Anjo Azul | |
Aprendizado do Amor
{ 11:25 PM, 4 July 2007 }
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Dor, dúvidas e inseguranças fazem parte do nosso processo de aprendizado do amor, neste caso,do "amor romântico", não do "amor". Amor não é dor, sofrimento ou correlatos; é plenitude, devotamento, dedicação, ternura, confiança, paciência, encontro ... Em fim, é o ápice de todos os sentimentos delicados conhecidos pelo homem, a suprema realização das mais sublimes aspirações e a assinatura de Deus. A dor pode ser fruto da nossa imaturidade para lidar com algo tão superior a nós, mas não uma característica inerente deste sentimento.
Entrando na questão do amor romântico, temos, primeiramente, o período da paixão, do encantamento. Este período pode ser um prelúdio de um amor imenso, mas não necessariamente "o amor inteiro". O encantamento acaba. Então, quando isto acontece, pode dar-se que os enamorados sintam-se confusos, pensando que o *amor* acabou, quando, na verdade, está apenas começando. Pode dar-se que fiquem sem saber o que fazer do que veio depois do fim do encantamento - um sentimento às vezes até imenso pelo outro, mas sem as idealizações românticas de outrora.
Por muito tempo, pensamos que todos os nossos problemas e carências deviam acabar a partir do momento mágico em que disséssemos "eu te amo" e ouvíssemos um arrebatado "eu também" como resposta. Mal sabíamos nós que este é apenas o começo da caminhada, jamais o final dela.
Já compreendemos que a paixão é finita, mas também entendemos que precisamos de algo infinito para sermos plenos. Desta forma, atravessamos um período bastante notável neste pormenor, em que uma série de paradigmas se reestruturam e tendem a provocar, a médio ou longo prazo, um maior amadurecimento das relações amorosas.
Se não, vejamos: tempos atrás, notadamente no Séc. XIX, a aspiração suprema masculina, quando se falava de encontrar uma parceira para construir um casamento, era encontrar uma jovem delicada, espirituosa, preferencialmente virgem, pura, inocente e mais ou menos submissa, enquanto a feminina era encontrar um príncipe encantado que tivesse o vigor de um menino, o olhar seguro de um pai, fosse capaz de defendê-la com uma espada, se fosse preciso, mas também fosse capaz de ofertar-lhe flores simplesmente porque não tivesse condições de olhá-las sem pensar na estrela de seus dias.
Presentemente, as pessoas começam a perceber que perfeição não existe e que o que podemos viver é um amor real, recheado de encontros e desencontros, certezas e procuras, lágrimas e idílio, medo e segurança, descrença e fé. Estas sensações são inerentes à transição de um período para o outro o qual, no fundo, não se alterou totalmente.
Digo isto porque, intimamente, muitas mulheres procuram um homem que *as faça feliz* - Resquício da idéia do príncipe encantado - e muitos homens - cada vez menos, fique posto - procuram garotas virgens, o que nada mais é que um resquício da busca pela jovem inocente de outros tempos.
É natural que este período se dê mediante transição e confusão por parte dos espíritos os quais, muito provavelmente, eram os mesmos que estavam contracenando na Terra à época das etapas que a humanidade atravessou, anteriormente.
Assim é que, quanto mais evoluímos, maior é nossa capacidade de construir felicidade no "amor romântico", visto que seu sucesso está intimamente ligado ao nosso próprio amadurecimento social, psicológico e espiritual.
Em tempo, é evidente que o amor, como assinatura de Deus em nossos corações, venha sempre carregado de uma dose emocional imensa e que isto, inclusive, seja muito positivo, caso bem administrado.
