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26/5/2011 - Comissão das borboletas - resenha

Porto Alegre, Maria Sylvia. COMISSÃO DAS BORBOLETAS: a Ciência do Império entre o Ceará e a Corte- 1856/1867.Ceará: Museu do Ceará , Coleção Outras Histórias, 2003. A obra, objeto desta resenha, faz parte da Coleção Outras Histórias de iniciativa do Museu do Ceará, com o apoio da Secretaria de Cultura do Governo Estadual, em primórdios do ano de 2001. Sua proposta tinha por cerne demonstrar diversas visões a respeito da história do Estado do Ceará dentro de uma visão democrática de expansão deste conhecimento, sem, no entanto, prejuízo ao rigor acadêmico, vez que as propostas de publicação passavam pelo crivo exigente de uma junta de professores detentores do título de Doutor antes de seguirem para a prensa. No caso de A Comissão das Borboletas, teremos cientista social(1966) e Doutora em Antropologia(1988), pela Universidade de São Paulo, Maria Sylvia Porto Alegre. Lente do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal do Ceará desde 1975, ela realiza, ainda, tangentes a campos amplos como artesanato, semiologia nas Ciências Sociais, povos indígenas (tendo como destaque seus trabalhos acerca da tribo Jenipapo-Kanindé) e arte popular, tendo sido autora – até onde esta pesquisa pôde alcançar – de mais dois livros: Mãos de Mestre, itinerários da arte e da tradição(São Paulo, Maltese, 1994) e Documentos para a História Indígena do Nordeste(São Paulo: Ed. USP; FAPESP, 1994). Maria Sylvia Porto Alegre ainda foi autora de um sem-número de capítulos de outros tomos e artigos para periódicos. A Comissão das Borboletas se inicia fazendo alusão ao contexto histórico em que a Comissão Científica de Exploração tomou forma. Quando D. Pedro II tomou a iniciativa de – dentro de uma ideologia iluminista/positivista que preponderava no período de meados do século XIX e da qual era profundamente adepto – fomentar o desenvolvimento científico dentro do Brasil pari passu com o próprio descortinar dos sertões equatoriais, tomando tenência das possessões do Império e de seus súditos, ou seja, ser de que tecidos era formada a imensa colcha de retalhos da nação e do território. Tomando a fronte, D. Pedro II, em 1859, realiza uma viagem pelo nordeste, na intenção de fazer um reconhecimento inicial e, por próprio, se inteirar de em quais regiões seriam mais necessárias as melhorias que pretendia realizar e em que áreas deveria se focar. A viagem também foi propícia da avaliar a unidade nacional, vez que nove anos tinham passado desde o fim da Revolução Praieira, portanto, de bom alvitre seria visitar as cercanias do Equador, tanto para o estabelecimento e reiteração de alianças políticas, como também para atrair a simpatia popular. Mas o ideal de progresso técnico, científico e social havia encontrado início com a criação de instituições como o Museu Nacional(1818) e o Instituto de Histórico e Geográfico Brasileiro, o IHGB(1838), mas ganhou impulso com a necessidade de criação de uma identidade nacional, processo que passava pelo auto-conhecimento e pela exaltação das virtudes. O segundo ficou a cargo da literatura com escola romântica nacional, o primeiro teria de ser feito a partir de alguma iniciativa que trouxesse a luz da ciência sobre terras brasileiras objetivando sanar seu o subdesenvolvimento e agilizar o processo civilizatório, tendo em vista que era patente, no contexto do século XIX, que modelo a ser adotado como sociedade vanguardista era o europeu. Sob essa óptica, partiu a Comissão Científica de Exploração, a Comissão das Borboletas, que dá título ao livro sob análise, que também ficara conhecida como Comissão de Defloração, alcunhas que tomaram forma devido às desavenças que surgiram ao longo de sua atuação, no mesmo ano da jornada que D. Pedro II empreendeu ao nordeste, muito embora os preparativos tenham começado três anos antes, em 1856. O tomo que temos em estudo é derivado de um artigo escrito pela autora sobre a Comissão Científica e suas realizações e percalços no período em que esteve presente no Ceará. A Comissão das Borboletas foi formada por alguns renomados cientistas da época em suas áreas. Eram eles: Francisco Freire Alemão, para Botânica e nomeado presidente da Comissão; Guilherme Schüch de Capanema, para Geologia e Mineralogia; Manoel Ferreira Lagos, na Zoologia; a Astronomia e a Geografia contavam com Giacomo Raja Gabaglia; Antônio Gonçalves Dias era o etnógrafo e narrador da expedição e, acompanhando o grupo, o pintor José dos Reis Carvalho, como desenhista, mas que tinha especial destaque no uso da aquarela. Essa empreitada foi organizada sob os auspícios da era da razão e inúmeras revoluções científicas, que seriam também almejadas pelo Império Brasileiro para legitimar e alimentar, dentro do novo país o sentimento de unidade e nacionalidade, entrementes, havia outros propósitos. Também era missão dos “científicos” averiguar a existência de produtos tanto orgânicos, artesanais, industriais e, de sobremaneira, minerais, que pudessem servir aos interesses econômicos do Estado Nacional. Mas acontece que uma série de infortúnios de diversas ordens. Na corte, as críticas desfilavam sobre a Comissão como um disparate, uma descarada malversação do erário, que se deveria ao fato de a verba da Casa Imperial ser de total arbítrio de seu titular. Mas, no decorrer dos trabalhos de campo, ainda ocorreram vários outro casos que arrastaram em definitivo os membros da comissão ao escárnio público e, por considerável tempo, ao descrédito enquanto desbravadores e pesquisadores do sertão cearense. Dentre alguns episódios, podemos destacar o envolvimento infeliz de Gonçalves Dias no famigerado “Processo Abel”, no qual teria sido acusado de dar guarda a um fugitivo da polícia e desautorizar o presidente da província o que gerou uma rusga pública que teve, a princípio, os jornais como palco, ganhou um panfleto distribuído “a larga” – como escrevera Renato Braga – e que, em adendo, o Barão de Capanema se envolvera, se juntando à Gonçalves Dias na enxurrada de insultos que advinham de todos os lados e inundavam a imprensa cearense e de arrabaldes. Muito ofendido, Nunes Gonçalves, presidente da província, emite correspondência ao Ministro do Império, silvando tudo o que podia contra a “Comissão de Defloração”, que, aliás, ganhara tão pernicioso apelido devido a alguns deslizes morais por parte de alguns integrantes da comissão, em especial, Guilherme Schüch, o supra-mencionado Barão de Capanema, que tinha fama de ser possuidor de toda sorte de vícios, inclusive o de cortejar mulheres muito indevidamente, preferindo passar boa parte de sua estadia se dedicando um apurado estudo do bordéis cearenses. Seria este atabalhoado cientista que seria responsável por outros dois episódios que viriam a manchar ainda mais a imagem pública da expedição científica. O primeiro seria a infeliz idéia, embora embasada de importar camelos da Argélia para o Ceará como o objetivo de perpetuar a linha de abastecimento mesmo em seca rigorosa, mas o transporte desconfortável proporcionado tanto pelo trote do camelo em si, quando pelo terreno acidentado da região tanto mataram um dos catorze animais importados quanto não permitiu que os cientistas dessem cabo de sua viagem até Baturité, aonde os bactrianos seriam entregues aos cuidados de fazendeiros ricos da região, sendo obrigados, a meio caminho, completar o percurso a cavalo. Outra mácula se deu no mar com o naufrágio do iate Palpite, que haveria sido designado por Schüch para transportar a parte mais importante de seus equipamentos, manuscritos, amostras, espécimes, assim com a sua verba de pesquisa, enquanto ele seguiria por terra. Tal prática suscitou suspeitas de que ele houvesse tramado o naufrágio engolfado o dinheiro da verba e, com tal ardil, tivesse conseguido encobrir o fato de que seus dois anos de pesquisa no Ceará teriam não teriam passado de uma oportunidade para se atirar à libertinagem. Há ainda que se comentar que os próprios membros da comissão decidiram por seguir rotas em separado a determinado momento dados os atritos que já se tornavam constantes entre eles. A autora nos mostra também o quão etnocêntrica era a ciência praticada pelos comissários, fazendo uso das teorias de Camper, Blumenbach, Gall ou Von Martius, que preconizavam a superioridade das raças caucasianas em detrimento das outras origens, pois para esses cientistas, o grau civilizatório de um povo dependia da sua capacidade de ser assimilado pelos caucasianos, que por sua vez sairiam perdendo, já que perderiam sua pureza racial, mas, para Camper, por exemplo, a raça caucasiana deveria se submeter a esse revés em prol do bem comum. Temos ainda as passagens que tratam de como seria crucial encontrar maneira de educar os índios ainda aldeados no intuito de dar uso a sua força de trabalho na indústria, perpetuando a crença tri-secular de que o índio e o caboclo seria eminentemente preguiçoso, afeito ao ócio.Vamos ainda nos deparar com as anotações da comissão a respeito dos sertanejos “menos civilizados”. Maria Sylvia Porto Alegre dedica o derradeiro capítulo desta obra aos estudos indigenistas de Freire Alemão acerca dos índios da Ibiapaba, que lhes são muito caros dada a importância tanto histórica, quanto antropológica da obra de Allemão(apelido de Freire Alemão), pois, apesar de embotada com algum preconceito, retrata um índio que se perdeu dentro da sociedade mestiça que o Brasil se tornou. Todavia, a obra da Doutora Maria Sylvia aborda, de fato, o valor dos resultados da comissão do ponto de vista científico, aspecto mitigado pela historiografia de Renato Braga, como a própria comenta, demonstrando que os escritos e conclusões que sobreviveram a tantas desventuras guardam papel crucial na história da ciência nacional. Ademais, A Comissão das Borboletas é uma obra bastante interessante, não só por seu valor para esse ponto da nossa memória, como também por dar margem a futuras pesquisas, pois o próprio livro dá conta de como ainda podem existir documentos a serem submetidos ao escrutínio em face de haver, a autora, estabelecido seu foco prioritário nos documentos compilados por Freire Alemão. Há certos pontos em que ele poderia ter se atido, como o porquê de se haver apelidado de maneira tão jocosa uma iniciativa tão importante, que é explicado por Renato Braga pela espécie que surgiu no seio da sociedade cearense devido a não achar justificativa para gastar tanto dinheiro público com caça de borboletas. Ou à outra anedota advinda do célebre espírito moleque do cearense que ainda a rebatizou, por razões já explanadas, de Comissão de Defloração. No entanto, ao cabo e ao resto, a obra vai, com louvor, ao encontro do que a coleção de que faz parte pretende, dar conhecimento, válido e acessível a quem se preste a buscá-lo, sobre o alicerces em que estão fundadas a nossa história e sociedade. BIBLIOGRAFIA Porto Alegre, Maria Sylvia. COMISSÃO DAS BORBOLETAS: a Ciência do Império entre o Ceará e a Corte- 1856/1867.Ceará: Museu do Ceará , Coleção Outras Histórias, 2003. Braga, Renato. História da Comissão Científica de Exploração. Acervo Virtual Oswaldo Lamartine de Faria. http://www.colecaomossoroense.org.br/acervo/historia_dacomissao_cientifica_de_exploracao.pdf Hofbauer, Andreas. Uma história de branqueamento ou o negro em questão.São Paulo: Ed. UNESP. 2006
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26/5/2011 - Fontes Históricas - Da Literatura

