poesia no fim do tunel | |
TOCATA
01:53 AM, 21/1/2012
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Agarro-me à poesiapara que ela não me deixe
a nós.
* Rue Clément, St. Germain
12:05 AM, 16/11/2011
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Apeio do pesadelo como de um corcel negro de pelagem brilhante quase azul de tão preto
levo coices durante o tempo em que se bebe nas fontes na fronte, o rosto macerado marcado nas pedras dessa cidade
no chão o sangue como um baton carmim como um olhar negro cajal como um grito reprimido sem fim
e carros, sons, lenços, vozes, sons que ouço e não decoro a lembrança de sofrimentos atrozes onde não se podia chorar: choro
*
A VOLTA
11:19 PM, 5/10/2011
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Meu filho, a volta do passarinho fez seu olhar estrelar quando você contou para seu filho.
Foi um clarão-instante onde a poesia sentou entre vocês e brindou o encontro e a notícia encantada.
O olho fotografou o sinal do filho e do pai mais intenso que útero mais liga que umbilical.
O instante marcado infinitamente retido na retina mostra a vida, a força humana e o amor a que se destina.
*
FIO
02:03 AM, 24/9/2011
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Estou pendurada num fio desenhado por você É essa linha imaginária que paira entre dois blocos numa superquadra e que sustenta o céu
Se solto a linha meu corpo vai Se a agarro meu corpo se perde
O grito eu calo o cabelo agito balanço
Se você passar a borracha no desenho eu desapareço, dissolvo.
Essa é uma verdade que é uma verdadeira mentira. * DESPEDIDA
01:40 AM, 1/9/2011
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Quantos sentimentos loucos se agitaram em mim quando você disse : - tô fora!
*
SEM PORTO
01:40 AM, 19/8/2011
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Encontrei seu olhar perdido boiava com o silêncio dos pescadores no átrio de uma igreja barroca e entre as fendas de pedras capistranas
Seu olhar perdido se achava no tempo e os galhos de um mulungu trazia você menino e levava-lhe peregrino
E seu olhar se entranhava ao nada fixos na gestação do sonho ou no parto da realidade que ameaçava o que via
Era um olhar de navio saindo do cais em um mar de calmaria, manso, um olhar que por mais que eu queira eu nunca, nunca, nunca alcanço.
* PASSAGEIROS
11:25 PM, 7/8/2011
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Seu olhar varava o olho dela opaco, vazio, quase vesgo a boca nada dizia ele olha, ela vigia as mãos não se tocam crespas, murchas, quase palha ele não a encosta ela treme e aposta
Os pés juntos parados terrosos, sujos, quase chão não se lembram do que andaram e nem se mais andarão
O coração dela bate baixinho o som pouco e fraco como se um passarinho Dele, o músculo retumba é a esperança megera que fera se faz em despachos, despejos, macumba
Os lábios dela - tão finos - desapareceram são hoje apenas risco traço de nanquim desdesenhando o riso E dele a boca entreaberta escura caverna que não fala, não soa, não geme e teme restar eterna com a língua rolando entre parcos dentes
E ela sombra e ele ausente presentes apenas na solidão na sofreguidão do tempo na alucinação do findo Restam, apenas restam carpindo a vida
Passageiros da miséria séria realidade onde um morre sozinho e outro vira plateia.
*
ESTRADA
11:22 PM, 1/8/2011
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Com a euforia e a tristeza que me cabe a cada dia construo uma estrada.
Ela é o corpo que habito.
*
MIRA
12:42 AM, 29/7/2011
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canibalize-me devore a carne mas leve consigo o tempo
rasgue a pele mas deixe as marcas de suas conquistas. arranhe, despedace e roa o osso mas deixe-me olhá-lo enquanto posso porque vendo-o deleitar-se com meu corpo
eu o matarei em minha face. OS AMARELOS
12:53 AM, 24/7/2011
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Aquele clarão no sonho era apenas o amarelo que reponho na memória das gérberas de hastes cruzadas dentro do jarro. Varro a mente e a história aparece em outros amarelos de uma velha colcha xadrez de um cão pequinês de um girassol solitário de um lenço enrolado no pescoço e a tarde amarela de sol morno, areia quente e gente, muita gente em torno olhando o afogado.
*
ACORDE
01:54 AM, 5/7/2011
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O arco do violino tange a caixa e o acorde explode num fio fino fincado na nota solta envolta em sonora pauta onde nenhum som - alto ou baixo - se faz em falta
Acorde de flauta e fruta que se colhe e morde sucos abundantes como um bemol vibrante em grave verve de uma semibreve
O spalla arranca e roça o arco nas cordas no parco tempo da sinfonia - andante, allegro, estacato - E entre queixos e braços instrumentos e mãos colcheia-se o recato de uma despudorada melodia. SINAIS
12:00 AM, 19/6/2011
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Recolho seus recados, seus emails, suas coisas espalhadas. Você sofre e sopra o ar rarefeito e passeia sobre mim com seus olhos dementes, à espera, como uma serpente. E quando a noite desce, como sina, você invade minha mente e sobre meu corpo se arrisca, patina e tatua desenhos tribais, constroi cicatrizes maculando a pele, afiando punhais, penetrando a carne e deixando sinais.
* SEIOS
12:02 AM, 6/6/2011
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Quando você chegou, há cinquenta anos, sua mão pousou em meu seio. Lá ficou percebendo o arfar, os soluços, o riso e os anseios.
Cinquenta anos depois a mão continua lá. Mas ainda não sei por que veio. * CIRANDA
04:32 PM, 25/5/2011
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Circula a roda rodando a banda o bumbo o bom o som criança segurando a mão da mãe, de manha e manhã rodando a saia transparente muita gente girando e cantando com pés no chão chorando e chutando o cão arrastando pó e perna ciranda, ciranda noite ciranda açoite, ciranda eterna.
*
NADA A DECLARAR
01:04 AM, 16/5/2011
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A palavra surpreendeu o mês de maio e toda a sua luz. Minha alma despertou e, apressada, recolheu respostas como se caçasse borboletas.
Mas demorou a falar, vaga e exposta desmanchou-se como vapor. Minh'alma então evaporada suspirou: - Nada a declarar, amor.
* METADE
11:33 PM, 7/5/2011
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