Por mais que compreendamos que a paixão é passageira, desejamos encontrar alguém com quem possamos estar sob um céu prateado de luas e estrelas e um chão aparentemente coberto por pétalas de rosas; as mãos entrelaçadas roçando levemente a areia, enquanto os olhos mergulhados um no outro falam de poemas sem palavras, carregados da eternidade da procura e da plenitude do encontro; ainda sonhamos com declarações arrebatadas, pés fora do chão, poesias entre os dedos, o mundo todo redigido para ser doce, íntimo, perfeito e seguro; ainda sonhamos encontrar alguém com quem possamos ser nós mesmos sem medo de que ele nos deixe, de entregar nosso coração sem receio de que ele desdenhe do gesto e nos deixe a sós com tanto sentimento.
A certeza de que este desejo existe dá-nos medo, um medo verdadeiramente intenso e é este medo, muitas vezes, que nos faz abdicar das possibilidades mais sublimes do amor para aderirmos à menor parte que as relações afetivas podem nos oferecer: a estreita satisfação dos sentidos.
Evidente que ela é importante e deve ser contemplada, mas proporciona apenas pequena porção da elicidade que um relacionamento amoroso, ainda que imperfeito, pode nos ofertar.
Por ser o que costumam chamar de "observador compulsivo", sempre anelo apreender das pessoas e situações mais que o estritamente óbvio, buscando absorver gestos, inflexões de voz, olhares e correlatos. Isto às vezes traz bons resultados, às vezes, não; algumas vezes concluo corretamente, outras, não. O fato é que sempre que observo pessoas que se confessam adeptas do "amor livre" ou do "amor sem compromisso", pressinto que uma enorme parte dela clama, espera e deseja encontrar algo maior, algo mais amplo que o que as sensações estritamente físicas podem nos oferecer. Todos querem ser olhados de forma mais profunda, mais intensa, mais etérea; todos desejam noites estreladas com a areia atapetada de rosas e juras secretas, entretanto, todos têm medo. Aprenderam, por ouvir falar ou por experiência própria, que o encantamento é efêmero e não sabem o que fazer com o que virá depois; entenderam que o "príncipe encantado" e a "virgem serena e meiga" ficaram em outro tempo, compreendem que amor é complexo e sentem muito medo disto. Sabem que não é possível amar de verdade sem confiar plenamente, entregar cada gota da sua essência e não sabem como doarem-se tanto e continuarem inteiros; como apostar tanto e reagir caso tudo saia errado; como confiar tanto no outro, sabendo, de antemão , que ele é imperfeito e vai falhar, mais dia, menos dia.
Enquanto isto, vendem-nos idéias muito discutíveis, cuja aplicação irrestrita piora, em lugar de amenizar a situação.
Dizem-nos, dentre outras coisas, que o mais importante em um relacionamento afetivo é a qualidade do sexo, colocando-o como causa, não como conseqüência de um envolvimento mais aprofundado; também dizem-nos que, caso seu namorado ou esposo te "dê trabalho", mostre-se imperfeito, você pode simplesmente "partir para outra", porque esta pessoa não pode te fazer feliz e você merece alguém melhor. Evidente que não me refiro a casos em que a separação é uma questão de auto-amor, mas àqueles em que as menores divergências são motivos para que a relação se desfaça.
Oxalá compreendamos, com a menor gama de sofrimento possível, que o amor verdadeiro é construído na vivência e superação das dificuldades, no equilíbrio entre aceitação e busca da melhora do outro, no empenho pelo nosso auto-conhecimento e na compreensão de que nossa capacidade de amar o outro está intimamente ligada à nossa condição de amar a nós mesmos de forma verdadeira e
intensa
Oxalá não esteja longe o dia em que esperemos que apareça uma pessoa para nos fazer feliz ou resolver nossos problemas e, sobretudo, que saibamos administrar com sabedoria e ternura um aspecto tão pulsante, complexo e importante para nossa existência - e aqui refiro-me à existência enquanto seres imortais.
O Amor é o que nos impulsiona adiante e que nos faz descobrir Deus em nós e no próximo. Quem realmente aprendeu a amar alguém, está mais perto de amar a humanidade.
(Ananias Viriato)
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