Da Literatura "A Literatura, como toda arte, é uma transfiguração do real, é a realidade recriada através do espírito do artista e retransmitida através da língua para as formas, que são os gêneros, e com os quais ela toma corpo e nova realidade. Passa, então, a viver outra vida, autônoma, independente do autor e da experiência de realidade de onde proveio." (COUTINHO, Afrânio. Notas de teoria literária. 2. ed. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1978. p. 9-10) A Literatura, desde que o homem se decidiu por buscar suas origens e passado, tem sido uma aliada de incomensurável importância para o estudo e produção da história. Muitas das sociedades que conhecemos hoje, só foram passíveis de ser identificadas através de uma investigação minuciosa das obras por elas foram deixadas. Comecemos com uma breve alusão aos sumérios, que - inclusive teriam sido os inventores da escrita, até onde se tem conhecimento - nos presentearam com uma obra de suma importância pra que se entenda a história do Ocidente e do Oriente Médio: A epopéia de Gilgamesh. Uma vez que tratava dos preceitos adotados na criação do judaísmo, religião da qual se derivaram o cristianismo e o islamismo, sem fazer menção a tantas outras que surgiram no seio da Eurásia. Evidentemente se trata da narração de um mito, o que dá, ao historiador que a pesquisar, a responsabilidade de ser o mais rigoroso possível no trato interpretativo dessa obra. Separando-se os fatos do mito, é possível fazer um panorama do que ali é mostrado ou do que se encontra nas entrelinhas, desde a possibilidade de se vislumbrar grandes acontecimentos, como teria sido o derretimento do mundo glacial, o que se voga interpretar com tendo sido o dilúvio, ou, através de uma teleologia apurada, captar os valores daquela sociedade. A própria Bíblia há se mostrar fonte de inigualável valor a quem se prestar a estudar a história. Tal texto nos leva a pensar e confrontar o que ela ensina ou conta com os acontecimentos que se deram a ocorrer em virtude de suas palavras. Ora, guerras foram travadas, milhões de pessoas morreram, estados foram criados e destruídos em sua honra, ou melhor, daqueles que a usaram como justificativa histórica para seus atos. Da mesma forma podemos enumerar os textos sagrados de diversas religiões – Corão, Talmude, Vendidad, Bhagavad-Gitã... – como fontes históricas de cunho literário, que, em grande parte, tratam de mitologia posta a termo, por mais que muitos religiosos venham a afrontar tal declaração, textos sagrados que contem as histórias de seus messias e mártires, a rigor, são elucubrações literárias que, tendo tido, ou não, inspiração divina, foram reduzidos a texto por punho humano, sendo, afetados por nossos recursos estilísticos. Grosso modo, até os roteiros de quadrinhos teriam um valor parecido para as gerações futuras, tendo em vista a possibilidade de estabelecer a axiologia predominante ou almejada de nossa sociedade, ou estudar o impacto de conflitos e tragédias em nossas vidas. Podemos citar como exemplo a criação de “O Capitão América” durante a Segunda Grande Guerra para encorajar o voluntariado militar, o aparecimento dos primeiros super-heróis negros durante os anos 60 com o engajamento dos quadrinistas na luta pelos direitos civis, os Mangás japoneses que tem uma farta produção destinada a tratar dos principais eventos históricos do Japão, como a destruição de Hiroshima ou mesmo a respeito do período Feudal, muitos, fruto de rigorosa pesquisa, chegando a ser usados na educação elementar, as aventuras anti-colonialistas de TinTin,de Hergé, em meio a diversos acontecimentos entre os anos 30 e 70, Mafalda, do argentino Quino, e suas considerações humanistas, ou o choque de gerações representado pela contra-cultura de Robert Crumb e, chegando a terras tupiniquins, “Wood & Stock” de Angeli, apenas como numericamente pobre exemplificação. A poesia ainda nos presta grandiosas contribuições. Epopéias, centúrias, cânticos, as trovas e o lirismo dos menestréis... tudo o que tenha resistido tempo o suficiente para se transformar em texto pode ser utilizado como indício ou mesmo base para uma pesquisa histórica. Vejamos alguns casos: A Carga da Brigada Ligeira, de Alfred Tennyson, versa com maestria a respeito da tragédia que se abateu sobre os infelizes comandados do Lord Cardigan, quando pouco mais de 650 homens foram praticamente imolados pela artilharia russa na Batalha de Balaclava, durante a Guerra da Criméia, em virtude, aparentemente, de uma ordem que fora interpretada erroneamente pelos oficiais de campo. Muito embora o poema de Tennyson tenha sido baseado no discurso de Cardigan na Mansion House, o fez de maneira soberba, sendo amplamente usado para o estudo desta parte da história bélica em particular, principalmente sobre a sua repercussão na sociedade britânica. Sófocles e sua Trilogia Tebana muito nos dizem a respeito das considerações morais na Grécia antiga, a construção de seus tabus e também serve de base para a teoria jus naturalista que foi objeto de discussão na seara da ciência do Direito até a primeira metade do século XX. Podemos falar da poesia, não só como forma de descrever a história, como também, arte responsável por marcos como a unificação de línguas, sob este aspecto, podemos destacar o esforço de Dante Alighieri, que fazia o levantamento de questões metafísicas complexas acerca da moral e da ética, e falar da obra-prima de Johann Wolfgang von Goethe, que, apesar de haver realizado a mesma façanha lograda pela Divina Comédia, presenteia a humanidade com Fausto, que levou quase 60 anos para terminar, mas que marcou a literatura com um tema bem mais secular, mas de suma importância no que tange à influência social da arte, como retratando o cotidiano e criticando verborragicamente a vida européia. No entanto seria uma obra menor em termos literários que o tornaria agente da história: Os Tormentos do Jovem Werther. Tal obra daria início à prosa romântica e que se alastraria pelos mais diversos tipos de arte de maneira inovadora, devido a sua estética livre de fórmulas e metragens, sua temática predominantemente burguesa, cheia de idealizações, exageros, sentimentalismo, egocentrismo... o que faltava para que se fosse decretada a ascensão da burguesia capitalista em detrimento aos privilégios da nobreza. Como já passamos à prosa, destaquemos alguns romances que nos oferecem diferentes tipos de abordagem. Comecemos com Cândido de François-Marie Arouet, ou Voltaire, que depois passar por uma série de altercações perante as cortes de Europa, escreve Cândido, romance que utiliza para criticar de maneira aguerrida seus desafetos intelectuais e políticos, dentre estes, Leibniz, que se encontra caricaturado na figura do Dr. Pangloss, tutor de Cândido. Tal hostilidade se devia a teoria assaz ingênua da Lei Metafísica do Otimismo, que o amargurado Voltaire contestava veementemente, contudo, sem perder o seu dom inato para a ironia e o sarcasmo, levou à baila insinuações sobre quem seria este ou aquele outro nobre, burguês de grande vulto, intelectual vítima de sua pena. Seria, mais tarde Virgínia Woolf que melhor definiria o papel daquele que faz da comédia uma arma: “A sátira, bem como afiada navalha, causa cortes que mal são sentidos ou vistos”. Muito mais recente, entrementes, é a produção de Jack Kerouac. Jack viajou pelo interior dos Estados Unidos descrevendo suas experiências com os mais diversos tipos de drogas e mulheres durante os anos 50. Seu estilo loquaz e logorréico de escrever fez da obra On the Road o manifesto do movimento beatnik, que por seu turno, fundaria as bases para a contra-cultura hippie, que litigou contra o puritanismo reinante à época, o que resultou em profundas mudanças sociais das quais desfrutamos hodiernamente. É fato que para fazermos uso deste tipo de fonte há que se atentar para várias questões de natureza metodológica. Há uma miríade de complicações no que se refere ao uso da literatura como fonte histórica. Ad initium, há o que se concerne às traduções, principalmente no trato das obras antigas, aquelas escritas em línguas que a muito não mais existem e das quais não se tem mais uma sistematização de interpretação, o que, como no caso os hieróglifos, nos remete à mera fortuna, pois só consigo explicar assim a descoberta da Pedra de Roseta, sem a qual seria tarefa intelectualmente hercúlea traduzir os escritos egípcios, como fora a de desvendar os escritos minóicos, até que surgiu o jovem M. Ventris e a realizou. Vejam que é um enfoque de sobremaneira problemático tendo por fundo o fato de que mesmo obras modernas sofrem muitas alterações na adaptação de um idioma para ou outro e, muitas vezes, ainda para outro e outro. Traduções de traduções podem desvirtuar completamente o conteúdo de qualquer escrito, que dizer então de uma obra de arte? Dessa feita, convém abalizar severamente o quanto a obra estudada está em concordância ou próxima do original, seja em idéia, seja em estilo – o que, por vezes, tem tanta importância quanto à semântica. Por desidioso que venha a parecer, temos o problema de diferenças e contradições até mesmo no que se refere de uma edição à outra. Principalmente na antigüidade, o processo de publicação e reprodução de uma obra era feito de maneira aviltante para com autor, pois prezava apenas rapidez e economia, deixando de lado o apuro por retratar da forma mais fiel possível texto objeto da transcrição. Muitas vezes deixado a cargo de escravos, o ato de copiar as obras antes da invenção da prensa não era de toda sorte muito confiável no tocante àquelas que se destinariam aos particulares, a menos que fossem abastados o suficiente para fazer valer seu ouro na confecção de suas brochuras ou pergaminhos. Conquanto, gracioso era o trabalho realizado por aqueles que faziam as cópias para as bibliotecas, pois, com muito esmero, se diligenciava por descobrir a fonte mais original que se pudesse encontrar, com intuito manter sua semasiologia fidedigna do que pretendia o escritor. Poder-se-ia conjecturar o quão verídico, verossímil ou, ainda, factível seria a história elaborada sob os auspícios dos literatos e seus ardis para congelar nossas atenções às suas narrativas, não obstante, é, então, armados de nosso discernimento profissional cinzelado por horas de estudos acerca da filosofia, interdisciplinariedade e sistemas – mesmo que presunçosamente – metodológicos, fazer essa literatura se tornar História, sem amaldiçoar ninguém nesse caminho, uma vez tendo Heródoto dito: com efeito, não diferem o historiador e o poeta por escreverem em verso ou em prosa, diferem, sim, em que um diz as coisas que sucederam, e o outro coisas que poderiam suceder. (Aristóteles, Poética. Tradução, Prefácio, Introdução, Comentário e Apêndices de Eudoro de Sousa. Lisboa 1986, PP. 15) Ao cabo e ao resto, temos que é de arbítrio e ofício do historiador exercer estratégia análoga à da aranha quando defronte a uma obra literária: pega-a, aprisiona-a em meio a seus arquivos e métodos de pesquisa, inocula seu próprio conhecimento em meio a suas páginas, prospectando o que há de ser digerido e, alfim, liquefazendo o que quer que tenha sido absorvido, em sua própria tinta.
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26/5/2011 - MENEZES, Djacir. CAPÍTULO I - O Ecúmeno do Pastoreio Nordestino. In: O outro nordeste – ensaio sobre a evolução social e política do nordeste da “civilização do couro” e suas implicações históricas nos problemas gerais.Ceará: Edtrª da UFC, 3ª Ed.

