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POETAS DE BRASÍLIA II - ARIOSTO TEIXEIRA
03:06 PM, 25/1/2010
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Mais do que a miséria, a catástrofe, a fome e a desesperança, a dor da perda foi o que veio junto com meu jornal. Perdi. Perdemos. Aquele menino de nome celta, de significado nobre se foi. Ariosto. Suave, cavalheiro. Na maioria das vezes usava poucas palavras. Jornalista que era, mais ouvia do que falava. Poeta, porém, abria o verbo, os sentimentos, a rima e as cismas do viver. O jornalista do belo texto não escreve mais. O poeta está mudo. "A palavra se quebrou como um lenço de adeus/ como um músculo se esgarça como se pano fosse/ como se em si guardasse a natureza do vidro/ E da palavra." Agora é só saudades.
VENTO MEDITERRÂNEO Percebeu que não voltaria mais quando as plantas começaram a secar Sempre soube que um dia iria acontecer Que desceria as escadas como uma sombra empapada de ar Mas não que doeria tanto A dor era isso a dor Não temer a tempestade da travessia Quem sabe se voasse para longe Sempre quis ir aonde bem entendesse ser o que bem entendesse falar com quem bem entendesse até descobrir que não existia outra voz igual no caminho que o terapeuta de florais apontara Que estava no âmago Que tudo vem de dentro não de fora (....) e pensar que ser único bastaria Construir um veleiro uma casa ao vento mediterrâneo suprir a alma intratável virar como se vira o direito para o avesso desabrochar como a orquídea amarela agarrada na árvore torta debruçada no telhado Não Não suplicaria apenas daria de beber as plantas.
DISSOLUÇÃO
O descontrole sobre o que acontece dentro, dá a um homem a idéia de desmanchar, a secura do osso em ácido corroendo-se, espuma dissolvendo-se na pia de lavar. Sente-se um demente a pedir esmola, as mãos trêmulas, a mente em bruma, úlcera afogada em coca-cola, saudade de si, melancolia e tontura. Do tempo emerge o aroma que abala, até que percebe que tal fumaça, é só um erro que de si mesmo exala, arma de destruição em massa.
um homem não sabe o que sente quando nasce, mas sabe o que padece até que tudo passe.
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