritual. E quando percebemos que éramos nós, os tão limitados, que não sabíamos pelo que suplicávamos, e não Ele, o Ilimitado, que negava-se à olhar para nós, nos sentimos tão, mas tão pequenos e amados! A humildade é a única expressão possível na nossa alma!

Humildade impoluta e incondicional diante Dele, o Pai. Sentimos, com a mais profunda reverência, que somos seus tesouros imperecíveis, a Obra-Prima do seu Amor, os Herdeiros da sua Divindade! Desse dia em diante, não O abandonamos nunca mais. Choraremos e cairemos, mas sempre ao Seu lado.

Feliz o homem que sente Deus além da teoria, que pode tocá-lo e ouví-lo nos recônditos da alma, que não tem vergonha ou medo de encontrá-lo, que perde a ilusão de poder compreendê-lo e ganha a certeza de poder amá-lo.


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