Djacir Lima Menezes (Maranguape, Ceará, 16 de novembro de 1907 - Rio de janeiro, 1996), ilustrado cearense, traz, no texto abordado, uma tentativa de entender e explicar a formação sócio-antropológica do sertanejo, procurando estabelecer o modo como se deu o processo de interiorização do Nordeste Brasileiro e seus respectivos desdobramentos, baseado na análise cientificista da geografia local, assim como da psicologia coletiva que tomou forma a partir dos desenlaces da ocupação do terreno, para tanto, fazendo uso de dois tipos básicos de agentes sociais: o fanático e o cangaceiro – sendo, este último, o ponto central da leitura em questão, pois conta com especial atenção ao ter sua atividade subdividida em ciclos e modos de concepção. Muito embora os predicados acadêmicos do Dr. Djacir sejam incontestáveis (visto que galgara o posto de reitor da Universidade Federal do Rio de Janeiro e fundador do Centro de Estudos Brasileiros em Buenos Aires, bem como do Centro Cultural Brasil-Bolívia em Lapaz, entre outras posições de destaque intelectual) e tenha começado seu livro declinando diversas teorias que já existiam a respeito do determinismo biológico e geográfico que versavam seu preceitos sobre a gênese do sertanejo, em certos pontos criticando-as de forma leve e condescendente, é de causar espécie o quão anacrônica (termo colocado, aqui, não no sentido histórico, de ver o passado com os olhos do presente, mas em seu significado léxico original, de estar em dessincronia com seu próprio tempo) aqui se faz sua leitura do processo que deu origem ao povo do Sertão. Se levarmos em consideração que a primeira publicação da obra – que conta com um título de “O Outro Sertão” – data do ano de 1970, teremos, em seu acervo fundamentador, um ideário que remonta aos meados do século XIX. Dentre os principais elementos que podemos identificar o positivismo ferrenho, francamente aludido ao tratar da necessidade de se fazer um estudo científico apurado dos tipos humanos com base nos “instrumentos de perquirição e controle dos fatos sociais”(p.17) próprios da evolução da sociologia. Dentro do positivismo que tão facilmente é identificado nesta composição encontraremos outros traços datados de seu estudo, daí encontraremos o determinismo exacerbado – por ele mesmo criticado: “Muitos, entretanto, exageram esse determinismo geográfico: simplificaram demasiado”(p.16), mas nunca abandonado –, quando aponta a topografia, o clima, as intempéries... Enfim, a geografia da zona de caatinga como um fator de “premissa inevitável” para, senão explanar, ao menos corroborar com a análise psicológica e etnocêntrica que faz da antropologia por ele aventada. Há, ainda, recorrência à sociologia de Max Weber, muito embora não faça uso de tipos ideais, estabelece tipos reais (especialmente se focarmos o fato de que ambos estão presentes no interior do sertanejo, podendo ser vistos como extremos, cuja síntese seria a formadora da psique da coletividade) para caracterizar o sertanejo, recurso anteriormente utilizado por Sérgio Buarque de Holanda em “Raízes do Brasil”, aí já contando com os tipos ideais, em 1936, ou, momento infeliz, em que nos exorta a crer no fator racial para explicar a ferocidade dos cangaceiros, fazendo alusão ao fato de que os negros, que teriam acompanhado Domingos Jorge Velho, haveriam por aqui plantado também sua semente, fator que aumentaria a bestialidade dos atos praticados pelos cangaceiros, que seriam fruto desse “complexo inbreeding”. O evolucionismo também vai encontrar lugar no recorte em pauta, quando caracteriza as culturas indígenas e, em decorrência desta, rurais nordestinas como inferiores. Resta-nos descobrir em que parâmetro podemos resolver essa inferioridade, vez que o texto não os traz à baila, nos guiando à conclusão de generalidade. Seria de se esperar que homem com tanta erudição houvesse tido contato com as publicações, já abundantes, na ocasião, de artigos sobre antropologia e sociologia que cuidavam de desfazer esse conceito de superioridade etnocêntrica ou cultural. No entanto, não é possível negar o fato de que o texto se presta a desmistificar as figuras centrais dentro das quais se pauta o estudo por ele erigido. Mesmo tendo em tela o caráter cientificista, quase naturalista, altamente presente no fragmento, há que se falar que essa contribuição se faz mister já à época em que o fora redigido, tendo em vista o quão indulgente - ou, mesmo, com vistas a exaltar essas personagens - havia sido até então. As conclusões a que levam os argumentos são que, tendo em foco unicamente parte da obra estudada, é de que o Professor Doutor Djacir Menezes, intelectual, economista, jurista e filósofo, teria sido fabulosa aquisição à escola Naturalista, visto que sua obra conta com um viés que em muito nos carrega a lembrar de obras desta fase da literatura, não houvesse se passado um século entre ela e a publicação de “O Outro Sertão”. Por Raimundo Ailton Gadelha Júnior
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26/5/2011 - Espanha - reconquistas às navegações

