poesia no fim do tunel | |
HISTÓRIA REAL
12:19 AM, 23/3/2011
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O bloco rochoso escolhia os navios, catava-os com a ajuda do mar - soçobros, ferros, espumas - Um marinheiro do Ceará outro do Recife comandando seus navios e pensando em Maria. O amor era muito o ciúme era monstro e o ódio e o amor fizeram com que os dois, com a velocidade que o motor permitia, chocassem suas embarcações num estrondo apaixonado numa inédita devastação.
Maria perdeu os dois. Os dois perderam Maria. Um virou espuma outro virou maresia.
No fundo do mar nordestino almas em desatino.
*
DUELO II
12:31 AM, 14/3/2011
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O que a boca diz por vezes o coração nega. Ele age como quem manda, mas a boca - malandra - com seu falar sonega a verdade, a mentira, o sorriso.
E cospe versos, rumina frases. Boca e coração
quando fazerão as pazes?
* ARTHUR GERALDO VICENTE MARIA
12:45 AM, 27/2/2011
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Hoje, não só os homens devem silenciar. Que parem os repiques desse carnaval que se aproxima. Que parem os sinos das igrejas, o choro das crianças, os risos dentro dos bares. Morreu Arthur. E morreu assim, em silêncio. Levou com ele o seu humor refinado, os seus trocadilhos, sua falta de jeito e seu imenso amor pelo humano. Arthur era economista. Diploma número 1 da Universidade de Brasília. E era poeta. Poeta em tempo integral. Amigo também, em tempo integral. Ligava do nada e a qualquer hora só pra perguntar: tudo bem? Ele dizia: Eu não vivo, eu programo pra viver, um dia.
Programo tudo, não cumpro.
Mas sentir, eu sinto. E como! * Mas definitivo mesmo é o seu poema Entre Duas Noites, que dá nome a seu livro.
Hoje foi um dia danado!
Mas não faz mal, estou prestes a me sentir seguro, absolutamente, sem medo algum. Daqui a pouco, terei soluções, todas elas. Sem dúvidas, verei claramente; sem remorsos, sem metafísica, sem tensões; com nostalgia, talvez; com facilidade, certamente.
Há dez minutos estou tomando meu vinho.
É! hoje foi um dia danado...
Aliás, esta vida é um dia danado, entre duas noites, inexplicado * Arthur morreu. Hoje foi um dia danado. Por isso é preciso silenciar. Silêncio no mundo. Silêncio na palavra. MÃO DA MEMÓRIA
03:22 AM, 12/2/2011
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Rasgou-me a blusa e o peito e de dentro arrancou-me, com as mãos da memória, o passado que sentia morto.
E veio com tanto espasmo tanta dor, febril anseio que perdi-me de mim ao não saber de onde veio.
Bastara um leve toque, um fio, um nervo ou o roçar de uma pluma e a vida jorrara forte num jorro de belo corte onde a carne e o sangue se misturam num leito de pura espuma.
Onde irá, onde irei, onde estarei - quando da mentira for absolvida - para que parte do mundo levarei o que me resta de vida!
*
DUELO
04:38 PM, 5/2/2011
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É sempre a mesma ternura ao lhe ver indefeso no leito compartilhado. Mas minha humanidade se espatifa quando sentimentos afloram e me tornam doce e me tornam má. Quando expõem o bem e o mal em mim - maniqueísmos do ser - e me faz sorrir e gargalhar, rir desbragadamente e chorar.
Nesse duelo interior onde espadas espetam pulmões, rins, coração, só eu saio perdendo mas persiste sempre a dúvida:
se saio vencendo a mim, a quem feri e matei?
* ONDA
12:31 AM, 31/1/2011
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Os segredos eles trazem do mar os mistérios da tempestade o enigma da fala dos peixes o insano pavor da imensa onda que abraça a si própria e se fecha qual concha que adorna o mar e os cabelos da sereia e, com ela, concha, a fortuna de tornar-se areia.
* A MÃO E A VERDADE
12:44 AM, 8/1/2011
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Não, não solte minha mão não, não a solte nunca se soltar ela pode voltar a fazer carícias a espremer delícias a contornar seu corpo.
Não, não solte minha mão se soltar ela pode voltar a desenhar pássaros e peixes ela pode colher os feixes de madeira para lhe aquecer ela deslizará sob seu ser como uma patinadora no gelo e conhecerá sua geografia inteira e se emaranhará em seus pelos como um inseto em teia alheia.
Não, não solte minha mão ela voltará a esquentar as tardes a acender o fogo que dentro de mim arde e poderá, absoluta, apunhalar você sem piedade só pelo gosto da luta só para vê-lo sangrar.
Não, não solte minha mão porque mais do que tudo ela poderá perder-se da sua e, com ela, nossa verdade - nua e crua -
*
O QUARTO
01:09 AM, 5/1/2011
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Seus olhos acostumados não viram os meus os braços desarmados erraram o encaixe o beijo frouxo estalou no ar.
Naquela atmosfera os pensamentos nem brotavam não era o silêncio dos amantes era só o nada a dizer
ali ficamos como se não houvera antes calamos como se não houvesse cantos nos copos vazios - testemunhas da noite - bebemos nosso desencanto.
* PROTOCOLO
12:53 AM, 28/12/2010
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