poesia no fim do tunel | |
PASSAGEIROS
11:25 PM, 7/8/2011
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Seu olhar varava o olho dela opaco, vazio, quase vesgo a boca nada dizia ele olha, ela vigia as mãos não se tocam crespas, murchas, quase palha ele não a encosta ela treme e aposta
Os pés juntos parados terrosos, sujos, quase chão não se lembram do que andaram e nem se mais andarão
O coração dela bate baixinho o som pouco e fraco como se um passarinho Dele, o músculo retumba é a esperança megera que fera se faz em despachos, despejos, macumba
Os lábios dela - tão finos - desapareceram são hoje apenas risco traço de nanquim desdesenhando o riso E dele a boca entreaberta escura caverna que não fala, não soa, não geme e teme restar eterna com a língua rolando entre parcos dentes
E ela sombra e ele ausente presentes apenas na solidão na sofreguidão do tempo na alucinação do findo Restam, apenas restam carpindo a vida
Passageiros da miséria séria realidade onde um morre sozinho e outro vira plateia.
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