Espanha A religião Islâmica foi levada a península ibérica, onde já existia o cristianismo, pela invasão árabe, iniciada em 711. Devido ao avanço mulçumano, os cristãos só conseguiram manter reinos independentes no norte da península, na região montanhosa das Astúrias. Foi de lá que partiu o movimento de reconquista no século XI. Durante esse processo organizaram-se os reinos de Leão, Navarra, Castela e Aragão. Castela e Aragão, além de anexarem os dois últimos, uniram-se através do casamento de seus monarcas Fernando de Aragão e Isabel de Castela, os chamados “Reis Católicos”. Essa união real deu origem ao Estado centralizado espanhol, que, no entanto, só conseguiu realmente se consolidar com a conquista de Granada, último reduto árabe em 1492. Vários fatores contribuíram para o sucesso da expansão marítima portuguesa e espanhola, dentre eles podemos destacar a Guerra dos Cem Anos. Essa guerra travada entre França e Inglaterra marcou toda a Europa do século XIV. As rotas comerciais terrestres que cruzavam a França, importantes para o comércio europeu, ficaram comprometidas pela guerra, tornando necessários rotas alternativas. Ao mesmo tempo, a peste negra devastou a população européia levando prejuízos inclusive na área comercial. Essa guerra juntamente com a peste negra e a fome generalizada gerou toda a crise que viveu a Europa do século XIV. A diminuição da população européia criou uma situação devido a qual a retomada da atividade comercial se faria de forma lenta, na mesma medida do renascimento dessa nova população. A ida de metais preciosos para o Oriente na compra de especiarias e outros artigos de luxo traria o esgotamento de metais preciosos como ouro e prata no continente europeu que teria como conseqüência o estrangulamento do comércio que se via limitado pela escassez de uma moeda. Finalmente, o monopólio da rota mediterrânea de especiarias feito por Gênova e Veneza restringia a possibilidade de lucros de outras cidades européias forçando a burguesia nascente a procurar novas alternativas para a expansão do comércio, e encontraram essa saída no oceano atlântico com a expansão das navegações. Pouco antes de a expansão marítima portuguesa atingir o objetivo de chegar as Índias, a Espanha acabou por organizar expedições rumo ao oceano atlântico. A primeira viagem espanhola, bastante modesta, foi realizada em 1492, por um navegador genovês, Cristovão Colombo, que partiu em três pequenas caravelas com o projeto de atingir as índias contornando a Terra, navegando sempre em direção ao Ocidente. Assim buscava uma nova rota alternativa diferente da que os portugueses fizeram contornando o sul da África. A conquista da América pelos espanhóis significou a dizimação de boa parte dos nativos e a submissão da cultura daqueles que foram dominados, manifestando uma severa intolerância para com os diferentes modos de viver e de se ver o mundo das populações pré-colombianas. Nesse trabalho apresentamos o mercantilismo como regime econômico praticado por nações em busca de enriquecimento em detrimento de outras. A integração da América ao contexto europeu se deu por meio desse colonialismo mercantilista. Como já vimos, o crescimento do comércio europeu a partir do século XV se deu graças a expansão marítima tendo definido que seus objetivos econômicos que era o acúmulo de ouro e prata juntamente com a exploração desenfreada da colônia. Desde o inicio observamos que a função única e exclusiva da colônia era manter a balança comercial favorável a metrópole sendo sua parceira econômica em um comércio desigual. Ao conjunto de normas estabelecidas entre a colônia e a metrópole deu-se o nome de pacto colonial. Através desse pacto colonial a metrópole impôs a colônia todo tipo de maus-tratos. Com o objetivo de lucros os europeus se estabeleceram na America submetendo a população nativa, explorando seu trabalho e exterminando grande parte dessas populações, o que causou o declínio de povos evoluídos como os Incas da América do Sul e os Astecas no México. Os Incas Por volta do final do século XV, estima-se que mais de 100 milhões de indígenas ocupavam a America, incluindo povos em diferentes graus de desenvolvimento. Várias civilizações sofisticadas se desenvolveram na região da cordilheira dos Andes, especialmente nos territórios dos atuais Peru e Bolívia, desde pelo menos o século VII, destacando-se os impérios Tiahuanaco, Huari e o reino Chimu. No século XII ocorreu a união de diversas tribos Quíchuas criando o vasto império Inca, centrado na cidade de Cuzco. Os Incas eram chefiados por um imperador que alem de chefe militar era considerado um Deus na terra, o “filho do sol”. O auge desta civilização ocorreu no século XV-XVI. Cuzco chegou a ter uma população de 100 mil habitantes. Em todo o império viviam e trabalhavam aproximadamente seis milhões de pessoas. Predominava a servidão coletiva em uma sociedade fortemente hierarquizada. A terra era considerada propriedade do imperador, administrada por funcionários locais, que em toda a aldeia determinava a organização do trabalho, o montante dos impostos destinados ao imperador e a mita (trabalho compulsório em obras públicas incluindo obras de irrigação). Após a morte do imperador Huayna Capac, em 1525, travou-se uma vigorosa disputa entre Huascar e Atahualpa, seus dois filhos, concebidos por esposas diferentes, ruindo o poder central do império. Foi nesse momento que se deu a chegada dos espanhóis em território peruano.Sob o comando de Francisco Pizarro, tropas de conquistadores, visto como aliados pelos homens de Huascar, capturaram Atahualpa, em Cajamarca. Na mesma época os exércitos de Atahualpa capturaram em Cuzco o líder Huascar. Esta situação continuou por mais um ano até que o imperador Huascar foi assassinado em meio a conflitos étnicos e o imperador Atahualpa foi condenado a morte por Pizarro. Os Astecas A civilização asteca foi a mais grandiosa das civilizações da mesoamérica. Os astecas chegaram a dominar um império que se estendia do Oeste mexicano até o sul da Guatemala, incluindo uma população de aproximadamente 12 milhões de habitantes. Sua capital era Tenochtitlán (atual Cidade do México) e chegou a ter mais de 100 mil habitantes. Os astecas dominavam os povos vizinhos mantendo rígido controle sobre eles obrigando-lhe a pagarem impostos sujeitos a punições. Dentro do império existia uma estrutura política centralizada. Nas aldeias predominava a posse comunal da terra, embora parte da produção devesse ser transferida ao Estado sem do sistema predominante de servidão coletiva. O império asteca foi tomado no século XV, tendo entrado em decadência com a invasão espanhola. O ultimo imperador, Montezuma II, viu sua capital ser destruída durante a conquista promovida pelo espanhol Fernão Cortez, entre 1519 e 1521. América colonial Espanhola A Idéia de expansão da fé católica por meio da conversão dos indígenas foi utilizada como justificativa para a exploração da América. Até o final do século XVI os europeus já haviam subjugado os grandes impérios Incas e Astecas demonstrando grande agressividade e poderio militar e até estratégias políticas traindo por diversas vezes alianças políticas com os nativos. Durante os primeiros dois séculos de colonização, XVI e XVII, os espanhóis se concentraram na extração de metais preciosos, cumprindo a risca o que mandava as praticas mercantilistas com a transferência de riquezas coloniais diretamente para a metrópole espanhola. Explorava-se o trabalho indígena por meio da mita, que já era praticada no império Inca. Afastados de suas comunidades os indígenas eram forçados a trabalhar nas minas, recebendo em troca um salário irrisório e tornando-se vitimas das péssimas condições de trabalho, o que os levava a morte. A implantação da mita arruinou a estrutura indígena. Outra forma de exploração do trabalho foi a “encomienda”, bastante empregada pelos espanhóis. O rei da Espanha, por meio dos administradores coloniais, distribuía a encarregados desta “encomienda”, obrigatoriamente espanhóis estabelecidos na América, o direito de explorar o trabalho indígena, devendo em troca oferecer uma educação cristã. A sociedade colonial, hierarquizada era controlada pelos “chapetones”, espanhóis provenientes da metrópole que cuidavam da administração, justiça, clero e exército. Abaixo deles estavam os “criollos”, verdadeira aristocracia colonial, formada por homens brancos, descendentes de espanhóis, porem nascidos na América. Os escravos negros na sua maior parte eram concentrados na região do Caribe. A maior parte dos metais preciosos, ou seja, da riqueza gerada pela colônia ia para a metrópole o que gerou um descontentamento entre os habitantes da colônia gerando um conflito entre “chapetones” e “criollos” que no século XIX culminou com o movimento de independência da colônia espanhola. Conclusão De acordo com Leo Huberman, O mercantilismo não era um sistema em nosso sentido da palavra, mas antes um número de teorias econômicas aplicadas pelo Estado num momento ou Outro, num esforço para conseguir riqueza e poder. Essa definição foi seguida a risca por principalmente duas nações, Espanha e Portugal, seguidas de maneira que só enxergavam progresso dessa maneira, porém é irônico observarmos que a base manufatureira da França e principalmente da Inglaterra seria fundamental para a futura expansão capitalista desses dois países. Por outro lado Espanha e Portugal com varias colônias de onde extraiam grande volume de metais preciosos, acabaram se estagnando economicamente. Tornaram-se cada vez mais dependentes de suas possessões na América e passaram por graves surtos inflacionários provocados pelo excesso de metais preciosos, além disso, o grande custo que gerava para manter a nobreza e a igreja (clero) mantiveram essas duas nações ibéricas atrasadas em relação ao processo capitalista que ocorria em países como França e Inglaterra. REFERENCIA BIBLIOGRÁFICA HUBERMAN, Leo. História da Riqueza do Homem. Rio de Janeiro, Editora Guanabara, 21ª edição, revista. 1986 http://pt.wikipedia.org/wiki/Mercantilismo http://www.mundoeducacao.com.br/historia-america/colonizacao-espanhola.htm http://pt.wikipedia.org/wiki/Mercantilismo#Na_Espanha http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/colonizacao-da-america/colonizacao-espanhola.php Bathory. Juraj Jakubisko. 2008 1492: Conquest of Paradise. Ridley Scott. 1992 Elizabeth. Shekhar Kapur. 1998
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26/5/2011 - Ceará no final do século XIX, início do século XX: Estruturas de poder e religiosidade

No apagar das luzes do século XIX, o Ceará se encontrava vivendo em uma dicotomia social, econômica e religiosa, que em alguns de seus paroxismos deixou marcas profundas em nossa história, que até os dias de ainda geram conseqüências. Na capital, o alvorecer do novo século prenunciava, para muitos, um período de esclarecimento, progresso e avanços em várias áreas, dentro da mais pura óptica do otimismo positivista que afoitava as mentes da juventude iluminada e daqueles que viam em tais obras do espírito humano a certeza de um futuro muito mais justo. No interior o que reinava era a lógica semi-feudal do coronelismo e de sua inextrincável teia de troca de favores, apadrinhamentos, querelas, confrontos armados que se descortinavam em derramamento de sangue diuturnamente, tal forma semelhantes aos desenlaces comuns da Europa medieval, que não se há de causar espécie, a auxese do antagonismo que se vinha delineando entre o ambiente urbano e o agrário, já desde o início do ciclo do algodão. Fortaleza se ufanava com seus ares de belle epóque, celebrava, a juventude enriquecida pelos frutos nos campos de seus pais, o novo tempo de negar os valores bucólicos, outrora predominantes, e suplantá-los pelos novos modismo que se importava a cada momento de França, de Inglaterra, de terras Ianques e de tantos quantos fossem os lugares da terra onde se apresentasse um modelo de civilização avançada, que tanto nos esmerávamos em imitar, não importando o quão contrastantes os costumes alienígenas fossem frente ao nosso clima ou nossa cultura. Contudo, devemos prestar respeitos àqueles que labutaram no intuito de dotar a cidade – em menor medida,àquela época, o estado em si – não só de formosura frívola, mas também de se esmeraram no intuito de fazer com que a mesma passasse a ver a modernidade com bem menos desconfiança do futuro e apego a tradições primitivas, como aqueles que diante dos institutos de ciência, comissões de pesquisa e desenvolvimento, sociedades estudiosas da filosofia e literatura, enraizando neste chão pedregoso e rachado o germe do conhecimento moderno, que, apesar de tido com melindre entre os setores mais conservadores da sociedade, sobretudo, os ligados à Igreja Católica, que tudo fazia para manter o Ceará como quando de sua colonização. Rendidos os préstimos a quem de direito, tratemos de voltar às disparidades que caracterizam o estado por aqueles tempos. A capital havia se desenhado, em primeiro ensejo de maneira urbanisticamente orgânica, seguindo a conveniência do terreno e dos que se apossavam deste, contudo, aqueles que fizeram fortuna a frente do mercado de couro, charque e, a posteriori, do algodão, bem como da atividade comercial interna em si acalentaram o desejo de ver sua prole ilustrada nos moldes que convinham às famílias nobres da sede do império, assim a enviando a estudar em outros e mais desenvolvidos centro urbanos como e Recife, Rio de Janeiro e, até como forma de ostentação dos que mais podiam, nas grandes metrópoles ultramarinas. Como conseqüência deste uso, o abril do estado fazia seu retorno às instâncias de suas estirpes copioso de novas idéias, adquiridas do arcabouço teórico cientificista e civilizatório pulverizado pela nova ordem que se apoderava do mundo. Era o tempo da razão que finalmente desembarcava em terras cearenses. O que poderia ser aceito como um avanço do início da modernização de um estado eminentemente voltado à atividade campesina e à religiosidade exacerbada, o que, além de afetar os aspectos econômicos e sociais, promoveria mudanças na maneira como o próprio filho da terra se via. Essa visão não agradou a quem havia visto o mundo. Os jovens que voltavam para a o seio familiar agora viam a cidade como o maior ícone do atraso cultural e social em que o estado estaria mergulhado. Mas, à medida que esses novos elementos foram se engendrando na política citadina, ou mesmo por meio de seus próprios genitores, trataram de modificar o panorama urbano tal qual haviam aprendido em suas andanças pelo Brasil polido, bem como pelas urbes européias, o que se seguiu à adoção de usos e costumes d’além mar de modo fac símile, ao que se tinha no Antigo Mundo. Tal imitação chegava a ganhar aspectos simiescos pela forma que se tratava até mesmo o colóquio, quase se adotando o francês como língua oficial da cidade. Este comportamento nugativo, era alvo da picardia de alguns poetas populares, que muitas vezes também contavam com boa educação, mas se dedicavam a confrontar a sociedade com suas rimas cheias de sarcasmo e vestuário estapafúrdio para os janotas da belle epóque, que as viam como vãs e infantis, como nos deixa entrever o célebre Ramos Cotoco nos versos de “A Cabloca”, poema em que faz pilhéria quanto às últimas novidades de Paris: “Ninguém me vence em beleza, Pois sou formosa também Sem possuir riqueza Que a moça da praça tem. Não invejo os requintes da moda. Fantasias que o instante desfaz É bastante a beleza Dos meus dotes naturais. Quando eu passo em qualquer parte Todos ficam a me olhar, E dizem: que primor d’arte! Que formosura sem par! No entanto minha veste é tão simples, É de chita de azul cor do céu E sob ela a beleza Que a natureza me deu. Nenhuma rica da praça, Envolta na fantasia. Tem mais beleza, mais graça, Mais meiguice e poesia. Eu sou pobre, não tenho essas sedas, Nem brilhantes nem rubros corais... Só tenho a beleza dos meus dotes naturais. As brancas de mim não gostam E só me olham com desdém! Eu nem lhes presto atenção, E creio que faço bem.”(Ramos Cotoco, Cantares Bohêmios) Mas nem tudo era macaqueamento, arremedo de um ideal de progresso artificial, aqui existiam, também, aqueles que pretendiam levar a cidade e, por conseguinte, o estado a um grau de desenvolvimento humano pautado também em inspirações humanísticas de um Ceará engajado com o novo passo que o mundo tomava, almejando que quando o progresso realmente aqui se chegasse, a população o estivesse pronta para receber. Movimento que começou a tomar siso e forma já entre findos do século XIX e primícias do XX, com a Padaria Espiritual, a Academia Cearense de Letras, a Sociedade Francesa do Ceará, e, atrevo-me a citar, já com a Comissão das Borboletas – muito embora não se tratasse de iniciativa propriamente cearense, mas que cá deixou seus frutos – encampada pelo Imperador Pedro II, diligências e agremiações que encontraram considerável arrimo no seio das lojas Maçônicas do estado. A maçonaria, ao longo de seu período de existência enquanto sociedade que se move, publicamente, em vias da filantropia, também tivera papel político, filosófico e ativo mister na condução de alguns dos acontecimentos mais importantes da contemporaneidade, como a independência dos Estados Unidos(para citar um de maior vulto), no Ceará, aviou-se no projeto de combater o obscurantismo e iletramento que estaria a entravar o progresso na terra de Iracema, o que a impediria de obter citação entre os estados mais importantes da recém-nascida Federação. Suas iniciativas de pleitear a implantação de uma forma de governo laica, que contasse com cidadãos cientes de seus direitos e deveres, bem como os usasse e lhes desse efeito quando de necessidade, além de capacitá-los a ter um papel produtivo na economia, então controlada pelos latifundiários e políticos de escrúpulos abreviados - a começar pela mais emblemática oligarquia deste período, a acciolina – e assim permitir que seguissem suas trajetórias, cônscios de que eles faziam parte de um todo muito maior que eles próprios ou que os interesses daqueles que estavam, então, no poder, causavam sobrolho em setores como a Igreja Católica que, no Brasil, desde o tempo do Segundo Império, devido à contenda política havida entre o imperador maçom e o papado romano, tinha muito tinha reservas para com aquela instituição, sem aventar que, para os setores conservadores da sociedade ligados à igreja oficial e defensores do status quo, à massa caberia apenas o papel de trabalhar da forma como lhes fosse ordenado, vez que não lhes interessaria uma camada popular numerosa e questionadora, que pudesse se opor aos interesses dos que detinham o poder nas mãos. Para a Igreja conservadora do Ceará, caberia aos populares apenas ler escrever, aprender um ofício e serem versados na necessidade que obedecer a Igreja como forma de salvação de sua alma imortal, o que implicava em permanecerem mansos e ignorantes. Era vista pela Igreja como seita, que deveria ser combatida, pois segundo o preceito de que não se poderia servir a dois senhores, o maçons se encontravam em heresia e, como hereges, lhes cabia a excomunhão como pena, e diante do veredicto, deveriam ser excluídos do convívio católico. Tal possibilidades não era consentida pelos maçons, pois tinham como qualquer cearense daquelas eras, o aspecto da religiosidade muito forte em seus âmagos. Há de se ressaltar, ainda, que a exclusão da vida católica significava, praticamente, ser proscrito da sociedade local, que tinha na religiosidade um dos componentes mais abundantes da argamassa social. Então, não mais pertencer à Igreja Oficial, lhes renderia diversos reveses em todas as órbitas sociais, inclusive do próprio exercício livre de sua cidadania, de que se veria alijado, em maneira de passar a ser mal visto pelo o todo, encontrando-se à margem do “fato social” que era representado pela predominância da religião cristã e de seus seguidores, daí a recusa de aceitar as determinações do papado, visto, ainda, que mesmo alguns sacerdotes fariam parte da maçonaria, seria possível esgueirar-se padres de visão romana e poder participar dos rituais eucarísticos e alcançar os sacramentos sem tantos problemas. Em virtude do propósito pregado pelas lojas maçônicas Fraternidade e Igualdade, foram abertas escolas de ofícios que tinham por intuito levar a cabo a missão de formar um novo cidadão de cearense, numa perspectiva quase salvacionista por parte dos seus idealizadores, que, ao meu mesmo tendo propósitos nobres, viam-se como libertadores da antiga província. Essas iniciativas foram animadas por vários anos, mesmo sob fogo cerrado dos católicos mais fervorosos da sociedade fortalezense, pois foi na capital onde as ações da maçonaria foram mais concentradas. Entrementes, enquanto a capital se agitava entre as arengas teórico-político-religiosas veiculadas por jornais assomadas à renúncia forçada do Governador Accioly pela revolta pela revolta popular devido aos seus desmandos administrativos, o sertão se convulsionava em um contexto de natureza muito mais prática, pois a luta, ali, tinha um sentido muito mais urgente: a sobrevivência. Há muito as secas se seguiam no interior do estado, populações famintas perambulavam pela caatinga em busca de localidade que os acolhesse ou frente de trabalho que lhes garantisse o que comer, dado que, em tempos de estiagem, poderiam ser o único ganha-pão dessas famílias de miseráveis. Eis que, no Cariri, um Padre conhecido como milagreiro, cuidava de acolher essas figuras famélicas alojando-as em fazendas da região, fornecendo, assim, força de trabalho para os fazendeiros e provendo votos aos coronéis ávidos de angariar o maior quinhão possível das graças do governador, moeda de maior valia da época no sertão. Tratava-se do nosso conhecido “padim Padi Ciço”. Devido a essa atividade de intermediador entre os que, sem seu donaire, estariam fadados a continuar a vagar pelo semi-árido em busca de sustento e os coronéis, arregimentava simpatias de ambos os lados. Não demorou muito a ser canonizado pela população iletrada e respeitado pelos ricos, fato que enfureceu grande parcela da Igreja Oficial, que há tempos via as práticas do catolicismo popular com grande incômodo. Engraçado este fato em si. Durante séculos os sertanejos haviam sido deixados à própria sorte, pouco contando com a assistência eclesiástica, tendo de achar por si mesmos o acalento para suas almas castigadas pelo cresto desértico a que estavam diariamente submetidos. Nasciam e cresciam sem saber escrever o próprio nome, mas, ainda assim, conheciam de cor cada oração do ritual romano e as repetiam exaustivamente a qualquer hora do dia, na tentativa alcançar o Reino de Deus. Diante de todo esse sofrimento e negligência, acredito ser contrário à minha opinião – certo que anacrônico e cético – a expectativa de ainda acreditar em algo. No entanto, eles não só acreditavam como pautavam suas vidas pelos preceitos cristãos de maneira que deveria ser vista como exemplar. Fato que no decorrer da história acabaram por se popularizar práticas que são, obviamente, pouco ortodoxas, como a tortura às imagens dos santos, mas que demonstram um grau de intimidade com o divino através do profano. Sob este condão, não lhes parecia estranho acreditar que Deus houvesse enviado um emissário para lhes salvar, ou, ao menos, diminuir o sentimento de desarrimo advindo do desamparo da Igreja Oficial e obliteração por parte do estado. Seria o Padre Cícero, homem instruído e, communis opinio, imensamente sagaz na condução de seu “rebanho” e no trato para com os oligarcas da região, pois estes contavam com o cura para se haverem em posição mais estimada junto a essa leva de eleitores, vez que uma das diferenças entre o sertão cearense e o período feudal europeu, é a de que o barões que detinham mais terras eram considerados mais ricos, enquanto que na política do clientelismo, a fortuna residia na quantidade de eleitores que o coronel conseguisse arregimentar dentro de seus currais eleitorais. Porém, seria desídia minha não comentar o quanto a Igreja Católica estava insatisfeita com essa disposição popular em seguir o clérigo cratense. A Igreja o achava indolente quanto a desmistificar a celeuma acerca do milagre – o que só cuidava de alimentar o já saliente fanatismo –, ou à sua elevação à categoria de santo pelo povo, chegou, inclusive a responder a processo canônico e excomungado, mas, possivelmente, temendo que se iniciasse um culto em torno da figura do clérigo, a despeito da Cúria, provando seu poder a frente das massas, como acontecera com Lutero por ocasião da Reforma, a resolução nunca teria encontrado as vias do efeito e, para todo caso, teria encontrado o esquecimento. Acredito que esse temor tenha recrudescido quando se soube das primeiras notícias a respeito de seu protegido, o beato José Lourenço, um negro de constituição forte que fora encarregado por Padre Cícero de cuidar de uma quinta de sua propriedade, conhecida como Caldeirão dos Jesuítas, onde o beato deveria residir e lavrar a terra, bem como acomodar aqueles que pelo sacerdote fossem enviados, assim tendo feito, sendo sua relação com Padre Cícero semelhante a existente entre um proprietário rural e seu capataz para efeitos de administração agrária, mas no plano pessoal, José Lourenço, bem como aqueles a quem o padre dera valhacouto, era de devoção e profundo respeito. Ambos, Padre Cícero e José Lourenço, ainda contavam com a propaganda mais bem sucedida do interior daqueles idos: o repente e o cordel. Na proporção que a fama de Padre Cícero crescia e a bondade de José Lourenço era reconhecida, os cantadores aumentavam os atributos místicos do primeiro e morais do segundo. Os jornais serviam às elites da capital, a literatura de cordel e o repente eram os veículos das notícias em um estado dos mais carentes da União, que possuía uma população rural de mais de 850 mil pessoas, dentre as quais cerca de 15% eram consideradas alfabetizadas. Pois bem, diante de tal índice, não admira a ocorrência da Sedição de Juazeiro em favor de um dos, comprovadamente, mais corruptos usurpadores de recursos públicos e despóticos governadores que já dispôs do cargo de governador deste estado, Antônio Pinto Nogueira Accioly, apenas por este ter o apoio Floro Bartholomeu e de Padre Cícero Romão e pelos rumores que varreram a região de que Franco Rabelo tencionava assolar a terra do “Padim”. É certo que Franco Rabelo cometeu um formidável erro de estratégia ao se bater contra milhares de fanáticos, subestimando o seu poder de resistência, para implementar a sua “Política da Salvações”, mas Padre Cícero teria realmente participado de uma reunião entre Accioly e mais dezesseis poderosos da região tendo como escopo um tratado de apoio mútuo. “O Pacto dos Coronéis”. Sua benevolência cantada em verso e enaltecida em prosa não condiz com essa postura, no entanto penso que teria sido necessária para continuar praticando suas benesses e alojando outros flagelados... Também, é fato conhecido que Padre Cícero, apesar de não contar com a simpatia da Igreja romana – era por esta, tolerado – contava com um profundo temor pela mesma, fato que o levou até Roma para responder ao processo que dava conta de que o milagre envolvendo a beata Maria de Araújo era um embuste, de onde escapou absolvido, sendo pouco mais tarde a decisão revista para a pena de excomunhão, fato já ventilado e posto sob especulação. Talvez houvesse sido este temor de que a pena lhe fosse imposta post mortem, o que lhe valeria a eternidade no limbo, ou o medo de que o Caldeirão se tornasse um segundo Canudos, que fosse responsabilizado por isto, que o levou a deixar de legar a propriedade para diretamente para José Lourenço continuar sua obra, visto que dificilmente suspeitasse que a ordem dos salesianos fosse intentar contra a comunidade, de maneira que a comunidade do Caldeirão acabou por servir de alvo de treinamento para a - havia pouco, criada – Força Aérea Brasileira. Podemos supor que haveria mais alguns fatores que levaram a brutal destruição do Caldeirão. Dentre eles cito: a pressão da Igreja Romana que temia que o fenômeno messiânico continuasse a se espalhar pelo sertão, visto que o beato parecia praticar o que a \Igreja só teorizava, enfraquecendo a sua autoridade junto aos fiéis, a crescente paranóia em torno do comunismo, que, em última análise, coadunava-se perfeitamente com o modo de vida e produção praticado no Caldeirão, a morte do Padre Cícero que era o principal elo entre a comunidade e os poderosos coronéis, que agora prefeririam que os trabalhadores ficassem mesmo sob sua direta supervisão. Outrossim, não acredito no fato de que o José Lourenço, apesar de não haver fato que desabone sua conduta em absoluto, não ganhasse nada dando auxílio aos coronéis, pois dá conta, o relato de João Silva, sobrevivente do Caldeirão, prestado ao autor de “Caldeirão”, “um relógio de ouro caro na algibeira” durante a época de eleiçõesno Juazeiro do Norte. Impossível, também, tratar desta figura tão polêmica sem fazer menção à sua “associação” com o cangaço. A palavra associação se encontrada adornada de aspas devido à minha reserva quanto a esta afirmação. Padre Cícero contava com um respeito inconteste de quase toda população sertaneja, o que era, em última instância, um cangaceiro que não um sertanejo que por circunstância ou outra havia se bandeado para a vida criminosa? Este por sua vez era extremamente temente a Deus e sabia que sua conduta não era correta perante este, mas que devido à ocasiões de desventura, achou na delinqüência forma de viver e ser respeitado, mesmo que meramente por seu proceder temerário. Em histórias contadas por minha própria avó, Dª. Albetiza Vidal, de quando Lampião, certa feita passar pela fazenda de meu bisavô, em Limoeiro do Norte, temos que ele carregava consigo enorme crucifixo de ouro e depois de “comer beiju e tomar café”, não se furtou a participar da novena que estava a ser celebrada no local, por ocasião de uma ano de morte de um meu tio-avô, tal como seu bando também procedera. Então, não era senão do ofício do padre, ouvir a confissão de um pecador que o procurasse em sua paróquia? Como o próprio Padre Cícero teria dito na revisão que fez de suas ações: “Porventura, sou eu chefe de Polícia, comandante de tropa, autoridade que tenha dever de prender delinqüentes?”. O que poderia fazer senão acatar o desejo de Lampião por tentar uma absolvição? Em minha opinião deste pecado o velho padre não foi culpado. No intuito de finalizar esta exposição de fatos e pareceres, analisando o que foi exposto devo concluir que a Sedição de Juazeiro e o Caldeirão são fatos indissociavelmente ligados pela conjuntura histórica e social que se apresentava nos primórdios do século XX, pois é possível afirmar que a Guerra de 14 fora uma reação do sertanejo depauperado e movido por uma fé inabalável, fruto da própria acídia das classes dominantes para com o desespero da população desassistida pelo estado, à arrogância dos dandis da capital, bem como o Caldeirão teria sido vítima de um Ceará que, de certa maneira, queria esconder o passado agrário e apontar para um futuro urbano e ascético, futuro que já se descortinava à época em que José Lourenço ainda começava a pregar no seu quarto de rezar. Bibliografia Andrade, João Mendes. “A Oligarquia Acciolina e a Política dos governadores”. In Souza, Simone de (coordenação). História do Ceará. Fortaleza: Demócrito Rocha, UFC, 1989. Barros, Luitgard, C. O. “O movimento Religiosos de Juazeiro do Norte, Padre Cícero e o Fenômeno do Caldeirão”. Idem. Neves, Berenice Abreu de Castro. “Intrépidos romeiros do progresso’: maçons cearenses do império’”. In Souza, Simone e Neves. “Intelectuais”. Fortaleza, edição Demócrito Rocha,2002. Ramos, Francisco Régis Lopes. “Narrativas em fogo cruzado: Padre Cícero, Lampião e Guerra de 14”. Trajetos. Revista do programa de Pós-Graduação em História Social e do Departamento de História da Universidade Federal do Ceará. - v. 2, n. 3(dez. 2002). - Fortaleza: Departamento de História da UFC, 2002. DAMASCENO, Ana Daniella. O Analfabetismo nos Discursos Oficiais Produzidos no Ceará do Início do Século XX, UECE http://www.pucpr.br/eventos/educere/educere2009/anais/pdf/2955_1557.pdf acessado em 05/01/2011 xa.yimg.com/kq/groups/23339592/.../name/Cap+1+Gleudosn+Passos.pdf acessado em 05/01/2011 Araujo, João Mauro . Beato Lourenço, A chacina do Sítio Caldeirão, Revista Problemas Brasileiros http://www.gentedanossaterra.com.br/beato.html acessado em 05/01/2011 Cícero Romão Batista http://pt.wikipedia.org/wiki/C%C3%ADcero_Romão_Batista acessado em 05/01/2011
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26/5/2011 - A discussão sobre a natureza das coleções legais do Oriente Antigo

 Há mais de um século, tem tomado os meios acadêmicos a questão que trata a respeito da natureza legal dos textos legais encontrados no fim do século XIX. Dentre eles o de maior destaque seriam as estelas de Hamurábi, que, segundo V. Scheil(1902), seriam a primeira codificação legal até então encontrada. Assim, passou a ser corrente a idéia de que seriam uma codificação do direito consuetudinário vigente à época, até que, ao tomarmos por base a definição de código legal - que diz que pode-se considerar código uma coleção de todo direito consuetudinário ou de parte dele com o intuito de criar um livro de leis que todos os juízes deveriam seguir em suas sentenças, o que não acontecia nas estelas, que se calavam frente a diversas situações do cotidiano – teríamos, segundo Kraus(1960) que a intenção real das estelas seria a de ser mero exercício para os escribas da escola de É.DUB.BAA., responsável pela elaboração de variedades de listas, coleções de prognósticos, tratados de medicina... então não poderiam ser tratadas como leis pois nunca, na verdade, teriam encontrado vigência e portanto efetividade. Esta tese foi aceita por boa parte dos assiriólogos, que também teriam corroborado com a teoria de Finkelstein, que levantou a hipótese de as estelas de Hamurábi, seriam, em verdade, materiais de propaganda imperial, consagrando Hamurábi como um rei dotado de ímpar senso se justiça.Em trabalhos publicados em 1985 e 1989, Westbrook. No primeiro artigo, revisita a questão incluindo não só textos cuneiformes, mas também o Deuteronômio e o Livro da Aliança. Já o segundo criticará a posição de Kraus, afirmando que as coleções de presságios médio-assírias teriam, sim, um papel importante nas decisões judiciais da época, fazendo uso de diversos indícios para comprovar sua hipótese, como, por exemplo, a importância que os hititas davam à atualização destes textos legais.

Em 1988, Zaccagnini irá demonstrar que os escritos babilônicos possuiriam, indubitavelmente, um ideal de justiça, sem, contudo, ser meras formulações abstratas, mas, na verdade, normas muito fundamentadas nos casos que lhes deram origem. No entanto, as prescrições presentes nos textos babilônicos não foram tão bem traçadas nos Esnunna e coleções legais hititas e médio-assírias.

Os historiadores do direito comparado têm confrontado essas teorias, com base em fortes argumentos. Pois,  em primeiro tomemos  o preâmbulo encontrado nas Estelas de Hamurábi: “Que o homem oprimido, que está implicado num processo, venha diante da minha estela de Rei da Justiça, leia, atentamente, a minha estela escrita e ouça minhas palavras preciosas. Que a minha estela resolva a questão, ele veja seu direito, o seu coração se dilate”. Diante de tais palavras, Petschow afirma que o queixoso poderia ter a certeza de que o juiz aplicaria a sentença com base no que diziam as estelas.

Outro argumento seria o da manutenção da ordem no reino de Hamurábi, dado o tamanho de seu império e a necessidade de organizá-lo e preservar sua unidade, fazia-se de suma importância a codificação das leis, como sendo única maneira de atingir tais objetivos, reforçando o terceiro argumento que dá conta do fato de não haverem sido encontradas discrepâncias entre as prescrições das estelas e os referentes ao cotidiano.

 Então, uma assirióloga e jurista, S. Lanfont, trouxe o conceito de fonte subsidiária para a discussão, ela propôs que o que ocorreria seria que aquele que em julgamento se sentisse injustiçado contaria, em uma espécie de páleo-direito à duplo grau de jurisdição, em que poderia argüir em seu favor o texto das estelas. Evidente é que o conceito de subsidiariedade jurídica é algo relativamente recente, mas o uso desse tipo de norma é prática corriqueira desde há muito.

É bem verdade que acerca disso há muito ainda que se discutir, pelo menos até que se façam novas descobertas significativas para o impasse.

 

 

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29/7/2010 - Soooooooooooooooo Cute!

 muito fofo:

 

 

O que você está fazendo?” “Rodando no sentido anti-horário. Cada volta rouba um pouco do momento angular do planeta. Diminuindo a sua rotação um pouquinho de nada. Esticando a noite, empurrando o alvorecer. Me dando um pouco mais de tempo aqui. COM VOCÊ”.

ouvir isso de uma guria deve ser uma passagem para o céu, por dois motivos: ela é muito afim de ti e é inteligente pra kct. o que quer dizer que: ou você também é bem esperto, interessante até um monte. ou tem um motivo de uns 30 centimetros  dentro da calça... você é um pessoa feliz por qualquer ds 3. hehehehe 

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28/7/2010 - baseado no empirismo é confirmado o fato científico: Axé music não só emburrece como alucina

Depois a gente diz que música baiana emburrece e é chamado de reacionário, elitista, generalista...



É impressão minha que seriam 361 dias, ou a matemática mudou?
Uma vez que já começamos a tratar de tosqueirices, para quem tinha dúvidas sobre a chegada do Fim dos Tempos...
http://www.youtube.com/watch?v=zTZE8rsh_0I
Manja a nova onda do Luiz Caldas!!!!
HAHAHAHAHAHAHAHAHA!
o "célebre" cantor(?) e compositor(?!?!?!?!?!?!) baiano agora juntou uma grana pra comprar o sapatos com que há tanto sonhava... e quando o fez, algo afetou sua cachola - possivelmente o fato de se livrar dos bichos de pé acumulados ao longo de tantos anos sendo refratário ao uso de calçados - , talvez a evolução de seus níveis nutricionais tenham sido demais para seu organismo, então o cara do beijo na bochecha, do ajariô ajariô ô ô axé babá axé babá, resolveu recorrer ao Heavy Metal como recente forma de expressão...
uhuhuhuhuhuhuhuhuhhuhu
o som tem peso, mas nada original, e a letra(vamos inferir, com esse vocábulo o mais profundo sarcasmo) é MUITO RUIM! Pensando bem, o que havia de se esperar...?
 

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28/7/2010 - Breve resumo a respeito das grandes navegações

 É fato que, de vez em quando, pesquisamos algo de verdadeiramente útil na internet, então para aqueles que, assim como eu, se encontram na tentativa quase insana de ganhar dinheiro depois de estudar História, disponibilizo um resumo sobre a Unificação de Portugal as Grandes Navegações que escrevi há um tempo. Caso encontrem alguma inconsistência ou erro não se façam rogados e me iluminem com seu conhecimento(só nõ se esqueçam de que se trata de mero resumo).

Unificação e Navegações.

Em meio à guerra pela reconquista, o rei de Leão e Castela, D. Afonso VI, entrega, por mérito em combate, o Condado Portucalense à D. Henrique de Borgonha, juntamente com a mão de sua filha, Teresa de Leão, tendo feito, ao longo dos anos, o possível para dar ao condado portucalense toda autonomia que este pudesse ter.

Em 1128, após várias escaramuças contra Da. Teresa de Leão, o jovem Afonso Henriques, tendo armado a si próprio cavaleiro, toma o Condado Portucalense e o converte em Reino, se tornando, assim, o primeiro rei de Portugal, em 1139, bem como do primeiro estado europeu plenamente unificado.

O novo reino era situado próximo à comunicação do Mar Mediterrâneo com o Oceano Atlântico, o que tornava este país em um importante entreposto comercial na rota marítima entre Flandres - burgo em franca ascendência em termos de importância econômica – e a Europa Central, mais especificamente para Gênova e Veneza. Tão privilegiada posição teria vital papel no desenvolvimento da tecnologia náutica lusitana, tanto em termos econômicos, quanto à assimilação deste tipo de conhecimento.

Mas Flandres também era alvo de disputa entre França e Inglaterra, o que levaria a outra: a corrida por estabelecer zonas de influência. Então, com a bipolarização, Castela escolheu o estreitar relações com a França para ter maior poder e, desta feita, levar a cbo o antigo desejo de reanexar Portugal, direcionando os portugueses a firmar aliança com a Inglaterra. Essa trama seria responsável, ainda, por deixar Portugal um tanto mais livre para realizar suas navegações sendo que, apesar da aliança, tinha grau de relevância reduzido para aquelas grandes potências que se ocupavam, naquele momento, de rusgas entre si bem como com altercações internas, o que não acontecia na porção lusitana da Andaluzia.

Em 1386, as pelejas em torno destes objetivos antagônicos, culminaram na Batalha de Albujarrota, vencida por Portugal. O resultado dessa guerra foi acompanhado por um grande fortalecimento da burguesia e, em conseqüência, de seus interesses o que já havia tido início em 1383, com a revolta da burguesia que pôs em prática a política do Mestre de Avis que visava a centralização do poder monárquico, fato levou ao reagrupamento dos burgueses, nobres e os ascendentes burocratas em torno da coroa, fortalecendo-a, o que levou Castela a se conter e celebrar a paz em 1411.

Agora, livre de conflitos internos e externos dignos de nota, um estado unificado, uma forte burguesia e aparato burocrático em expansão, o infante D. Henrique se fixa em Sagres onde(deixando de lado discussões a respeito da existência ou localização) teria fundado a Escola de Sagres, instituição que visaria aperfeiçoar(astrolábio, quadrante,a engenhria náutica que daria origem à caravela) e criar novas tecnologias de “marear”.

Alvissareiras incursões já haviam se aventurado pela costa da África, contudo o maior marco ocorreu em 1434, quando Gil Eanes contornou o Cabo do Bojador, lugar de onde se acreditava impossível voltar, pois ali existiriam monstros e, além, o fim do mundo, o grande abismo, o que dá início, também ao declínio do argumento de autoridade, deveras vigoroso até então e posto em cheque principalmente por obra de notáveis humanistas lusos como Duarte Pacheco Pereira, Diogo Gomes e Dom João de Castro, era a derrocada da Geografia de Ptolomeu.

Como Ceuta já havia sido tomada em 1415, Portugal nutria desejo de avançar sobre o Tânger com ganas de consolidar sua hegemonia sobre as portas do Mediterrâneo, facilitando a importação das valiosas especiarias, – tomando em conta os hábitos alimentares da população européia que necessitava dessas destes condimentos tanto para melhor conservar sua produção de carne como também para disfarçar-lhe o gosto pútrido advindo de um precário processo de armazenamento – dada a lamuriosa condição financeira em que se encontrava a terra dos Algarves , em 1437, D. Henrique obtém o consentimento de D. Duarte e se lança à temerária empresa.

A investida finda em desastre, D. Fernando é capturado pelos mouros, que, como resgate exigem a devolução de Ceuta.

Tal infortúnio, apesar de piorar a já sôfrega situação de Portugal, faz com que os lusitanos não tenham outra alternativa a não ser procurar novas rotas marítimas para as Índias, tanto eliminando o intermédio dos mercadores mulçumanos que levavam as especiarias até o norte da África cobrando grandes vultos, como aumentar sua margem de lucros através da cabotagem pela costa do continente negro.

Fato que assaz aumentou o interesse português nas expedições africanas foi a empresa de Afonso Gonçalves Baldaia ao Bojador, em 1436, de onde voltou com duas mercadorias que passariam a ter superior importância histórica a partir de então: ouro e escravos negros. Por mais de 50 anos foram inúmeras e impiedosas viagens à África com o objetivo de encontrar a fonte do ouro africano, não a encontrando, não se faziam rogados e voltavam com mais escravos. Para facilitar esta atividade comercial e proteger ferozmente seus interesses, os portugueses trataram de instalar diversas feitorias ao longo do litoral africano,bem como estabelecer a política de confrontar e dizimar a tripulação de qualquer embarcação estrangeira. Estava consolidado açoite das costas africanas pelo punho luso, que duraria até o século XIX.

Mas a agora unificada Espanha acompanhava com interesse a os avanços lusitanos com firme propósito de competir pelo escambo e escravos africanos, no entanto, a sólida presença portuguesa no continente tornou as tentativas infrutíferas. Somado a isso, a Espanha voltou a perder Granada. Eis que surge Cristovão Colombo com o inusitado projeto de circunavegar o globo terrestre e, obtendo a ajuda do confessor de Isabel de Castela, obtém o apoio necessário à sua pretensão.

Com o retorno de Colombo dando conta de haver chegado a Cipango, Portugal se apressou em desenvolver sua própria rota para as Índias. Em 1497, Vasco da Gama logra êxito em chegar à Calecute, depois de explorar a face oriental da África. Retornando a Portugal, dá detalhes de sua expedição, de suma importância para que as viagens às Índias se tronassem mais freqüentes, sendo que dado ao valor econômico dessas novas relações, nem a invasão do Brasil, em 1500, lhes tirou as atenções das novas rotas estabelecidas.

Contudo, Portugal não se tolhe de perseguir seu quinhão na descoberta das novas terras, sobretudo após se soube da notícia de os espanhóis terem encontrado ouro e civilizações relativamente avançadas. O que dá ensejo a uma crise luso-castelhana, tendo a Espanha pedido intervenção ao Pontificado de Alexandre VI que emitiu uma série de bulas que afirmavam a posse espanhola das terras ocidentais, conquanto, diante das negativas da coroa portuguesa em aceitar o acordo, seguiram-se diversas visitas diplomáticas almejando dirimir o impasse, o que ocorreu em 1494, com o Tratado de Tordesilhas.

 

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28/7/2010 - É preferível assistir filmes dublados ou legendados?

 Sempre que se combina com a galera de assistir um filme na casa de alguém sempre rola essa discussão: "vamos ver dublado ou legendado?", e, como sempre sou vencido pela infame ditadura da maioria, quando acabo por ficar com os olhos semi-cerrados tentando decifrar as letrinhas no canto inferior da tela ou perdendo o que mais gosto em filmes: sua magia de me fazer desligar do mundo...

Entendo realmente ponto de vista de quem prefere os legendados, contudo sou partidário dos filmes dublados E legendados – não só para facilitar a inclusão dos deficientes auditivos visuais e dos disléxicos, mesmo não me incluindo em nenhuma destas categorias, como também porque, dos meus sentidos, predominante é a visão. Gosto de me concentrar na história e no visual do filme, efeitos, fotografia, penso que isso acaba um pouco perdido quando temos que ler legendas, há também o fato de nossa dublagem ser reconhecidamente uma das melhores do mundo o que conta muitos pontos.

Outra coisa que a dublagem torna possível, e aqui vai a dica par sites onde se exibem séries e filmes de online, não existe nada melhor do que vc deixar seu desktop ligado a uma certa distância da sua cama, comprar um monte de cerveja, abusar da samba-canção, se estirar em seu leito com o devidos amendoins e cigarros e isopor lotado da já referida bebida bem gelada e então sem preocupações como: “será que vai dar pra ler a legenda daqui?” ou “pow, minha vista já tá embaçada” pode apertar o play de uma maratona particular de seriados ou um filme muito bom(ou mesmo meia-boca, porém divertido) e, a partir de um som estéreo previamente instalado no seu aparelho de som via um cabo p2/rca de R$ 4,00, poder entender todo o filme sem precisar, tropegamente, deixar seu leito para ficar voltando insistentemente partes que passam rápido demais para um cérebro atordoado pelo álcool. faço isso uma vez por mês, por mais que minha namorada odeie(não gosto de assistir com ela pq ela é do tipo que adora falar enquanto o video rola… impressionante que eu ainda a ame, de todo modo, procuro me perder nessa realidade alternativa quando la vai para suas horas intermináveis no salão de beleza, sendo que ela não reclama tanto pois, já que não gosto de futebol, não saio de casa às 14h para o estádio e volto à meia-noite completamente bêbado),vai por mim, nesse cenário, só faltam duas coisas: uma tela de 50″ e uma mulher invisível e muda( para não atrapalhar o ato de assistir e não ser percebida pela digníssima hehe).É, acho que podemos dizer que essa é minha visão do paraíso…

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Sobre Mim

Blog para inconformitas, geeks, P.I.M.B.As(pseudo-intelectuais metidos a besta e afins) e qualquer outra ordem de desocupados que possa vir a surgir em tempos de ultrarrotulação sócio-cultural.

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